Mudando a história, um coração de cada vez

Relatório apresentado por Barry Oliver, então presidente da Divisão do Sul do Pacífico, no dia 8, chamou a atenção para o começo difícil da igreja na região e a fidelidade em meio à guerra

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior em território da Igreja Adventista, é também a mais diversa. Crédito: SPD

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior em território da Igreja Adventista, é também a mais diversa. Crédito: SPD

Pense em um globo. Divida, em sua mente, sua circunferência em terços.

Imagine então uma Divisão tão imensa que se estende por um terço da circunferência desse globo. Essa é a Divisão do Sul do Pacífico. Ela abrange quase 13 mil quilômetros, desde as ilhas Cocos, no oeste, até a ilha Pitcairn, no leste, e da Antártida, ao sul, até a linha do Equador, ao norte.

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior da Igreja Adventista em território, é também a mais diversa. Somente na Papua Nova Guiné são faladas cerca de 850 línguas. A Divisão engloba de metrópoles modernas até algumas das localidades mais isoladas da Terra. Inclui a cidade mais meridional da Terra, onde sopram os ventos gelados da Antártida, até atóis tropicais paradisíacos.

A Divisão conta com países de populações com maioria polinésia, melanésia, micronésia e branca. Há grandes comunidades indianas, chinesas, árabes, sudanesas e chilenas, entre outras, dentro de suas fronteiras. Como então os adventistas alcançam território tão imenso, com população tão diversa? Lembrando que não temos nada a temer quando nos recordamos de como Deus conduziu a história adventista.

Avondale College continua a obter reconhecimento. Crédito: SPD

Avondale College continua a obter reconhecimento. Crédito: SPD

Começo difícil

Foi em 1908 que os três primeiros missionários adventistas do sétimo dia, Septimus e Edith Carr e Peni Tavodi, chegaram a Port Moresby, capital do que hoje se conhece como Papua Nova Guiné. O governador havia dividido a região em volta de Port Moresby entre várias denominações cristãs. Os adventistas foram recebidos com frieza pelos outros missionários quando chegaram. Mas isso não os deteve. Partiram de Port Moresby para uma região remota nas montanhas a fim de começar sua missão em meio ao povo koiari.

Desde o início, não deu muito certo. O explorador pioneiro Alexander Morton destacou que os koiaris eram um povo particularmente combativo. Sem dúvida, não tinham o menor interesse no evangelho. Os adventistas construíram uma estação missionária e trabalharam na remota Bisiatabu por um ano inteiro sem que ninguém fosse batizado. O ano seguinte também terminou sem batismos. O mesmo padrão se repetiu ao longo dos três anos seguintes. Por fim, no sexto ano, um adolescente foi batizado. Pouco depois, o pai do rapaz o afastou da missão adventista e isso pôs fim a sua ligação com a igreja.

Caso tudo isso já não fosse desanimador o bastante, Peni Tavodi, que havia então se casado com Aliti, foi picado por uma cobra venenosa em 1918. Ele morreu, mas não sem antes fazer um apelo emocionante para que os jovens da missão entregassem a vida a Jesus.

Imagine a situação depois que Peni morreu: dez anos de labores extenuantes e tudo que tinham para mostrar era um adolescente que havia abandonado a fé, um missionário morto, sua viúva e seus filhos órfãos. Você acordaria no dia seguinte e continuaria a pregar o evangelho?

Foi somente em 1920, doze anos depois da chegada dos primeiros missionários adventistas e dois anos após a morte de Peni Tavodi, que um moço chamado Baigani aceitou o evangelho. Dessa vez, porém, as coisas foram diferentes. Baigani serviu a Jesus por muitos anos e exerceu profunda influência.

Mais missionários chegaram. Em 1924, o pastor William Lock batizou 11 jovens em Bisiatabu. Na metade da década de 1930, os missionários adventistas se encontravam espalhados por muitas novas áreas do país. A família Lock se mudou para perto de uma trilha íngreme conhecida como Kokoda Track, na zona rural da vila de Efogi. Ali fundaram uma escola missionária e uma clínica. Por toda a Kokoda Track, a mensagem adventista foi pregada.

