Deus é fiel, suas promessas são certas

Leia o relatório financeiro apresentado pelo ex-tesoureiro mundial da igreja, Robert Lemon, referente aos últimos cinco anos

Foto: ANN

Segundo Roberto Lemon, que deixa o cargo para se aposentar, a igreja tem priorizado investimentos na chamada Janela 10/40. Foto: ANN

Desde que Wayne Hooper escreveu a letra e a melodia da música tema da assembleia da Associação Geral de 1962, “Oh! Que Esperança!” se tornou o hino favorito dos adventistas. Já tivemos outras músicas temas das assembleias mundiais ao longo dos anos, mas essa passou a fazer parte de todas das quais participei. A esperança no breve retorno de Jesus é o profundo anseio de todo cristão verdadeiro.

“Oh! Que esperança! Vibra em nosso ser. Pois aguardamos o Senhor. Fé possuímos que Jesus nos dá. Fé nas promessas que nos fez. Eis que o tempo logo vem e as nações aqui e além, bem alerta, vão cantar: Aleluia! Cristo é rei! Oh! Que esperança! Vibra em nosso ser. Pois aguardamos o Senhor.”

Desde seus primórdios, a Igreja Adventista do Sétimo Dia prega o breve retorno de Cristo. Nossa esperança não diminuiu. Estamos cinco anos mais perto do que quando nos encontramos em Atlanta para a assembleia da Associação Geral de 2010. Aqueles que são pais já devem ter ouvido os filhos perguntarem: “Já estamos chegando em casa?”. Nós, filhos de Deus, somos impacientes e, com frequência, perguntamos: “Já estamos chegando em casa?”

A resposta de Jesus se encontra na última parte de João 14:3: “Voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver” (NVI).

Deus é fiel, ele provê para sua igreja

Em nosso relatório para a assembleia da Associação Geral de 2010, louvamos ao Senhor por sua condução e observamos que, “depois de superar um dos períodos financeiros mais tumultuados dos últimos 75 anos, conseguimos ver com clareza a orientação divina e nos alegramos pela fidelidade de seus filhos”.

Este quinquênio foi de recuperação econômica, mas ainda vivemos neste mundo de incertezas. Mais uma vez, louvamos ao Senhor por ter abençoado e provido para sua igreja de maneira maravilhosa.

Dízimos e ofertas

Ao longo dos últimos cinco anos, os dízimos anuais ao redor do mundo cresceram 31%, de 1,85 bilhões de dólares em 2009 para 2,43 bilhões em 2014. As ofertas missionárias mundiais aumentaram 38% no último quinquênio, passando de 64,2 milhões de dólares em 2009 para 88,9 milhões em 2014. Em 2010, relatamos que, no período de 1975 a 2005, as ofertas missionárias mundiais, depois de permanecerem praticamente estáticas em torno de mais ou menos 50 milhões de dólares por ano, haviam alcançado 64 milhões em 2009, um aumento de 28%. Durante o mesmo período, 1975 a 2009, os dízimos cresceram de 398 milhões de dólares para 1,85 bilhões, um aumento de 365%. Neste quinquênio também testemunhamos um aumento substancial em ofertas missionárias das sedes administrativas (divisões) fora da América do Norte. No fim de 2014, as ofertas missionárias mundiais ultrapassaram 88,9 milhões de dólares. Louvamos ao Senhor por essa bênção! Nos últimos anos, tem havido uma mudança no padrão de doação, mais voltado para projetos, que têm estimulado o interesse em missões e sido uma bênção para essas áreas. Somos gratos a Deus por isso!

Mas um dos desafios de depender demais da doação para projetos é que a atenção dada a eles costuma ser curta. Quando surgem novas áreas de interesse, o apoio muda a ênfase, frequentemente deixando a organização local (quando há uma) sozinha para dar continuidade ao evangelismo sem recursos suficientes. Há casos em que se perde quase todo o progresso feito. A necessidade de um programa forte de ofertas missionárias que possa sustentar grandes iniciativas de longo prazo é cada vez mais importante ao nos concentrarmos na Janela 10/40. O aumento recente na doação de ofertas missionárias é de importância vital.

Dízimos extraordinários

Ao relembrarmos o grande tumulto financeiro de 2008 e 2009, só podemos louvar a Deus por sua bênção especial na forma de um grande total de dízimos extraordinários recebidos em 2007. Deus sabia que haveria necessidades especiais e proveu para elas sem nem mesmo pedirmos. Ele abençoou a fidelidade dos envolvidos e permitiu que novas iniciativas fossem empreendidas mesmo durante esse período econômico difícil.

A maioria dos recursos foi destinada às diversas iniciativas e projetos, muitos deles focalizando a Janela 10/40. Eles serão usados durante cinco a dez anos para espalhar o evangelho. O restante ainda não utilizado será empregado após a avaliação da viabilidade de longo prazo de tais iniciativas e projetos, sobretudo na Janela 10/40.

Uma vez que o total extraordinário de dízimos dificultaria a comparação com as informações financeiras de anos passados e futuros, estamos registrando esses dízimos e as despesas relacionadas a ele em separado das operações regulares, muito embora os números estejam combinados nas declarações financeiras auditadas.

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Entradas, gastos e patrimônio líquido da Associação Geral

Durante o quinquênio, o fundo operacional da Associação Geral (excluindo os dízimos extraordinários e recursos direcionados pelo doador) teve uma renda total (entrada e ganhos) de 1,075 bilhão de dólares e a despesa total de 999 milhões. O patrimônio líquido total do fundo operacional regular da Associação Geral (excluindo os dízimos extraordinários e recursos direcionados pelo doador) teve um aumento de 162 milhões de dólares para 246 milhões, e o capital de giro (excluindo os dízimos extraordinários), em 31 de dezembro de 2014, totalizava 224 milhões de dólares, 104% do montante recomendado nos Regulamentos Eclesiástico-Administrativos da Associação Geral.

Investimentos

A Associação Geral detém fundos e investe neles para uma série de propósitos. A comissão diretiva criou uma política que recomenda um nível mínimo de capital de giro. Esse montante corresponde a 45% da renda operacional irrestrita de um ano, ajudando a controlar oscilações temporárias na economia. Também auxilia a custear as necessidades de fluxo de caixa para verbas, salários e outras despesas mensais do orçamento, que devem ser pagas ao longo do ano, muito embora só recebamos a maior parte dos recursos no fim do ano.

A Associação Geral investe recursos alocados e restritos, delimitados pelos doadores e pela comissão diretiva, em projetos e iniciativas. Muitos deles se estendem ao longo de vários anos ou necessitam de tempo para ser concluídos. Além disso, a Associação Geral conta com fundo de doações, fundo de dízimos extraordinários, fundo de depreciação e fundos de crédito, acordos de renda vitalícia, doações de caridade, anuidades, etc., que necessitam de investimentos. Os fundos da Associação Geral costumam ser usados no ano em que são recebidos, mas alguns precisam ser mantidos por um tempo a fim de honrar alguns compromissos. O investimento em fundos da Associação Geral é feito de maneira conservadora.

Em janeiro de 2008, cerca de 87% dos fundos da Associação Geral correspondiam a investimentos de renda fixa (títulos e investimentos semelhantes) e 13% em ações. O declínio dos mercados financeiros em 2008 cobrou seu preço nos investimentos da Associação Geral, mas graças ao Senhor, entre 2008 e 2009, o retorno total dos investimentos (renda proveniente de lucros, dividendos etc., bem como os ganhos e as perdas acima ou abaixo do mercado em investimentos) da combinação de todos os fundos alcançou 4,4%.

Isso significa um aumento médio de cerca de 2,2% ao ano. Provavelmente o impacto mais duradouro da recessão tenha sido a mudança no nível dos lucros que indivíduos e organizações podem esperar dos investimentos. Em muitas partes do mundo, os investimentos (sem incluir as ações) costumavam proporcionar retorno de 5 a 7% com regularidade. Os números agora estão mais próximos de 1 a 3%. Isso exerceu grande impacto sobre os lucros em cima do capital de giro, aposentadoria e outros fundos.

 

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Efeito da flutuação da taxa de câmbio

As mudanças na taxa de câmbio sempre foram um desafio para organizações que trabalham com moedas diferentes. É difícil mostrar um retrato fiel dos dízimos e das ofertas ao redor do mundo, pois é possível que um aumento na moeda local apareça como diminuição quando convertido para dólares norte-americanos. É claro que os desafios não se limitam aos relatórios, mas também ao montante recebido de fato.

O orçamento da Associação Geral tem por base em dólares norte-americanos e suas verbas e compromissos financeiros são feitos principalmente nessa moeda. Ao planejar o orçamento do ano seguinte, precisamos presumir que as taxas de câmbio permanecerão relativamente estáveis. No entanto, se os dólares norte-americanos se fortalecem em relação a outras moedas importantes, isso significa que entrarão menos dólares na Associação Geral, mas aumentará o montante em moeda local para as organizações que receberem suas verbas em dólares norte-americanos.

Como as flutuações na economia nem sempre estão em harmonia com os momentos de recebimento de renda e de gastos, existe a necessidade de manter determinado nível de recursos à mão o tempo inteiro. Tais fundos são chamados de capital de giro. Dependendo da natureza da organização, a porcentagem da renda operacional anual necessária para operar com tranquilidade varia. Em 2002, 75% da renda recebida pela Associação Geral ainda provinha da Divisão Norte-Americana e cerca de 25% eram provenientes das outras Divisões, os quais eram sujeitos às flutuações nas taxas de câmbio. Em 2014, mais de 50% dos dízimos e das ofertas recebidos pela Associação Geral vieram de outras moedas que não o dólar norte-americano, estando sujeitos às flutuações.

O montante equivalente a 20% da renda anual irrestrita era considerado um nível adequado de capital de giro para a Associação Geral, mas a volatilidade muito maior da economia e das taxas de câmbio levou a Associação Geral a aumentar aos poucos essa porcentagem, chegando a 45% atualmente. Essa porcentagem está programada para aumentar 1% por ano até chegar a 50%. Isso permite à Associação Geral manter recursos suficientes para custear seus compromissos orçamentários mesmo com flutuações em suas entradas no curto prazo. Seria muito prejudicial para o trabalho ao redor do mundo se a Associação Geral precisasse cortar verbas no meio do ano depois que as divisões já fizeram compromissos contando com os recursos enviados pelo orçamento da Associação Geral.

O dólar norte-americano se fortaleceu substancialmente em 2014, até março de 2015, em relação a muitas das principais moedas do mundo. Isso reduziu o montante de dólares que entra na Associação Geral e, além de ter afetado 2014, terá um grande impacto sobre 2015 e é possível que posteriormente também. Apenas para colocar essa realidade em perspectiva, as seis moedas a seguir representam quase 70% das entradas da Associação Geral provenientes de fora dos Estados Unidos. Ao lado de cada uma delas, encontra-se listado o declínio percentual do valor da moeda em relação do dólar norte-americano entre janeiro de 2014 e março de 2015.

