O grande coro no metrô

Editor testemunhou espírito de unidade e respeito pela opinião alheia em duas assembleias mundiais

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Cerca de 60 mil adventistas de 150 países marcaram presença na assembleia mundial de Toronto, no Canadá, em 2000. Imagem: acervo RA

Participar de uma assembleia mundial da igreja é, no mínimo, uma experiência memorável. Tive a oportunidade de estar em duas delas: Toronto (2000) e St. Louis (2005). No Canadá, participei como delegado. Cerca de 60 mil adventistas estiveram presentes. Sob o tema “Quase no lar”, a programação foi transmitida em 40 línguas, para mais de 150 países. Jan Paulsen foi reeleito como presidente mundial naquela ocasião.

Durante dez dias, os delegados se reuniram para discutir uma extensa pauta dos mais variados assuntos, nomear líderes e planejar os programas da igreja para o quinquênio seguinte. Como delegado, chamou-me a atenção o respeito pelas opiniões divergentes. Com esse espírito, tudo foi analisado e depois votado.

A apresentação dos relatórios igualmente me impressionou. Lembro-me do relatório do pastor Paulsen, presidente mundial reeleito, quando disse: “Levamos 100 anos para chegar ao primeiro milhão de membros. E só precisamos de um ano para adicionar o último milhão. Louvado seja Deus!” Ele fez referência ao ano de 1999, quando a igreja batizou 1.090.848 pessoas. Lembro-me também do pastor Ralph Thompson, destacando o fato que 91,6% dos adventistas viviam fora da América do Norte.

Em St. Louis, em 2005, na 58ª Assembleia da Associação Geral, 2 mil delegados e cerca de 30 mil participantes representaram 14 milhões de adventistas espalhados por 203 países. Foi impressionante observar a diversidade de vestimentas. Certa tarde, minha família e eu nos deparamos com um grupo de mães africanas. Minha filha correu ao encontro delas. Ela ficou encantada ao ver aquelas mulheres carregando seus bebês “presos às costas”, envoltos em pano, acomodados em sua capulana. Tivemos que tirar muitas fotos!

Entre as várias decisões tomadas, uma merece destaque: o acréscimo da crença fundamental número 11, sob o título “Crescimento em Cristo”, passando a igreja a ter 28 capítulos no livro Nisto Cremos. Houve ainda a escolha de Ella Simmons, primeira mulher eleita vice-presidente da Associação Geral.

O espírito de unidade, as mensagens devocionais e a qualidade da música são lembranças daquela assembleia. Após o culto da última sexta-feira, quando estávamos na estação do metrô, um adventista começou a cantar “Oh! Que Esperança”. De repente, numa espécie de “flash mob”, milhares de vozes se uniram a ele como um grande coral, expressando o mesmo sentimento. Aquele louvor ecoou pelas galerias da estação impressionando a população local. Jamais me esqueci daquele momento, quando então, unidos, expressamos nossa esperança no grande dia da redenção final.

Márcio Nastrini é pastor de longa experiência ministerial, editor associado das revistas Ancião e Ministério, além de editor da lição da Escola Sabatina dos Jovens