Mensagem final e despedida

Adventistas de quase 170 países celebram o encerramento da assembleia mundial reafirmando a identidade bíblica e o foco missionário da igreja

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Todas as arquibancadas ficaram lotadas durante o último dia de programação 60ª assembleia da Associação Geral. Créditos: Leônidas Guedes

Alegria, festa, celebração. Foi esse o clima do sábado, 11 de julho, o último dia da 60a assembleia da Associação Geral, em San Antonio, Texas. Antes das oito da manhã, multidões se dirigiram a pé para o Alamodome, até que o imenso estádio coberto ficou praticamente lotado. Bandeiras foram penduradas nas arquibancadas e milhares de celulares e câmeras fotográficas registravam um dia único, memorável. Após dez dias de reuniões, nomeações e momentos de expectativa e tensão, prevaleceu um sentimento de gratidão pela maneira de Deus ter conduzido os encontros.

Relatos missionários

Antes do estudo da lição da Escola Sabatina, foi apresentada uma “carta missionária” viva, relatada por Milan Moskala, natural da República Tcheca. Ele, que se dedicou às missões desde 1996, começando pela Bósnia, tem atuado como médico e evangelista em algumas das regiões mais pobres e desafiadoras do mundo. Nos poucos minutos que tinha para falar, Moskala contou uma experiência extraordinária envolvendo a ressurreição de um garoto. “Em Bangladesh, um menino se afogou e ficou no fundo do rio por seis horas. Então, a mãe dele ficou desesperada, e as pessoas diziam: ‘Deus está punindo você porque você se tornou cristã’. Quando o pastor chegou, tomou nos braços o corpo do menino cheio de lama e disse: ‘O Senhor, nosso Deus, é digno de louvor. O Senhor enviou Seu filho que nos salvou. Então, eu te peço que, se for da tua vontade, restaura esse menino’. Então, o menino disse: ‘Mo… mother’ (mãe)”, relatou.

Moskala fez um apelo aos profissionais da saúde para que se dispusessem a servir como missionários. Pediu também a criação de unidades móveis, como ambulâncias e vans, e apelou: “Não podemos perder nenhum momento. Vamos manter a urgência da volta de Cristo.” Seu pedido foi seguido por outro, feito por dois jovens apresentadores, que falaram sobre a janela 10/40: “Oitenta milhões de crianças dormem com fome todos os dias. Precisamos de mais missionários, de mais pessoas nos hospitais. Pense em nossas ofertas missionárias. Ore para que Deus nos dê uma visão clara das missões.”

No mesmo tom, Floyd Morris, o primeiro adventista deficiente visual a se tornar presidente do Senado jamaicano, também apelou para que a igreja olhe para as pessoas com deficiências físicas. “A igreja tem um importante papel em trabalhar pelos que têm alguma deficiência. É preciso incluir mais indivíduos com deficiência. Cada membro tem a responsabilidade de trabalhar com essas pessoas, seguindo o exemplo de Jesus. Temos que tornar nossas igrejas mais acessíveis. Eles têm o seu lugar no reino como qualquer outra pessoa”, refletiu.

Pastor Jonathan Kuntaraf (esq.), ex-diretor de Escola Sabatina e Ministério Pessoal da Associação Geral, ao lado do turco Mustafa Kemal Alkan, convertido do islamismo.

Pastor Jonathan Kuntaraf (esq.), ex-diretor de Escola Sabatina e Ministério Pessoal da Associação Geral, ao lado do turco Mustafa Kemal Alkan, convertido do islamismo.

O momento missionário foi seguido pelo testemunho de um dos dez a 15 turcos étnicos convertidos do islamismo à mensagem adventista, num país de mais de 75 milhões de habitantes. Certa vez, Mustafa Kemal Alkan foi convidado a traduzir a lição da Escola Sabatina, e seu mundo “virou de cabeça para baixo”, segundo contou. A esposa orou por sua conversão durante sete anos, até que ele teve um sonho: “Vi três profetas sobre um monte, e eu fui chamado. Então acordei suado e não consegui mais dormir. Passei a estudar a Bíblia e encontrei um verso muito semelhante ao que tinha ouvido.” Sua conversão o levou ao ponto de aceitar Jesus como seu Salvador, sem reservas: “Jesus é meu Salvador. Eu o aceito como meu salvador pessoal. Quero seguir Jesus”, relembrou. Mustafa terminou pedindo que a igreja ore pelo mundo muçulmano.

Homenagem

Após a Escola Sabatina, coordenada por Kathy Begles e Felix Cortez, o culto foi introduzido pelo som de uma orquestra formada por diferentes grupos e maestros, tendo atrás de si o Coral Carlos Gomes, da Igreja do Unasp campus São Paulo. Após hinos congregacionais e mensagens musicais, o pastor Ted Wilson se dirigiu ao púlpito, iniciando sua mensagem de maneira emocionante.

Homenageou, entre outros, seus antecessores, Jan Paulsen (1999-2010), que já havia retornado à Noruega, seu país natal, e Robert Folkenberg (1990 a 1999), impossibilitado de estar presente devido a uma enfermidade e que se prepara a fim de ser submetido a uma cirurgia nos próximos dias.

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Emocionado, o pastor Folkenberg falou com o público reunido no Alamodome por meio da internet.

Foi então que surgiu nos telões o rosto de Folkenberg, visivelmente frágil e emocionado. Nesse momento, dezenas de milhares de pessoas começaram a bater palmas, o que comoveu o ex-presidente. Ele não conseguiu conter as lágrimas e disse: “Obrigado!”. Ted Wilson, então, pediu que Folkenberg falasse algo para a igreja reunida. A palavras do ex-presidente foram: “Envio saudações para vocês aí. Deus os abençoe. Ele virá logo!”. E o estádio o aplaudiu novamente. O momento de homenagens terminou com menção a Bob Rawson, ex-secretário da Associação Geral, entre 1970 e 1980, que também foi visto ao vivo nos telões. O pastor Ted Wilson extraiu aplausos e risos do público ao dizer que o pastor Rawson tinha 102 anos e uma carteira de motorista com validade de três anos. A voz firme e segura de Rawson foi ouvida no Alamodome: “Aprecio muito esta oportunidade, e minha mensagem é muito simples: Jesus está voltando logo!”

