Bichos de estimação

Estudos têm mostrado os benefícios afetivos de cuidar de um pet
TALITA CASTELÃO
Calcula-se que o Brasil tenha 106 milhões de animais domésticos. Foto: Adobe Stock

Enquanto alguns amam seus pets, outros querem distância de animais. Mas uma coisa não dá para negar: os bichinhos de estimação alegram a casa e são terapêuticos para pessoas de qualquer idade.

É comum as crianças pedirem um cachorro ou gato aos pais, mas a variedade de pets é muito maior. É verdade também que a decisão de ter um animalzinho em casa vem acompanhada de responsabilidades e gastos; porém, os benefícios podem valer a pena.

Um estudo realizado pelas médicas veterinárias Lilian Tatibana e Adriane Costa-Val, da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre a relação entre seres humanos e animais, publicado na Revista Veterinária e Zootecnia em Minas, em 2009, demonstrou que a convivência com bichinhos de estimação ajuda a tornar a criança mais afetiva, solidária, responsável e com maior compreensão do ciclo vida-morte. Esse estudo também destacou que os pets acabam incentivando pessoas sedentárias a realizar atividade física e melhoram a autoestima e convivência social de seus donos.

Em sua dissertação de mestrado, defendida em 2006 na Universidade Estadual do Ceará, a também veterinária Edmara Costa constatou que os animais de estimação proporcionam alívio e conforto em situações de mudanças e perdas típicas da terceira idade.

Outra pesquisa conduzida pelas psicólogas Raísa Giumelli e Marciane Santos, publicada na Revista Abordagem Gestal, em 2016, mostrou que, a interação com um bichinho de estimação tende a gerar amor, carinho e alegria nos donos e amenizar os sentimentos de solidão e angústia deles. É por isso que muitos pets são tratados como membros da família e seus proprietários não se imaginam sem eles.

Foi por apostar na capacidade terapêutica do relacionamento com os animais domésticos que, na década de 1950, a doutora Nise da Silveira inovou no tratamento de pacientes num hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro. Contudo, foi somente nos anos 1990 que a Terapia Assistida por Animais (TAA) se tornou mais comum. Esse tipo de abordagem, quando realizada por um profissional da área da saúde que seja capacitado, melhora as condições físicas, sociais, emocionais e cognitivas dos pacientes. A TAA é aplicada em pessoas de qualquer idade, e o animal mais utilizado nesse tipo de tratamento é o cão. Mas vale salientar que todo procedimento deve respeitar o conforto do animal sem lhe causar estresse, conforme prevê a legislação específica.

Para se ter ideia do tamanho da paixão dos brasileiros pelos pets, a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) estimava em 2014 que o Brasil fosse o quarto país com a maior população de animais domésticos do mundo (106 milhões), perdendo apenas da China, Estados Unidos e Reino Unido. Não admira que o mercado brasileiro voltado para pets tenha crescido muito nos últimos anos, sendo superado apenas pelo norte-americano.

Na relação com esses bichinhos também existem aspectos negativos, como custos com veterinário e alimentação, o risco de contrair alguma zoonose ou ter algum pertence estragado. Porém, o mais negativo de tudo isso é lidar com o desaparecimento, adoecimento e/ou morte desses companheiros. Ainda assim, mesmo nesses momentos é possível manter as lembranças do afeto que esse amigo proporcionou.

TALITA CASTELÃO é psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências

(Artigo publicado originalmente na coluna Em Família da Revista Adventista de fevereiro de 2020)

Veja também

Tempo de oportunidades

As mudanças provocadas e aceleradas pela pandemia abrem caminhos para a missão adventista.