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Operações da AG durante 2014

Durante 2014, os dízimos e as ofertas missionárias que chegaram à Associação Geral foram 0,7% menores em comparação com o ano anterior, por causa da diminuição de 0,5% de dízimos da Divisão Norte-Americana. Esse decréscimo fez parte do ajuste programado de 8 para 6% de dízimos brutos. A despeito disso, a Associação Geral teve um aumento nos fundos operacionais (excetuando os dízimos extraordinários e os fundos direcionados pelo doador) de 7,8 milhões de dólares. Esse aumento foi resultado do funcionamento abaixo do orçamento previsto em várias das áreas principais e de ter sido levado em conta o decréscimo programado ao planejar o orçamento de 2014.

Durante o quinquênio

A Associação Geral continua a direcionar mais recursos para os territórios da Janela 10/40. As recomendações da Comissão de Revisão de Verbas de 2009 para o realinhamento das verbas e recursos missionários interdivisões foram colocadas em prática, dando mais ênfase à obra na região da Janela 10/40.

A Associação Geral começou a transição de um ajuste da porcentagem de dízimos da Divisão Norte-Americana para o orçamento da Associação Geral, envolvendo uma redução de 8 para 6% ao longo de determinado período. O índice atual de contribuição da Divisão Norte-Americana é de 7%, em comparação com 2% das outras divisões.

O canal de televisão Hope Channel foi estabelecido como uma instituição separada da Associação Geral em 2012. Antes disso, era um centro de custos dentro das declarações financeiras da Associação Geral.

A fim de atender com mais eficiência os aspectos de seleção, recursos humanos e logística dos missionários de status interdivisão, uma série de funções antes abordadas em separado pela secretaria e tesouraria foi combinada em uma área hoje conhecida como Recursos e Serviços Pessoais Internacionais.

A Associação Geral mantém o compromisso de reduzir ao mínimo o crescimento de sua equipe de funcionários a fim de permitir que o crescimento ocorra nos campos. Embora o total de membros tenha aumentado de 8,8 milhões em 1995 para 18,5 milhões em 2014, o número de funcionários da Associação Geral cresceu apenas de 282 para 288.

Deus é fiel, ele prometeu voltar

A serva do Senhor, Ellen White, escreveu: “Passando em revista nossa história, percorrendo todos os passos de nosso progresso até ao estado atual, posso dizer: ‘Louvado seja Deus!’ Quando vejo o que Deus tem executado, encho-me de admiração por Cristo e de confiança nEle como dirigente. Nada temos a recear quanto ao futuro, a não ser que nos esqueçamos do caminho pelo qual Deus nos tem conduzido” (Vida e Ensinos, p. 204).

Que emoção ela deve ter sentido ao ver como o Senhor nos tem conduzido. Nós também podemos dizer “louvado seja Deus” ao ver “o que Deus tem executado”. Sim, estamos chegando ao lar. Nossa oração é a mesma de João, o revelador: “Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20, NVI). [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Um parque e um campo de batalha por almas

Relatório apresentado por Paul Ratsara, presidente reeleito da Divisão Sul-Africana Oceano Índico, no dia 5, destacou o investimento em canais de TV e o amparo aos portadores de AIDS

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Em meio à beleza africana de tirar o fôlego, que inclui a cachoeira Victoria Falls, vive um povo que anseia por se conectar com Deus, seu Criador. Crédito: Pixabay.

A Divisão Sul-Africana Oceano Índico abriga desertos cheios de bancos de areia e verdejantes florestas tropicais. Você irá testemunhar a maior cachoeira única do mundo se seguir o sinuoso rio Zambeza pelo sul da África até chegar a Victoria Falls, onde um arco-íris perpétuo cria uma maravilha espetacular do mundo.

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O serviço à comunidade “Refeições sobre Rodas” inspira esperança e compartilha amor com cada uma das milhões de refeições servidas por ano. Crédito: SID

Você sentirá o ar da África ao fazer um safári em Botsuana ou Malaui, ou se optar por uma aventura nas últimas florestas tropicais intocadas de Madagascar.

Quando respirar o ar fresco no topo da Table Mountain na África do Sul, exclamará: “No princípio criou Deus os céus e a terra!” Em meio a tanta beleza de tirar o fôlego, vive um povo que anseia por se conectar com Deus, seu Criador.

Essa é a África: um parque e um campo de batalha por almas.

Os principais instrumentos de Deus nesse conflito cósmico são os 3.346.372 membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Divisão Sul-Africana Oceano Índico. Confira algumas de suas histórias.

Participação total

Rima tem seis anos de idade e prega diligentemente o evangelho em Madagascar há dois anos. Armado com a Bíblia, abençoado por uma boa memória e incentivado pela mãe, Rima fala com autoridade ao pregar a Palavra. A Divisão Sul-Africana Oceano Índico oferece seminários regulares de pregação infantil, dando às crianças a oportunidade de aperfeiçoar seu chamado e de serem equipadas com habilidades homiléticas.

Aos 113 anos de idade, Jato Mailose Sibanda é o desbravador ativo e pregador adventista mais velho do mundo. Crédito: SID

Aos 113 anos de idade, Jato Mailose Sibanda é o desbravador ativo e pregador adventista mais velho do mundo. Crédito: SID

As crianças pregadoras são um fenômeno crescente na Divisão, mas membros de todas as idades compartilham Jesus. Três anos atrás, Jato Mailose Sibanda provavelmente era o centenário mais ativo do continente. Embora tenha diminuído um pouco o ritmo, aos 113 anos de idade, Sibanda é hoje o pregador adventista e desbravador ativo mais velho do mundo. Defensor da alimentação vegetariana, de exercícios regulares, de uma atitude positiva e da confiança constante na Palavra de Deus, ele inspira um compromisso mais firme com as três mensagens angélicas no coração de jovens e velhos. A obra de espalhar o evangelho depende dos membros leigos. A Divisão conta com apenas 1.552 pastores para 9.992 igrejas e 13.068 grupos.

Membros leigos tomam a iniciativa

O número de membros da igreja tem crescido rapidamente na Divisão à medida que os membros leigos tomam a iniciativa.

Muitos fatores contribuíram para o crescimento, mas o uso de pequenos grupos demonstrou ser o mais eficaz. Mais de 31 mil pessoas foram batizadas em apenas oito meses após milhares de pequenos grupos de estudos bíblicos serem organizados em Angola. Mais de 3 mil pessoas foram batizadas em um só sábado em Madagascar. Todos os novos membros se transformam imediatamente em ganhadores de almas, ao participarem do programa “Pescadores de Homens”, que os capacita a se tornarem discípulos que levam outros a Jesus.

Entre os novos ganhadores de almas se encontra N. K. Kerk, ex-pastor ordenado da Igreja Reformada Holandesa e hoje um evangelista adventista. Sua decisão de aceitar plenamente as verdades bíblicas conforme ensinadas pela Igreja Adventista testifica do poder da Palavra de Deus e da influência persuasiva do Espírito Santo.

Os membros de nossa igreja colocam em prática a declaração da cofundadora da Igreja Adventista, Ellen White, em Caminho a Cristo, p. 90: “Não há nada mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras”. Por esse motivo, a Divisão aderiu por completo ao programa Reavivados por Sua Palavra, plano de leitura diário da Bíblia formulado pela Associação Geral.

Os jovens são especialmente ativos em compartilhar Jesus. Mais de mil jovens de todo o mundo se dirigiram à África do Sul e se transformaram nas mãos e nos pés de Cristo durante o Impacto África do Sul, prelúdio organizado pela Divisão ao terceiro Congresso Internacional de Jovens. O coração das pessoas derrete quando vê os jovens auxiliando os necessitados, preparando alimento para os pobres, alimentando os famintos e consolando os idosos.

É o método de Cristo de encontrar as pessoas em seu ponto de necessidade que motiva os grupos de jovens voluntários e autossustentados a se organizar em equipes missionárias dentro do próprio país e em outras terras. Usando seus dons e talentos para a glória de Deus, os jovens inspiram outros rapazes e moças a se renderem a Cristo, por meio do dom da música em ruas, aeroportos, estádios e eventos especiais.

O crescimento nas iniciativas e na participação em toda a Divisão está ligado ao esforço consistente de seus líderes em lançar a visão e formar a liderança. Organizamos um congresso anual de líderes que coloca os membros da igreja em contato com um grupo internacional de líderes tementes a Deus, que os ajudam a garantir que seu trabalho servirá para cumprir a missão da igreja. Em nível básico, o treinamento é contínuo em todos os ministérios. Homens e mulheres cheios do Espírito estão treinando e sendo treinados para servir a Deus.

Rima tem seis anos de idade e pregou diligentemente o evangelho ao longo dos últimos dois anos. Crédito: SID

Rima tem seis anos de idade e pregou diligentemente o evangelho ao longo dos últimos dois anos. Crédito: SID

Historicamente, a educação adventista tem sido o canal usado pelos pioneiros da igreja a fim de espalhar o evangelho. A tradição continua na Divisão Sul-Africana Oceano Índico. Com 149 escolas de ensino médio, 249 escolas de ensino fundamental e 12 instituições de ensino superior, o espírito da educação adventista está vivo e passa muito bem. À medida que os jovens se formam em nossas instituições e entram no mercado de trabalho, os governos e empresários reconhecem a contribuição singular da educação adventista para melhorar as comunidades locais, aumentando ainda mais a credibilidade da igreja.

Igrejas, TV e HIV

Enquanto a igreja cresce nesta região, a necessidade de mais templos também aumenta. Muito devemos aos voluntários da Maranata Internacional e de outros ministérios parceiros, como Lightbearers International [Portadores de Luz Internacional] e Remnant Publications [Editora Remanescente], pelo investimento consistente no crescimento da Divisão. A Maranata concluiu 3.995 projetos, incluindo 2.797 igrejas.

Contamos com 3.955 colportores-evangelistas compartilhando Jesus por meio da página impressa. De livros a mídias digitais, a Divisão tem usado todos os meios para espalhar o evangelho. Nosso centro de mídia, localizado na Cidade do Cabo, África do Sul, produz vários programas criativos para o canal de televisão Hope Channel, a fim de atender as necessidades espirituais de pessoas que só podem ser alcançadas por meio da tecnologia moderna.

Desde 1o de janeiro de 2015, o Hope Channel Zâmbia transmite 24 horas por dia, levando esperança e bênçãos aos habitantes do país e a outros por meio de mensagens bíblicas poderosas e de músicas inspiradoras. O Hope Channel Malaui foi inaugurado oficialmente em 15 de fevereiro de 2015 e também veicula programação ininterrupta.

Em vilas de difícil acesso em Madagascar, Zâmbia, Malaui, Moçambique e Namíbia, a Rádio Adventista Mundial faz uma diferença significativa por meio da doação de equipamentos manuais ou movidos a energia solar.

Durante esse quinquênio, a África perdeu um de seus grandes líderes, Nelson Mandela. Reconhecemos e prestamos nossa homenagem ao papel que ele desempenhou na luta pela democracia na África do Sul. Ao mesmo tempo, nós, como igreja, valorizamos muito um aspecto fundamental da democracia — a liberdade religiosa — e temos sido proativos em engajar líderes nacionais e políticos de todos os países de nosso território. Em Botsuana, Haskins Nkaigwa, prefeito de Gaborone, recentemente reconheceu a importância da mensagem adventista de saúde após participar de um seminário sobre o assunto.

