Um parque e um campo de batalha por almas

Relatório apresentado por Paul Ratsara, presidente reeleito da Divisão Sul-Africana Oceano Índico, no dia 5, destacou o investimento em canais de TV e o amparo aos portadores de AIDS

1007relatorio-SID-Victoria Falls

Em meio à beleza africana de tirar o fôlego, que inclui a cachoeira Victoria Falls, vive um povo que anseia por se conectar com Deus, seu Criador. Crédito: Pixabay.

A Divisão Sul-Africana Oceano Índico abriga desertos cheios de bancos de areia e verdejantes florestas tropicais. Você irá testemunhar a maior cachoeira única do mundo se seguir o sinuoso rio Zambeza pelo sul da África até chegar a Victoria Falls, onde um arco-íris perpétuo cria uma maravilha espetacular do mundo.

1007relatorio-SID-outdoor

O serviço à comunidade “Refeições sobre Rodas” inspira esperança e compartilha amor com cada uma das milhões de refeições servidas por ano. Crédito: SID

Você sentirá o ar da África ao fazer um safári em Botsuana ou Malaui, ou se optar por uma aventura nas últimas florestas tropicais intocadas de Madagascar.

Quando respirar o ar fresco no topo da Table Mountain na África do Sul, exclamará: “No princípio criou Deus os céus e a terra!” Em meio a tanta beleza de tirar o fôlego, vive um povo que anseia por se conectar com Deus, seu Criador.

Essa é a África: um parque e um campo de batalha por almas.

Os principais instrumentos de Deus nesse conflito cósmico são os 3.346.372 membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Divisão Sul-Africana Oceano Índico. Confira algumas de suas histórias.

Participação total

Rima tem seis anos de idade e prega diligentemente o evangelho em Madagascar há dois anos. Armado com a Bíblia, abençoado por uma boa memória e incentivado pela mãe, Rima fala com autoridade ao pregar a Palavra. A Divisão Sul-Africana Oceano Índico oferece seminários regulares de pregação infantil, dando às crianças a oportunidade de aperfeiçoar seu chamado e de serem equipadas com habilidades homiléticas.

Aos 113 anos de idade, Jato Mailose Sibanda é o desbravador ativo e pregador adventista mais velho do mundo. Crédito: SID

Aos 113 anos de idade, Jato Mailose Sibanda é o desbravador ativo e pregador adventista mais velho do mundo. Crédito: SID

As crianças pregadoras são um fenômeno crescente na Divisão, mas membros de todas as idades compartilham Jesus. Três anos atrás, Jato Mailose Sibanda provavelmente era o centenário mais ativo do continente. Embora tenha diminuído um pouco o ritmo, aos 113 anos de idade, Sibanda é hoje o pregador adventista e desbravador ativo mais velho do mundo. Defensor da alimentação vegetariana, de exercícios regulares, de uma atitude positiva e da confiança constante na Palavra de Deus, ele inspira um compromisso mais firme com as três mensagens angélicas no coração de jovens e velhos. A obra de espalhar o evangelho depende dos membros leigos. A Divisão conta com apenas 1.552 pastores para 9.992 igrejas e 13.068 grupos.

Membros leigos tomam a iniciativa

O número de membros da igreja tem crescido rapidamente na Divisão à medida que os membros leigos tomam a iniciativa.

Muitos fatores contribuíram para o crescimento, mas o uso de pequenos grupos demonstrou ser o mais eficaz. Mais de 31 mil pessoas foram batizadas em apenas oito meses após milhares de pequenos grupos de estudos bíblicos serem organizados em Angola. Mais de 3 mil pessoas foram batizadas em um só sábado em Madagascar. Todos os novos membros se transformam imediatamente em ganhadores de almas, ao participarem do programa “Pescadores de Homens”, que os capacita a se tornarem discípulos que levam outros a Jesus.

Entre os novos ganhadores de almas se encontra N. K. Kerk, ex-pastor ordenado da Igreja Reformada Holandesa e hoje um evangelista adventista. Sua decisão de aceitar plenamente as verdades bíblicas conforme ensinadas pela Igreja Adventista testifica do poder da Palavra de Deus e da influência persuasiva do Espírito Santo.

Os membros de nossa igreja colocam em prática a declaração da cofundadora da Igreja Adventista, Ellen White, em Caminho a Cristo, p. 90: “Não há nada mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras”. Por esse motivo, a Divisão aderiu por completo ao programa Reavivados por Sua Palavra, plano de leitura diário da Bíblia formulado pela Associação Geral.

Os jovens são especialmente ativos em compartilhar Jesus. Mais de mil jovens de todo o mundo se dirigiram à África do Sul e se transformaram nas mãos e nos pés de Cristo durante o Impacto África do Sul, prelúdio organizado pela Divisão ao terceiro Congresso Internacional de Jovens. O coração das pessoas derrete quando vê os jovens auxiliando os necessitados, preparando alimento para os pobres, alimentando os famintos e consolando os idosos.

É o método de Cristo de encontrar as pessoas em seu ponto de necessidade que motiva os grupos de jovens voluntários e autossustentados a se organizar em equipes missionárias dentro do próprio país e em outras terras. Usando seus dons e talentos para a glória de Deus, os jovens inspiram outros rapazes e moças a se renderem a Cristo, por meio do dom da música em ruas, aeroportos, estádios e eventos especiais.

O crescimento nas iniciativas e na participação em toda a Divisão está ligado ao esforço consistente de seus líderes em lançar a visão e formar a liderança. Organizamos um congresso anual de líderes que coloca os membros da igreja em contato com um grupo internacional de líderes tementes a Deus, que os ajudam a garantir que seu trabalho servirá para cumprir a missão da igreja. Em nível básico, o treinamento é contínuo em todos os ministérios. Homens e mulheres cheios do Espírito estão treinando e sendo treinados para servir a Deus.

Rima tem seis anos de idade e pregou diligentemente o evangelho ao longo dos últimos dois anos. Crédito: SID

Rima tem seis anos de idade e pregou diligentemente o evangelho ao longo dos últimos dois anos. Crédito: SID

Historicamente, a educação adventista tem sido o canal usado pelos pioneiros da igreja a fim de espalhar o evangelho. A tradição continua na Divisão Sul-Africana Oceano Índico. Com 149 escolas de ensino médio, 249 escolas de ensino fundamental e 12 instituições de ensino superior, o espírito da educação adventista está vivo e passa muito bem. À medida que os jovens se formam em nossas instituições e entram no mercado de trabalho, os governos e empresários reconhecem a contribuição singular da educação adventista para melhorar as comunidades locais, aumentando ainda mais a credibilidade da igreja.

Igrejas, TV e HIV

Enquanto a igreja cresce nesta região, a necessidade de mais templos também aumenta. Muito devemos aos voluntários da Maranata Internacional e de outros ministérios parceiros, como Lightbearers International [Portadores de Luz Internacional] e Remnant Publications [Editora Remanescente], pelo investimento consistente no crescimento da Divisão. A Maranata concluiu 3.995 projetos, incluindo 2.797 igrejas.

Contamos com 3.955 colportores-evangelistas compartilhando Jesus por meio da página impressa. De livros a mídias digitais, a Divisão tem usado todos os meios para espalhar o evangelho. Nosso centro de mídia, localizado na Cidade do Cabo, África do Sul, produz vários programas criativos para o canal de televisão Hope Channel, a fim de atender as necessidades espirituais de pessoas que só podem ser alcançadas por meio da tecnologia moderna.

Desde 1o de janeiro de 2015, o Hope Channel Zâmbia transmite 24 horas por dia, levando esperança e bênçãos aos habitantes do país e a outros por meio de mensagens bíblicas poderosas e de músicas inspiradoras. O Hope Channel Malaui foi inaugurado oficialmente em 15 de fevereiro de 2015 e também veicula programação ininterrupta.