Testemunho em meio à guerra

Na época, porém, ninguém sabia que, dentro de poucos anos, a Kokoda Track deixaria de ser uma trilha obscura em uma parte esquecida do mundo para se tornar o ponto central de um dos maiores dramas da história da humanidade: a batalha entre as forças imperiais japonesas e os australianos, neozelandeses e seus aliados.

Ao contrário da maioria dos conflitos, o símbolo duradouro da campanha de Kokoda não foi um guerreiro, um general ou uma arma. Em vez disso, foram os papuásios que demonstraram extraordinária bondade e altruísmo ao ajudar os soldados feridos a permanecer em segurança. Os australianos ficaram tão impressionados com os papuásios que passaram a chamá-los de “anjos Kokoda”.

Bert Buros, engenheiro de combate australiano, retratou em um poema a admiração e o agradecimento que os soldados australianos nutriam por aqueles que ajudavam os feridos: “Muitos moços verão a mãe, e maridos encontrarão a esposa querida, só porque os [anjos Kokoda] os carregaram para lhes salvar a vida”.

Um soldado australiano se exprimiu da seguinte forma: “Acredite, quando esta guerra terminar e a história for escrita, há um capítulo que deve receber grande parcela de louvor. São os [papuásios]… Eles às vezes chegavam com os ombros ensanguentados, deitavam os feridos com cuidado, se chacoalhavam, sorriam e lá iam de novo fazer outra viagem”.

Ao falar no quinquagésimo aniversário da campanha de Kokoda, em 1992, o primeiro-ministro australiano P. J. Keating disse: “Acima de tudo, devemos honrar e expressar profunda admiração pelos carregadores papuásios cujo apoio inabalável foi crucial para a vitória definitiva”.

Nos últimos anos, pesquisadores têm tentado desmitificar os papuásios que salvaram soldados australianos e neozelandeses feridos. Afirmam que muitos eram forçados a trabalhar pelos militares da Austrália. Embora essa informação proporcione intriga e contexto à história, não consegue explicar por que pessoas tão maltratadas retribuíam com tamanha bondade. Afinal, os primeiros relatos do povo falam de uma cultura combativa, sedenta por sangue. O que havia mudado?

Para isso, é preciso voltar a 1908. Aqueles 12 longos anos lutando para conseguir uma única pessoa que aceitasse o evangelho deram fruto na campanha de Kokoda. “Na época da deflagração da Segunda Guerra Mundial, todas as vilas da Kokoda Trail haviam sentido algum grau de influência da missão adventista, com membros batizados em quase todas elas”, escreveu Alan Smith no periódico Adventist Record, em 9 de setembro de 1995: “Os koiaris haviam se transformado tanto que, quando os japoneses entraram em sua região a fim de avançar até Port Moresby, eles decidiram permanecer leais a seus amigos missionários.”

A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. Crédito: SPD

A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. Crédito: SPD

Steven Barna, pastor adventista nas vilas da Kokoda Track, cujo avô foi um “anjo Kokoda”, confirma que a bondade estava ligada ao cristianismo. “Era o amor que movia o coração das pessoas a ajudar”, ele conta. E as testemunhas oculares confirmam isso. O pastor Lock, no livro Locks that Open Doors [Cadeados que Abrem Portas] conta que recebeu uma carta de agradecimento do tenente R. I. McIlray, que declarou: “Escrevo esta carta para lhe contar do grande trabalho feito pelos [papuásios] de sua missão… A boa obra do seu povo, mediante seu exemplo e seus ensinos, parece ter alcançado um ponto no qual podem nos ensinar algo sobre os ideais cristãos”.

Um relato ainda mais extraordinário foi feito pelo comandante australiano Robin Sydnei McKary, que disse, em entrevista a Daniel Connell: “Houve [papuásios] leais e desleais… Sem querer ser sectário de modo nenhum, descobrimos que os adventistas do sétimo dia foram os mais notáveis em lealdade. Não conheço nenhum adepto do adventismo do sétimo dia que tenha sido desleal. Não sei por que, mas era assim que funcionava… As outras religiões podiam ser de uma maneira ou de outra, mas, por algum motivo, os adventistas do sétimo dia eram especialmente leais e […] bem, eles eram sempre mais limpos, ensinavam-lhes limpeza, respeito, lealdade e alegria. E, você sabe, não tenho a menor simpatia pelos adventistas do sétimo dia […] [mas] se fosse preciso confiar em um [papuásio] sem conhecê-lo, ou sem conhecer as circunstâncias, o fato de ser adventista do sétimo dia já ajudava”. No período da mais forte prova, a mudança que o evangelho opera na vida das pessoas transpareceu.

