Votação sobre ordenação de mulheres ao ministério pastoral repercute num dos jornais mais lidos dos EUA

Decisão da assembleia mundial da igreja de não autorizar as divisões a ordenar mulheres ao ministério pastoral foi abordada pelo The Washington Post

washington-post-homeA decisão tomada ontem pela assembleia mundial adventista de não autorizar as 13 divisões da igreja a ordenar mulheres ao ministério pastoral em suas regiões repercutiu no site de um dos jornais mais lidos pelos norte-americanos: o The Washington Post.

O porta-voz da igreja em nível mundial, Garrett Caldwell, foi um dos entrevistados pela reportagem. Caldwell procurou contextualizar a discussão sobre o assunto e disse que não é possível prever quais serão os desdobramentos da decisão.

Buscando uma opinião externa, o veículo de comunicação também ouviu a editora Bonnie Dwyer, da revista norte-americana Spectrum, publicação independente de tendência progressista. Ela opinou sobre os possíveis impactos do voto tomado pela igreja especialmente nos lugares em que começam a surgir movimentos favoráveis à ordenação de mulheres ao ministério pastoral.

O jornal destacou o fato de a votação ter sido o tema mais importante e intenso da agenda do evento que acontece a cada cinco anos e considerou que o assunto é tratado de uma perspectiva mais conservadora pela igreja no Hemisfério Sul.

Outro ponto levantado pelo periódico foi o pedido feito pela liderança mundial adventista para que a igreja se mantivesse unida a despeito das diferentes opiniões manifestadas sobre o assunto. A matéria chega a citar trechos do discurso feito pelo presidente da Associação Geral, pastor Ted Wilson, após a votação.

A reportagem é assinada pela repórter Michelle Boorstein, que escreve sobre religião no The Washington Post. [Márcio Tonetti, equipe RA]

Assembleia vota nomes de secretários e tesoureiros das 13 divisões ao redor do mundo

Divisão Sul-Americana tem um novo secretário. Tesoureiro foi reeleito para os próximos cinco anos 

novo-secretaria-executivo-da-divisao-sul-americana-homeNa sessão administrativa desta quinta-feira, 9 de julho, a assembleia mundial da igreja votou os nomes dos secretários e tesoureiros das 13 divisões da organização ao redor do globo. No caso da sede adventista para oito países sul-americanos, quem assume a função de secretário-executivo deixada pelo pastor Magdiel Pérez, que foi eleito para ser assessor especial do pastor Ted Wilson (saiba mais nessa entrevista), é o peruano Edward Heidinger. Ele atuava como presidente da União Peruana do Norte.

Heidinger, de 36 anos, é natural de Puerto Inca e cursou Teologia e Administração. Ele começou seu ministério como pastor distrital em Tarapoto (2004-2005) e em Moyobamba (2006). Logo depois, atuou como líder dos departamentos de Missão Global, Ministério Pessoal e Escola Sabatina. Em 2008, foi nomeado diretor de Mordomia Cristã, Saúde e Evangelismo da União Peruana do Norte, além de responder pela área ministerial, que atende os pastores e suas famílias. Nessa região, também teve a oportunidade de trabalhar como secretário.

Em 2012, o pastor Edward Heidinger deixou o seu país de origem para servir a igreja na sede sul-americana da denominação, localizada em Brasília. Na ocasião, desempenhou a função de assistente da presidência, até ser nomeado para presidente da União Peruana do Norte em 2013, onde trabalhava até agora. Ele é casado com Susana Delgado e tem dois filhos.

