Alimento que sacia

Mais do que suprir necessidades básicas das famílias de baixa renda, o programa Mutirão de Natal, criado há 25 anos, tem preenchido vidas com o evangelho
Vanessa Arba
Em 2019, o programa de encerramento do Mutirão de Natal da CPB foi marcado não apenas pela doação de mil cestas básicas para 25 igrejas da região de Tatuí, mas principalmente pelo batismo de quatro integrantes da mesma família que foram alcançados por esse trabalho. Foto: Daniel de Oliveira

Era dezembro de 2018. Na cidade de Porangaba, no interior de São Paulo, o Clube de Desbravadores da pequena e única igreja adventista da região fazia sua confraternização de fim de ano. Uma das crianças se aproximou da secretária do clube e, segurando seu pratinho de comida, pediu: “Tia, posso levar a metade do lanche para casa, para a minha mãe?” Ao ouvir essas palavras, Maria Goretti percebeu que se tratava de uma família com necessidades. E, de fato, era! Com o pai desempregado e a mãe sem condições de saúde para trabalhar, o que o pequeno José e a irmã tinham à mesa nas refeições diárias eram apenas arroz e mandioca.

Por aqueles dias, a Casa Publicadora Brasileira, onde trabalham Goretti e o marido, Valter Cândido, estava envolvida no projeto Mutirão de Natal. A cada ano, os servidores da instituição costumam se mobilizar e doar centenas de cestas básicas, que, ao fim da campanha, são distribuídas para as igrejas da região de Tatuí, onde fica a sede da editora.

Naquela ocasião, ao decidir a quem direcionar as cestas doadas pela instituição para a igreja de Porangaba, o casal não teve dúvidas e incluiu Isaías e Denise Silva, pais de José, na lista de pessoas que seriam beneficiadas. Eles não continham a felicidade; afinal, o Natal seria bem diferente naquele ano, com a mesa farta para eles e seus filhos. Mal sabiam que o melhor presente ainda estava por vir.

Ao longo de todo o ano seguinte, a família foi abraçada pela igreja. No Clube de Desbravadores, as crianças estavam tão empolgadas quanto seus pais nas classes bíblicas. O Natal de 2019 foi ainda mais especial que o anterior, já que toda a família tomou a decisão pelo batismo. No dia da cerimônia (3 de dezembro), por ocasião do encerramento da campanha na CPB, as palavras de Isaías foram cheias de gratidão: “Estou muito feliz e quero levar para outras pessoas também o privilégio que Deus deu a mim e à minha família. Quem sabe Ele as chame, como fez comigo através de uma cesta básica!”

DE JANEIRO EM DIANTE

O exemplo da família Silva retrata bem a responsabilidade social que o Mutirão de Natal assumiu ao longo dos seus 25 anos de história. Tendo nascido como uma simples campanha de arrecadação de alimentos para proporcionar um fim de ano mais feliz a pessoas carentes, a experiência mostrou que é possível – e necessário – ir além do básico e levar a elas soluções mais duradouras.

Desde 2016, com o slogan “Podemos Fazer Mais”, os voluntários do projeto vêm desenvolvendo ações como reforma de casas, doação de sangue, cadastro de doadores de medula óssea, atendimentos de saúde, visitas a asilos e orfanatos, aulas gratuitas de alfabetização e cursos para geração de renda. Segundo o pastor Herbert Boger, atual coordenador do Mutirão de Natal na América do Sul, o apelo para as próximas campanhas é que os participantes, de fato, adotem alguém, uma família ou uma entidade. “Queremos acompanhá-los não apenas no Natal, mas pelo tempo que for necessário para que suas necessidades sejam atendidas. Queremos ajudá-los a garantir seu próprio sustento e a ter qualidade de vida”, explica.

E, claro, esse objetivo se estende às necessidades espirituais das pessoas, como no caso da família Silva. Para ela, o Mutirão de Natal significou não apenas uma ceia farta, mas a oportunidade de ter uma vida repleta de Deus e da Sua Palavra. Essa é a essência de toda atividade a que a Igreja Adventista se propõe; seja o que for que ela ofereça ao mundo, a salvação das pessoas é sempre o objetivo final.

VANESSA ARBA é jornalista e atua na equipe de assessoria de comunicação da sede sul-americana da Igreja Adventista

(Matéria publicada na edição de janeiro de 2020 da Revista Adventista)

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