Carência do evangelho

Após 100 anos de presença adventista em Bangladesh, a pregação do evangelho ainda é pouco expressiva no país com a maior densidade demográfica do mundo

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Créditos da imagem: ADRA Bangladesh

Apenar de mais de um milhão de adventistas viverem no território da Divisão do Pacífico Sul-Asiático da Igreja Adventista, a população dessa geografia é de quase um bilhão de pessoas. Neste contexto está Bangladesh, país com a maior densidade demográfica do mundo, se não forem levados em conta cidades-estado e nações com menos de 10 milhões de habitantes. São quase 160 milhões de pessoas numa área um pouco maior do que o Amapá, o que significa mil pessoas dividindo o mesmo quilômetro quadrado (no Brasil, são 23 habitantes/km2).

A pobreza é outra característica do país: 43% da população vivem com menos de 1,25 dólar por dia. Segundo dados de 2013, a renda per capita é de 1.044 dólares, enquanto a média mundial é de quase 8 mil. No Índice Global da Fome, Bangladesh está entre os dez piores países, sendo a falta de diversidade na dieta um dos principais problemas. A nação também está entre os cinco países com maiores chances de sofrer desastres naturais. Todos os anos, enchentes, ciclones e maremotos arrasam cidades e matam milhares de pessoas.

Mesmo com esse cenário, a Igreja Adventista está há mais de 100 anos em Bangladesh. No entanto, os desafios ainda são enormes. Sendo realista, a igreja tem pouco menos de 10 mil membros ativos, mesmo que conste com mais de 30 mil na secretaria. Se faltam adventistas, não faltam alegria e música por aqui.

Com mais de 92% da população adepta ao islamismo, menos de 1% de cristãos e muitas restrições à pregação do evangelho, o adventismo enfrenta obstáculos para crescer. Por causa da renda per capita tão baixa, a igreja não consegue sequer manter três ou quatro pastores que se formam a cada ano. Bangladesh possui quatro Missões e uma União, mas sobrevive com subsídios da Divisão local, Associação Geral e doações esporádicas de estrangeiros.

Os adventistas representam apenas 0,019% da população bengali: são supostos 30.115 membros distribuídos em 129 igrejas. A grande maioria dos membros não conhece muito da Bíblia. Na luta diária pela sobrevivência, investem pouco tempo à oração e estudo da Palavra, que são fundamentais para o crescimento sadio da fé cristã.

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Por meio de projetos sociais e na área de saúde, a ADRA Bangladesh tem ajudado a mudar a vida da população. No Índice Global da Fome, o país está entre os dez piores. A falta de diversidade na dieta é um dos principais problemas. Foto: arquivo pessoal / Landerson Serpa

O país faz parte da Janela 10/40, região em vivem 66% da população mundial, e que corresponde a 33% da área do planeta, compreendendo 62 países. Bangladesh, cujo governo insiste em dizer que é laico, está na lista das 50 nações mais intolerantes aos cristãos, o que torna muito difícil a vida dessa minoria.

No campo das possibilidades, a educação tem sido uma das principais frentes de atuação da igreja em Bangladesh. Com um total de 150 escolas, incluindo sete internatos, a igreja trabalha bastante para ajudar a comunidade local, atendendo 9.085 alunos. Mas os desafios são grandes. Apenas um internato consegue se manter por conta própria. O mesmo ocorre com as 13 escolas nas cidades, apenas uma não representa prejuízos financeiros para a igreja. As outras 137 escolas são as chamadas village school (escolas de vilas), que não possuem prédios próprios e as aulas são ministradas nas casas dos pastores.

A Igreja Adventista tem um papel muito importante a exercer nesse país: ser luz em meio às trevas. Por isso, cada adventista de Bangladesh deve se apegar ainda mais a Cristo, e permitir que ele o transforme diariamente a fim de que a missão de Deus avance nesse país desafiador. Ore por Bangladesh e pela Janela 10/40.

Landerson Serpa Santana é pastor e trabalha para a ADRA Bangladesh (com colaboração de Ketlin Brito e Kevin Dantas)

Cenáculo moderno

Vinte anos depois, editor da CPB relembra cobertura que fez da assembleia de Utrecht, na Holanda

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Centro de Convenções Jaarbeurs, em Utrecht, na Holanda, onde foi realizada a assembleia mundial da igreja em 1995. Imagem: acervo RA

Em 1995, pela primeira vez, minha esposa e eu tivemos o privilégio de participar, como delegados (eu, também como repórter da Revista Adventista), da 56ª Sessão da Associação Geral, realizada em Utrecht, cidade conhecida como o “coração da Holanda”. Destacado centro comercial e turístico do país, nela se encontram as marcas de um rico passado histórico e de um presente dinâmico.

Participar de uma assembleia mundial da Igreja Adventista é, realmente, uma experiência inesquecível. O fato de nos encontrarmos em meio a uma riquíssima diversidade de culturas, etnias e idiomas, contudo identificados pelas mesmas crenças, os mesmos ideais espirituais e missionários, a mesma bendita esperança de ver Jesus face a face, contribui para que logo nos sintamos uma família – a família de Deus. Agora, tendo a oportunidade de assistir a mais um evento dessa natureza, emergem as lembranças de 20 anos atrás.

Que lembranças guardo de Utrecht? De início, foi inevitável a associação daquele encontro do povo remanescente, durante dez dias, com outro que também aconteceu reunindo os primeiros cristãos, durante dez dias, muito tempo atrás em Jerusalém. Acaso, a unidade característica do primeiro encontro em Jerusalém seria a marca do encontro em Utrecht? O lema da assembleia – “Unidos em Cristo” – era convidativo a esse ideal. Conforme disse o Dr. Benjamin Reaves, então diretor do Colégio Oakwood, em sua mensagem devocional de abertura, o lema era “um insistente imperativo missionário para a igreja. Ele deve ser o sinal pelo qual o mundo possa nos distinguir. Através de nossa união, devemos atrair pessoas a Cristo. Não é suficiente a união teológica, doutrinária e de crenças. Importa que estejamos unidos no amor”.

A pauta das discussões continha temas controvertidos, mas foram debatidos no espírito do lema da assembleia. Senti que o Espírito Santo a tudo dirigia. Ideias eram às vezes apresentadas com muita ênfase, defendidas com ampla liberdade para expressão, mas tudo sob uma atmosfera de respeito cristão. Havia a clara determinação de todos no sentido de que a igreja não fosse desviada de sua rota missionária. Vinte anos mais perto da vinda de Jesus Cristo, não podemos esperar nem desejar menos do que isso.

Ainda me lembro de Meropi Gijka, digno exemplo de fé mantida sob circunstâncias dificílimas. Ela foi alcançada na Albânia, onde floresceu o modelo comunista mais agressivo. Meropi se converteu no início dos anos 1940, graças ao trabalho do pastor Daniel Lewis, e viveu secretamente a fé durante 50 anos em que a religião organizada foi proibida naquele país. Descoberta em 1990 pelo pastor David Currie, entregou-lhe os dízimos guardados durante aquele tempo e, finalmente, pôde ser batizada. Aos 92 anos, ela estava em Utrecht numa cadeira de rodas.

