Conversas difícies a distância

Quando um diálogo não é presencial, é importante ser ainda mais cuidadoso na comunicação
Wendel Lima
Crédito da imagem: Adobe Stock

Idealmente, a comunicação humana funciona melhor quando ela ocorre presencialmente e entre poucas pessoas. Porém, hoje em dia, é comum trabalharmos com profissionais que só conhecemos a distância. Em algumas famílias, por exemplo, parentes estão espalhados por várias regiões do país ou do mundo. Nesses casos, em que é preciso resolver a distância algum problema emocional ou profissionalmente desafiador, é preciso cuidar mais ainda com a comunicação.

ESCOLHA O MELHOR MOMENTO

É preciso escolher um horário em que você e a pessoa estejam disponíveis, para não se sentirem pressionados ou constrangidos. Examine também seus sentimentos. Lembre-se de que suas expectativas em relação ao outro pesam muito ao avaliar as atitudes dele. Não dá para controlar as ações dos outros, mas podemos escolher como reagir a elas. Por fim, avalie sua intenção com a conversa: quer apenas desabafar, romper o relacionamento ou resolver o problema?

CRIE UM SENSO DE COPRESENÇA

Quanto mais difícil for a conversa, melhor você deve pensar a respeito de qual tecnologia vai usar para interagir. Se puder utilizar algum recurso de voz e vídeo é melhor ainda. Copresença é a capacidade de sentir como se pudesse interagir efetivamente com a outra pessoa. Mantenha também o ambiente livre de distrações para que vocês se concentrem na conversa.

MANTENHA CONTATO VISUAL

Diálogos emocionalmente difícieis, principalmente quando servem para se dar uma má notícia, precisam ser acompanhados de elementos não verbais que indiquem respeito pelo outro. Estudos indicam que mesmo as micro-expressões faciais comunicam algo que não tem como perceber num e-mail ou telefonema. Por isso, prefira conversar via Skype a teclar no WhatsApp.

ESTEJA DISPOSTO A OUVIR

Ouvir seu interlocutor vai ajudar você não apenas a ganhar a boa vontade dele, mas também a entender o outro lado da história e a ampliar as possibilidades de resolução do problema. Para evitar que a outra pessoa fique na defensiva e revide com ataques, não a responsabilize por seus sentimentos ou prejuízos, mas diga como se sentiu ou percebeu a situação. Se tem que ver com o trabalho, apresente números, dados e fatos para justificar suas observações.

SEJA ESPECÍFICO

Numa conversa não presencial, a distância é dupla: física e emocional. Estudos na área de psicologia mostram que, quanto mais distante se está no tempo ou no espaço de alguém, mais abstrata é nossa visão sobre o outro. Por isso, você precisa ofecerer e esperar um feedback desse diálogo, até porque geralmente eles envolvem a resolução de um problema específico. Por isso, evite “rodeios”, indiretas e ironia.

WENDEL LIMA é editor associado da Revista Adventista

Fontes: Art Markman, professor de Psicologia e Marketing na Universidade do Texas (EUA), num artigo para a Harvard Business Review; e texto de Ney Silva para a revista Exame.

(Publicado na seção Guia da edição de outubro de 2019)

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