Água para o sertão nordestino

A Maranatha já perfurou poços em mais de mil comunidades de oito países e agora irá abastecer a região mais árida do Brasil
Depois da primeira perfuração em Juazeiro, na Bahia, o plano é fornecer água potável para outras regiões do sertão nordestino. Foto: Maranatha Brasil

O recente esforço da Maranatha para perfurar seu primeiro poço no Brasil provou ser uma lição de fé e determinação. A tentativa ocorreu no povoado de Campestre, localizado no município baiano de Juazeiro. Nessa região, a chuva é rara, e a única maneira de obter água é fazer com que ela seja entregue. No entanto, por ser muito caro, o fornecimento do líquido é inacessível para a maioria da população. Por isso, a iniciativa da Maranatha trouxe entusiasmo e esperança aos membros da igreja adventista local e à comunidade vizinha.

“Não ter água aqui é a diferença entre a vida e a morte para as pessoas, o gado e a lavoura”, afirma Elmer Barbosa, diretor da Maranatha no Brasil. “Assim, cada metro perfurado traz a esperança de um milagre de Deus”, ele acrescenta.

A perfuração do poço começou e as brocas chegaram a 80 metros, profundidade em que se esperava encontrar água. Mas ela não apareceu. A perfuração continuou até 100 metros, profundidade máxima que havia sido contratada.

Os membros da comunidade começaram a ficar preocupados. Afinal, as brocas já tinham ido muito além do ponto em que a água deveria estar. Mas as máquinas continuaram trabalhando no solo árido. A 122 metros ainda não haviam encontrado água. Isso fez com que a empresa de perfuração se dispusesse a avançar mais doze metros sem cobrar nada pelo serviço. Mas isso não foi suficiente.

Diante da situação, o pastor da igreja local se dispôs a fazer uma doação para manter a perfuração. Os membros também se mobilizaram e reuniram seus recursos, apesar das limitações financeiras. Rapidamente eles levantaram a soma necessária para perfurar mais 20 metros. No entanto, a 146 metros, a máquina quebrou.

Com o apoio da sede administrativa da igreja, a perfuração recomeçou dois dias depois e a empresa finalmente encontrou água a 166 metros! “Os membros da Igreja Adventista de Campestre estão muito agradecidos pela conquista”, ressalta Elmer Barbosa.

O programa de perfuração de poços da Maranatha começou em 2008 como um complemento aos esforços de construção de templos e escolas em Moçambique. Desde então, esse importante ministério de apoio forneceu água para mais de mil comunidades de oito países: Angola, Bangladesh, Cuba, República Dominicana, Índia, Quênia, Zâmbia e Zimbábue. Em breve, a Maranatha também começará a perfurar poços na Costa do Marfim.

Segundo o pastor Elmer Barbosa, depois da primeira experiência bem-sucedida em solo brasileiro, a entidade votou nesta segunda-feira (6) um projeto de perfuração de poços que irá beneficiar inicialmente regiões áridas do Nordeste. O trabalho será realizado em parceria com as sedes administrativas adventistas locais. “Nos últimos anos, a Maranatha construiu cerca de mil igrejas no Brasil e agora nós vamos retornar a esses lugares para estudar a viabilidade de implantação de poços artesianos”, ele informa.

Segundo a Maranatha Brasil, cada poço no Brasil tem um custo aproximado de 15 mil reais, incluindo perfuração, bomba, ligações hidráulicas e reservatório. Mas Barbosa explica que o valor pode chegar a 20 mil reais em alguns lugares devido a fatores como as características do solo e profundidade do lençol freático. Embora em alguns países a Maranatha esteja utilizando equipamentos próprios, a perfuração no Brasil será terceirizada, o que também encarece o processo. Por se tratar de um valor alto, a entidade está promovendo uma campanha a fim de levantar recursos para o projeto (para saber como doar, clique aqui). [Equipe da Maranatha Brasil / Com informações de Márcio Tonetti]

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  • Nicolas Dias

    amem