De pai para filho

Pastor metodista fala da contribuição da literatura adventista para a formação religiosa da sua família
WENDEL LIMA
Nicanor usou a coleção As Belas Histórias da Bíblia com os filhos e depois guardou o material por décadas para presentear os netos. Foto: Arquivo pessoal

Conheci as publicações adventistas ainda na juventude, em Santos (SP). Eu era membro da Igreja Metodista e tinha um amigo adventista que, vez ou outra, me presenteava com a Revista Adventista. Isso foi na década de 1970”, conta o pastor Nicanor Lopes, de 60 anos.

Até ali sua impressão sobre a Igreja Adventista refletia um pouco da discussão apologética existente entre a juventude cristã da época. Para ele, os adventistas tinham jeito de evangélicos, mas o fato de não guardarem o domingo era algo que gerava desconfiança nele.

A despeito isso, Nicanor via com bons olhos as publicações adventistas infantis e sobre saúde. Foi em meados da década de 1980, quando ele trabalhava como pastor em Rondonópolis (MT), que um colportor chegou até sua casa por intermédio da escola adventista local. Naquele tempo e contexto, o acesso a produtos cristãos era bem mais difícil do que hoje.

“Como eu gostava muito da música dos Arautos do Rei, comprei uma coleção de LPs do grupo e, logo depois, uma coleção de As Belas Histórias da Bíblia”, lembra Nicanor, que é casado com uma musicista e diz ser admirador também do grupo Novo Tom. “Eles conseguiram unir musicalidade contemporânea e responsabilidade teológica nas letras”, justifica. No fim dos anos 1980, ele ainda assinava as revistas Nosso Amiguinho e Vida e Saúde. Porém, é da obra As Belas Histórias da Bíblia que a família Lopes guarda as recordações mais especiais.

Esse material foi útil principalmente nos quatro anos (1993-1997) em que Nicanor e sua família serviram na Alemanha. No intuito de que seus dois filhos conhecessem bem as narrativas bíblicas e não perdessem o contato com a língua portuguesa, Lúcia Helena, a mãe, contava histórias para as crianças antes de dormir. Quando voltaram para o Brasil, os filhos já estavam maiores e não se interessavam mais pelo material. Porém, a coleção foi guardada na biblioteca do pai.

O tempo passou, e os filhos dele se casaram e acabaram se tornando pais no mesmo ano, em 2015. “No dia do batizado do meu neto Mathias e da minha neta Luna, surpreendi meus filhos e noras dando de presente cinco volumes da coleção As Belas Histórias da Bíblia para cada família. E os desafiei a conceder aos meus netos o mesmo direito que eles tiveram de conhecer as narrativas bíblicas. Foi um momento de comoção na família, porque muitas memórias vieram à tona”, ele relata.

Dos 37 anos de ministério de Nicanor, que se aposentou em dezembro, 18 deles foram vividos como professor da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo. No programa de mestrado e doutorado da Umesp, ele teve a oportunidade de lecionar para adventistas e orientar pesquisas sobre o adventismo, o que classifica como uma experiência enriquecedora. Ele destaca o interesse de alguns adventistas em entender melhor os desafios missiológicos atuais.

Os estudos acadêmicos indicam que as igrejas protestantes de missão usaram as publicações, a educação e a ação social como suas principais estratégias de expansão no Brasil. Contudo, segundo o professor, talvez o adventismo se destaque por ter mantido o ministério da colportagem, se atualizado no ensino confessional e inovado em musicalidade e no uso das mídias digitais.

WENDEL LIMA é editor associado da Revista Adventista

(Texto publicado na seção Páginas de Esperança da edição de maio de 2019 da Revista Adventista)

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