Iluminando o caminho para a salvação

Relatório apresentado por Raafat Kamal, presidente reeleito da Divisão Transeuropeia, no dia 9, ressalta crescimento das escolas e investimento no evangelismo na web e através de ações de saúde

relatório da Divisão Transeuropeia- foto 1

“Louvem ao Senhor, invoquem o seu nome; anunciem entre as nações os seus feitos, e façam-nas saber que o seu nome é exaltado” (Is 12:4, NVI).

A Divisão Transeuropeia (Trans-European Division — TED) agradece a Deus por sua condução em nossa missão às cidades, vilas, vizinhos, amigos e famílias ao longo dos últimos cinco anos.

Embora seja a menor Divisão da igreja em número de membros, nossa Divisão conta com uma rica diversidade cultural e linguística, sendo formada por 22 países. No início do quinquênio, a redistribuição do território resultou na transferência de 38% de nossas instituições, 40% de nossos alunos e 32.736 membros para a União Norte-Africana Oriente Médio e outras Divisões.

Evangelismo e cuidado

Seguindo a ordem de Jesus de “ir e fazer discípulos”, os membros de nossas 1.162 igrejas e de nossos 176 grupos, juntamente com seus 529 pastores e líderes, compartilham ativamente o amor de Deus com suas comunidades. Temos experimentado as bênçãos de Deus de diversas formas, não só em crescimento numérico: nossos 6,6% de crescimento geral são um reflexo do ganho percentual de 16,97% de batismos e profissões de fé.

Cuidar dos que estão dentro é tão importante quanto alcançar os de fora. Nesse sentido, o projeto “Pegadas” de discipulado infantil é um modelo bíblico que dá forte apoio ao éthos familiar, incentivando os pais a discipularem seus filhos de maneira eficaz. Ele é complementado pelo programa “Messy Church” [Igreja bagunçada], extremamente popular no contexto europeu.

Esse programa de artes, cânticos e histórias bíblicas, seguido por uma refeição para socialização, costuma acontecer no sábado à tarde e oferece às famílias da comunidade local a oportunidade de conhecer famílias da igreja. Ele tem se mostrado uma ferramenta de evangelismo e construção de pontes em muitas igrejas. O entusiasmo em torno desse programa é contagiante e muitas outras igrejas estão se preparando para se envolver nele.

Educação

A educação é importante tanto para o crescimento pessoal quanto para o evangelismo e, neste quinquênio, a Divisão investiu quase 2 milhões de dólares (além de outras verbas) em patrocínios e bolsas de estudo. Em um dos países, nossa instituição educacional descobriu um nicho no mercado ao acrescentar uma matéria sobre conhecimento bíblico e valores cristãos, que levou ao impressionante aumento de 8% nas matrículas.

As escolas da Divisão relataram 912 batismos entre 2009 e 2013. Embora toda a glória seja dada a Deus pela colheita desses jovens, também reconhecemos nossa dívida de gratidão aos nossos 808 professores, que inspiram seus alunos em nossos colégios. As instituições adventistas estão despertando o interesse e as aspirações espirituais de nossos estudantes, mostrando-lhes realidades eternas. A Divisão conta com 5.314 estudantes matriculados em 68 escolas.

A faculdade da Divisão, Newbold College of Higher Education [Colégio Newbold de Educação Superior] aumentou em 33% o número de alunos este ano, após uma recessão desafiadora. Por meio de seu novo Centro de Liderança Cristã, o Newbold oferece cursos de curta duração que capacitam membros e pastores a atualizar ou adquirir habilidades em missão, evangelismo, ministério e liderança espiritual. Os jovens podem cursar um ano pré ou pós-universitário no Newbold. Nesse período, aprendem mais sobre si mesmos, o propósito da vida, como partilhar a fé e se envolver em atividades e viagens missionárias, além de um projeto de evangelismo. O diploma em Saúde e Bem-Estar (equivalente ao tecnólogo em saúde da Universidade Andrews) capacita pessoas com interesse em alimentação, nutrição, bem-estar e preparo físico para servir dentro da igreja local e na comunidade mais ampla.

Reuniões de foco estratégico proporcionam um encontro entre líderes da Divisão e da igreja mundial. Crédito: TED

Reuniões de foco estratégico proporcionam um encontro entre líderes da Divisão e da igreja mundial. Crédito: TED

Adolescentes e jovens

Dentro da Divisão, o programa CORE, Igreja de Refúgio, é um projeto contínuo voltado para a conservação dos jovens e o resgate dos membros afastados. Outra forma de conservar os jovens é o Instituto de Revezamento de Evangelismo Jovem da Divisão, que realizou 25 cursos intensivos de treinamento em oito Uniões com 570 participantes. Após esses cursos, a Divisão ajudou a patrocinar 65 projetos evangelísticos realizados por esses jovens em suas igrejas locais. O envolvimento é fundamental para a conservação e os jovens são os embaixadores mais eficazes para alcançar outras pessoas. O entusiasmo deles pelo testemunho se reflete em atividades relatadas por meio de dois sites de uploads em conexão com o Dia Mundial do Jovem Adventista.

Uma convenção de líderes jovens, organizada durante o Ano do Discipulado Jovem, produziu uma declaração para a Divisão afirmando o conceito bíblico de discipulado para os jovens. Nosso primeiro simpósio de evangelismo universitário foi realizado em abril de 2015 com o objetivo de inspirar os estudantes adventistas do sétimo dia a serem discípulos de Jesus e lhes dar poder para compartilhar o evangelho eterno no campus. Em Londres, o programa de alcance universitário CRAVE proporcionou auxílio a todos os novos alunos matriculados na universidade e criou conexões positivas com as igrejas locais. Além disso, um congresso jovem e dois camporis desbravadores complementaram essas atividades.

Evangelismo

A Divisão apoiou 511 projetos evangelísticos inovadores. Por exemplo, o evangelismo “Doce Evangelho e Mel” ensina às pessoas a arte da apicultura como meio de obter sustento financeiro para a própria família. O “Sofá do Sábado” tem sido levado às ruas como método de compartilhar o significado do descanso sabático como um presente. Essa iniciativa já alcançou mais de 50 mil pessoas.

Exposições de saúde são realizadas em locais de trabalho e a “Conspiração da Bondade” surpreende as pessoas com atos inesperados de bondade que suprem suas necessidades.

O programa “Messy Church” [Igreja Bagunçada] na Eslovênia provê uma experiência significativa para as crianças. Crédito: TED

O programa “Messy Church” [Igreja Bagunçada] na Eslovênia provê uma experiência significativa para as crianças. Crédito: TED

A “Bíblia 3D” foi uma iniciativa evangelística pioneira na Islândia. Na mostra, os visitantes foram guiados por uma exposição da história bíblica, desde a criação até a restauração, e acompanharam programas relacionados ao tema na parte da tarde. Abordando a cultura, a tradição e as raízes históricas do cristianismo, o evento abriu portas para o diálogo, conectando-se com as necessidades do século 21.

As escolas bíblicas por correspondência proporcionam recursos para pessoas seculares e pós-modernas. Em 2012, um projeto especial chamado “Passe adiante” envolveu a produção de um vídeo promocional para um novo curso em 12 lições chamado “A História de Paulo” e a produção de um livro (também denominado “Passe adiante”) de histórias inspiradoras extraídas das escolas de correspondência bíblicas dentro da Divisão. Na Hungria, por sua vez, mais de 60 mil pessoas foram alcançadas por meio do projeto “Jesus 7”, série evangelística para cristãos não praticantes. Realizada na Páscoa, concentra-se na vida de Jesus.

Os projetos de missão urbana tomaram conta do mundo inteiro, inclusive da nossa Divisão, que realizou uma escola de evangelismo em Londres, em 2013. Com 9,5 milhões de habitantes, Londres é a maior cidade da Divisão. Seguindo o modelo do projeto “NY13”, igrejas locais lançaram mão de iniciativas diferentes.

O projeto “Heróis e Academia da Bíblia” foi uma abordagem inovadora muito bem-sucedida, na qual os membros pesquisavam entre os vizinhos sobre heróis locais. Depois disso, era feito o convite para que os vizinhos se inscrevessem em uma academia bíblica, na qual a história da redenção era contada de maneira interativa e com base em experiências multissensoriais. Essas estratégias, combinadas com o projeto “Sofá do Sábado”, exposições de saúde e outros métodos mais tradicionais, resultaram em mais de 800 batismos até o presente, com outros mais por vir. A ideia foi aplicada nas Uniões com os próprios programas de missão urbana.

Desde o lançamento em 2010, 7 milhões de pessoas já visitaram o endereço lifeconnect.info, plataforma de mídia social para o evangelismo, que foi desenvolvida em 19 idiomas. O site se expandiu com a LCTV, que transmite programas locais de evangelismo e permite que seus usuários assistam a mensagens que podem transformar a vida.

O plantio de igrejas é uma estratégia evangelística de alta prioridade também em nossa Divisão, com cerca de 200 novos templos. Somando isso com os 1.600 pequenos grupos e congregações em casas, a igreja se torna uma comunidade adventista irresistível.

Recursos on-line da TED

  • ted-adventist.org
  • ministrytopostmoderns.com
  • lifedevelopment.info
  • lifeconnect.info
  • lctv.today
  • tedmedia.org
  • youtube.com/tedmedia
  • essenceofworship.org

Reavivamento e reforma

As Uniões da Divisão aderiram à iniciativa do projeto “Reavivamento e da Reforma”. Muitos membros de igreja se empolgaram e apoiaram as iniciativas em suas congregações. Algumas igrejas começaram grupos online de oração e muitas se sentiram inspiradas a ministrar aos necessitados de suas comunidades.

Ao longo dos últimos cinco anos, graças a um programa eficaz de treinamento, muitos dos 15 membros da Divisão que participam da equipe europeia da ADRA de resposta às emergências foram levados para zonas de desastre nas Filipinas e na região dos Bálcãs. Também foram alocados tempo e recursos financeiros para escritórios menores da ADRA, a fim de fortalecer suas relações públicas, levantamento de recursos e esforços de marketing. Ao mesmo tempo, conseguiu-se juntar cerca de 12 milhões de dólares, os quais foram usados para apoiar projetos globais da ADRA.