Tesouraria

Tesoureiro-da-Divisao-Sul-Americana-e-reeleito-pela-assembleiaNa tesouraria da Divisão Sul-Americana não houve mudanças. O pastor Marlon Lopes, de 56 anos, foi reeleito para o próximo quinquênio. Natural de Porto Alegre, Marlon Lopes é casado com Leni dos Reis Lopes e tem três filhos e dois netos. Graduado em Ciências Contábeis, cursou estudos em Teologia e completou a pós-graduação em Gestão Empresarial. Iniciou sua trajetória em 1978 como caixa e, depois, foi contador do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul. Desde então, foi eleito tesoureiro em várias associações, no Instituto Adventista Paranaense e na União Sul-Brasileira. Foi diretor da Rede Novo Tempo e, na época, também apresentou o programa Saldo Extra. Desde 2010, exerce a função de tesoureiro da Divisão Sul-Americana. [Equipe RA, da redação / Com informações de Felipe Lemos e Diogo Cavalcanti, e fotos de Leônidas Guedes]

CONFIRA TAMBÉM A LISTA DE SECRETÁRIOS E TESOUREIROS ELEITOS PARA AS DEMAIS DIVISÕES

Divisão Centro-Leste Africana

  • Secretário: Allain G. Coralie
  • Tesoureiro: Jerome Habimana (reeleito)

Divisão Euro-Asiática

  • Secretário: Viktor V. Alekseenko
  • Tesoureiro: Brent Burdick (reeleito)

Divisão Interamericana

  • Secretário: Elie Henry (reeleito)
  • Tesoureiro: Filiberto M. Verduzco (reeleito)

Divisão Norte-Americana

  • Secretário: G. Alexander Bryant (reeleito)
  • Tesoureiro: G. Thomas Evans (reeleito)

Divisão do Pacífico Norte-Asiático

  • Secretário: (ainda não foi eleito)
  • Tesoureiro: German Lust

Divisão Sul-Americana

  • Secretário: Edward Heidinger
  • Tesoureiro: Marlon Lopes (reeleito)

Divisão do Sul do Pacífico

  • Secretário: Lionel H. Smith (reeleito)
  • Tesoureiro: Rodney G. Brady (reeleito)

Divisão Sul-Africana Oceano Índico

  • Secretário: Solomon Maphosa (reeleito)
  • Tesoureiro: Goodwell Nthani (reeleito)

Divisão Sul-Asiática

  • Secretário: Measapogu Wilson
  • Tesoureiro: (ainda não foi eleito)

Divisão Intereuropeia

  • Secretário: Barna Magyarosi
  • Tesoureiro: Norbert Zens (reeleito)

Divisão Centro-Oeste Africana

  • Secretário: Kings­­­­­­­­ley Chukwuemeka Anonaba
  • Tesoureiro: Emmanuel S. D. Manu (reeleito)

Divisão do Pacífico Sul-Asiático

  • Secretário: Saw Samuel (reeleito)
  • Tesoureiro: Max W. Langi

Divisão Transeuropeia

  • Secretário: Audrey Anderson (reeleito)
  • Tesoureiro: Nenad Jepuranovic (reeleito)

Veja também o infográfico das eleições

Mudando a história, um coração de cada vez

Relatório apresentado por Barry Oliver, então presidente da Divisão do Sul do Pacífico, no dia 8, chamou a atenção para o começo difícil da igreja na região e a fidelidade em meio à guerra

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior em território da Igreja Adventista, é também a mais diversa. Crédito: SPD

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior em território da Igreja Adventista, é também a mais diversa. Crédito: SPD

Pense em um globo. Divida, em sua mente, sua circunferência em terços.

Imagine então uma Divisão tão imensa que se estende por um terço da circunferência desse globo. Essa é a Divisão do Sul do Pacífico. Ela abrange quase 13 mil quilômetros, desde as ilhas Cocos, no oeste, até a ilha Pitcairn, no leste, e da Antártida, ao sul, até a linha do Equador, ao norte.

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior da Igreja Adventista em território, é também a mais diversa. Somente na Papua Nova Guiné são faladas cerca de 850 línguas. A Divisão engloba de metrópoles modernas até algumas das localidades mais isoladas da Terra. Inclui a cidade mais meridional da Terra, onde sopram os ventos gelados da Antártida, até atóis tropicais paradisíacos.