Além de Meropi, estiveram na Holanda mais dois exemplos, entre outros, de que não há barreiras ideológicas nem geográficas para o evangelho de Cristo: Sovanna Puth, primeira adventista batizada no Camboja, depois de 30 anos, e Davaahuu Barbaatar, primeira adventista batizada na Mongólia.

Ouvi o voluntário Fitz Henry, ex-presidiário e, como ele mesmo se definia, “engenheiro profissional, mas pregador por vocação”. Havia levado ao batismo 15.100 pessoas em dez anos, realizando campanhas evangelísticas na América Central.

Testemunhei o vigoroso envolvimento missionário dos jovens, de todas as partes. Ações comunitárias, música, dramatizações e muito mais eram recursos utilizados já naquele tempo com objetivos evangelísticos. E com expressivos resultados.

Estou certo, porém, de que as conquistas relatadas em Utrecht foram nada mais que o prelúdio da grande sinfonia hoje apresentada. A igreja tem feito incomparavelmente mais. Porém, ainda estamos em um mundo cujas transformações acabam afetando a igreja. Por quanto tempo mais? De quantos “dez dias” necessitaremos para reviver a experiência daqueles primeiros “dez dias” do cenáculo em Jerusalém?

Zinaldo Santos é pastor, jornalista e editor da revista Ministério. Zinaldo está em San Antonio, Texas

Mensagem viva de saúde

Participantes da assembleia mundial da igreja organizam corrida para impactar San Antonio com a mensagem de saúde

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Mais de 2,5 mil pessoas participaram de uma corrida organizada pela Igreja Adventista em San Antonio no início da manhã do último domingo, dia 6. O evento buscou chamar a atenção da comunidade para a importância do estilo de vida saudável. Segundo a coordenadora do evento e responsável pelo departamento de Saúde da igreja na América do Norte, Kátia Reinert, a população local sofre com problemas de obesidade, diabetes e outras doenças crônicas. Por isso, a iniciativa foi uma mensagem viva de saúde transmitida pelos adventistas à cidade sede da 60ª assembleia da Associação Geral. [Fotos: Leônidas Guedes]

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Cultura ou Escritura?

O grande teste da fé é se manter fiel à Bíblia quando ela contraria os valores do nosso tempo

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A declaração de Ellen White de que a Bíblia é “a voz de Deus nos falando […] como se pudéssemos ouvi-la literalmente” (Testemunhos para a Igreja, v. 6, p. 393) é, ao mesmo tempo, confortante e desafiadora.

Ela é facilmente aceita quando a Bíblia diz que “Deus é amor” (1Jo 4:8), que Jesus foi preparar “moradas” para nós (Jo 14:2) e que ele pode “nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:9).

No entanto, a mesma Bíblia também afirma que os israelitas foram instrumentos divinos para punição dos cananeus (Lv 26:7, 8), que o escravo Onésimo deveria voltar para seu senhor (Fm 12), que as mulheres devem ser “sujeitas” ao marido (Ef 5:22; 1Pe 3:1) e que os “efeminados” não herdarão “o reino de Deus” (1Co 6:10). Para muitos, nisso, a Bíblia entra em choque com os valores mais lógicos e atuais e deixa de parecer a voz de um Deus de amor.

Inclusão e igualdade são hoje ideais hegemônicos. É coerente e atual abrir espaço para as minorias marginalizadas. Defender os direitos femininos irrestritos é politicamente correto. Diante disso, certas declarações bíblicas têm causado constrangimento. As indagações surgem às dezenas:

Por que Deus manteria aliança com os israelitas se eles fizeram “pior” do que os cananeus que haviam contaminado a terra de Canaã (2Rs 21:9)? Não teria essa história sido narrada da perspectiva de Israel, retratando os cananeus como ímpios, quando na verdade os israelitas foram piores do que eles? Por que a escravidão foi tolerada ao longo de séculos sem nenhuma condenação direta? Por que a Bíblia, desde o princípio, não estabeleceu a igualdade entre homem e mulher, combatendo o machismo? Por que a marginalização não foi encarada corajosamente, da mesma forma que Jesus defendeu a mulher adúltera?

Lentes da cultura

Para muitos, a resposta é simples: a verdade bíblica, transmitida pelos autores inspirados, se acomoda às estruturas socioculturais do contexto em que foi escrita. Essa abordagem procura resolver os dilemas causados pelo relato bíblico quando este entra em choque com os valores e a visão de mundo do tempo atual. Para os defensores do ponto de vista da verdade aculturalizada, o relato bíblico da criação, por exemplo, incorpora as ideias mitológicas do tempo de Moisés e a descrição dos costumes sociais reproduz os valores do contexto em questão sem interferir neles. Portanto, essas pessoas defendem que, hoje, o ensino das origens deve substituir as ideias de Moisés pela visão dominante da ciência. Da mesma forma, uma abordagem atual da condição da mulher e dos excluídos deve incorporar o sentimento de igualdade e inclusão predominantes.

Além disso, a valorização da pluralidade na cultura pós-moderna tem fomentado leituras diversas da Escritura, possibilitando a cada grupo social uma teologia específica. Existe a teologia da libertação, que usa a Bíblia para dar voz aos pobres e oprimidos; a teologia feminista, que empreende a defesa da mulher; a teologia negra e a teologia homossexual, em defesa dos marginalizados. Todas essas abordagens partem da suspeita de que há sistemas de dominação na sociedade e que a tarefa da teologia é desmontar tais estruturas sociais e promover a emancipação das diversas classes oprimidas. Henry A. Vikler afirma que “a hermenêutica da suspeita reivindica a tarefa de desmascarar a visão de mundo em que o texto bíblico se apoia, a qual se suspeita ser o suporte dos poderosos em sua opressão sobre os fracos” (Hermeneutics: Principles and Process of Biblical Interpretation, p. 69).

Orientados por esse espírito desconstrucionista, os teólogos dissecam o texto bíblico como se fosse possível estabelecer quando os autores inspirados estão transmitindo uma verdade espiritual e quando estão apenas refletindo a visão de mundo e as ultrapassadas estruturas socioculturais de seu tempo. Decorre daí a centralidade do intérprete em detrimento da autoridade do texto sagrado.

Submissão à Palavra

Contrariamente a essa tendência de elevar o intérprete acima do autor inspirado e de considerar a Palavra de Deus como acomodada à cultura antiga, Cristo endossou “todas as Escrituras” (Lc 24:27), e Paulo declarou que “toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus” (2Tm 3:16).