Cruze o Jordão

O sermão ficou por conta do pastor Ted Wilson, reeleito pela assembleia presidente da igreja mundial. Ele foi apresentado pelo secretário-executivo da Associação Geral e amigo, pastor G. T. Ng, que mencionou detalhes interessantes sobre sua trajetória e família. Entre esses detalhes, está o de que o pastor Ted tem três filhos e nove netos.

A mensagem teve como título “Cruze o Jordão… Não Recue!”, na qual Wilson enfatizou e deu mais detalhes de seu segundo quinquênio na presidência da igreja mundial. Fez uma analogia entre o povo de Israel que deveria atravessar o rio Jordão e o destino escatológico do povo de Deus nos últimos dias. No sermão, reafirmou que a Igreja Adventista é um movimento do povo remanescente de Apocalipse 12:17, em preparação para a volta de Jesus.

O pastor Wilson fez vários apelos e deu recados diretos para que a igreja mantenha sua identidade bíblica, seu foco missionário e tenha cuidado com tendências que ameaçam sua integridade. Entre eles, se destacam: “Apelo a toda a igreja mundial que manifeste o mesmo respeito e amor por este livro (a Bíblia) e pelo Espírito de Profecia. (…) A Bíblia deve ser entendida como se lê: o mundo foi criado recentemente, em seis dias. (…) Tome tempo para ler e orar pelo planejamento estratégico da Igreja Mundial. (…) Cave fundo, estude a Palavra! Não aceite pregações que afirmam apenas o nome de Jesus, mas diminuem as doutrinas. (…) O evangelismo não está morto. Está mais vivo do que nunca.”

O culto terminou com o Coral Carlos Gomes cantando Coming Again ao som da orquestra e acompanhado por outras centenas de vozes, num total de 1.100, formando o maior coral já presente em uma reunião da conferência geral, segundo a Adventist Review.  O pastor Erton Köhler, presidente reeleito da Divisão Sul-Americana, proferiu a oração final.

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Milhares de fiéis saem do estádio Alamodome após o culto do último sábado, 11 de julho: um flash da diversidade cultural da igreja. Créditos: Diogo Cavalcanti

Encerramento

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Tradicional “Desfile das Nações” inovou ao contar a história da chegada do adventismo nas várias partes do mundo. Créditos: Diogo Cavalcanti

O programa da noite encerrou as reuniões da Conferência Geral, com o famoso “Desfile das Nações”. Dois apresentadores interagiam para falar sobre as missões mundiais, intercalando textos lidos com um vídeo que expôs uma cronologia da missão adventista, dividida em cinco fases: nascimento das missões (1863-1873), missões às nações protestantes (1874-1889), missão ao mundo (1890-1945), missão intencional (1946-1965) e missão aos não alcançados (1986-).  Após o vídeo introdutório de cada fase das missões, os dois apresentadores anunciavam país por país, de acordo com o ano em que a mensagem adventista os alcançou, e então entrava um casal com roupas típicas e sua bandeira nacional.

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Pastor Ted Wilson, acompanhado de sua família: “Pela graça de Deus, vamos fazer planos para nos encontrar no Céu”. Foto: Diogo Cavalcanti

A reunião terminou com todas as nações representadas à frente, com o pastor Ted Wilson ao centro, junto com a esposa, filhos e netos. A reafirmação do espírito de unidade sentido no encerramento das reuniões e o foco na missão da igreja é o grande legado desta assembleia mundial, em que os desafios internos e externos da igreja foram reconhecidos e tratados com espírito de oração.

Com a proposta de ênfase no fortalecimento da devoção individual, no estudo dos livros de Ellen White e forte ênfase na missão, os próximos anos prometem. Nos momentos de despedida, o pastor Wilson anunciou que o próximo encontro da igreja mundial será no Circle City, em Indianápolis, marcado para 2020. Ou, quem sabe, na Nova Jerusalém. [Diogo Cavalcanti, equipe RA]

Enciclopédia Adventista

Assembleia da igreja mundial aprova a produção de um material que promete ser abrangente e confiável

enciclopédia adventista

Na quinta-feira, 9 de julho, votou-se acrescentar a palavra “Pesquisa” ao Departamento de Arquivos, Estatísticas da Associação Geral (AG). Agora ele se chama Departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa. Esse voto apontou para outro que seria tomado logo adiante, relativo aos mais elevados planos desse departamento que lida com os registros históricos da AG. Foi aprovado o apoio para o plano da produção da Enciclopédia Adventista – uma série de livros de peso, com nomes, instituições e fatos do adventismo.

A ideia, segundo David Trim, diretor do departamento, é que esse imenso projeto tenha a colaboração de autores, editores, instituições e organizações da igreja, para a construção de uma fonte de conhecimento que pretende ser definitiva. Além de ser abrangente ao máximo, a nova enciclopédia nascerá para se tornar a fonte mais confiável na pesquisa de temas relacionado aos adventistas.

Planeja-se que o projeto seja concluído em até cinco anos, custeado pela igreja mundial. Trim solicitou doações por parte dos membros, assim como apoio financeiro da parte de todos os níveis organizacionais e das instituições da igreja. Segundo ele, a futura enciclopédia será impressa e online. Sua versão digital será lançada por volta do fim do ano e permitirá uma atualização constante mesmo depois que a obra completa estiver pronta, não exigindo grande custo caso fosse necessário um novo livro ou edição. “Podemos produzir um material extraordinário”, afirmou Trim. Para Delbert Baker, presidente da assembleia na reunião, trata-se de “um projeto muito empolgante.” [Diogo Cavalcanti, equipe RA / Créditos da imagem: Adventist Review]

Até a próxima assembleia

No fim de cada encontro mundial do povo de Deus é reavivado o senso de urgência pela volta de Cristo, mas esse sentimento não pode ser mera euforia
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“Nosso maior desejo é que a próxima sessão da Associação Geral seja realizada no Céu!”, bradou com entusiasmo o presidente da sede mundial após a oração final. “Amém! Amém! Amém!”, respondeu com fervor a multidão de representantes da igreja de todo o mundo. Abraços de despedida, e assim terminou o encontro em Toronto, Canadá, em julho de 2000.

