Curando há sete décadas

O Hospital Adventista do Pênfigo, em Campo Grande (MS), se tornou conhecido por ser uma referência na área dermatológica, mas hoje atende 20 especialidades
CHARLISE ALVES
A instituição de saúde adventista completou 70 anos de existência. Foto: Hospital Adventista do Pênfigo

A comemoração dos 70 anos do Hospital Adventista do Pênfigo incluiu uma feira de saúde na comunidade e uma corrida de rua. A intenção foi mostrar que seu papel vai além do tratamento de doenças

história do Hospital Adventista do Pênfigo, em Campo Grande, está bastante entrelaçada com a da cidade sul-mato-grossense. A instituição que completa 70 anos em 2019 deu nome a bairros e logradouros. Além disso, o legado de médicos e gestores que por ali passaram também é reconhecido e lembrado no município.

Por exemplo, o nome de Gunter Hans, que liderou a instituição adventista por 14 anos, é prestigiado em departamentos de grandes hospitais e universidades, e identifica uma conhecida avenida de Campo Grande. Além de viabilizar a construção de uma moderna e ampla estrutura hospitalar com 60 leitos, equipada com centro cirúrgico, radiologia e gabinete dentário, nas décadas de 1960 e 1970 o ilustre dermatologista investiu em uma escola e em uma capela com o objetivo de oferecer atendimento integral aos pacientes. Outra grande contribuição do doutor Gunter foi a adaptação da fórmula da pomada à base de piche que era usada no tratamento do fogo selvagem. Esse trabalho, feito em parceria com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), melhorou a segurança e a tolerância ao medicamento.

Foi nesse mesmo período que o HAP deu um passo importante para se tornar uma referência internacional na área dermatológica. Nessa época, estudos científicos já mostravam que o fogo selvagem era uma doença autoimune, mas a medicina ainda dava os primeiros passos no tratamento da doença. Ao introduzir a corticoterapia, a instituição inovou o método e, gradualmente, passou a ser procurada por pessoas de diversas regiões do Brasil e até de outros países.

Ao longo de sete décadas de existência, a instituição, que teve início com a busca incessante do pastor Alfredo Barbosa para encontrar a cura e aliviar o sofrimento da esposa, Áurea, vítima da doença conhecida popularmente como fogo selvagem (cientificamente denominada de pênfigo foliáceo), cresceu e se modernizou. Com a diminuição da incidência de pênfigo, os médicos perceberam a necessidade de transformar o hospital dermatológico em hospital geral. Hoje a instituição oferece atendimento em mais de 20 especialidades. Atualmente o HAP também é referência em ortopedia na região de Campo Grande.

Em 2007, a igreja adquiriu a unidade que fica no centro da cidade (antiga maternidade Pró-Matre). A Unidade Matriz também foi reformada com o objetivo de ampliar o atendimento. Além disso, foram inaugurados outros serviços na Unidade Centro e áreas de Diagnóstico por Imagem, com reformas significativas nas recepções, pronto atendimento e internações nas duas unidades.

Celebração do 70º aniversário do Hospital Adventista do Pênfigo incluiu uma feira de saúde na comunidade e uma corrida de rua. A intenção foi mostrar que seu papel vai além do tratamento de doenças. Foto: acervo HAP

Em 70 anos de história, 26 diretores médicos e administrativos passaram pelo HAP. Alguns deles foram homenageados durante um culto de ação de graças realizado no fim de maio. A instituição também celebrou a data promovendo o estilo de vida saudável por meio de uma feira de saúde e de uma corrida que reuniram cerca de 1,5 mil pessoas.

“É muito bom saber que o hospital faz parte de Campo Grande e que ambos cresceram juntos para benefício da saúde da população”, afirma Everton Martin, diretor administrativo da instituição.

CHARLISE ALVES é jornalista e atua como assessora de comunicação do Hospital Adventista do Pênfigo

(Esta notícia foi publicada originalmente na edição de julho de 2019 da Revista Adventista)

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