Em defesa da verdade bíblica, Ekkehardt Mueller afirma que “a Palavra de Deus não é cultural nem historicamente condicionada, mas cultural/historicamente constituída”. Apesar de ser transmitida por meio da linguagem humana, “ela transcende a cultura e nos alcança hoje”. Por isso, diz ele, “o que o texto bíblico significava em seu ambiente original é precisamente o que ele significa para nós hoje”, e toda a verdade bíblica precisa ser entendida a partir de “seu significado original” (Compreendendo as Escrituras, p. 113).

Quando os dilemas sociais são analisados no contexto bíblico, deve-se notar que a salvação é o objetivo primordial da revelação divina. Nessa perspectiva, Deus foi capaz de libertar o povo de Israel da escravidão egípcia, quando essa condição comprometia o plano da salvação, mas ele também foi capaz de entregar esse mesmo povo à escravidão novamente, sob as mãos do rei pagão Nabucodonosor, a quem ele chamou de “meu servo” (Jr 25:9). Libertar e escravizar do ponto de vista social são ações subordinadas ao plano da salvação, que é superior e essencial, ficando subentendido que a escravidão decorre do afastamento do plano salvífico de Deus.

Diante das expectativas dos discípulos acerca da restauração do reino de Israel e da libertação do jugo romano, Jesus foi claro em dizer que o reino de Deus estava dentro deles (Lc 17:20, 21). Esse reino espiritual, que liberta do poder do pecado, é a essência do reino da graça inaugurado por Jesus. Mais tarde, antes da descida do Espírito, ele disse que não competia aos discípulos saber o tempo para a implantação do reino da glória (At 1:6, 7), que incluiria libertação social e política de todo tipo de jugo. O objetivo da manifestação e da ação de Deus na história é a salvação de seus filhos.

É notório que Jesus não só frustrou as expectativas emancipatórias imediatas dos discípulos, mas disse que eles seriam perseguidos e maltratados por causa de seu nome (Lc 21:12). Ele deixou sugerido que Roma continuaria soberana e que perseguiria os próprios crentes. E não esboçou nenhum plano de quebrar esse poder, senão no reino da glória. O plano da salvação é prioritário, e essa questão deve ser levada em conta na leitura dos relatos bíblicos envolvendo questões sociais.

A despeito disso, porém, é preciso considerar que a submissão da mulher na Bíblia não é a mesma da cultura machista do mundo. A relação da igreja com Cristo é o modelo da submissão feminina e da autoridade masculina. O escravo na Bíblia também não é o mesmo escravo da história europeia-americana, pois não raro o escravo em Israel preferia ficar com seu senhor quando ele podia ser livre (Dt 15:13-16). Todos os pecadores, por mais socialmente excluídos que sejam, são salvos mediante o arrependimento e abandono do pecado possibilitados pela graça de Cristo.

Nas últimas décadas, os cristãos têm manifestado grande reverência para com as Escrituras. Nunca se leu tanto a Bíblia nem jamais foram vendidas tantas cópias do livro sagrado. No entanto, as Escrituras têm sido lidas mais como um compêndio de autoajuda do que como revelação da verdade divina.

O teólogo britânico John Barton considera que as hermenêuticas pós-modernas “permitem às pessoas atribuir o significado que elas desejam ver nos textos sagrados”. Essa abordagem oferece um modelo de exegese que proporciona às pessoas “bem-estar dentro de suas comunidades”. Segundo ele, na verdade, os crentes pós-modernos não desejam ser desafiados pelo significado do texto bíblico, a despeito do “lugar de honra” que dão à Bíblia (Cambridge Companion to Biblical Interpretation, p. 18).

Teste da fé

O grande teste da reverência para com a verdade bíblica não é quando a Bíblia afirma o que acreditamos, mas quando ela contraria nossas expectativas e convicções mais íntimas. A mesma voz que diz que Jesus pode perdoar nossos pecados também afirma que a igreja não é deste mundo nem deve se acomodar à cultura secular; em vez disso, precisa ser separada.

O teste da fé é quando a Bíblia diz uma coisa que a ciência, com seus métodos, tem demonstrado o contrário. É quando um autor inspirado faz uma afirmação que entra em choque direto com os valores do nosso tempo. Manter essa afirmação inspirada é não apenas uma questão de fé, mas de submissão.

Nisso, a própria Bíblia nos dá inúmeros exemplos. Jó pôde dizer: “ainda que ele me mate nele esperarei” (Jó 13:15). O pequeno Samuel disse: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (1Sm 3:9). A primeira característica da fé é a submissão à voz de Deus.

Vanderlei Dorneles é Doutor em Ciências pela Escola de Comunicação e Artes (USP) e redator-chefe associado na CPB

A missão em primeiro lugar no campo mais desafiador

Relatório apresentado por Jairyong Lee, presidente reeleito da Divisão do Pacífico Norte-Asiático, no dia 7, ressaltou os movimentos de plantio de igreja e as iniciativas de missão urbana

Dedicados e prontos: na Coreia do Sul, missionários do Movimento de Missão Pioneira são dedicados para o serviço. Crédito: NSD

Dedicados e prontos: na Coreia do Sul, missionários do Movimento de Missão Pioneira são dedicados para o serviço. Crédito: NSD

A Divisão do Pacífico Norte-Asiático (Nothern Asia-Pacific Division — NSD) atende a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Coreia do Norte, a Mongólia e Taiwan, países com uma vasta história e rica herança cultural. Uma vez que quase um quarto da população mundial vive no território da NSD, os desafios missionários são enormes.

Os cristãos constituem apenas 4% da população total de 1,6 bilhão de habitantes. O budismo, o xintoísmo e o confucionismo, bem como outras religiões tradicionais, são profundamente enraizadas na região, ao mesmo tempo em que o secularismo e o materialismo bloqueiam o coração de muitos.

Apesar dessas circunstâncias desafiadoras, ao longo dos últimos cinco anos, o Senhor abençoou sua missão nessa Divisão de muitas maneiras notáveis. Mas somente com o poder do Espírito Santo seremos capazes de cumprir a comissão evangélica no futuro próximo.

Colocando em prática o lema “Missão em primeiro lugar”, funcionários e membros da igreja na Divisão têm dedicado a vida a Deus a fim de avançar a pregação do evangelho por meio da participação em atividades de alcance missionário na própria terra natal e no exterior. Desde a assembleia da Associação Geral de 2010, 77.693 pessoas aceitaram a Jesus Cristo e se uniram à família adventista, totalizando 688.106 membros no território da Divisão em 31 de dezembro de 2014.

Batismo no Japão: novos fiéis entregam a vida a Cristo. Crédito: NSD

Batismo no Japão: novos fiéis entregam a vida a Cristo. Crédito: NSD

Reavivamento espiritual

Ted Wilson, presidente da Associação Geral, visitou a Coreia e o Japão em outubro de 2011 e a China em abril de 2012. Ele pregou mensagens sobre reavivamento e reforma, que trouxeram grandes bênçãos e encorajamento. Durante sua visita, os membros entenderam melhor a importância do reavivamento espiritual e reconsagraram a própria vida à missão de contar aos outros sobre Deus. Os membros da igreja de todo o território da Divisão continuam a se concentrar na necessidade de experimentar reavivamento espiritual pessoal e reforma por meio da Palavra de Deus e da oração fervorosa.