O primeiro congresso europeu de saúde, realizado pelas três Divisões do continente, foi realizado em 2013, tendo a cura como tema. Dos 550 participantes, cerca de 150 eram provenientes da Divisão Transeuropeia.

Novos cursos e programas de saúde incluem, mas não se limitam ao Certificado em Saúde e Bem-Estar. Eles continuam a ser feitos em parceria com o Newbold e várias instituições de saúde. Durante o primeiro congresso do Ministério da Mulher de toda a Divisão, em 2014, parte do programa envolveu uma exposição de saúde de cunho evangelístico em uma cidade próxima. Em apenas duas horas, 120 pessoas foram atendidas.

Além da iniciativa da distribuição do livro A Grande Esperança, 3 milhões de exemplares de livros e revistas relacionados à obra O Grande Conflito foram impressos e distribuídos.

Damos glórias a Deus e somos gratos a ele pelas bênçãos infindáveis e pela oportunidade de ser uma luz, compartilhando as boas-novas da salvação e apresentando as pessoas ao nosso Salvador, Jesus. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

?? Um tempo de desafios e crescimento

Relatório apresentado por Gilberto Wari, então presidente da Divisão Centro-Oeste Africana, destacou o crescimento institucional da igreja numa região castigada pelo ebola e pelo extremismo religioso

relatorio da Divisão Centro-Oeste Africana - foto 1

A Divisão Centro-Oeste Africana (West-Central Africa Division —WAD) é formada por 22 países e por uma parte do mundo rica em energia dinâmica. É também, por vezes, um tanto quanto turbulenta. A despeito dos desafios do fundamentalismo religioso, de inquietações sociais e políticas, e da epidemia do ebola, a Divisão conseguiu alcançar resultados positivos no evangelismo ao longo do último quinquênio, que começou com o lançamento da iniciativa de “Reavivamento e Reforma”.

REALIZAÇÕES

Retiro de líderes (comunhão)

No início do quinquênio, a Divisão Centro-Oeste Africana combateu a letargia espiritual. A fim de enfrentar esse desafio, foi realizado um retiro de liderança para todos os pastores e suas esposas na Babcock University, na Nigéria, de 5 a 11 de janeiro de 2011. Houve uma participação total de 2.201 pessoas. Os administradores e diretores de departamentos das Uniões receberam a tarefa de encontrar maneiras de ajudar todos os membros da igreja a entrarem para o exército divino de espalhar o evangelho. Os líderes das igrejas foram incentivados a organizar retiros espirituais, realizar evangelismo em pequenos grupos e distribuir exemplares do livro inspirador A Grande Esperança.

Projeto “A Grande Esperança” (missão)

Muitos milhões de exemplares de A Grande Esperança foram impressos e distribuídos nos quatro principais idiomas de nossa Divisão (inglês, francês, português e espanhol) e foram relatadas várias conversões em todo nosso território. Isso incentivou os servidores da igreja e os encheu de esperança. Sob o poder do Espírito Santo, esse mensageiro silencioso alcançou pessoas que não seriam alcançadas em circunstâncias normais, confirmando o poder da página impressa.

Reorganização de instituições

A Divisão Centro-Oeste Africana começou o quinquênio com seis Uniões (todas elas Uniões-Associações) e 39 campos. Em menos de quatro anos, a Divisão passou por um crescimento radical no que se refere à reorganização de suas entidades. Hoje, somos dez Uniões, das quais quatro são Uniões-Associações [autossustentáveis], e 66 campos.

Novas instituições

A Divisão Centro-Oeste Africana cresceu não só na organização estrutural, mas também em instituições de ensino. Em 2010, ela contava com três universidades em três países. Nos últimos cinco anos, outras três foram acrescentadas, elevando o total a seis universidades em toda a Divisão: Babcock University (Nigéria); Valley View University (Gana); Université Adventiste Consendai (Camarões); Adventist University of West Africa (Libéria); Adventist College of Education (Gana); e Clifford University (Nigéria). O número de escolas de ensino fundamental e médio também está aumentando. Está sendo desenvolvido um plano ambicioso para construir 200 escolas adicionais para cada país da Divisão Centro-Oeste Africana. Esse projeto está sendo realizado em parceria com a organização Maranata Internacional.

O pastor e presidente da igreja mundial Ted Wilson participa da comemoração do centenário da Igreja Adventista na Nigéria. Crédito: WAD

O pastor e presidente da igreja mundial Ted Wilson participa da comemoração do centenário da Igreja Adventista na Nigéria. Crédito: WAD

Relações públicas (relacionamento)

A igreja deu um passo à frente em seu relacionamento com o governo de Costa do Marfim. Em 2012, a sede da Divisão Centro-Oeste Africana recebeu reconhecimento como uma entidade diplomática. Isso ajudou tremendamente o trabalho da igreja. Como parte das permissões concedidas, a Divisão se beneficia da isenção de impostos governamentais e alfandegários sobre equipamentos, suprimentos e materiais importados que têm o objetivo de colocar em prática as metas da organização. Também desfruta procedimentos rápidos de entrada e saída na passagem pela imigração para todos os expatriados da Divisão e seus familiares, bem como para consultores e visitantes.

Congresso Pan-Africano de Liberdade Religiosa

O extremismo religioso continua a ser um desafio no continente. A fim de ajudar a combatê-lo, a Divisão organizou o Congresso Pan-Africano de Liberdade Religiosa, realizado de 6 a 13 de agosto de 2013 em Yaoundé, a capital de Camarões. Durante alguns dias, líderes, eruditos e representantes de organizações de liberdade religiosa, advogados, líderes religiosos e leigos se reuniram para discutir o tema “Tolerância religiosa e coexistência pacífica para o desenvolvimento sustentável da África”. Diversos líderes renomados do continente e de outras partes do globo falaram aos participantes sobre vários temas, enfatizando a necessidade de liberdade religiosa para todos. Um convidado importante, o presidente de Camarões, sua excelência Paul Biya, presidente do Congresso, foi representado por seu primeiro-ministro.

Comemorações de aniversário

Esse quinquênio foi marcado por celebrações comemorando os 125 anos de atuação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Gana (2013), cem anos na Nigéria (2014) e 50 anos em Togo (2014). Os eventos deram oportunidade não só de avaliar nossa presença nesses países, mas também de revisar nosso envolvimento histórico com a vida dessas nações. As celebrações foram prestigiadas pela presença de oficiais do governo.

Participantes aprendem como deixar de fumar em um programa dirigido pela Divisão na Mauritânia. Crédito: WAD

Participantes aprendem como deixar de fumar em um programa dirigido pela Divisão na Mauritânia. Crédito: WAD

Infraestrutura

Além da expansão de escolas e templos, a Divisão Centro-Oeste Africana também expandiu suas moradias ao construir um prédio de oito andares em Abidjan. O projeto está quase concluído. Além disso, uma casa de convidados existente em Dibetou foi totalmente reformada e agora pode abrigar, em acomodações mais confortáveis, delegados e visitantes que comparecem às várias reuniões realizadas na sede da Divisão.

Aquisição de novos equipamentos

O centro de produção de programas televisivos da Divisão Centro-Oeste Africana também foi aperfeiçoado. O último equipamento instalado, com a ajuda de técnicos de mídia vindos da América do Norte e América do Sul, suas Divisões irmãs, agora permite a produção de programas de TV para o Hope Channel Africa. Além disso, os escritórios da Divisão agora contam com equipamentos para videoconferências.

Finanças

Por muito tempo, a Divisão Centro-Oeste Africana dependeu do apoio financeiro da igreja mundial para funcionar, mas os líderes da Divisão fizeram o firme compromisso de se tornarem autossuficientes no aspecto financeiro. A Divisão saltou de 69% de autossustento no quinquênio anterior para 98% e depois para 115% em 31 de dezembro de 2013. Louvamos a Deus por termos alcançado essa meta!

Evangelismo (missão)

A despeito dos desafios sociopolíticos e espirituais, ao longo dos últimos cinco anos, a Divisão aumentou consideravelmente o ganho de almas. O esforço evangelístico na grande cidade “Lagos para Cristo” foi uma experiência espiritual tremenda para a igreja em termos de conversões e cobertura pelos meios de comunicação.

Através da Divisão, outros empreendimentos evangelísticos com ênfase especial em evangelismo por pequenos grupos também ocorreram, trazendo milhares de pessoas para a família de Deus. De 2010 até dezembro de 2014, foi registrado um total de 218.162 batismos, graças à combinação de esforços dos pastores e membros da igreja para ir além dos 195.483 batismos do quinquênio anterior (2005 a dezembro de 2009). Sem dúvida, para a Divisão Centro-Oeste Africana, o último quinquênio foi de reavivamento e reforma.

Cursos “Como deixar de fumar”

O curso “Como deixar de fumar em cinco dias” não só ajuda as pessoas a terem melhor qualidade de vida, ao eliminarem o uso do tabaco, como também consiste em uma porta de entrada, sobretudo em regiões em que não é fácil levar o evangelho. Essa foi a experiência em Niamy, Níger, e Matamoulana e Nouakchott, Mauritânia, dois países islâmicos localizados na Janela 10/40, onde esses seminários foram realizados com sucesso e para um grande público.

Em março de 2015, o Departamento de Saúde e de Missão Global organizaram um programa “Como deixar de fumar” em Nouakchott, capital da Mauritânia. O programa impressionou tanto o líder religioso islâmico, sheikh El Haj Misry, que ele convidou os facilitadores a irem até sua cidade natal, Matamoulana, a fim de realizar um programa da mesma natureza. Um total sem precedentes de 500 pessoas se reuniu para acompanhar os encontros e fazer perguntas. Em 17 de março de 2015, foi realizada uma sessão especial para ajudar as pessoas a deixarem de fumar. O fim do programa foi marcado por um jantar especial com líderes muçulmanos. Todos concordaram com nossos facilitadores de que, na luta contra o tabaco, a dimensão espiritual desempenha um papel central. Além do aspecto de saúde, o programa deu à igreja a oportunidade de testemunhar de nossa fé cristã em um contexto totalmente islâmico.

