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Peregrinação adventista

Maestro dá algumas razões para você se planejar para assistir pessoalmente a uma assembleia mundial

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Se é dever do muçulmano ir pelo menos uma vez na vida a Meca, acompanhar uma assembleia mundial da igreja é um privilégio adventista com “P” maiúsculo. Por isso, considero-me duplamente abençoado: estive em Utrecht (1995) e em Atlanta (2010). Quem participa de um evento desse porte e com esse significado, sempre testemunha algum impacto positivo. Comigo não foi diferente.

Música. A assembleia de 1995, pelo fato de ser feita fora dos EUA, na Holanda, reuniu menos pessoas no último sábado do que de costume, cerca de 30 mil. Porém, ouvir essa multidão cantando “Oh, que esperança, vibra em nosso ser”, em diversas línguas, foi algo inesquecível. Na assembleia de Atlanta, perto de 65 mil pessoas lotaram o ginásio e o impacto foi ainda maior.

Diversidade. Desperta a curiosidade o mosaico multicolorido das vestes, dos idiomas, das músicas, da pele, dos costumes e dos métodos evangelísticos empregados pelo nosso povo ao redor do planeta. Nesse quesito, os estandes das instituições são um universo à parte, porque mostram de maneira mais pitoresca a multiplicidade de métodos de pregação, despertando em quem os visita, o interesse pela missão em terras distantes.

Em muitos momentos, meu orgulho de ser brasileiro foi ofuscado pela variedade de nações representadas, mostrando que somos uma pequena amostra de um corpo bem mais completo. Encontrei adventistas de cantos longínquos do planeta, os quais pude chamar de irmãos, e tive a alegria de imaginar que vou morar com eles no Céu.

Desfile das delegações. Realizado na última noite da assembleia, é um momento único, quando cada país é representado por sua bandeira, levada por alguns líderes e delegados, normalmente vestidos com trajes típicos. No meu caso, foi nesse momento, em ambas as assembleias, que pude extravasar todo o santo orgulho de minha alma verde-amarela. Mas foi um sentimento novamente abafado e equilibrado pela alegria de ver outros irmãos, de outras nações, expressando amor semelhante ou mesmo mais entusiasta por sua terra natal do que o meu.

Organização. Num encontro desse porte, para que tudo funcione bem, são milhares de detalhes e tarefas feitas por um exército de colaboradores e voluntários. E, acreditem, sempre funciona!

Conversões. Os testemunhos e os números sobre o avanço da missão nos quatro cantos do planeta são evidências de que, embora ainda haja muito por fazer, a ordem de Jesus sobre a evangelização mundial (Mt 28:18-20) não está estagnada, mas perto de ser completada.

Por fim, compartilho dois pensamentos que suponho sempre pairar na mente de quem participa de uma assembleia mundial da igreja: como será o cântico dos remidos na Nova Terra? E seria essa a última grande reunião do povo de Deus antes da volta de Jesus?

O coração de todos parece bater em uníssono, num compasso de expectativa e de desejo para que ele volte logo e nos leve para uma eterna assembleia lá no Céu. Quanto tudo terminou, minha vontade foi de clamar como o profeta de Patmos: “Amém. Ora vem Senhor Jesus!” (Ap 22:20).

José Newton é maestro e diretor da Musicasa, divisão de produtos artísticos da CPB

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O grande coro no metrô

Editor testemunhou espírito de unidade e respeito pela opinião alheia em duas assembleias mundiais

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Cerca de 60 mil adventistas de 150 países marcaram presença na assembleia mundial de Toronto, no Canadá, em 2000. Imagem: acervo RA

Participar de uma assembleia mundial da igreja é, no mínimo, uma experiência memorável. Tive a oportunidade de estar em duas delas: Toronto (2000) e St. Louis (2005). No Canadá, participei como delegado. Cerca de 60 mil adventistas estiveram presentes. Sob o tema “Quase no lar”, a programação foi transmitida em 40 línguas, para mais de 150 países. Jan Paulsen foi reeleito como presidente mundial naquela ocasião.