Quando nossos líderes visitaram a China, os líderes da igreja chinesa pediram auxílio por meio de treinamento espiritual de maneira sistemática. A China tem 1,35 bilhão de habitantes, dos quais menos de 4% são cristãos. As igrejas lutam por reavivamento e reforma, e suplicam por capacitação espiritual. A fim de atender essa necessidade urgente, a comissão diretiva da Divisão votou, em maio de 2012, a criação de um centro de treinamento de liderança espiritual na ilha de Jeju, na Coreia. Em 1o de setembro de 2013, a cerimônia de inauguração ocorreu com a presença de Wilson, dos presidentes das Uniões e de cerca de cem membros da igreja.

Em nove meses, foram construídos dois dormitórios, um refeitório, salas de aula e uma casa para o diretor do centro. Desde junho de 2014, grupos de diferentes países, inclusive da China, do Japão, de Taiwan e da Mongólia já receberam uma semana de treinamento espiritual. A partir de 2016, nosso alvo é proporcionar capacitação para um total de 700 a 800 pessoas por ano.

Missão: nossa principal prioridade

A missão é a principal prioridade da Divisão do Pacífico Norte-Asiático. Ela é fortemente enfatizada em todas as atividades da igreja. A fim de inspirar os membros da igreja com o espírito missionário, foi realizado o Congresso Internacional de Missões no centro de convenções internacionais em Jeju, Coreia, em agosto de 2013. Cerca de 4 mil pessoas de todo o território da Divisão participaram com entusiasmo. Muitos líderes proeminentes da igreja, inclusive Ted Wilson e G. T. Ng, secretário-executivo, estavam presentes e inspiraram as pessoas com mensagens poderosas da Palavra de Deus. Com o coração unido, os participantes conversaram, ouviram e refletiram sobre a missão da igreja. Dedicaram tempo orando juntos para pedir o derramamento do Espírito Santo e a união na missão.

Vibração por todos os lados: dedicação da igreja de Nanjing, na China.

Vibração por todos os lados: dedicação da igreja de Nanjing, na China.

Hoje mais de 500 cidades no mundo têm uma população superior a 1 milhão de habitantes. Cento e cinco dessas cidades fazem parte do território da nossa Divisão. Séries evangelísticas do projeto de “Missão Urbana” foram realizadas nas principais cidades da Divisão, começando com “Tóquio 13” no Japão. Tóquio é uma das cidades mais populosas do mundo e foram feitas 42 séries evangelísticas em várias igrejas de lá. A maioria desses pontos de pregação ficaram lotados de gente.

Além de Tóquio, outras 16 grandes cidades foram selecionadas no território da Divisão para a iniciativa de missão urbana. Partilhar a mensagem do breve retorno de Cristo com milhões de pessoas que vivem nas grandes cidades corresponde à maior parte de nosso foco missionário.

Na Mongólia, as reuniões evangelísticas do projeto “Missão Urbana” foram realizadas em 13 lugares da cidade de Ulan Bator, nos dias 5 a 13 de setembro de 2014. No sábado, 13, todos se reuniram em um ponto de encontro central com cerca de 700 pessoas presentes para adorar a Deus. Graças a “UB14”, 130 pessoas foram colhidas para o reino dos céus. A Divisão dará continuidade à ênfase na missão urbana até que todos os habitantes das cidades sejam alcançados com as três mensagens angélicas.

Projetos missionários

No que se refere às atividades missionárias, a Divisão deu início a vários projetos envolvendo pastores e leigos, tanto em países estrangeiros quanto na própria terra.

O Movimento de Missão Pioneira (MMP) é o projeto de plantio de igrejas em territórios de Missão Global da Divisão desde 2002. Ao longo dos últimos 13 anos, 102 pastores e suas famílias deixaram sua terra natal a fim de servir por seis anos como missionários plantadores de igrejas que atravessam barreiras culturais. Alguns voltaram para casa depois de atuar com êxito durante o período de seis anos. Atualmente, 48 missionários MMP plantam igrejas em 16 países, à saber: Japão, Taiwan, Hong Kong, China, Coreia, Mongólia, Congo, Uganda, Tanzânia, Quirguistão, Indonésia, Rússia, Índia, Turquia, Kosovo e Filipinas. Por meio de seu serviço dedicado, foram fundadas 148 congregações, resultando no batismo de 13.935 pessoas.

No projeto “Anjos Dourados”, por sua vez, oito jovens talentosos se voluntariam como cantores missionários por um ano, com o propósito de dar apoio às atividades evangelísticas no território da Divisão. Além de cantar nas séries de pregação, eles visitam as pessoas de porta em porta, fazem amigos e ministram estudos bíblicos. Desde 2004, milhares de pessoas foram tocadas pelo ministério deles e um grande número foi levado para a igreja por intermédio de seu serviço dedicado.

O “Movimento Missionário 1000” (MM1000) continua a treinar e enviar centenas de jovens adventistas todos os anos para muitas partes do mundo. Depois de receber treinamento intensivo por cinco semanas, os jovens dedicam um ano no campo missionário como voluntários. Há 6.588 jovens de 59 países que já participaram do Movimento Missionário 1000 desde 1993. Os frutos de seus esforços incluem 66.099 batismos, 763 igrejas construídas e 1.366 igrejas e grupos fundados em 39 países.

Nem todos são chamados para servir em terras estrangeiras, por isso, o movimento “Suas Mãos em Missão” mobiliza nossos membros a cumprir a missão na própria terra. Desde maio de 2007, 3.771 indivíduos da Coreia, da Mongólia, do Japão, de Taiwan e da China se uniram a esse movimento.

Indo de dois em dois, eles batem nas portas, entregam literatura, cultivam relacionamentos e compartilham o amor de Deus, dedicando dez horas por semana durante três anos para essa missão. Para muitas igrejas, esse método evangelístico tem se mostrado eficaz para ganhar pessoas.

Em 1º de julho de 2011, o Hope Channel começou a ser transmitido. É o 13º canal adventista da China, sendo veiculado pelo satélite Telstar 18. A Hope TV tem mais de 5 mil programas com meia hora de duração sobre saúde, família, culinária, educação, música, bem como sermões e assuntos religiosos. Por meio desses programas de televisão, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, agora podemos nos aproximar de 1,4 bilhão de pessoas de língua chinesa com a mensagem evangélica. Na Coreia, o Hope Channel começou a ser veiculado pela internet e, em julho, o mesmo aconteceu no Japão.

