Por trás das câmeras

Livro reflete sobre a origem do cinema e o impacto de Hollywood na convicção moral e religiosa de bilhões de pessoas

André Vasconcelos

Imagem: Divulgação

Luz, câmera, ação! Essas palavras representam o encanto que Hollywood promete a seus espectadores por meio de três elementos básicos: brilho, imagens e movimento. Mas como esse encanto começou? Como a indústria do cinema norte-americano passou a ser uma potência mundial? Como os filmes se tornaram um dos produtos midiáticos mais consumidos ao redor do globo?

Para responder a essas e outras questões, o pastor Fernando Beier, autor dos livros Experimente um RecomeçoCrise Espiritual e do devocional Mais Cedo com Deus, publicados pela CPB, discorre sobre a evolução e o poderio do cinema nos Estados Unidos. Ao fazê-lo, também reflete sobre o impacto da ideologia de Hollywood na vida dos cristãos.

Assim, o livro O Encanto de Hollywood (CPB, 2019, 144 p.), que tem como base a dissertação de mestrado do autor, mostra que os filmes e seriados são parte de uma indústria de entretenimento que tem ajudado a moldar os valores morais e éticos da cultura contemporânea. Na obra, Beier avalia o assunto a partir da cosmovisão adventista, utilizando o conceito bíblico do grande conflito entre o bem e o mal como abordagem interpretativa.

O livro está dividido em 12 capítulos e dois apêndices. Alguns dos temas discutidos são: a ideologia por trás das câmeras, o processo de preparação dos roteiros, as adaptações da indústria fílmica, o surgimento das séries de televisão e os cuidados que os cristãos devem ter ao assistir a um filme.

A maior contribuição da obra, porém, se encontra no fato de o autor trazer para o centro da discussão o que realmente é o mais importante: o conteúdo. Dessa forma, ele revela que o problema é muito mais amplo do que apenas entrar ou não numa sala de cinema. Isso lhe permite concluir que “não há nada de errado em um cristão gostar de assistir a filmes, assim como não há problema algum em gostar de ouvir músicas. Se existe algum erro a ser apontado é este: assistir a todo e qualquer filme sem nenhuma preocupação e critério” (p. 123).

Em resumo, o livro oferece respostas para diversas questões polêmicas a respeito do cinema, bem como sugestões práticas que ajudarão o leitor a escolher o que deve preencher e inspirar sua vida. Chegou a hora de ir além de dicussões superficiais. Afinal, numa sociedade iludida pelos encantos do mal, é necessário ser criterioso e imitar a decisão do salmista: “Não porei coisa injusta diante dos meus olhos” (Sl 101:3).

TRECHO

“Há limites para tudo na vida, e o mesmo vale para o consumo de filmes. O cristão não deve achar que, por causa de sua profissão de fé religiosa, ele está imune ao perigo. […] Satanás faz uso abundante da cultura fílmica para impressionar a mente das pessoas com ideologias espúrias e pseudoverdades. O objetivo final é confundir o ser humano e solapar os princípios bíblicos” (p. 123).

ANDRÉ VASCONCELOS é pastor, pós-graduado em Teologia Bíblica pelo Unasp e editor associado de livros na CPB

(Resenha publicada na edição de agosto de 2019 da Revista Adventista)

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