Durante dez dias, os delegados se reuniram para discutir uma extensa pauta dos mais variados assuntos, nomear líderes e planejar os programas da igreja para o quinquênio seguinte. Como delegado, chamou-me a atenção o respeito pelas opiniões divergentes. Com esse espírito, tudo foi analisado e depois votado.

A apresentação dos relatórios igualmente me impressionou. Lembro-me do relatório do pastor Paulsen, presidente mundial reeleito, quando disse: “Levamos 100 anos para chegar ao primeiro milhão de membros. E só precisamos de um ano para adicionar o último milhão. Louvado seja Deus!” Ele fez referência ao ano de 1999, quando a igreja batizou 1.090.848 pessoas. Lembro-me também do pastor Ralph Thompson, destacando o fato que 91,6% dos adventistas viviam fora da América do Norte.

Em St. Louis, em 2005, na 58ª Assembleia da Associação Geral, 2 mil delegados e cerca de 30 mil participantes representaram 14 milhões de adventistas espalhados por 203 países. Foi impressionante observar a diversidade de vestimentas. Certa tarde, minha família e eu nos deparamos com um grupo de mães africanas. Minha filha correu ao encontro delas. Ela ficou encantada ao ver aquelas mulheres carregando seus bebês “presos às costas”, envoltos em pano, acomodados em sua capulana. Tivemos que tirar muitas fotos!

Entre as várias decisões tomadas, uma merece destaque: o acréscimo da crença fundamental número 11, sob o título “Crescimento em Cristo”, passando a igreja a ter 28 capítulos no livro Nisto Cremos. Houve ainda a escolha de Ella Simmons, primeira mulher eleita vice-presidente da Associação Geral.

O espírito de unidade, as mensagens devocionais e a qualidade da música são lembranças daquela assembleia. Após o culto da última sexta-feira, quando estávamos na estação do metrô, um adventista começou a cantar “Oh! Que Esperança”. De repente, numa espécie de “flash mob”, milhares de vozes se uniram a ele como um grande coral, expressando o mesmo sentimento. Aquele louvor ecoou pelas galerias da estação impressionando a população local. Jamais me esqueci daquele momento, quando então, unidos, expressamos nossa esperança no grande dia da redenção final.

Márcio Nastrini é pastor de longa experiência ministerial, editor associado das revistas Ancião e Ministério, além de editor da lição da Escola Sabatina dos Jovens

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Cenáculo moderno

Vinte anos depois, editor da CPB relembra cobertura que fez da assembleia de Utrecht, na Holanda

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Centro de Convenções Jaarbeurs, em Utrecht, na Holanda, onde foi realizada a assembleia mundial da igreja em 1995. Imagem: acervo RA

Em 1995, pela primeira vez, minha esposa e eu tivemos o privilégio de participar, como delegados (eu, também como repórter da Revista Adventista), da 56ª Sessão da Associação Geral, realizada em Utrecht, cidade conhecida como o “coração da Holanda”. Destacado centro comercial e turístico do país, nela se encontram as marcas de um rico passado histórico e de um presente dinâmico.

Participar de uma assembleia mundial da Igreja Adventista é, realmente, uma experiência inesquecível. O fato de nos encontrarmos em meio a uma riquíssima diversidade de culturas, etnias e idiomas, contudo identificados pelas mesmas crenças, os mesmos ideais espirituais e missionários, a mesma bendita esperança de ver Jesus face a face, contribui para que logo nos sintamos uma família – a família de Deus. Agora, tendo a oportunidade de assistir a mais um evento dessa natureza, emergem as lembranças de 20 anos atrás.

Que lembranças guardo de Utrecht? De início, foi inevitável a associação daquele encontro do povo remanescente, durante dez dias, com outro que também aconteceu reunindo os primeiros cristãos, durante dez dias, muito tempo atrás em Jerusalém. Acaso, a unidade característica do primeiro encontro em Jerusalém seria a marca do encontro em Utrecht? O lema da assembleia – “Unidos em Cristo” – era convidativo a esse ideal. Conforme disse o Dr. Benjamin Reaves, então diretor do Colégio Oakwood, em sua mensagem devocional de abertura, o lema era “um insistente imperativo missionário para a igreja. Ele deve ser o sinal pelo qual o mundo possa nos distinguir. Através de nossa união, devemos atrair pessoas a Cristo. Não é suficiente a união teológica, doutrinária e de crenças. Importa que estejamos unidos no amor”.