Centros de influência

O evangelismo nas grandes cidades não é tarefa fácil, porque muitos moradores dos centros urbanos são extremamente influenciados pelo materialismo e o secularismo. A despeito desses desafios, os centros de influência têm desempenhado um papel significativo ao alcançar e mostrar o amor de Cristo às pessoas que habitam nas cidades. Existem centenas de centros de influência no território da Divisão, que estão a serviço de mais de 5 milhões de pessoas por ano. Convidamos muitos a irem a nossos centros de influência e partilhamos com eles o valor de nossos ensinos e do estilo de vida cristão.

A Divisão fundou um Centro Multicultural de Serviços à Família (CMSF) na cidade de Ansan, Coreia, na qual 20% dos 760 mil habitantes são estrangeiros. O CMSF oferece vários serviços, que incluem assistência social, educação e atendimento médico, jurídico e cultural, a fim de ajudar as famílias multiculturais a se ambientarem com maior facilidade à vida na Coreia. Por meio do amor sincero e do compartilhamento da mensagem evangélica, 136 trabalhadores migrantes e membros de famílias multiculturais aceitaram a Jesus Cristo e foram batizados nos últimos cinco anos

Batismo à luz de velas: iluminação suave durante um batismo numa igreja na Mongólia. Crédito: NSD

Batismo à luz de velas: iluminação suave durante um batismo numa igreja na Mongólia. Crédito: NSD

Crescimento institucional

Na Divisão, há 117 organizações e instituições, incluindo universidades e faculdades, escolas de ensino fundamental, hospitais, clínicas, editoras e indústrias alimentícias. Essas instituições cresceram consideravelmente neste quinquênio. Há 1.700 funcionários e 21.510 alunos em nossas instituições de ensino, que abrangem duas universidades, três faculdades, 25 escolas de ensino médio e 22 de ensino fundamental. Todos os anos, vemos a influência da educação cristã por meio do batismo de estudantes que aceitam a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal.

Deus também está na direção de nossas instituições médicas, atuando de maneira maravilhosa em 11 hospitais e 20 asilos e clínicas. Mais de 1,9 milhão de pessoas recebem os cuidados médicos dessas instituições todos os anos. Por meio dos esforços dedicados de nossa equipe médica e pela graça de Deus, alguns de nossos hospitais superaram suas dificuldades financeiras. Nossas indústrias alimentícias na Coreia e no Japão fabricam produtos à base de leite de soja e alimentos saudáveis. Os produtos da Sahmyook, na Coreia, e da Saniku, no Japão, têm obtido sucesso cada vez maior e são bem aceitos tanto no mercado local quanto global.

O Senhor tem abençoado graciosamente e enriquecido nossos humildes esforços para que pudéssemos ceifar uma colheita maravilhosa. Ele conduziu nosso povo de maneira poderosa na União-Missão Chinesa, União Japonesa, União Coreana e nos dois campos anexos à Divisão, a Missão da Mongólia e a Associação de Taiwan, a fim de espalharmos as três mensagens angélicas para milhões de pessoas do território de nossa Divisão.

Pelo poder do Espírito Santo

A Divisão atua para cumprir a comissão evangélica em seu vasto território. Os desafios missionários são enormes e parece quase impossível concluir a obra do evangelho com as limitações financeiras e pessoais que enfrentamos. Entendemos, porém, que o trabalho será realizado “não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito”, como disse o Senhor Todo-Poderoso (Zc 4:6).

A despeito de todos os desafios, o Senhor abençoou a Divisão do Pacífico Norte-Asiático de forma extraordinária durante o último quinquênio e nos alegramos ao ver milhares de pessoas preciosas se unindo à igreja todos os anos. Louvado seja Deus! Até Jesus voltar, continuaremos a fazer nosso melhor na disseminação das três mensagens angélicas ao mundo. Ellen White escreveu o conselho inspirado: “Nada temos a recear no futuro, a não ser que nos esqueçamos do caminho pelo qual Deus nos tem conduzido” (Vida e Ensinos, p. 204).

Que o Senhor continue a abençoar sua obra na Divisão do Pacífico Norte-Asiático e ao redor do mundo! Maranata! [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Missão extrema

Relatório apresentado pelo pastor Erton Köhler, no dia 7, mostrou a disposição da igreja de chegar aos rincões da América do Sul

Em vista aérea, o último grande Campori Sul-Americano reuniu 35 mil desbravadores em Barretos (SP). Créditos: DSA

Em vista aérea, o último grande Campori Sul-Americano reuniu 35 mil desbravadores em Barretos (SP). Créditos: DSA

Nos últimos cinco anos, a palavra que marcou o cumprimento da missão na Divisão Sul-americana foi “extremo”. Colocar em prática a comissão bíblica dada por Jesus de “ir”, significa, em muitos casos, dirigir-se a extremos geográficos com dedicação e influência, usando recursos para o progresso do reino de Deus neste mundo. Esta é uma causa fundamentada na grande esperança da segunda vinda de Jesus e tem como base os três alicerces do discipulado: comunhão, relacionamento e missão.

Na área da comunhão, a igreja agiu por meio de programas voltados para o desenvolvimento e a consolidação do hábito de buscar o Senhor na primeira hora do dia. Nos últimos cinco anos, mais de um 1 milhão de pessoas participou do Seminário de Enriquecimento Espiritual, que está agora na quinta fase. Outra iniciativa é o Projeto Maná. Seu alvo é incentivar o estudo diário da Lição da Escola Sabatina. Ao fim do quinquênio, tínhamos 1.010.083 exemplares dos guias de estudo da Bíblia nas mãos de nossos membros.

Na área de relacionamento, nosso foco foi o fortalecimento dos pequenos grupos. Atualmente, contamos com 83.056 pontos de esperança, que reúnem semanalmente membros e visitantes nos lares.

No âmbito da missão, os membros foram desafiados a usar seus dons para conduzir pessoas a Jesus. Nos últimos cinco anos, 1.115.974 pessoas foram batizadas. Além disso, cerca de 15 mil voluntários e 3 mil pastores receberam treinamento no projeto escolas de evangelismo.

Indo além

Ir ao extremo! Essa postura é vista de maneira prática na vida das pessoas que não se satisfazem em fazer somente o que é esperado. Elas vão além. Gente como Ezequiel Zabala, de oito anos de idade. Influenciado por uma professora da Escola Adventista de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia. Ezequiel limpou banheiros e vendeu gelatina. Por meio dessas atividades, conseguiu ganhar dinheiro suficiente para comprar quatro caixas de livros A Grande Esperança a fim de distribuir em seu bairro. “Minha professora disse que ninguém terá uma coroa sem estrelas no Céu”, recorda ele.

Desde 2006, a distribuição de livros missionários tem sido realizada de maneira sistemática. Um livro de alta qualidade, com mais de cem páginas, a um preço inferior a cinquenta centavos de dólar é disponibilizado para ser entregue. Envolvidos e cheios de poder, os membros da igreja distribuíram 130 milhões de livros impressos e já houve pouco mais de 32 milhões de downloads da versão digital.