DESAFIOS

Prisão de um pastor adventista

As diversas ações iniciadas e apoiadas pela Divisão precisaram não só de nossa paciência, mas também de coragem e determinação. Um pastor, Antônio Monteiro, missionário no Togo, foi falsamente acusado de homicídio. Ficou preso por quase dois anos até ser considerado inocente. Seu caso foi acompanhado por milhões de adventistas do sétimo dia do mundo inteiro.

Grupo de líderes da igreja e esposas ouvem uma apresentação durante o retiro de liderança realizado na Babcock University, na Nigéria, em 2011. Crédito: WAD

Grupo de líderes da igreja e esposas ouvem uma apresentação durante o retiro de liderança realizado na Babcock University, na Nigéria, em 2011. Crédito: WAD

Inquietações civis

Costa do Marfim, Burkina Faso, República Centro-Africana e Nigéria foram países particularmente afetados ao longo do quinquênio. Na Costa do Marfim, a guerra levou pessoas e membros da igreja a se mudarem, deixando bens e propriedades para trás. Muitos deles se perderam. Nossa principal escola de ensino médio, localizada em Bouake, se tornou a sede de facções rebeldes. Na República Centro-Africana, a sede da nova União-Missão Central Africana foi temporariamente transferida para outro país por causa da guerra. Na Nigéria, o aumento da violência associada ao Boko Haram continua a ser uma ameaça.

A crise do ebola

O vírus do ebola foi e continua a ser um grande desafio para a igreja no oeste da África, sobretudo para os membros da União-Missão Oeste-Africana, formada por Guiné, Libéria e Serra Leoa. Em resultado dessa epidemia, milhares de pessoas foram afetadas e muitos programas que reuniriam toda a Divisão precisaram ser cancelados.

Situação da Université Adventiste Cosendai

A drástica diminuição de matrículas tem impedido que a escola obtenha recursos financeiros para crescer e se desenvolver. Temos a esperança de que a nova liderança consiga reverter a situação para o próximo ano letivo.

OPORTUNIDADES

Presidente da Associação Geral na Divisão Centro-Oeste Africana

Durante esse quinquênio, nossa Divisão foi agraciada com duas visitas do presidente da Associação Geral, Ted Wilson. Essas visitas reacenderam a fé de nossos membros ao se reunirem em grande número, vindos de diversos países, a fim de dar as boas-vindas ao líder mundial e ouvir seus conselhos. Essas grandes reuniões também reforçaram a sensação dos membros de pertencer à família adventista mundial e também se mostrou útil na criação de elos com autoridades dos governos locais. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

No país das vuvuzelas

Pastor explica os desafios da missão na África do Sul, país marcado pela segregação racial e culturalmente semelhante ao Brasil

vuvuzelas-creditos-da-imagem-DundasEntre os continentes, a África é o segundo maior em território e em população. É lá que vivem mais de um bilhão de pessoas e cerca de 7 milhões de adventistas, ou 38% dos membros da igreja ao redor do mundo. Adventistas africanos são encontrados em megacidades, povoados e aldeias das três regiões administrativas (Divisões) africanas: com sedes no sul, leste e oeste do continente.

A diversidade da região é impressionante: 2 mil línguas são faladas por 3 mil grupos étnicos. Esse mosaico cultural é uma poderosa influência sobre a forma como os princípios bíblicos são compreendidos e praticados. Como consequência, a proclamação da mensagem adventista de forma clara, significativa e contextualmente relevante para cada grupo étnico torna-se um enorme desafio para missionários, pastores, professores, teólogos e servidores da igreja.

O contexto do país

0707missao-dioi-homeHá quase cinco anos sou missionário na África do Sul. Um país lindíssimo situado no extremo sul do continente e conhecido por sua diversidade de culturas, idiomas e crenças religiosas. A constituição sul-africana reconhece onze línguas como oficiais. Duas delas são de origem europeia: o africâner, um idioma que se originou principalmente a partir do neerlandês (holandês), que é falado pela maioria dos brancos e mestiços sul-africanos; e o inglês, que é a língua mais falada na vida pública e comercial.

Lá, as pessoas são calorosas e se orgulham de sua história, resultado das relações multiétnicas frequentemente conflituosas, mas também da riqueza resultante da mistura entre as culturas europeia, indiana e africana.

Quando se fala em missionários na África do Sul, sabe-se que o primeiro a pisar no cabo da Boa Esperança foi George Schmidt, em 1737; seguido por centenas de outros corajosos, como os aclamados Robert Moffat, em 1820, e David Livingstone, em 1841. Mas as atividades missionárias nesse país começaram bem antes. Em 1486, o rei de Portugal, D. João II, passou o comando de uma expedição marítima a Bartolomeu Dias. A missão era estabelecer relações pacíficas com um lendário rei cristão africano, conhecido como Prester John. Ele tinha ordens também de explorar o litoral da África e encontrar uma rota para as Índias.

O contexto da igreja

O adventismo chegou à África do Sul em julho de 1887, por meio de duas famílias missionárias: C. L. Boyd e D. A. Robinson. Alguns anos antes, William Hunt, um mineiro norte-americano adventista, distribuiu alguns folhetos para Pieter Wessels e George Van Druten, que se impressionaram com a verdade sobre o sábado. A primeira igreja adventista foi organizada por Boyd, em Beaconsfield, Kimberley.

Infelizmente, o apartheid ou o segregacionismo racial e sua influência sobre a Igreja Adventista ainda é e talvez será uma realidade na África do Sul por alguns anos. O apartheid é uma palavra do idioma africâner que significa separação. Foi o nome dado ao sistema político que vigorou no país de 1948 a 1990. Assim como a santificação não é obra de um momento, de uma hora, de um dia, mas de toda a vida, a igualdade racial na África do Sul é um processo que pode durar certo tempo. Afinal, pessoas traumatizadas não são curadas de um dia para outro. Apesar da forte influência segregacionista, a igreja tem crescido e conta com 160 mil membros.

O contexto do meu ministério

Fui com minha família para a África do Sul a fim de servir como pastor em um distrito multicultural de fala portuguesa e inglesa em Johanesburgo, formado por grupos étnicos de Portugal, Angola, Moçambique, Zimbábue, Malaui e Congo. Um dos desafios do ministério em um distrito multicultural é proclamar o evangelho de maneira adequada ao cotidiano do imigrante e, ao mesmo tempo, permanecer fiel aos fundamentos bíblicos e eternos de Deus. Isso ocorre porque as formas tomam significados distintos em cada contexto cultural e o missionário deve estar atento a essas diferenças e ser criterioso para não se deixar influenciar por tradições contrárias à vontade divina.

Um outro desafio é a comunicação verbal e corporal. Nas primeiras semanas de trabalho, cometi uma gafe cultural ao cumprimentar os irmãos à porta da igreja. As mulheres portuguesas são cumprimentadas sempre com dois beijos na face, enquanto que os zimbabuanos apertam as mãos girando-as e deslizando-as até soltá-las lentamente. Em certo sábado, ao me despedir dos membros à porta, tentei dar dois beijinhos nas irmãs zimbabuanas, que se sentiram incomodas; e, em outra ocasião, apertei as mãos das irmãs portuguesas à maneira dos zimbabuanos. Isso causou desconforto para alguns e foi motivo de chacota para outros. Desde então, faço o meu melhor para respeitar essas formas de saudação.

Por sua vez, temos recebidos muitas bênçãos. Uma delas foi o modo como essa congregação adventista de zimbabuanos foi formada. Boa parte desses irmãos eram pentecostais e liderados pelo pastor John Jabulani. Porém, ao Jabulani ouvir sobre a mensagem do advento, espontaneamente trocou a placa da antiga igreja e convidou os fiéis a abraçar a nova fé. Hoje, a congregação tem 250 pessoas e continua crescendo. Amparado por doações, em dezembro, o pastor Jabulani deve concluir seus estudos em Teologia no seminário adventista do Zimbábue.

Como brasileiro, sinto-me feliz e realizado nesse ministério multiétnico. Nossa cultura tem muita influência africana, o que facilita a adaptação dos missionários brasileiros no continente. Por causa das semelhanças culturais, entendo as necessidades, temores e alegrias dos nossos irmãos africanos e também daqueles de formação mais ocidentalizada. Assim, posso servi-los da maneira mais apropriada.

Oro para que muitos jovens do nosso Brasil continuem sonhando e se preparando para servir a Deus por alguns meses ou anos na África. E para que novos missionários ofereçam um pouco de si para as pessoas queridas desse continente com tanta diversidade, que tem enormes desafios e que necessita urgentemente do amor de Jesus. [Créditos da imagem: Dundas]

Dioi Cruz é pastor há cinco anos em Johanesburgo, na África do Sul.

O grande coro no metrô

Editor testemunhou espírito de unidade e respeito pela opinião alheia em duas assembleias mundiais

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Cerca de 60 mil adventistas de 150 países marcaram presença na assembleia mundial de Toronto, no Canadá, em 2000. Imagem: acervo RA

Participar de uma assembleia mundial da igreja é, no mínimo, uma experiência memorável. Tive a oportunidade de estar em duas delas: Toronto (2000) e St. Louis (2005). No Canadá, participei como delegado. Cerca de 60 mil adventistas estiveram presentes. Sob o tema “Quase no lar”, a programação foi transmitida em 40 línguas, para mais de 150 países. Jan Paulsen foi reeleito como presidente mundial naquela ocasião.

Durante dez dias, os delegados se reuniram para discutir uma extensa pauta dos mais variados assuntos, nomear líderes e planejar os programas da igreja para o quinquênio seguinte. Como delegado, chamou-me a atenção o respeito pelas opiniões divergentes. Com esse espírito, tudo foi analisado e depois votado.

A apresentação dos relatórios igualmente me impressionou. Lembro-me do relatório do pastor Paulsen, presidente mundial reeleito, quando disse: “Levamos 100 anos para chegar ao primeiro milhão de membros. E só precisamos de um ano para adicionar o último milhão. Louvado seja Deus!” Ele fez referência ao ano de 1999, quando a igreja batizou 1.090.848 pessoas. Lembro-me também do pastor Ralph Thompson, destacando o fato que 91,6% dos adventistas viviam fora da América do Norte.

