Algoritmos evangelísticos

Novas estratégias digitais têm ampliado a influência da igreja no mundo virtual
Mauren Fernandes e Vanessa Arba
Atualmente, mais de 7,4 mil pessoas na América do Sul estudam a Bíblia por meio do WhastApp. Foto: Adobe Stock

Assim como foi com a mídia impressa, a TV e o rádio, a internet também se tornou uma poderosa ferramenta evangelística. Especialmente quando o trabalho une a comunicação virtual e o contato pessoal, as possibilidades de alcance do evangelho se mostram ilimitadas. Isso tem se tornado bastante evidente nas ações que a Igreja Adventista na América do Sul tem praticado na rede.

Atualmente, mais de 7,4 mil pessoas estão estudando a Bíblia por meio do WhatsApp e mais de 20 mil já completaram os estudos ­através do popular aplicativo de troca de mensagens instantâneas. Os esforços da denominação para se conectar com o público on-line se ampliaram com a parceria feita entre a sede sul-americana adventista e a Escola Bíblica Digital da Novo Tempo. Como resultado, foram formuladas novas estratégias, a exemplo da utilização de robôs virtuais para estudos bíblicos.

Além de atender pelos canais tradicionais (telefone e site), a Escola Bíblica da Novo Tempo tem interagido com três diferentes grupos de pessoas por meio do WhatsApp:

1. Quem deseja estudar a Bíblia de forma individual. Ao acessar o link adv.st/queroestudar, o interessado é direcionado para a conversa no aplicativo ou a versão web do “zap”. A partir desse momento, basta seguir os passos indicados pelo robô.

2. Quem deseja estudar a Bíblia com um interessado. Ao acessar o link adv.st/darestudobiblico, como no caso anterior, o usuário também só precisa seguir os passos indicados pelo algoritmo, que vai orientá-lo a criar um grupo.

3. Quem deseja receber atendimento, tirar dúvidas ou conversar com a equipe da Escola Bíblica Digital. Acessando o link adv.st/queroconversar e mandando um “Olá”, o interessado já está cadastrado na fila de espera para ser atendido. Porém, nesse caso, o atendimento é feito por uma pessoa e não pelo robô.

Atualmente, três estudos estão disponíveis: “Entre família”, “Ensinos de Jesus” e “Apocalipse – Revelações de Esperança”, acessíveis inclusive às pessoas que se encontram em locais sem presença adventista, onde não há ninguém que possa tirar-lhes dúvidas presencialmente.

Por meio de ferramentas digitais como essa, não apenas as barreiras do espaço e do tempo têm sido minimizadas, mas também as do preconceito. “Já atendemos pessoas que mudaram suas impressões negativas sobre a igreja a partir de uma simples conversa via WhatsApp”, relata o pastor William Timm, coordenador da Escola Bíblica Digital. No caso de Ivan Marchi foram especialmente a praticidade e a flexibilidade de horário que lhe chamaram a atenção. Depois de estudar a Bíblia pelo app, ele passou a congregar na Igreja Adventista do Botafogo, no Rio de Janeiro, onde foi batizado recentemente.

Como reflexo de iniciativas como essa, igrejas locais também têm compartilhado as Escrituras pelo WhatsApp. É o caso de uma congregação de Votuporanga (SP), que diariamente envia estudos bíblicos por meio de uma lista de transmissão (recurso do WhatsApp que possibilita ao usuário enviar uma mensagem para vários contatos de uma só vez) para cerca de 230 contatos.

Em uma esfera mais ampla, a igreja também tem investido no potencial evangelístico das novas tecnologias. Um exemplo é o sistema de inteligência artificial desenvolvido pela Rádio Mundial Adventista (AWR, na sigla em inglês) que pretende criar uma rede mundial de evangelistas virtuais. O algoritmo permite o compartilhamento automático de mensagens bíblicas em áudio. Mas a ideia é contar com a participação dos membros da igreja em todo o mundo para fazer com que esse conteúdo chegue às pessoas. Lançada há dois anos na África do Sul, a ferramenta já tem sido usada por adventistas da Europa e das Américas do Norte e Central. Em breve, o projeto também deve ser implantado na América do Sul.

MAUREN FERNANDES e VANESSA ARBA são jornalistas e atuam na equipe da assessoria de comunicação da sede sul-americana da Igreja Adventista (com informações de Karolline Bianconi e reportagem de Márcio Tonetti)

(Máteria publicada originalmente na edição de fevereiro de 2020 da Revista Adventista)

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