O impacto da paternidade

Novas pesquisas sugerem que pais carinhosos podem beneficiar a saúde dos filhos
Equipe de comunicação da Universidade de Loma Linda
Foto: Kelly Sikkema

Não resta dúvida de que a educação oferecida pelos pais é determinante para a formação do caráter das crianças. Mas essa influência vai além. Ser bons pais parece ser determinante também para a saúde dos filhos na fase adulta. Foi o que sugeriu uma pesquisa recente realizada pela Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA).

De acordo com o estudo, pais que não apoiam os filhos podem provocar várias implicações negativas para a saúde das crianças, mesmo na idade adulta. A pesquisa revelou que os chamados telômeros, capa protetora das extremidades das cadeias do DNA, de filhos que declararam terem sido tratados com “frieza” pela mãe eram em média 25% menores quando comparados aos daqueles que disseram ter mães “carinhosas”.

Os estudiosos descobriram que o estresse na primeira infância está associado a telômeros mais curtos, um biomarcador que mede o envelhecimento celular acelerado e o aumento do risco de doenças na fase adulta. “Os telômeros têm sido chamados de relógio genético, mas agora sabemos que, à medida que o estresse aumenta, os telômeros diminuem, ampliando o risco de uma série de doenças e de morte prematura”, explica Raymond Knutsen, autor principal do estudo e professor associado da Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda. “Sabemos que cada vez que uma célula se divide os telômeros se encurtam, o que encurta sua vida útil”, acrescenta.

Curiosamente, as mutações nos genes que mantêm os telômeros causam um grupo de doenças raras que se assemelham ao envelhecimento prematuro. “No entanto”, conforme observa Knutsen, “sabemos que algumas células do corpo produzem uma enzima chamada telomerase, que pode reconstruir esses telômeros.”

A pesquisa, intitulada “Cold Parenting Is Associated With Cellular Aging in Offspring: A Retrospective Study”, utilizou dados de 200 participantes do Adventist Health Study 1 (AHS-1) e do AHS-2, estudos longitudinais da saúde dos adventistas na América do Norte.

O diferencial da pesquisa foi analisar mais de perto o impacto que o estilo de criação adotado pelos pais tem na sucessão dos telômeros. “A forma como alguém é criado parece contar uma história que está inter-relacionada com a sua genética”, diz Knutsen.

O estudo também examinou o impacto que a educação e o índice de massa corporal (IMC) podem exercer na associação entre paternidade fria e comprimento do telômero. “A associação com o estilo de criação dos pais foi maior entre aqueles com menor escolaridade e os que permaneceram com sobrepeso/obesos ou engordaram durante o acompanhamento, sugerindo que tanto a educação superior quanto o IMC normal podem proporcionar alguma resiliência contra a frieza dos pais e o envelhecimento celular”, sugeriu o estudo.

(Matéria publicada originalmente na edição de setembro de 2019 da Revista Adventista / Adventist World)

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