Invariavelmente, as assembleias mundiais se encerram com essa nota de esperança e de motivação. São tomadas decisões de viver em consonância com a suprema esperança cristã, muitas delas, sob o impacto da emoção. “Jesus em breve virá para estabelecer seu reino eterno.” “Já estamos fartos deste mundo de pecado e de dor.” “Já é alto tempo de partirmos daqui para a pátria celestial.” São exclamações vibrantes que enlevam e contagiam a multidão.

Um senso de urgência é despertado em cada assembleia da Associação Geral. Esse sentimento é saudável para o viver cristão, pois impede a mornidão e a acomodação espiritual. A percepção que o cristão adventista desenvolve do iminente retorno de Cristo à Terra o leva para mais perto da Palavra de Deus, da oração e do senso de missão.

Com esse espírito e propósito nasceu a igreja cristã, tendo como base os ensinos de Jesus transmitidos aos apóstolos. O “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15) encerrava uma nítida urgência, uma necessidade premente de que todos os seres humanos fossem conscientizados de que um novo reino se estabeleceria com o retorno do rei Jesus. O imperativo “ide” denotava pressa em cumprir a missão, pois tudo transcorreria rapidamente.

Ao longo de dois milênios, desde a promessa feita pelo Senhor Jesus de que regressaria à Terra, o evangelho tem sido anunciado. Milhões de pessoas foram conscientizadas da necessidade do preparo para esse evento. Ao compreenderem as evidências bíblicas, os novos conversos passam a anunciar e alertar familiares e amigos de que, além da presente existência, há um porvir eterno.

A promessa do Senhor Jesus em suas últimas palavras no livro do Apocalipse “certamente, venho sem demora” é seguida pela oração do apóstolo João, que reflete perfeitamente a expectativa do povo do advento: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).

Euforia e demora

Surge na mente de muitos o conflito diante da afirmação “venho sem demora” e, por outro lado, o transcurso do tempo que parece se estender sem que a alentadora promessa alcance seu cumprimento: “Por que demoras, Senhor?”, lamentam os filhos de Deus que, junto à sepultura, se despedem dos seus queridos. “Até quando, Senhor?”, é o clamor daqueles que veem prevalecer a injustiça na sociedade. “Lembra-te de nós, Senhor”, suplicam multidões que sofrem o estigma do preconceito e do descaso dos governantes.

Numa busca de consolo e ânimo para enfrentar as agruras da presente existência, eis que os autoproclamados portadores de “nova luz” apresentam cálculos e prognósticos que permitem chegar a afirmações que delimitam o tempo da segunda vinda de Cristo. Profecias bíblicas são reinterpretadas tendo como pano de fundo os acontecimentos atuais no mundo social, político e religioso produzindo reações inflamadas em grupos de estudo e até mesmo em congregações inteiras.

No decorrer da história cristã, tem sido recorrente esse comportamento: fundamentar a esperança cristã na proximidade do fim e não propriamente na pessoa de Cristo, pois ele é o centro da nossa esperança. A euforia compromete o senso de urgência da mensagem, porque depois do desapontamento vem a letargia. Euforia/desapontamento/letargia é a sequência inevitável quando a ênfase da pregação reside na alarmista marcação de tempo.

Contudo, o cristão que aguarda o segundo advento de Cristo e, consequentemente, o fim da era do pecado e o início de um mundo melhor, conforme prometido por Deus em sua Palavra, necessita desenvolver uma atitude equilibrada enquanto espera esse evento. O senso de iminência – “Jesus em breve voltará” – precisa estar presente todos os dias em sua mente para então levá-lo a um estilo de vida elevado, de maneira que a graça divina e o fruto do Espírito Santo sejam visíveis nele. Com a convicção da proximidade desse evento, o cristão aproveitará todas as oportunidades que surgirem e até mesmo criará oportunidades para advertir, exortar e animar pessoas a atentar para o futuro eterno que Deus tem preparado para “aqueles que o amam” (1Co 2:9).

Alceu Lúcio Nunes é capelão da CPB

Iluminando o caminho para a salvação

Relatório apresentado por Raafat Kamal, presidente reeleito da Divisão Transeuropeia, no dia 9, ressalta crescimento das escolas e investimento no evangelismo na web e através de ações de saúde

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“Louvem ao Senhor, invoquem o seu nome; anunciem entre as nações os seus feitos, e façam-nas saber que o seu nome é exaltado” (Is 12:4, NVI).

A Divisão Transeuropeia (Trans-European Division — TED) agradece a Deus por sua condução em nossa missão às cidades, vilas, vizinhos, amigos e famílias ao longo dos últimos cinco anos.

Embora seja a menor Divisão da igreja em número de membros, nossa Divisão conta com uma rica diversidade cultural e linguística, sendo formada por 22 países. No início do quinquênio, a redistribuição do território resultou na transferência de 38% de nossas instituições, 40% de nossos alunos e 32.736 membros para a União Norte-Africana Oriente Médio e outras Divisões.

Evangelismo e cuidado

Seguindo a ordem de Jesus de “ir e fazer discípulos”, os membros de nossas 1.162 igrejas e de nossos 176 grupos, juntamente com seus 529 pastores e líderes, compartilham ativamente o amor de Deus com suas comunidades. Temos experimentado as bênçãos de Deus de diversas formas, não só em crescimento numérico: nossos 6,6% de crescimento geral são um reflexo do ganho percentual de 16,97% de batismos e profissões de fé.

Cuidar dos que estão dentro é tão importante quanto alcançar os de fora. Nesse sentido, o projeto “Pegadas” de discipulado infantil é um modelo bíblico que dá forte apoio ao éthos familiar, incentivando os pais a discipularem seus filhos de maneira eficaz. Ele é complementado pelo programa “Messy Church” [Igreja bagunçada], extremamente popular no contexto europeu.

