Carência do evangelho

Após 100 anos de presença adventista em Bangladesh, a pregação do evangelho ainda é pouco expressiva no país com a maior densidade demográfica do mundo

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Créditos da imagem: ADRA Bangladesh

Apenar de mais de um milhão de adventistas viverem no território da Divisão do Pacífico Sul-Asiático da Igreja Adventista, a população dessa geografia é de quase um bilhão de pessoas. Neste contexto está Bangladesh, país com a maior densidade demográfica do mundo, se não forem levados em conta cidades-estado e nações com menos de 10 milhões de habitantes. São quase 160 milhões de pessoas numa área um pouco maior do que o Amapá, o que significa mil pessoas dividindo o mesmo quilômetro quadrado (no Brasil, são 23 habitantes/km2).

A pobreza é outra característica do país: 43% da população vivem com menos de 1,25 dólar por dia. Segundo dados de 2013, a renda per capita é de 1.044 dólares, enquanto a média mundial é de quase 8 mil. No Índice Global da Fome, Bangladesh está entre os dez piores países, sendo a falta de diversidade na dieta um dos principais problemas. A nação também está entre os cinco países com maiores chances de sofrer desastres naturais. Todos os anos, enchentes, ciclones e maremotos arrasam cidades e matam milhares de pessoas.

Mesmo com esse cenário, a Igreja Adventista está há mais de 100 anos em Bangladesh. No entanto, os desafios ainda são enormes. Sendo realista, a igreja tem pouco menos de 10 mil membros ativos, mesmo que conste com mais de 30 mil na secretaria. Se faltam adventistas, não faltam alegria e música por aqui.

Com mais de 92% da população adepta ao islamismo, menos de 1% de cristãos e muitas restrições à pregação do evangelho, o adventismo enfrenta obstáculos para crescer. Por causa da renda per capita tão baixa, a igreja não consegue sequer manter três ou quatro pastores que se formam a cada ano. Bangladesh possui quatro Missões e uma União, mas sobrevive com subsídios da Divisão local, Associação Geral e doações esporádicas de estrangeiros.

Os adventistas representam apenas 0,019% da população bengali: são supostos 30.115 membros distribuídos em 129 igrejas. A grande maioria dos membros não conhece muito da Bíblia. Na luta diária pela sobrevivência, investem pouco tempo à oração e estudo da Palavra, que são fundamentais para o crescimento sadio da fé cristã.

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Por meio de projetos sociais e na área de saúde, a ADRA Bangladesh tem ajudado a mudar a vida da população. No Índice Global da Fome, o país está entre os dez piores. A falta de diversidade na dieta é um dos principais problemas. Foto: arquivo pessoal / Landerson Serpa

O país faz parte da Janela 10/40, região em vivem 66% da população mundial, e que corresponde a 33% da área do planeta, compreendendo 62 países. Bangladesh, cujo governo insiste em dizer que é laico, está na lista das 50 nações mais intolerantes aos cristãos, o que torna muito difícil a vida dessa minoria.

No campo das possibilidades, a educação tem sido uma das principais frentes de atuação da igreja em Bangladesh. Com um total de 150 escolas, incluindo sete internatos, a igreja trabalha bastante para ajudar a comunidade local, atendendo 9.085 alunos. Mas os desafios são grandes. Apenas um internato consegue se manter por conta própria. O mesmo ocorre com as 13 escolas nas cidades, apenas uma não representa prejuízos financeiros para a igreja. As outras 137 escolas são as chamadas village school (escolas de vilas), que não possuem prédios próprios e as aulas são ministradas nas casas dos pastores.

A Igreja Adventista tem um papel muito importante a exercer nesse país: ser luz em meio às trevas. Por isso, cada adventista de Bangladesh deve se apegar ainda mais a Cristo, e permitir que ele o transforme diariamente a fim de que a missão de Deus avance nesse país desafiador. Ore por Bangladesh e pela Janela 10/40.

Landerson Serpa Santana é pastor e trabalha para a ADRA Bangladesh (com colaboração de Ketlin Brito e Kevin Dantas)