Batismo da Primavera

Juvenis são maioria na principal cerimônia batismal do ano na América do Sul. E a liderança da igreja entende que essa fase é favorável para tomar a decisão mais importante da vida
Márcio Tonetti
Batismo da Primavera foi celebrado na Igreja Adventista das Mangueiras, em Tatuí (SP), com a decisão de treze juvenis. Foto: William Moraes

Um filme passou pela cabeça do pastor Paulo Pinheiro no último sábado, 21 de setembro, ao realizar o batismo de Francisca Lara, de 14 anos, na Igreja Adventista das Mangueiras, em Tatuí (SP). Coincidentemente, ele tinha a mesma idade da neta quando tomou a decisão de descer às águas batismais. Paulo foi um dos 48 juvenis batizados no primeiro Batismo da Primavera, realizado em 1963, na Igreja do bairro Madureira, no Rio de Janeiro.

Naquela época, ainda havia alguns tabus em relação ao batismo nessa faixa etária, conforme conta o pastor Ademar Quint, idealizador do programa. Mas, por entender que os juvenis não poderiam ser impedidos de ir a Cristo, ele formou uma classe bíblica com o objetivo de prepará-los para esse momento (veja neste link a matéria que publicamos por ocasião dos 50 anos do Batismo da Primavera: Jubileu-de-ouro). Hoje, evidentemente, a igreja tem uma percepção mais clara da importância do batismo para a afirmação da identidade religiosa nessa fase da vida. “Para o juvenil que desce às águas batismais, essa decisão significa o testemunho público de seu compromisso com o Salvador e Senhor de sua vida”, expressa o pastor Paulo Pinheiro, reconhecendo o impacto da experiência vivida há 56 anos, quando foi batizado pelo pastor Quint.

O momento certo

A idade mais propícia para a decisão ao batismo é dos 10 aos 12 anos, na opinião do pastor Udolcy Zukowski, líder sul-americano de Desbravadores. Foi justamente com 10 anos que Glauber entrou no tanque e foi batizado pelo pai, o pastor Glauber Araújo, durante a cerimônia realizada em Tatuí neste fim de semana. Já Daniel, irmão do meio que também foi batizado na mesma ocasião, passou pelo rito um pouco mais cedo: com 8 anos. “Ele participou da classe bíblica dos Aventureiros e já demonstra uma compreensão clara das nossas doutrinas. Apesar de ser mais novo, entende o que significa seguir a Cristo e tem uma curiosidade nata pelas histórias e verdades expostas na Bíblia”, diz o pai, frisando que é importante observar o desenvolvimento da criança e se ela realmente compreende o significado do ato.

Em um artigo publicado na edição de setembro de 2017 da Revista Adventista sob o título “O momento certo” (leia na íntegra aqui), o pastor Erton Köhler ponderou a respeito do tema: “Apenas o desejo de uma criança não é suficiente para que ela seja batizada. É preciso que compreenda a importância dessa decisão e conheça as verdades bíblicas básicas. Porém, se ela começar a alimentar esse desejo desde cedo, não deve ser proibida, e sim motivada a continuar estudando, com atividades criativas que a preparem para o momento certo. Por outro lado, precisamos ser habilidosos ao tratar do assunto, sem criar imposições, dificuldades, metas de ‘santidade’ ou perfeição, e muito menos ameaçar usar o batismo como forma de disciplina. Tudo isso provoca rejeição em lugar de motivação. No futuro, quando os pais ou líderes acharem que chegou a hora, o adolescente ou jovem poderá não mais ter interesse.”

Ele também lembrou que Ellen White nos ajuda a encontrar a solução sobre a questão do momento certo para o batismo. “Ela ensina que ‘crianças de oito, dez ou doze anos já têm idade suficiente para ser dirigidas ao tema da religião individual’. E continua advertindo os pais: ‘Não ensinem seus filhos com referência a um tempo futuro em que eles terão idade bastante para se arrependerem e crer na verdade. Caso sejam devidamente instruídas, crianças bem tenras podem ter ideias corretas quanto ao seu estado de pecadores, e ao caminho da salvação por meio de Cristo’ (Orientação da Criança, p. 491)”.

Além disso, o pastor Zukowski acredita que dos 13 aos 17 anos é bem mais difícil tomar essa decisão. “Isso porque a influência negativa de alguns amigos e a ‘timidez temporária do adolescente’ são bem marcantes nesse período”, ele argumenta. “Seja como for, é nossa responsabilidade como pais e líderes ‘fazer de tudo’ para que as novas gerações tomem a melhor decisão, a de seguir Jesus, enquanto são juvenis”, conclui.

É por isso que o Batismo da Primavera (que, curiosamente, começou sendo realizado no outono) se tornou um programa fixo no calendário da igreja no continente e tem recebido bastante incentivo da parte da liderança da igreja. Embora atualmente essa grande celebração realizada no mês de setembro não envolva, como no início, apenas juvenis, as estatísticas mostram que eles continuam sendo maioria. No ano passado, das 41.477 pessoas que afirmaram publicamente o compromisso com Cristo por meio do batismo, 45,2% tinham até 15 anos de idade. “Esse continua sendo um dos maiores batismos da igreja no ano”, comemora o pastor Quint, aos 91 anos de idade. O site oficial da denominação em língua portuguesa informa que, em cinco décadas, mais de um milhão de pessoas foram batizadas nessa data especial. “Tive a honra de realizar o milionésimo batismo durante um evento para jovens em Sumaré (SP)”, conta o idealizador do Batismo da Primavera.

Expectativa

Para este ano, a expectativa da liderança da igreja no continente é chegar a 44 mil batismos até o fim do mês, superando o recorde de 2015 (43.844). “Como a semana de colheita de novembro veio para setembro, a fim de harmonizar dois ciclos de seis meses de semeadura e preparo por meio de estudos bíblicos [o primeiro começa em outubro e culmina na Semana Santa; o segundo vai de abril a setembro], estamos esperançosos que teremos a maior colheita da história da Divisão Sul-Americana”, espera o pastor Herbert Boger, líder do Ministério Pessoal.

Das diversas cerimônias batismais realizadas neste início de primavera no Hemisfério Sul, uma ganhou destaque por ter sido realizada às margens do rio Piracicaba. No dia 7 de setembro, em um ponto próximo de onde aconteceu o primeiro batismo no Brasil, 35 pessoas, incluindo 13 juvenis, renasceram para uma nova vida.

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista

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