Fazemos campanhas regulares contra o abuso a mulheres e crianças, mostrando que a igreja está comprometida com a proteção e o bem-estar dos vulneráveis. Nossos amigos e vizinhos olham para os adventistas como modelos de não estigmatização dos portadores do HIV e aplaudem nossa posição bíblica de abstinência sexual antes do casamento. Os adventistas portadores da AIDS estão abrindo caminho, encorajando outros a descobrir sua condição por meio de exames, a fim de poderem receber tratamento e melhorar a qualidade de vida.

Cremos que todos — não importa quem são, o que fazem e de onde vêm — merecem a oportunidade de ter uma vida realizada e significativa. É isso que nós, cristãos, fomos chamados para fazer. Por isso, ninguém fica de fora do alcance da ADRA na Divisão. Desde 1964, o serviço à comunidade “Refeições sobre Rodas” inspira esperança e compartilha amor a cada refeição servida. Alcançando destituídos, idosos vulneráveis e crianças, a agência da igreja opera 512 centros voluntários de serviço em todo o sul da África. Milhões de refeições são servidas por ano.

A Divisão Sul-Africana e Oceano Índico é um território tocado pelo dedo de Deus com cenários de tirar o fôlego e fenômenos naturais inacreditáveis. Mas a Igreja Adventista do Sétimo Dia nessa região tem demonstrado de maneira consistente que as joias mais preciosas da África não são as cachoeiras, os diamantes, ou a natureza, mas, sim, as pessoas, pelas quais Cristo morreu. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

O voo da fé

Relatório apresentado por Blasious Ruguri, presidente da Divisão Centro-Leste Africana, no dia 5, mostra profissionalização da igreja numa das regiões em que o adventismo mais cresce

Alunos do ensino fundamental em uma escola adventista no Quênia. Crédito: departamento de comunicação da ECD. Foto: Adventist Review

Alunos do ensino fundamental em uma escola adventista no Quênia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Levantando-se das cinzas da guerra, da pobreza e do analfabetismo em admirável progresso e serviço cristão, uma grande história de missão continua a acontecer nessa região da igreja mundial. A Divisão Centro-Leste Africana (East-Central Africa Division — ECD), a mais nova da Igreja Adventista mundial, mesmo com imensos desafios a vencer, está entre as que crescem com maior rapidez.

O território tem uma população de mais de 350 milhões de habitantes, mas um total de membros de pouco mais de três milhões. Há muito trabalho a ser feito. Do ponto de vista humano, parece uma tarefa impossível. Contudo, além da fachada de aparente derrota e dos infindáveis desafios de um planeta assolado pelo pecado, os últimos cinco anos presenciaram o triunfo da missão nessa região como nunca antes. Desde o início do quinquênio, o projeto de Reavivamento e Reforma assumiu o palco central à medida que os líderes da igreja apresentaram um ambicioso plano estratégico que envolve tanto as iniciativas da igreja mundial quanto programas novos e ousados destinados a atender as necessidades e a realidade missionária local.

Mudança de imagem

Nós, cristãos, somos chamados não só para ser luz, mas também sal. Enquanto buscamos, vivemos e comunicamos a verdade encontrada em Jesus Cristo, reconhecemos que, sem visibilidade e sem encontrar as pessoas onde elas estão, fazemos pouco progresso. Nossa influência afeta o modo de transmitir a mensagem de esperança.

Por esse motivo, nossa sede criou um plano para tornar a igreja visível em suas comunidades. Essa ambiciosa iniciativa de branding incluiu a construção de novas estruturas e instalações, mas não se limitou a isso. Ela conta igualmente com o processo de conquista de pessoas, cuidado, cura e pregação. Isso se traduziu na fundação de novos templos e prédios administrativos, novos hospitais e novas estruturas em nossas instituições.

Temos a alegria de relatar progresso nessas áreas. Algumas se destacaram mais do que outras, porém todas tiveram avanços. Ainda superando a maré do genocídio, a União de Ruanda fez um progresso tremendo nesse aspecto.

A Universidade Adventista da África Central, em Kigali, Ruanda, concluiu importantes projetos, a começar por um auditório com capacidade para 2.500 pessoas sentadas, um moderníssimo prédio de Ciência e Tecnologia, e novos dormitórios, que estão em construção. Missões e associações locais construíram novos escritórios. Escolas e instituições da igreja se destacam como os melhores prédios nas áreas em que estão localizadas em todas as partes de Ruanda. Agradecemos a Deus por esse tamanho progresso.

De 2010 a 2015, foram fundadas 224 escolas adventistas. Mil professores foram acrescentados ao longo do mesmo período e 50 mil alunos. Em todo o território, templos modernos começaram a ser construídos, substituindo as antigas estruturas que serviam como casas de adoração. Nossos hospitais e instituições de saúde também passaram por reformas admiráveis. Estão sendo erguidos novos hospitais em Mwanza (Tanzânia), Bujumbura (Burundi) e Nairóbi (Quênia). Muitas outras instalações de saúde estão sendo construídas em nossa geografia, como a Clínica Adventista de Ruanda e o Centro de Esperança e Estilo de Vida em Kasese, Uganda.

Outros projetos notáveis concluídos incluem:

  • Auditório na Universidade Bugema, com capacidade para 5 mil pessoas sentadas.
  • Auditório multiuso e novo dormitório feminino na Universidade de Arusha.
  • Policlínica e dormitórios masculino e feminino na Universidade Adventista de Lukanga.
  • Estúdio com Centro de Mídia Adventista no campus Advent Hill.
  • Escritório da União-Missão Sul da Tanzânia.
  • Novo escritório da União e casa de hóspedes em Juba, Sudão do Sul (projeto).

info-relatorio-da-Divisão-Centro-Leste-Africana-foto-homeA Igreja Adventista nessa Divisão tem dado passos para conscientizar o público a respeito de sua existência e missão. Seguindo o programa do Dia Mundial do Jovem Adventista, liderado pelo Ministério Jovem, a visibilidade da igreja aumentou tremendamente nos dois últimos anos por meio de atos diversos de bondade e interação com a comunidade.

Foram organizadas atividades deliberadas para impactar a comunidade, incluindo serviço comunitário, doação de sangue, distribuição de literatura, serviços médicos, assistência em desastres, centros de resgate de crianças e muitas outras.

As iniciativas para aumentar a visibilidade da Divisão também foram impulsionadas com as visitas ao nosso território do presidente da Associação Geral, Ted Wilson. Elas despertaram a consciência acerca da existência da igreja nos países e nas cidades que ele visitou. Durante essas visitas, Wilson se reuniu com os presidentes de Burundi, Quênia, Ruanda e Tanzânia.

Foi investido mais de 1,5 milhão de dólares na capacitação de mais de 500 servidores em universidades locais. Entre eles, mais de 300 se graduaram na Universidade Adventista da África, no Kênia. Recursos dos “dízimos extraordinários” da Associação Geral auxiliaram na formação educacional de mais de 200 servidores da República Democrática do Congo, Burundi e Sudão do Sul, onde temos o menor número de pastores com diploma em Teologia.

Voando pela fé

O cerne das iniciativas da Divisão ao longo dos últimos cinco anos foi resumido no slogan “Destinados a voar”. Todos os ministérios e todas as instituições da Divisão concentraram seus esforços em cumprir a missão com agilidade, excelência e ousadia. Passamos a compreender esse conceito de missão como um voo de fé. Lançando mão dos métodos essenciais de pregação, ensino, cura e discipulado, cada programa e iniciativa foram projetados para alcançar resultados relevantes e significativos. Todos os departamentos e ministérios trabalharam em favor desse objetivo.

O Ministério da Mulher é um exemplo de programa de grande alcance evangelístico e, ao mesmo tempo, de cuidado que revolucionou nossa maneira de cumprir a missão daqui para frente nessa região. O tempo não é suficiente para relatar quanto foi feito nesse sentido.

O Ministério de Publicações continua prosperando, com um número de colportores-evangelistas que cresce a cada dia, todos eles concentrados em levar esperança a cada lar. A saúde e a educação têm sido, na maioria dos casos, portas de entrada bem-sucedidas. E as histórias de êxito são numerosas.

Líderes da Igreja Adventista se reúnem com o presidente de Ruanda. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Líderes da Igreja Adventista se reúnem com o presidente de Ruanda. Crédito: departamento de comunicação da ECD

O total de membros da Divisão aumentou de 2.648.530, em 2010, para 3.046.313, em 31 de dezembro de 2014. As notáveis campanhas evangelísticas realizadas incluem:

Evento por via satélite “Chamas do Evangelho”. Com o apoio do ministério de comunicação e mídia em 2012, a Divisão realizou seu quarto evento via satélite com pregações de Blasious Ruguri, presidente da sede. A série evangelística intitulada “Chamas do Evangelho” foi gravada em Uganda e transmitida pelo canal de televisão Hope Channel.

Missão Urbana. Em 2013, mais uma grande campanha de missão urbana foi realizada em Kinshasa, República Democrática do Congo. Kinshasa é uma das cidades da Divisão com menos membros da igreja. A campanha, realizada por administradores e líderes de ministérios da Divisão, foi realizada em 14 pontos e resultou no batismo de 1.523 pessoas. Após o lançamento do projeto “Kinshasa para Cristo”, cada uma das doze Uniões identificou uma cidade para receber essa iniciativa e milhares de batismos ocorreram como resultado. O número total de membros continua a crescer.

Semanas e seminários de mordomia realizados anualmente em toda a Divisão são iniciativas que têm ajudado os membros a se transformarem em mordomos fiéis. O Ministério da Mordomia Cristã foi aperfeiçoado e, pela primeira vez, a Divisão conseguiu enviar à sede mundial um relatório dessa área. O percentual de membros dizimistas subiu de 19,5% em 2011 para 49% em dezembro de 2014. O alvo estratégico é alcançar 70% no fim de 2015.

Ministérios especiais

Ministério de surdos. Desde 2010, 503 surdos foram batizados. Cerca de 1.509 surdos frequentam a igreja regularmente na União Leste do Quênia. Um acampamento especial foi realizado em agosto de 2014. Cinco pastores surdos estão estudando Teologia na Universidade do Leste da África, em Baraton, e dez pregadores surdos leigos recebem um estipêndio mensal.

Programas de capelania. O ministério nas prisões do Quênia, da República Democrática do Congo, de Uganda e de Juba, no Sudão do Sul, tem obtido bons resultados missionários. No Quênia, 4.560 detentos foram batizados. Os membros adoram a Deus em 39 congregações dentro das prisões. Dez igrejas foram construídas e terrenos para outras vinte foram concedidos pelo governo à igreja.

Em Uganda, o ministério está pegando fogo em cidades como Amolatar, Jinja, Ishaka, Kasese e Kampala. O governo convidou a igreja para estender o ministério aos encarcerados a outras prisões do país. Em algumas delas, a denominação doou equipamentos de satélite para permitir aos detentos que assistam aos programas da igreja.

