Dividindo para somar

Conheça as novas sedes adventistas no Brasil
Mauren Fernandes
Sede própria da Missão Nordeste Maranhense foi inaugurada em outubro na região metropolitana de São Luís. O novo território administrativo da igreja começou a valer em janeiro. Foto: Bruno Mesquita

Um dos quatro níveis administrativos da organização adventista são as chamadas Associações ou Missões, escritórios regionais responsáveis por um conjunto de congregações, escolas e instituições de saúde.

Em 1993, o Brasil era dividido em 24 sedes, que atendiam a aproximadamente 665 mil adventistas espalhados pelo país. Mas, nas últimas duas décadas, o número de escritórios regionais saltou para 53, o que representou um crescimento de 120%, na comparação com dados de 2018. No mesmo período, o Peru, segundo maior país em número de adventistas na América do Sul, também dobrou o número de campos, passando de 6 para 12.

Com o crescimento da igreja, a abertura de novas sedes administrativas acaba sendo uma necessidade. Por exemplo, em 2018, a Associação Maranhense (AMa) concentrava mais de 84 mil adventistas, distribuídos em mil congregações. Para atender de maneira mais eficiente a demanda, a solução encontrada foi dividir o território, criando a Missão Nordeste Maranhense (MNeM), em funcionamento desde janeiro na região metropolitana de São Luís (MA). Segundo o pastor Ozeias Costa, secretário executivo da Igreja Adventista para a região Norte do país, estar mais perto das igrejas vai impulsionar o espírito missionário.

O mesmo irá ocorrer em Minas Gerais e Mato Grosso a partir de janeiro de 2020. Ao perceber o potencial demográfico e econômico da região oeste do estado, a liderança da Associação Mineira Central (AMC), com sede em Belo Horizonte, identificou a possibilidade de abrir uma nova sede administrativa naquela região. A Missão Mineira Oeste (MMO), com sede em Uberlândia, no interior do estado, irá possibilitar que líderes e membros estejam mais próximos. De acordo com o pastor Leônidas Guedes, secretário executivo da Igreja Adventista para o Sudeste do Brasil, a expectativa é aumentar em 30% o número de templos, estabelecer cinco novas igrejas em cidades sem presença adventista e inaugurar duas novas escolas adventistas com capacidade para 800 alunos cada uma.

No caso do Mato Grosso, a distância entre a sede administrativa e algumas igrejas, localizadas num raio de até 1.300 km, gerava dificuldades ainda maiores. Acompanhando o crescimento do agronegócio, o adventismo no estado também avançou fortemente em número e obteve estrutura financeira suficiente para dar novos passos. Decidiu-se então dividir a antiga Associação Mato-grossense (AMT) em duas novas sedes administrativas: a Associação Leste Mato-grossense (ALM) e a nova Missão Oeste Mato-grossense (MisOM), com sede na cidade de Várzea Grande. Segundo o pastor ­Alijofran Brandão, líder da denominação para a região Centro-Oeste, a educação adventista e a colportagem estudantil na região cresceram muito nos últimos anos e contribuíram para o progresso do campo.

O campo que possui a nomenclatura de “Missão” ainda não tem completa autonomia e depende da instância superior (a União) para tomar decisões financeiras e administrativas. Em geral, uma Associação nasce como Missão e passa pelo mesmo processo. Segundo o secretário associado da Igreja Adventista na América do Sul, pastor Uesley Peyrl, conquistar autonomia para tornar-se Associação vai além do autossustento financeiro. “É preciso habilidade para resolver dificuldades e ter ampla visão evangelizadora”, ressalta. Em breve, essas três novas Missões devem se tornar Associações.

MAUREN FERNANDES é jornalista e atua na equipe de assessoria de comunicação da sede sul-americana da Igreja Adventista

(Matéria publicada na edição de novembro de 2019 da Revista Adventista)

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