A pauta das discussões continha temas controvertidos, mas foram debatidos no espírito do lema da assembleia. Senti que o Espírito Santo a tudo dirigia. Ideias eram às vezes apresentadas com muita ênfase, defendidas com ampla liberdade para expressão, mas tudo sob uma atmosfera de respeito cristão. Havia a clara determinação de todos no sentido de que a igreja não fosse desviada de sua rota missionária. Vinte anos mais perto da vinda de Jesus Cristo, não podemos esperar nem desejar menos do que isso.

Ainda me lembro de Meropi Gijka, digno exemplo de fé mantida sob circunstâncias dificílimas. Ela foi alcançada na Albânia, onde floresceu o modelo comunista mais agressivo. Meropi se converteu no início dos anos 1940, graças ao trabalho do pastor Daniel Lewis, e viveu secretamente a fé durante 50 anos em que a religião organizada foi proibida naquele país. Descoberta em 1990 pelo pastor David Currie, entregou-lhe os dízimos guardados durante aquele tempo e, finalmente, pôde ser batizada. Aos 92 anos, ela estava em Utrecht numa cadeira de rodas.

Além de Meropi, estiveram na Holanda mais dois exemplos, entre outros, de que não há barreiras ideológicas nem geográficas para o evangelho de Cristo: Sovanna Puth, primeira adventista batizada no Camboja, depois de 30 anos, e Davaahuu Barbaatar, primeira adventista batizada na Mongólia.

Ouvi o voluntário Fitz Henry, ex-presidiário e, como ele mesmo se definia, “engenheiro profissional, mas pregador por vocação”. Havia levado ao batismo 15.100 pessoas em dez anos, realizando campanhas evangelísticas na América Central.

Testemunhei o vigoroso envolvimento missionário dos jovens, de todas as partes. Ações comunitárias, música, dramatizações e muito mais eram recursos utilizados já naquele tempo com objetivos evangelísticos. E com expressivos resultados.

Estou certo, porém, de que as conquistas relatadas em Utrecht foram nada mais que o prelúdio da grande sinfonia hoje apresentada. A igreja tem feito incomparavelmente mais. Porém, ainda estamos em um mundo cujas transformações acabam afetando a igreja. Por quanto tempo mais? De quantos “dez dias” necessitaremos para reviver a experiência daqueles primeiros “dez dias” do cenáculo em Jerusalém?

Zinaldo Santos é pastor, jornalista e editor da revista Ministério. Zinaldo está em San Antonio, Texas

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Prévia do Céu

Com apenas 10 anos de idade, ela visitou a assembleia na Holanda e se encantou com o evento que aumentou seu respeito pela igreja

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Créditos da imagem: Adventist Review

Dizem que a primeira impressão é a que fica. No caso da minha primeira visita a uma assembleia mundial da igreja, foi exatamente o que aconteceu: nunca apagarei da minha memória, ainda que juvenil (na época eu tinha 10 anos), a cena vívida de centenas de pessoas bem vestidas, caminhando para a entrada do pavilhão, com a Bíblia na mão, sob uma enorme faixa, que dizia: Welcome, Seventh-day Adventists! (“Bem-vindos, adventistas do sétimo dia!”).

Sempre me emociona relembrar: a sensação foi uma pálida prévia do que será ver as multidões dos salvos sendo recebidas com um “bem-vindos” de Cristo na Nova Jerusalém.

E é realmente uma sensação de prévia do Céu tudo o que ocorre numa convenção como essa. São dez dias de reuniões administrativas, é verdade, mas até para uma criança é muito esclarecedor ver a igreja em movimento organizacional, usando de bom senso representativo, respeito democrático e dependência de Deus, como acontece em todos os dias da sessão da Associação Geral.