O cuidado dispensado aos estudantes das universidades públicas nunca foi tão bom, sobretudo no Quênia, onde o governo continua a remunerar capelães escolhidos pela igreja. Em alguns campi de universidades seculares, os administradores doaram terra para a construção de locais de adoração.

Ministério aos portadores do HIV/AIDS. As Uniões nomearam coordenadores para as vítimas de HIV/AIDS. Vários grupos de apoio aos portadores dessa doença foram organizados. Foram criadas associações de adventistas com HIV/AIDS e algumas estão registradas como organizações comunitárias, que oferecem uma série de programas.

Como parte dos esforços para transformar a própria comunidade em um local melhor para se viver, adventistas pintam uma delegacia na Tanzânia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Como parte dos esforços para transformar a própria comunidade em um local melhor para se viver, adventistas pintam uma delegacia na Tanzânia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Resultados

Neste quinquênio, a igreja na Divisão vivenciou o seguinte:

Os membros da igreja cresceram espiritualmente graças ao envolvimento comunitário em atos de compaixão e bondade. Muitas pessoas foram levadas a Cristo, reavivando a esperança.

O público geral se tornou mais ciente da presença da Igreja Adventista em seu meio e está procurando conhecê-la melhor. A mudança de percepção é vista com clareza em várias partes do território da Divisão.

Em uma área com mais de 350 milhões de habitantes, a igreja tem avançado com mensagens de esperança pelos meios de comunicação. A presença da igreja se faz sentir em lugares distantes e de difícil acesso. Vidas são positivamente transformadas todos os dias.

Sentimos alegria por pertencer a essa família global da fé e assumimos nossa posição com paixão e humildade. O processo de levar pessoas a Cristo — por meio do cuidado, ensino, da pregação e do discipulado — deve continuar enquanto aguardamos ansiosos a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Até esse dia chegar, lutaremos para nos unir na missão de preparar o mundo para o grande dia de reunião de todos os povos neste território da igreja mundial. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Assista também à apresentação do relatório no vídeo abaixo

A toda nação

Leia o relatório apresentado pelo secretário-executivo da igreja mundial, G.T. Ng, referente aos últimos cinco anos

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A Igreja Adventista do Sétimo Dia começou com um punhado de cristãos milleritas tentando compreender o grande desapontamento de 1844, quando Jesus não voltou conforme esperavam. Esse grupo pequeno de membros fiéis se recusou a deixar de lado a fé. Eles sacudiram o desânimo e, resolutos, obedeceram à ordem bíblica de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11, NVI).

Das cinzas da história, levantou-se um movimento do tempo do fim. Ao longo das décadas seguintes, esse pequeno grupo de adventistas cresceu e se transformou em um movimento profético global com mais de 18 milhões de membros. Eles se encontram em 216 dos 237 países e regiões do mundo reconhecidos pela ONU. Operam em 148.023 congregações, 173 hospitais, 2.164 escolas de ensino médio e superior, 21 indústrias de alimentos, 15 centros de mídia e 63 editoras. De um grupo desorganizado a uma igreja global — essa transformação nada mais é do que um milagre!

Na primeira assembleia da Associação Geral em 1863, em Battle Creek, Michigan, compareceram 20 delegados representando seis associações locais. Na época, contávamos com 3.500 membros em 125 igrejas, 22 pastores ordenados e oito ministros licenciados. Em contraste, a sexagésima assembleia da Associação Geral, em 2015, conta com a presença de 2.571 delegados oficiais. Eles representam 18.479.257 adventistas do sétimo dia de todos os continentes. Vêm de 132 uniões com 633 postos missionários/missões/associações. Aquilo que Deus tem operado pelo “pequeno rebanho” cresceu exponencialmente em 152 anos!

Em 2010, o total de membros ao redor do mundo era de 16.923.239. Três anos depois, em 2013, o total de membros da Igreja Adventista quebrou um recorde, alcançando o marco de 18 milhões pela primeira vez na história. Em dezembro de 2014, havia 18.479.257 adventistas ao redor do planeta. Comparando com o total de membros em 2010, temos agora 1.556.018 membros a mais do que no início do quinquênio.

Esse número de membros não inclui crianças não batizadas, nem tantos outros que se consideram adventistas do sétimo dia. Em Papua Nova Guiné, por exemplo, o registro do total de membros é de cerca de 250 mil. Mas um censo governamental recente revelou que quase um milhão de pessoas se considera adventista do sétimo dia. Muitos dos que saem da igreja continuam a se considerar adventistas. Na Jamaica, os registros indicam a existência de 262 mil membros. O censo do governo, porém, revela 323 mil pessoas que afirmam ser adventistas do sétimo dia. Em Chiapas, México, a situação é semelhante.

Historicamente, o ano de 1955 foi significativo porque foi a primeira vez que a denominação alcançou o total de um milhão de membros. Foram necessários 92 anos para sair de 3.500 membros em 1863 e alcançar um milhão em 1955. A marca de dois milhões de membros ocorreu dentro de 15 anos; três milhões, depois de oito anos; quatro milhões, após cinco anos; e cinco milhões, depois de três anos. A partir de então, levou cerca de dois anos para alcançar cada milhão adicional de membros. Louvado seja Deus!

Esse notável crescimento da igreja é especialmente significativo ao se levar em conta o declínio prevalente do total de membros entre as denominações protestantes tradicionais. De acordo com um relatório recente do periódico Christianity Today [Cristianismo Hoje], a Igreja Adventista é hoje a “quinta maior comunhão cristã do mundo, depois do catolicismo, o catolicismo ortodoxo oriental, o anglicanismo e as assembleias de Deus” (Christianity Today, 22 de fevereiro de 2015).

Muitos historiadores da igreja observaram que, ao longo dos últimos 50 anos, o centro do cristianismo mudou da América do Norte e Europa (norte do globo), para a África, Ásia e América Latina (sul do globo). O centro cristão na Europa está encolhendo, ao passo que, na África, Ásia e América Latina, ele se expande com velocidade surpreendente. O norte do globo é formado por continentes industrializados, que tradicionalmente enviavam missionários, ao passo que o sul do globo é reconhecido como campo missionário.

Esse deslocamento significativo do número de membros do norte para o sul efetuou uma mudança fundamental no cenário da Igreja Adventista do Sétimo Dia também. Em 1960, a igreja contava com 675 mil membros no sul do globo (54% do total mundial de membros). Meio século depois, o número de membros nessa região alcançou 16,9 milhões, 91,43% do total mundial. O norte do globo, em contrapartida, tinha 570 mil membros em 1960 e, em 2014, contava com quase 1,6 milhão, ou seja, 8,5% do total de membros ao redor do mundo.

Batismos

Essa redistribuição dramática dos membros do norte para o sul do globo também se reflete nas estatísticas batismais. Em 1960, os batismos no norte do globo representavam 31% do total e, no sul, 69% do total mundial, respectivamente. Em 2014, 97% dos batismos mundiais vêm do sul do globo e 3% do norte, uma mudança épica que aponta, por um lado, para o crescimento extraordinário da igreja e, por outro, para seu declínio.

As estatísticas do Departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa indicam que, em 2014, 1.167.796 pessoas entraram para a comunidade mundial da fé adventista, contra 1.901.22 em 2013 e 1.050.785 em 2010. Qual é o significado de mais de um milhão de pessoas passarem a pertencer à igreja em um ano? Significa que 3.199 novos membros entram para a igreja todos os dias, ou 133 por hora e 2,2 por minuto.

Em 2004, foi a primeira vez na história da Igreja Adventista que mais de um milhão de pessoas foi batizado em um ano. A empolgação tem continuado ao longo dos anos; 2014 foi o décimo ano consecutivo em que mais de um milhão de pessoas entrou para a igreja. Somente neste quinquênio, 6.618.689 pessoas se uniram à comunidade da fé adventista ao redor do globo pelo batismo e profissão de fé.

Igrejas

O plantio de igrejas é uma prioridade na iniciativa missionária da igreja. Os últimos números mostram que contávamos com 78.810 igrejas e 69.213 grupos em 2014. Em comparação com 2013, 2.446 novas igrejas abriram as portas para os adoradores em um ano, ou seja, 6,7 igrejas por dia. A cada 3,58 horas, uma nova igreja é plantada. O recorde anterior foi alcançado em 2002, com o plantio de 2.416 novas igrejas. O ano de 2014 entra para a história como o melhor de todos no plantio de igrejas.

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Quadro mostra o número de membros e de batismos registrados pela igreja entre 2010-2015. Fonte: Adventist Review

O ano passado foi excepcional nesses 152 anos de história da igreja. Foi o ano com o maior número de batismo e o maior número de igrejas plantadas. Também foi o décimo segundo ano consecutivo em que mais de 2 mil novas igrejas foram organizadas dentro do período de um ano. De modo geral, as 148.023 igrejas e grupos que a igreja tinha em 2014 representam um aumento de 12.678 sobre o total de cinco anos atrás. É notável constatar que, em média, foram acrescentadas 2.536 novas igrejas e grupos por ano desde 2010.

Crescimento

A taxa média de crescimento em 2014 foi de 1,85% ao redor do mundo. Em 2006, a taxa de crescimento foi de quase 5%, transformando-o em um dos melhores anos em termos de crescimento de membros. Com um índice anual de crescimento de 1,85%, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é considerada uma das denominações que cresce com maior rapidez no mundo. No entanto, a contemplação desse quadro de crescimento não seria completa sem relembrar os percalços. Nos cinco anos entre 2010 e 2014, 6.212.919 pessoas entraram para a igreja. Durante o mesmo período, 3.7171.683 membros saíram. Além daqueles membros que morreram, a taxa líquida de perda no quinquênio é de 60 a cada 100 conversos.

Essa porcentagem terrivelmente alta é resultado, em parte, de auditorias das secretarias das congregações, processo que identifica e remove do rol de membros pessoas que saíram da igreja ao longo dos anos. Contudo, mesmo olhando para os últimos 15 anos, anteriores à rodada recente de auditorias completas, as perdas equivalentes eram de 48%. Quer essas perdas correspondam a membros que deixaram a igreja neste quinquênio, quer se refiram aos adventistas cujas ausências só foram reconhecidas agora, são números trágicos que a igreja não pode aceitar.

Os processos de auditoria de membros começaram no quinquênio passado e ganharam velocidade neste quinquênio. As auditorias têm confirmado que a honestidade continua a ser a melhor política. Um rol de membros superior à realidade não é mais aceitável nas estatísticas mundiais. Olhando o lado positivo, a Holanda teve a alegria de descobrir, durante uma auditoria recente, que contava com mais membros na igreja do que se imaginava.

Desafios missionários

Nós nos orgulhamos por sermos a igreja mais internacional do mundo, estabelecida em 91% dos países e regiões reconhecidos pela ONU. Parabenizamo-nos por sermos fiéis à ordem profética de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11). Temos obtido relativo êxito em colocar em prática a grande comissão de fazer “discípulos de todas as nações” (Mt 28:19 e Lc 24:47).