Em St. Louis, em 2005, na 58ª Assembleia da Associação Geral, 2 mil delegados e cerca de 30 mil participantes representaram 14 milhões de adventistas espalhados por 203 países. Foi impressionante observar a diversidade de vestimentas. Certa tarde, minha família e eu nos deparamos com um grupo de mães africanas. Minha filha correu ao encontro delas. Ela ficou encantada ao ver aquelas mulheres carregando seus bebês “presos às costas”, envoltos em pano, acomodados em sua capulana. Tivemos que tirar muitas fotos!

Entre as várias decisões tomadas, uma merece destaque: o acréscimo da crença fundamental número 11, sob o título “Crescimento em Cristo”, passando a igreja a ter 28 capítulos no livro Nisto Cremos. Houve ainda a escolha de Ella Simmons, primeira mulher eleita vice-presidente da Associação Geral.

O espírito de unidade, as mensagens devocionais e a qualidade da música são lembranças daquela assembleia. Após o culto da última sexta-feira, quando estávamos na estação do metrô, um adventista começou a cantar “Oh! Que Esperança”. De repente, numa espécie de “flash mob”, milhares de vozes se uniram a ele como um grande coral, expressando o mesmo sentimento. Aquele louvor ecoou pelas galerias da estação impressionando a população local. Jamais me esqueci daquele momento, quando então, unidos, expressamos nossa esperança no grande dia da redenção final.

Márcio Nastrini é pastor de longa experiência ministerial, editor associado das revistas Ancião e Ministério, além de editor da lição da Escola Sabatina dos Jovens

Votação sobre ordenação de mulheres ao ministério pastoral repercute num dos jornais mais lidos dos EUA

Decisão da assembleia mundial da igreja de não autorizar as divisões a ordenar mulheres ao ministério pastoral foi abordada pelo The Washington Post

washington-post-homeA decisão tomada ontem pela assembleia mundial adventista de não autorizar as 13 divisões da igreja a ordenar mulheres ao ministério pastoral em suas regiões repercutiu no site de um dos jornais mais lidos pelos norte-americanos: o The Washington Post.

O porta-voz da igreja em nível mundial, Garrett Caldwell, foi um dos entrevistados pela reportagem. Caldwell procurou contextualizar a discussão sobre o assunto e disse que não é possível prever quais serão os desdobramentos da decisão.

Buscando uma opinião externa, o veículo de comunicação também ouviu a editora Bonnie Dwyer, da revista norte-americana Spectrum, publicação independente de tendência progressista. Ela opinou sobre os possíveis impactos do voto tomado pela igreja especialmente nos lugares em que começam a surgir movimentos favoráveis à ordenação de mulheres ao ministério pastoral.

O jornal destacou o fato de a votação ter sido o tema mais importante e intenso da agenda do evento que acontece a cada cinco anos e considerou que o assunto é tratado de uma perspectiva mais conservadora pela igreja no Hemisfério Sul.

Outro ponto levantado pelo periódico foi o pedido feito pela liderança mundial adventista para que a igreja se mantivesse unida a despeito das diferentes opiniões manifestadas sobre o assunto. A matéria chega a citar trechos do discurso feito pelo presidente da Associação Geral, pastor Ted Wilson, após a votação.

A reportagem é assinada pela repórter Michelle Boorstein, que escreve sobre religião no The Washington Post. [Márcio Tonetti, equipe RA]

Mudando a história, um coração de cada vez

Relatório apresentado por Barry Oliver, então presidente da Divisão do Sul do Pacífico, no dia 8, chamou a atenção para o começo difícil da igreja na região e a fidelidade em meio à guerra

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior em território da Igreja Adventista, é também a mais diversa. Crédito: SPD

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior em território da Igreja Adventista, é também a mais diversa. Crédito: SPD

Pense em um globo. Divida, em sua mente, sua circunferência em terços.

Imagine então uma Divisão tão imensa que se estende por um terço da circunferência desse globo. Essa é a Divisão do Sul do Pacífico. Ela abrange quase 13 mil quilômetros, desde as ilhas Cocos, no oeste, até a ilha Pitcairn, no leste, e da Antártida, ao sul, até a linha do Equador, ao norte.

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior da Igreja Adventista em território, é também a mais diversa. Somente na Papua Nova Guiné são faladas cerca de 850 línguas. A Divisão engloba de metrópoles modernas até algumas das localidades mais isoladas da Terra. Inclui a cidade mais meridional da Terra, onde sopram os ventos gelados da Antártida, até atóis tropicais paradisíacos.

A Divisão conta com países de populações com maioria polinésia, melanésia, micronésia e branca. Há grandes comunidades indianas, chinesas, árabes, sudanesas e chilenas, entre outras, dentro de suas fronteiras. Como então os adventistas alcançam território tão imenso, com população tão diversa? Lembrando que não temos nada a temer quando nos recordamos de como Deus conduziu a história adventista.

Avondale College continua a obter reconhecimento. Crédito: SPD

Avondale College continua a obter reconhecimento. Crédito: SPD

Começo difícil

Foi em 1908 que os três primeiros missionários adventistas do sétimo dia, Septimus e Edith Carr e Peni Tavodi, chegaram a Port Moresby, capital do que hoje se conhece como Papua Nova Guiné. O governador havia dividido a região em volta de Port Moresby entre várias denominações cristãs. Os adventistas foram recebidos com frieza pelos outros missionários quando chegaram. Mas isso não os deteve. Partiram de Port Moresby para uma região remota nas montanhas a fim de começar sua missão em meio ao povo koiari.

Desde o início, não deu muito certo. O explorador pioneiro Alexander Morton destacou que os koiaris eram um povo particularmente combativo. Sem dúvida, não tinham o menor interesse no evangelho. Os adventistas construíram uma estação missionária e trabalharam na remota Bisiatabu por um ano inteiro sem que ninguém fosse batizado. O ano seguinte também terminou sem batismos. O mesmo padrão se repetiu ao longo dos três anos seguintes. Por fim, no sexto ano, um adolescente foi batizado. Pouco depois, o pai do rapaz o afastou da missão adventista e isso pôs fim a sua ligação com a igreja.

Caso tudo isso já não fosse desanimador o bastante, Peni Tavodi, que havia então se casado com Aliti, foi picado por uma cobra venenosa em 1918. Ele morreu, mas não sem antes fazer um apelo emocionante para que os jovens da missão entregassem a vida a Jesus.

Imagine a situação depois que Peni morreu: dez anos de labores extenuantes e tudo que tinham para mostrar era um adolescente que havia abandonado a fé, um missionário morto, sua viúva e seus filhos órfãos. Você acordaria no dia seguinte e continuaria a pregar o evangelho?

Foi somente em 1920, doze anos depois da chegada dos primeiros missionários adventistas e dois anos após a morte de Peni Tavodi, que um moço chamado Baigani aceitou o evangelho. Dessa vez, porém, as coisas foram diferentes. Baigani serviu a Jesus por muitos anos e exerceu profunda influência.

Mais missionários chegaram. Em 1924, o pastor William Lock batizou 11 jovens em Bisiatabu. Na metade da década de 1930, os missionários adventistas se encontravam espalhados por muitas novas áreas do país. A família Lock se mudou para perto de uma trilha íngreme conhecida como Kokoda Track, na zona rural da vila de Efogi. Ali fundaram uma escola missionária e uma clínica. Por toda a Kokoda Track, a mensagem adventista foi pregada.

Testemunho em meio à guerra

Na época, porém, ninguém sabia que, dentro de poucos anos, a Kokoda Track deixaria de ser uma trilha obscura em uma parte esquecida do mundo para se tornar o ponto central de um dos maiores dramas da história da humanidade: a batalha entre as forças imperiais japonesas e os australianos, neozelandeses e seus aliados.

Ao contrário da maioria dos conflitos, o símbolo duradouro da campanha de Kokoda não foi um guerreiro, um general ou uma arma. Em vez disso, foram os papuásios que demonstraram extraordinária bondade e altruísmo ao ajudar os soldados feridos a permanecer em segurança. Os australianos ficaram tão impressionados com os papuásios que passaram a chamá-los de “anjos Kokoda”.

Bert Buros, engenheiro de combate australiano, retratou em um poema a admiração e o agradecimento que os soldados australianos nutriam por aqueles que ajudavam os feridos: “Muitos moços verão a mãe, e maridos encontrarão a esposa querida, só porque os [anjos Kokoda] os carregaram para lhes salvar a vida”.

Um soldado australiano se exprimiu da seguinte forma: “Acredite, quando esta guerra terminar e a história for escrita, há um capítulo que deve receber grande parcela de louvor. São os [papuásios]… Eles às vezes chegavam com os ombros ensanguentados, deitavam os feridos com cuidado, se chacoalhavam, sorriam e lá iam de novo fazer outra viagem”.

Ao falar no quinquagésimo aniversário da campanha de Kokoda, em 1992, o primeiro-ministro australiano P. J. Keating disse: “Acima de tudo, devemos honrar e expressar profunda admiração pelos carregadores papuásios cujo apoio inabalável foi crucial para a vitória definitiva”.

Nos últimos anos, pesquisadores têm tentado desmitificar os papuásios que salvaram soldados australianos e neozelandeses feridos. Afirmam que muitos eram forçados a trabalhar pelos militares da Austrália. Embora essa informação proporcione intriga e contexto à história, não consegue explicar por que pessoas tão maltratadas retribuíam com tamanha bondade. Afinal, os primeiros relatos do povo falam de uma cultura combativa, sedenta por sangue. O que havia mudado?

Para isso, é preciso voltar a 1908. Aqueles 12 longos anos lutando para conseguir uma única pessoa que aceitasse o evangelho deram fruto na campanha de Kokoda. “Na época da deflagração da Segunda Guerra Mundial, todas as vilas da Kokoda Trail haviam sentido algum grau de influência da missão adventista, com membros batizados em quase todas elas”, escreveu Alan Smith no periódico Adventist Record, em 9 de setembro de 1995: “Os koiaris haviam se transformado tanto que, quando os japoneses entraram em sua região a fim de avançar até Port Moresby, eles decidiram permanecer leais a seus amigos missionários.”