A Divisão conta com países de populações com maioria polinésia, melanésia, micronésia e branca. Há grandes comunidades indianas, chinesas, árabes, sudanesas e chilenas, entre outras, dentro de suas fronteiras. Como então os adventistas alcançam território tão imenso, com população tão diversa? Lembrando que não temos nada a temer quando nos recordamos de como Deus conduziu a história adventista.

Avondale College continua a obter reconhecimento. Crédito: SPD

Avondale College continua a obter reconhecimento. Crédito: SPD

Começo difícil

Foi em 1908 que os três primeiros missionários adventistas do sétimo dia, Septimus e Edith Carr e Peni Tavodi, chegaram a Port Moresby, capital do que hoje se conhece como Papua Nova Guiné. O governador havia dividido a região em volta de Port Moresby entre várias denominações cristãs. Os adventistas foram recebidos com frieza pelos outros missionários quando chegaram. Mas isso não os deteve. Partiram de Port Moresby para uma região remota nas montanhas a fim de começar sua missão em meio ao povo koiari.

Desde o início, não deu muito certo. O explorador pioneiro Alexander Morton destacou que os koiaris eram um povo particularmente combativo. Sem dúvida, não tinham o menor interesse no evangelho. Os adventistas construíram uma estação missionária e trabalharam na remota Bisiatabu por um ano inteiro sem que ninguém fosse batizado. O ano seguinte também terminou sem batismos. O mesmo padrão se repetiu ao longo dos três anos seguintes. Por fim, no sexto ano, um adolescente foi batizado. Pouco depois, o pai do rapaz o afastou da missão adventista e isso pôs fim a sua ligação com a igreja.

Caso tudo isso já não fosse desanimador o bastante, Peni Tavodi, que havia então se casado com Aliti, foi picado por uma cobra venenosa em 1918. Ele morreu, mas não sem antes fazer um apelo emocionante para que os jovens da missão entregassem a vida a Jesus.

Imagine a situação depois que Peni morreu: dez anos de labores extenuantes e tudo que tinham para mostrar era um adolescente que havia abandonado a fé, um missionário morto, sua viúva e seus filhos órfãos. Você acordaria no dia seguinte e continuaria a pregar o evangelho?

Foi somente em 1920, doze anos depois da chegada dos primeiros missionários adventistas e dois anos após a morte de Peni Tavodi, que um moço chamado Baigani aceitou o evangelho. Dessa vez, porém, as coisas foram diferentes. Baigani serviu a Jesus por muitos anos e exerceu profunda influência.

Mais missionários chegaram. Em 1924, o pastor William Lock batizou 11 jovens em Bisiatabu. Na metade da década de 1930, os missionários adventistas se encontravam espalhados por muitas novas áreas do país. A família Lock se mudou para perto de uma trilha íngreme conhecida como Kokoda Track, na zona rural da vila de Efogi. Ali fundaram uma escola missionária e uma clínica. Por toda a Kokoda Track, a mensagem adventista foi pregada.

Testemunho em meio à guerra

Na época, porém, ninguém sabia que, dentro de poucos anos, a Kokoda Track deixaria de ser uma trilha obscura em uma parte esquecida do mundo para se tornar o ponto central de um dos maiores dramas da história da humanidade: a batalha entre as forças imperiais japonesas e os australianos, neozelandeses e seus aliados.

Ao contrário da maioria dos conflitos, o símbolo duradouro da campanha de Kokoda não foi um guerreiro, um general ou uma arma. Em vez disso, foram os papuásios que demonstraram extraordinária bondade e altruísmo ao ajudar os soldados feridos a permanecer em segurança. Os australianos ficaram tão impressionados com os papuásios que passaram a chamá-los de “anjos Kokoda”.

Bert Buros, engenheiro de combate australiano, retratou em um poema a admiração e o agradecimento que os soldados australianos nutriam por aqueles que ajudavam os feridos: “Muitos moços verão a mãe, e maridos encontrarão a esposa querida, só porque os [anjos Kokoda] os carregaram para lhes salvar a vida”.