Hoje, cerca de 10% dos papuásios se identificaram como adventistas do sétimo dia no censo nacional. Isso significa 500 mil pessoas a mais afirmando ser adventistas do que o número registro no rol de membros. Talvez esse fato esteja ligado à influência tremenda que a Igreja Adventista do Sétimo Dia exerce sobre o país na atualidade. Os adventistas ocupam muitos altos cargos governamentais. Mais de 50% dos estudantes de Medicina no país são adventistas. A Igreja Adventista administra uma respeitada rede de educação e saúde em todo o país. A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. E Papua Nova Guiné é apenas uma parte da Divisão do Sul do Pacífico, onde o evangelho continua a mudar a história, um coração de cada vez.

Influência e fidelidade

De acordo com estatísticas de censos nacionais, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a igreja multiétnica que cresce com maior rapidez tanto na Nova Zelândia, quanto na Austrália. Nesses dois países, os adventistas operam empresas de bem-estar e saúde de ponta, que organizam a maior série de triatlos infantis do mundo e produzem os mais confiáveis produtos alimentícios de desjejum.

O Avondale College também continua a obter reconhecimento. Duas escolas adventistas de ensino superior superaram 7.600 concorrentes e fazem parte das cem escolas com o melhor ensino da Austrália. O Hospital Adventista de Sydney é o maior hospital particular da Austrália. E os meios de comunicação adventistas são reconhecidos como de primeira linha nessa área na região.

Na parte transpacífica, iniciativas de missão urbana resultaram em um crescimento excepcional. Em 2014, os batismos em Vanuatu aumentaram em mais de 550% e, nas Ilhas Salomão, em mais de 250%. Os batismos em Samoa cresceram 400% em 2013.

Esse crescimento é real? Jesus disse que, onde está nosso dinheiro, ali está nosso coração. Então analisemos os dólares e centavos. Ao longo dos últimos cinco anos, os dízimos na Divisão cresceram 24%, mais do que o dobro do aumento do custo de vida em quatro dos cinco anos. Hoje a Divisão dá a maior porcentagem mundial de ofertas missionárias em relação aos dízimos. A Austrália, com sua população reduzida, devolve hoje o quarto maior dízimo do mundo. Os australianos contam com uma média de quase 50% a mais de dízimo por membro do que os norte-americanos.

Tudo são boas notícias? Não. A Igreja Adventista no Sul do Pacífico necessita desesperadamente do Espírito Santo. Nossa única esperança é Jesus. O mesmo Jesus que saiu com aqueles primeiros missionários de Port Moresby e trilhou a Kokoda Track. O mesmo Jesus que habitava no coração dos koiaris enquanto carregavam homens feridos para um local seguro. Esse mesmo Jesus continua a mudar a história em todo o Sul do Pacífico, um coração de cada vez. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Cinco anos na Ucrânia

Nas terras geladas do leste europeu, pioneiro da TV adventista conta como Deus derreteu corações

jonatanEm 2008, fui surpreendido com um convite para trabalhar na Divisão Euro-Asiática da Igreja Adventista. Confesso que nunca havia pensado em trabalhar fora do Brasil. Foi por isso que nos reunimos em família e, depois de orarmos, disse para minha esposa: “se aceitarmos esse chamado, vamos ver e viver coisas que nunca imaginamos e ter uma experiência única.”

Aceitamos o desafio, e no dia 17 de novembro de 2009 chegamos em Kiev, capital da Ucrânia. Embora tenha procurado me informar sobre o país, não sabia muita coisa sobre a região. Assim que chegamos, passamos a trabalhar para transmitir ao vivo uma grande série evangelística a partir da Moldávia. Seria a primeira transmissão ao vivo de uma igreja evangélica naquele país.

Para começar, já foi uma aventura apenas levar os equipamentos da Ucrânia para a Moldávia. Em certa noite, debaixo de muita neve, chegamos à pequena cidade da fronteira, onde um grupo de irmãos nos esperava. Após orarmos juntos, colocamos cada equipamento em pequenas sacolas para que fossem transportados para o outro lado.