A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. Crédito: SPD

A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. Crédito: SPD

Steven Barna, pastor adventista nas vilas da Kokoda Track, cujo avô foi um “anjo Kokoda”, confirma que a bondade estava ligada ao cristianismo. “Era o amor que movia o coração das pessoas a ajudar”, ele conta. E as testemunhas oculares confirmam isso. O pastor Lock, no livro Locks that Open Doors [Cadeados que Abrem Portas] conta que recebeu uma carta de agradecimento do tenente R. I. McIlray, que declarou: “Escrevo esta carta para lhe contar do grande trabalho feito pelos [papuásios] de sua missão… A boa obra do seu povo, mediante seu exemplo e seus ensinos, parece ter alcançado um ponto no qual podem nos ensinar algo sobre os ideais cristãos”.

Um relato ainda mais extraordinário foi feito pelo comandante australiano Robin Sydnei McKary, que disse, em entrevista a Daniel Connell: “Houve [papuásios] leais e desleais… Sem querer ser sectário de modo nenhum, descobrimos que os adventistas do sétimo dia foram os mais notáveis em lealdade. Não conheço nenhum adepto do adventismo do sétimo dia que tenha sido desleal. Não sei por que, mas era assim que funcionava… As outras religiões podiam ser de uma maneira ou de outra, mas, por algum motivo, os adventistas do sétimo dia eram especialmente leais e […] bem, eles eram sempre mais limpos, ensinavam-lhes limpeza, respeito, lealdade e alegria. E, você sabe, não tenho a menor simpatia pelos adventistas do sétimo dia […] [mas] se fosse preciso confiar em um [papuásio] sem conhecê-lo, ou sem conhecer as circunstâncias, o fato de ser adventista do sétimo dia já ajudava”. No período da mais forte prova, a mudança que o evangelho opera na vida das pessoas transpareceu.

Hoje, cerca de 10% dos papuásios se identificaram como adventistas do sétimo dia no censo nacional. Isso significa 500 mil pessoas a mais afirmando ser adventistas do que o número registro no rol de membros. Talvez esse fato esteja ligado à influência tremenda que a Igreja Adventista do Sétimo Dia exerce sobre o país na atualidade. Os adventistas ocupam muitos altos cargos governamentais. Mais de 50% dos estudantes de Medicina no país são adventistas. A Igreja Adventista administra uma respeitada rede de educação e saúde em todo o país. A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. E Papua Nova Guiné é apenas uma parte da Divisão do Sul do Pacífico, onde o evangelho continua a mudar a história, um coração de cada vez.

Influência e fidelidade

De acordo com estatísticas de censos nacionais, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a igreja multiétnica que cresce com maior rapidez tanto na Nova Zelândia, quanto na Austrália. Nesses dois países, os adventistas operam empresas de bem-estar e saúde de ponta, que organizam a maior série de triatlos infantis do mundo e produzem os mais confiáveis produtos alimentícios de desjejum.

O Avondale College também continua a obter reconhecimento. Duas escolas adventistas de ensino superior superaram 7.600 concorrentes e fazem parte das cem escolas com o melhor ensino da Austrália. O Hospital Adventista de Sydney é o maior hospital particular da Austrália. E os meios de comunicação adventistas são reconhecidos como de primeira linha nessa área na região.

Na parte transpacífica, iniciativas de missão urbana resultaram em um crescimento excepcional. Em 2014, os batismos em Vanuatu aumentaram em mais de 550% e, nas Ilhas Salomão, em mais de 250%. Os batismos em Samoa cresceram 400% em 2013.

Esse crescimento é real? Jesus disse que, onde está nosso dinheiro, ali está nosso coração. Então analisemos os dólares e centavos. Ao longo dos últimos cinco anos, os dízimos na Divisão cresceram 24%, mais do que o dobro do aumento do custo de vida em quatro dos cinco anos. Hoje a Divisão dá a maior porcentagem mundial de ofertas missionárias em relação aos dízimos. A Austrália, com sua população reduzida, devolve hoje o quarto maior dízimo do mundo. Os australianos contam com uma média de quase 50% a mais de dízimo por membro do que os norte-americanos.

Tudo são boas notícias? Não. A Igreja Adventista no Sul do Pacífico necessita desesperadamente do Espírito Santo. Nossa única esperança é Jesus. O mesmo Jesus que saiu com aqueles primeiros missionários de Port Moresby e trilhou a Kokoda Track. O mesmo Jesus que habitava no coração dos koiaris enquanto carregavam homens feridos para um local seguro. Esse mesmo Jesus continua a mudar a história em todo o Sul do Pacífico, um coração de cada vez. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Brilhando até Jesus voltar

Relatório apresentado por Alberto C. Gulfan, então presidente da Divisão do Pacífico Sul-Asiático, no dia 8, enfatizou o trabalho pessoal das famílias e o investimento feito pela igreja nos centros de influência

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Durante o último quinquênio, a Divisão do Pacífico Sul-Asiático (SSD, em inglês) se uniu à igreja mundial na ênfase sobre o reavivamento e a reforma como o coração da missão e do evangelismo. O slogan motivador, “Reavivamento, Reforma e Além” se tornou a base de programas e atividades em toda a região. A lógica para essa adaptação do slogan da igreja mundial é que, no passado, houve chamados ao reavivamento e à reforma que começaram com grande zelo e entusiasmo. Depois de um tempo, porém, o movimento minguou e desapareceu. Logo, a palavra “além” foi acrescentada para enfatizar o objetivo abrangente do reavivamento e do convite à reforma: o término da proclamação do evangelho, abrindo caminho para o retorno de Jesus.

Os programas da sede mundial foram contextualizados a fim de que os membros passassem a ser mais intencionais em sua vida de oração, no estudo da Bíblia e no testemunho pessoal. Os diretores de departamentos da SSD desenvolveram programas para suas áreas e garantiram o envolvimento de todos os ministérios, serviços e agências da igreja. A participação em semanas de oração anuais, e nas campanhas “Dez Dias de Oração” e “777”, bem como o estudo diário da Bíblia, foram encorajados em todos os níveis da organização da igreja.

Estilo de vida de evangelismo integrado

Foi concebido o plano de “Estilo de Vida de Evangelismo Integrado” (Evei) como guarda-chuva para cobrir todas as iniciativas de reavivamento e reforma da Divisão. Usando uma abordagem familiar, cada membro batizado é encorajado a se envolver de maneira pessoal em um ministério de amor e cuidado no lar e na sua vizinhança imediata, em parceria com a igreja local. Em essência, esse programa de longo prazo se concentra no testemunho pessoal e no cuidado aos novos membros da congregação.

Com essa abordagem familiar ao evangelismo, o Evei progride em três etapas ao longo do ano. Dois componentes principais tornam a iniciativa eficaz, quando conduzidos de maneira apropriada: a FI (família intercessora) e a FC (família cuidada). A FI é uma família adventista que dedica tempo em estudo da Bíblia e oração, experimentando reavivamento pessoal, ao mesmo tempo em que desenvolve bons relacionamentos no local em que vive. Embora o foco original sejam as famílias tradicionais, qualquer membro da Igreja Adventista pode convidar outros adventistas de seu círculo social para juntos formarem um grupo familiar.

Cuidado: um grupo de apoio da região central das Filipinas enfatiza a abordagem familiar, que inclui aspectos voltados especialmente para as crianças. Crédito: Kiona Costello/SSD

Cuidado: um grupo de apoio da região central das Filipinas enfatiza a abordagem familiar, que inclui aspectos voltados especialmente para as crianças. Crédito: Kiona Costello/SSD

Uma FI faz amizade com uma família que não faz parte da igreja, a fim de que se torne sua FC. O vínculo entre a FI e a FC derruba as barreiras à medida que a amizade cresce. Isso incentiva conversas abertas sobre vida familiar, saúde e questões espirituais. Um grupo de estudos semanal se forma entre essas duas famílias ou grupos familiares, usando materiais sobre saúde e família como ponto de partida.

Com o tempo, o grupo passa desses assuntos para o estudo da Bíblia. Enquanto isso, a igreja local realiza atividades comunitárias amistosas, com o objetivo de atender as FCs. Com o tempo, a FC é convidada para assistir a uma série evangelística. O objetivo dessa colaboração de longo prazo entre a FI e a congregação local é que a Igreja Adventista se torne um lar para a FC. Após o batismo, os novos membros continuam a se reunir semanalmente com seu grupo de cuidado para receber apoio e discipulado. Quando esse programa é colocado em prática de maneira apropriada, as Missões e Associações vivenciam um crescimento extraordinário.

A fim de chegar ao nível ideal de execução do programa, desde a instância local até os administradores tiveram acesso ao conceito de diversas maneiras. Os membros receberam materiais para usar nas igrejas locais. Sessões de treinamento sobre cuidado foram realizadas nas Uniões, Missões, Associações e instituições, bem como para os pastores distritais. Além disso, os administradores da igreja na região aceitaram o desafio de ser exemplos pessoais do programa.

Como resultado, os membros se fortaleceram espiritualmente e se envolveram mais. Ex-adventistas voltaram para a igreja e novos membros chegaram. Graças a isso, mais de 200 mil novos membros foram acrescentados no desafiador território da Divisão do Pacífico Sul-Asiático ao longo do último quinquênio.

Meios de comunicação

Além da ênfase no testemunho pessoal e nos relacionamentos individuais, a Divisão também se concentrou no uso da tecnologia para alcançar as pessoas em grande escala. Embora o método tradicional de compartilhar as boas-novas ainda seja eficaz, o uso da mídia impressa, da internet, do rádio e da televisão foram vigorosamente promovidos nas áreas em que se tem acesso a eles.