Quando pensamos em “nações”, muitos se lembram de países como Mali, Egito ou Brasil. Todavia, as palavras no grego são panta ta ethne, que vão além de entidades geopolíticas. Elas apontam, na realidade, para os grupos etnolinguísticos dentro de cada nação. Jesus não estava dizendo que o evangelho deve ser proclamado dentro das fronteiras de todos os países politicamente definidos, mas, sim, em cada grupo cultural dentro desses países. A ordem de Jesus não era meramente a missão de entrar no máximo possível de países, ou de alcançar tantas pessoas quanto possível, mas, sim, de alcançar todos os povos do planeta.

Levando em conta o conceito da iluminação de panta ta ethne, podemos deduzir que o cumprimento da grande comissão não se mede pelo número de países nos quais entramos, por mais importante que isso seja, mas, sim, pelo fato de discipularmos todos os grupos de pessoas e estabelecermos congregações em todas as nações.

O Quênia é um caso em questão. Ele sempre foi o centro de nosso trabalho no leste da África. O país conta com um total gigantesco de membros: mais de 824 mil em duas uniões. A maioria dos membros provém de apenas quatro tribos, ao passo que há um total de 42 tribos no país. Estima-se que 70% dos adventistas do sétimo dia do Quênia pertençam a duas tribos, Kisii e Luo, e somente 25% façam parte das quatro tribos principais (Kikuyu, Luhya, Kalenjim e Kamba). Essa situação mostra claramente que as maiores tribos do Quênia são as menos alcançadas, apesar do imenso número de membros e das quase 10 mil igrejas e grupos.

Outro exemplo é a disparidade entre a missão rural e urbana. Muitos países desfrutam crescimento fenomenal em ilhas e vilas. Dezenas de milhares são batizados todos os anos. Embora aplaudamos a farta colheita no campo, devemos ter consciência dos vastos milhões de habitantes das cidades que necessitam das três mensagens angélicas, assim como as pessoas da zona rural. Uma melhor compreensão de panta ta ethne deve guiar nossa estratégia missionária, a fim de que englobe todos os grupos de pessoas, não só determinados segmentos da população.

A expressão panta ta ethne também subentende que a grande comissão não se limita a missões estrangeiras. Sem dúvida, a missão em outras terras é um componente crucial no cumprimento da grande comissão. Quatro quintos dos não cristãos do mundo nunca serão alcançados, a menos que sejamos intencionais no envio de missionários transculturais. Mas a grande comissão não se restringe às missões em terras estrangeiras. Todos os cristãos devem ter um foco ta ethne além das próprias portas, na comunidade em que vivem.

Existem grupos de pessoas de todos os tipos perto de nós. Elas podem morar na casa ao lado, no fim da rua ou do outro lado da cidade. Todos têm uma parte a desempenhar na missão da igreja. Todo o povo de Deus deve se engajar na missão.

Ellen White escreveu: “Deus espera serviço pessoal da parte de todo aquele a quem confiou o conhecimento da verdade para este tempo. Nem todos podem ir a terras missionárias estrangeiras, mas todos podem ser missionários entre os familiares e vizinhos” (Testemunhos para a Igreja, v. 9, p. 30).

Conclusão

A história da Igreja Adventista nos últimos cinco anos é de crescimento incessante e voraz: de 14 milhões de membros em 2005, para 17 milhões em 2010, para 18,5 milhões em 2014. O progresso constante da denominação seria inimaginável para nossos pioneiros em 1863, quando a Associação Geral foi organizada com apenas 3.500 membros.

Contudo, a despeito dos sucessos, grandes porções da Terra continuam não alcançadas. A Janela 10/40 contém 60% da população mundial, mas apenas 10% do total de adventistas. Das quinhentas cidades do planeta com mais de 1 milhão de habitantes, 236 se encontram dentro da Janela 10/40. O que devemos fazer?

Alguns desses desafios podem parecer intransponíveis da perspectiva humana. Mas Deus pode; suas promessas são garantidas. A certeza de Ellen White era indubitável quando escreveu: “Quando pensamos no conflito diante de nós e na grande obra que devemos realizar, trememos. Mas precisamos nos lembrar de que nosso Ajudador é todo-poderoso. Podemos nos sentir fortes em sua força. Devemos unir nossa ignorância à sabedoria dele, nossa fragilidade a seu poder, nossa fraqueza a sua força infalível. Por meio dele, podemos ser ‘mais que vencedores’” (Review and Herald, 9 de julho de 1901).

Temos a confiança de crer que até mesmo os países e povos menos evangelizados logo verão o cumprimento da promessa de Deus dada por intermédio do profeta Habacuque: “A terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas enchem o mar” (Hb 2:14, NVI). Essa é nossa esperança. Esse é nosso sonho. Somente o Deus soberano pode realizá-lo com toda rapidez! [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]


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Igreja Adventista já é a quinta maior congregação cristã do mundo 

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Tempo de agir

Relatório de Guillermo Biaggi, então presidente da Divisão Euro-Asiática, no dia 5, emocionou o público com histórias de fidelidade no leste europeu e na Rússia

 

As atividades evangelísticas da Divisão Euroasiática são projetadas para alcançar o máximo possível de pessoas. Crédito: departamento de comunicação da ESD

As atividades evangelísticas da Divisão Euro-Asiática são projetadas para alcançar o máximo possível de pessoas. Crédito: departamento de comunicação da ESD

O território da Divisão Euro-Asiática (Euro-Asian Division — ESD) da Associação Geral abrange uma área imensa, formada por onze fusos horários, treze países e uma população de 330 milhões de habitantes, os quais representam mais de duzentos grupos étnicos, professam o cristianismo, o islamismo, o budismo, o paganismo, o ateísmo e cuja maioria é influenciada por uma cosmovisão secularizada.

Evangelismo 7-7-7

A iniciativa 7-7-7 da igreja mundial, que conclamou os membros a se unirem em oração pela manhã e pela noite se tornou uma grande bênção. Em nossa Divisão, foi o ponto de partida para cada membro:

  • Dedicar pelo menos sete minutos por dia ao estudo da Bíblia.
  • Dedicar pelo menos sete minutos por dia para compartilhar as boas-novas.
  • Interceder diante de Deus por pelo menos sete pessoas.
  • Encontrar sete motivos por dia para agradecer a Deus.

O dia 15 de maio de 2013 foi a data de início de um período de “777 Dias de Evangelismo Contínuo”, que durou até a abertura desta assembleia mundial.

A fim de incentivar o maior número possível de missionários, a igreja organizou e realizou diversos congressos para pastores, anciãos e jovens, atraindo mais de 2 mil participantes em cada um deles. Programas de missão urbana começaram em duas capitais, Kiev e Moscou, a fim de abranger eventualmente todas as nove Uniões e 33 Associações, Missões e Postos Missionários.

Em outubro de 2013, foi inaugurada uma escola de evangelismo em Kiev para capacitar pastores, instrutores bíblicos e médicos missionários. O programa “Um Ano em Missão” facilitou o treinamento de equipes de jovens missionários. O conhecimento adquirido foi colocado em prática. Missionários compartilharam as boas-novas em ruas, praças, shopping centers e outros locais públicos.

Houve um tempo em que o território da Divisão Euroasiática era considerado um dos mais inacessíveis para a pregação do evangelho. Mas “a palavra de Deus não está presa” (2Tm 2:9). No fim da década de 1980, o Senhor abriu o Kremlin em Moscou. O evangelista Mark Finley pregou as três mensagens angélicas ali, resultando em milhares de batismos. Hoje, novamente o Senhor oferece oportunidades únicas. Em Kiev, na Ucrânia, e em Moscou, na Rússia, o canal de televisão Hope Channel conseguiu licença governamental, abrindo caminho para alcançar milhões de espectadores em potencial.

 

Jovens da Divisão Euroasiática estão envolvidos em atividades variadas de divulgação da mensagem, como evangelismo público e serviço à comunidade. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Jovens da Divisão Euroasiática estão envolvidos em atividades variadas de divulgação da mensagem, como evangelismo público e serviço à comunidade. Crédito: departamento de comunicação da ESD

De criminoso a testemunha do Senhor

Sete dos treze países da ESD são dominados pelo Islã e pertencem à Janela 10/40. Não é seguro pregar o evangelho ali, nem mesmo dentro de igrejas. Pregadores e missionários adventistas já foram expulsos muitas vezes desses países. Diante de tais circunstâncias, o testemunho pessoal é o método mais apropriado de evangelismo, sobretudo quando sai dos lábios de pessoas nativas.

Malik Ashirov, líder de um grupo do Cazaquistão, pertence à etnia uigur. Ele professa abertamente o cristianismo. Apesar de ser relativamente jovem, já passou mais de 15 anos da vida na prisão. Enquanto cumpria uma de suas penas, ouviu um pastor adventista falar sobre Jesus.

No dia 9 de agosto de 2000, guardas tiraram Ashirov de sua cela e ele foi solto em sistema de liberdade condicional. Seus companheiros de prisão e os guardas testemunharam o batismo dele, algo que nunca haviam visto antes.

O Senhor mudou a vida de Ashirov. Depois de sair da prisão, ele se casou e teve uma filha e um filho. As pessoas o veem muitas vezes com a Bíblia na mão. O testemunho cristão se transformou em seu propósito de vida.

Ventos de intolerância

Em seis países da Divisão, a maioria das pessoas pertence à Igreja Ortodoxa. As igrejas protestantes costumam ser consideradas estrangeiras, ao passo que a Igreja Ortodoxa dominante cria uma série de problemas. Em alguns países, a lei permite que os cristãos adorem ou preguem o evangelho somente em prédios dedicados para esse fim. Por isso, ter casas de oração é nossa única chance de testemunhar. Graças aos esforços de membros e pastores, com o apoio da igreja mundial, dezenas de novas capelas e centros de influência foram construídos.

Recentemente, membros e pastores da República da Bielorrússia realizaram algo que parecia impossível. Em apenas 45 dias de trabalho, eles construíram com as próprias mãos um prédio de quatro andares como centro de influência na cidade de Minsk. As paredes do novo edifício foram erguidas bem diante de nossos olhos, um testemunho de fidelidade e dedicação à obra.

Educação adventista do sétimo dia

Temos 25 escolas que oferecem educação cristã na Divisão Euroasiática.

Até pouco tempo atrás, nossa igreja não tinha permissão para administrar as próprias escolas. Mas assim que tivemos essa possibilidade, percebemos que nos faltavam as premissas necessárias para as atividades de ensino e aprendizagem. Com tantas pessoas que desejavam estudar em escolas da igreja, não perdemos tempo. Em resposta a esse desafio, os administradores das Associações Ucraniana Ocidental e de Bujovinskaya, da União Ucraniana, tomaram uma decisão incomum: desocuparam seus escritórios em Lvov e Chernovtsy a fim de acomodar salas de aula ali.

Ventos de guerra

Enquanto nos regozijávamos com nosso sucesso na pregação do evangelho na Ucrânia, ninguém previa a série de acontecimentos políticos que levaria a uma guerra com centenas de milhares de refugiados e migrantes forçados, com belas cidades e povoados transformados em ruínas.