Em vilas de difícil acesso em Madagascar, Zâmbia, Malaui, Moçambique e Namíbia, a Rádio Adventista Mundial faz uma diferença significativa por meio da doação de equipamentos manuais ou movidos a energia solar.

Durante esse quinquênio, a África perdeu um de seus grandes líderes, Nelson Mandela. Reconhecemos e prestamos nossa homenagem ao papel que ele desempenhou na luta pela democracia na África do Sul. Ao mesmo tempo, nós, como igreja, valorizamos muito um aspecto fundamental da democracia — a liberdade religiosa — e temos sido proativos em engajar líderes nacionais e políticos de todos os países de nosso território. Em Botsuana, Haskins Nkaigwa, prefeito de Gaborone, recentemente reconheceu a importância da mensagem adventista de saúde após participar de um seminário sobre o assunto.

Fazemos campanhas regulares contra o abuso a mulheres e crianças, mostrando que a igreja está comprometida com a proteção e o bem-estar dos vulneráveis. Nossos amigos e vizinhos olham para os adventistas como modelos de não estigmatização dos portadores do HIV e aplaudem nossa posição bíblica de abstinência sexual antes do casamento. Os adventistas portadores da AIDS estão abrindo caminho, encorajando outros a descobrir sua condição por meio de exames, a fim de poderem receber tratamento e melhorar a qualidade de vida.

Cremos que todos — não importa quem são, o que fazem e de onde vêm — merecem a oportunidade de ter uma vida realizada e significativa. É isso que nós, cristãos, fomos chamados para fazer. Por isso, ninguém fica de fora do alcance da ADRA na Divisão. Desde 1964, o serviço à comunidade “Refeições sobre Rodas” inspira esperança e compartilha amor a cada refeição servida. Alcançando destituídos, idosos vulneráveis e crianças, a agência da igreja opera 512 centros voluntários de serviço em todo o sul da África. Milhões de refeições são servidas por ano.

A Divisão Sul-Africana e Oceano Índico é um território tocado pelo dedo de Deus com cenários de tirar o fôlego e fenômenos naturais inacreditáveis. Mas a Igreja Adventista do Sétimo Dia nessa região tem demonstrado de maneira consistente que as joias mais preciosas da África não são as cachoeiras, os diamantes, ou a natureza, mas, sim, as pessoas, pelas quais Cristo morreu. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Assembleia elege secretários e tesoureiros associados da sede mundial da igreja

Saiba quais foram os líderes nomeados pela assembleia neste domingo

No terceiro dia da assembleia mundial da igreja foram definidos os líderes associados que atuarão na secretaria e tesouraria da Associação Geral nos próximos cinco anos. Com exceção de Raymond Wahlen, que irá deixar a função de tesoureiro assistente e assumirá o posto de tesoureiro associado, todos os demais continuam na função. Veja abaixo a relação dos líderes nomeados pela assembleia neste domingo:

info-eleicoes.05

O voo da fé

Relatório apresentado por Blasious Ruguri, presidente da Divisão Centro-Leste Africana, no dia 5, mostra profissionalização da igreja numa das regiões em que o adventismo mais cresce

Alunos do ensino fundamental em uma escola adventista no Quênia. Crédito: departamento de comunicação da ECD. Foto: Adventist Review

Alunos do ensino fundamental em uma escola adventista no Quênia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Levantando-se das cinzas da guerra, da pobreza e do analfabetismo em admirável progresso e serviço cristão, uma grande história de missão continua a acontecer nessa região da igreja mundial. A Divisão Centro-Leste Africana (East-Central Africa Division — ECD), a mais nova da Igreja Adventista mundial, mesmo com imensos desafios a vencer, está entre as que crescem com maior rapidez.

O território tem uma população de mais de 350 milhões de habitantes, mas um total de membros de pouco mais de três milhões. Há muito trabalho a ser feito. Do ponto de vista humano, parece uma tarefa impossível. Contudo, além da fachada de aparente derrota e dos infindáveis desafios de um planeta assolado pelo pecado, os últimos cinco anos presenciaram o triunfo da missão nessa região como nunca antes. Desde o início do quinquênio, o projeto de Reavivamento e Reforma assumiu o palco central à medida que os líderes da igreja apresentaram um ambicioso plano estratégico que envolve tanto as iniciativas da igreja mundial quanto programas novos e ousados destinados a atender as necessidades e a realidade missionária local.

Mudança de imagem

Nós, cristãos, somos chamados não só para ser luz, mas também sal. Enquanto buscamos, vivemos e comunicamos a verdade encontrada em Jesus Cristo, reconhecemos que, sem visibilidade e sem encontrar as pessoas onde elas estão, fazemos pouco progresso. Nossa influência afeta o modo de transmitir a mensagem de esperança.

Por esse motivo, nossa sede criou um plano para tornar a igreja visível em suas comunidades. Essa ambiciosa iniciativa de branding incluiu a construção de novas estruturas e instalações, mas não se limitou a isso. Ela conta igualmente com o processo de conquista de pessoas, cuidado, cura e pregação. Isso se traduziu na fundação de novos templos e prédios administrativos, novos hospitais e novas estruturas em nossas instituições.

Temos a alegria de relatar progresso nessas áreas. Algumas se destacaram mais do que outras, porém todas tiveram avanços. Ainda superando a maré do genocídio, a União de Ruanda fez um progresso tremendo nesse aspecto.

A Universidade Adventista da África Central, em Kigali, Ruanda, concluiu importantes projetos, a começar por um auditório com capacidade para 2.500 pessoas sentadas, um moderníssimo prédio de Ciência e Tecnologia, e novos dormitórios, que estão em construção. Missões e associações locais construíram novos escritórios. Escolas e instituições da igreja se destacam como os melhores prédios nas áreas em que estão localizadas em todas as partes de Ruanda. Agradecemos a Deus por esse tamanho progresso.

De 2010 a 2015, foram fundadas 224 escolas adventistas. Mil professores foram acrescentados ao longo do mesmo período e 50 mil alunos. Em todo o território, templos modernos começaram a ser construídos, substituindo as antigas estruturas que serviam como casas de adoração. Nossos hospitais e instituições de saúde também passaram por reformas admiráveis. Estão sendo erguidos novos hospitais em Mwanza (Tanzânia), Bujumbura (Burundi) e Nairóbi (Quênia). Muitas outras instalações de saúde estão sendo construídas em nossa geografia, como a Clínica Adventista de Ruanda e o Centro de Esperança e Estilo de Vida em Kasese, Uganda.

Outros projetos notáveis concluídos incluem:

  • Auditório na Universidade Bugema, com capacidade para 5 mil pessoas sentadas.
  • Auditório multiuso e novo dormitório feminino na Universidade de Arusha.
  • Policlínica e dormitórios masculino e feminino na Universidade Adventista de Lukanga.
  • Estúdio com Centro de Mídia Adventista no campus Advent Hill.
  • Escritório da União-Missão Sul da Tanzânia.
  • Novo escritório da União e casa de hóspedes em Juba, Sudão do Sul (projeto).

info-relatorio-da-Divisão-Centro-Leste-Africana-foto-homeA Igreja Adventista nessa Divisão tem dado passos para conscientizar o público a respeito de sua existência e missão. Seguindo o programa do Dia Mundial do Jovem Adventista, liderado pelo Ministério Jovem, a visibilidade da igreja aumentou tremendamente nos dois últimos anos por meio de atos diversos de bondade e interação com a comunidade.