Um soldado australiano se exprimiu da seguinte forma: “Acredite, quando esta guerra terminar e a história for escrita, há um capítulo que deve receber grande parcela de louvor. São os [papuásios]… Eles às vezes chegavam com os ombros ensanguentados, deitavam os feridos com cuidado, se chacoalhavam, sorriam e lá iam de novo fazer outra viagem”.

Ao falar no quinquagésimo aniversário da campanha de Kokoda, em 1992, o primeiro-ministro australiano P. J. Keating disse: “Acima de tudo, devemos honrar e expressar profunda admiração pelos carregadores papuásios cujo apoio inabalável foi crucial para a vitória definitiva”.

Nos últimos anos, pesquisadores têm tentado desmitificar os papuásios que salvaram soldados australianos e neozelandeses feridos. Afirmam que muitos eram forçados a trabalhar pelos militares da Austrália. Embora essa informação proporcione intriga e contexto à história, não consegue explicar por que pessoas tão maltratadas retribuíam com tamanha bondade. Afinal, os primeiros relatos do povo falam de uma cultura combativa, sedenta por sangue. O que havia mudado?

Para isso, é preciso voltar a 1908. Aqueles 12 longos anos lutando para conseguir uma única pessoa que aceitasse o evangelho deram fruto na campanha de Kokoda. “Na época da deflagração da Segunda Guerra Mundial, todas as vilas da Kokoda Trail haviam sentido algum grau de influência da missão adventista, com membros batizados em quase todas elas”, escreveu Alan Smith no periódico Adventist Record, em 9 de setembro de 1995: “Os koiaris haviam se transformado tanto que, quando os japoneses entraram em sua região a fim de avançar até Port Moresby, eles decidiram permanecer leais a seus amigos missionários.”

A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. Crédito: SPD

A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. Crédito: SPD

Steven Barna, pastor adventista nas vilas da Kokoda Track, cujo avô foi um “anjo Kokoda”, confirma que a bondade estava ligada ao cristianismo. “Era o amor que movia o coração das pessoas a ajudar”, ele conta. E as testemunhas oculares confirmam isso. O pastor Lock, no livro Locks that Open Doors [Cadeados que Abrem Portas] conta que recebeu uma carta de agradecimento do tenente R. I. McIlray, que declarou: “Escrevo esta carta para lhe contar do grande trabalho feito pelos [papuásios] de sua missão… A boa obra do seu povo, mediante seu exemplo e seus ensinos, parece ter alcançado um ponto no qual podem nos ensinar algo sobre os ideais cristãos”.

Um relato ainda mais extraordinário foi feito pelo comandante australiano Robin Sydnei McKary, que disse, em entrevista a Daniel Connell: “Houve [papuásios] leais e desleais… Sem querer ser sectário de modo nenhum, descobrimos que os adventistas do sétimo dia foram os mais notáveis em lealdade. Não conheço nenhum adepto do adventismo do sétimo dia que tenha sido desleal. Não sei por que, mas era assim que funcionava… As outras religiões podiam ser de uma maneira ou de outra, mas, por algum motivo, os adventistas do sétimo dia eram especialmente leais e […] bem, eles eram sempre mais limpos, ensinavam-lhes limpeza, respeito, lealdade e alegria. E, você sabe, não tenho a menor simpatia pelos adventistas do sétimo dia […] [mas] se fosse preciso confiar em um [papuásio] sem conhecê-lo, ou sem conhecer as circunstâncias, o fato de ser adventista do sétimo dia já ajudava”. No período da mais forte prova, a mudança que o evangelho opera na vida das pessoas transpareceu.

