A arte e a ciência de amar

Dois livros recém-lançados servem de guia para os casais que planejam dizer “sim” e para aqueles que desejam cumprir os votos que fizeram
ADRIANA SERATTO E JESSICA MANFRIM

É possível ter um casamento significativo, que sirva para o crescimento de ambos os cônjuges e de testemunho do amor cristão. Essa é a convicção compartilhada pelos autores Arnulfo Chico Robles e Mario Pereyra. Eles assinam dois livros lançados no fim do ano passado pela CPB que tratam de casamento: o primeiro deles serve de guia pré-matrimonial e o segundo para orientar casais a manter viva a chama do amor.

A obra Casamento à Vista (2019, 160 p., R$ 30,90), de Robles, mestre em terapia familiar, doutor em Psicologia e professor do curso de Teologia da Universidad Peruana Unión, oferece conselhos para jovens solteiros com base em décadas de experiência em aconselhamento familiar.

Para ele, o bom namoro leva ao bom casamento. Por isso, escolher com quem se casar deve ter base não apenas nos sentimentos, mas também na razão. Muitos namorados constroem fantasias de como será a vida a dois, mas acabam se frustrando quando a realidade bate à porta. Alguns se divorciam na esperança de viver a vida que idealizaram com outra pessoa. No entanto, “a perspectiva de encontrar um casamento mais saudável e feliz diminui a cada novo casamento”, argumenta o autor.

Robles explica que os casais mais felizes são os “que foram bons amigos e que compartilham a mesma fé religiosa”. Segundo ele, o namoro saudável é aquele que tem sinceridade de sentimentos; não afeta os estudos nem o trabalho, e, ao contrário, há incentivo de crescimento; há respeito pelo companheiro em sua ausência ou presença; busca informações confiáveis sobre namoro e casamento; demonstra afeto dentro dos limites; e não se apressa para o casamento.

Essas orientações são discutidas ao longo de 14 capítulos e apresentadas de maneira prática, com base em estatísticas e pesquisas na área de psicologia. Além disso, os três apêndices trazem material extra, como pensamentos para o convite de casamento, uma planilha de orçamento e um modelo de programa para a cerimônia religiosa.

Por sua vez, o livro A Química do Amor (2019, 136 p., R$ 29,30) é uma leitura para aprender a lidar com o que o psiquiatra espanhol Enrique Rojas denominou de “analfabetismo sentimental”, ou seja, desenvolver o autoconhecimento para gerenciar melhor as próprias emoções. O autor, Mario Pereyra, doutor em Psicologia e ex-professor da Universidade de Montemorelos, no México, aborda os elementos internos e externos que podem determinar o sucesso ou o fracasso de um casamento.

Por exemplo, Pereyra mostra como reconhecer os “gatilhos” do passado que podem afetar o relacionamento conjugal, diferencia queixa de crítica e explica como lidar com sentimentos negativos e destrutivos. Além disso, oferece um teste para verificar o nível de satisfação pessoal no casamento. Muito além do óbvio, leva o leitor a refletir sobre questões importantes, como fuga da realidade, ciúme, adultério, violência e abuso, distribuição de tarefas domésticas e educação dos filhos.

Dividida em 12 capítulos, a obra tem como base testemunhos e estudos na área de psicologia clínica. Mario Pereyra é autor de mais de 400 artigos e de vários livros sobre relacionamentos e desenvolvimento da personalidade. Ele acredita que, mesmo no mundo conturbado de hoje, marcado pelas consequências do pecado, é possível desfrutar um pouco da felicidade que o primeiro casal experimentou no Éden.

ADRIANA SERATTO é graduada em Letras e pós-graduada em Estudos Adventistas e JESSICA MANFRIM é graduada e mestre em História pela USP. Ambas são revisoras de livros na CPB

(Resenha publicada na seção Estante da edição de fevereiro de 2020 da Revista Adventista)

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