Mundo em Revista

Fatos que repercutiram ao longo da semana no mundo adventista

Márcio Tonetti

A pandemia mudou a rotina dos estudantes e a expectativa daqueles que iniciaram o ano letivo pensando na formatura. Sem a possibilidade de receber o diploma numa cerimônia presencial, algumas instituições usaram caminhos alternativos para não deixar a data passar em branco. Na Universidade La Sierra (EUA), a celebração realizada no fim de junho foi no modelo drive-through.

A adolescente Emma Hamel esperava comemorar a conclusão do ensino médio com os colegas nos moldes tradicionais. Mas, com a mudança abrupta de cenário e de planos, a estudante adventista norte-americana decidiu expressar seus sentimentos e esperança compondo uma música. O videoclipe da canção “Standing by my side” já registra mais de 190 mil visualizações em seu canal no YouTube.

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Experiências vividas durante o período da pandemia também serão divulgadas no devocional intitulado Overcomers (Vencedores, em tradução livre), que está sendo preparado para 2021 pela Oriental Watchman Publishing House, editora da igreja localizada na cidade de Pune, na Índia. A instituição está incentivando adventistas de todo o mundo a enviarem histórias relacionadas à curas da Covid-19, ao fortalecimento da vida espiritual e dos laços familiares na quarentena, a ministérios criados nesse período, bem como à necessidades que foram suprimidas durante a crise sanitária. Os relatos devem ter até 250 palavras e ser enviados (em inglês) até 7 de agosto para o seguinte e-mail: editorinchief.owph@gmail.com.

PAPEL PROVIDENCIAL

A pequena gráfica adventista em Cuba precisou fechar temporariamente por falta de matéria-prima. Mas a chegada de um carregamento de papel e de exemplares da Lição da Escola Sabatina dos Estados Unidos solucionou o problema. Foto: Aldo Perez / Cuba Union

O setor gráfico foi um dos que sofreram grande impacto por causa da pandemia. Nos últimos meses, houve registros de problemas locais de fornecimento de matéria-prima, como a descontinuidade da produção de papel na Índia, o que acabou prejudicando ou paralisando as impressões em outros países.

Foi o que aconteceu em Cuba, onde a falta de papel se tornou uma grande preocupação para a igreja. Apesar de os cerca de 38 mil adventistas da ilha serem atendidos com literatura produzida pela Inter-American Division Publishing Association (IADPA), editora adventista que cobre a América Central, periódicos como a Lição da Escola Sabatina continuam sendo impressos em Cuba, por razões logísticas e financeiras. A Divisão Interamericana, cuja sede fica nos Estados, destina os materiais e subsidia a impressão em uma pequena gráfica mantida pela igreja no território cubano.

Porém, com o fechamento das fronteiras e a paralisação da atividade econômica, a igreja se deparou com o problema da falta de matéria-prima. “Papel é como ouro para a nossa igreja aqui”, disse Dayami Rodríguez, diretor de Comunicação da sede administrativa da denominação em Cuba, em matéria publicada no site da Divisão Interamericana no dia 16 de julho.

Nas décadas de 1980 e 1990, a dificuldade de imprimir literatura forçou os adventistas cubanos a usar os mesmos guias de estudo por vários trimestres. E parecia que essa situação se repetiria no contexto atual. Mas, de maneira inesperada, no dia 29 de junho contêineres contendo pallets de papel e 11 mil exemplares da lição da Escola Sabatina do terceiro trimestre chegaram ao porto de Havana. Além de solucionar o problema imediato, os materiais irão permitir que a igreja imprima e distribua, até o fim de setembro, o guia de estudos para os últimos três meses do ano.

ACERVO DIGITAL

Poucos dias depois de a sede mundial adventista lançar a plataforma virtual da nova Enciclopédia Adventista, a Casa Publicadora Brasileira apresentou outra ferramenta de interesse dos pesquisadores e membros da igreja: o acervo virtual da Lição da Escola Sabatina. O site reúne exemplares das últimas duas décadas, totalizando 92 edições, 15.893 páginas e 7.060.931 palavras indexadas. Porém, o objetivo para os próximos anos é ampliar o número de edições disponíveis para consulta. Para acessar a plataforma gratuitamente, clique aqui.

AJUDA HUMANITÁRIA

Em relação às ações solidárias durante a pandemia, destaque para a que ocorreu em Itabuna, no sul da Bahia. Lá, um grupo de 23 voluntárias produziu cerca de 2,2 mil máscaras, entregues ao Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, que forneceu a matéria-prima para a confecção das peças. A ação foi coordenada pela Casa de Lió, núcleo da ADRA que há cinco anos beneficia a comunidade com cursos em várias áreas. Apesar de as atividades presenciais terem sido suspensas por causa da crise sanitária, a agência humanitária adaptou seus projetos para continuar atendendo a comunidade.