Hoje, cerca de 10% dos papuásios se identificaram como adventistas do sétimo dia no censo nacional. Isso significa 500 mil pessoas a mais afirmando ser adventistas do que o número registro no rol de membros. Talvez esse fato esteja ligado à influência tremenda que a Igreja Adventista do Sétimo Dia exerce sobre o país na atualidade. Os adventistas ocupam muitos altos cargos governamentais. Mais de 50% dos estudantes de Medicina no país são adventistas. A Igreja Adventista administra uma respeitada rede de educação e saúde em todo o país. A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. E Papua Nova Guiné é apenas uma parte da Divisão do Sul do Pacífico, onde o evangelho continua a mudar a história, um coração de cada vez.

Influência e fidelidade

De acordo com estatísticas de censos nacionais, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a igreja multiétnica que cresce com maior rapidez tanto na Nova Zelândia, quanto na Austrália. Nesses dois países, os adventistas operam empresas de bem-estar e saúde de ponta, que organizam a maior série de triatlos infantis do mundo e produzem os mais confiáveis produtos alimentícios de desjejum.

O Avondale College também continua a obter reconhecimento. Duas escolas adventistas de ensino superior superaram 7.600 concorrentes e fazem parte das cem escolas com o melhor ensino da Austrália. O Hospital Adventista de Sydney é o maior hospital particular da Austrália. E os meios de comunicação adventistas são reconhecidos como de primeira linha nessa área na região.

Na parte transpacífica, iniciativas de missão urbana resultaram em um crescimento excepcional. Em 2014, os batismos em Vanuatu aumentaram em mais de 550% e, nas Ilhas Salomão, em mais de 250%. Os batismos em Samoa cresceram 400% em 2013.

Esse crescimento é real? Jesus disse que, onde está nosso dinheiro, ali está nosso coração. Então analisemos os dólares e centavos. Ao longo dos últimos cinco anos, os dízimos na Divisão cresceram 24%, mais do que o dobro do aumento do custo de vida em quatro dos cinco anos. Hoje a Divisão dá a maior porcentagem mundial de ofertas missionárias em relação aos dízimos. A Austrália, com sua população reduzida, devolve hoje o quarto maior dízimo do mundo. Os australianos contam com uma média de quase 50% a mais de dízimo por membro do que os norte-americanos.

Tudo são boas notícias? Não. A Igreja Adventista no Sul do Pacífico necessita desesperadamente do Espírito Santo. Nossa única esperança é Jesus. O mesmo Jesus que saiu com aqueles primeiros missionários de Port Moresby e trilhou a Kokoda Track. O mesmo Jesus que habitava no coração dos koiaris enquanto carregavam homens feridos para um local seguro. Esse mesmo Jesus continua a mudar a história em todo o Sul do Pacífico, um coração de cada vez. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Um dia que entrou para a história da igreja

Por uma diferença de 404 votos (1.381 a 977, ou 58,4% a 41,3%), Igreja Adventista decide não ordenar mulheres ao ministério pastoral

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A expectativa em relação às decisões da assembleia mundial da Igreja Adventista nesta quarta, 8 de julho, estava no ar. Que a agenda era um dos pontos altos da assembleia, ninguém duvidava. Afinal, o tema da ordenação de mulheres ao ministério prometia ser um divisor entre o passado e o futuro da igreja.

Alguns diferenciais puderam ser notados desde o início: a liderança reservou um dia inteiro para tratar do assunto; foram escalados alguns dos líderes mais experientes para coordenar as atividades; o auditório estava bem mais cheio do que de costume; e a promessa era contabilizar o “sim” e o “não”, pelo voto secreto, no fim da tarde.

O pastor Mark Finley, respeitado evangelista, liderou os momentos iniciais de oração. Destacou que somos apaixonados a respeito de muitas coisas, mas devemos manter o espírito de amor e a união em Cristo.

A música instrumental “Quão Grande És Tu”, apresentada pela banda Ensamble de Metales, da Universidade de Montemorelos, no México, deu um tom solene ao evento, sugerindo que o Deus transcendente está acima dos debates humanos.

No devocional que tradicionalmente marca o início das atividades de cada dia da assembleia, Alain Coralie, da Divisão Centro-Leste Africana, apresentou uma vibrante mensagem intitulada “Through Trials to Triumph”, certamente uma das melhores do evento.