O pastor que me acompanhava e eu, só recebemos o carimbo em nossos passaportes quando já passava das 22 horas. Em território moldávio, continuamos nossa viagem debaixo de forte nevasca. O vidro do carro congelava e mesmo com o aquecimento interno do veículo, a temperatura era muito baixa.

Não havia nenhum carro transitando pela estrada, apenas o nosso. Foi por isso que passei a imaginar o que aconteceria se nosso veículo quebrasse e ficássemos ali no caminho, ao relento, com 18 graus negativos. Perto da meia-noite, paramos em um posto de gasolina, que estava fechado e totalmente às escuras. Logo chegou outro carro e parou à nossa frente. Eram nossos irmãos adventistas que haviam trazido todos os equipamentos.

Fizemos a transferência do material de um carro para outro, oramos novamente e seguimos viagem. Chegamos em Chisinau, capital do país, já depois das 2 horas da madrugada. Aquela seria a primeira vez que enfrentaria um frio tão intenso.

A cada noite da série evangelística, o pastor Peter Kulakov pregou com muito vigor e milhares de pessoas acompanharam suas mensagens na Moldávia e em países como a Ucrânia, Rússia, Bielorrússia, Geórgia, Armênia. Cerca de 3 mil pessoas foram batizadas como resultado desse esforço evangelístico.

jonatan2Confesso que não poderia imaginar como o canal adventista (Hope Channel) cresceria naquela região. Poucos anos depois, a igreja decidiu fazer um pedido oficial para ter uma emissora de TV na Ucrânia. Isso seria algo inédito no país. Nenhuma igreja, nem evangélica, pentecostal, protestante, católica ou ortodoxa tinha essa concessão.

O pastor Veiceslav Demyen foi escolhido para representar a denominação diante de 16 parlamentares. Ele precisava convencê-los de aprovar o pedido da igreja. Ele fez o seu melhor, mas parece que a desconfiança comunista em relação à religião iria prevalecer.

Até que um parlamentar disse: “assisti a um seminário, no passado, em um dos colégios adventistas e foi excelente. Na verdade, acho que eles deveriam fazer um desses seminários aqui no parlamento. Por esse motivo, eu voto favoravelmente ao canal.”

O depoimento dele providencialmente mudou a mente de alguns parlamentares e o grupo decidiu autorizar uma nova defesa para a instalação de um canal religioso no país. O fato é que Deus abençoou de tal forma que o funcionamento da emissora foi autorizado e hoje está no ar via satélite, internet e tevês a cabo, alcançando milhões de pessoas. No tempo em que trabalhei na Divisão Euro-Asiática ainda pude ver outro milagre: a autorização de um canal adventista na Rússia.

Sinto-me feliz e realizado por ver como Deus tem abençoado o trabalho missionário por meio da televisão nessa região. Muitas são as histórias de conversão através desse ministério. Uma delas foi o batismo de dois artistas de TV na Ucrânia: Kiril Andrev e Iuri Sossa. Eles se interessaram pela mensagem adventista e começaram a estudar a Bíblia. Andrev e Sossa deixaram o trabalho na emissora comercial para servir no canal adventista.

Depois de cinco anos trabalhando na Divisão Euro-Asiática, recebi o chamado para iniciar o mesmo ministério na Divisão Centro-Leste Africana, em Nairóbi, no Quênia. As três regiões administrativas da Igreja Adventista na África (divisões) estão trabalhando em conjunto para produzir programas em inglês, francês e outras línguas faladas no continente. O nome desse novo canal é Hope Channel Africa e já estamos trabalhando a todo vapor para que mais e mais pessoas tenham esperança na breve volta de Jesus.

