Conquistas e desafios

Conheça as principais ações desenvolvidas pela igreja na região Centro-Oeste do país nos últimos cinco anos e o plano para a próxima gestão 
Jenny Vieira
Mapa da sede administrativa da igreja para a região Centro-Oeste do Brasil

De solo árido e plano é feito o Centro-Oeste do Brasil, região que abriga a capital federal e seus trabalhadores nos escritórios, mas também os inúmeros campos e seus agricultores. Lembrado pelas belezas do Pantanal, o território chega a ocupar um quarto do país, com seus 1.612.000 km², sendo considerada a segunda maior região do Brasil.

Mesmo com o espaço amplo e cultura diversificada, o Centro-Oeste é a região menos populosa do país. É nesse cenário cheio de desafios territoriais que a Igreja Adventista tem se expandido e encontrado terreno fértil para a pregação do evangelho.

São quatro os estados que compõem o território da União Centro-Oeste Brasileira, sede administrativa da igreja nessa região: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e o Distrito Federal. Ela se subdivide em quatro Associações (Mato-Grossense, Sul Mato-Grossense, Brasil Central e Planalto Central), uma Missão (Missão do Tocantins), um hospital (Hospital Adventista do Pênfigo) e um colégio em regime de internato (Instituto Adventista Brasil Central). A região concentra, ao todo, 129.176 membros, que se reúnem em 1.462 congregações.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os quatro estados juntos, mais o Distrito Federal, possuem uma população estimada em 17.641.114 habitantes, o que resulta em uma conta de um membro para cada 135 não adventistas. Com muito trabalho a fazer, a denominação tem se planejado para alcançar metas e se tornar mais relevante nessa região.

Encerrando o ciclo

A cada cinco anos, todas as chamadas Uniões-Missões passam por uma análise de processos e cumprimentos de metas, além de uma nova votação para determinar a liderança dos ministérios da igreja para aquela região durante os próximos cinco anos (clique aqui para saber como ficou o quadro de líderes da sede administrativa). Em 2019, a União Centro-Oeste Brasileira (UCOB) completou o ciclo que iniciou em 2014.

Para marcar o encerramento da gestão e comemorar os resultados alcançados, foi realizada em Brasília (DF), nos dias 18 e 19 de setembro, a 4ª Assembleia Quinquenal da UCOB. O evento recebeu membros da igreja, pastores distritais e líderes de departamentos das sedes regionais, que acompanharam a apresentação do relatório de tudo o que foi realizado durante o período.

“Pregar o evangelho em uma região tão vasta e de grandes distâncias não é simples. É uma região urbana e rica, mas, ao mesmo tempo, despovoada, distante e com acessos extremamente desafiadores”, explica o pastor Alijofran Brandão, líder da igreja na região Centro-Oeste. No entanto, o crescimento real tem sido significativo, já que, desde 2014, foram ganhos 23.521 novos fiéis.

Para que esse crescimento fosse real e possível, algumas metas foram estabelecidas no último quinquênio:

  1. Ter 40% das igrejas envolvidos nos Pequenos Grupos.
  2. Levar cada membro da Escola Sabatina a adquirir e estudar diariamente sua lição.
  3. Chegar à média de um batismo a cada 10 membros.
  4. Ter 50% dos membros na faixa etária até 30 anos.

Atualmente, 51% das igrejas estão engajadas nos Pequenos Grupos e, a cada batismo, uma média de 15 membros se envolvem no discipulado e acolhimento do novo converso. Além disso, a igreja nessa região registra a média de 1,78 membro por lição da Escola Sabatina e 38% da igreja está na faixa etária até 30 anos.

Atenção às novas gerações

A última meta, relacionada às novas gerações, foi a que recebeu maior atenção durante o período. “Investimos tempo, estudo e dinheiro para que nossas igrejas se tornassem mais relevantes para as novas gerações, para que os pais discipulassem os filhos e para colocar a missão no coração dos mais jovens”, reforça o pastor Brandão. Isso porque, segundo dados do sistema de Secretaria (ACMS), a faixa etária entre 8 e 30 anos é a que mais entra na igreja, e a faixa etária entre 17 e 24, a que mais sai. Essa realidade se estende para outras regiões do Brasil e, por essa razão, diversas ações foram realizadas com o objetivo de entender a mentalidade urbana contemporânea e ser uma igreja acolhedora para todas as idades.

O plano foi criar meios para que as igrejas tivessem capacidade de receber pessoas jovens e ‘dialogar’ com elas do início ao fim de um culto, falando a sua linguagem. Seja por meio da liturgia, dos hinos escolhidos para o louvor, da pregação ou da sua forma de ser recepcionadas. Contudo, a igreja procurou trabalhar a noção de que esse não deve ser apenas o papel da igreja, mas também e, principalmente, dos pais, na criação de seus filhos. “Paulo orientou Timóteo a permanecer naquilo que aprendeu desde a infância (2 Tm 3:14 e 15). Como diremos isso aos nossos filhos se não lhes temos ensinado? Ellen White afirma também que Satanás usa todos os meios para prender os jovens no pecado, porque assim tem os adultos garantidos. Por essas e outras razões, precisamos colocar nosso foco nos mais jovens”, argumentou o pastor Richard Ogalha, nomeado para liderar o departamento Jovem nos próximos cinco anos.

