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Mensagem final e despedida

Adventistas de quase 170 países celebram o encerramento da assembleia mundial reafirmando a identidade bíblica e o foco missionário da igreja

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Todas as arquibancadas ficaram lotadas durante o último dia de programação 60ª assembleia da Associação Geral. Créditos: Leônidas Guedes

Alegria, festa, celebração. Foi esse o clima do sábado, 11 de julho, o último dia da 60a assembleia da Associação Geral, em San Antonio, Texas. Antes das oito da manhã, multidões se dirigiram a pé para o Alamodome, até que o imenso estádio coberto ficou praticamente lotado. Bandeiras foram penduradas nas arquibancadas e milhares de celulares e câmeras fotográficas registravam um dia único, memorável. Após dez dias de reuniões, nomeações e momentos de expectativa e tensão, prevaleceu um sentimento de gratidão pela maneira de Deus ter conduzido os encontros.

Relatos missionários

Antes do estudo da lição da Escola Sabatina, foi apresentada uma “carta missionária” viva, relatada por Milan Moskala, natural da República Tcheca. Ele, que se dedicou às missões desde 1996, começando pela Bósnia, tem atuado como médico e evangelista em algumas das regiões mais pobres e desafiadoras do mundo. Nos poucos minutos que tinha para falar, Moskala contou uma experiência extraordinária envolvendo a ressurreição de um garoto. “Em Bangladesh, um menino se afogou e ficou no fundo do rio por seis horas. Então, a mãe dele ficou desesperada, e as pessoas diziam: ‘Deus está punindo você porque você se tornou cristã’. Quando o pastor chegou, tomou nos braços o corpo do menino cheio de lama e disse: ‘O Senhor, nosso Deus, é digno de louvor. O Senhor enviou Seu filho que nos salvou. Então, eu te peço que, se for da tua vontade, restaura esse menino’. Então, o menino disse: ‘Mo… mother’ (mãe)”, relatou.

Moskala fez um apelo aos profissionais da saúde para que se dispusessem a servir como missionários. Pediu também a criação de unidades móveis, como ambulâncias e vans, e apelou: “Não podemos perder nenhum momento. Vamos manter a urgência da volta de Cristo.” Seu pedido foi seguido por outro, feito por dois jovens apresentadores, que falaram sobre a janela 10/40: “Oitenta milhões de crianças dormem com fome todos os dias. Precisamos de mais missionários, de mais pessoas nos hospitais. Pense em nossas ofertas missionárias. Ore para que Deus nos dê uma visão clara das missões.”

No mesmo tom, Floyd Morris, o primeiro adventista deficiente visual a se tornar presidente do Senado jamaicano, também apelou para que a igreja olhe para as pessoas com deficiências físicas. “A igreja tem um importante papel em trabalhar pelos que têm alguma deficiência. É preciso incluir mais indivíduos com deficiência. Cada membro tem a responsabilidade de trabalhar com essas pessoas, seguindo o exemplo de Jesus. Temos que tornar nossas igrejas mais acessíveis. Eles têm o seu lugar no reino como qualquer outra pessoa”, refletiu.

Pastor Jonathan Kuntaraf (esq.), ex-diretor de Escola Sabatina e Ministério Pessoal da Associação Geral, ao lado do turco Mustafa Kemal Alkan, convertido do islamismo.

Pastor Jonathan Kuntaraf (esq.), ex-diretor de Escola Sabatina e Ministério Pessoal da Associação Geral, ao lado do turco Mustafa Kemal Alkan, convertido do islamismo.

O momento missionário foi seguido pelo testemunho de um dos dez a 15 turcos étnicos convertidos do islamismo à mensagem adventista, num país de mais de 75 milhões de habitantes. Certa vez, Mustafa Kemal Alkan foi convidado a traduzir a lição da Escola Sabatina, e seu mundo “virou de cabeça para baixo”, segundo contou. A esposa orou por sua conversão durante sete anos, até que ele teve um sonho: “Vi três profetas sobre um monte, e eu fui chamado. Então acordei suado e não consegui mais dormir. Passei a estudar a Bíblia e encontrei um verso muito semelhante ao que tinha ouvido.” Sua conversão o levou ao ponto de aceitar Jesus como seu Salvador, sem reservas: “Jesus é meu Salvador. Eu o aceito como meu salvador pessoal. Quero seguir Jesus”, relembrou. Mustafa terminou pedindo que a igreja ore pelo mundo muçulmano.

Homenagem

Após a Escola Sabatina, coordenada por Kathy Begles e Felix Cortez, o culto foi introduzido pelo som de uma orquestra formada por diferentes grupos e maestros, tendo atrás de si o Coral Carlos Gomes, da Igreja do Unasp campus São Paulo. Após hinos congregacionais e mensagens musicais, o pastor Ted Wilson se dirigiu ao púlpito, iniciando sua mensagem de maneira emocionante.

Homenageou, entre outros, seus antecessores, Jan Paulsen (1999-2010), que já havia retornado à Noruega, seu país natal, e Robert Folkenberg (1990 a 1999), impossibilitado de estar presente devido a uma enfermidade e que se prepara a fim de ser submetido a uma cirurgia nos próximos dias.