Em outubro de 2013, o Hope Channel Filipinas foi oficialmente inaugurado com a aquisição de uma franquia nacional de televisão e frequências nas principais cidades de todo o país. O Hope Channel Filipinas também é transmitido via satélite. Hoje há estações da emissora em três grandes cidades filipinas: Manila, Cebu e Cagayan de Oro. Mais de 20 rádios adventistas FM e AM veiculam programas positivos para todo o arquipélago. São produzidos programas nos quatro principais dialetos do país: tagalog, cebuano, hiligaynon e ilocano. A fim de apoiar a continuação das atividades, os membros da igreja se comprometeram a doar no mínimo 50 centavos a cada sábado.

Um sorriso amigável: funcionário do restaurante vegetariano Manna, no Laos, dá as boas-vindas aos clientes. Crédito: Teresa Costello/SSD

Um sorriso amigável: funcionário do restaurante vegetariano Manna, no Laos, dá as boas-vindas aos clientes. Crédito: Teresa Costello/SSD

Em 8 de agosto de 2014, o Hope Channel Indonésia também foi oficialmente inaugurado em Jacarta. Hoje milhões de indonésios assistem ao canal no próprio idioma. Uma pequena estação de rádio adventista FM foi inaugurada em Manado, North Sulawesi, Indonésia. Ela transmite as boas-novas do reino vindouro a cerca de meio milhão de pessoas.

Missão urbana

As regiões urbanas da Divisão consistem nos principais públicos de nossos ministérios tecnológicos. No entanto, também é necessária uma abordagem mais pessoal. A fim de atender a essa demanda, os adventistas que moram nas cidades da Divisão desenvolveram programas singulares de evangelismo em suas comunidades.

A iniciativa de evangelismo nas cidades conhecida como “Missão Urbana” foi completamente abraçada por aqui e lançada em caráter oficial no metrô de Manila, com a presença do presidente da igreja mundial, Ted Wilson, como orador principal. Além disso, 75 reuniões por satélite foram realizadas simultaneamente em diferentes partes de Manila ao longo da série de duas semanas.

Nos meses que antecederam a série evangelística, os membros e líderes da igreja se engajaram em diversos programas comunitários de evangelismo nas áreas de saúde e bem-estar, criação dos filhos, crianças e jovens, e atos de bondade. O projeto Um Ano em Missão, na Divisão do Pacífico Sul-Asiático, se concentrou no evangelismo da amizade no setor comercial de Manila, levando o estudo da Bíblia aos jovens profissionais da região.

Com mais de 3 mil pessoas batizadas durante a série evangelística de maio e 7 mil batismos resultantes dos programas comunitários relacionados, oferecidos pelas igrejas locais, Esperança Manila 2014 resultou em mais de 10 mil batismos.

Foi oferecido treinamento sobre evangelismo urbano em escolas de campo para os líderes de nove Uniões e duas Missões. Essa capacitação permitiu que iniciassem programas de missão urbana nas cidades da Malásia, de Mianmar, da Indonésia e de outras partes das Filipinas.

Centros de influência

Outra iniciativa de longo prazo de missão urbana corresponde aos centros de influência. Eles consistem em estabelecimentos de ministério holístico localizados em áreas urbanas populares, que oferecem serviços de acordo com as necessidades locais. Na Divisão do Pacífico Sul-Asiático, eles incluem restaurantes, escolas de música e de idiomas. Também têm o propósito de ser locais em que as pessoas possam desenvolver relacionamentos e encontrar uma sensação de pertencimento em meio aos novos amigos.

No Laos, um restaurante vegetariano localizado na capital, Vientiane, oferece alimentação saudável e aulas de melhoria de estilo de vida. Na Tailândia, os membros ofereceram aulas de saúde, culinária e música como programação prévia em 25 pontos de série evangelística. Após a série, o interesse pelas aulas de música continuou tão grande que foi aberto um conservatório para alcançar a comunidade. Existe até mesmo um centro móvel de influência em Kuala Lumpur, Malásia. Proveniente de um ministério urbano de saúde já consolidado, uma unidade médica móvel leva cuidados de saúde a regiões extremamente carentes da cidade.

Educação

Os cuidados com a saúde continuam a ser um método prático de atender as necessidades comunitárias. Todos os anos, incontáveis missões médicas são realizadas em muitos dos países da Divisão, proporcionando cuidados gratuitos de saúde às comunidades necessitadas.

Uma campanha universitária de doação de sangue realizada no campus da Universidade Internacional da Ásia e do Pacífico recebeu reconhecimento governamental depois de realizar uma clínica móvel de cirurgias oculares para a Cruz Vermelha da Tailândia.

Após 30 anos de sonhos, planejamento e oração, o programa educacional da Divisão deu uma grande virada depois da aprovação governamental para a abertura da primeira faculdade de Medicina adventista da Ásia. A Faculdade de Medicina da Universidade Adventista das Filipinas começará as aulas em agosto de 2015. Será o sexto curso de Medicina do sistema adventista de educação mundial.

Apoio a grupos marginalizados

Com mais de 70 grupos étnicos e centenas de dialetos em nosso território, temos um rico espectro cultural. Dentro dessa diversidade, contamos com uma série de grupos marginalizados, os quais procuramos alcançar ao longo dos últimos cinco anos.

Por exemplo, na região montanhosa das Filipinas, mais de 70 líderes protestantes do mesmo grupo tribal se converteram ao adventismo. O cuidado dispensado a esse grupo especializado continuou ao longo do quinquênio com centros culturais de comunhão e treinamento, e programas profissionalizantes. Graças a essas iniciativas, o número de conversos continua a crescer, ao passo que a conservação dos membros permanece estável. Em outras áreas da Divisão, adventistas dedicados ministram a grupos étnicos minoritários por meio de programas de alfabetização, projetos profissionalizantes e cuidados médicos.

ADRA Vietnã: agência humanitária continua a levar esperança para todas as partes do país. Crédito: ADRA Vietnã

ADRA Vietnã: agência humanitária continua a levar esperança para todas as partes do país. Crédito: ADRA Vietnã

ADRA

A Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) continua a manter uma presença fundamental nos países da Divisão. Durante períodos de desastre, os voluntários da agência levam esperança e os suprimentos necessários para as pessoas mais afetadas. Após eventos trágicos, projetos de reabilitação e profissionalizantes cooperam para recuperar e manter o bem-estar das comunidades.

Em muitas regiões do sudeste da Ásia, existe um longo histórico não só desse apreciado serviço, mas também de melhoria das condições de vida. A ADRA Vietnã celebrou recentemente 25 anos de serviço no país e já iniciou mais de 200 projetos em meio a grupos marginalizados. Com o foco na saúde, na profissionalização, em questões ambientais e na educação, os últimos projetos envolveram prevenção de doenças, criação de microempresas, saneamento básico e bolsas estudantis.

Conclusão

Com quase 1 bilhão de habitantes nos 14 países no território da Divisão do Pacífico Sul-Asiático, a maioria deles não cristãos, os desafios são muitos. A liberdade religiosa tem sido desafiada em algumas dessas nações, ao mesmo tempo em que portas anteriormente fechadas estão se abrindo em outros.

Problemas sociais, como a pobreza e o secularismo, são avassaladores em algumas áreas. Mas nossos membros doam e servem com generosidade, da maneira que podem, apesar de tudo isso. Inquietações civis fazem parte da história em partes da região, mas nossas igrejas procuram ser centros de paz e de influência positiva.

Às vezes, parece uma tarefa quase impossível cumprir a missão da igreja nesta parte do mundo. No entanto, o serviço alegre, a atitude altruísta e a fé resiliente de nossos membros nos inspiram. Eles andam com Jesus por vilas pequenas, bairros lotados e labirintos metropolitanos levando palavras de ânimo, esperança por meio de seminários de saúde e entusiasmo pela melhoria do estilo de vida em longo prazo.

Com o poder do Espírito Santo, nós, da Divisão do Pacífico Sul-Asiático, acreditamos que, no tempo de Deus, a missão será concluída. Por tudo aquilo que foi realizado ao longo dos últimos cinco anos, atribuímos glória, honra e louvor a Deus. Nós agradecemos a ele pela suas bênçãos e sua orientação. Também somos gratos à Associação Geral e às outras organizações e instituições irmãs de todo o mundo pelo auxílio prestado no apoio à obra no território da Divisão. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Um dia que entrou para a história da igreja

Por uma diferença de 404 votos (1.381 a 977, ou 58,4% a 41,3%), Igreja Adventista decide não ordenar mulheres ao ministério pastoral

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A expectativa em relação às decisões da assembleia mundial da Igreja Adventista nesta quarta, 8 de julho, estava no ar. Que a agenda era um dos pontos altos da assembleia, ninguém duvidava. Afinal, o tema da ordenação de mulheres ao ministério prometia ser um divisor entre o passado e o futuro da igreja.

Alguns diferenciais puderam ser notados desde o início: a liderança reservou um dia inteiro para tratar do assunto; foram escalados alguns dos líderes mais experientes para coordenar as atividades; o auditório estava bem mais cheio do que de costume; e a promessa era contabilizar o “sim” e o “não”, pelo voto secreto, no fim da tarde.

O pastor Mark Finley, respeitado evangelista, liderou os momentos iniciais de oração. Destacou que somos apaixonados a respeito de muitas coisas, mas devemos manter o espírito de amor e a união em Cristo.

A música instrumental “Quão Grande És Tu”, apresentada pela banda Ensamble de Metales, da Universidade de Montemorelos, no México, deu um tom solene ao evento, sugerindo que o Deus transcendente está acima dos debates humanos.

No devocional que tradicionalmente marca o início das atividades de cada dia da assembleia, Alain Coralie, da Divisão Centro-Leste Africana, apresentou uma vibrante mensagem intitulada “Through Trials to Triumph”, certamente uma das melhores do evento.

Com base em Josué 4, ele retratou o povo de Israel jornadeando pelo deserto durante 40 anos, rumo à terra prometida. A travessia do Jordão exigia um milagre divino, mas também a preparação do povo, que deveria dar um passo de fé.

Então, destacando a importância de se manter o olhar na história, ele fez uma ponte para o adventismo e acrescentou: “Se não soubermos por que chegamos aqui, não saberemos como chegar lá.” Segundo Alain, Deus tem sido bom para nós como denominação e como indivíduos. Se não fosse assim, não estaríamos aqui.

