Atenção

Mal do século

Revista Ministério trata sobre a depressão e mostra como ela afeta, inclusive, os pastores 

Capa-da-Ministério

A depressão está fazendo cada vez mais vítimas e está atingindo pessoas cada vez mais jovens. A última edição da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada em 2014, mostrou que, na época, a doença já atingia 11 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais. No entanto, embora ela seja uma das principais vilãs da atualidade, ainda é mal compreendida por muitos que a consideram sinônimo de tristeza, falta de fé e até mesmo fruto da ação demoníaca.

O tema ganhou destaque na edição de março e abril da revista Ministério, periódico produzido pela Casa Publicadora Brasileira (CPB). A revista analisa como é possível evitar esse distúrbio ou superá-lo, esclarece sobre a diferença entre depressão e tristeza e mostra que o problema afeta membros da igreja e, inclusive, os pastores.

Para o pastor Wellington Barbosa, editor responsável pela publicação, diante do problema que se torna cada vez mais comum em nosso cotidiano é natural que, em algum momento, pastores e líderes da igreja tenham que lidar com membros afetados pela depressão. “Qual é nossa reação diante de um membro da igreja quando ele relata sua angústia provocada pela depressão? Certamente, em ocasiões como essa, a intervenção do pastor pode ser bálsamo ou fel na vida de alguém que sofre com esse que é considerado o ‘mal do século’”, afirma Barbosa em seu editorial.

Ele também menciona o fato de que o problema tem rondado o lar de muitos fiéis e atingindo seus familiares próximos. O que fazer quando isso acontece? Segundo Barbosa, para vários ministros, essa situação tem sido um fardo difícil de ser suportado. “Um senso de incapacidade toma conta e muitos se culpam por não conseguirem ajudar a pessoa querida. Além disso, alguns temem que essa angústia familiar transcenda os limites do lar e atinja o contexto de sua congregação ou distrito pastoral. Infelizmente, apesar de saberem que a depressão é uma doença, muitos líderes receiam que, de alguma forma, os membros olhem de ‘modo diferente’ para eles ou para o parente afetado pela enfermidade”, ele observa.

E quando a vítima é o próprio pastor? Para Wellington Barbosa, embora alguns relutem, essa possibilidade é “real e progressiva”. Em entrevista ao periódico, Marta de Andrade Gomes, psicóloga clínica, pós-graduada em Terapia Familiar, ressalta que “o pastor é humano, está no mundo, tem sentimentos, desejos, medos, e não está blindado para os problemas da atualidade”.

Ao considerar os conflitos vividos por aqueles que exercem o ministério pastoral, Marta, que também tem formação em Psicanálise, afirma que a sociedade coloca um peso sobre o pastor e sua família, querendo que sejam modelos a ser seguidos, e qualquer falha é superestimada. “Há uma igreja com suas exigências e críticas, às vezes duras, injustas, e uma administração que, em alguns momentos, se apresenta distante, exigente, com aparente dificuldade para ver a pessoa, olhando apenas a produção. Sabemos que a consciência do fazer, da missão cumprida, dá alento e estabilidade emocional à pessoa. Satisfazer o outro nem sempre é possível. Ter esse discernimento e procurar não valorizar tanto a opinião do outro, a ponto de se negar, é necessário para se viver bem”, acrescenta a psicóloga.

Outro fator abordado por ela é que, para alguns ministros, o momento da aposentadoria também parece levar à depressão. “Ouço de muitos idosos que vivem como se estivessem no passado; com isso, eles não aproveitam as boas coisas da aposentadoria”, observa.

Seu conselho para esse grupo é que há muito a ser feito nesse estágio da vida. Afinal, como ela menciona, muitos conseguem descobrir uma nova profissão, outros trabalham em projetos beneficentes, viajam, curtem a família e a vida com liberdade. Além disso, ela enfatiza que, apesar da perda da função, os pastores aposentados jamais perdem a vocação pastoral. “É uma atividade que ele pode exercer depois da aposentadoria, com liberdade e intensidade. As igrejas estão sedentas por mensagens de pastores experientes que possam ajudá-las a crescer espiritualmente”, lembra.

Já para os que ainda estão exercendo a função, ela recomenda: “Procure trabalhar da melhor forma possível, conforme ordena o Pai celestial. Não gaste suas energias físicas e psíquicas com coisas sobre as quais não pode legislar nem pode mudar. A vida é muito curta para nos preocuparmos com superficialidades. Pensemos mais nas coisas lá do alto”, sugere. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações da revista Ministério]

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