No centro do poder

Com a eleição de James Marabe para primeiro-ministro, adventistas lideram os três poderes de Papua-Nova Guiné

Jared Stackelroth

James Marabe, de 48 anos, foi aluno da educação adventista e é ancião da Igreja de Korobosea. Ele foi eleito primeiro-ministro em maio. Foto: Adventist Record

James Marape, de 48 anos, um adventista do sétimo dia, foi eleito o oitavo primeiro-ministro de Papua-Nova Guiné, em Port Moresby, capital do país, em 30 de maio. Sua nomeação ocorreu após várias semanas de tumulto político que abalaram o governo local e pressionaram o então primeiro-ministro, Peter O’Neill, a deixar o cargo.

O’Neill renunciou em abril, após sete anos na função. Ele foi criticado por causa de um projeto multibilionário que promete dobrar o volume de exportações de gás do país, mas que, segundo líderes das comunidades tradicionais, excluiria povos nativos dos dividendos do negócio. De acordo com a TV Al Jazeera, Marape, que era ministro da Fazenda do governo O’Neill, deixou o cargo também em abril por questionar o acordo com a multinacional francesa Total nesse projeto.

A agência de notícias britânica BBC informou que a maioria esmagadora dos parlamentares votou em Marape: 101 favoráveis e apenas oito contrários. James Marape foi eleito anteriormente para o Parlamento, a fim de representar a comunidade de Tari-Pori, na província de Hela. Ele é ancião da Igreja Adventista de Korobosea, e estudou na Escola Adventista de Kabiufa, na província de Highlands.

A página oficial do Parlamento de Papua-Nova Guiné informa que ele tem uma graduação em Artes e uma pós-graduação em Ciências Ambientais pela Universidade de Papua-Nova Guiné. Marape já trabalhou também como secretário de Obras e Transportes e ministro da Educação.

De acordo com o jornal inglês The Guardian, em seu discurso após a eleição, Marape disse que trabalhará para reverter a crise econômica do país, que, segundo ele, está sangrando. O novo primeiro-ministro parece ter dado um recado também para as empresas internacionais: “Vamos procurar maximizar o ganho dos recursos naturais dados por Deus a este país. Este governo terá tudo que ver com colocar a nação no lugar certo e recuperar nossa economia. […] Não precisamos de estrangeiros para levar vantagem na restauração de nossas florestas.”

Em postagem no Facebook após a eleição, Marape escreveu que considerava um privilégio a oportunidade de servir como chefe de uma nação formada por tantas etnias. Ele acrescentou que não prometia ser a resposta para todos os desafios do país, mas que faria seu melhor. “Sem Deus, eu não teria chegado tão longe; portanto, o mínimo que posso fazer é dar meu melhor pelos filhos Dele em Papua-Nova Guiné”, completou. O que ele prometeu, segundo a TV Al Jazeera , é trabalhar para que Papua-Nova Guiné se torne “a nação cristã negra mais rica da Terra em dez anos” e colocar o “interesse nacional acima do interesse pessoal e corporativo”.

O pastor Glenn Townend, presidente da Divisão do Sul do Pacífico da Igreja Adventista, parabenizou Marape e prometeu orar por ele. “Oramos para que ele continue a receber a direção de Deus na liderança desse expressivo país. Seus princípios e herança adventista irão mantê-lo com boa reputação”, destacou o líder da igreja.

Com 8 milhões de habitantes e independente da Austrália desde 1975, Papua-Nova Guiné é o país com maior número de adventistas no Sul do Pacífico: 310 mil membros (2017). É também a única nação do mundo em que os líderes dos três poderes são adventistas: James Marape (executivo), Job Pomat (legislativo) e Gibbs Salika (judiciário).

JARROD STACKELROTH é editor da revista Adventist Record (com informações adicionais de Wendel Lima)

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