Mundo em Revista

Saiba quais foram os fatos que repercutiram ao longo da semana na imprensa adventista

Márcio Tonetti e Wendel Lima

Já no início do mês de maio a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia declarado que as Américas eram o novo centro da pandemia de Covid-19. Porém, nos últimos dias, a atenção do mundo tem se voltado especialmente para o Brasil. Nesta semana, por três dias consecutivos o país registrou mais de mil mortes por coronavírus, totalizando até esta quinta-feira (28) quase 27 mil vítimas fatais.

De países que já passaram pelo pico da crise chegam notícias de atitudes exemplares que podem ajudar a salvar vidas em outros lugares. Por exemplo, como um lar de idosos administrado pela Igreja Adventista conseguiu se manter livre da Covid-19 na Itália, um dos países mais castigados pela pandemia na Europa? A pergunta virou manchete no site da Adventist Review nesta semana.

Lar de idosos administrado pela Igreja Adventista na Itália: caso exemplar de como foi possível proteger o grupo de risco do novo coronavírus numa das regiões italianas mais afetadas pela pandemia. Foto: Acervo Casa Mia

Até agora, a Casa Mia, instalação que abriga cerca de 90 idosos em Forlì, no norte da Itália, não registrou sequer um caso suspeito da doença. O segredo, conforme disse Fabian Nikolaus, diretor da instituição, foi proteger o grupo de risco.

Uma semana antes de a Itália confirmar o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus no país, a liderança do abrigo decidiu colocar o grupo em quarentena, mesmo sendo pressionada pelo governo a não fazer isso. Na avaliação de Nikolaus, foi o confinamento antecipado que salvou a vida desse grupo de idosos, pois quando o governo italiano decretou lockdown, no dia 4 de março, já era tarde. A essa altura, “o vírus já estava dentro da maioria dos lares de idosos”, conforme ele ressaltou.

Proteger os idosos e, ao mesmo tempo, demonstrar-lhes afeto foi outra ação que ganhou destaque no noticiário, mas desta vez no Brasil. Crianças capixabas, participantes do projeto intitulado “Call Center de Oração”, promovido por clubes de Aventureiros, tomaram a iniciativa de expressar carinho a essas pessoas por meio de ligações telefônicas. A mobilização foi acompanhada por uma uma equipe de reportagem da TV Gazeta, afiliada da TV Globo no estado (veja mais aqui).

SUPORTE EMOCIONAL

Material produzido por alunos de Medicina buscar ajudar as crianças a lidarem com as mudanças provocadas pela pandemia. Crédito da imagem: Divulgação

Em outros casos, são as crianças que vem sendo atendidas. Alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de Loma Linda (EUA) produziram um material ilustrado com o objetivo de ajudar as crianças a entenderem por que seus mundos mudaram drasticamente nos últimos meses e por que é importante ficar em casa nesse período. O e-book já foi baixado mais de 35 mil vezes, desde que foi lançado, em 23 de abril (veja mais aqui).

Se esse é um momento confuso para as crianças, para os adultos, também. Por isso, a igreja no Peru divulgou que um grupo de 70 profissionais da saúde voluntários está oferecendo apoio emocional e assistência médica pela internet. Até o momento, cerca 300 pessoas já foram beneficiadas pelo serviço (veja mais aqui).

Recentemente, o filósofo Luiz Felipe Pondé disse em uma entrevista à CNN Brasil que acreditava que nossa civilização está apta para lidar com as pandemias do ponto de vista da ciência e da tecnologia, mas é a que está menos preparada para lidar com as incertezas geradas por essas essas crises na saúde pública. Tendo em vista que esse se tornou um grande problema no mundo moderno, a igreja anunciou o lançamento de um projeto cujo objetivo é levar esperança em tempos incertos. A versão em português do curta-metragem Incertezas, produzido por vários centros de mídia adventistas ao redor do mundo, está prevista para ser veiculada oficialmente no dia 5 de junho. A produção cinematográfica faz parte de um projeto cross media, isto é, que contempla outros conteúdos complementares, incluindo livro e documentário.

PODCAST

E diante de inúmeras perguntas teológicas e de cunho espiritual que surgem no contexto da pandemia, os pastores Diego Barreto e José Flores Júnior, decidiram retomar um dos podcasts adventistas pioneiros no Brasil: o BibleCast. Lançado em 2010, quando o consumo de arquivos de áudio sob demanda era bem menor do que hoje, mas já se mostrava uma tendência importante, esses dois amigos começaram a veicular suas conversas gravadas por telefone.