Esse programa de artes, cânticos e histórias bíblicas, seguido por uma refeição para socialização, costuma acontecer no sábado à tarde e oferece às famílias da comunidade local a oportunidade de conhecer famílias da igreja. Ele tem se mostrado uma ferramenta de evangelismo e construção de pontes em muitas igrejas. O entusiasmo em torno desse programa é contagiante e muitas outras igrejas estão se preparando para se envolver nele.

Educação

A educação é importante tanto para o crescimento pessoal quanto para o evangelismo e, neste quinquênio, a Divisão investiu quase 2 milhões de dólares (além de outras verbas) em patrocínios e bolsas de estudo. Em um dos países, nossa instituição educacional descobriu um nicho no mercado ao acrescentar uma matéria sobre conhecimento bíblico e valores cristãos, que levou ao impressionante aumento de 8% nas matrículas.

As escolas da Divisão relataram 912 batismos entre 2009 e 2013. Embora toda a glória seja dada a Deus pela colheita desses jovens, também reconhecemos nossa dívida de gratidão aos nossos 808 professores, que inspiram seus alunos em nossos colégios. As instituições adventistas estão despertando o interesse e as aspirações espirituais de nossos estudantes, mostrando-lhes realidades eternas. A Divisão conta com 5.314 estudantes matriculados em 68 escolas.

A faculdade da Divisão, Newbold College of Higher Education [Colégio Newbold de Educação Superior] aumentou em 33% o número de alunos este ano, após uma recessão desafiadora. Por meio de seu novo Centro de Liderança Cristã, o Newbold oferece cursos de curta duração que capacitam membros e pastores a atualizar ou adquirir habilidades em missão, evangelismo, ministério e liderança espiritual. Os jovens podem cursar um ano pré ou pós-universitário no Newbold. Nesse período, aprendem mais sobre si mesmos, o propósito da vida, como partilhar a fé e se envolver em atividades e viagens missionárias, além de um projeto de evangelismo. O diploma em Saúde e Bem-Estar (equivalente ao tecnólogo em saúde da Universidade Andrews) capacita pessoas com interesse em alimentação, nutrição, bem-estar e preparo físico para servir dentro da igreja local e na comunidade mais ampla.

Reuniões de foco estratégico proporcionam um encontro entre líderes da Divisão e da igreja mundial. Crédito: TED

Reuniões de foco estratégico proporcionam um encontro entre líderes da Divisão e da igreja mundial. Crédito: TED

Adolescentes e jovens

Dentro da Divisão, o programa CORE, Igreja de Refúgio, é um projeto contínuo voltado para a conservação dos jovens e o resgate dos membros afastados. Outra forma de conservar os jovens é o Instituto de Revezamento de Evangelismo Jovem da Divisão, que realizou 25 cursos intensivos de treinamento em oito Uniões com 570 participantes. Após esses cursos, a Divisão ajudou a patrocinar 65 projetos evangelísticos realizados por esses jovens em suas igrejas locais. O envolvimento é fundamental para a conservação e os jovens são os embaixadores mais eficazes para alcançar outras pessoas. O entusiasmo deles pelo testemunho se reflete em atividades relatadas por meio de dois sites de uploads em conexão com o Dia Mundial do Jovem Adventista.

Uma convenção de líderes jovens, organizada durante o Ano do Discipulado Jovem, produziu uma declaração para a Divisão afirmando o conceito bíblico de discipulado para os jovens. Nosso primeiro simpósio de evangelismo universitário foi realizado em abril de 2015 com o objetivo de inspirar os estudantes adventistas do sétimo dia a serem discípulos de Jesus e lhes dar poder para compartilhar o evangelho eterno no campus. Em Londres, o programa de alcance universitário CRAVE proporcionou auxílio a todos os novos alunos matriculados na universidade e criou conexões positivas com as igrejas locais. Além disso, um congresso jovem e dois camporis desbravadores complementaram essas atividades.

Evangelismo

A Divisão apoiou 511 projetos evangelísticos inovadores. Por exemplo, o evangelismo “Doce Evangelho e Mel” ensina às pessoas a arte da apicultura como meio de obter sustento financeiro para a própria família. O “Sofá do Sábado” tem sido levado às ruas como método de compartilhar o significado do descanso sabático como um presente. Essa iniciativa já alcançou mais de 50 mil pessoas.

Exposições de saúde são realizadas em locais de trabalho e a “Conspiração da Bondade” surpreende as pessoas com atos inesperados de bondade que suprem suas necessidades.

O programa “Messy Church” [Igreja Bagunçada] na Eslovênia provê uma experiência significativa para as crianças. Crédito: TED

O programa “Messy Church” [Igreja Bagunçada] na Eslovênia provê uma experiência significativa para as crianças. Crédito: TED

A “Bíblia 3D” foi uma iniciativa evangelística pioneira na Islândia. Na mostra, os visitantes foram guiados por uma exposição da história bíblica, desde a criação até a restauração, e acompanharam programas relacionados ao tema na parte da tarde. Abordando a cultura, a tradição e as raízes históricas do cristianismo, o evento abriu portas para o diálogo, conectando-se com as necessidades do século 21.

As escolas bíblicas por correspondência proporcionam recursos para pessoas seculares e pós-modernas. Em 2012, um projeto especial chamado “Passe adiante” envolveu a produção de um vídeo promocional para um novo curso em 12 lições chamado “A História de Paulo” e a produção de um livro (também denominado “Passe adiante”) de histórias inspiradoras extraídas das escolas de correspondência bíblicas dentro da Divisão. Na Hungria, por sua vez, mais de 60 mil pessoas foram alcançadas por meio do projeto “Jesus 7”, série evangelística para cristãos não praticantes. Realizada na Páscoa, concentra-se na vida de Jesus.

Os projetos de missão urbana tomaram conta do mundo inteiro, inclusive da nossa Divisão, que realizou uma escola de evangelismo em Londres, em 2013. Com 9,5 milhões de habitantes, Londres é a maior cidade da Divisão. Seguindo o modelo do projeto “NY13”, igrejas locais lançaram mão de iniciativas diferentes.