Apesar de o auditório em que ocorreu a assembleia de Utrecht, na Holanda, ser limitado e todos os dias termos que lutar para achar lugar para sentar em família, nada nos tirou a alegria de estar lá! As músicas, as roupas, as línguas, tudo tão internacional e colorido! A emoção de saber quem são os novos oficiais no momento em que são escolhidos, o encontro com “celebridades” adventistas de todo o mundo e, é claro, os inúmeros brindes que você ganha nos estandes de ministérios e instituições, num universo à parte da assembleia e sem fim. Tudo é impressionante!

Para uma menina que cresceu amando a igreja de seus pais, viver dez dias intensos de adventismo internacional foi um privilégio. Depois dessa experiência, passei a ter mais respeito e carinho pelo movimento adventista mundial.

Hoje, 20 anos depois, louvo a Deus pela forma maravilhosa como ele tem dirigido essa igreja desde sua organização. Sei que ele a guiará pela fase mais escura da História, até vermos no Céu nosso Senhor Jesus, não com uma grande faixa de boas-vindas, mas com seus grandes braços abertos para nos levar para casa!

Marisa Ferreira é jornalista, designer gráfico e natural de Portugal. Depois de trabalhar na CPB, ela está se preparando para servir como missionária na Turquia

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Sentimento comum

Depois de ser marcado pela assembleia na Holanda, ele decidiu voltar nas reuniões seguintes

ra-1995-homeEm 1995, na condição de membro da igreja e visitante, acompanhei a 56ª Assembleia da Associação Geral em Utrecht, Holanda. Aquela experiência foi marcante e enriquecedora para mim, o que me motivou a estar presente nas sessões seguintes: Toronto (2000), St. Louis (2005), Atlanta (2010), e agora em San Antonio (2015). Em Utrecht, pude ver algumas coisas e entender um pouco melhor a abrangência das atividades da igreja, da qual sou membro há mais de 50 anos.

Primeiramente, destaco o conteúdo dos sermões durante aquele evento, que conclamaram os membros para compreender mais profundamente a missão da igreja e a necessidade urgente e individual de consagração e busca do poder do Espírito Santo, elementos essenciais de capacitação para a proclamação da mensagem do terceiro anjo (Ap 14:9-11). Recordo ainda a ênfase dada em três carências básicas da igreja: Bíblia (revelação), oração (comunhão) e testemunho (ação).

Naquela ocasião, ao ver o plenário formado pelos 2.321 delegados representando os adventistas espalhados em diferentes partes da Terra, fiéis que formam um organismo vivo e atuante em favor de uma mesma mensagem, fui levado a imaginar a primeira assembleia da igreja realizada em Battle Creek, Michigan. Foi em maio de 1863 que 20 delegados formaram o embrião de um movimento organizado que, sob o manto da bênção de Deus e sua especial orientação, haveria de crescer e se multiplicar de modo a congregar pessoas em todas as partes do mundo.

Durante os dias de reuniões, percebi também as grandes responsabilidades que pesam sobre os ombros dos líderes quando tratam dos delicados temas relacionados ao foco e à missão da igreja, seu crescimento e manutenção da unidade doutrinária.

Também fiquei impressionado ao ver a beleza e consistência da estrutura funcional de uma assembleia mundial, cujos trabalhos são conduzidos num processo de estrita ordem, sob a égide da representatividade e transparência.

Outra coisa que apreciei bastante foi a participação dos momentos de louvor juntamente com dezenas de milhares de pessoas de diferentes idiomas, culturas e trajes, mas que, por meio, da união de suas vozes formaram um grande coral, num espetáculo de rara beleza em que foi possível compartilhar o sentimento de que tínhamos a mesma fé e esperança.

Divonzir Ferelli é gerente das livrarias da CPB

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O cântico dos salvos

Editor aposentado relembra a assembleia mundial de Toronto, em 2000

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Enviado especial à 57ª assembleia mundial, Rubem Scheffel relatou nas páginas da Revista Adventista suas impressões sobre o evento que reuniu 60 mil adventistas em Toronto, no Canadá. Imagem: arquivo RA

Quinze anos se passaram desde que tive a oportunidade de participar da 57ª Assembleia da Associação Geral, realizada nos dias 29 de junho a 8 de julho de 2000, em Toronto, Canadá. A grande expectativa quanto ao que aconteceria na virada do ano 2000 já havia ficado para trás, mas ainda existia certa tensão no mundo por causa dos prognósticos catastrofistas dos sensacionalistas de plantão.