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Emocionado, o pastor Folkenberg falou com o público reunido no Alamodome por meio da internet.

Foi então que surgiu nos telões o rosto de Folkenberg, visivelmente frágil e emocionado. Nesse momento, dezenas de milhares de pessoas começaram a bater palmas, o que comoveu o ex-presidente. Ele não conseguiu conter as lágrimas e disse: “Obrigado!”. Ted Wilson, então, pediu que Folkenberg falasse algo para a igreja reunida. A palavras do ex-presidente foram: “Envio saudações para vocês aí. Deus os abençoe. Ele virá logo!”. E o estádio o aplaudiu novamente. O momento de homenagens terminou com menção a Bob Rawson, ex-secretário da Associação Geral, entre 1970 e 1980, que também foi visto ao vivo nos telões. O pastor Ted Wilson extraiu aplausos e risos do público ao dizer que o pastor Rawson tinha 102 anos e uma carteira de motorista com validade de três anos. A voz firme e segura de Rawson foi ouvida no Alamodome: “Aprecio muito esta oportunidade, e minha mensagem é muito simples: Jesus está voltando logo!”

Cruze o Jordão

O sermão ficou por conta do pastor Ted Wilson, reeleito pela assembleia presidente da igreja mundial. Ele foi apresentado pelo secretário-executivo da Associação Geral e amigo, pastor G. T. Ng, que mencionou detalhes interessantes sobre sua trajetória e família. Entre esses detalhes, está o de que o pastor Ted tem três filhos e nove netos.

A mensagem teve como título “Cruze o Jordão… Não Recue!”, na qual Wilson enfatizou e deu mais detalhes de seu segundo quinquênio na presidência da igreja mundial. Fez uma analogia entre o povo de Israel que deveria atravessar o rio Jordão e o destino escatológico do povo de Deus nos últimos dias. No sermão, reafirmou que a Igreja Adventista é um movimento do povo remanescente de Apocalipse 12:17, em preparação para a volta de Jesus.

O pastor Wilson fez vários apelos e deu recados diretos para que a igreja mantenha sua identidade bíblica, seu foco missionário e tenha cuidado com tendências que ameaçam sua integridade. Entre eles, se destacam: “Apelo a toda a igreja mundial que manifeste o mesmo respeito e amor por este livro (a Bíblia) e pelo Espírito de Profecia. (…) A Bíblia deve ser entendida como se lê: o mundo foi criado recentemente, em seis dias. (…) Tome tempo para ler e orar pelo planejamento estratégico da Igreja Mundial. (…) Cave fundo, estude a Palavra! Não aceite pregações que afirmam apenas o nome de Jesus, mas diminuem as doutrinas. (…) O evangelismo não está morto. Está mais vivo do que nunca.”

O culto terminou com o Coral Carlos Gomes cantando Coming Again ao som da orquestra e acompanhado por outras centenas de vozes, num total de 1.100, formando o maior coral já presente em uma reunião da conferência geral, segundo a Adventist Review.  O pastor Erton Köhler, presidente reeleito da Divisão Sul-Americana, proferiu a oração final.

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Milhares de fiéis saem do estádio Alamodome após o culto do último sábado, 11 de julho: um flash da diversidade cultural da igreja. Créditos: Diogo Cavalcanti

Encerramento

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Tradicional “Desfile das Nações” inovou ao contar a história da chegada do adventismo nas várias partes do mundo. Créditos: Diogo Cavalcanti

O programa da noite encerrou as reuniões da Conferência Geral, com o famoso “Desfile das Nações”. Dois apresentadores interagiam para falar sobre as missões mundiais, intercalando textos lidos com um vídeo que expôs uma cronologia da missão adventista, dividida em cinco fases: nascimento das missões (1863-1873), missões às nações protestantes (1874-1889), missão ao mundo (1890-1945), missão intencional (1946-1965) e missão aos não alcançados (1986-).  Após o vídeo introdutório de cada fase das missões, os dois apresentadores anunciavam país por país, de acordo com o ano em que a mensagem adventista os alcançou, e então entrava um casal com roupas típicas e sua bandeira nacional.

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Pastor Ted Wilson, acompanhado de sua família: “Pela graça de Deus, vamos fazer planos para nos encontrar no Céu”. Foto: Diogo Cavalcanti

A reunião terminou com todas as nações representadas à frente, com o pastor Ted Wilson ao centro, junto com a esposa, filhos e netos. A reafirmação do espírito de unidade sentido no encerramento das reuniões e o foco na missão da igreja é o grande legado desta assembleia mundial, em que os desafios internos e externos da igreja foram reconhecidos e tratados com espírito de oração.

Com a proposta de ênfase no fortalecimento da devoção individual, no estudo dos livros de Ellen White e forte ênfase na missão, os próximos anos prometem. Nos momentos de despedida, o pastor Wilson anunciou que o próximo encontro da igreja mundial será no Circle City, em Indianápolis, marcado para 2020. Ou, quem sabe, na Nova Jerusalém. [Diogo Cavalcanti, equipe RA]

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Diogo Cavalcanti
Editor na Casa Publicadora Brasileira