Mundo em Revista

Resumo das ações que marcaram na semana na imprensa adventista nacional e internacional

Márcio Tonetti

No fim do século 19, Minneapolis, nos Estados Unidos, foi “incendiada” por debates teológicos, mas hoje são os protestos antirracismo que acirram as tensões na cidade histórica para o adventismo. Depois que um homem negro foi morto por um policial, uma onda de reações, sob o lema “I can’t breathe” (Não consigo respirar), se espalhou de lá para o mundo. Na terça-feira (2), o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a violência policial nos EUA deve ser investigada.

Muito provavelmente, esse tenha sido o assunto paralelo à pandemia que mais repercutiu na imprensa adventista internacional desde o início da crise sanitária. Houve reações da Austrália à América do Sul. “A Igreja Adventista do Sétimo Dia na Austrália juntou-se a líderes de igrejas de todo o mundo condenando o racismo e a violência, enquanto o mundo se agita após a morte de George Floyd”, noticiou o site da revista Adventist Record ao reproduzir uma mensagem que o líder da igreja no país havia postado no Facebook.

Como era de se esperar, a sede da Igreja Adventista para a América do Norte (seguida por outros escritórios administrativos) foi quem primeiro respondeu à situação com uma nota oficial publicada em seu site. Os líderes da denominação condenaram as manifestações de ódio e violência e a “divisão racial que destrói a qualidade de vida de tantos e o próprio tecido da nossa sociedade democrática”. Conforme expressou o documento, “muros de separação que servem para destruir os direitos essenciais da dignidade humana, valor próprio e liberdade foram construídos” na sociedade americana.

A nota termina com um apelo aos membros da igreja para que façam a diferença na vida dos marginalizados. “Nossas ações podem falar mais alto do que palavras. Podemos dar o exemplo de como tratamos os outros e exigir que todas as pessoas sejam tratadas de forma igual e justa. Como a fé cristã com maior diversidade étnica nos Estados Unidos, nossas vozes representam quase todas as comunidades deste país. Eles devem ser ouvidos enquanto servimos para curar nossas comunidades destruídas com o amor e a compaixão de Jesus”, enfatizou a Divisão Norte-Americana na declaração.

Leslie Pollard, presidente da Oakwood University, instituição adventista afro-americana fundada em 1896 com a missão de atender famílias de ex-escravos, também se manifestou reforçando o papel da universidade em quebrar o ciclo da opressão. “Estou determinado que a fé que guia a Universidade de Oakwood desde 1896 e o legado cultural que nos foi entregue como faculdade e universidade historicamente negras continuarão a produzir gerações de advogados, médicos, assistentes sociais, dentistas, professores, profissionais de mídia e negócios que combatem os males do nosso povo perpetuados pelos sistemas de opressão”, ele escreveu em um texto publicado no site da Adventist Review.

“Os Estados Unidos foram fundados em crenças cristãs, mas construídos nas costas de escravos. Esse paradoxo nos desonra até hoje e envergonha a todos que não falam em nome da igualdade e da justiça.” Michael Kruger, diretor da ADRA Internacional

A ADRA, que há décadas trabalha para reduzir a desigualdade em mais de cem países, também lamentou a intolerância racial nos Estados Unidos. Em uma nota oficial divulgada no dia 3, o presidente da entidade, Michael Kruger, considerou que “desigualdade e desespero não são endêmicos apenas para o mundo em desenvolvimento” e que a agência humanitária da igreja não pode mais enfrentar a injustiça em todo o mundo sem reconhecer a injustiça nos EUA. “Devemos fazer tudo o que pudermos para garantir que essa herança da desigualdade racial chegue a um fim enquanto aguardamos o retorno de Cristo. Os Estados Unidos foram fundados em crenças cristãs, mas construídos nas costas de escravos. Esse paradoxo nos desonra até hoje e envergonha a todos que não falam em nome da igualdade e da justiça”, ressaltou.

Com a repercussão do caso no Brasil, o Portal Adventista resgatou um voto tomado pelos líderes mundiais da denominação em 1985, que considera o racismo como “um dos males mais odiosos de nossos dias” e ressalta que “embora o pecado do racismo seja um fenômeno antiquíssimo embasado na ignorância, no medo, na alienação e no falso orgulho, algumas de suas mais hediondas manifestações têm ocorrido em nosso tempo” (leia mais aqui).

