Templo pioneiro

Fundada há 70 anos, a Igreja Adventista Central de Lages teve um papel fundamental na expansão do adventismo no oeste de Santa Catarina
No templo septuagenário (em foto de 2010) congregam cerca de 200 pessoas. Foto: Acervo Amilton Werlich

Quem vê atualmente a Igreja Adventista Central de Lages, na serra catarinense, talvez nem imagine a riqueza de sua história e como foi sua trajetória. Em 2019, essa comunidade adventista, instituída em 1949, completa 70 anos de existência. Na verdade, pode-se considerar que todo o processo para que isso se tornasse realidade começou quase uma década antes, quando, em 1938, o gaúcho Ernesto Ranzolin, um dos pioneiros da congregação, mudou-se para Lages e ouviu pela primeira vez sobre a volta de Jesus.

Mas foi em São Paulo, sete anos depois, quando se mudou para a capital com a esposa, Itamyra, e os filhos, que a semente da mensagem adventista começou a germinar. Primeiro, no coração da esposa de Ernesto, quando foi presenteada com uma Bíblia por Vitória Bassi, esposa do proprietário da farmácia da qual eram clientes. Por ser de uma família de denominação tradicional, Ranzolin foi resistente e não estava interessado no aprendizado de uma “nova religião”.

Em 1948, Ernesto encontrou Vitória e um senhor chamado João Zillo indo em direção à sua casa para ministrar estudos bíblicos a Itamyra. A intenção de Ranzolin era ir a um estabelecimento comercial, mas ele foi surpreendido por uma voz que o mandava ir para casa, aprender tudo o que ensinariam e voltar para Lages, terra que tinha deixado anos antes. Assustado, o homem retornou para a residência e pediu explicações sobre a Bíblia. A partir daí, recebeu estudos bíblicos diariamente e ficou impressionado com tudo o que descobria.

Meses depois, Ernesto e Itamyra foram batizados. E, no ano seguinte, a família voltou a Lages. Dessa vez, com um propósito claro: levar a mensagem adventista a todos. O trabalho começou com o apoio de materiais impressos pela Casa Publicadora Brasileira (CPB) e a orientação do pastor Alfredo Barbosa, enviado ao município para orientá-los sobre como iniciar essa jornada. A primeira reunião da Escola Sabatina, realizada no dia 23 de abril de 1949 na casa da família Ranzolin, oficializou uma história que renderia muitos frutos. Novas famílias foram sendo convidadas e passaram a frequentar as reuniões. Os frequentadores do grupo realmente abraçaram a ideia de pregar. Como resultado, no primeiro batismo 16 pessoas tomaram a decisão de seguir a Cristo e se uniram à nova congregação.

Daí em diante, progressos aconteceram: após três anos na residência dos Ranzolin, os cultos passaram a ser na casa da família Heiden; depois desse período, o primeiro pastor do grupo chegou, em 1953, para liderá-los; o novo templo começou a ser construído; uma série de conferências aconteceu por três meses; e, finalmente, o templo foi inaugurado em 1956.

Ouvir a voz revelada no passado direcionou o que hoje é a Igreja Adventista não somente em Lages, mas em toda a serra catarinense, com seus 2.067 adventistas distribuídos em cinco igrejas e três grupos organizados. A influência de Ernesto Ranzolin não se limitou a Santa Catarina. O legado foi espalhado ao redor do mundo por meio do filho mais velho, o pastor Léo Ranzolin, que serviu à sede mundial da igreja por 33 anos.

“A Igreja Central de Lages tem deixado suas marcas na história, tanto através do estabelecimento de igrejas na região quanto no envio de pastores e missionários para outras regiões do país e do mundo. Deus seja louvado pelos pioneiros e pelas novas gerações que continuam escrevendo capítulos repletos de milagres e vitórias”, comemora o pastor Marlinton Lopes, líder da União Sul-Brasileira.

JÉSSICA GUIDOLIN é assessora de comunicação da sede administrativa da Igreja Adventista para o Sul do Brasil

(Publicada na edição de dezembro de 2019 da Revista Adventista)

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