O projeto “Heróis e Academia da Bíblia” foi uma abordagem inovadora muito bem-sucedida, na qual os membros pesquisavam entre os vizinhos sobre heróis locais. Depois disso, era feito o convite para que os vizinhos se inscrevessem em uma academia bíblica, na qual a história da redenção era contada de maneira interativa e com base em experiências multissensoriais. Essas estratégias, combinadas com o projeto “Sofá do Sábado”, exposições de saúde e outros métodos mais tradicionais, resultaram em mais de 800 batismos até o presente, com outros mais por vir. A ideia foi aplicada nas Uniões com os próprios programas de missão urbana.

Desde o lançamento em 2010, 7 milhões de pessoas já visitaram o endereço lifeconnect.info, plataforma de mídia social para o evangelismo, que foi desenvolvida em 19 idiomas. O site se expandiu com a LCTV, que transmite programas locais de evangelismo e permite que seus usuários assistam a mensagens que podem transformar a vida.

O plantio de igrejas é uma estratégia evangelística de alta prioridade também em nossa Divisão, com cerca de 200 novos templos. Somando isso com os 1.600 pequenos grupos e congregações em casas, a igreja se torna uma comunidade adventista irresistível.

Recursos on-line da TED

  • ted-adventist.org
  • ministrytopostmoderns.com
  • lifedevelopment.info
  • lifeconnect.info
  • lctv.today
  • tedmedia.org
  • youtube.com/tedmedia
  • essenceofworship.org

Reavivamento e reforma

As Uniões da Divisão aderiram à iniciativa do projeto “Reavivamento e da Reforma”. Muitos membros de igreja se empolgaram e apoiaram as iniciativas em suas congregações. Algumas igrejas começaram grupos online de oração e muitas se sentiram inspiradas a ministrar aos necessitados de suas comunidades.

Ao longo dos últimos cinco anos, graças a um programa eficaz de treinamento, muitos dos 15 membros da Divisão que participam da equipe europeia da ADRA de resposta às emergências foram levados para zonas de desastre nas Filipinas e na região dos Bálcãs. Também foram alocados tempo e recursos financeiros para escritórios menores da ADRA, a fim de fortalecer suas relações públicas, levantamento de recursos e esforços de marketing. Ao mesmo tempo, conseguiu-se juntar cerca de 12 milhões de dólares, os quais foram usados para apoiar projetos globais da ADRA.

O primeiro congresso europeu de saúde, realizado pelas três Divisões do continente, foi realizado em 2013, tendo a cura como tema. Dos 550 participantes, cerca de 150 eram provenientes da Divisão Transeuropeia.

Novos cursos e programas de saúde incluem, mas não se limitam ao Certificado em Saúde e Bem-Estar. Eles continuam a ser feitos em parceria com o Newbold e várias instituições de saúde. Durante o primeiro congresso do Ministério da Mulher de toda a Divisão, em 2014, parte do programa envolveu uma exposição de saúde de cunho evangelístico em uma cidade próxima. Em apenas duas horas, 120 pessoas foram atendidas.

Além da iniciativa da distribuição do livro A Grande Esperança, 3 milhões de exemplares de livros e revistas relacionados à obra O Grande Conflito foram impressos e distribuídos.

Damos glórias a Deus e somos gratos a ele pelas bênçãos infindáveis e pela oportunidade de ser uma luz, compartilhando as boas-novas da salvação e apresentando as pessoas ao nosso Salvador, Jesus. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

?? Um tempo de desafios e crescimento

Relatório apresentado por Gilberto Wari, então presidente da Divisão Centro-Oeste Africana, destacou o crescimento institucional da igreja numa região castigada pelo ebola e pelo extremismo religioso

relatorio da Divisão Centro-Oeste Africana - foto 1

A Divisão Centro-Oeste Africana (West-Central Africa Division —WAD) é formada por 22 países e por uma parte do mundo rica em energia dinâmica. É também, por vezes, um tanto quanto turbulenta. A despeito dos desafios do fundamentalismo religioso, de inquietações sociais e políticas, e da epidemia do ebola, a Divisão conseguiu alcançar resultados positivos no evangelismo ao longo do último quinquênio, que começou com o lançamento da iniciativa de “Reavivamento e Reforma”.

REALIZAÇÕES

Retiro de líderes (comunhão)

No início do quinquênio, a Divisão Centro-Oeste Africana combateu a letargia espiritual. A fim de enfrentar esse desafio, foi realizado um retiro de liderança para todos os pastores e suas esposas na Babcock University, na Nigéria, de 5 a 11 de janeiro de 2011. Houve uma participação total de 2.201 pessoas. Os administradores e diretores de departamentos das Uniões receberam a tarefa de encontrar maneiras de ajudar todos os membros da igreja a entrarem para o exército divino de espalhar o evangelho. Os líderes das igrejas foram incentivados a organizar retiros espirituais, realizar evangelismo em pequenos grupos e distribuir exemplares do livro inspirador A Grande Esperança.

Projeto “A Grande Esperança” (missão)

Muitos milhões de exemplares de A Grande Esperança foram impressos e distribuídos nos quatro principais idiomas de nossa Divisão (inglês, francês, português e espanhol) e foram relatadas várias conversões em todo nosso território. Isso incentivou os servidores da igreja e os encheu de esperança. Sob o poder do Espírito Santo, esse mensageiro silencioso alcançou pessoas que não seriam alcançadas em circunstâncias normais, confirmando o poder da página impressa.

Reorganização de instituições

A Divisão Centro-Oeste Africana começou o quinquênio com seis Uniões (todas elas Uniões-Associações) e 39 campos. Em menos de quatro anos, a Divisão passou por um crescimento radical no que se refere à reorganização de suas entidades. Hoje, somos dez Uniões, das quais quatro são Uniões-Associações [autossustentáveis], e 66 campos.