Jonatan Conceição é pastor e foi missionário na Ucrânia até 2014. Desde o início do ano, ele está trabalhando na África

Tempo de agir

Relatório de Guillermo Biaggi, então presidente da Divisão Euro-Asiática, no dia 5, emocionou o público com histórias de fidelidade no leste europeu e na Rússia

 

As atividades evangelísticas da Divisão Euroasiática são projetadas para alcançar o máximo possível de pessoas. Crédito: departamento de comunicação da ESD

As atividades evangelísticas da Divisão Euro-Asiática são projetadas para alcançar o máximo possível de pessoas. Crédito: departamento de comunicação da ESD

O território da Divisão Euro-Asiática (Euro-Asian Division — ESD) da Associação Geral abrange uma área imensa, formada por onze fusos horários, treze países e uma população de 330 milhões de habitantes, os quais representam mais de duzentos grupos étnicos, professam o cristianismo, o islamismo, o budismo, o paganismo, o ateísmo e cuja maioria é influenciada por uma cosmovisão secularizada.

Evangelismo 7-7-7

A iniciativa 7-7-7 da igreja mundial, que conclamou os membros a se unirem em oração pela manhã e pela noite se tornou uma grande bênção. Em nossa Divisão, foi o ponto de partida para cada membro:

  • Dedicar pelo menos sete minutos por dia ao estudo da Bíblia.
  • Dedicar pelo menos sete minutos por dia para compartilhar as boas-novas.
  • Interceder diante de Deus por pelo menos sete pessoas.
  • Encontrar sete motivos por dia para agradecer a Deus.

O dia 15 de maio de 2013 foi a data de início de um período de “777 Dias de Evangelismo Contínuo”, que durou até a abertura desta assembleia mundial.

A fim de incentivar o maior número possível de missionários, a igreja organizou e realizou diversos congressos para pastores, anciãos e jovens, atraindo mais de 2 mil participantes em cada um deles. Programas de missão urbana começaram em duas capitais, Kiev e Moscou, a fim de abranger eventualmente todas as nove Uniões e 33 Associações, Missões e Postos Missionários.

Em outubro de 2013, foi inaugurada uma escola de evangelismo em Kiev para capacitar pastores, instrutores bíblicos e médicos missionários. O programa “Um Ano em Missão” facilitou o treinamento de equipes de jovens missionários. O conhecimento adquirido foi colocado em prática. Missionários compartilharam as boas-novas em ruas, praças, shopping centers e outros locais públicos.

Houve um tempo em que o território da Divisão Euroasiática era considerado um dos mais inacessíveis para a pregação do evangelho. Mas “a palavra de Deus não está presa” (2Tm 2:9). No fim da década de 1980, o Senhor abriu o Kremlin em Moscou. O evangelista Mark Finley pregou as três mensagens angélicas ali, resultando em milhares de batismos. Hoje, novamente o Senhor oferece oportunidades únicas. Em Kiev, na Ucrânia, e em Moscou, na Rússia, o canal de televisão Hope Channel conseguiu licença governamental, abrindo caminho para alcançar milhões de espectadores em potencial.

 

Jovens da Divisão Euroasiática estão envolvidos em atividades variadas de divulgação da mensagem, como evangelismo público e serviço à comunidade. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Jovens da Divisão Euroasiática estão envolvidos em atividades variadas de divulgação da mensagem, como evangelismo público e serviço à comunidade. Crédito: departamento de comunicação da ESD

De criminoso a testemunha do Senhor

Sete dos treze países da ESD são dominados pelo Islã e pertencem à Janela 10/40. Não é seguro pregar o evangelho ali, nem mesmo dentro de igrejas. Pregadores e missionários adventistas já foram expulsos muitas vezes desses países. Diante de tais circunstâncias, o testemunho pessoal é o método mais apropriado de evangelismo, sobretudo quando sai dos lábios de pessoas nativas.

Malik Ashirov, líder de um grupo do Cazaquistão, pertence à etnia uigur. Ele professa abertamente o cristianismo. Apesar de ser relativamente jovem, já passou mais de 15 anos da vida na prisão. Enquanto cumpria uma de suas penas, ouviu um pastor adventista falar sobre Jesus.

No dia 9 de agosto de 2000, guardas tiraram Ashirov de sua cela e ele foi solto em sistema de liberdade condicional. Seus companheiros de prisão e os guardas testemunharam o batismo dele, algo que nunca haviam visto antes.

O Senhor mudou a vida de Ashirov. Depois de sair da prisão, ele se casou e teve uma filha e um filho. As pessoas o veem muitas vezes com a Bíblia na mão. O testemunho cristão se transformou em seu propósito de vida.