“A igreja não deve esquecer sua história, mas não pode ficar presa ao passado”, acrescentou. Por definição, os adventistas olham para o futuro. Enquanto não devemos esquecer os sofrimentos e as conquistas dos pioneiros, nós mesmos fomos chamados para ser pioneiros, ele completou.

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Na sequência, depois de mais oração, Michael Ryan, vice-presidente da denominação que está se aposentando, assumiu o comando dos trabalhos. Se alguns têm um estilo suave de presidir, como Ella Simmons, que atuou no dia anterior, Ryan é conhecido por sua firmeza. Considerando a pauta difícil, ficou claro que ele não foi escolhido por acaso.

Ryan começou observando que em um grupo grande como o da igreja há muitas ideias diferentes, e todos deveriam ser respeitosos em seus comentários. E que o mesmo espírito revelado em um encontro da igreja mundial em 2014 deveria ser manifestado. Para ele, o objetivo era ter o maior número possível de pessoas expressando sua opinião nos microfones.

Documentos

Antes de prosseguir, Ryan chamou o pastor Ted Wilson, presidente reeleito da igreja, para apresentar um histórico dos estudos sobre a ordenação de mulheres. Wilson relatou que, desde a década de 1970, a igreja vem debatendo o assunto.

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O presidente expressou seu desejo de ver um debate aberto e honesto. E pediu para que ninguém tentasse encerrar a discussão com uma moção (proposta), um dos recursos utilizados pelo plenário em outros momentos. Cada um deveria votar de acordo com a sua consciência, orientada pelo estudo do assunto e guiada pelo Espírito Santo. Novamente, foi ressaltado que, apesar das fortes convicções, o espírito de cortesia devia prevalecer.

Reconhecendo a gravidade da decisão diante do grupo, Ryan pediu para que se formassem grupos de dois ou três a fim de dedicar alguns momentos à oração, clamando pela orientação divina e um bom espírito. Foram vários momentos de oração. Em geral, os participantes desse tipo de debate são pessoas bem preparadas, com opiniões fortes, e pode ser grande a tentação de transformar o fórum do diálogo em um cenário de guerra.

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Artur Stele, presidente da última comissão teológica de estudo da ordenação (TOSC, na sigla em inglês), teve a oportunidade de explicar o processo de investigação do tema. “Qualquer coisa que façamos, vamos fazer com o objetivo de cumprir a missão”, sugeriu.

Ele relembrou que os documentos foram disponibilizados online (para acessá-los, clique aqui) para que cada um pudesse estudá-los e tomar uma decisão consciente. A palavra final agora estava com os representantes da igreja, mas cabia à família adventista manter o espírito de unidade: “Numa família, não há vencedores e perdedores. Ou todos ganham ou todos perdem.”

Para tornar o debate mais didático, Karen Porter, secretária da comissão teológica, leu as três posições e a declaração de consenso (leia aqui).

A questão que deveria ser respondida foi: “É aceitável que a comissão executiva de cada divisão, caso considere apropriado em seu território, implemente os dispositivos necessários para a ordenação das mulheres ao ministério? Sim ou não?”

Debate

Às 11h10, Ryan novamente pediu um momento de oração. O clima no auditório, diferentemente do início da assembleia, marcado por certa polarização entre a América do Norte e o chamado Sul Global, era de calma e paz.

Por fim, após o secretário da Associação Geral ler o documento “Teologia e a prática da ordenação ministerial”, os delegados estavam prontos para expressar suas opiniões, alternando-se vozes em favor do “sim” e do “não”.

Dezenas de delegados de ambos os lados registraram-se para expressar seus pontos de vista. A tela mostrava a imagem e a identificação da pessoa, bem como se estava defendendo o “sim” ou o “não”. Enquanto isso, um grupo de membros da igreja intercedia na sala de oração.

Por exemplo, John Brunt, pastor de uma grande igreja na Califórnia, utilizou seus dois minutos para argumentar em favor da justiça da causa da ordenação. Exemplificou que em seu staff há vários pastores e quatro pastoras, que batizam mais do que todos os ministros.

Carlos Steger, reitor do seminário adventista da Argentina, e Frank Hasel, professor de teologia na Europa, defenderam o “não” em nome da unidade da igreja.

Por sua vez, Lawrence Geraty, ex-presidente da Universidade de La Sierra, destacou a necessidade de missionários na América do Norte.

A sessão da manhã terminou ao meio-dia com cerca de 80 pessoas nas filas para falar. O intervalo para o almoço trouxe ainda mais energia para o reinício do debate, às 14h.

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Entre outros defensores do “não”, o Dr. Mario Veloso, que atuou em várias áreas da igreja, disse que desde 1973 ele tem feito parte das comissões que tratam do assunto, e os argumentos, textos bíblicos e citações dos escritos de Ellen White são sempre os mesmos.

Lowell Cooper, vice-presidente da igreja que está se aposentando, evocou vários pontos, como a teologia dos dons espirituais, para defender que a ordenação seria a expressão da necessidade da igreja em diferentes circunstâncias.

Já Colleen Zimbeva, da Divisão Sul-Africana Oceano Índico, sugeriu que as mulheres podem trabalhar sem a ordenação.

David Poloche, da Divisão Interamericana, mencionou o tempo dos juízes, em que cada um fazia o que achava correto. “Não vivemos mais nessa época”, disse. “Por 30 anos, a igreja tem estudado o assunto e ainda não encontrou razões bíblicas para ordenar.” Para ele, se cada divisão fizer o que considera correto, isso não seria unidade.

Às 15h15, conforme previsto, Ryan convidou o pastor Jan Paulsen, ex-presidente da Associação Geral, para fazer um comentário. Paulsen fez um apelo apaixonado em favor do “sim”, argumentando que o “não” poderia causar um sério dano à unidade da igreja. Assim como os membros da África e da América do Sul confiam em seus líderes, ele ponderou, os delegados deviam confiar que os líderes de outras regiões sabem o que é melhor para a igreja em seu território. A fala causou certo desconforto.

Entretanto, o debate continuou. Samuel Larmie, da Divisão Centro-Oeste Africana, partidário do “não”, argumentou que a verdade é uma e a igreja é uma. O que não é bom para uma parte do mundo não é bom para outra parte.

Charles Sandefur, da Associação Geral, defendendo o “sim”, disse que no concílio de Jerusalém, sem equipamentos e grandes comissões de estudo, mas guiados pelo Espírito Santo, os primeiros cristãos se reuniram e em um dia resolveram a questão da circuncisão, liberando os gentios da prática.

Segundo a contagem dos jornalistas da Adventist Review, 40 delegados – 20 a favor e 20 contra – conseguiram expressar sua posição nos microfones. E a discussão foi interrompida 35 vezes por delegados que desejavam fazer alguma objeção sobre determinado aspecto do procedimento.

Às 16h15, o pastor Ted Wilson, num pronunciamento pré-agendado, disse que todos sabiam sua posição (“não”), que ele considera bíblica, e fez um apelo em favor da unidade.

Votação

Finalmente, o horário de encerramento do debate, marcado para as 16h30, estava chegando. Alguns pediram mais tempo, mas o dirigente da reunião não concedeu, pois isso não estava previsto no regulamento.

votacao-ordenacao-de-mulheres-assembleia-mundial-8Feitos os preparativos, os delegados foram instruídos a retirar a cédula de votação, registrando sua presença pela leitura do código de barras do crachá e depositando em seguida o voto numa das urnas. Os anos de estudos e debates agora se resumiriam a “sim” ou “não” (escritos em cinco línguas na cédula), de acordo com o entendimento e a consciência de cada um.

Segundo o secretário associado Myron Iseminger, o sistema de voto secreto foi preparado com antecedência, caso o equipamento eletrônico não funcionasse como esperado. E, de fato, não funcionou.

info-votacao-ordenacao-mulheresAo som de hinos antigos, a contagem dos votos, mais uma vez, deixou a igreja na posição em que estava. Dos 2.363 delegados presentes, 977 (41,3%) votaram “sim” e 1.381 (58,4%) votaram “não”, além de cinco abstenções, o que encerrou, espera-se, cinco anos de debates vigorosos e, às vezes, acalorados sobre um tema polêmico, em que pastores e teólogos respeitados se posicionam de ambos os lados.

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Essa decisão não significa que as mulheres não vão ocupar posições de destaque na igreja, pois desde o início de sua história isso tem ocorrido, a começar por Ellen White.

O pastor Ted Wilson fez novo apelo por unidade e foco total na missão, orando pela cura e a unidade que vêm “pelo poder do Espírito Santo”. A audiência cantou o hino “Oh! Que Esperança”, e assim mais um capítulo da epopeia da (não) ordenação de mulheres chegou ao fim. “Agora é o momento de unificar [a igreja] sob a bandeira ensanguentada de Jesus Cristo e seu poder”, ele disse para um Alamodome ainda lotado.

Alguém pode achar que tudo isso representou muito esforço para um resultado (in)esperado. Contudo, é assim que a igreja trabalha. Tomar uma decisão rapidamente poderia ser mais fácil, mas o resultado talvez se mostrasse menos duradouro. Em suas idas e vindas, argumentos e contra-argumentos, o povo de Deus prossegue em sua trajetória. No mínimo, o processo serviu de base para uma decisão consciente, além de ser um exercício didático de como “fazer” igreja. Michael Ryan confessou sua satisfação pelo “espírito dócil” e o decoro demonstrados na reunião.

O sentimento de alguns líderes é que não houve vencedores e perdedores, pois, se a decisão for encarada como disputa, então todos serão perdedores. “Naturalmente, os membros da nossa divisão estão desapontados com o resultado, mas estamos comprometidos com a missão da igreja mundial”, comentou o pastor Daniel Jackson, presidente da Divisão Norte-Americana. Para Mark Finley, agora é preciso deixar para trás a discussão sobre ordenação e alcançar o mundo perdido. Porque, afinal, Cristo é o “sim” de Deus (2Co 1:20) para todos.