A ideia do programa intitulado JUNTOS é unir crianc?as, jovens e adultos no propo?sito de viver em discipulado e comunidade. Foto: Acervo da UCOB

Em resposta a essas necessidades, foi criado o projeto JUNTOS, que consiste num processo de discipulado dos pais para com os filhos. Para ajudar as famílias a alcançar esse objetivo, foram disponibilizadas caixas de atividades lúdicas que, além de ensinar às crianças histórias e conceitos importantes da Bíblia, também as incentivaram a discipular seus amiguinhos.

O projeto se estendeu também aos jovens, por meio de desafios, propostas e ações realizadas nas cinco principais datas do calendário da igreja no continente: 10 Dias de Oração, Semana Santa, Impacto Esperança, Missão Calebe e Batismo da Primavera. Todos os desafios estavam relacionados à missão e, para fechar com “chave de ouro”, os jovens do Centro-Oeste participarão do maior evento de voluntariado e missão que já aconteceu no Brasil: o Together – Feel The Mission (para saber mais, clique aqui). O evento irá acontecer nos dias 21 a 24 de novembro, com representações dos cinco continentes, palestras, workshops e missões urbanas. Os jovens também terão diversas oportunidades de se candidatarem a projetos na região e em outros países. Além de ter contato com outras culturas e missionários de diferentes localidades, cada participante poderá colocar o aprendizado na prática por meio das ações sociais que serão realizadas durante os três dias de evento.

“Fomos ricamente abençoados com um forte movimento se levantando, envolvendo nossos jovens, envolvendo os pais no discipulado de seus filhos e uma igreja que caminha para uma relevância maior, dentro das necessidades das novas gerações”, comemorou o presidente, pastor Alijofran.

Para o administrador Israel da Silva Lima, de 35 anos, que acompanhou de perto os jovens de sua igreja, em Juína (MT), o resultado pode ser notado e foi positivo. “Em todos os planos, projetos e ações, percebi uma grande intencionalidade da igreja em buscar o protagonismo da nova geração. Tivemos a oportunidade de selecionar um jovem por distrito para participar do projeto Um Ano em Missão e isso foi uma grande chance para imersão em uma experiência profunda de comunhão com Deus, relacionamento com o próximo e realização da missão”, comenta.

No entanto, a estudante Abgail Pinheiro, que tem se envolvido na Missão Calebe e já participou do Um Ano em Missão, sente que muitos jovens ainda não viveram a mesma experiência. “A igreja ainda precisa encontrar estratégias para que o jovem entenda a real importância de ter um relacionamento com Deus, não apenas em eventos pontuais, mas sim, no dia a dia”, destaca a jovem de 25 anos, que mora em Brasília (DF).

Discipulado bíblico relacional

Desde a sua formação, a UCOB tem trabalhado para difundir e aprofundar a visão bíblica sobre o discipulado relacional. “Acreditamos que discipulado se faz com a vida, construindo relacionamentos profundos, significativos e transformadores. Além disso, cremos que o melhor ambiente, dentre outros, para que isso ocorra é nos Pequenos Grupos. Quando facilitamos as condições para que a igreja viva dessa forma, estamos viabilizando o processo de discipulado genuinamente bíblico, à semelhança da igreja nos primeiros séculos”, sustenta o pastor Manoel Nunes, líder de Pequenos Grupos para todo o Centro-Oeste.

Segundo ele, são inúmeros os benefícios que uma igreja em rede de Pequenos Grupos pode ter. Para Nunes, os PGs, como são chamados, contribuem para uma experiência de vida em comunidade e proporcionam senso de pertencimento, que é uma necessidade básica de todo ser humano.

A meta de ter 40% das igrejas em rede de Pequenos Grupos foi ultrapassada e, atualmente, existem 51% das igrejas engajadas nesse propósito. Por acreditar que esse seja o plano de Deus para a igreja, as metas estabelecidas para os próximos cinco anos, continuarão tendo a concepção bíblica do discipulado como base.

Novos alvos

“No próximo quinquênio, queremos trabalhar com Escola Sabatina, Pequenos Grupos e Ministério Pessoal, fazendo desses três elementos plataformas para desenvolver liderança, fortalecer a visão bíblica de discipulado e desafiar cada membro do nosso território a se tornar um discípulo ativo no trabalho missionário e na formação de um outro discípulo, usando seus dons em ministérios da igreja e servindo à comunidade. Queremos um forte movimento para levantar uma geração missionária”, ressaltou o pastor Alijofran Brandão.

Para tanto, juntamente com representantes de toda a igreja no Centro-Oeste, foram estabelecidas três metas para o período entre 2020 e 2024:

1 – COMUNHÃO:
Obter crescimento anual de 5% no estudo pessoal da Bíblia e da lição da Escola Sabatina; e crescimento anual de 5% na frequência à Escola Sabatina.

2 – RELACIONAMENTO:
Aumentar em 20% o número de congregações que tenham, ao menos, um Pequeno Grupo e ter 51% dos seus membros frequentando as reuniões.

3 – MISSÃO:
Possibilitar que 25% dos membros estejam pessoalmente envolvidos com a formação de um discípulo.

“Estamos cientes dos desafios do nosso campo, mas também, gratos a Deus por tudo que foi conquistado até aqui. Somos meros instrumentos nas mãos Dele, colocados neste local para fazer a diferença e pregar o evangelho. Por isso, vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que isso se realize”, conclui o pastor Brandão.

JENNY VIEIRA é jornalista e atua como assessora de comunicação na sede da Igreja Adventista para a região Centro-Oeste do país

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