Foram organizadas atividades deliberadas para impactar a comunidade, incluindo serviço comunitário, doação de sangue, distribuição de literatura, serviços médicos, assistência em desastres, centros de resgate de crianças e muitas outras.

As iniciativas para aumentar a visibilidade da Divisão também foram impulsionadas com as visitas ao nosso território do presidente da Associação Geral, Ted Wilson. Elas despertaram a consciência acerca da existência da igreja nos países e nas cidades que ele visitou. Durante essas visitas, Wilson se reuniu com os presidentes de Burundi, Quênia, Ruanda e Tanzânia.

Foi investido mais de 1,5 milhão de dólares na capacitação de mais de 500 servidores em universidades locais. Entre eles, mais de 300 se graduaram na Universidade Adventista da África, no Kênia. Recursos dos “dízimos extraordinários” da Associação Geral auxiliaram na formação educacional de mais de 200 servidores da República Democrática do Congo, Burundi e Sudão do Sul, onde temos o menor número de pastores com diploma em Teologia.

Voando pela fé

O cerne das iniciativas da Divisão ao longo dos últimos cinco anos foi resumido no slogan “Destinados a voar”. Todos os ministérios e todas as instituições da Divisão concentraram seus esforços em cumprir a missão com agilidade, excelência e ousadia. Passamos a compreender esse conceito de missão como um voo de fé. Lançando mão dos métodos essenciais de pregação, ensino, cura e discipulado, cada programa e iniciativa foram projetados para alcançar resultados relevantes e significativos. Todos os departamentos e ministérios trabalharam em favor desse objetivo.

O Ministério da Mulher é um exemplo de programa de grande alcance evangelístico e, ao mesmo tempo, de cuidado que revolucionou nossa maneira de cumprir a missão daqui para frente nessa região. O tempo não é suficiente para relatar quanto foi feito nesse sentido.

O Ministério de Publicações continua prosperando, com um número de colportores-evangelistas que cresce a cada dia, todos eles concentrados em levar esperança a cada lar. A saúde e a educação têm sido, na maioria dos casos, portas de entrada bem-sucedidas. E as histórias de êxito são numerosas.

Líderes da Igreja Adventista se reúnem com o presidente de Ruanda. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Líderes da Igreja Adventista se reúnem com o presidente de Ruanda. Crédito: departamento de comunicação da ECD

O total de membros da Divisão aumentou de 2.648.530, em 2010, para 3.046.313, em 31 de dezembro de 2014. As notáveis campanhas evangelísticas realizadas incluem:

Evento por via satélite “Chamas do Evangelho”. Com o apoio do ministério de comunicação e mídia em 2012, a Divisão realizou seu quarto evento via satélite com pregações de Blasious Ruguri, presidente da sede. A série evangelística intitulada “Chamas do Evangelho” foi gravada em Uganda e transmitida pelo canal de televisão Hope Channel.

Missão Urbana. Em 2013, mais uma grande campanha de missão urbana foi realizada em Kinshasa, República Democrática do Congo. Kinshasa é uma das cidades da Divisão com menos membros da igreja. A campanha, realizada por administradores e líderes de ministérios da Divisão, foi realizada em 14 pontos e resultou no batismo de 1.523 pessoas. Após o lançamento do projeto “Kinshasa para Cristo”, cada uma das doze Uniões identificou uma cidade para receber essa iniciativa e milhares de batismos ocorreram como resultado. O número total de membros continua a crescer.

Semanas e seminários de mordomia realizados anualmente em toda a Divisão são iniciativas que têm ajudado os membros a se transformarem em mordomos fiéis. O Ministério da Mordomia Cristã foi aperfeiçoado e, pela primeira vez, a Divisão conseguiu enviar à sede mundial um relatório dessa área. O percentual de membros dizimistas subiu de 19,5% em 2011 para 49% em dezembro de 2014. O alvo estratégico é alcançar 70% no fim de 2015.

Ministérios especiais

Ministério de surdos. Desde 2010, 503 surdos foram batizados. Cerca de 1.509 surdos frequentam a igreja regularmente na União Leste do Quênia. Um acampamento especial foi realizado em agosto de 2014. Cinco pastores surdos estão estudando Teologia na Universidade do Leste da África, em Baraton, e dez pregadores surdos leigos recebem um estipêndio mensal.

Programas de capelania. O ministério nas prisões do Quênia, da República Democrática do Congo, de Uganda e de Juba, no Sudão do Sul, tem obtido bons resultados missionários. No Quênia, 4.560 detentos foram batizados. Os membros adoram a Deus em 39 congregações dentro das prisões. Dez igrejas foram construídas e terrenos para outras vinte foram concedidos pelo governo à igreja.

Em Uganda, o ministério está pegando fogo em cidades como Amolatar, Jinja, Ishaka, Kasese e Kampala. O governo convidou a igreja para estender o ministério aos encarcerados a outras prisões do país. Em algumas delas, a denominação doou equipamentos de satélite para permitir aos detentos que assistam aos programas da igreja.

O cuidado dispensado aos estudantes das universidades públicas nunca foi tão bom, sobretudo no Quênia, onde o governo continua a remunerar capelães escolhidos pela igreja. Em alguns campi de universidades seculares, os administradores doaram terra para a construção de locais de adoração.

Ministério aos portadores do HIV/AIDS. As Uniões nomearam coordenadores para as vítimas de HIV/AIDS. Vários grupos de apoio aos portadores dessa doença foram organizados. Foram criadas associações de adventistas com HIV/AIDS e algumas estão registradas como organizações comunitárias, que oferecem uma série de programas.

Como parte dos esforços para transformar a própria comunidade em um local melhor para se viver, adventistas pintam uma delegacia na Tanzânia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Como parte dos esforços para transformar a própria comunidade em um local melhor para se viver, adventistas pintam uma delegacia na Tanzânia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Resultados

Neste quinquênio, a igreja na Divisão vivenciou o seguinte:

Os membros da igreja cresceram espiritualmente graças ao envolvimento comunitário em atos de compaixão e bondade. Muitas pessoas foram levadas a Cristo, reavivando a esperança.

O público geral se tornou mais ciente da presença da Igreja Adventista em seu meio e está procurando conhecê-la melhor. A mudança de percepção é vista com clareza em várias partes do território da Divisão.

Em uma área com mais de 350 milhões de habitantes, a igreja tem avançado com mensagens de esperança pelos meios de comunicação. A presença da igreja se faz sentir em lugares distantes e de difícil acesso. Vidas são positivamente transformadas todos os dias.

Sentimos alegria por pertencer a essa família global da fé e assumimos nossa posição com paixão e humildade. O processo de levar pessoas a Cristo — por meio do cuidado, ensino, da pregação e do discipulado — deve continuar enquanto aguardamos ansiosos a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Até esse dia chegar, lutaremos para nos unir na missão de preparar o mundo para o grande dia de reunião de todos os povos neste território da igreja mundial. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Assista também à apresentação do relatório no vídeo abaixo

É a Associação Geral a voz de Deus?

A autoridade das assembleias mundiais e a aparente contradição nos escritos de Ellen White

sede-Associacao-geral

Sede mundial da Igreja Adventista, localizada em Silver Spring, Maryland (EUA). Créditos da imagem: ANN

Os adventistas do sétimo dia creem que uma assembleia da Associação Geral tem autoridade sobre as principais demandas administrativas, doutrinárias e missionárias da igreja. Esse entendimento está diretamente relacionado à expressão “voz de Deus”, termo usado por Ellen White para se referir à função que as periódicas reuniões mundiais da igreja desempenham.

Umas das declarações mais enfáticas dela a esse respeito é a seguinte: “Quando numa Assembleia Geral é exercido o juízo dos irmãos reunidos de todas as partes do campo, independência e juízo particulares não devem obstinadamente ser mantidos, mas renunciados. […] Deus ordenou que os representantes de sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Assembleia Geral, devam ter autoridade” (Testemunhos Seletos, vol. 3, p. 408, itálico acrescentado).