Além disso, um novo vídeo da série #dearcoronavirus deu ênfase nas hastags #RacismIsVirus, #LoveOneAnother e #LoveNotHate. E uma Live com a participação dos doutores Nicholas Miller, da Universidade Andrews, e David Williams, da Universidade Harvard, discutiu o tema “Adventistas, Racismo e Justiça” no dia 3 de junho.

DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS

Voluntários entregam marmitas na Brasilândia, bairro da periferia de São Paulo que registra o maior número de mortes por Covid-19 na capital paulista. Foto: Everaldo Carlos

É nas periferias de grandes cidades que vivem os grupos marginalizados que mais sofrem os efeitos da pandemia. Um levantamento feito pelo Data Favela e o Instituto Locomotiva no fim de março mostrou que 92% das mães que moram na periferia acreditavam que faltaria comida depois de um mês de isolamento social. Passados mais de 60 dias do início da quarentena no estado de São Paulo, a situação da Brasilândia, bairro que concentra o maior número de mortes por Covid-19 na capital paulista, e de outras comunidades periféricas é crítica. “As comunidades mais carentes da nossa região estão sofrendo muito neste momento, pois muitas pessoas perderam os empregos ou não conseguem continuar a atividade informal. Estão de mãos atadas”, relatou o pastor Jair Miranda, diretor da Ação Solidária Adventista (ASA) para as regiões leste e norte da maior metrópole brasileira. Mas graças a um grupo de voluntários da Igreja Adventista do bairro Freguesia do Ó e o apoio da ASA e do Sesi, cerca de 500 marmitas têm sido distribuídas diariamente na região. De acordo com a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN), “além das 500 marmitas preparadas pelo Sesi, outro grupo de fiéis da Brasilândia monta diariamente entre 100 a 200 refeições para distribuir entre os moradores de rua da comunidade”.

Na Colômbia, servidores de sedes administrativas e instituições adventistas doaram um dia de salário para ajudar famílias mais vulneráveis à crise. Foto: Adventiste Magazine

Da Colômbia vem outro gesto de solidariedade. Lá, centenas de servidores da igreja no país decidiram doar um dia de salário para ajudar famílias afetadas pelo desemprego provocado pela crise sanitária. O valor total das doações já chega a quase 15 mil dólares, revertidos para a ADRA (leia mais aqui).

Doações de alimentos feitas pela Sanitarium na Austrália. Foto: Divulgação

Na Austrália e na Nova Zelândia, é a Sanitarium, indústria adventista de alimentos, que está fazendo a diferença. Grande doações de alimentos foram feitas para comunidades que ainda sofrem os efeitos dos incêndios florestais que atingiram essa região meses atrás e da pandemia do novo coronavírus. Além de abastecer depósitos de alimentos e instituições de caridade, a Sanitarium também tem atendido unidades de saúde. Até agora, segundo informações divulgadas pela Adventist Record, ela apoiou mais de 15 mil profissionais da saúde que estão na linha de frente e distribuiu 170 mil doses de vacinas contra a gripe por meio da Vitality Works, empresa de serviços de saúde administrada pela companhia.

PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS

Apesar de inacabado, já que o isolamento social impediu a continuidade das gravações, uma prévia do documentário Uncertainty: Life Without Graduation foi apresentada no GAiN da Europa no dia 30 de maio (veja mais aqui). A produção, que trata dos medos e esperanças de estudantes que estão prestes a concluir o ensino médio ou a graduação, faz parte de um projeto maior que inclui filmes, webséries, documentários e um livro.

Ainda não há previsão de quando essas produções ganharão versões em português. Porém, nesta sexta-feira (5), a sede sul-americana da igreja lança o filme Incertezas, que foi produzido em parceria com as Divisões Intereuropeia e Transeuropeia e integra o conjunto de narrativas audiovisuais. Na ficção, Alice é uma jovem que vive um momento incerto, sem saber lidar com a pressão e as expectativas que envolvem seu futuro. Entre outros temas, o curta coloca em discussão o tema do suicídio e a necessidade de ajudar que não vê solução. O curta-metragem será disponibilizado no Feliz7Play, plataforma de vídeos da igreja, e no YouTube.

