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Vacinas contra a Covid-194 min read

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Especialistas tiram dúvidas sobre imunizantes que estão sendo produzidos para combater o coronavírus

Foto: Adobe Stock

Muitos esforços têm sido feitos para estabelecer uma abordagem confiável e embasada em evidências para o tratamento da Covid-19. Além disso, e em tempo recorde, foram produzidas vacinas que já começam a ser aplicadas na população de algumas regiões da América do Norte e Europa. No início do mês, o Reino Unido foi o primeiro país ocidental a autorizar o uso emergencial de uma vacina contra o coronavírus, seguido pelo Canadá e pelos Estados Unidos. Segundo publicou a revista Istoé (ed. 30 de dezembro), na penúltima semana do ano, cerca de dois milhões de pessoas tinham sido imunizadas no mundo na que deve ser a maior campanha de vacinação da história.

No entanto, ao mesmo tempo que gera otimismo, esse cenário também suscita dúvidas e muita desinformação. Tendo isso em vista, adaptamos o trecho de um material publicado pela Adventist Review que pode ser útil aos leitores da Revista Adventista brasileira. As perguntas e respostas a seguir são relacionadas às vacinas produzidas pela Pfizer/BioNtech e pela farmacêutica Moderna, especificamente, e foram formuladas pela equipe da Loma Linda University School of Public Health (LLUSPH), em conjunto com Michael Hogue, reitor da Escola de Farmácia da universidade adventista norte-americana e membro da Comissão Consultiva da Força-Tarefa sobre Práticas de Vacinação Contra Covid-19 do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês). Embora ainda não se saiba ao certo quais imunizantes serão distribuídos no Brasil, essas informações podem ajudar a esclarecer dúvidas comuns.

Vacinas de DNA e RNA (também chamadas de vacinas genéticas) contra coronavírus causam alterações nos genes?

As duas vacinas mencionadas usam o chamado RNA mensageiro. Embora esse tipo de vacina tenha sido aprovado pela primeira vez para uso em massa no combate à Covid-19, a tecnologia já vem sendo empregada em tratamentos médicos nos últimos 15 anos. Funciona assim: a vacina entra no citoplasma da célula (o fluido dentro da célula), onde estimula a produção de anticorpos para combater o peplômero da proteína SARS-CoV-2, cuja função é mediar a interação vírus-célula. Uma vez que não entra no núcleo da célula hospedeira, ela NÃO altera o DNA nem a estrutura ou função genética.

Essas vacinas são seguras e eficazes, uma vez que foram desenvolvidas tão rapidamente?

Graças aos avanços tecnológicos, o vírus SARS-CoV-2 foi sequenciado poucos dias após ser identificado e o trabalho para produzir uma vacina começou imediatamente. A grande amostra do estudo é de 40 mil pessoas (normalmente, a amostra média do estudo da Food and Drug Administration, agência reguladora norte-americana, é de apenas 27 mil). Os dados estão sendo monitorados cuidadosamente.

A primeira dose indicou uma proteção de 50% da resposta imunológica. Já a segunda dose alcançou 95% de proteção. Apenas a vacina da hepatite A tem uma taxa superior, de quase 100%. O estudo foi bem desenhado e representou bem a demografia dos Estados Unidos, com exceção dos povos indígenas, situação que o estudo atual está trabalhando para corrigir. A eficácia e os efeitos colaterais das vacinas da Pfizer/BioNtech e da Moderna foram semelhantes em todos os grupos étnicos. Mas vale ressaltar que elas não são intercambiáveis, ou seja, se a pessoa começa com uma, a segunda dose tem que ser da mesma marca. Para a vacina da Pfizer, há um intervalo de 21 dias entre as doses. Já para a vacina da Moderna, o intervalo deve ser de 28 dias. Outra informação importante é que elas não estão licenciadas para uso durante a gravidez ou em pessoas menores de 16 anos de idade.

Os ingredientes e conservantes das vacinas são perigosos?

Não há conservantes nessas duas vacinas para a Covid-19. É por isso, inclusive, que precisam ser armazenadas e transportadas em temperaturas muito baixas.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Até agora, 10% dos indivíduos relataram febre no segundo dia e, em 24 horas, 50% a 60% relataram alguma dor. Até agora, não houve efeitos colaterais graves envolvendo a vacina da Pfizer/BioNtech, embora tenham sido relatados três casos de reações alérgicas significativas (anormalmente baixos; provavelmente devido à ausência de conservantes).

Quem já foi infectado pelo vírus pode receber a vacina?

Se uma pessoa já testou positivo para Covid-19, poderá ser vacinada. Isso aumentará os níveis de anticorpos.

(Adaptada da versão publicada originalmente no site da Adventist Review)

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