Ventos de intolerância

Em seis países da Divisão, a maioria das pessoas pertence à Igreja Ortodoxa. As igrejas protestantes costumam ser consideradas estrangeiras, ao passo que a Igreja Ortodoxa dominante cria uma série de problemas. Em alguns países, a lei permite que os cristãos adorem ou preguem o evangelho somente em prédios dedicados para esse fim. Por isso, ter casas de oração é nossa única chance de testemunhar. Graças aos esforços de membros e pastores, com o apoio da igreja mundial, dezenas de novas capelas e centros de influência foram construídos.

Recentemente, membros e pastores da República da Bielorrússia realizaram algo que parecia impossível. Em apenas 45 dias de trabalho, eles construíram com as próprias mãos um prédio de quatro andares como centro de influência na cidade de Minsk. As paredes do novo edifício foram erguidas bem diante de nossos olhos, um testemunho de fidelidade e dedicação à obra.

Educação adventista do sétimo dia

Temos 25 escolas que oferecem educação cristã na Divisão Euroasiática.

Até pouco tempo atrás, nossa igreja não tinha permissão para administrar as próprias escolas. Mas assim que tivemos essa possibilidade, percebemos que nos faltavam as premissas necessárias para as atividades de ensino e aprendizagem. Com tantas pessoas que desejavam estudar em escolas da igreja, não perdemos tempo. Em resposta a esse desafio, os administradores das Associações Ucraniana Ocidental e de Bujovinskaya, da União Ucraniana, tomaram uma decisão incomum: desocuparam seus escritórios em Lvov e Chernovtsy a fim de acomodar salas de aula ali.

Ventos de guerra

Enquanto nos regozijávamos com nosso sucesso na pregação do evangelho na Ucrânia, ninguém previa a série de acontecimentos políticos que levaria a uma guerra com centenas de milhares de refugiados e migrantes forçados, com belas cidades e povoados transformados em ruínas.

A fim de aliviar o sofrimento e levar consolo aos sofredores, os adventistas da Ucrânia deram início à campanha “Anjo Oriental”. O objetivo do projeto é conseguir alimento e remédios para os necessitados, feridos e aflitos, bem como contribuir com a restauração de construções danificadas pela guerra. Pastores e membros criaram equipes de reforma e saíram para trabalhar no leste da Ucrânia.

Ao mesmo tempo, nossos membros da Rússia cuidaram daqueles que fugiram dos horrores da guerra. Refugiados eram instalados dentro das igrejas e em apartamentos particulares. Foram organizados programas de doação de refeições e alimentos, seguindo este preceito divino: “Partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado” (Is 58:7).

A igreja continua seu ministério em regiões assoladas pela guerra. Vez após vez, granadas explodem perto de casas de oração, causando morte e destruição. Mas assim que o ruído das armas silencia, ouve-se novamente o som de hinos e das orações. Os templos adventistas são literalmente ilhas de esperança dentro deste mundo louco e cruel.

Embora algumas igrejas tenham sido danificadas, até hoje, nenhum membro da igreja foi morto dentro das zonas de conflito. Louvamos ao Senhor e expressamos profunda gratidão aos líderes da igreja, a todas as Divisões e, em especial, às Divisões Interamericana e Intereuropeia, que nos apoiaram e estenderam uma mão ajudadora.

 

Os meios de transporte na Divisão Euro-Asiática são tão variados quanto sua população. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Os meios de transporte na Divisão Euro-Asiática são tão variados quanto sua população. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Jovens envolvidos na missão

Além de sua função direta, o ministério social da igreja ajuda os jovens adventistas a enxergar a própria missão e a colocar em prática suas virtudes.

Os jovens tomam a iniciativa de projetos sociais em lanchonetes que funcionam como igrejas, organizando concertos de caridade e ações governamentais, prestando auxílio aos idosos e enfermos, fazendo assim novos amigos para Jesus e fortalecendo a própria fé.

Isso também se evidencia pela energia dos jovens que competiram no evento “O Mundo da Bíblia”, que foi organizado em todos os níveis administrativos, desde as Associações até a Divisão. A vencedora, com maior conhecimento das Sagradas Escrituras, foi Tatyana Krashevskaya, da Ucrânia.