A fim de aliviar o sofrimento e levar consolo aos sofredores, os adventistas da Ucrânia deram início à campanha “Anjo Oriental”. O objetivo do projeto é conseguir alimento e remédios para os necessitados, feridos e aflitos, bem como contribuir com a restauração de construções danificadas pela guerra. Pastores e membros criaram equipes de reforma e saíram para trabalhar no leste da Ucrânia.

Ao mesmo tempo, nossos membros da Rússia cuidaram daqueles que fugiram dos horrores da guerra. Refugiados eram instalados dentro das igrejas e em apartamentos particulares. Foram organizados programas de doação de refeições e alimentos, seguindo este preceito divino: “Partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado” (Is 58:7).

A igreja continua seu ministério em regiões assoladas pela guerra. Vez após vez, granadas explodem perto de casas de oração, causando morte e destruição. Mas assim que o ruído das armas silencia, ouve-se novamente o som de hinos e das orações. Os templos adventistas são literalmente ilhas de esperança dentro deste mundo louco e cruel.

Embora algumas igrejas tenham sido danificadas, até hoje, nenhum membro da igreja foi morto dentro das zonas de conflito. Louvamos ao Senhor e expressamos profunda gratidão aos líderes da igreja, a todas as Divisões e, em especial, às Divisões Interamericana e Intereuropeia, que nos apoiaram e estenderam uma mão ajudadora.

 

Os meios de transporte na Divisão Euro-Asiática são tão variados quanto sua população. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Os meios de transporte na Divisão Euro-Asiática são tão variados quanto sua população. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Jovens envolvidos na missão

Além de sua função direta, o ministério social da igreja ajuda os jovens adventistas a enxergar a própria missão e a colocar em prática suas virtudes.

Os jovens tomam a iniciativa de projetos sociais em lanchonetes que funcionam como igrejas, organizando concertos de caridade e ações governamentais, prestando auxílio aos idosos e enfermos, fazendo assim novos amigos para Jesus e fortalecendo a própria fé.

Isso também se evidencia pela energia dos jovens que competiram no evento “O Mundo da Bíblia”, que foi organizado em todos os níveis administrativos, desde as Associações até a Divisão. A vencedora, com maior conhecimento das Sagradas Escrituras, foi Tatyana Krashevskaya, da Ucrânia.

Nova tradução da Bíblia para o russo

A Bíblia não consiste apenas em uma fonte de conhecimento — é também a Palavra da Vida. A fim de levar a mensagem das Escrituras ao máximo possível de pessoas, o Instituto de Tradução da Bíblia, sediado em nosso Seminário Teológico Zaokski, foi criado na Divisão sob a liderança de Mikhail Petrovich Kulakov [autor do livro Ainda que Caiam os Céus], há mais de vinte anos. Hoje, a gigantesca tarefa de traduzir a Bíblia para o russo contemporâneo foi concluída e milhares de exemplares foram impressos.

Literatura distribuída como “folhas de outono”

Outro projeto foi a distribuição do livro missionário O Grande Conflito, de Ellen G. White. Mikhail Oskola, aluno do último ano do ensino médio, foi um dos muitos que participaram desse projeto. Em um ano, ele distribuiu mais de 5 mil livros! Foi entregue um total de 1,9 milhão de exemplares de O Grande Conflito na Divisão Euroasiática, na maioria dos casos, a versão completa.

Ao longo dos últimos cinco anos, cerca de 100 milhões de exemplares impressos se tornaram ferramentas para a proclamação das boas-novas.

Nosso Senhor disse a seus discípulos: “Mas recebereis poder […] e serão minhas testemunhas […] até os confins da Terra” (At 1:8). A península de Kamchatka pode ser considerada um dos “confins da Terra”. Essa terra de vulcões e gêiseres é cercada por mares gelados. Menos de 300 mil pessoas habitam as três cidades e os vários vilarejos. Mas o Senhor não se esquece deles e também envia seus mensageiros para lá.

Duas colportores-evangelistas, Yulia e Taisia, tinham o antigo sonho de visitar esse rincão da Rússia ainda não alcançado por missionários, a fim de testemunhar do amor de Cristo e de seu breve retorno. Confiando nas promessas divinas e buscando direcionamento em oração, elas pegaram a estrada. Levaram pouca bagagem, com exceção das caixas de livros que carregaram em uma minivan. Essas missionárias percorreram longas distâncias — a pé, de ônibus ou de carona — durante um ano e meio. No fim do outono, a maioria dos livros já havia sido distribuída.

Yulia e Taisia estavam em Kozyrevsk, uma vila de pescadores que fica a cerca de 500 km da cidade mais próxima. A vila tem apenas cerca de mil moradores. Para a surpresa delas, encontraram um grupo de pessoas sedentas pela verdade. Depois de terminarem o trabalho e partirem da vila, Yulia e Taisia receberam uma carta dos novos amigos, pedindo que voltassem. Embora o inverno já tivesse chegado, essas duas mulheres pegaram a estrada de novo. Em meio a precipitações e tempestades de neve, elas precisaram caminhar na neve, que chegava a bater no meio das pernas. No entanto, o compromisso de espalhar a Palavra de Deus superava qualquer obstáculo. Vindos de todas as partes da vila, aqueles que desejavam estudar a Palavra de Deus se reuniam em uma pequena casa na qual as duas mulheres estavam ficando. Depois de um tempo, convidaram um pastor. Cinco pessoas foram batizadas. Assim um grupo adventista foi plantado em uma pequena vila de pescadores.

Em muitas dessas regiões remotas, desconectadas da civilização, as pessoas não têm acesso à televisão por satélite, internet ou até mesmo à energia elétrica. Os povos nativos — aleutians, komis, evenkis, khantys, mansis, nenets, chukchis e outros — também necessitam ouvir a mensagem salvadora do Jesus que pode mudar a vida deles para melhor e transformá-los em parte da família global de Deus. Orem por nós!

Chegou o tempo de agir

Agradecemos e louvamos a Deus pelo caminho que trilhamos até aqui. Com fé em seu breve retorno, estamos indo para o alto, através e além, a fim de alcançar os habitantes de vilarejos remotos e das grandes cidades. Os habitantes do extremo norte e da Sibéria, do Cáucaso e do Afeganistão, da Ásia Central e do Extremo Oriente estão aguardando os mensageiros de Deus. A fim de cumprir essa missão, a igreja tem buscado o poder do Espírito de Deus mediante oração fervorosa e compromisso inabalável. Chegou o tempo de agir. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Misturar-se, conhecer, convidar

Saiba quais os avanços e desafios da missão no Oriente Médio e Norte da África

Criança refugiada síria estuda em um dos centros de influência. Crédito: Chanmin Chung

Criança refugiada síria estuda em um dos centros de influência. Crédito: Chanmin Chung

No dia 1o de janeiro de 2012, a União Norte-Africana Oriente Médio (Middle East and North Africa Union Mission — MENA) deu os primeiros passos para enfrentar um desafio que parecia impossível.

Após mais de cem anos de trabalho na região, a igreja, além de pequena, estava diminuindo em número de membros. Por isso, em 2011, buscando dar maior atenção a essa parte do globo, a Associação Geral votou a criação da MENA, ligando-a diretamente à sede da igreja mundial.

Esse território, que é maior do que a maioria das Divisões mundiais da Igreja (com exceção de três), engloba vinte países e mais de 500 milhões de pessoas. É aí que começam seus desafios.

Primeiro desafio

Se todos os adventistas da Divisão Norte-Americana (North-American Division — NAD) fossem divididos, de maneira que não houvesse dois vivendo na mesma comunidade e cada membro entrasse em contato com um indivíduo por dia, todas as pessoas que vivem na NAD seriam abordadas em um ano. Levaria dois anos para fazer o mesmo na Índia, cinco meses na Divisão Sul-Americana, quatro meses nas Filipinas e 58 dias na Divisão Sul-Africana Oceano Índico.

No caso da MENA, entretanto, se cada membro adventista se mudasse para uma cidade diferente e entrasse em contato com uma pessoa por dia, levaria quase 450 anos para fazer o primeiro contato com cada indivíduo que habita atualmente nesse território.

Expressando de forma simples, temos poucos membros para alcançar uma vasta população. E isso nos leva a outro problema.

Segundo desafio

Os membros adventistas ao redor do mundo não compreendem a situação e as condições da vida no Oriente Médio e Norte da África e hesitam em vir ajudar. Os habitantes e governos, por sua vez, não compreendem quem são os adventistas e não querem que venhamos. Eles acham que todos os cristãos consomem bebidas alcoólicas, comem carne de porco, adoram imagens, vivem como as pessoas retratadas nos filmes e querem começar “cruzadas” para extorquir seu petróleo.

Às vezes, todos esses desafios parecem impossíveis de se vencer, como a rápida correnteza do rio Jordão que os israelitas enfrentaram em Josué 3. Mas Israel tinha uma missão e seguiu em frente. A MENA também tem uma missão. Pensando nisso, adotamos a estratégia de “plantar” adventistas! Deus necessita de membros adventistas comprometidos que estejam dispostos a ser plantados em comunidades de toda a região — pessoas dispostas a entrar na água (assim como Israel no Jordão), muito embora pareça impossível atravessar o rio; pessoas que se misturem àqueles que estão a sua volta, atendam suas necessidades, conquistem-lhes a confiança e os convidem a seguir a Jesus.[i]

A seguir, citamos algumas formas usadas pela MENA na tentativa de plantar pessoas em comunidades nas quais vidas são impactadas e transformadas, uma de cada vez.

Alunos valdenses estudam a Bíblia com amigos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Crédito: Chanmin Chung

Alunos valdenses estudam a Bíblia com amigos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Crédito: Chanmin Chung

Alunos valdenses

Em muitos aspectos, a Reforma Protestante deve sua existência ao sacrifício de dedicadas famílias valdenses. Com frequência, os valdenses enviavam seus jovens mais inteligentes e íntegros ao coração do território inimigo, matriculando-os nas principais universidades da época. Lá esses jovens plantaram silenciosamente as sementes da Reforma. Muitos deles regaram tais sementes com o próprio sangue.

Seguindo suas pegadas, o Programa de Alunos Valdenses da MENA planta jovens comprometidos nas principais universidades. No ano passado, a MENA matriculou 23 alunos valdenses e, em 2015, 46 jovens estão fazendo a diferença nessas comunidades acadêmicas.

Em uma cidade, um grupo de alunos valdenses estudou o idioma com afinco ao longo de 2014. Ao fazer o exame de qualificação, porém, não conseguiram notas suficientes para ingressar na universidade que haviam escolhido. Eles se mudaram para uma nova cidade, sentindo-se desapontados. Contudo, dentro de três meses, haviam feito muitos novos amigos e dado início a diversos estudos bíblicos. Após uma semana especial de cultos à noite com um obreiro bíblico experiente, dez colegas de classe dos alunos valdenses entregaram o coração a Jesus e pediram para se preparar para o batismo.

Centros de influência

Às vezes, a MENA planta pessoas em uma comunidade como parte de um pequeno comércio ou serviço. O objetivo desses centros de influência (CDI) é atender as necessidades da comunidade e desenvolver amizades. Sete CDIs se encontram em funcionamento atualmente no território da MENA.