Esses diálogos, sempre marcados por bom humor e informalidade, logo cativaram jovens que desejavam ter acesso à teologia e história da igreja numa linguagem mais didática e agradável. O projeto acabou ganhando mais visibilidade e alcance quando Diego e Júnior foram convidados para apresentar o programa Hiperlinkados, na TV Novo Tempo. Os 155 episódios das seis temporadas do programa estão disponíveis na plataforma NT Play.

O Hiperlinkados foi descontinuado em junho de 2019, em função de uma reestruturação da grade da emissora adventista. Agora, em 2020, distanciados pelos milhares de quilômetros que separam São José dos Campos (SP), onde Júnior vive, e Loma Linda, na Califórnia (EUA), onde Diego cursa seu mestrado, os dois pastores decidiram retomar esse ministério. Nos três episódios lançados em maio, Diego e Júnior conversaram a respeito da presença de Deus em contextos de sofrimento, do testemunho cristão e do modo como podemos lidar com o medo da morte. Na entrevista que concedeu ao Portal Adventista, o pastor Diego Barreto explicou como vai funcionar as novas temporadas do BibleCast e deu dicas para aqueles que desejam usar a ferramenta podcast para fins evangelísticos.

PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS

Outra produção, porém em vídeo, também foi lançada nesta semana com o propósito de responder dúvidas a respeito da Bíblia numa linguagem simples, atrativa e objetiva. Ao longo de 12 episódios, a série Princípios, produzida pela assessoria de comunicação da sede sul-americana da igreja vai falar de temas como a morte, o repouso sabático e a volta de Jesus. A seguir, confira o primeiro episódio.

No dia 25 de maio também estreou a semana de Oração Evidências do Fim, dirigida pelo pastor Rodrigo Silva, apresentador do programa Evidências. No programa transmitido em português e espanhol pela rádio e TV Novo Tempo, bem como pelos canais da emissora na internet, o teólogo e arqueólogo busca alcançar um público mais intelectualizado por meio de reflexões sobre o momento atual (veja mais aqui).

RECRUTAMENTO

De olho nas oportunidades do evangelismo digital, a sede mundial da denominação está se preparando para o que espera ser a maior série de evangelismo digital de toda a sua história. Os líderes da igreja esperam recrutar cinco mil missionários digitais em cinco dias. A ideia é que essas pessoas ajudem a divulgar a série intitulada “Revelando as Profecias Bíblicas”, que será lançada pela Rádio Mundial Adventista (AWR, na sigla em inglês) a partir de 31 de maio no site awr.org/bible. A partir dessa data, Cami Oetman, vice-presidente da AWR, apresentará mensagens bíblicas por 14 noites consecutivas (saiba mais aqui).

EVANGELISMO

Evangelismo realizado em Fiji pelas mídias sociais tem alcançado milhares de visualizações e impulsionado o número de pedidos de estudos bíblicos. Foto: Adventist Record

Uma série evangelística exibida pela TV Hope Channel de Fiji teve boa audiência na última semana. As pregações de Samu Koro têm sido visualizadas por milhares de pessoas no Facebook e feito com que a emissora adventista no país receba um número de pedidos de oração e de estudos bíblicos acima da média (leia mais clicando aqui).

Em Barranquilha, na Colômbia, desde que a quarentena começou, no fim de março, seis famílias pastorais têm pregado todas as noites para os vizinhos e pedestres, a partir de suas varandas. Josué Torres, presidente da Associação local da Igreja Adventista, é um dos pastores que pregou, cantou e orou com sua vizinhança nesse período. Os ministros também entregaram livros missionários e receberam pedidos de oração por telefone e mensagens de texto.

Alejandrina Manotas, moradora da comunidade, enviou uma mensagem pelo WhatsApp agradecendo às famílias pelo programa diário. “Foi uma experiência maravilhosa ouvir, cantar e aprender os hinos de vocês”, disse ela. Da mesma forma, Julio César Vanegas, outro vizinho dos pastores, relatou que ter saído no terraço para ouvir aquelas mensagens havia lhe trazido paz (leia mais aqui).