ASSISTA AO TRAILER DO DOCUMENTÁRIO E DO FILME

EVANGELISMO ON-LINE

Com o objetivo de oferecer uma reposta bíblica para questões existenciais que emergem no cenário da pandemia, a Igreja Adventista na Espanha se prepara para o evangelismo on-line que pretende impactar o país nos dias 13 a 17 de junho. A série “Un Futuro con Esperanza” terá transmissão pelo Facebook e pelo YouTube e trará diferentes oradores para responder questões como: Deus está em silêncio em situações de dor e angústia? Em que confiar em momentos de incertezas? Por que existe dor e sofrimento? O que o futuro nos reserva? A abordagem é voltada especialmente para os 29% da população espanhola que se identificam como ateistas, agnósticos ou sem religião, segundo dados do Centro de Investigaciones Sociológicas da Espanha, divulgados em julho do ano passado.

Equipe envolvida na campanha evangelística promovida pelo It Is Written. Foto: Reprodução da Adventist Review

Já nos Estados Unidos, o ministério It Is Written comemorou os resultados da série de pregações intitulada “Hope Awakens” (A Esperança Desperta, em tradução livre) transmitida nos dias 17 de abril a 16 de maio. Além de ser transmitida na língua de sinais americana, a programação foi traduzida e compartilhada em sete idiomas indianos. O conteúdo foi ainda adaptado para alcançar grupos de refugiados nos EUA. Cerca de 3,5 mil pessoas responderam aos apelos do pastor John Bradshaw e manifestaram o interesse de continuar estudando a Bíblia. Agora, o It Is Written se prepara para um novo evangelismo on-line, programado para começar em 22 de junho (saiba mais aqui).

No contexto Argentino e brasileiro, um dos destaques foi a primeira semana de oração virtual, promovida nos dias 1º a 5 de junho pela Rede Novo Tempo de Comunicação e seu departamento de Web. A NTPlayWeek, como foi chamada, teve transmissão em português e espanhol dos sermões dos pastores Jorge Rampogna e Victor Bejota.

INTERPRETAÇÕES APOCALÍPTICAS

Em um contexto no qual afloram interpretações sobre o fim do mundo, a Divisão Transeuropeia, sede administrativa da igreja no Reino Unido, lançou um estudo bíblico que contesta a teoria do sul-africano Walter Veith e de outros que acreditam que o retorno de Cristo à Terra acontecerá em 2027. Os defensores dessa ideia postulam que cada dia da semana da criação representaria mil anos, que teriam se passado 6 mil anos desde a Criação e que agora a humanidade estaria prestes a entrar no sétimo período, o milênio celestial mencionado em Apocalipse 20. Aproveitando o tempo em quarentena, o doutor Laurence Turner, professor emérito do Newbold College, gravou vídeos nos quais explica as principais passagens da Bíblia sobre os sinais da volta de Jesus, analisa a hermenêutica de Veith e comenta a posição de Ellen White a respeito da marcação de datas. Veja a seguir (em inglês).

SOLUÇÕES DIGITAIS

Antes que a pandemia dificultasse a venda de livros de porta em porta, uma plataforma já vinha sendo desenvolvida na Universidade Montemorelos, no México, como possível saída para a colportagem, setor que, nos últimos anos, vem enfrentando desafios em muitos lugares. “Embora, há dois anos, não visualizássemos, evidentemente, uma situação de pandemia como essa, a providência divina nos levou a iniciar esse projeto e a concluí-lo em tempo de ser usado nestas circunstâncias”, ressaltou Carlos Gastelum, coordenador da iniciativa na universidade.

O programa Emprendum foi criado com o objetivo de abrir caminho para a colportagem estudantil na internet. Foto: Montemorelos University

O programa Emprendum, lançado no início do mês pela igreja na América Central, promete inovar a colportagem estudantil, segmento responsável pela maior receita do departamento de Publicações no território da Divisão Interamericana. Segundo Gastelum, o projeto pretende alcançar um público nunca antes explorado: o das plataformas virtuais. O site inclui loja virtual e informações sobre o programa e os colportores estudantes. Um dos diferenciais é que, ao comprar literatura pelo e-comerce, a pessoa pode selecionar um dos mais de 500 estudantes que serão beneficiados. Todos os anos, a venda de aproximadamente 60 mil livros para quase um milhão de famílias em quinhentas cidades do México, durante as férias escolares, possibilita que milhares de universitários adventistas consigam pagar seus estudos. Agora que a crise sanitária tem atingido com força o México, essa solução tecnológica pode minimizar o impacto no setor. O sistema já foi adotado também por outras instituições de ensino superior da igreja na América Central, incluindo a Universidade Adventista da Colômbia (saiba mais clicando aqui).

