Jornada única

Como perceber, interpretar e experimentar melhor esse presente que é a vida

ADRIANA SERATTO

Viver na era da tecnologia, da informação instantânea e dos relacionamentos superficiais, que geram solidão e angústia, não é fácil tarefa. Nesse contexto, o ser humano necessita refletir cada vez mais sobre si mesmo, sobre a vida e a morte, bem como gerenciar seus conflitos.

A Bíblia retrata como “feliz” o ser humano “que adquire conhecimento” (Pv 3:13). Para a escritora norte-americana e pioneira adventista Ellen G. White, “conhecimento e ciência têm que ser vitalizados pelo Espírito de Deus, a fim de que sirvam aos propósitos mais nobres” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 16). Nessa linha de pensamento, o livro A Vida é uma Arte (CPB, 2019, p. 256) une o conhecimento científico da psicologia ao propósito divino para preencher a necessidade urgente que o ser humano tem de conhecer a si mesmo.

Dividida em sete seções, a obra é um passeio pela experiência humana, do nascimento à velhice. Além disso, oferece parâmetros para o autoconhecimento e a desconstrução de crenças negativas a respeito de si mesmo, o que ajuda na superação do medo, da frustração e infelicidade. Também discorre sobre a tríade básica por meio da qual o ser humano manifesta seus valores – amor, poder e justiça –, mostrando que o processo conhecido como inteligência emocional pode e deve ser aperfeiçoado para o bem-estar do indivíduo e da sociedade.

Escrito por Belisário Marques, doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de Maryland (EUA), o livro proporciona recursos para o leitor descobrir seu valor pessoal, livrar-se da ansiedade, enfrentar a violência, cultivar a confiança, superar a traição, preparar-se para viver a última fase da vida com sabedoria e, acima de tudo, amar e viver feliz, apesar das dificuldades.

TRECHOS

“Você pode se enganar dizendo que não percebeu, não viu, não sentiu, não ouviu, não machucou, não quis e não fez… Você pode negar injustiças, paradoxos, contradições e frustrações que a vida impõe. Entretanto, sua negação não impede a existência dos fatos, não os elimina de sua mente nem apaga seus efeitos. Ao negar, você destrói sua parte lógica, executiva e autorreguladora. Você perde a motivação. Na verdade, troca vigor, força e saúde por fragilidade, fraqueza e doença” (p. 52).

“Você chegou aonde está depois de um período longo de aprendizado negativo. Ora, se aprendeu o negativo, é óbvio que pode aprender o positivo. Pode levar algum tempo para alcançar seu propósito, porém mudanças nunca são repentinas, por mais que se deseje” (p. 54).

ADRIANA SERATTO, formada em Letras, é pós-graduada em Estudos Adventistas e trabalha como revisora de livros na CPB

(Esta resenha foi publicada na edição de junho de 2019 da Revista Adventista)

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