O tema da assembleia, “Quase no lar”, refletia a convicção de que a volta de Jesus estava às portas, e de que logo estaríamos no Céu. Um dos devocionais, intitulado “O lar perfeito”, focalizou o que Deus está preparando para nós e realçou a esperança de estar lá em breve e para sempre.

Cerca de 60 mil adventistas de mais de 200 países compareceram às reuniões, nas quais foram eleitos líderes para a sede mundial, como o presidente Jan Paulsen, e para a sede sul-americana da igreja, como o presidente Ruy Nagel. Foram apresentados relatórios e debatidos temas de interesse na ocasião, tais como algumas mudanças no Manual da Igreja referentes ao divórcio e novo casamento; e a preocupação com a infraestrutura da igreja, que havia recebido mais de um milhão de novos membros em apenas um ano.

Um dos destaques da cerimônia de abertura, dirigida pelo pastor Léo Ranzolin, então vice-presidente da Associação Geral, é que ele veio acompanhado da representante da rainha da Inglaterra para a província de Ontário, Hillary Weston, a qual fez uma saudação à Igreja Adventista, elogiando seu comprometimento com a educação e a saúde pública. Outras autoridades compareceram ao evento, como o governador de Papua-Nova Guiné, o adventista Silas Atopare, e o prefeito de Toronto, Mel Lastman.

No programa sobre Missão Global, apresentado no sábado à tarde, um audiovisual mostrou como adventistas dedicados estavam levando pessoas até Cristo em lugares difíceis como a Índia e a Mongólia. A programação também mencionou o trabalho no Brasil, dando-lhe destaque como o país com maior número de adventistas do mundo.

Espalhadas pela cidade de Toronto havia 350 estátuas de alces, com mais de dois metros de altura. A colunista de um dos jornais escreveu que havia semelhanças entre os alces e os adventistas, pois ambos são vegetarianos, e têm características distintas.

Vários jornais de Toronto deram destaque ao encontro, considerando-o “a maior convenção já realizada na cidade”. Mas para mim, nada se comparou a ver e ouvir 60 mil adventistas cantando com entusiasmo “Oh, que esperança, vibra em nosso ser”, o que me faz imaginar como será maravilhoso participar da grande multidão de remidos que cantará o cântico de Moisés e do Cordeiro no lar dos salvos (Ap 15:3).

Rubem Scheffel é o autor do livro Com a Eternidade no Coração (Meditações Diárias de 2010) e trabalhou por décadas como editor de revistas e livros na CPB

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A beleza da diversidade

Ele liderou a igreja sul-americana por 15 anos e testemunhou nove assembleias mundiais

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Acervo: Revista Adventista

A primeira delas foi a que mais me impressionou: em Detroit, 1965. Na ocasião, eu era o líder do ministério jovem e do departamento de educação da antiga União Sul-Brasileira. Viajei para lá como delegado da igreja e muito me impressionou a organização do evento e o grande número de adventistas presentes. Nos dois fins de semana, a programação foi emocionante. São nesses períodos que mais pessoas, especialmente dos Estados Unidos e do Canadá, marcam presença no evento. Muito me emocionou ouvir aquele grande coro internacional entoar “Oh que esperança vibra em nosso ser!”

Algo comum a todas as demais assembleias das quais participei, foi ter ouvido mensagens inspiradoras nos momentos devocionais. E muito me tocaram as belas apresentações musicais interpretadas por membros de diferentes partes do mundo. Esse colorido das nações é ainda mais vistoso nos relatórios das sedes continentais (divisões) e no desfile das nações, na última noite. São momentos em que a gente percebe a mão poderosa de Deus conduzindo seu povo e somos motivados e desafiados para a missão.

Visitar as centenas de estandes das instituições é algo muito interessante também, porque nos dá uma noção da abrangência mundial das atividades da igreja. Louvo a Deus por tudo que testemunhei desde a primeira assembleia e agradeço a ele por fazer parte da sua igreja neste tempo e constatar como o Espírito Santo dirige seu povo.