Com base em Josué 4, ele retratou o povo de Israel jornadeando pelo deserto durante 40 anos, rumo à terra prometida. A travessia do Jordão exigia um milagre divino, mas também a preparação do povo, que deveria dar um passo de fé.

Então, destacando a importância de se manter o olhar na história, ele fez uma ponte para o adventismo e acrescentou: “Se não soubermos por que chegamos aqui, não saberemos como chegar lá.” Segundo Alain, Deus tem sido bom para nós como denominação e como indivíduos. Se não fosse assim, não estaríamos aqui.

“A igreja não deve esquecer sua história, mas não pode ficar presa ao passado”, acrescentou. Por definição, os adventistas olham para o futuro. Enquanto não devemos esquecer os sofrimentos e as conquistas dos pioneiros, nós mesmos fomos chamados para ser pioneiros, ele completou.

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Na sequência, depois de mais oração, Michael Ryan, vice-presidente da denominação que está se aposentando, assumiu o comando dos trabalhos. Se alguns têm um estilo suave de presidir, como Ella Simmons, que atuou no dia anterior, Ryan é conhecido por sua firmeza. Considerando a pauta difícil, ficou claro que ele não foi escolhido por acaso.

Ryan começou observando que em um grupo grande como o da igreja há muitas ideias diferentes, e todos deveriam ser respeitosos em seus comentários. E que o mesmo espírito revelado em um encontro da igreja mundial em 2014 deveria ser manifestado. Para ele, o objetivo era ter o maior número possível de pessoas expressando sua opinião nos microfones.

Documentos

Antes de prosseguir, Ryan chamou o pastor Ted Wilson, presidente reeleito da igreja, para apresentar um histórico dos estudos sobre a ordenação de mulheres. Wilson relatou que, desde a década de 1970, a igreja vem debatendo o assunto.

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O presidente expressou seu desejo de ver um debate aberto e honesto. E pediu para que ninguém tentasse encerrar a discussão com uma moção (proposta), um dos recursos utilizados pelo plenário em outros momentos. Cada um deveria votar de acordo com a sua consciência, orientada pelo estudo do assunto e guiada pelo Espírito Santo. Novamente, foi ressaltado que, apesar das fortes convicções, o espírito de cortesia devia prevalecer.

Reconhecendo a gravidade da decisão diante do grupo, Ryan pediu para que se formassem grupos de dois ou três a fim de dedicar alguns momentos à oração, clamando pela orientação divina e um bom espírito. Foram vários momentos de oração. Em geral, os participantes desse tipo de debate são pessoas bem preparadas, com opiniões fortes, e pode ser grande a tentação de transformar o fórum do diálogo em um cenário de guerra.

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Artur Stele, presidente da última comissão teológica de estudo da ordenação (TOSC, na sigla em inglês), teve a oportunidade de explicar o processo de investigação do tema. “Qualquer coisa que façamos, vamos fazer com o objetivo de cumprir a missão”, sugeriu.

Ele relembrou que os documentos foram disponibilizados online (para acessá-los, clique aqui) para que cada um pudesse estudá-los e tomar uma decisão consciente. A palavra final agora estava com os representantes da igreja, mas cabia à família adventista manter o espírito de unidade: “Numa família, não há vencedores e perdedores. Ou todos ganham ou todos perdem.”

Para tornar o debate mais didático, Karen Porter, secretária da comissão teológica, leu as três posições e a declaração de consenso (leia aqui).

A questão que deveria ser respondida foi: “É aceitável que a comissão executiva de cada divisão, caso considere apropriado em seu território, implemente os dispositivos necessários para a ordenação das mulheres ao ministério? Sim ou não?”

Debate

Às 11h10, Ryan novamente pediu um momento de oração. O clima no auditório, diferentemente do início da assembleia, marcado por certa polarização entre a América do Norte e o chamado Sul Global, era de calma e paz.