Novas instituições

A Divisão Centro-Oeste Africana cresceu não só na organização estrutural, mas também em instituições de ensino. Em 2010, ela contava com três universidades em três países. Nos últimos cinco anos, outras três foram acrescentadas, elevando o total a seis universidades em toda a Divisão: Babcock University (Nigéria); Valley View University (Gana); Université Adventiste Consendai (Camarões); Adventist University of West Africa (Libéria); Adventist College of Education (Gana); e Clifford University (Nigéria). O número de escolas de ensino fundamental e médio também está aumentando. Está sendo desenvolvido um plano ambicioso para construir 200 escolas adicionais para cada país da Divisão Centro-Oeste Africana. Esse projeto está sendo realizado em parceria com a organização Maranata Internacional.

O pastor e presidente da igreja mundial Ted Wilson participa da comemoração do centenário da Igreja Adventista na Nigéria. Crédito: WAD

O pastor e presidente da igreja mundial Ted Wilson participa da comemoração do centenário da Igreja Adventista na Nigéria. Crédito: WAD

Relações públicas (relacionamento)

A igreja deu um passo à frente em seu relacionamento com o governo de Costa do Marfim. Em 2012, a sede da Divisão Centro-Oeste Africana recebeu reconhecimento como uma entidade diplomática. Isso ajudou tremendamente o trabalho da igreja. Como parte das permissões concedidas, a Divisão se beneficia da isenção de impostos governamentais e alfandegários sobre equipamentos, suprimentos e materiais importados que têm o objetivo de colocar em prática as metas da organização. Também desfruta procedimentos rápidos de entrada e saída na passagem pela imigração para todos os expatriados da Divisão e seus familiares, bem como para consultores e visitantes.

Congresso Pan-Africano de Liberdade Religiosa

O extremismo religioso continua a ser um desafio no continente. A fim de ajudar a combatê-lo, a Divisão organizou o Congresso Pan-Africano de Liberdade Religiosa, realizado de 6 a 13 de agosto de 2013 em Yaoundé, a capital de Camarões. Durante alguns dias, líderes, eruditos e representantes de organizações de liberdade religiosa, advogados, líderes religiosos e leigos se reuniram para discutir o tema “Tolerância religiosa e coexistência pacífica para o desenvolvimento sustentável da África”. Diversos líderes renomados do continente e de outras partes do globo falaram aos participantes sobre vários temas, enfatizando a necessidade de liberdade religiosa para todos. Um convidado importante, o presidente de Camarões, sua excelência Paul Biya, presidente do Congresso, foi representado por seu primeiro-ministro.

Comemorações de aniversário

Esse quinquênio foi marcado por celebrações comemorando os 125 anos de atuação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Gana (2013), cem anos na Nigéria (2014) e 50 anos em Togo (2014). Os eventos deram oportunidade não só de avaliar nossa presença nesses países, mas também de revisar nosso envolvimento histórico com a vida dessas nações. As celebrações foram prestigiadas pela presença de oficiais do governo.

Participantes aprendem como deixar de fumar em um programa dirigido pela Divisão na Mauritânia. Crédito: WAD

Participantes aprendem como deixar de fumar em um programa dirigido pela Divisão na Mauritânia. Crédito: WAD

Infraestrutura

Além da expansão de escolas e templos, a Divisão Centro-Oeste Africana também expandiu suas moradias ao construir um prédio de oito andares em Abidjan. O projeto está quase concluído. Além disso, uma casa de convidados existente em Dibetou foi totalmente reformada e agora pode abrigar, em acomodações mais confortáveis, delegados e visitantes que comparecem às várias reuniões realizadas na sede da Divisão.

Aquisição de novos equipamentos

O centro de produção de programas televisivos da Divisão Centro-Oeste Africana também foi aperfeiçoado. O último equipamento instalado, com a ajuda de técnicos de mídia vindos da América do Norte e América do Sul, suas Divisões irmãs, agora permite a produção de programas de TV para o Hope Channel Africa. Além disso, os escritórios da Divisão agora contam com equipamentos para videoconferências.

Finanças

Por muito tempo, a Divisão Centro-Oeste Africana dependeu do apoio financeiro da igreja mundial para funcionar, mas os líderes da Divisão fizeram o firme compromisso de se tornarem autossuficientes no aspecto financeiro. A Divisão saltou de 69% de autossustento no quinquênio anterior para 98% e depois para 115% em 31 de dezembro de 2013. Louvamos a Deus por termos alcançado essa meta!

Evangelismo (missão)

A despeito dos desafios sociopolíticos e espirituais, ao longo dos últimos cinco anos, a Divisão aumentou consideravelmente o ganho de almas. O esforço evangelístico na grande cidade “Lagos para Cristo” foi uma experiência espiritual tremenda para a igreja em termos de conversões e cobertura pelos meios de comunicação.

Através da Divisão, outros empreendimentos evangelísticos com ênfase especial em evangelismo por pequenos grupos também ocorreram, trazendo milhares de pessoas para a família de Deus. De 2010 até dezembro de 2014, foi registrado um total de 218.162 batismos, graças à combinação de esforços dos pastores e membros da igreja para ir além dos 195.483 batismos do quinquênio anterior (2005 a dezembro de 2009). Sem dúvida, para a Divisão Centro-Oeste Africana, o último quinquênio foi de reavivamento e reforma.

Cursos “Como deixar de fumar”

O curso “Como deixar de fumar em cinco dias” não só ajuda as pessoas a terem melhor qualidade de vida, ao eliminarem o uso do tabaco, como também consiste em uma porta de entrada, sobretudo em regiões em que não é fácil levar o evangelho. Essa foi a experiência em Niamy, Níger, e Matamoulana e Nouakchott, Mauritânia, dois países islâmicos localizados na Janela 10/40, onde esses seminários foram realizados com sucesso e para um grande público.

Em março de 2015, o Departamento de Saúde e de Missão Global organizaram um programa “Como deixar de fumar” em Nouakchott, capital da Mauritânia. O programa impressionou tanto o líder religioso islâmico, sheikh El Haj Misry, que ele convidou os facilitadores a irem até sua cidade natal, Matamoulana, a fim de realizar um programa da mesma natureza. Um total sem precedentes de 500 pessoas se reuniu para acompanhar os encontros e fazer perguntas. Em 17 de março de 2015, foi realizada uma sessão especial para ajudar as pessoas a deixarem de fumar. O fim do programa foi marcado por um jantar especial com líderes muçulmanos. Todos concordaram com nossos facilitadores de que, na luta contra o tabaco, a dimensão espiritual desempenha um papel central. Além do aspecto de saúde, o programa deu à igreja a oportunidade de testemunhar de nossa fé cristã em um contexto totalmente islâmico.