A declaração acima é bem clara sobre o posicionamento de Ellen White a respeito da eclesiologia adventista. Segundo ela, o próprio Deus conferiu à assembleia da Associação Geral autoridade sobre os assuntos da igreja mundial e que esses jamais devem ser substituídos por posicionamentos particulares.

No entanto, essa declaração absoluta de Ellen White parece estar em contradição com outros posicionamentos dela. Por exemplo, em 1901, ao se referir à negligência da administração geral da igreja em relação ao trabalho no sul dos Estados Unidos, ela escreveu:

“O povo perdeu a confiança naqueles que administram a obra. Contudo, ouvimos que a voz da Associação [Geral] é a voz de Deus. Cada vez que ouço isso, penso que é quase uma blasfêmia. A voz da Associação [Geral] deve ser a voz de Deus; mas não é, porque alguns ligados a ela não são homens de fé e oração, não possuem princípios elevados. Não buscam a Deus de todo o coração” (Manuscrito 37, 1901, p. 8, [abril de 1901, palestra da Ellen White na capela da editora Review and Herald acerca do trabalho no sul dos Estados Unidos], itálico acrescentado).

A forte crítica acima foi dirigida a alguns líderes da Associação Geral que, segundo ela, não buscavam “a Deus de todo o coração” e centralizavam em si mesmos o poder de decisões, especialmente no que diz respeito ao envio de recursos para regiões a serem alcançadas. Em relação à obra que Edson White desenvolveu no sul dos Estados Unidos, Roos Winkle afirma que, embora a Associação Geral a reconhecesse como responsável pela evangelização dos afro-americanos, “foi em grande parte uma obra autossustentável, teve a aprovação dos líderes da igreja, mas com o apoio financeiro direto mínimo” (The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1.181).

Essa negligência de parte do staff da Associação Geral levou Ellen White a criticar fortemente a administração da época e não permitir que houvesse confusão a respeito do que, de fato, deve ser considerado como a “voz de Deus”. Para ela, as decisões daqueles líderes autoritários e sem visão missionária não podiam representar a vontade de Deus (The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1255).

Em nenhum momento, nessa passagem e em outras em que crítica semelhante é feita por ela, estão em pauta as decisões de uma assembleia geral, mas, sim, os posicionamentos arbitrários de líderes isolados. A maior parte das críticas contundentes de Ellen G. White à Associação Geral nas quais ela nega que esta seja a “voz de Deus” está relacionada ao modelo administrativo que perdurou na denominação até a reforma de 1901/1903. Seus posicionamentos agudos tinham como propósito encorajar importantes mudanças estruturais na igreja.

De acordo com Winkle, “essas avaliações negativas a respeito da Associação Geral […] não foram substancialmente retificadas até as assembleias gerais de 1901 e 1903. A centralização da autoridade e poder real, combinada com a má gestão financeira e a ausência da voz de Deus refletida em verdadeira espiritualidade na vida de alguns em posições elevadas, foram algumas das razões que ela deu para essas declarações afiadas” (The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1255).

Entretanto, Winkle afirma que, no mesmo período em que Ellen White criticou de forma mais intensa a Associação Geral, ela se manteve submissa à administração da igreja. “No que diz respeito a sua mudança para a Austrália em 1891, ela escreveu que não tinha recebido nenhuma ‘clara luz’ se devia ir […], mas seguiu a ‘voz da Associação [Geral]’ (19MR 228). Em 1896, ela escreveu para seu filho Edson: ‘Não tive nenhum raio de luz de que ele [o Senhor] tenha me enviado a este país [Austrália]. Eu vim em submissão à voz da Associação Geral, à qual eu sempre tenho me mantido sob a autoridade’” [1MR 156]. Winkle acrescenta que, após a reforma administrativa de 1901/1903, Ellen White chegou a repreender seu filho Edson por usar seus testemunhos mais agudos, anteriores a 1901, contra a Associação Geral (The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1255).

A postura crítica da mensageira de Deus era claramente dirigida contra certas atitudes de alguns líderes que, segundo sua visão, estavam em desarmonia com os princípios da Bíblia e atravancavam o crescimento da igreja. Seu desejo, no fim do século 19 e início do século 20, era de que ocorresse urgentemente uma reforma administrativa, para que o cumprimento da missão se tornasse possível.

Porém, embora sempre reafirmando sua visão contrária a posicionamentos estritamente particulares, ela em nenhum momento negou a autoridade das decisões tomadas em uma assembleia geral. Para deixar isso claro, afirmou:

“Por vezes, quando um pequeno grupo de homens, aos quais se acha confiada a direção geral da obra, tem procurado, em nome da Associação Geral, exercer planos imprudentes e restringir a obra de Deus, tenho dito que eu não poderia por mais tempo considerar a voz da Associação Geral, representada por esses poucos homens, como a voz de Deus. Mas isto não equivale a dizer que as decisões de uma Associação Geral composta de uma Assembleia de homens representativos e devidamente designados, de todas as partes do campo, não deva ser respeitada. Deus ordenou que os representantes de sua igreja de todas as partes da Terra, quando reunidos numa Associação Geral, devam ter autoridade” (Testemunhos Seletos, v.3, p. 408, itálico acrescentado).

Ellen White entendia que a manifestação da vontade de Deus não pode ser possível enquanto opiniões pessoais e apaixonadas têm supremacia na igreja. Suas declarações críticas iam contra posturas particularistas e autoritárias. Ela entendia que o crescimento impunha compartilhamento de responsabilidades e de poder de decisão. Para ela, a igreja é um organismo mundial e não está restrita a uma área do planeta. Em relação aos rumos da igreja, definidos em uma assembleia da Associação Geral, podemos dizer como Davi: “Por toda a terra se faz ouvir a [voz de Deus]” (Sl 19:4).

Vinícius Mendes é pastor, mestre em Literatura e editor de livros na CPB

A toda nação

Leia o relatório apresentado pelo secretário-executivo da igreja mundial, G.T. Ng, referente aos últimos cinco anos

slider-relatorio-GT-ng

A Igreja Adventista do Sétimo Dia começou com um punhado de cristãos milleritas tentando compreender o grande desapontamento de 1844, quando Jesus não voltou conforme esperavam. Esse grupo pequeno de membros fiéis se recusou a deixar de lado a fé. Eles sacudiram o desânimo e, resolutos, obedeceram à ordem bíblica de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11, NVI).

Das cinzas da história, levantou-se um movimento do tempo do fim. Ao longo das décadas seguintes, esse pequeno grupo de adventistas cresceu e se transformou em um movimento profético global com mais de 18 milhões de membros. Eles se encontram em 216 dos 237 países e regiões do mundo reconhecidos pela ONU. Operam em 148.023 congregações, 173 hospitais, 2.164 escolas de ensino médio e superior, 21 indústrias de alimentos, 15 centros de mídia e 63 editoras. De um grupo desorganizado a uma igreja global — essa transformação nada mais é do que um milagre!

Na primeira assembleia da Associação Geral em 1863, em Battle Creek, Michigan, compareceram 20 delegados representando seis associações locais. Na época, contávamos com 3.500 membros em 125 igrejas, 22 pastores ordenados e oito ministros licenciados. Em contraste, a sexagésima assembleia da Associação Geral, em 2015, conta com a presença de 2.571 delegados oficiais. Eles representam 18.479.257 adventistas do sétimo dia de todos os continentes. Vêm de 132 uniões com 633 postos missionários/missões/associações. Aquilo que Deus tem operado pelo “pequeno rebanho” cresceu exponencialmente em 152 anos!