No caso de Três Lagoas, no interior do Mato Grosso do Sul, integrantes da Missão Calebe entregaram mais de cem litros de sabão ecológico para famílias carentes. O produto de limpeza foi produzido a partir de óleo de fritura que muito provavelmente seria descartado na natureza. Como resultado das ações que eles desenvolvem na região, 64 pessoas manifestaram interesse em estudar a Bíblia.

Já no sul do Paraná, voluntários da Missão Calebe tem se mobilizado durante o mês de julho para apoiar hemocentros do estado, que registrou queda de 25% nas doações de sangue, na comparação com o mesmo período do ano passado. Até agora, 115 jovens participaram do gesto de solidariedade.

Por sua vez, na Austrália, a cozinha da ADRA que funciona no espaço da Igreja Adventista Polonesa de Dandenong foi adaptada para atender pessoas em situação de rua, alcoólatras e viciados em outras substâncias tóxicas. Uma vez por semana, as cerca de 40 pessoas que procuram essa comunidade adventista recebem refeição quente na chegada e, na saída, levam uma sacola com frutas e um kit para o próximo desjejum.

Uma vez por semana, a cozinha da ADRA que funciona no prédio da Igreja Adventista Polonesa de Dandenong (Austrália) tem servido refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade. Foto: Tom Kasprzak

Segundo noticiou o site da Adventist Record, produtos alimentícios também têm sido entregues pelos voluntários nas casas de mães solteiras que enfrentam dificuldades financeiras. Segundo os organizadores da iniciativa, a igreja local tem respeitado as normas de segurança ao servir a comunidade em tempos difíceis.

COMBATE AO TRÁFICO HUMANO

O fechamento das fronteiras por causa da pandemia dificultou a atuação de traficantes de seres humanos, mas essa atividade ilegal deve se intensificar com o processo de reabertura da economia. É o que prevê Andrew Colquhoun, fundador de uma ONG adventista que desde 2006 luta contra o que é considerado o terceiro crime mais lucrativo no mundo, depois do tráfico de drogas e de armas.

Nos últimos anos, esse ministério que começou na China se expandiu para países como o Nepal e as Filipinas, onde os números do tráfico humano são impressionantes. Estima-se que mais de 60 mil crianças serão traficadas e exploradas neste ano nas Filipinas e que cerca de 20 mil mulheres e meninas sofrerão o mesmo destino no Nepal (veja mais nesta reportagem publicada hoje pela Adventist Record).

A ONG Captivating International trabalha para salvar meninas da exploração sexual. “No Nepal, a instituição atua por meio de 11 estações de monitoramento na fronteira nepalesa/indiana, onde os funcionários conduzem ‘interceptações’ com o apoio da polícia local. É ali, no momento da entrevista, que se identifica se uma garota provavelmente está sendo traficada. No caso de suspeita, seu acesso será recusado do outro lado da fronteira e sua família será chamada para buscá-la. Em média, uma garota é interceptada a cada 90 minutos”, informa a reportagem do site da Adventist Record, periódico adventista australiano.

Além de combater o tráfico humano, Andrew e a esposa, Julie, que deixaram um emprego estável e uma vida confortável na Austrália para lutar pela justiça social, tem promovido campanhas de conscientização. “Em parceria com o governo, estamos lançando programas de educação para alcançar crianças em bolsões de pobreza que correm maior risco de receber atenção de traficantes. Esperamos que essas crianças se tornem embaixadoras do combate ao tráfico. Estamos bastante confiantes de que podemos mudar esse espaço na próxima década”, Andrew destaca. Segundo ele, a ONG também iniciou um programa de geração de renda intitulado “Meus negócios, minha liberdade”, voltado para mulheres em situação de vulnerabilidade.

INVENÇÃO NA PANDEMIA

Máquina de higienização das mãos criada por estudantes de uma escola técnica apoiada pela ADRA na Somália tem ajudado no combate à Covid-19 no país africano. Foto: ADRA Somália

Na Somália, país africano de maioria muçulmana, estudantes de uma escola técnica apoiada desde 2015 pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) inventaram lavatórios que evitam o contato direto com a torneira. A água e o sabão são liberados ao se acionar um pedal.

Cinquenta equipamentos (como o da foto) foram instalados em pontos estratégicos de Kismayo, a fim de ajudar a população a evitar o contágio e a transmissão do novo coronavírus. O projeto, financiado pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (NORAD, na sigla em inglês), faz parte de uma série de ações de conscientização que vêm sendo desenvolvidas pela agência humanitária adventista em parceria com o Ministério da Saúde somali desde o mês de maio.