DESAFIOS

Prisão de um pastor adventista

As diversas ações iniciadas e apoiadas pela Divisão precisaram não só de nossa paciência, mas também de coragem e determinação. Um pastor, Antônio Monteiro, missionário no Togo, foi falsamente acusado de homicídio. Ficou preso por quase dois anos até ser considerado inocente. Seu caso foi acompanhado por milhões de adventistas do sétimo dia do mundo inteiro.

Grupo de líderes da igreja e esposas ouvem uma apresentação durante o retiro de liderança realizado na Babcock University, na Nigéria, em 2011. Crédito: WAD

Grupo de líderes da igreja e esposas ouvem uma apresentação durante o retiro de liderança realizado na Babcock University, na Nigéria, em 2011. Crédito: WAD

Inquietações civis

Costa do Marfim, Burkina Faso, República Centro-Africana e Nigéria foram países particularmente afetados ao longo do quinquênio. Na Costa do Marfim, a guerra levou pessoas e membros da igreja a se mudarem, deixando bens e propriedades para trás. Muitos deles se perderam. Nossa principal escola de ensino médio, localizada em Bouake, se tornou a sede de facções rebeldes. Na República Centro-Africana, a sede da nova União-Missão Central Africana foi temporariamente transferida para outro país por causa da guerra. Na Nigéria, o aumento da violência associada ao Boko Haram continua a ser uma ameaça.

A crise do ebola

O vírus do ebola foi e continua a ser um grande desafio para a igreja no oeste da África, sobretudo para os membros da União-Missão Oeste-Africana, formada por Guiné, Libéria e Serra Leoa. Em resultado dessa epidemia, milhares de pessoas foram afetadas e muitos programas que reuniriam toda a Divisão precisaram ser cancelados.

Situação da Université Adventiste Cosendai

A drástica diminuição de matrículas tem impedido que a escola obtenha recursos financeiros para crescer e se desenvolver. Temos a esperança de que a nova liderança consiga reverter a situação para o próximo ano letivo.

OPORTUNIDADES

Presidente da Associação Geral na Divisão Centro-Oeste Africana

Durante esse quinquênio, nossa Divisão foi agraciada com duas visitas do presidente da Associação Geral, Ted Wilson. Essas visitas reacenderam a fé de nossos membros ao se reunirem em grande número, vindos de diversos países, a fim de dar as boas-vindas ao líder mundial e ouvir seus conselhos. Essas grandes reuniões também reforçaram a sensação dos membros de pertencer à família adventista mundial e também se mostrou útil na criação de elos com autoridades dos governos locais. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

No país das vuvuzelas

Pastor explica os desafios da missão na África do Sul, país marcado pela segregação racial e culturalmente semelhante ao Brasil

vuvuzelas-creditos-da-imagem-DundasEntre os continentes, a África é o segundo maior em território e em população. É lá que vivem mais de um bilhão de pessoas e cerca de 7 milhões de adventistas, ou 38% dos membros da igreja ao redor do mundo. Adventistas africanos são encontrados em megacidades, povoados e aldeias das três regiões administrativas (Divisões) africanas: com sedes no sul, leste e oeste do continente.

A diversidade da região é impressionante: 2 mil línguas são faladas por 3 mil grupos étnicos. Esse mosaico cultural é uma poderosa influência sobre a forma como os princípios bíblicos são compreendidos e praticados. Como consequência, a proclamação da mensagem adventista de forma clara, significativa e contextualmente relevante para cada grupo étnico torna-se um enorme desafio para missionários, pastores, professores, teólogos e servidores da igreja.

O contexto do país

0707missao-dioi-homeHá quase cinco anos sou missionário na África do Sul. Um país lindíssimo situado no extremo sul do continente e conhecido por sua diversidade de culturas, idiomas e crenças religiosas. A constituição sul-africana reconhece onze línguas como oficiais. Duas delas são de origem europeia: o africâner, um idioma que se originou principalmente a partir do neerlandês (holandês), que é falado pela maioria dos brancos e mestiços sul-africanos; e o inglês, que é a língua mais falada na vida pública e comercial.

Lá, as pessoas são calorosas e se orgulham de sua história, resultado das relações multiétnicas frequentemente conflituosas, mas também da riqueza resultante da mistura entre as culturas europeia, indiana e africana.

Quando se fala em missionários na África do Sul, sabe-se que o primeiro a pisar no cabo da Boa Esperança foi George Schmidt, em 1737; seguido por centenas de outros corajosos, como os aclamados Robert Moffat, em 1820, e David Livingstone, em 1841. Mas as atividades missionárias nesse país começaram bem antes. Em 1486, o rei de Portugal, D. João II, passou o comando de uma expedição marítima a Bartolomeu Dias. A missão era estabelecer relações pacíficas com um lendário rei cristão africano, conhecido como Prester John. Ele tinha ordens também de explorar o litoral da África e encontrar uma rota para as Índias.

O contexto da igreja

O adventismo chegou à África do Sul em julho de 1887, por meio de duas famílias missionárias: C. L. Boyd e D. A. Robinson. Alguns anos antes, William Hunt, um mineiro norte-americano adventista, distribuiu alguns folhetos para Pieter Wessels e George Van Druten, que se impressionaram com a verdade sobre o sábado. A primeira igreja adventista foi organizada por Boyd, em Beaconsfield, Kimberley.

Infelizmente, o apartheid ou o segregacionismo racial e sua influência sobre a Igreja Adventista ainda é e talvez será uma realidade na África do Sul por alguns anos. O apartheid é uma palavra do idioma africâner que significa separação. Foi o nome dado ao sistema político que vigorou no país de 1948 a 1990. Assim como a santificação não é obra de um momento, de uma hora, de um dia, mas de toda a vida, a igualdade racial na África do Sul é um processo que pode durar certo tempo. Afinal, pessoas traumatizadas não são curadas de um dia para outro. Apesar da forte influência segregacionista, a igreja tem crescido e conta com 160 mil membros.