Em 2010, o total de membros ao redor do mundo era de 16.923.239. Três anos depois, em 2013, o total de membros da Igreja Adventista quebrou um recorde, alcançando o marco de 18 milhões pela primeira vez na história. Em dezembro de 2014, havia 18.479.257 adventistas ao redor do planeta. Comparando com o total de membros em 2010, temos agora 1.556.018 membros a mais do que no início do quinquênio.

Esse número de membros não inclui crianças não batizadas, nem tantos outros que se consideram adventistas do sétimo dia. Em Papua Nova Guiné, por exemplo, o registro do total de membros é de cerca de 250 mil. Mas um censo governamental recente revelou que quase um milhão de pessoas se considera adventista do sétimo dia. Muitos dos que saem da igreja continuam a se considerar adventistas. Na Jamaica, os registros indicam a existência de 262 mil membros. O censo do governo, porém, revela 323 mil pessoas que afirmam ser adventistas do sétimo dia. Em Chiapas, México, a situação é semelhante.

Historicamente, o ano de 1955 foi significativo porque foi a primeira vez que a denominação alcançou o total de um milhão de membros. Foram necessários 92 anos para sair de 3.500 membros em 1863 e alcançar um milhão em 1955. A marca de dois milhões de membros ocorreu dentro de 15 anos; três milhões, depois de oito anos; quatro milhões, após cinco anos; e cinco milhões, depois de três anos. A partir de então, levou cerca de dois anos para alcançar cada milhão adicional de membros. Louvado seja Deus!

Esse notável crescimento da igreja é especialmente significativo ao se levar em conta o declínio prevalente do total de membros entre as denominações protestantes tradicionais. De acordo com um relatório recente do periódico Christianity Today [Cristianismo Hoje], a Igreja Adventista é hoje a “quinta maior comunhão cristã do mundo, depois do catolicismo, o catolicismo ortodoxo oriental, o anglicanismo e as assembleias de Deus” (Christianity Today, 22 de fevereiro de 2015).

Muitos historiadores da igreja observaram que, ao longo dos últimos 50 anos, o centro do cristianismo mudou da América do Norte e Europa (norte do globo), para a África, Ásia e América Latina (sul do globo). O centro cristão na Europa está encolhendo, ao passo que, na África, Ásia e América Latina, ele se expande com velocidade surpreendente. O norte do globo é formado por continentes industrializados, que tradicionalmente enviavam missionários, ao passo que o sul do globo é reconhecido como campo missionário.

Esse deslocamento significativo do número de membros do norte para o sul efetuou uma mudança fundamental no cenário da Igreja Adventista do Sétimo Dia também. Em 1960, a igreja contava com 675 mil membros no sul do globo (54% do total mundial de membros). Meio século depois, o número de membros nessa região alcançou 16,9 milhões, 91,43% do total mundial. O norte do globo, em contrapartida, tinha 570 mil membros em 1960 e, em 2014, contava com quase 1,6 milhão, ou seja, 8,5% do total de membros ao redor do mundo.

Batismos

Essa redistribuição dramática dos membros do norte para o sul do globo também se reflete nas estatísticas batismais. Em 1960, os batismos no norte do globo representavam 31% do total e, no sul, 69% do total mundial, respectivamente. Em 2014, 97% dos batismos mundiais vêm do sul do globo e 3% do norte, uma mudança épica que aponta, por um lado, para o crescimento extraordinário da igreja e, por outro, para seu declínio.

As estatísticas do Departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa indicam que, em 2014, 1.167.796 pessoas entraram para a comunidade mundial da fé adventista, contra 1.901.22 em 2013 e 1.050.785 em 2010. Qual é o significado de mais de um milhão de pessoas passarem a pertencer à igreja em um ano? Significa que 3.199 novos membros entram para a igreja todos os dias, ou 133 por hora e 2,2 por minuto.

Em 2004, foi a primeira vez na história da Igreja Adventista que mais de um milhão de pessoas foi batizado em um ano. A empolgação tem continuado ao longo dos anos; 2014 foi o décimo ano consecutivo em que mais de um milhão de pessoas entrou para a igreja. Somente neste quinquênio, 6.618.689 pessoas se uniram à comunidade da fé adventista ao redor do globo pelo batismo e profissão de fé.

Igrejas

O plantio de igrejas é uma prioridade na iniciativa missionária da igreja. Os últimos números mostram que contávamos com 78.810 igrejas e 69.213 grupos em 2014. Em comparação com 2013, 2.446 novas igrejas abriram as portas para os adoradores em um ano, ou seja, 6,7 igrejas por dia. A cada 3,58 horas, uma nova igreja é plantada. O recorde anterior foi alcançado em 2002, com o plantio de 2.416 novas igrejas. O ano de 2014 entra para a história como o melhor de todos no plantio de igrejas.

grafico - relatorio GT Ng

Quadro mostra o número de membros e de batismos registrados pela igreja entre 2010-2015. Fonte: Adventist Review

O ano passado foi excepcional nesses 152 anos de história da igreja. Foi o ano com o maior número de batismo e o maior número de igrejas plantadas. Também foi o décimo segundo ano consecutivo em que mais de 2 mil novas igrejas foram organizadas dentro do período de um ano. De modo geral, as 148.023 igrejas e grupos que a igreja tinha em 2014 representam um aumento de 12.678 sobre o total de cinco anos atrás. É notável constatar que, em média, foram acrescentadas 2.536 novas igrejas e grupos por ano desde 2010.

Crescimento

A taxa média de crescimento em 2014 foi de 1,85% ao redor do mundo. Em 2006, a taxa de crescimento foi de quase 5%, transformando-o em um dos melhores anos em termos de crescimento de membros. Com um índice anual de crescimento de 1,85%, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é considerada uma das denominações que cresce com maior rapidez no mundo. No entanto, a contemplação desse quadro de crescimento não seria completa sem relembrar os percalços. Nos cinco anos entre 2010 e 2014, 6.212.919 pessoas entraram para a igreja. Durante o mesmo período, 3.7171.683 membros saíram. Além daqueles membros que morreram, a taxa líquida de perda no quinquênio é de 60 a cada 100 conversos.

Essa porcentagem terrivelmente alta é resultado, em parte, de auditorias das secretarias das congregações, processo que identifica e remove do rol de membros pessoas que saíram da igreja ao longo dos anos. Contudo, mesmo olhando para os últimos 15 anos, anteriores à rodada recente de auditorias completas, as perdas equivalentes eram de 48%. Quer essas perdas correspondam a membros que deixaram a igreja neste quinquênio, quer se refiram aos adventistas cujas ausências só foram reconhecidas agora, são números trágicos que a igreja não pode aceitar.

Os processos de auditoria de membros começaram no quinquênio passado e ganharam velocidade neste quinquênio. As auditorias têm confirmado que a honestidade continua a ser a melhor política. Um rol de membros superior à realidade não é mais aceitável nas estatísticas mundiais. Olhando o lado positivo, a Holanda teve a alegria de descobrir, durante uma auditoria recente, que contava com mais membros na igreja do que se imaginava.

Desafios missionários

Nós nos orgulhamos por sermos a igreja mais internacional do mundo, estabelecida em 91% dos países e regiões reconhecidos pela ONU. Parabenizamo-nos por sermos fiéis à ordem profética de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11). Temos obtido relativo êxito em colocar em prática a grande comissão de fazer “discípulos de todas as nações” (Mt 28:19 e Lc 24:47).