Nova tradução da Bíblia para o russo

A Bíblia não consiste apenas em uma fonte de conhecimento — é também a Palavra da Vida. A fim de levar a mensagem das Escrituras ao máximo possível de pessoas, o Instituto de Tradução da Bíblia, sediado em nosso Seminário Teológico Zaokski, foi criado na Divisão sob a liderança de Mikhail Petrovich Kulakov [autor do livro Ainda que Caiam os Céus], há mais de vinte anos. Hoje, a gigantesca tarefa de traduzir a Bíblia para o russo contemporâneo foi concluída e milhares de exemplares foram impressos.

Literatura distribuída como “folhas de outono”

Outro projeto foi a distribuição do livro missionário O Grande Conflito, de Ellen G. White. Mikhail Oskola, aluno do último ano do ensino médio, foi um dos muitos que participaram desse projeto. Em um ano, ele distribuiu mais de 5 mil livros! Foi entregue um total de 1,9 milhão de exemplares de O Grande Conflito na Divisão Euroasiática, na maioria dos casos, a versão completa.

Ao longo dos últimos cinco anos, cerca de 100 milhões de exemplares impressos se tornaram ferramentas para a proclamação das boas-novas.

Nosso Senhor disse a seus discípulos: “Mas recebereis poder […] e serão minhas testemunhas […] até os confins da Terra” (At 1:8). A península de Kamchatka pode ser considerada um dos “confins da Terra”. Essa terra de vulcões e gêiseres é cercada por mares gelados. Menos de 300 mil pessoas habitam as três cidades e os vários vilarejos. Mas o Senhor não se esquece deles e também envia seus mensageiros para lá.

Duas colportores-evangelistas, Yulia e Taisia, tinham o antigo sonho de visitar esse rincão da Rússia ainda não alcançado por missionários, a fim de testemunhar do amor de Cristo e de seu breve retorno. Confiando nas promessas divinas e buscando direcionamento em oração, elas pegaram a estrada. Levaram pouca bagagem, com exceção das caixas de livros que carregaram em uma minivan. Essas missionárias percorreram longas distâncias — a pé, de ônibus ou de carona — durante um ano e meio. No fim do outono, a maioria dos livros já havia sido distribuída.

Yulia e Taisia estavam em Kozyrevsk, uma vila de pescadores que fica a cerca de 500 km da cidade mais próxima. A vila tem apenas cerca de mil moradores. Para a surpresa delas, encontraram um grupo de pessoas sedentas pela verdade. Depois de terminarem o trabalho e partirem da vila, Yulia e Taisia receberam uma carta dos novos amigos, pedindo que voltassem. Embora o inverno já tivesse chegado, essas duas mulheres pegaram a estrada de novo. Em meio a precipitações e tempestades de neve, elas precisaram caminhar na neve, que chegava a bater no meio das pernas. No entanto, o compromisso de espalhar a Palavra de Deus superava qualquer obstáculo. Vindos de todas as partes da vila, aqueles que desejavam estudar a Palavra de Deus se reuniam em uma pequena casa na qual as duas mulheres estavam ficando. Depois de um tempo, convidaram um pastor. Cinco pessoas foram batizadas. Assim um grupo adventista foi plantado em uma pequena vila de pescadores.

Em muitas dessas regiões remotas, desconectadas da civilização, as pessoas não têm acesso à televisão por satélite, internet ou até mesmo à energia elétrica. Os povos nativos — aleutians, komis, evenkis, khantys, mansis, nenets, chukchis e outros — também necessitam ouvir a mensagem salvadora do Jesus que pode mudar a vida deles para melhor e transformá-los em parte da família global de Deus. Orem por nós!

Chegou o tempo de agir

Agradecemos e louvamos a Deus pelo caminho que trilhamos até aqui. Com fé em seu breve retorno, estamos indo para o alto, através e além, a fim de alcançar os habitantes de vilarejos remotos e das grandes cidades. Os habitantes do extremo norte e da Sibéria, do Cáucaso e do Afeganistão, da Ásia Central e do Extremo Oriente estão aguardando os mensageiros de Deus. A fim de cumprir essa missão, a igreja tem buscado o poder do Espírito de Deus mediante oração fervorosa e compromisso inabalável. Chegou o tempo de agir. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]