PROMOVENDO A IGUALDADE

Programa criado há 15 anos pela Universidade de Loma Linda (EUA) tem contribuído para a formação de médicos e cientistas negros e de origem hispânica. Foto: Loma Linda University

O tema da desigualdade social ganhou força no contexto da pandemia. E uma matéria divulgada nesta semana pela Universidade de Loma Linda (EUA) mostrou como a instituição adventista está contribuindo para aumentar o número de profissionais e cientistas negros e hispânicos. Criado há 15 anos, o Centro de Disparidades em Saúde e Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Loma Linda (CHDMM, na sigla em inglês) oferece a grupos minoritários cursos de pós-graduação nas áreas de medicina e ciências da saúde, vagas de estágios e oportunidades de envolvimento em projetos de pesquisa financiados pelo governo norte-americano. Sob a supervisão de uma equipe de 30 mentores, eles têm estudado temas como a relação entre algumas enfermidades (a exemplo de câncer e diabetes) e determinantes sociais.

Segundo o doutor Marino De Leon, coordenador do CHDMM, mais de 200 alunos que passaram pelo programa hoje trabalham nas áreas acadêmica, clínica e farmacêutica. “Nossos alunos têm uma vantagem competitiva e 80% seguem programas de mestrado ou doutorado na Universidade de Loma Linda ou em outras universidades de primeira linha do país”, ele destaca, observando que muitos deles se tornaram cientistas premiados.

SUPRIMENTOS MÉDICOS

Em resposta à pandemia de Covid-19, a ADRA destinou suprimentos médicos e equipamentos a vários hospitais. Foto: ANN

Nos Estados Unidos, a ADRA doou suprimentos médicos essenciais e equipamentos de proteção individual para o Adventist HealthCare White Oak Medical Center, centro médico de Silver Spring que atende pacientes da Covid-19 que apresentam quadro clínico delicado. Segundo informou a ADRA, “em todo o país, a demanda por equipamentos de proteção individual (EPI) e suprimentos médicos em hospitais e unidades de saúde aumentou acentuadamente à medida que a pandemia varreu o país”. A agência humanitária da igreja informou ainda que esse tipo de suprimento pode levar até 30 dias úteis para ser entregue, colocando pressão adicional sobre os sistemas de saúde e os profissionais de saúde (leia mais aqui).

Centros médicos dos estados do Alaska, Califórnia, Nova York e Texas também foram beneficiados por doações desse tipo. No total, a ADRA e a Adventist Community Services (ACS), departamento de ajuda humanitária da igreja na América do Norte, destinaram o equivalente a 2,3 milhões de dólares em materiais para unidades de saúde da região. Para se ter uma ideia, apenas para a Loma Linda University Health, na Califórnia, foram entregues 45 mil equipamentos de proteção individual e máscaras. Além disso, segundo informou o site da agência de notícias oficial da sede mundial adventista (ANN), na última terça-feira (21), toneladas de equipamentos médicos serão enviados para hospitais da Jamaica e República Dominicana, e uma nova remessa desses materiais, no valor de 4,5 milhões de dólares, deve ser direcionada para o continente africano.

REPOSIÇÃO DOS ESTOQUES

Uma das carretas com alimentos enviadas pela organização City Harvest para abastecer o estoque dos depósitos de alimentos da igreja em Nova York. Foto: Adventist Community Services e ANN

Somente na cidade de Nova York (EUA), a Adventist Community Services (ACS) tem distribuído alimentos de duas a três vezes por semana em dezenas de pontos espalhados pela cidade. Mas o aumento da procura por mantimentos durante a pandemia esgotou os estoques da maioria dos cem depósitos mantidos pelo departamento ação solidária da igreja na região. Porém, reconhecendo o trabalho que a ACS tem feito na metrópole americana, a City Harvest, ONG que tem ajudado a alimentar 1,5 milhão de nova-iorquinos, irá abastecer semanalmente as despensas da Adventist Community Services até o fim de dezembro.

EVENTOS ON-LINE

Se nos dias 3 e 4 de julho foram as comunidades adventistas de fala espanhola que se reuniram por meio de uma videoconferência realizada pela Associação das Igrejas Adventistas da América Latina na Europa (AIALE), de 14 a 16 um evento on-line organizado pelo Adventist Possibilities Ministries reuniu líderes e pessoas envolvidas em ministérios voltados para pessoas com necessidades especiais no contexto da Divisão Intereuropeia. O objetivo foi planejar ações e discutir como a estrutura da igreja local pode se tornar mais acolhedora e adaptada às necessidades das pessoas com deficiência.

MÁRCIO TONETTI é jornalista e atua como editor associado da Revista Adventista (Com colaboração de Abraham Rangel, Boguslaw Kot, Darla Martin Tucker, Donajayne Potts, Evellin Fagundes, Iris Argueta, Jordana Graci, Jenean Lendor, Libna Stevens, Przemyslaw Wrzos, Rebeca Silvestrin, Tracey Bridcutt e W. Derrick Lea)

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Balanço da pandemia

Líder fala sobre os reflexos da crise sanitária no adventismo sul-americano.