Rachael[ii] cuida de um CDI para refugiados sírios em um dos países. Hoje ela conta com cinquenta a setenta refugiados que participam da Escola Sabatina a cada semana e muitos estão fazendo estudos bíblicos.

Enquanto morava na Síria, certa mulher nutria o desejo de aprender sobre Jesus e a Bíblia, mas não havia ninguém que a ensinasse sobre Ele. Até mesmo um padre que ela visitou lhe disse que era impossível ensiná-la sobre a Bíblia, a menos que saísse do país. Então a guerra começou e ela precisou fugir junto com a família. A vida de refugiada era difícil, mas certo dia conheceu Rachael no CDI. Ela está empolgada por poder estudar a Bíblia e já aceitou a Jesus como seu Salvador pessoal.

Emprego em tempo integral

A MENA não consegue vistos para missionários ou obreiros regulares da igreja entrar em muitos países do Oriente Médio e Norte da África. Todavia, muitos profissionais estrangeiros são contratados todos os anos para trabalhar nessas regiões. O emprego em tempo integral é um programa que planta profissionais adventistas dedicados nesses lugares de difícil acesso. Às vezes, esses indivíduos são chamados de “construtores de tendas”, porque eles trabalham para se sustentar, assim como o apóstolo Paulo fazia.

Uma pintura do projeto “Testemunho na Parede”. Crédito: Levon Kotanko

Uma pintura do projeto “Testemunho na Parede”. Crédito: Levon Kotanko

Melody abriu um spa. Suas clientes ficam impressionadas porque ela sacrifica as entradas financeiras ao fechar o estabelecimento no sábado a fim de adorar a Deus. Elas começaram a lhe fazer perguntas e Melody passou a partilhar a Bíblia com elas. Muitas de suas clientes fiéis se tornaram amigas e, em alguns casos, companheiras secretas de oração.

Testemunho na parede

Uma de nossas iniciativas singulares é o projeto “Testemunhando na Parede”, que usa a arte para criar conexões poderosas entre artistas adventistas e jovens urbanos, estudantes de arte e líderes comunitários em várias cidades.

Oportunidades

As portas estão se abrindo ao nosso redor. Muitas pessoas têm questionado o próprio sistema de crenças ao testemunhar atos brutais de violência sendo praticados em nome da religião. Esses interessados não estão abertos ao conselho de “pagãos comedores de porco e bebedores de vinho”. No entanto, quando se tornam amigos de um adventista dedicado, ficam impressionados com o que descobrem e se abrem para ouvir mais. O problema é que a MENA não conta com nenhum membro adventista vivendo na maioria dessas imensas comunidades para poder responder às perguntas das pessoas.

Essa é nossa realidade. A MENA tem grandes desafios nessa parte do globo, mas também há projetos ousados para ampliar a pregação do evangelho. Para que se tornem realidade, precisamos de pessoas disponíveis. Você está disposto a aceitar um desafio aparentemente impossível e se unir a nós? Enquanto entramos andando na água, Deus abre o rio e termina a obra.

Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!

Homer Trecartin é presidente da União Missão do Oriente Médio e Norte da África

[i] Ver Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 143.

[ii] Todos os nomes foram modificados.

[Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Uma mensagem de esperança

Relatório mostra as estratégias usadas pela igreja para o evangelismo no território da Divisão Norte-Americana

O campori internacional de desbravadores em Oshkosh, Wisconsin, em agosto de 2014, deu aos desbravadores e seus líderes oportunidades de crescimento espiritual e social. Foto: Brayant Taylor

O campori internacional de desbravadores em Oshkosh, Wisconsin, em agosto de 2014, deu aos desbravadores e seus líderes oportunidades de crescimento espiritual e social. Foto: Brayant Taylor

A Divisão Norte-Americana (DNA), que abrange os Estados Unidos, Canadá, Bermudas, Guam e Micronésia, é uma das regiões mais diversificadas da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Sua população de 350 milhões de habitantes possui representação de quase todos os grupos étnicos do planeta. Tal realidade apresenta a maravilhosa oportunidade de alcançar diversos grupos de pessoas, mas é também um desafio imenso para uma das mais novas Divisões da igreja mundial. Atualmente, cerca de 1,2 milhão de adventistas participam de 5.400 igrejas e grupos. Essas congregações são lideradas por 3.200 pastores que cuidam, lideram, educam e evangelizam não só as igrejas locais, mas também as comunidades em volta delas.

A Igreja Adventista é conhecida na América do Norte por seu sistema educacional e pelas 1.200 instituições de ensino (da pré-escola à universidade) que administra. Também atende a saúde de suas comunidades locais por meio do sistema adventista de saúde, que estende o ministério da cura a mais de 17 milhões de pessoas por ano. Ao longo dos últimos cinco anos, mais de 193 mil pessoas foram batizadas na Divisão Norte-Americana.

Liderança

A Igreja Adventista do Sétimo Dia foi fundada na América do Norte em 1863 e sua primeira atividade missionária se concentrou ali. No entanto, a região só foi oficialmente organizada como Divisão em 1985, quando Charles E. Bradford foi nomeado seu primeiro presidente.

Em 2010, na 59ª assembleia da Associação Geral, uma nova equipe foi eleita para liderar a Divisão Norte-Americana e seus mais de um milhão de membros no cumprimento da missão da igreja. Os novos líderes logo compreenderam a tarefa de criar novas abordagens para cumprir a comissão evangélica. Foi desenvolvido um plano evangélico intitulado REACH North America [ALCANCE a América do Norte]. Sua missão é alcançar não só América do Norte, mas o mundo inteiro, com a mensagem distintiva e cristocêntrica de esperança e integralidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O objetivo era que o programa ALCANCE se tornasse parte da cultura da igreja e um estilo de vida.

Os líderes e administradores da Divisão Norte-Americana se reuniram em Virgínia, em 2014, para pensar em formas de enxugar as estruturas administrativas da igreja a fim de melhorar a efetividade e a eficiência. Foto: Adventist Review

Os líderes e administradores da Divisão Norte-Americana se reuniram em Virgínia, em 2014, para pensar em formas de enxugar as estruturas administrativas da igreja a fim de melhorar a efetividade e a eficiência. Foto: Adventist Review

Blocos construtores

Depois que esse plano foi desenvolvido e comunicado a todas as esferas da Divisão, metas chaves, conhecidas como “blocos construtores”, foram desenvolvidas para prover foco na missão e uma base para a disseminação da mensagem de esperança e integralidade. Essas iniciativas se concentraram em seis áreas chaves:

A Comunidade Adventista de Ensino — Alcançar as pessoas por meio de uso de ensino e capacitação online é o objetivo da comunidade adventista de ensino. Milhões de pessoas fazem cursos virtuais de educação, recreação e desenvolvimento de carreira. O objetivo desse bloco construtor é usar os diversos recursos criados por muitas instituições de ensino e centros de recursos da igreja, apresentando-os em uma plataforma online que pode ser acessada por membros e outros. As igrejas locais podem usar tais recursos para ajudar a alcançar as comunidades locais e proporcionar treinamento. Os membros podem usá-los para fortalecer as próprias habilidades.

Vida de Jovem — Essa iniciativa envolve encontrar novas formas de incorporar os jovens adultos à vida da igreja. Somente 30% dos jovens permanecem na igreja depois de terminar a faculdade ou universidade. Ao ser encontradas maneiras inclusivas de torná-los parte do ministério da igreja, os jovens se transformarão em parte integral da vida e do evangelismo da Divisão Norte-Americana.

Grupos de Imigrantes e Refugiados — A cada três membros da igreja na Divisão Norte-Americana, uma pessoa pertence a um grupo de imigrantes ou refugiados. Tal realidade consiste em um desafio e uma oportunidade tremenda de alcançar o mundo por meio dos vários grupos étnicos que vêm viver por aqui. Atualmente, os imigrantes e refugiados são um dos segmentos da igreja na América do Norte que mais cresce.

Mulheres no ministério pastoral — O aumento do número de mulheres em posições pastorais é parte importante e estratégica das metas gerais da Divisão. As pastoras desempenham papéis vitais no evangelismo e no cuidado com os membros da igreja. Hoje somente 107 pastoras atuam na Divisão e grande parte do grupo de pastores se aposentará em breve. O objetivo é dobrar, ao longo dos próximos cinco anos, o número de pastoras empregadas pela igreja.

Mídias sociais — O uso das mídias sociais mudou a forma de comunicação da igreja, não só com seus membros, mas também com o mundo em geral. À medida que a sociedade se torna mais secular, novos métodos evangelísticos devem ser utilizados para alcançar segmentos populacionais que nunca pisariam em uma igreja adventista tradicional.

Evangelismo transformacional — Na Divisão Norte-Americana, mais de cinquenta regiões urbanas abrigam uma população de no mínimo um milhão de habitantes. Proporcionalmente falando, as áreas urbanas são os pontos de menor sucesso da igreja no que se refere ao evangelismo e alcance de pessoas. Novos métodos devem ser desenvolvimentos para alcançar a população sempre crescente das cidades.

A Divisão Norte-Americana enfrenta hoje desafios que não poderíamos imaginar em gerações anteriores. Deus nos dará a graça e o poder para realizar grandes coisas na implementação dessas iniciativas.

Tais iniciativas são singulares por ajudarem a derrubar os nichos que tipicamente se formam quando departamentos e ministérios se concentram apenas em suas respectivas áreas de especialidade. Quando objetivos em comum exigem que ministérios diferentes trabalhem juntos em prol do mesmo resultado, grandes coisas podem acontecer pelo Senhor.

Um exemplo disso é a igreja de Paradise Valley em San Diego, Califórnia. Ela está localizada perto do antigo Paradise Valley Hospital, que foi fechado vários anos atrás após uma recessão na economia local. O pastor Will James abriu um ministério de refugiados na igreja. Programas de alimentação, aulas de inglês como segunda língua e uma loja de artigos usados provê a ajuda tão necessária à população de imigrantes que cresce com rapidez. Hoje a igreja conta com a representação de mais de sessenta grupos culturais e o número de membros cresceu. Atualmente está planejando maneiras de alcançar os mais de trezentos mil membros da comunidade árabe que imigraram para a região. Esse projeto bem-sucedido mostra como as iniciativas para grupos de refugiados e imigrantes, bem como o evangelismo transformacional, podem desempenhar um papel chave na vida da igreja e atender as necessidades da comunidade local, ao mesmo tempo em que alcança a grande população urbana com novos métodos de evangelismo.

Saúde e Evangelismo

É possível que os programas de alcance à comunidade de maior sucesso na Divisão Norte-Americana tenham sido os eventos Bridges to Health [Pontes para a saúde] e Your Best Pathway to Health [Seu melhor caminho para a saúde] realizados respectivamente em San Francisco e Oakland, Califórnia, em 2014, e em San Antonio, Texas, em 2015. Tais eventos foram parcerias entre as Indústrias e Serviços de Leigos Adventistas [Adventist-laymen’s Services and Industries — ASI], Divisão Norte-Americana e Sistema de Saúde Adventista. Tais projetos proporcionaram cerca de 24 milhões de dólares de cuidados médicos gratuitos a mais de oito mil pessoas durante um período de cinco dias. Os projetos foram liderados pela Doutora Lela Lewis, presidente da ASI na União do Pacífico, que sonhava em ministrar às necessidades físicas e espirituais dos pobres e das pessoas sem seguro médico que vivem nas grandes cidades. Mais projetos estão sendo planejados para o futuro próximo e o objetivo é expandir as áreas regionais, a fim de que mais pessoas sejam alcançadas.