O território da Divisão Sul-americana tem cerca de 320 milhões de habitantes; logo, a distribuição alcançou um terço da população total.

info-relatorio da DSA

Mais congregações

Hector Pérez é outra pessoa que não poupou esforços para levar as páginas de esperança aos outros. Sargento das Forças Armadas Argentinas, ele desafiou o clima inóspito da Antártida e compartilhou o livro A Grande Esperança com todos que estavam com ele na base científica à qual bem poucas pessoas têm acesso.

Ezequiel e Heitor fazem parte dos 2.329.245 adventistas do sétimo dia da Divisão Sul-americana. O número de membros cresceu 12,8% nos últimos cinco anos. Os adventistas dos oito países que compõem a Divisão Sul-Americana estão espalhados por 25.942 igrejas e grupos, liderados por um exército de 4.409 pastores.

No plantio de igrejas, também vemos extremos: 6.444 congregações adventistas foram fundadas, representando um crescimento de 18,65% no número de novas igrejas no último quinquênio. Jorge Caldas, cego que mora no Estado do Rio de Janeiro, não se intimida pela deficiência que o acompanha há 16 anos. Ele persevera em uma rotina de estudos bíblicos e visitas missionárias. Além disso, encontra forças para realizar ocasionais campanhas evangelísticas. Foi responsável pela fundação de quatro novas congregações adventistas.

Por haver um projeto intencional e planejado de plantio de igrejas, essas congregações são fundadas com apoio financeiro, forte ênfase missionária e administrativamente maduras. “É um crescimento sólido, com base em relatórios e registros precisos e sistematizados, que nos dão uma ideia real de como estamos nos saindo e para onde estamos indo”, explica Magdiel Peréz, secretário-executivo da Divisão.

Mais tecnologia, menos fronteiras

O impacto extremo também acontece quando as fronteiras geográficas são alcançadas e ultrapassadas. Alguém que entendeu esse conceito foi o voluntário Roberto Roberti, de São Paulo. Em um ano, ele conseguiu dar estudos bíblicos para mais de 2 mil pessoas. E tudo aconteceu online. Roberto faz mais do que apenas enviar arquivos ou links com informações sobre a Bíblia. Ele está sempre em contato com sua classe de alunos, ávidos pelo conhecimento. Um grande grupo de voluntários também o ajuda nessa tarefa.

Por meio da internet, da televisão, do rádio ou da página impressa, o evangelho voa alto na América do Sul. A Rede Novo Tempo de Comunicação terminou os últimos cinco anos com mais de 100 milhões de acessos a seus websites e blogs. No site da Novo Tempo, mais de 634 mil alunos participaram de estudos bíblicos online e 693.334 pedidos de oração foram recebidos no portal da instituição e em suas mídias sociais, que contam com mais de 7 milhões de seguidores. A televisão e o rádio falam a um público potencial de 170 milhões de espectadores, com 81 horas semanais de programas inéditos nos dois idiomas. E 855.211 estudos bíblicos foram enviados pelo correio ao longo dos últimos cinco anos.

Revistas, livros e DVDs produzidos pela Casa Publicadora Brasileira e pela Aces (a casa publicadora sul-americana em língua espanhola) chegam a milhares de casas por meio do trabalho de mais de 3.500 colportores-evangelistas de tempo integral e 10.600 colportores estudantes. O número de livros e revistas vendidos neste período foi de 52.525.571, que representam 322.712.840 milhões de dólares. Como resultado do trabalho do Ministério de Publicações, 14.843 pessoas foram batizadas no último quinquênio. O site oficial da Divisão Sul-Americana, desenvolvido tanto em português quanto em espanhol, contou com 35 milhões de acessos a suas páginas ao longo dos últimos cinco anos.

Escolhidos e preparados pela igreja da América do Sul, 28 famílias de missionários são dedicadas para servir em lugares onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência. Créditos: DSA

Escolhidos e preparados pela igreja da América do Sul, 28 famílias de missionários são dedicadas para servir em lugares onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência. Créditos: DSA

Instituições que servem

Na perspectiva da Divisão Sul-Americana, suas instituições dão exemplo de evangelismo extremo. É nos detalhes que é notada a preocupação de uma empresa com os valores espirituais.

A Superbom (indústria alimentícia brasileira) e a Granix (indústria alimentícia argentina), estabelecidas no Brasil e na Argentina, e administradas pela Divisão, têm um total de 1.152 funcionários que cumprem a missão por meio da fabricação de alimentos saudáveis. Entre os produtos manufaturados, há o suco de uva 100% puro, sem aditivos químicos, em harmonia com os princípios bíblicos de saúde. Isso chamou a atenção da professora universitária Maria Auxiliadora de Oliveira.

Maria Auxiliadora queria provar que todas as empresas mentem sobre o uso de substâncias prejudiciais em seus produtos na descrição dos rótulos de suas caixas e garrafas. Por isso, ela ficou surpresa com a veracidade da informação compartilhada pelo nosso produto. Conhecida como Dora, ela descobriu que os rótulos são verídicos. Descobriu também que, por trás do produto, há uma igreja. E por trás dessa igreja, aprendeu sobre Deus da maneira mais extrema. No rótulo de cada um dos produtos aparece o nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia e o website evangelístico, www.esperanca.com.br em português e www.esperanzaweb.com em espanhol. Ela foi batizada e hoje é uma adventista do sétimo dia.

O cumprimento da missão também é o foco das 870 instituições educacionais sul-americanas, com seus 299.466 alunos, além da comunidade de pais que também se beneficia da educação cristã. Soma-se a isso 20 instituições de saúde, como clínicas, centros de vida saudável e hospitais que vão a extremos na missão. “Não estamos aqui apenas para lucrar e ter instituições estáveis como um fim em si mesmas. Toda a nossa renda é investida em evangelismo”, garante Marlon Lopes, tesoureiro da Divisão Sul-Americana. Os dados revelam que os adventistas do sétimo dia da América do Sul aumentaram em 50,2% sua fidelidade nos dízimos e deram 102,1% ofertas a mais do que no quinquênio anterior.

Pessoas que fazem a diferença

Ruth Tesche, ou “Mãe Ruth”, como é mais conhecida essa missionária do Sul do Brasil, incorporou em sua vida diária a expressão “ama a teu próximo”. Ela vai a extremos e arrisca a própria vida para salvar outras pessoas. Ruth dedica tempo para ajudar espiritualmente detentos e seus familiares. Ela passa de 12 a 15 horas todos os dias em contato com prisioneiros de todos os tipos. Ruth faz parte do grupo de pessoas que vivem o amor de Cristo por meio de atos de bondade.