Marcos De Benedicto é editor da Revista Adventista


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Do outro lado do mundo

60% das igrejas de Sidney são étnicas, o que dificulta o evangelismo da amizade numa sociedade altamente secular

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Créditos da imagem: adventist.org.au

O trabalho em outro pais é sempre desafiador e gratificante ao mesmo tempo. O desafio é natural pelo fato de se tratar de terras estrangeiras. A cultura, a língua local e o significado da religião na dinâmica dessa outra sociedade formam, sem dúvida, um cenário que exige preparo e adaptação do missionário.

Na Austrália, não é diferente. Especialmente em Sydney, a maior cidade do país, multicultural e com 4,2 milhões de habitantes. Lá, o hinduísmo, xintoísmo, islamismo e cristianismo convivem lado a lado na Austrália, um país historicamente novo (200 anos desde seu descobrimento pelos ingleses no fim do século 18), cuja população é formada, na maioria, por imigrantes da Europa, Índia, China, Japão, Oriente Médio e Leste Europeu.

Ali, portanto, religião é considerada assunto de fórum íntimo e nunca levado à esfera pública, a fim de que se mantenha um convívio pacífico. A pregação do evangelho encontra uma barreira muito grande, já que a distribuição pública de folhetos, livros ou outros materiais de cunho religioso é proibida e só pode ocorrer mediante a autorização da prefeitura.

Além do aspecto cultural-religioso, a condição socioeconômica também não favorece a evangelização. Sendo um país rico e desenvolvido, muitas pessoas têm boa qualidade e vivem um estilo de vida consumista, secularizado, materialista e existencialista. No entanto, o ser humano é ser humano em qualquer lugar do mundo. Suas necessidades mais profundas por uma vida com significado e transcendência, são universais.

E é no serviço desinteressado, por meio da amizade e na prática diária das virtudes cristãs, que temos encontrado muitas oportunidades para compartilhar Jesus. Sou pastor de uma igreja de fala portuguesa e outra de fala inglesa. A primeira tem uma dinâmica muito parecida com a do Brasil e de Portugal. Enquanto a segunda é mais desafiadora, porque acolhe 15 nacionalidades e falantes de dez idiomas. A ausência de uma cultura uniforme torna muito difícil o visitante se identificar incialmente com a igreja, prejudicando assim o evangelismo da amizade. O ponto é que 60% das igrejas de Sidney são étnicas.

Porém, Deus tem abençoado ricamente nosso trabalho nesses anos no Sul do Pacífico. Seguimos humildemente na confiança de que ele ainda tem muitas bênçãos e oportunidades para a igreja nessa região.

André Vieira é pastor em Sidney, Austrália.

Divisões não poderão autorizar a ordenação de mulheres ao ministério pastoral

Decisão foi tomada pela assembleia mundial da igreja hoje à noite em San Antonio, no Texas (EUA)

Diante da falha registrada nessa semana no sistema eletrônico, votação foi realizada com cédulas.  Foto: Adventist Review

Votação foi realizada com cédulas de papel. Foto: Adventist Review

As 13 divisões da igreja adventista espalhadas pelo mundo não poderão autorizar a ordenação de mulheres ao ministério pastoral. O voto foi tomado nesta quarta-feira, 8 de julho, na assembleia que reúne líderes mundiais da igreja na cidade de San Antonio, Texas (EUA). Dos 2.363 delegados, 1.381 (58,4%) votaram “não” e 977 (41,3%) “sim”. Houve cinco abstenções.

O assunto vem sendo discutido pela igreja há alguns anos. Em 1990, quando ocorreu a primeira votação, 76% decidiram pela não ordenação das mulheres. Num segundo momento decisivo, durante a assembleia de Utrecht, na Holanda, 69% também se manifestaram contrários.

Cinco anos depois, na sessão da Associação Geral de Atlanta, em 2010, a pauta veio à tona novamente, acompanhada de uma solicitação para que o assunto fosse reapresentado. Durante dois anos, teólogos de todo o mundo formaram um comitê para tratar do assunto. As conclusões obtidas a partir do estudo aprofundado do tema resultaram numa declaração de consenso sobre a teologia adventista da ordenação (leia o documento abaixo).

Vice-presidente da Igreja Adventista, Mike Ryan, preside o Concílio Anual na terça-feira, dia 14 de outubro, enquanto delegados votaram quase unânimes para colocar um item na agenda da Assembleia da Associação Geral do ano que vem perguntando se as Divisões regionais podem permitir que as mulheres sejam ordenadas como ministros (ou ministras). O voto foi de 243 a 44, com três abstenções (Foto: Viviene Martinelli).

Vice-presidente da Igreja Adventista, Mike Ryan, preside o Concílio Anual realizado em outubro de 2014, quando foi decido que o assunto da ordenação das mulheres ao ministério pastoral seria tratado na assembleia de San Antonio. A proposta. Foto: Viviene Martinelli.

Em outubro de 2014, o Concílio Anual da Associação Geral da Igreja Adventista, em Silver Spring, Maryland (EUA), decidiu inserir o item na agenda da 60ª assembleia. A proposta de se promover uma terceira votação sobre o tema recebeu 243 votos favoráveis e 44 contra (houve três abstenções).

Ponto em questão

A pergunta em questão na tarde de hoje foi se as divisões (ou escritórios administrativos da Igreja Adventista) devem permitir que as mulheres sejam ordenadas como pastoras. Por ser o item mais sensível da agenda da 60ª assembleia da igreja, o presidente mundial dos adventistas, Ted Wilson, apelou aos delegados para que buscassem a Deus em oração antes de manifestar sua decisão nas urnas.

Sem perder esse espírito, ao longo de toda a tarde, enquanto dezenas de delegados manifestavam publicamente diferentes opiniões a respeito do tema, a reunião administrativa foi interrompida pelo presidente da mesa, pastor Michael Ryan, para momentos de oração.

Após a decisão, em um discurso solene, o líder mundial dos adventistas reiterou que a votação nesta assembleia não encerra com vencedores ou perdedores. Segundo ele, mais do que nunca a igreja precisa seguir unida e com o foco na missão. [Márcio Tonetti, equipe RA]


 

DECLARAÇÃO CONSENSUAL SOBRE A TEOLOGIA ADVENTISTA DA ORDENAÇÃO

VOTADO o recebimento e o endosso do documento “Declaração Consensual sobre a Teologia Adventista da Ordenação”, que afirma o seguinte:

Em um mundo alienado de Deus, a igreja é composta por aqueles que Deus reconciliou consigo mesmo e uns com os outros. Por meio da obra salvadora de Cristo, seus membros estão unidos em missão pela fé mediante o batismo (Ef 4:4-6), tornando-se um sacerdócio real, cuja missão é “anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9). Os cristãos recebem o ministério da reconciliação (2Co 5:18-20), chamados e capacitados pelo poder do Espírito e pelos dons que Ele derrama sobre cada um para cumprir a comissão evangélica (Mt 28:18-20).

Embora todos os cristãos sejam chamados para usar seus dons espirituais no ministério, as Escrituras identificam algumas posições específicas de liderança que eram acompanhadas da ratificação pública pela igreja de que tais pessoas atendiam os requisitos bíblicos (Nm 11:16, 17; At 6:1-6; 13:1-3; 14:23; 1Tm 3:1-12; Tt 1:5-9). Revela-se que vários desses endossos envolviam a “imposição de mãos”.

As versões da Bíblia em inglês usam a palavra ordenar para traduzir muitas palavras diferentes em grego e hebraico que exprimem a ideia básica de selecionar ou nomear, descrevendo a colocação de tais pessoas em seus respectivos ofícios. Ao longo da história cristã, o termo ordenação adquiriu significados que vão além do que as palavras originalmente subentendiam. Levando em conta esse contexto, os adventistas do sétimo dia entendem que ordenação, no sentido bíblico, é a ação da igreja de reconhecer publicamente aqueles a quem o Senhor chamou e capacitou para o ministério na igreja local e global.

Além da função única dos apóstolos, o Novo Testamento identifica as seguintes categorias de líderes ordenados: os presbíteros e presbíteros-chefes (At 14:23; 20:17, 28; 1Tm 3:2-7; 4:14; 2Tm 4:1-5; 1Pe 5:1) e os diáconos (Fp 1:1; 1Tm 3:8-10). Ao passo que a maioria dos presbíteros e diáconos ministrava em contextos locais, alguns presbíteros eram itinerantes e supervisionavam um território maior, formado por várias congregações, função que pode refletir o ministério de indivíduos como Timóteo e Tito (1Tm 1:3, 4; Tt 1:5).

Por meio do ato da ordenação, a igreja confere autoridade representativa sobre indivíduos para a obra específica de ministério à qual são nomeados (At 6:1-3; 13:1-3; 1Tm; Tt 2:15). Tais papéis podem incluir: representar a igreja, proclamar o evangelho, ministrar a Ceia do Senhor e o batismo, plantar e organizar igrejas, guiar os membros e cuidar deles, opor-se a falsos ensinos e prover serviço geral para a congregação (cf. At 6:3; 20:28, 29; 1Tm 3:2, 4, 5; 2Tm 1:13, 14; 2:2; 4:5; Tt 1:5, 9). Embora a ordenação contribua para a ordem da igreja, ela não confere qualidades especiais aos indivíduos ordenados, nem introduz uma hierarquia monárquica na comunidade da fé. Os exemplos bíblicos de ordenação incluem a concessão de um mandato, a imposição de mãos, jejum e oração e a entrega das pessoas separadas à graça de Deus (Dt 3:28; At 6:6; 14:26; 15:40).

Os indivíduos ordenados dedicam seus talentos ao Senhor e à sua igreja em serviço vitalício. O modelo básico de ordenação foi a nomeação dos doze apóstolos (Mt 10:1-4; Mc 3:13-19; Lc 6:12-16) e o modelo supremo de ministério cristão é a vida e a obra de nosso Senhor, que não veio para ser servido, mas, sim, para servir (Mc 10:45; Lc 22:25-27; Jo 13:1-17). [Tradução: Cecília Eller Nascimento]


 

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VÍDEO: O pastor e jornalista Diogo Cavalcanti comenta a decisão direto de San Antonio