Relatos de sobreviventes

Adventistas de vários países falam como enfrentaram o novo coronavírus
MÁRCIO TONETTI E WENDEL LIMA

Desde que a pandemia do novo coronavírus se espalhou pelo mundo, mais de 178 mil pessoas já perderam a batalha contra a doença, segundo os últimos balanços divulgados pelo site da Universidade Johns Hopkins (EUA), que tem servido de referência na atualização de dados sobre a pandemia. Felizmente, um número bem maior tem vencido o vírus. Para se ter uma ideia, até agora, quase 700 mil já se recuperaram da Covid-19.

Registrar depoimentos desses sobreviventes foi uma das formas que a Igreja Adventista na Europa encontrou de transmitir uma mensagem de otimismo ao mundo. Na série de vídeos intitulada “Dear Coronavirus”, adventistas que foram infectados contam como foi vivenciar a experiência de contágio, as dificuldades enfrentadas e a forma como passaram a encarar a vida depois da recuperação. A seguir, reproduzimos trechos desses relatos, que você pode assistir na íntegra aqui. Trata-se de uma amostra do que será publicado na edição de maio da Revista Adventista, que trará vários depoimentos de adventistas brasileiros que também superaram a doença.

“Estou feliz por morar na Alemanha, pois, desde que fui diagnosticada com a Covid-19, me sinto cuidada pelo governo e por meus vizinhos.”

Tina, 37 anos, escritora e palestrante. Apesar de ter passado duas semanas muito doente, ela disse não ter se assustado com a Covid-19. Tina espera que, após a pandemia, as pessoas continuem tão preocupadas umas com as outras como agora.

 

“Pensei que estivesse lidando com uma forma leve da doença, mas os sintomas pioraram após sete dias. Houve momentos de séria preocupação, especialmente numa noite em que comecei a sentir que não tinha mais oxigênio, que não conseguia mais respirar. Minha única resposta desesperada foi: ‘Deus, aqui estou eu, em Suas mãos.’”

Pedro, 46 anos, é pastor na Espanha e havia perdido sete quilos. Sua esposa, Suzana, foi a primeira a ser infectada. Os filhos adolescentes do casal também contraíram a Covid-19. Pedro dizia temer pela saúde dos pais, ambos com mais de 80 anos, que moram no sul do país.

 

“Eu não tinha medo. Nunca pensei em questionar a Deus: ‘Por que eu?’ Isso é porque eu sempre carreguei comigo a pergunta: ‘por que não eu?’ Eu acredito que ser cristã não significa estar isento de passar por essas situações, mas sim de enfrentá-las com uma atitude prática, de confiança que Deus está com você durante a tempestade.”

Giusi, 56 anos, é mãe solteira de dois filhos adultos e trabalha como assistente social na Itália. Seu maior receio não era ser infectada, mas hospitalizada.

 

 

“Não subestime o vírus, isso pode afetar qualquer pessoa. Ninguém deve se sentir um super-herói. Mantenha a distância social recomendada.”

Maurizio, 59 anos, trabalha num hospital em Bérgamo, na Itália, com sua esposa, Luisa, de 56 anos. Ambos foram infectados. Maurizio chegou a ser hospitalizado e disse ter se despedido de sua família com “medo na alma” quando foi levado de ambulância da sua casa. Ele confessa que algo mudou dentro dele, depois de ter visto muito horror no hospital. Luisa, por sua vez, diz que pretende valorizar mais o tempo com a família e amigos.

“Você tem tempo para refletir, para pensar mais sobre Deus e orar mais pela família, amigos e pelo mundo. Infelizmente, acho que nós humanos logo vamos nos esquecer do que passamos; porém, espero levar comigo a certeza de que, sem Deus, eu não sou nada.”

Rebecka, de 52 anos, é romena e vive na Suécia. Ela conta que teve febre muito alta, passou vários dias sem conseguir comer e raciocinar direito no hospital. Rebecka acabou infectando também o esposo, o sueco Thomas, de 67 anos.

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