O contexto do meu ministério

Fui com minha família para a África do Sul a fim de servir como pastor em um distrito multicultural de fala portuguesa e inglesa em Johanesburgo, formado por grupos étnicos de Portugal, Angola, Moçambique, Zimbábue, Malaui e Congo. Um dos desafios do ministério em um distrito multicultural é proclamar o evangelho de maneira adequada ao cotidiano do imigrante e, ao mesmo tempo, permanecer fiel aos fundamentos bíblicos e eternos de Deus. Isso ocorre porque as formas tomam significados distintos em cada contexto cultural e o missionário deve estar atento a essas diferenças e ser criterioso para não se deixar influenciar por tradições contrárias à vontade divina.

Um outro desafio é a comunicação verbal e corporal. Nas primeiras semanas de trabalho, cometi uma gafe cultural ao cumprimentar os irmãos à porta da igreja. As mulheres portuguesas são cumprimentadas sempre com dois beijos na face, enquanto que os zimbabuanos apertam as mãos girando-as e deslizando-as até soltá-las lentamente. Em certo sábado, ao me despedir dos membros à porta, tentei dar dois beijinhos nas irmãs zimbabuanas, que se sentiram incomodas; e, em outra ocasião, apertei as mãos das irmãs portuguesas à maneira dos zimbabuanos. Isso causou desconforto para alguns e foi motivo de chacota para outros. Desde então, faço o meu melhor para respeitar essas formas de saudação.

Por sua vez, temos recebidos muitas bênçãos. Uma delas foi o modo como essa congregação adventista de zimbabuanos foi formada. Boa parte desses irmãos eram pentecostais e liderados pelo pastor John Jabulani. Porém, ao Jabulani ouvir sobre a mensagem do advento, espontaneamente trocou a placa da antiga igreja e convidou os fiéis a abraçar a nova fé. Hoje, a congregação tem 250 pessoas e continua crescendo. Amparado por doações, em dezembro, o pastor Jabulani deve concluir seus estudos em Teologia no seminário adventista do Zimbábue.

Como brasileiro, sinto-me feliz e realizado nesse ministério multiétnico. Nossa cultura tem muita influência africana, o que facilita a adaptação dos missionários brasileiros no continente. Por causa das semelhanças culturais, entendo as necessidades, temores e alegrias dos nossos irmãos africanos e também daqueles de formação mais ocidentalizada. Assim, posso servi-los da maneira mais apropriada.

Oro para que muitos jovens do nosso Brasil continuem sonhando e se preparando para servir a Deus por alguns meses ou anos na África. E para que novos missionários ofereçam um pouco de si para as pessoas queridas desse continente com tanta diversidade, que tem enormes desafios e que necessita urgentemente do amor de Jesus. [Créditos da imagem: Dundas]

Dioi Cruz é pastor há cinco anos em Johanesburgo, na África do Sul.

O grande coro no metrô

Editor testemunhou espírito de unidade e respeito pela opinião alheia em duas assembleias mundiais

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Cerca de 60 mil adventistas de 150 países marcaram presença na assembleia mundial de Toronto, no Canadá, em 2000. Imagem: acervo RA

Participar de uma assembleia mundial da igreja é, no mínimo, uma experiência memorável. Tive a oportunidade de estar em duas delas: Toronto (2000) e St. Louis (2005). No Canadá, participei como delegado. Cerca de 60 mil adventistas estiveram presentes. Sob o tema “Quase no lar”, a programação foi transmitida em 40 línguas, para mais de 150 países. Jan Paulsen foi reeleito como presidente mundial naquela ocasião.

Durante dez dias, os delegados se reuniram para discutir uma extensa pauta dos mais variados assuntos, nomear líderes e planejar os programas da igreja para o quinquênio seguinte. Como delegado, chamou-me a atenção o respeito pelas opiniões divergentes. Com esse espírito, tudo foi analisado e depois votado.

A apresentação dos relatórios igualmente me impressionou. Lembro-me do relatório do pastor Paulsen, presidente mundial reeleito, quando disse: “Levamos 100 anos para chegar ao primeiro milhão de membros. E só precisamos de um ano para adicionar o último milhão. Louvado seja Deus!” Ele fez referência ao ano de 1999, quando a igreja batizou 1.090.848 pessoas. Lembro-me também do pastor Ralph Thompson, destacando o fato que 91,6% dos adventistas viviam fora da América do Norte.

Em St. Louis, em 2005, na 58ª Assembleia da Associação Geral, 2 mil delegados e cerca de 30 mil participantes representaram 14 milhões de adventistas espalhados por 203 países. Foi impressionante observar a diversidade de vestimentas. Certa tarde, minha família e eu nos deparamos com um grupo de mães africanas. Minha filha correu ao encontro delas. Ela ficou encantada ao ver aquelas mulheres carregando seus bebês “presos às costas”, envoltos em pano, acomodados em sua capulana. Tivemos que tirar muitas fotos!

Entre as várias decisões tomadas, uma merece destaque: o acréscimo da crença fundamental número 11, sob o título “Crescimento em Cristo”, passando a igreja a ter 28 capítulos no livro Nisto Cremos. Houve ainda a escolha de Ella Simmons, primeira mulher eleita vice-presidente da Associação Geral.

O espírito de unidade, as mensagens devocionais e a qualidade da música são lembranças daquela assembleia. Após o culto da última sexta-feira, quando estávamos na estação do metrô, um adventista começou a cantar “Oh! Que Esperança”. De repente, numa espécie de “flash mob”, milhares de vozes se uniram a ele como um grande coral, expressando o mesmo sentimento. Aquele louvor ecoou pelas galerias da estação impressionando a população local. Jamais me esqueci daquele momento, quando então, unidos, expressamos nossa esperança no grande dia da redenção final.

Márcio Nastrini é pastor de longa experiência ministerial, editor associado das revistas Ancião e Ministério, além de editor da lição da Escola Sabatina dos Jovens