Leitora improvável

Como um livro missionário entregue no Brasil chegou a uma família que vive no Oriente Médio

Luís Eduardo
Crédito da imagem: Adobe Stock

A vida dos missionários transculturais pode ser “solitária” e com muitas privações. Inúmeras vezes indagamos: Por que o Senhor nos enviou para cá? Eu e minha família vivemos na Jordânia, país do Oriente Médio onde cerca de 97% da população é muçulmana. Estar num lugar em que a língua, a cultura, os costumes e a religião são tão diferentes é um grande desafio. Mas isso não é nada comparado às imensas barreiras que existem para conseguirmos pregar o evangelho.

Aqui somos proibidos de falar abertamente sobre a Bíblia e Jesus. Não podemos distribuir nenhum tipo de literatura nem convidar as pessoas para visitar a igreja. E, se alguém se converter ao cristianismo, a família tem o direito de expulsar, deserdar e até matar.

Às vezes, questionamos: Como fazer a diferença na vida das pessoas? Como alcançar este povo? Como compartilhar nossa fé? Ocorre que nos esquecemos de que somos canais de bênçãos usados pelo Mestre de várias maneiras. Quando isso não é possível, então Ele usa outras formas e pessoas, de um modo inimaginável.

Com todo o zelo e cuidado, Deus nos mostrou isso através de algo muito especial. Certo dia fomos levados por uma amiga para visitar uma brasileira, a quem vou chamar de Maria, viúva de um árabe e que vive na Jordânia desde 1983. Ela ficou muito feliz em nos receber em sua casa e “praticar novamente o português”. Na cidade em que moramos, até onde sabemos, somos somente cinco brasileiros.

Passamos momentos agradáveis, conversamos bastante e, então, ela perguntou qual era o motivo de estarmos tão longe do Brasil e de nossa família. Expliquei, com todo o cuidado, usando com cautela as palavras, que temos um projeto com crianças e adolescentes (o clube de Desbravadores e Aventureiros) e que servimos à Igreja Adventista.

Quando eu disse o nome adventista, no mesmo momento ela pediu licença e saiu, retornando logo em seguida com um livro na mão. Para nossa surpresa, vimos que o título era Tempo de Esperança. Imaginem a nossa reação!

Então, ela contou como o exemplar daquele livro missionário chegou às suas mãos. Na última visita que realizou ao Brasil, em 2010, certo dia, enquanto andava de ônibus, uma senhora entregou algo ao tio, que a acompanhava. Ao lhe perguntar o que ele tinha ganhado, ele mostrou a literatura.

Ao folhear o livro, viu que era da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Lembrou-se de que, no passado, seu pai lavava e passava roupas para funcionários e alunos de um colégio que pertencia à denominação. Ficou curiosa e pediu o livro ao tio. Maria levou o material para a Jordânia. E nos disse que guardava a obra com carinho e que, de vez em quando, lia o livro novamente.

É emocionante lembrar como Deus nos guiou até aquela mulher em uma cidade de 2 milhões de habitantes. O fato é que Ele age através de pessoas que se dispõem a servi-Lo, alcançando assim povos “inalcançáveis”. Agiu por meio da pessoa que entregou o livro e por meio de quem nos levou até aquele lar muçulmano.

Há uma frase, de autor desconhecido, que diz: “Missão é feita com os pés daqueles que vão, os joelhos daqueles que ficam e as mãos daqueles que doam”.

LUÍS EDUARDO, nome fictício para preservar sua identidade, foi missionário na Jordânia

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