As plataformas digitais também permitiram que, apesar do isolamento social, os adventistas da Angola, na África, distribuíssem milhares de exemplares do livro missionário intitulado Hope Beyond Tomorrow, de autoria do evangelista Mark Finley. A estratégia da União Sudoeste de Angola foi criar um grupo no WhatsApp para coordenar os voluntários que ajudaram na distribuição da versão digital da obra por meio das mídias sociais (veja mais aqui).

BOLETIM CIENTÍFICO

Em sua décima edição, o boletim produzido semanalmente pelos professores do mestrado em Promoção da Saúde do Unasp destaca duas pesquisas recentes. A primeira delas trata de um estudo que utilizou modelos matemáticos para fazer projeções em relação à curva da pandemia de Covid-19 na Itália. Os autores demonstraram que o sistema de saúde do país entraria em colapso nos meses de março e abril, o que de fato ocorreu. A grande quantidade de pessoas necessitando de internação em UTIs levou o sistema de saúde italiano a atingir a capacidade máxima em questão de dias. Nessa mesma pesquisa, os estudiosos também já haviam concluído que, se os dados dos modelos matemáticos se tornassem realidade, o cenário poderia levar hospitais da região a negar cuidados a pacientes mais graves, para dar prioridade aos pacientes com maior probabilidade de sobrevivência, situação que também se confirmou e gerou grandes dilemas bioéticos.

Já a segunda investigação procurou responder se a religião poderia ajudar as pessoas a terem uma melhor saúde física e mental, a despeito da idade e do grau de escolaridade delas. Feito com base numa ferramenta de pesquisa chamada “Questionário Oito Remédios Naturais” (Q8RN), o estudo indicou que ser filiado a uma religião que enfatiza um estilo de vida saudável é um fator importante para a promoção da saúde holística.

Outro destaque da edição desta semana é uma cartilha preparada pelo corpo docente do mestrado em Promoção da Saúde (para baixar o material, clique aqui). Em parceria com a rádio Unasp, professores do programa de pós-graduação também estão gravando uma série de podcasts com dicas de cuidado e atenção à saúde física e mental.

E se você quer saber mais sobre esse tema, o Entenda, podcast da Revista Adventista, aborda nesta semana o suporte emocional on-line durante a pandemia. Participam do novo episódio o pioneiro de um serviço de tele-atendimento criado pela igreja na década de 1970, cujo nome foi resgatado recentemente pela Prefeitura de Curitiba; a coordenadora de um grupo de psicólogos que atende virtualmente pelo SOS Coronavírus; e um pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ) que tem desenvolvido pesquisas sobre o impacto emocional na população brasileira (clique aqui para ouvir).

Falando em estudos científicos, o site da Universidade de Saúde de Loma Linda (EUA) chamou a atenção para dois deles. O primeiro, que não tem relação com a Covid-19, mostrou que tomates cozidos podem reduzir o risco de câncer de próstata. Os resultados da pesquisa intitulada “Tomato Consumption and Intake of Lycopene as Predictors of the Incidence of Prostate Cancer: The Adventist Health Study-2”, foram divulgados no fim de fevereiro na Cancer Causes & Control, revista médica revisada por pares. Segundo o estudo, homens que consumiam tomates enlatados e cozidos de cinco a seis vezes por semana reduziram em 28% as chances de ter câncer de próstata do que aqueles que não ingeriam esse alimento (leia mais sobre a pesquisa aqui).

A página da instituição norte-americana também divulgou que, em meados de maio, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) relataram que a chamada Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Crianças (MIS-C) está associada ao novo coronavírus. Essa complicação faz com que diferentes partes do corpo da criança fiquem inflamadas, incluindo coração, pulmões, rins, cérebro, pele, olhos ou órgãos gastrointestinais.

