Passado e presente

Igreja celebra centenário da União Sudeste Brasileira, recordando sua trajetória e planejando seus próximos passos

Fernanda Beatriz

Concílio pastoral reuniu 520 líderes da região. O desafio estabelecido para as congregações é estudar a Bíblia com pelo menos cem pessoas neste ano. Foto: Thayrine Braun

Há cem anos, havia apenas 916 adventistas num território que abrangia as regiões Sudeste (exceto São Paulo), Centro-Oeste, Nordeste e Norte do ­Brasil, totalizando 16 estados. A Igreja Adventista nessa área era administrada pela então recém-inaugurada União Missão Norte, com sede no Rio de Janeiro.

Um dos grandes desafios da época era o atendimento pastoral. Deslocando-se de trem, no lombo de animais ou até mesmo a pé, os pastores levavam de seis a oito meses para retornar a uma igreja e realizar ritos como o batismo e a Santa Ceia.

“Para se ter uma ideia, o pastor Frederick Spies viajou por 15 dias de navio, saindo do Rio de Janeiro para atender sua igreja em Belém, no Pará”, relata o pastor Leonidas Guedes, secretário ­executivo da União Sudeste Brasileira. Ele é o autor da obra Olhando Para Trás, Nos Movemos Para Frente, livro comemorativo do centenário lançado em junho.

Ao longo do século 20, como fruto direto dos esforços dos pioneiros, mais pessoas conheceram a mensagem adventista e novas congregações e escritórios administrativos foram estabelecidos. Hoje, a Useb é bem menor em extensão geográfica (Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo), mas muito maior em número de membros (217 mil).

A comemoração do centenário procurou envolver as 2,5 mil igrejas do território, desafiando cada congregação a estudar a Bíblia com pelo menos cem pessoas em 2019. O clímax da celebração foi a realização de um concílio ministerial com 520 pastores, em Guarapari (ES), nos dias 16 a 19 de junho.

“Por vezes, entramos numa zona de conforto e nos esquecemos de que nossos antepassados fizeram muito sem ter quase nada”, disse o pastor Judson Lino, que lidera a Igreja Central de Guarapari, ao comentar uma apresentação sobre a história da União realizada no evento.

De acordo com o pastor Mauricio Lima, líder dos adventistas fluminenses, mineiros e capixabas, o território da União Sudeste Brasileira apresenta desafios diferentes da época dos pioneiros, mas eles existem. Ele menciona a evangelização de metrópoles como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, nas quais a presença adventista não é tão representativa, além do plantio de igrejas em centenas de cidades não alcançadas no interior dos três estados. Dos 1.022 municípios da União, 457 (45%) ainda não têm presença adventista.

“Ao olharmos para a história dos pioneiros, vemos que eles avançaram com garra e perseverança tremendas. E nós alcançamos tudo isso hoje graças à determinação que eles tiveram. As dificuldades de hoje e do passado são diferentes, mas o que precisamos é a determinação que eles tiveram”, compara.

Com olhos no avanço da pregação e no futuro do adventismo na região, em dezembro começará a funcionar um nova sede administrativa em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A Missão Mineira Oeste terá 11 mil membros, 51 igrejas e 92 grupos.

FERNANDA BEATRIZ é jornalista e assessora de comunicação da União Sudeste Brasileira da Igreja Adventista

(Matéria publicada na edição de agosto de 2019 da Revista Adventista)

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