Por fim, após o secretário da Associação Geral ler o documento “Teologia e a prática da ordenação ministerial”, os delegados estavam prontos para expressar suas opiniões, alternando-se vozes em favor do “sim” e do “não”.

Dezenas de delegados de ambos os lados registraram-se para expressar seus pontos de vista. A tela mostrava a imagem e a identificação da pessoa, bem como se estava defendendo o “sim” ou o “não”. Enquanto isso, um grupo de membros da igreja intercedia na sala de oração.

Por exemplo, John Brunt, pastor de uma grande igreja na Califórnia, utilizou seus dois minutos para argumentar em favor da justiça da causa da ordenação. Exemplificou que em seu staff há vários pastores e quatro pastoras, que batizam mais do que todos os ministros.

Carlos Steger, reitor do seminário adventista da Argentina, e Frank Hasel, professor de teologia na Europa, defenderam o “não” em nome da unidade da igreja.

Por sua vez, Lawrence Geraty, ex-presidente da Universidade de La Sierra, destacou a necessidade de missionários na América do Norte.

A sessão da manhã terminou ao meio-dia com cerca de 80 pessoas nas filas para falar. O intervalo para o almoço trouxe ainda mais energia para o reinício do debate, às 14h.

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Entre outros defensores do “não”, o Dr. Mario Veloso, que atuou em várias áreas da igreja, disse que desde 1973 ele tem feito parte das comissões que tratam do assunto, e os argumentos, textos bíblicos e citações dos escritos de Ellen White são sempre os mesmos.

Lowell Cooper, vice-presidente da igreja que está se aposentando, evocou vários pontos, como a teologia dos dons espirituais, para defender que a ordenação seria a expressão da necessidade da igreja em diferentes circunstâncias.

Já Colleen Zimbeva, da Divisão Sul-Africana Oceano Índico, sugeriu que as mulheres podem trabalhar sem a ordenação.

David Poloche, da Divisão Interamericana, mencionou o tempo dos juízes, em que cada um fazia o que achava correto. “Não vivemos mais nessa época”, disse. “Por 30 anos, a igreja tem estudado o assunto e ainda não encontrou razões bíblicas para ordenar.” Para ele, se cada divisão fizer o que considera correto, isso não seria unidade.

Às 15h15, conforme previsto, Ryan convidou o pastor Jan Paulsen, ex-presidente da Associação Geral, para fazer um comentário. Paulsen fez um apelo apaixonado em favor do “sim”, argumentando que o “não” poderia causar um sério dano à unidade da igreja. Assim como os membros da África e da América do Sul confiam em seus líderes, ele ponderou, os delegados deviam confiar que os líderes de outras regiões sabem o que é melhor para a igreja em seu território. A fala causou certo desconforto.

Entretanto, o debate continuou. Samuel Larmie, da Divisão Centro-Oeste Africana, partidário do “não”, argumentou que a verdade é uma e a igreja é uma. O que não é bom para uma parte do mundo não é bom para outra parte.

Charles Sandefur, da Associação Geral, defendendo o “sim”, disse que no concílio de Jerusalém, sem equipamentos e grandes comissões de estudo, mas guiados pelo Espírito Santo, os primeiros cristãos se reuniram e em um dia resolveram a questão da circuncisão, liberando os gentios da prática.

Segundo a contagem dos jornalistas da Adventist Review, 40 delegados – 20 a favor e 20 contra – conseguiram expressar sua posição nos microfones. E a discussão foi interrompida 35 vezes por delegados que desejavam fazer alguma objeção sobre determinado aspecto do procedimento.

Às 16h15, o pastor Ted Wilson, num pronunciamento pré-agendado, disse que todos sabiam sua posição (“não”), que ele considera bíblica, e fez um apelo em favor da unidade.