Outro grupo, formado por mais de 100 mil jovens, faz o bem de maneiras diferentes. São os participantes da Missão Calebe. Esses jovens dedicam as férias para servir a comunidade e fazer evangelismo.

Em 2014, dezenove jovens do projeto Um Ano em Missão provocaram uma verdadeira revolução espiritual na cidade de Montevidéu, Uruguai. Em 2015, 24 jovens estão fazendo a diferença no Rio de Janeiro. O projeto, espalhado pelas Uniões, envolve hoje outros 402 jovens. Esses rapazes e moças deixam para trás, por um ano, suas atividades de trabalho e estudos, a fim de se dedicarem completamente ao evangelho.

Os voluntários e profissionais da ADRA também chegam a extremos no cuidado dispensado a 2.645.868 pessoas necessitadas, provendo não só alimento e roupas, mas também suporte espiritual para ajudá-los a sobreviver em meio a tempos tão difíceis.

O clube de aventureiros cresceu 45,24% e o de desbravadores teve um crescimento de 15,23% no último quinquênio. Eles são responsáveis por manter toda uma geração conectada com Deus, com a natureza e com o serviço às outras pessoas. Um exército formado por 192 mil desbravadores e 75 mil aventureiros está sendo preparado para liderar a igreja. O último grande campori sul-americano contou com a presença de mais de 35 mil desbravadores na cidade de Barretos (SP), Brasil.

 

Mais de 4 mil pastores se reuniram no Concílio Ministerial da Divisão Sul-Americana, em Foz do Iguaçu (PR), em 2011. Créditos: DSA

Mais de 4 mil pastores se reuniram no Concílio Ministerial da Divisão Sul-Americana, em Foz do Iguaçu (PR), em 2011. Créditos: DSA

Em terras difíceis

Mas desafiar os limites pode ser muito mais ousado do que pensamos. Neste quinquênio, a Divisão enviou 28 famílias de missionários, escolhidas e preparadas pela igreja, para ir a países onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência sobre a sociedade.

Jesus Cristo se tornou um de nós na maior demonstração de ir a extremos quando assumiu a humanidade e morreu a fim de que cada ser humano possa ter a vida eterna. Os discípulos e apóstolos não pouparam esforços e entregaram a própria vida para que mais pessoas aprendessem sobre a salvação.

Na história da Igreja Adventista do Sétimo Dia, também encontramos o mesmo nível de compromisso. Pessoas foram ao extremo de sua capacidade e possibilidade financeiras para proclamar o breve retorno de Jesus.

A Divisão Sul-Americana reconhece o trabalho dos missionários pioneiros neste território no passado e, hoje, retribui ao mundo, enviando famílias para realizar em outros lugares o que um dia foi feito pela América do Sul. A Divisão Sul-Americana continua a fazer evangelismo extremo. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento

Assista ao vídeo apresentado durante o relatório sul-americano

Pastor Magdiel Pérez será o assessor especial do presidente mundial da igreja

O ex-secretário da Divisão Sul-Americana foi eleito para a função pela assembleia mundial da igreja na última segunda-feira, dia 6

Há cinco anos e meio servindo como secretário da sede da igreja para oito países da América do Sul, o pastor chileno Magdiel Perez deixa o cargo para atuar como assessor especial do presidente mundial dos adventistas, pastor Ted Wilson. Ele foi eleito para a nova função na última segunda-feira, 6 de julho, pela assembleia mundial da igreja, em San Antonio, Texas (EUA). Pérez assume o posto deixado por Orville Parchment, que se aposentou recentemente.

Magdiel Pérez, que tem 50 anos e também trabalhou na Divisão Sul-Americana durante um ano e meio como assessor da presidência, também possui cidadania australiana. Ele é casado com Susan, com quem teve três filhos.

Em entrevista à Revista Adventista, Pérez falou sobre quais serão suas atribuições na Associação Geral e fez um balanço da secretaria da igreja durante a sua gestão.

Não é hora de medir forças

Na guerra dos sexos, a questão não é quem tem o perfil para mandar, e sim para obedecer a Deus

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Uma grande questão estava em jogo. O povo de Israel vinha sendo cruelmente oprimido pelos inimigos durante 20 anos e, depois de clamarem ao Senhor, a resposta veio por meio de uma pessoa bastante improvável para a cultura da época.

Débora mandou chamar Baraque e lhe deu uma ordem. Ele devia reunir 10 mil homens e ir a um determinado monte, pois Sísera, o comandante do exército de Jabim, rei de Canaã, o atacaria. Mas Baraque não deveria ficar preocupado, pois Deus entregaria os inimigos em suas mãos. Baraque acreditou em Débora e seguiu à risca suas ordens. Mas ele fez um pedido: que ela o acompanhasse na batalha. Meio estranho, não é? O que levou um homem experiente, que comandava 10 mil soldados, a fazer um pedido desse? A resposta está em quem era Débora e quais as credenciais que ela portava.

A Bíblia conta que Débora exercia as funções de esposa, mãe, profetisa e líder de Israel na época dos juízes. Deus Se comunicava com ela, e ela transmitia as mensagens ao povo. Literalmente, Débora trabalhava fora, pois costumava ficar sentada embaixo de uma tamareira, onde o povo a procurava para que ela julgasse suas questões. Com uma responsabilidade tão grande pesando sobre si, Débora teria todas as razões do mundo para responder negativamente ao pedido de Baraque. No entanto, surpreendentemente, ela não só aceitou como ainda fez uma profecia: por causa da atitude de Baraque, a honra de capturar Sísera seria transferida a uma mulher. E ela não estava se referindo a si mesma (Jz 4:17-21).

Não se tem registro de outra mulher que tenha exercido um cargo de tanta influência em Israel e que tenha sido tão respeitada pelo povo. Débora vivia um relacionamento íntimo e pessoal com Deus, que a tornava uma pessoa diferenciada. Tinha profunda percepção espiritual, compreendia o motivo da triste situação de Israel e acreditava no que Deus faria por seu povo caso se voltassem para ele. Ela não teve medo de assumir a responsabilidade pela nação e sua motivação estava em servir a Deus e fazer a vontade dele. Não havia reivindicado nem sonhado com essa função, mas aceitou a autoridade que lhe foi concedida pelo próprio Deus para colaborar na libertação de seu povo.

Baraque teve um papel tão importante quanto Débora. Foi ele quem comandou o exército israelita e transmitiu a confiança necessária aos soldados para irem à luta. Seu nome é citado em Hebreus 11 (v. 32) entre aqueles que foram fiéis a Deus e realizaram grandes coisas, como por exemplo ser poderoso na batalha e colocar em fuga exércitos estrangeiros.

Lado a lado

A experiência desses dois personagens parece se encaixar perfeitamente neste texto de Ellen G. White: “Quando se tem a fazer uma grande e decisiva obra, Deus escolhe homens e mulheres para realizá-la, e ela sofrerá o dano caso os talentos de ambas as partes não se aliarem” (Evangelismo, p. 469). Também nos faz refletir sobre o papel que homens e mulheres precisam desempenhar na obra de Deus, se quisermos ver Jesus voltar em nossos dias.

