Eles nos representam

O modelo de governo representativo e a realização de assembleias têm precedente bíblico

assembleia-San-Antonio-2015-02.07-creditos-leonidas-guedes-4De praticamente cada nação do globo, há representantes dos adventistas do sétimo dia em San Antonio, Texas. Eles vão passar os dias 2 a 11 de julho acompanhando a 60ª assembleia da Associação Geral. O evento, descrito por Sheri Clemmer, uma das suas organizadoras, como uma “reunião campal gigante”, deve receber, além dos 2.570 delegados, mais de 65 mil visitantes nos cultos sabáticos. O encontro irá gerar um impacto missionário na metrópole, que receberá projetos sociais dos adventistas e conhecerá a face multicultural da igreja. No entanto, as principais finalidades da reunião são administrativas e doutrinárias.

Nas assembleias mundiais, são apresentados os relatórios das atividades e do progresso de cada uma das 13 regiões administrativas da igreja (divisões). Os delegados – grupo formado por administradores, pastores, funcionários de linha de frente e membros da igreja – elegem os líderes da sede mundial da igreja e das 13 divisões. Eles também podem decidir mudanças no Manual da Igreja e na redação das crenças fundamentais da denominação (Nisto Cremos). O sistema de assembleias mantém a unidade e a representatividade da igreja e é necessário por causa do modelo administrativo adotado pelos adventistas.

Algumas igrejas cristãs são regidas por um líder carismático, que legisla a ordem e, às vezes, a doutrina da igreja (modelos papista e personalista). Outras mantêm cada congregação local bastante independente em questões de ordem, finanças e costumes (modelo congregacionalista). Já os adventistas mesclaram o sistema episcopal dos metodistas com o modelo presbiteriano de governo. O resultado foi uma estrutura representativa, com uma hierarquia flexível, mas com as decisões sendo tomadas pelas comissões de delegados. Não é uma democracia no sentido de que cada membro pode votar no que a denominação vai crer ou quais práticas vai seguir. Mas harmoniza-se com o ensino bíblico sobre a igreja e com a doutrina do sacerdócio de todos os cristãos.

Portanto, as crenças e procedimentos da igreja não são definidos pelo presidente da Associação Geral e outros líderes eclesiásticos, como alguns podem ser tentados a pensar. As decisões que afetam a igreja como um todo são tomadas por representantes de todo o mundo em assembleias como a que ocorre no Texas.

Sistema já aprovado

O sistema, aparentemente moderno, foi elaborado a partir de princípios seguidos pelos apóstolos. Obviamente, no primeiro século não havia a necessidade de uma estrutura como a de hoje. Mesmo assim, os primeiros cristãos tomaram grandes decisões em assembleias gerais.

Na história narrada em Atos 15, a unidade do cristianismo estava ameaçada por uma difícil questão: a inclusão dos não judeus na igreja. As congregações estabelecidas fora da Judeia enviaram representantes a Jerusalém a fim de arbitrarem o procedimento teologicamente correto quanto ao assunto. A Bíblia fala da diversidade dos representantes: eram “apóstolos e presbíteros” (v. 6). Menciona os relatórios (v. 4) e descreve o debate e a argumentação bíblica do tema (v. 7 a 19). O consenso foi estabelecido e um documento com as resoluções foi publicado e enviado a todas as igrejas (v. 20, 21, 23 a 30). Líderes foram eleitos com a responsabilidade de fazer valer as resoluções do concílio e manter a unidade da igreja (v. 22). Todos esses são procedimentos usuais nas reuniões administrativas da Igreja Adventista.

Apesar da enorme distância no tempo e espaço entre Jerusalém e San Antonio, ambas as assembleias compartilham os mesmos princípios. Assim como o apego à Palavra de Deus manteve a unidade há tanto tempo, é ainda indispensável para preservar a harmonia da igreja. A Bíblia, a base da nossa fé, é também o cimento de nossa unidade denominacional.

Fernando Dias é pastor e editor de livros didáticos na CPB


 

Para saber +

Andrew McChesney, “Surpresas em San Antonio”, em Adventist World, junho de 2015.

George R. Knight, Uma Igreja Mundial (CPB, 2000).

Wendel Lima, “Lições da nossa história”, Revista Adventista, maio de 2013.

Manual da Igreja (CPB, 2010).


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