Quando pensamos em “nações”, muitos se lembram de países como Mali, Egito ou Brasil. Todavia, as palavras no grego são panta ta ethne, que vão além de entidades geopolíticas. Elas apontam, na realidade, para os grupos etnolinguísticos dentro de cada nação. Jesus não estava dizendo que o evangelho deve ser proclamado dentro das fronteiras de todos os países politicamente definidos, mas, sim, em cada grupo cultural dentro desses países. A ordem de Jesus não era meramente a missão de entrar no máximo possível de países, ou de alcançar tantas pessoas quanto possível, mas, sim, de alcançar todos os povos do planeta.

Levando em conta o conceito da iluminação de panta ta ethne, podemos deduzir que o cumprimento da grande comissão não se mede pelo número de países nos quais entramos, por mais importante que isso seja, mas, sim, pelo fato de discipularmos todos os grupos de pessoas e estabelecermos congregações em todas as nações.

O Quênia é um caso em questão. Ele sempre foi o centro de nosso trabalho no leste da África. O país conta com um total gigantesco de membros: mais de 824 mil em duas uniões. A maioria dos membros provém de apenas quatro tribos, ao passo que há um total de 42 tribos no país. Estima-se que 70% dos adventistas do sétimo dia do Quênia pertençam a duas tribos, Kisii e Luo, e somente 25% façam parte das quatro tribos principais (Kikuyu, Luhya, Kalenjim e Kamba). Essa situação mostra claramente que as maiores tribos do Quênia são as menos alcançadas, apesar do imenso número de membros e das quase 10 mil igrejas e grupos.

Outro exemplo é a disparidade entre a missão rural e urbana. Muitos países desfrutam crescimento fenomenal em ilhas e vilas. Dezenas de milhares são batizados todos os anos. Embora aplaudamos a farta colheita no campo, devemos ter consciência dos vastos milhões de habitantes das cidades que necessitam das três mensagens angélicas, assim como as pessoas da zona rural. Uma melhor compreensão de panta ta ethne deve guiar nossa estratégia missionária, a fim de que englobe todos os grupos de pessoas, não só determinados segmentos da população.

A expressão panta ta ethne também subentende que a grande comissão não se limita a missões estrangeiras. Sem dúvida, a missão em outras terras é um componente crucial no cumprimento da grande comissão. Quatro quintos dos não cristãos do mundo nunca serão alcançados, a menos que sejamos intencionais no envio de missionários transculturais. Mas a grande comissão não se restringe às missões em terras estrangeiras. Todos os cristãos devem ter um foco ta ethne além das próprias portas, na comunidade em que vivem.

Existem grupos de pessoas de todos os tipos perto de nós. Elas podem morar na casa ao lado, no fim da rua ou do outro lado da cidade. Todos têm uma parte a desempenhar na missão da igreja. Todo o povo de Deus deve se engajar na missão.

Ellen White escreveu: “Deus espera serviço pessoal da parte de todo aquele a quem confiou o conhecimento da verdade para este tempo. Nem todos podem ir a terras missionárias estrangeiras, mas todos podem ser missionários entre os familiares e vizinhos” (Testemunhos para a Igreja, v. 9, p. 30).

Conclusão

A história da Igreja Adventista nos últimos cinco anos é de crescimento incessante e voraz: de 14 milhões de membros em 2005, para 17 milhões em 2010, para 18,5 milhões em 2014. O progresso constante da denominação seria inimaginável para nossos pioneiros em 1863, quando a Associação Geral foi organizada com apenas 3.500 membros.

Contudo, a despeito dos sucessos, grandes porções da Terra continuam não alcançadas. A Janela 10/40 contém 60% da população mundial, mas apenas 10% do total de adventistas. Das quinhentas cidades do planeta com mais de 1 milhão de habitantes, 236 se encontram dentro da Janela 10/40. O que devemos fazer?

Alguns desses desafios podem parecer intransponíveis da perspectiva humana. Mas Deus pode; suas promessas são garantidas. A certeza de Ellen White era indubitável quando escreveu: “Quando pensamos no conflito diante de nós e na grande obra que devemos realizar, trememos. Mas precisamos nos lembrar de que nosso Ajudador é todo-poderoso. Podemos nos sentir fortes em sua força. Devemos unir nossa ignorância à sabedoria dele, nossa fragilidade a seu poder, nossa fraqueza a sua força infalível. Por meio dele, podemos ser ‘mais que vencedores’” (Review and Herald, 9 de julho de 1901).

Temos a confiança de crer que até mesmo os países e povos menos evangelizados logo verão o cumprimento da promessa de Deus dada por intermédio do profeta Habacuque: “A terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas enchem o mar” (Hb 2:14, NVI). Essa é nossa esperança. Esse é nosso sonho. Somente o Deus soberano pode realizá-lo com toda rapidez! [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]


LEIA TAMBÉM

Missão incompleta

Igreja Adventista já é a quinta maior congregação cristã do mundo 

A igreja diante do espelho

Igreja Adventista já é a quinta maior comunidade cristã do mundo

Relatório do secretário-executivo mostrou avanços, mas também desafios da igreja no mundo

Igreja-Adventista-é-a-quinta-maior-comunidade-crista-do-mundo-diz-secretario-executivo-da-organizacao

Não foi só em termos econômicos que alguns países emergentes do Hemisfério Sul passaram a exercer maior protagonismo no cenário mundial nos últimos anos. O chamado Sul Global também assumiu um papel de destaque no contexto da Igreja Adventista pelo fato de concentrar a maior parte dos membros da denominação. Atualmente, 92% dos 18,5 milhões de adventistas vivem nessa parte do globo. Em 1960, o quadro era praticamente o oposto. Para se ter uma ideia, hoje a África reúne 38% do total de adventistas e a América Latinha, 32%. Os dados que mostram essa inversão histórica fizeram parte do relatório apresentado pelo secretário-executivo da sede mundial da organização, G. T. Ng, nesta sexta-feira, 3, durante a assembleia mundial que acontece em San Antonio, Texas (EUA).

T. Ng, que foi reeleito para continuar na função por mais cinco anos, apresentou estatísticas que mostram um avanço significativo da igreja no número de batismos. Hoje, de acordo com o secretário-executivo, a Igreja Adventista é a quinta maior comunidade cristã do mundo se for levada em conta a sua unidade mundial e o fato de que outras denominações, embora com maior número de membros, não possuem abrangência global ou são fragmentadas.

No ano passado, 1,6 milhão de novos membros foram batizados ou passaram a fazer parte da igreja por profissão de fé, o equivalente a 3.200 novos batismos por dia ou 2,2 batismos por segundo. Outro número recorde foi o plantio de 2.446 igrejas, uma congregação a cada 3 horas e 58 minutos. Esse crescimento chamou a atenção da mais prestigiada publicação evangélica norte-americana, a Christianity Today, que destacou o fato de, em 2014, mais de um milhão de fiéis terem se tornado adventistas pelo décimo ano consecutivo.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila, essa seria a proporção de membros por região do mundo.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila, essa seria a proporção de membros por região do mundo.

No entanto, a liderança da igreja vê as estatísticas com ponderação. Afinal, o número de membros em algumas partes do mundo tem estagnado ou entrado em declínio. Essa realidade é mais acentuada nos países ricos, fortemente influenciados pelo materialismo e o secularismo.

Conforme mostrou David Trim, responsável pela área de estatísticas da Igreja Adventista, em relatório apresentado na assembleia mundial, embora tenha havido crescimento, esse incremento foi lento nos últimos cinco anos. Na opinião dele, não está havendo uma crise de crescimento global, mas os dados emitem um sinal de alerta. Por isso, de acordo com Trim, a igreja está tentando criar mecanismos mais sofisticados para obter diagnósticos que retratem com maior precisão a realidade da organização no mundo.