Foi com o objetivo de tornar as mulheres aliadas dos homens e não rivais que, em 1995, a Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia reativou um ministério antigo, que havia surgido em 1898, com uma consagrada mulher norte-americana chamada Sarepta Myranda Irish Henry. Ela se tornou adventista somente nos últimos anos de sua vida e seu trabalho foi elogiado e incentivado por outra grande mulher, que semelhante a Débora, havia aceitado a difícil missão de dar direcionamento ao povo de Deus, transmitindo as mensagens necessárias para este tempo.

Ellen White conhecia os benefícios de trabalhar em parceria e acreditava que nenhum talento deveria ser desperdiçado. Se os homens e mulheres de sua época não tivessem se unido e trabalhado juntos, a Igreja Adventista não teria prosperado. Jesus valorizou o trabalho das mulheres em Seu ministério e o apóstolo Paulo destacou algumas mulheres que foram essenciais na pregação do evangelho. Esse é o padrão divino, porque Deus nunca fez acepção de pessoas. Ao escolher alguém para uma obra especial, Ele sempre considerou a disposição para servir. A questão nunca foi quem tem o perfil para mandar, e sim para obedecer – obedecer à voz de Deus e realizar sua vontade.

Baraque não se importou de obedecer às ordens de uma mulher. Ele sabia quem era Débora e acreditava que Deus a havia escolhido para cumprir uma importante missão. Por causa dessa atitude, Deus pôde usar ambos e a vitória foi garantida.

Ministério da Mulher sul-americano completa 20 anos de existência em 2015. Foto: acervo pessoal / Meibel Guedes

Ministério da Mulher sul-americano completa 20 anos em 2015. Foto: acervo pessoal / Meibel Guedes

Em 2015, o Ministério da Mulher completa vinte anos e, com certeza, existem muitos motivos para comemorar. Milhares de mulheres têm sido atendidas em suas necessidades e hoje têm a possibilidade de uma vida melhor. Mas ainda existem desafios, e nos resta bem pouco tempo. Não é hora de medir forças. Precisamos ser humildes e corajosos para ocupar a posição em que Deus nos colocar. É o Capitão e não o soldado que decide quem deve liderar as fileiras do exército. A vitória já foi garantida por Aquele que hoje nos diz: “Tudo ficará bem, apenas venha comigo…”

Neila Oliveira é graduada em Letras, autora e editora de livros infanto-juvenis na CPB

A unidade é possível se …

… o foco da igreja não estiver excessivamente nas divergências, mas naquilo que nos une: nossa mensagem e missão
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Unidade na diversidade é uma das características que definem a Igreja Adventista do Sétimo Dia em seus 152 anos como um movimento oficialmente organizado. Porém, muitos se perguntam: O que significa essa unidade em nossos dias? Além disso, alguns questionam: Até que ponto permaneceremos unidos enquanto crescemos agregando pessoas e culturas tão diferentes entre si? Como podemos ter opiniões divergentes e ainda nos considerarmos irmãos?

Em 1870, sete anos depois de sua organização, os adventistas reuniam pouco mais de 5 mil pessoas, distribuídas em 179 igrejas, em uma denominação essencialmente norte-americana. A ideia de unidade nesse contexto parecia viável. Como é possível, contudo, falar na unidade de uma igreja que soma quase 19 milhões de membros, espalhados em 216 países, vivendo a fé e os desafios da vida em realidades tão contrastantes? Como manter a unidade doutrinária e administrativa numa realidade tão diversificada e em constante mudança?

Divergências teológicas e administrativas já sacudiram o movimento adventista ao longo das décadas. Em 1888, a doutrina da justificação pela fé e a compreensão do significado da lei no livro de Gálatas dividiam as opiniões. A reorganização administrativa no início do século 20 foi realizada buscando o consenso de diferentes pontos de vista. Na década de 1980, polêmicas teológicas levantadas por Desmond Ford e Walter Rea sacudiram a igreja, questionando pilares distintivos do adventismo como a doutrina do santuário e a inspiração profética de Ellen G. White. Na atualidade, assim como aconteceu nos anos 1990, o debate sobre a ordenação de mulheres ao ministério pastoral divide opiniões.

Em diversas situações de tensão e divergências, muitos viram a igreja prestes a sofrer um cisma ou muito perto de um racha irreversível. Porém, uma igreja levantada por Deus não seria destruída pelo capricho humano. Após as polêmicas de 1888, os adventistas chegaram a uma compreensão muito mais clara da justificação pela fé em sua mensagem profética. A reorganização administrativa deu novo impulso às missões e ao crescimento da igreja. Os questionamentos sobre o santuário e o ministério profético resultaram em profundo estudo bíblico desses temas e colocaram a igreja em um novo patamar de compreensão de pilares de sua mensagem. Não há motivo para acreditar que, com a discussão sobre a ordenação feminina será diferente. Assim como aconteceu no passado, Deus continuará guiando seu povo a uma compreensão mais clara a respeito de temas em debate.

Convergências

Em seu livro The Fragmenting of Adventism, lançado há 20 anos, o ex-redator-chefe da Revista Adventista dos Estados Unidos, William Johnsson, cita alguns fatores que desafiavam a unidade da igreja naquela época e deveriam continuar a desafiar os novos líderes: diferenças de geração, novas mídias, forte crescimento, diversidade de vozes e opiniões, polarização teológica, entre outros pontos. “A igreja nunca mais retornará à relativa calma e ordem dos anos 1960 e 1970”, ele afirma. Na opinião do experiente editor, a saída não está em focalizar excessivamente as divergências, mas buscar a convergência no que é essencial à fé e à missão do povo do advento.

Johnsson sugere o enfoque no que é fundamental: “Somos o povo da esperança – isso é básico, então a segunda vinda de Cristo deve ser central. Somos o povo do sábado – então a lei deve ter destaque, mas colocada sob o prisma da graça. E somos o povo da Bíblia. E um povo com o espírito de profecia. E a mensagem do santuário. E temos uma missão para o mundo. E Deus nos chamou para vivermos como seus filhos, para representá-lo nos últimos dias” (p. 121). “Vamos dirigir nossos esforços para esse objetivo”, ele orienta.

Surgida no século 19, a Igreja Adventista do Sétimo Dia atravessou as turbulências do século 20 e chegou ao século 21 com o desafio de continuar crescendo de maneira integrada, em espírito de unidade. O desafio parece impossível? Porém, todas as conquistas alcançadas até aqui não são fruto das possibilidades humanas, mas resultado do poder de Deus. O mesmo poder continuará atuando enquanto houver homens e mulheres dispostos a cumprir as orientações divinas.

Guilherme Silva é pastor, jornalista e editor de livros na CPB