LIBERDADE RELIGIOSA

Fórum internacional de liberdade religiosa realizado pela internet reuniu líderes de várias denominações

De volta ao Brasil, outro assunto que pautou os veículos de comunicação da igreja nesta semana foi o direito de crer, pregar e expressar a fé. Em tempos de crise sanitária global, em que muitas decisões são tomadas em regime de exceção, a discussão sobre a restrição às liberdades individuais volta à tona. Esse foi o pano de fundo da palestra ministrada pelo doutor Ganoune Diop, secretário-geral da Irla (International Religious Liberty Association), no dia 26 de maio, na abertura da Semana Estadual de Liberdade Religiosa (leia mais aqui) promovida pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

A fala de Diop foi um dos pontos altos da noite. Ele relembrou como a liberdade religiosa foi atingida em outros momentos da história em que epidemias devastaram a humanidade, como a praga de Justiniano (541 e 544 d.C) e a peste bubônica (século 14). “Este é o momento para entender a liberdade religiosa como um símbolo sagrado do relacionamento que deve ser estabelecido entre cada ser humano, um zelo da dignidade humana. Devemos encorajar os governos para que isso esteja inserido nos direitos fundamentais inscritos na consciência nacional. Todo cidadão do mundo deve desfrutar desta liberdade”, ele convocou.

O pastor Helio Carnassale, diretor do departamento de Liberdade Religiosa da Igreja Adventista na América do Sul e um dos líderes adventistas que participou do fórum, ressaltou: “É um privilégio viver em um país livre, com direito à crença garantido pela Constituição, mas precisamos nos certificar junto às autoridades que esses direitos serão mantidos a nossos filhos.”

Com o objetivo de promover um diálogo respeitoso e a proteção ao direito de crença, outros representantes de tradições cristãs, islâmicas, judaicas, hinduístas e de religiões de matriz africana também marcaram presença no evento realizado via plataforma Zoom e transmitido pela TV Alesp. A programação foi presidida pela deputada estadual Damaris Moura, que também é adventista.

Além desse fórum internacional de liberdade religiosa, a semana especial de atividades também foi marcada por mais dois eventos: um simpósio e um colóquio relacionados com a Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade Religiosa da Alesp, frente que também é liderada pela deputada Damaris Moura.

AJUDA HUMANITÁRIA

Foto: Reprodução Adventist Review

Enquanto isso no Zimbábue, a ADRA, agência humanitária da igreja, continua atuando na linha de frente, mesmo em tempos de pandemia. “Nossos corajosos homens e destemidas mulheres saem todos os dias, devidamente protegidos, mas com medo como todo mundo, porque nós temos uma missão, nós temos o chamado de defender a justiça, mostrar compaixão e tocar muitos corações com amor”, disse Judith Musvosvi, diretora da ADRA Zimbábue, durante uma visita de campo ao distrito de Seke, onde a agência distribui comida. Em parceria com o programa mundial de alimentos, a ADRA atende mensalmente quase 176 mil famílias no país (veja mais neste link).

Por aqui, de acordo com o novo relatório divulgado pela ADRA Brasil, já passa de 455 mil o número de pessoas assistidas por 59 projetos da entidade. No total, 2,6 milhões de dólares foram destinados até agora para a resposta à Covid-19. Uma reportagem publicada na edição de junho da Revista Adventista mostra o caminho desses recursos e as principais áreas atendidas. Para minimizar o impacto da fome, por exemplo, a agência humanitária já angariou 16,5 mil cestas de alimentos que irão beneficiar cerca de 4,5 mil famílias (leia mais aqui) e tem dsitribuído vale refeição para centenas de famílias. 

BOLETIM CIENTÍFICO

Ao mesmo tempo em que entidades não-governamentais como a ADRA e voluntários tentam responder aos reflexos da crise econômica, a ciência também está buscando respostas. E a igreja tem oferecido um serviço que traz atualizações sobre estudos relacionados à Covid-19.

Em sua nona edição, o boletim científico publicado pelo mestrado em Promoção da Saúde do Unasp trouxe indicações de pesquisas sobre a Covid-19 e de serviços de utilidade pública. Destaque para um estudo da Universidade Harvard (EUA), que procura projetar como poderá ser a o futuro da transmissão do novo coronavírus.

Os pesquisadores consideraram duas variáveis: sazonalidade e imunidade. Com base num modelo matemático, eles concluíram que poderão ocorrer surtos de Covid-19 nos próximos quatro invernos e que medidas de distanciamento social serão necessárias até 2022, seja de forma intermitente ou prolongada. O estudo também considerou que o desenvolvimento de tratamentos eficazes e a ampliação de vagas de UTI poderão reduzir a necessidade de novas quarentenas e acelerar a aquisição de imunidade coletiva.

Entre os serviços indicados pelo boletim estão um tutorial de como fazer, usar e preservar máscaras caseiras, além de um site de busca por CEP que localiza supermercados que oferecem a opção de compra pela internet com entrega em domicílio.