Novo território

Profissionais adventistas de saúde de toda a América do Norte foram ao Alamodome, em San Antonio, a fim de prover cuidados gratuitos de saúde a milhares de pessoas que participaram do evento de dois dias denominado Seu Melhor Caminho para a Saúde. Créditos: Kenn Dixon Photography, SWRGC Communications

Profissionais adventistas de saúde de toda a América do Norte foram ao Alamodome, em San Antonio, a fim de prover cuidados gratuitos de saúde a milhares de pessoas que participaram do evento de dois dias denominado Seu Melhor Caminho para a Saúde. Créditos: Kenn Dixon Photography, SWRGC Communications

Outro desafio singular da Divisão foi a transferência da Missão Guam-Micronésia (MGM) para o território administrativo norte-americano. Essa oportunidade missionária notável traz um campo missionário estrangeiro diretamente para dentro do território da Divisão e proporciona um novo vislumbre dos desafios e das oportunidades que a missão enfrenta. A MGM conta com mais de 5 mil membros e 21 igrejas. Também dá emprego na área letiva para muitos estudantes missionários nas diversas escolas missionárias localizadas nas ilhas. A igreja opera ainda um hospital e uma clínica de saúde a fim de atender as necessidades médicas dos moradores. Esse método direto de contato é vital para alcançar as culturas diversas que formam a Missão.

Ministérios nos meios de comunicação

Em 2013, a Divisão Norte-Americana tomou várias decisões importantes acerca de como administraria seus ministérios nos meios de comunicação. O centro de mídia adventista em Simi Valley, Califórnia, foi fechado e os ministérios que ali funcionavam foram realocados. Isso deu aos ministérios a oportunidade de evoluir suas abordagens a fim de atender as necessidades de seu público, que passa por um rápido processo de mudança. It Is Written [Está Escrito], dirigido por John Bradshaw, mudou para Chattanooga, Tennessee. Faith for Today [Fé para Hoje], com Mike e Gail Tucker, La Voz de la Esperanza [A Voz da Esperança], liderado por Omar Greive e Jesus 101, dirigido por Elizabeth Talbot, se mudaram para escritórios em Riverside, Califórnia. Breath of Life [Fôlego de Vida], sob a direção de Carlton Byrd, permaneceu no campus da Oakwood University, e o programa Voice of Prophecy [A Voz da Profecia], com a nova equipe de liderança formada por Shawn e Jean Boonstra, passou a ser produzido em Loveland, Colorado.

A despeito dessas transições, os esforços evangelísticos dos ministérios nos meios de comunicação continuaram fortes, com grandes eventos realizados em Edmonton, Alberta, Canadá, por John Bradshaw; em Huntsville, Alabama, por Carlton Byrd; em Minneapolis, Minnesota, por Shawn Boonstra; na cidade de Nova York, por Omar Grieve; em Atlanta, Geórgia, por Mike e Gail Tucker com a série Mad About Marriage [Loucos pelo Casamento]; e por Elizabeth Talbot, com seu foco na capacitação de pessoas para conduzir outros a Jesus.

Impressões e publicações

Outra mudança foi a transferência de controle administrativo da casa publicadora Pacific Press, localizada em Nampa, Idaho. Anteriormente, a Pacific Press era controlada e operada pela Associação Geral, junto com a Review and Herald Publishing Association (RHPA) em Hagerstown, Maryland. Em junho de 2014, os membros da diretoria da RHPA votaram cessar as operações de impressão em Hagerstown e autorizaram um plano para transferir os bens para a Pacific Press, que passaria a ser controlada e operada pela Divisão Norte-Americana a fim de atender melhor às necessidades de publicações da Divisão.

Oakwood University

Uma das últimas mudanças na Divisão Norte-Americana ocorreu no fim de 2014, quando o colegiado da Oakwood University votou a transferência de suas operações da Associação Geral para a Divisão Norte-Americana. Isso transforma a Oakwood University na única instituição adventista de ensino superior que a Divisão possui e administra. As Uniões Associações locais cuidam de todas as outras instituições de ensino superior. Oakwood possui uma rica história educacional dentro da igreja e a Divisão está empolgada em relação às possibilidades que ela proporcionará no treinamento missionário de futuros pastores e líderes da igreja.

Oportunidades missionárias

Os membros da Divisão Norte-Americana são um microcosmo das populações mais amplas que vivem na América do Norte e a chamam de lar. Por isso, as oportunidades missionárias são vastas . Deus nos mostrará o caminho enquanto lutamos para alcançar as pessoas da América do Norte com uma mensagem de cura, esperança e integralidade.

 Daniel R. Jackson é presidente da Divisão Norte-Americana

[Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Líder mundial desafia igreja a seguir adiante

Pastor Ted Wilson enfatiza continuidade ao apresentar relatório de sua gestão

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Seguindo a tradição de dedicar a primeira noite das assembleias mundiais da Igreja Adventista para o relatório do presidente, na noite de ontem, dia 2, em San Antonio (Texas), os delegados acompanharam um resumo dos principais projetos da gestão de cinco anos do pastor Ted Wilson. O relatório, que se estendeu por cerca de 1h30, foi entrecortado por vídeos que apresentaram as iniciativas mais importantes da sede mundial no quinquênio.

Neto de pastor e filho de um ex-presidente da Associação Geral, Neal Wilson, o líder mundial foi eleito para a função na assembleia de 2010, em Atlanta (Geórgia), assumindo um discurso claro de reavivamento e reforma espiritual. “O desafio de seguir em frente não foi lançado no último quinquênio, mas há milhares de anos”, disse Wilson, ao fazer referência aos desafios do povo de Deus ao longo da história. No vídeo preparado para o relatório, o líder aparece em lugares importantes da Terra Santa, como a cadeia de montanhas do Sinai e diante do Mar Vermelho, refletindo sobre a experiência dos israelitas. Wilson também destacou que Deus tem guiado sua igreja desde o começo humilde no século 19 até hoje, quando ela é apontada como a quinta maior denominação do mundo e a que mais cresce entre as igrejas protestantes.

Olhando para trás

No relatório, Wilson relembrou as ênfases do quinquênio. Ele incentivou cada membro a buscar um reavivamento e reforma pessoal e a orar pela atuação final do Espírito Santo na igreja e no mundo. Esse apelo urgente do líder foi expresso no primeiro concílio anual de sua gestão, em 2010, quando foi votado o documento “Reavivamento, Reforma, Discipulado e Evangelismo”. Dois desdobramentos práticos dessa declaração foram o projeto Reavivados por Sua Palavra, que incentivou a leitura diária de um capítulo da Bíblia, e a campanha dos dez dias de oração e dez horas de jejum.

Nos discursos, Ted Wilson tem enfatizado a origem, identidade e missão profética do movimento adventista. Tem sido duro também contra os teólogos e cientistas que trabalham para a denominação e flertam com o evolucionismo teísta. Em agosto de 2014, no sul de Utah, num congresso sobre Bíblia e ciência, ele chegou a pedir que os professores que assumem essa postura em sala de aula, deveriam ser fiéis à própria consciência e pedir demissão (leia mais sobre isso aqui). No relatório, Wilson elogiou o trabalho sério de pesquisa realizado pelo Instituto de Pesquisas em Geociências, a produção do filme A Criação e os eventos sobre criacionismo realizados ao redor do mundo.

Literatura e missão urbana

Wilson também tem demonstrado grande apreço pelos escritos de Ellen White. Isso fica claro em seus sermões e artigos, ao citar vários textos da mensageira do Senhor e ao usar os trechos mais conhecidos da pioneira como base para projetos institucionais. Assim ele fez em relação à ênfase no reavivamento e reforma, principal mote de sua gestão, bem como em relação ao projeto de distribuição de literatura e evangelismo urbano. Foi no último quinquênio que 140 milhões de exemplares do livro O Grande Conflito, e versões condensadas dele, foram entregues ao redor do mundo. Somente no Brasil, 35 milhões de cópias de A Grande Esperança foram entregues em 2012 e 2013 (clique aqui para saber mais).

Foi no último quinquênio também que a denominação fez um grande esforço para que Nova York sediasse um projeto-piloto de missão urbana. Para tanto, jovens de todas as regiões do mundo participaram da iniciativa com o intuito de replicá-la em sua terra natal (projeto “Um ano em missão”). Como resultado, mais do que dezenas de projetos sociais, 400 pontos de pregação e 5.300 pessoas batizadas, o programa, na visão de Wilson, teve o papel de lembrar que a orientação de Ellen White sobre o trabalho nas metrópoles exige uma abordagem mais completa e a longo prazo do que a que temos utilizado.

O entusiasmo do presidente por evangelismo urbano vem de longa data. Wilson começou seu ministério pastoral em Nova York e pesquisou em sua tese doutoral, na Universidade de Nova York, o que Ellen White propõe como estratégias evangelísticas para a Big Apple. Conselhos que podem servir de protótipo para qualquer metrópole mundial. Nos últimos cinco anos, o líder fez questão também de dirigir pessoalmente várias séries evangelísticas, seja nas Filipinas, onde 10 mil pessoas foram batizadas, ou mais recentemente no Zimbábue, onde 30 mil se uniram à igreja. Para dar respaldo teológico e fomentar o envolvimento dos adventistas na iniciativa “Missão para as cidades”, foi lançado no último quinquênio o livro Ministério para as Cidades, uma compilação dos escritos de Ellen White sobre o tema.

Saúde e web

Atrelada a essa visão sobre missão urbana, a sede mundial incentivou a prática e o ensino da mensagem de saúde, prova disso é o assunto do livro missionário deste ano, Viva com Esperança, distribuído aos milhões na América do Sul no fim de maio. Wilson chama de “evangelismo transformacional” a combinação de pregação e cuidados com a saúde. Essa foi a tônica de uma conferência realizada em Genebra, Suíça, em julho de 2014, para 1.300 delegados de 83 países. Outro investimento da igreja nos últimos anos foi a evangelização via internet. Os encontros mundiais de profissionais da web (GAiN) ganharam versões regionais, a exemplo da América do Sul, e neste ano teve sua primeira edição online.

Em seu discurso, Ted Wilson se valeu da atuação de Deus no passado para inspirar os fiéis a confiarem na condução dele no futuro. De 2010 a 2015, o adventismo celebrou datas importantes: os 150 anos da escolha do nome da denominação (2010), da organização da igreja (2013) e dos cem anos da morte de Ellen White (2015). Evidências de que os adventistas já estão fazendo hora extra aqui na Terra e, portanto, precisam resgatar o senso de urgência em relação ao tempo em que vivem. Afinal, como disse Wilson: “chegamos à beira da eternidade”. [Wendel Lima, equipe RA]


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