João Wolff foi líder dos adventistas sul-americanos por 15 anos. Hoje, aposentado, reside em Curitiba (PR)

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No mesmo tom

Ele testemunhou a unidade teológica em meio à diversidade étnica da igreja

Tive o privilégio de participar de três assembleias mundiais da Igreja Adventista do Sétimo Dia: em Indianápolis (1990), Saint Louis (2005) e Atlanta (2010). Em cada um desses eventos, várias coisas me impressionaram: o belo mosaico étnico do povo adventista, seu refinado talento musical, os relatórios e testemunhos sobre o crescimento da igreja ao redor do mundo e os sermões inspiradores. No entanto, o que mais chamou minha atenção foi o espírito de unidade com que o povo do advento reagiu, por meio de seus representantes, ao tratar de temas complexos.

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Rubens Lessa fez a cobertura especial da assembleia de Indianapolis para a Revista Adventista. Créditos da imagem: acervo RA

Em Indianápolis, por exemplo, após um dia em que mais de dois terços dos 2.239 delegados disseram “sim” à proposta de não ordenar mulheres ao ministério pastoral, milhares de adventistas retornaram a seus hotéis convictos de que o Espírito Santo havia conduzido, com segurança, as reuniões da igreja. Houve momentos de polarização, mas a atmosfera de unidade básica foi mantida até o fim da assembleia.

Naquela noite, ao retornar para o hotel, presenciei um acontecimento singular: um dos passageiros do ônibus – todos adventistas – começou a tocar em sua gaita o hino Blessed Assurance, Jesus Is Mine! (“Bendita Segurança”, HA – 240), e logo um africano aqui, um asiático ali e um europeu acolá passaram a cantar suavemente o coro em inglês. Na segunda estrofe, todos os passageiros estavam cantando, uns em inglês, outros em francês, e ainda outros em línguas asiáticas. Formou-se um lindo coral. Eu, inicialmente, me uni aos que cantavam em inglês, mas, com o tempo, passei a cantar em português. Idiomas diferentes, mas a mesma mensagem, a mesma fé, a mesma esperança!

Quando cheguei ao meu quarto, agradeci a Deus o privilégio de pertencer a um povo que, muito em breve, formará no Céu um coral afinadíssimo para cantar hosanas ao Cordeiro de Deus! Então, pela eternidade afora, haverá unidade absoluta, em meio a uma diversidade que não causará constrangimentos a ninguém. Na assembleia dos santos, não haverá liberais nem fanáticos.

RUBENS LESSA serviu por 36 anos como redator-chefe da CPB e agora, aposentado, continua a residir em Tatuí (SP)

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A mão de Deus ao leme

Ele já participou de dez assembleias mundiais e viu a igreja atravessar muitas intempéries

Desde 1962, com exceção do encontro em Detroit (1966), tive o grande privilégio de assistir a dez assembleias mundiais da Igreja Adventista. Em San Antonio, no Texas, estou acompanhando esse evento pela 11ª vez. Foram reuniões que marcaram meu ministério e me inspiraram a servir o Mestre.

Os pontos altos das assembleias são os relatórios, o desfile das nações, os sermões, a diversidade da música e as celebrações de fins de semana que reúnem de 65 mil a 75 mil adventistas. A multidão sai deslumbrada com o crescimento da igreja e inspirada para servir em suas igrejas e comunidades.

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Assembleia foi tema de reportagem especial da edição de outubro de 1970 da Revista Adventista. Evento reuniu mais de 33 mil adventistas. Imagem: Acervo RA

A mais especial para mim, sem dúvida, foi a de 1970, em Atlantic City. Nos cinco anos anteriores à reunião, eu havia atuado como líder do Ministério Jovem em duas sedes administrativas da igreja: Associação Paraná-Santa Catarina e na União Sul-Brasileira. Participando numa caravana com 50 adventistas liderada pelo Dr. Wilson Rossi, fui como delegado para os Estados Unidos. Lá, em Nova Jersey, a pedido do pastor Oswaldo Azevedo, ajudei como tradutor dos brasileiros na comissão de nomeações.