Não por acaso, G. T. Ng foi reeleito por unanimidade. Sua capacidade analítica, que lhe permite enxergar além dos números, tem ajudado a igreja a lidar com esses desafios. “Sua longa experiência como professor mostra a capacidade analítica que ele tem para questões difíceis e sua prontidão para enfrentar situações positivas e negativas”, avalia Lowell Cooper, vice-presidente da Associação Geral. “A liderança de Ng tem aumentado a consciência da igreja global quanto às oportunidades e desafios da missão”, acrescenta Cooper. Essa opinião também é compartilhada por Geoffrey Mbwana, outro vice-presidente da sede mundial adventista. “Muito além da manutenção e análise de estatísticas, ele tomou medidas concretas para abordar as questões da missão”, analisa. Nos próximos cinco anos, G. T. Ng contará com o apoio de Myron Iseminger, cujo nome também foi votado na última sexta-feira para atuar como secretário associado. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações de Felipe Lemos, da ASN, e Stephen Chavez, da Adventist Review]


LEIA TAMBÉM

Leia o relatório apresentado pelo secretário-executivo da igreja mundial na assembleia

A igreja diante do espelho

Missão incompleta

Líderes da igreja definem novo diretor financeiro da sede mundial

Juan Prestol-Puesán assumirá a função no lugar do pastor Robert Lemon

Créditos da imagem: Leônidas Guedes

Nascido na República Dominicana, Juan Prestol-Puesán possui vasta experiência como tesoureiro em vários níveis administrativos da igreja. Foto: Leônidas Guedes

A tarefa de administrar os recursos financeiros da igreja no mundo foi confiada a um novo líder. O nome de Juan Prestol-Puesán foi indicado pela Comissão de Nomeações e aprovado na tarde de sexta-feita, 3, pelos delegados da assembleia mundial que acontece em San Antonio, no Texas (EUA). Prestol-Puesán vai assumir a função no lugar do pastor Robert Lemon, que irá se aposentar.

Nascido na República Dominicana, o pastor Prestol-Puesán possui vasta experiência como tesoureiro em diversos níveis administrativos da organização adventista. Além de ter exercido essa função nas divisões Euro Asiática e Norte-Americana, ele trabalhou nos últimos anos como vice-tesoureiro da sede administrativa mundial da igreja.

Cenário desafiador

Juan Prestol-Puesán assume o cargo num contexto de volatilidade dos mercados financeiros ao redor do mundo, o que torna ainda mais desafiadora a missão de gerenciar os fundos da igreja. No entanto, conforme ele acredita, embora as alterações nas taxas de juros, as variações cambiais e as mundanças na economia mundial possam trazer surpresas, a igreja deve seguir confiante em Deus e com o foco na missão. “Temos que confiar no Senhor e, como gestores, trabalhar de maneira cuidadosa e atenta”, enfatizou o novo diretor financeiro em entrevista à Adventist Review.

Outro grande desafio, na opinião dele, são as mudanças demográficas. “A nova geração tem dúvidas sobre como a igreja opera. Não só como a igreja utiliza seus recursos, mas sobre como a igreja vai envolvê-los no ministério”, observou Prestol-Puesán. Por isso, ele disse que irá se comprometer em ouvir esse público. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações da Adventist Review]

Nas terras de Aladim

Saiba por que a perda do vínculo familiar é o maior desafio e a secularização é a maior oportunidade para a missão no Oriente Médio

a-missao-segundo-os-brasileiros-1

O Oriente Médio é um grande emaranhado de culturas milenares, onde nasceram as três principais religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Várias civilizações dominaram a região que é palco de conflitos quase eternos. Mais recentemente, a região foi tomada por impérios coloniais europeus e o termo Oriente Médio só foi cunhado após a Segunda Guerra Mundial, quando divisas territoriais foram estabelecidas sem levar em conta o histórico dos povos que ali habitam. Resultado: desde então, a região tem vivido em constante tensão entre o modelo de estado e o étnico tribal. Soma-se a tudo isso, as disputas religiosas e políticas.

mapa-da-MENAO que chamamos Oriente Médio é a junção de três grandes áreas geográficas definidas de maneira imprecisa. A primeira região é o Norte da África, formada por nações com grandes desafios sócio econômicos, como a Líbia, Tunísia e Argélia. Por sua vez, o Egito, Jordânia, Israel, Síria, Líbano e Turquia formam a segunda região, chamada de Levante. Marcada por conflitos, essa geografia convive com o constante enfrentamento entre palestinos e israelenses, xiitas e sunitas, além do terror imposto por grupos como Hezbollah e Estado Islâmico.

A terceira região é a do Golfo Árabe ou Pérsico. Aqui ficam as nações mais ricas e algumas das mais secularizadas do Oriente Médio, destino certo para os jovens árabes que buscam trabalho e prosperidade. É nesta região que está, por exemplo, a famosa cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos; a Arábia Saudita, que concentra 20% das reservas de petróleo do planeta; e o Irã, que produz 16% de todo gás natural do mundo.

Apesar de possuir 60% das reservas de petróleo do planeta, as disparidades no Oriente Médio são tremendas. O desemprego entre os jovens, por exemplo, varia entre 48,7% na Líbia e 1,1% no Qatar. As diferenças se espalham por áreas como educação, expectativa de vida e direitos femininos. Porém, o que une a região mesmo, apesar de sua diversidade étnica, é a religião islâmica e língua árabe.

Talvez no imaginário brasileiro, o Oriente Médio ainda seja a terra encantada de Ali Babá, o Gênio da Lâmpada, das Mil e Uma Noites e do Aladim. De fato, essa é a terra dos camelos, desertos, majestosas montanhas rochosas, tapetes, castelos e vilas milenares com seus sheiks, sultões e emirs. O que os contos das arábias não revelam são as condições extremas como temperaturas acima dos 50 graus, escassez de água, alimento limitado, tempestades de areia e constantes guerras ao longo dos milênios. É nessa terra de contrastes que o cristianismo em geral, e o adventismo em particular, encontra um de seus maiores desafios

Desafios

Diversidade étnica. Os maiores grupos são os árabes, berberes, iranianos, turcos, curdos e israelenses. A Igreja Adventista não possui membros em todos esses grupos étnicos e os conflitos constantes forçam a migração dos poucos adventistas nativos. O ódio racial é uma constante tentação aos irmãos desta região marcada por atrocidades. Missionários estrangeiros também enfrentam grandes dificuldades para serem aceitos entre as comunidades nativas, o que dificulta a aprendizagem da língua, costumes e o desenvolvimento de relacionamentos significativos. O estrangeiro é alvo de suspeita, quando não é visto apenas como uma “ponte” para facilitar a migração para a Europa e América do Norte. Em lugares com visão de mundo tribal os relacionamentos são fechados dentro do circulo familiar, que pode facilmente conter milhares de pessoas. Embora o islamismo seja a religião predominante, vivem ali cristãos como os coptas e assírios, além dos judeus em Israel.

Sistema islâmico. Diferentemente do Ocidente, em que a religião é uma área da vida, no Oriente Médio, a influência do islamismo ultrapassa as mesquitas, é um sistema social completo e complexo. Ou seja, em muitos países a religião é indissociável do governo, da política, das leis e das regras sociais. Nesse caso, ser cidadão é ser islâmico. Embora em alguns países o cristianismo seja tolerado por conta da grande quantidade de migrantes, ainda sim a fé cristã não pode ser pregada a muçulmanos e a presença de nativos em cultos de outras religiões é proibida. O proselitismo também é vetado por lei a apostasia da fé islâmica pode ser punida com pena de morte. Porém, ao contrário do que pareça, essas leis rígidas não são a maior barreira para a conversão de muçulmanos, e sim a perda do vínculo famíliar, da identidade étnica e do senso de pertencimento.