REABERTURA DE IGREJAS

Embora a necessidade de isolamento social deva se estender por tempo indeterminado em algumas regiões do mundo, conforme preveem os especialistas, em alguns lugares a flexibilização do confinamento já tem possibilitado a reabertura gradual dos templos. É o que deve ocorrer a partir desta sexta-feira (29) na Nova Zelândia. No início da semana, a premiê Jacinda Ardern, que ganhou notoriedade internacional pela forma efetiva como respondeu à pandemia no país, anunciou que, num primeiro momento, o governo autorizaria cultos públicos com até cem pessoas, desde que as reuniões adotem medidas de segurança (leia mais aqui).

Assim como na Nova Zelândia, em Papua Nova Guiné, as igrejas começaram a reabrir no dia 9 de maio, depois de sete semanas de quarentena. Na capital Port Moresby, pastores, anciãos e diáconos foram treinados para servirem nos templos, conforme os novos protocolos sanitários. Isso inclui o uso de luvas, termômetros, álcool em gel e certo distanciamento entre os adoradores.

A transição não tem sido fácil para alguns membros. “Tudo parecia distante, incluindo a presença de Deus, mas minha tristeza se transformou em alegria quando eu me lembrei do texto de Deuteronômio 31:6, sorri discretamente e agradeci a Deus pela grande honra de ter podido frequentar a igreja naquela manhã gloriosa”, disse Gabriel Porolak, membro da Igreja Rainbow, em depoimento para o site da revista Adventist Record. Por sua vez, Veronica Bonasu, da mesma congregação de Gabriel, vê alguns benefícios desse novo momento: “O sentimento de reverência existe dentro e fora da igreja devido a menos ruído e movimento dentro e ao redor do templo.”

Na Suíça, a reabertura está sendo mais gradativa. Os primeiros templos reabriram suas portas no dia 30 de maio, mas com várias restrições, como a de não reunir mais de 30 pessoas e reservar 4 metros quadrados de área para cada adorador (saiba mais aqui).

ESCOLAS NA OCEANIA

Do mesmo modo que as igrejas, as escolas adventistas nas ilhas do Sul do Pacífico também tentam voltar à normalidade. No campus da Faculdade Adventista de Betikama, nas Ilhas Salomão, professores, funcionários e suas famílias entenderam que o lugar mais seguro para o confinamento era o próprio internato. Momentos devocionais matinais, períodos de jejum e refeições coletivas foram organizadas. Ex-alunos da instituição também fizeram doações em dinheiro para ajudar a manter os empregos na faculdade.

No retorno às aulas agora, os universitários estão tendo que respeitar as recomendações sanitárias para evitar o contágio com o novo coronavírus. Já nas escolas primárias e secundárias das Ilhas Salomão, a quarentena pelo menos teve um ponto positivo: os pais dos alunos foram incentivados a ensinar para os filhos habilidades nativas que estão se perdendo por causa do enfraquecimento da tradição local.

Projeto na área de higiene e saneamento desenvolvido em escolas adventistas foi escolhido pela OMS e pelo Ministério da Educação em Tonga. Foto: Adventist Record

Em Tonga, o Colégio Adventista de Beulah foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Educação local para participar de um projeto-piloto de promoção da saúde, que envolve 20 escolas. O programa tem que ver com ações de conscientização sobre higiene e saneamento, como a participação dos alunos na construção de “lavatórios” de uso individual com garrafas plásticas. Os estudantes também têm compartilhado refeições saudáveis e dedicado uma hora por semana para a prática de exercícios físicos na escola.

Em Vanuatu, outro país insular da região, o desafio foi treinar professores no uso da plataforma de ensino a distância Moodle e alcançar os alunos que não tinham dispositivos móveis ou acesso à internet. Em contrapartida, em Samoa, a eficiência do colégio adventista local em manter as atividades durante a quarentena fez com que, no retorno às aulas presenciais, aumentasse a procura por matrículas.

Com apenas 0,5% da população global, a Oceania concentra os poucos países ainda não alcançados pelo novo coronavírus (leia mais aqui).

MÁRCIO TONETTI E WENDEL LIMA são editores associados da Revista Adventista (com reportagem de Daniela Arrieta, Ayanne Karoline, Deyler Vásquez, Fabiana Lopes, Felipe Lemos, Fernando Torres, Janelle Ringer Jhenifer Costa, Jefferson Paradello, John Tausere, Joseph Pitakia, Kudzai Tinago, Leonardo Saimon, Sam Neves, Silvia Tapia, Partinson Bekala, Tepora Fuimoano, Tracey Bridcutt, Willie Kunsei e Willie Luen)

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