Alexandra Clark, chefe da divisão de pediatria do Hospital Infantil da Universidade Loma Linda, disse que os médicos estão percebendo que a infecção pelo SARS-CoV-2, vírus que causa a Covid-19, pode estar provocando uma reação exagerada no sistema imunológico das crianças. “Acreditamos que a resposta do corpo ao vírus está criando uma cascata de inflamação que afeta muitos sistemas do corpo”, disse a médica. Porém, ela ressaltou que ainda não há evidências suficientes “para apoiar um cronograma definitivo” relacionado ao surgimento do problema, mas ressaltou que a inflamação pode aparecer, em alguns casos, semanas após a exposição ou infecção original (leia mais aqui).

Ao mesmo tempo que há estudos sérios sendo divulgados, também circulam informações falsas ou pseudocientíficas. É o caso do suposto estudo espanhol com 60 mil pessoas que teria demonstrado a ineficácia do isolamento social no combate à Covid-19, como alertou o Boletim Científico do Unasp nesta semana.

Preocupada com a desinformação, o ministério da Saúde da Divisão Sul-Africana Oceano Índico da Igreja Adventista sentiu a necessidade de formular uma declaração oficial sobre supostas curas para a Covid-19. O documento chama a atenção para o fato de, em algumas regiões do mundo, posições políticas estarem falando mais alto do que a ciência e a medicina no combate à pandemia. A publicação não menciona o Brasil e a polêmica discussão sobre o uso da Cloroquina, mas cita como exemplo o caso da ilha de Madagascar, na costa leste africana.

No fim de abril, o presidente Andry Rajoelina anunciou que o país havia encontrado a cura para a Covid-19. Na época, o líder do governo ordenou que o chamado Covid-Organics, um tônico herbal, fosse distribuído gratuitamente à população e que as escolas fossem reabertas, desde que os alunos tomassem a bebida. Porém, a Academia Nacional de Medicina de Madagascar (NAMM) se opôs a considerar a infusão como medicamento. A OMS e o Centro Africano de Controle de Doenças (África CDC) igualmente demonstraram preocupação com o suposto remédio.

Na declaração, a igreja esclareceu que o principal componente desse tônico herbal é a Artemisia annua, antiga planta medicinal chinesa. A artemisinina, susbstância derivada da artemísia, é usada há vários anos pela indústria farmacêutica para produzir medicação antimalárica. A nota observa também que “existem várias pesquisas publicadas e em andamento sobre o uso de Artemisia annua no tratamento de outras condições, como artrite, câncer e algumas outras infecções parasitárias”. Porém, o documento alerta para o fato de não haver comprovação quanto à efetividade da infusão no tratamento da Covid-19. Além disso, é observado que medicamentos produzidos a partir dessa planta para o tratamento de outras doenças ainda não foram liberados por agências reguladoras para o consumo em geral, pois diversos estudos (alguns deles referenciados ao longo da declaração) têm constatado vários efeitos colaterais (veja a declaração na íntegra aqui).

FUTURO DO PLANETA

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), questões ambientais também entraram na pauta da igreja. A ADRA Brasil produziu uma série de imagens para as redes sociais incentivando a preservação do meio em que vivemos. Já em Belo Horizonte (MG), professoras da Escola Adventista da Pampulha propuseram uma atividade diferente aos alunos a partir da análise de um estudo da Fundação Estadual do Meio Ambiente que mostrou que a restrição de atividades por conta da crise sanitária levou a uma redução da poluição do ar na região da capital mineira. Depois de refletir sobre o tema, eles se expressaram por meio de cartazes e vídeos, demonstrando o desejo de ver uma maior harmonia entre as pessoas e a natureza no mundo pós-pandemia. Além de trazer benefícios para as crianças, a ação, que chamou a atenção da equipe de reportagem de uma TV local, fechou a semana com um ar mais positivo.

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista (com reportagem de Alessandra Guimarães, Corrado Cozzi, Diamantino Sawambo, Gabriel Díaz, Jarrod Stackelroth, Laura Marrero, Mariana Troc, Maryellen Fairfax, Rayanne Sousa, Sheann Brandon, Victor Hulbert)

Veja também

O adventismo e o racismo

O que a igreja pensa sobre a segregação e como ela reagiu à morte de mais uma vítima da intolerância racial.