Oportunidades

População jovem urbana. Eles são maioria nas metrópoles emergentes da região, ambiente que dificulta a fiscalização religiosa e possibilita a formação de pequenos núcleos de influência cristã. Nesse contexto, os encontros casuais permitem que relacionamentos sejam desenvolvidos de maneira mais natural. Esses jovens urbanos vivem um momento de profunda desilusão, seja com a falta de perspectiva de dias melhores ou pelo tédio da prosperidade excessiva. Enquanto os que conseguem migram para outros países, a maioria permanece e parece aberta a explorar outras narrativas para sua fé.

Crenças adventistas. Islamismo e o adventismo possuem semelhanças quanto à modéstia, alimentação, abstinência de álcool e substâncias tóxicas.

Secularização. Tão combatida no discurso cristão ocidental, no Oriente Médio ela é uma oportunidade para a missão adventista. No contexto urbano, muitos são muçulmanos nominais. Estão insatisfeitos com os desdobramentos políticos, outros são pluralistas e por isso abertos ao diálogo religioso existencial, e ainda alguns notam hipocrisia e incoerência em sua religião. Esse fenômeno deve ser acentuado nos próximos anos com a entrada de muitas cidades da região no circuito mundial de negócios e turismo. Com essa abertura, mais cristãos devem migrar para os países, levando na bagagem o testemunho sobre a fé em Cristo.

Embora os desafios nesta região sejam humanamente intransponíveis e o perigo de conflitos regionais iminente, é claro que Deus está ativo ali, conduzindo a história do Oriente Médio. Contra todas as adversidades, multiplicam-se os relatos de nativos convertidos ao cristianismo, que mantêm sua fé em secreto, e afirmam terem recebido sonhos e visões do próprio Jesus.

Apesar dos desafios e além das possibilidades, está a promessa divina para Isaque – “Aliança eterna para os seus futuros descendentes” – e para Ismael – “Também o abençoarei; eu o farei prolífero e multiplicarei muito a sua descendência” (Gn 17:19, 20). De muitas formas, os olhos de Deus repousam sobre a terra de Aladim, e o Espirito Santo está ativo em missão “reconciliando consigo mesmo mundo” em Cristo Jesus (2Co 5:19).

PAULO CÂNDIDO é doutor em Ministério e missionário no Oriente Médio

Presidente mundial da Igreja Adventista é reeleito

Em discurso após a reeleição, Ted Wilson convocou pastores e membros para se unirem na missão

reeleicao-ted-wilson

Wilson disse que estava preparado para qualquer tipo de decisão que fosse tomada na assembleia. Foto: reprodução Adventist Review

O pastor Ted Wilson continuará exercendo a função de líder máximo dos 18,5 milhões de adventistas no mundo durante os próximos cinco anos. Com a aprovação de cerca de 90% dos delegados, ele foi reeleito na tarde desta sexta-feira, 3, após um momento histórico de observações no plenário da assembleia que durou aproximadamente 40 minutos. Ao ser reconduzido ao cargo, ele foi aplaudido pelo auditório.

Após a decisão, acompanhado da esposa Nancy, Wilson fez um breve discurso no qual convocou pastores e membros para se unirem na missão. O pastor Ted Wilson também prometeu buscar diariamente a direção de Deus para liderar a igreja, assim como procurou fazer ao longo da primeira gestão.

Depois disso, ele seguiu para a tradicional coletiva de imprensa. Na conversa com os jornalistas, destacou que a oração e a missão devem continuar sendo as principais ênfases da igreja no próximo quinquênio.

O homem por trás da função

Até quem discorda da posição do líder mundial adventista sobre a ordenação de mulheres, reconhece que o pastor Ted Wilson é um homem bondoso e apaixonado pelo evangelismo. Quem o descreve assim é o pastor Chad Stuart, líder da Igreja de Spencerville, que fica a 10 km da sede mundial adventista, em Silver Spring, Maryland (EUA).

A entrevista feita por Chad e publicada no site da Adventist Review procura retratar um pouco do homem que está por trás da função. O jovem ministro diz que o presidente da igreja é conhecido por orar com os funcionários do escritório mesmo em meio à sua agenda lotada e de deixar cartões pessoais e flores sobre a mesa de um servidor que está enlutado ou que ficou afastado do trabalho por causa de uma doença. Atitudes como essa mostram a sensibilidade do líder em demonstrar compaixão, cristianismo autêntico e até respeito por quem pensa diferente dele.

Na conversa com Chad, Ted Wilson falou do que sentiu quando foi eleito em 2010 e dos valores que recebeu do pai Neal Wilson, que presidiu a denominação de 1978 a 1990, e das diferenças de personalidade entre os dois. Ressaltou que a igreja não é dirigida por um homem apenas, mas por colegiados, o que exige habilidade para ouvir opiniões diversas. Também destacou que não está nervoso em relação à votação sobre a ordenação feminina ao ministério, porque acredita que Deus está no leme da igreja. “Se o Espírito Santo não estivesse dirigindo esse movimento,
ele teria sido desintegrado há muito tempo”, garantiu.

Por fim, Ted Wilson falou de seu entusiasmo com a distribuição, aos milhões, do livro O Grande Conflito, best-seller adventista de autoria de Ellen G. White. E do seu sonho de ver a igreja trabalhando de forma mais intensa, estratégica e holística nas metrópoles, conforme orientou a mensageria do Senhor há mais de cem anos.

Trajetória

Ted Wilson foi eleito como presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em julho de 2010 durante a assembleia mundial de Atlanta. Nascido em Takoma Park, Maryland (EUA), em 10 de maio de 1950, o filho do ex-presidente mundial da Igreja Adventista Neal C. Wilson passou parte de sua infância no Egito.

Ele começou sua carreira como pastor em 1974 em New York. Em 1975, se casou com a fisioterapeuta Nancy Louise Vollmer Wilson, com quem teve três filhas.

Wilson serviu como diretor assistente e depois como diretor de Ministérios Metropolitanos em Nova York de 1976 a 1981. Logo depois, passou a servir a igreja na Divisão Sul-Africana Oceano Índico como departamental e secretário-executivo.

Sua trajetória também passa pela Rússia, onde exerceu o cargo de presidente da Divisão Euro-Asiática, com sede em Moscou, entre 1992 e 1996.

Ted Wilson retornou aos Estados Unidos para servir como presidente da Review and Herald Publishing Association, em Hagerstown, Maryland, até sua eleição como vice-presidente mundial da Igreja Adventista em 2000, durante a assembleia de Toronto, no Canadá.

Wilson tem doutorado em Filosofia na Educação pela New York University, mestrado em Divindade pela Andrews University e mestrado em Saúde Pública pela Loma Linda University. Além de Inglês, ele fala francês e um pouco de russo. [Márcio Tonetti e Wendel Lima, equipe RA / Com informações do site adventist.org]


LEIA TAMBÉM

Líder mundial desafia a igreja a seguir adiante


Para saber +

Presidente eleito mais velho

John Byington, 65 anos de idade

Presidente eleito mais jovem

George I. Butler, 37 anos de idade

Presidente reeleito mais vezes

Tiago White, 1865—1867; 1869—1871; 1874—1880

Presidente que exerceu o cargo por mais tempo

Arthur G. Daniells, 21 anos

Presidentes que ficaram menos tempo na função

John Byington, dois anos

John N. Andrews, dois anos

Presidentes não americanos

Ole A. Olsen, Noruega

Charles H. Watson, Austrália

Robert S. Folkenberg, Porto Rico

Jan Paulsen, Noruega

Média de idade dos presidentes quando assumiram o cargo

52,7 anos de idade

Fonte: Adventist Review / Com tradução de Cecília Eller Nascimento