Devemos comemorar o Natal?

Talvez a resposta de Ellen White o surpreenda
Foto: Alisha Williams

Qual foi o conselho de Ellen White a respeito de celebrar ou não o Natal? Algumas pessoas esperam que, com base em sua autoridade profética, ela tenha condenado essa prática. Essas pessoas costumam associar o Natal às influências católicas e pagãs que atribuíram a data de 25 de dezembro ao nascimento de Jesus. Os que assim pensam não encontram na Bíblia nenhuma referência ou orientação sobre a celebração do Natal, e questionam se o modo de ser comemorado esse feriado hoje se harmoniza com os valores cristãos.

Ellen White tinha consciência dessa inquietação sobre o Natal. Embora reconhecesse que “a Bíblia não nos informa a data precisa” (O Lar Adventista, p. 477) do nascimento de Jesus e ainda que “não haja nenhuma santidade divina no dia 25 de dezembro” (Review and Herald, 9 de dezembro de 1884), ela não nos aconselha a ignorar essa data. Ao contrário, ela acreditava que o Natal poderia ser “utilizado para um bom propósito” e incentivou os pais a voltar “a mente e as ofertas dos filhos” para Deus, Sua causa e a salvação de pessoas (O Lar Adventista, p. 478).

Poucas semanas antes do Natal de 1884, a pioneira escreveu o seguinte: “Que todos tenham sabedoria para torná-lo [Natal] um período precioso. Que os membros mais antigos da igreja se unam, alma e coração, com seus filhos nessa diversão inocente e recreação, na concepção de formas e maneiras de mostrar o verdadeiro respeito a Jesus, ­trazendo-Lhe presentes e ofertas. Que cada um se lembre das reivindicações de Deus. Sua causa não pode avançar sem sua ajuda. Que os presentes que geralmente vocês têm dado uns aos outros sejam colocados no tesouro do Senhor” (Review and Herald, 9 de dezembro de 1884).

TROCA DE PRESENTES

Isso significa que não devemos trocar presentes entre familiares, amigos ou até desconhecidos? Não necessariamente. “Irmãos e irmãs, enquanto vocês estão planejando dar presentes uns aos outros, desejo lembrar-lhes nosso Amigo celestial, para que não passem por alto Suas reivindicações. Ele Se agradará se mostrarmos que não O esquecemos” (O Lar Adventista, p. 480).

Ela via um propósito em ambas as maneiras de presentear: reconhecer o valor de nossos familiares e amigos, sem desonrar o Salvador (O Lar Adventista, p. 479). No mesmo contexto, ela ainda aconselhou: “Devemos dar nossos presentes de tal maneira que se provem um real benefício ao que recebe. Eu recomendaria determinados livros que fossem um auxílio na compreensão da Palavra de Deus ou que aumentem nosso amor por seus preceitos.” Ellen White parecia estar preocupada com a utilidade do presente e que evitasse qualquer tipo de glutonaria, futilidade, extravagância e ostentação (O Lar Adventista, p. 480).

A visão de Ellen White sobre a troca de presentes no Natal é claramente uma alternativa ao costume da época, e acaba sendo ao de hoje também. Ela escreveu que deveríamos priorizar Jesus e Sua missão, o que poderia significar reduzir o número de presentes ou o valor deles. “Venham, irmãos e irmãs, venham com seus filhos, mesmo os bebês de colo, e tragam ofertas a Deus, segundo suas possibilidades. Cantem ao Senhor em seu coração, e esteja em seus lábios o Seu louvor” (O Lar Adventista, p. 480).

ENSINE AS CRIANÇAS

As crianças não ficarão desapontadas se fizermos essas mudanças? Ellen White, mãe sábia e experiente, também pensou nisso. “Há muita coisa que pode ser planejada com bom gosto e muito menos custo do que os desnecessários presentes que são tão frequentemente oferecidos a nossos filhos e parentes”, ponderou a profetisa.

Segundo ela, os pais podem explicar aos filhos que estão fazendo uma celebração mais econômica ou reduzindo o valor dos presentes a fim de que as pessoas que mais necessitam e o progresso da causa de Deus sejam beneficiados. “Como os magos do passado, vocês podem oferecer a Deus seus melhores dons e mostrar a Ele, por meio de suas ofertas, que vocês apreciam Seu dom por um mundo pecaminoso. Levem os pensamentos de seus filhos através de um canal novo, altruísta, motivando-os a apresentar ofertas a Deus pelo dom do Seu Unigênito Filho” (O Lar Adventista, p. 481).

A ÁRVORE DE NATAL

Ellen White não foi contra a montagem da árvore de Natal; ao contrário, até incentivou a colocar esses enfeites na igreja, decorados com arranjos especiais. No período em que muitas das congregações adventistas lutavam para adquirir seu próprio prédio, ela escreveu: “Deus muito Se alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto.” Mas “que seus galhos estejam carregados com o fruto de ouro e prata da beneficência de vocês, e apresentem isso a Deus como seu presente de Natal. Sejam suas doações santificadas pela oração” (O Lar Adventista, p. 482).

Esse princípio também pode ser aplicado para auxiliar outras frentes de ação da missão de Deus, como o cuidado pelos mais necessitados. Ela acrescenta na mesma página: “As festividades de Natal e Ano-Novo podem e devem ser celebradas em favor dos necessitados. Deus é glorificado quando ajudamos os necessitados que têm família grande para sustentar.”

Por outro lado, alguns podem ler o texto de Jeremias 10:1-5 e entender que ele trata de uma proibição para se cortar árvores e decorá-las. Contudo, a análise do texto nos mostra que a condenação ali era para a obra do artífice, que construía ídolos aos quais os israelitas não deviam adorar nem temer. Jeremias se referiu aos falsos deuses da época e não às árvores de Natal.

Portanto, qual seria o melhor modo de celebrar essa data? Ellen White nos desafia a fazer do “Aniversariante” o centro de tudo, reservando nossos melhores presentes para Ele. Se assim agirmos, seremos abençoados.

WILLIAM FAGAL se aposentou em 2015 como diretor associado do Ellen G. White Estate, após 31 anos de serviço à Igreja Adventista

(Artigo publicado na edição de dezembro de 2019 da Revista Adventista Adventist World)

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