Naquela reunião, testemunhei a eleição de vários líderes e o primeiro choque foi ver o pastor Moysés Nigri ser eleito como um dos vice-presidentes da sede mundial. Porém, a maior surpresa ainda estava para vir. Quando a comissão passou a eleger os líderes de ministérios, o pastor Charles Griffing, um missionário norte-americano, levantou-se e indicou meu nome para uma função. Ele brincou dizendo que havia sugerido meu nome para que um dia pudesse contar para meus netos que havia sido escolhido. Resultado: fui eleito diretor associado do Ministério Jovem. Dali para frente, passei por oito eleições e reeleições em 33 anos de serviço na sede mundial. Foi a primeira vez que a igreja escolheu brasileiros para trabalhar em seu nível administrativo mais alto.

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Capa da edição de agosto de 1975 da Revista Adventista. Imagem: acervo RA

De 1975, lembro-me da iniciativa do pastor Robert H. Pierson, líder mundial dos adventistas na época, de internacionalizar a liderança da igreja. Naquele ano, pela primeira vez a assembleia ocorreu fora dos Estados Unidos: em Viena, na Áustria. Lá, tivemos que preparar equipes para as traduções e coube a mim a responsabilidade de trabalhar com 25 pastores de fala alemã. Essa foi a única vez em que a reunião foi bilíngue. Hoje, os delegados acompanham o programa em inglês munidos de rádios para a captação da tradução simultânea.

Não me esquecerei também da assembleia de Dallas (Texas), em 1980. Ali fui surpreendido novamente com outra eleição: então para ser o diretor mundial do Ministério Jovem, algo novamente inédito para um brasileiro. Na ocasião, tive que conversar com o pastor Neal C. Wilson, nos bastidores, para indicar para ele qual seria a minha equipe, a fim de que os nomes fossem aprovados pela comissão de nomeações. Atualmente, apenas os diretores de ministérios são escolhidos na assembleia, enquanto os associados eleitos no concílio anual. Tradicionalmente realizada em julho, naquele ano, pela primeira vez a assembleia ocorreu em abril.

Em 1990, na cidade de Indianápolis (Indiana), houve algo inusitado. É imprescindível que o presidente da Associação Geral seja eleito ou reeleito na primeira sexta-feira das reuniões, a fim de que ele lidere os votos sobre os demais itens da agenda. Como um dos secretários associados da sede mundial na época, eu conversava sobre a inclusão das novas uniões na hora do almoço com o pastor George Brown, então presidente da Divisão Interamericana. Então ele foi chamado para se apresentar para a comissão de nomeações. Comentei com meus colegas que eu já sabia que ele seria o novo presidente mundial. No entanto, para surpresa geral, ele não aceitou e foi assim que, quase ao pôr do sol, o pastor Robert Folkenberg foi eleito. Naquela mesma assembleia fui escolhido como um dos vice-presidentes, seguindo os passos de outros dois grandes líderes brasileiros: Moysés Nigri e Enoch de Oliveira.

Por sua vez, em 1995, na Holanda, a igreja discutiu o mesmo tema que tem gerado polêmica na assembleia de San Antonio: a ordenação de mulheres. Recordo dos delegados formando enormes filas para falar no microfone contra e em favor da questão. O mesmo ocorrerá agora em San Antonio, mas tenho certeza de que não haverá divisão da igreja. Ao longo dessas décadas, tive um vislumbre de como o Senhor esteve ao leme dirigindo seu povo através das intempéries. Seja na crise teológica com Desmond Ford, em 1980, ou na polêmica sobre a ordenação de mulheres, em 1995, os delegados, guiados pelo Espírito Santo, conseguiram encontrar uma solução e o mesmo ocorrerá no Texas. Deus intervirá para que a igreja continue seguindo o espírito da primeira assembleia, de 1863, levando adiante a pregação sobre a volta de Cristo em glória e majestade.

Léo Ranzolin foi vice-presidente mundial da igreja e hoje, aposentado, reside em Estero, na Flórida (EUA)