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Livro de teólogo espanhol reflete profunda e poeticamente a respeito de Deus, amor e casamento
Luciana Gruber
Imagem: Divulgação

Deus é amor. Ele é a fonte desse sentimento/princípio que move a humanidade. Esse é o resumo da revelação divina. E, para expressar os atributos comunicáveis de Seu perfeito caráter, Ele resolveu esculpir o primeiro casal à Sua imagem e semelhança e implantar nele o que sente por nós, unindo Adão e Eva em casamento.

No livro Amores Básicos (CPB, 2019, 120 p.), o teólogo espanhol Víctor Armenteros apresenta uma reflexão profunda e poética sobre o fundamento dos relacionamentos humanos: (1) o reconhecimento de Deus como a materialização absoluta do amor; (2) do casamento como a instituição planejada por Ele para unir um homem e uma mulher; (3) e do lar como o espaço de convivência privilegiado para construção da relação entre pais e filhos.

Em apenas nove capítulos, o autor mostra a grandeza do amor de Deus, o cuidado com o qual Ele criou o mundo para a humanidade e a importância do casamento no projeto divino de complementaridade física e emocional entre homem e mulher. Ele entende essa união como um pacto a três, firmado sem pressão, mas por vontade e desejo.

Ao ordenar que crescesse e se multiplicasse, Deus estava concedendo à humanidade a capacidade de gerar outras pessoas, alterando assim sua própria perspectiva de vida e futuro.

Armenteros também discute os problemas mais comuns nos relacionamentos, incluindo a “coisificação do outro”, e como isso destoa do ideal bíblico. Nessa linha, ele argumenta que a Bíblia e Deus não são machistas; portanto, nós também não podemos ser. Deus valoriza homem e mulher igualmente.

O autor destaca a importância do amor e da guarda dos mandamentos como salvaguarda do casal e de toda a sociedade. No último capítulo, ele faz uma bela análise da sexualidade e mostra que, desde a criação, as relações íntimas fazem parte do plano de Deus para o casal. Para ele, Deus não estabeleceu o sexo apenas para procriação, e sim para promover a união e satisfação mútua entre homem e mulher, sob a bênção do matrimônio.

A beleza ímpar da obra de Armenteros é sua encantadora análise sobre o livro bíblico Cântico dos Cânticos. Ele interpreta as imagens utilizadas por Salomão e extrai delas lições para os casais de noivos e recém-casados. E faz isso com sensibilidade artística e refinado conhecimento linguístico, habilidades próprias de alguém que é doutor em línguas semíticas pela Universidade de Granada, na Espanha, e que por vários anos tem lecionado em seminários teológicos na Argentina e em seu país de origem.

Como esclarece na introdução, o objetivo do autor é que os leitores aprendam a amar mais e, sobretudo, melhor.

TRECHOS

“Diga-me como você fala com seu cônjuge e direi como vai seu casamento. […] Gostemos ou não, somos um reflexo de nossas palavras” (p. 56).

“No princípio, Deus cria o ser humano como um ser sexuado. Não o cria assim por erro, mas por desejar que ele seja um ser social e que se complemente com o outro gênero. E o próprio Deus considera esse projeto muito bom, excelente” (p. 87).

“Todo ato sexual é uma renovação dos votos matrimoniais, uma declaração de que, apesar da passagem do tempo, o casal se deseja mutuamente e um precisa do outro” (p. 95).

LUCIANA GRUBER é revisora de livros denominacionais na Casa Publicadora Brasileira

(Resenha publicada na seção Estante da edição de setembro de 2019 da Revista Adventista)

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