Votação

Finalmente, o horário de encerramento do debate, marcado para as 16h30, estava chegando. Alguns pediram mais tempo, mas o dirigente da reunião não concedeu, pois isso não estava previsto no regulamento.

votacao-ordenacao-de-mulheres-assembleia-mundial-8Feitos os preparativos, os delegados foram instruídos a retirar a cédula de votação, registrando sua presença pela leitura do código de barras do crachá e depositando em seguida o voto numa das urnas. Os anos de estudos e debates agora se resumiriam a “sim” ou “não” (escritos em cinco línguas na cédula), de acordo com o entendimento e a consciência de cada um.

Segundo o secretário associado Myron Iseminger, o sistema de voto secreto foi preparado com antecedência, caso o equipamento eletrônico não funcionasse como esperado. E, de fato, não funcionou.

info-votacao-ordenacao-mulheresAo som de hinos antigos, a contagem dos votos, mais uma vez, deixou a igreja na posição em que estava. Dos 2.363 delegados presentes, 977 (41,3%) votaram “sim” e 1.381 (58,4%) votaram “não”, além de cinco abstenções, o que encerrou, espera-se, cinco anos de debates vigorosos e, às vezes, acalorados sobre um tema polêmico, em que pastores e teólogos respeitados se posicionam de ambos os lados.

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Essa decisão não significa que as mulheres não vão ocupar posições de destaque na igreja, pois desde o início de sua história isso tem ocorrido, a começar por Ellen White.

O pastor Ted Wilson fez novo apelo por unidade e foco total na missão, orando pela cura e a unidade que vêm “pelo poder do Espírito Santo”. A audiência cantou o hino “Oh! Que Esperança”, e assim mais um capítulo da epopeia da (não) ordenação de mulheres chegou ao fim. “Agora é o momento de unificar [a igreja] sob a bandeira ensanguentada de Jesus Cristo e seu poder”, ele disse para um Alamodome ainda lotado.

Alguém pode achar que tudo isso representou muito esforço para um resultado (in)esperado. Contudo, é assim que a igreja trabalha. Tomar uma decisão rapidamente poderia ser mais fácil, mas o resultado talvez se mostrasse menos duradouro. Em suas idas e vindas, argumentos e contra-argumentos, o povo de Deus prossegue em sua trajetória. No mínimo, o processo serviu de base para uma decisão consciente, além de ser um exercício didático de como “fazer” igreja. Michael Ryan confessou sua satisfação pelo “espírito dócil” e o decoro demonstrados na reunião.

O sentimento de alguns líderes é que não houve vencedores e perdedores, pois, se a decisão for encarada como disputa, então todos serão perdedores. “Naturalmente, os membros da nossa divisão estão desapontados com o resultado, mas estamos comprometidos com a missão da igreja mundial”, comentou o pastor Daniel Jackson, presidente da Divisão Norte-Americana. Para Mark Finley, agora é preciso deixar para trás a discussão sobre ordenação e alcançar o mundo perdido. Porque, afinal, Cristo é o “sim” de Deus (2Co 1:20) para todos.

Marcos De Benedicto é editor da Revista Adventista


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Divisões não poderão autorizar a ordenação de mulheres ao ministério pastoral

Decisão foi tomada pela assembleia mundial da igreja hoje à noite em San Antonio, no Texas (EUA)

Diante da falha registrada nessa semana no sistema eletrônico, votação foi realizada com cédulas.  Foto: Adventist Review

Votação foi realizada com cédulas de papel. Foto: Adventist Review

As 13 divisões da igreja adventista espalhadas pelo mundo não poderão autorizar a ordenação de mulheres ao ministério pastoral. O voto foi tomado nesta quarta-feira, 8 de julho, na assembleia que reúne líderes mundiais da igreja na cidade de San Antonio, Texas (EUA). Dos 2.363 delegados, 1.381 (58,4%) votaram “não” e 977 (41,3%) “sim”. Houve cinco abstenções.

O assunto vem sendo discutido pela igreja há alguns anos. Em 1990, quando ocorreu a primeira votação, 76% decidiram pela não ordenação das mulheres. Num segundo momento decisivo, durante a assembleia de Utrecht, na Holanda, 69% também se manifestaram contrários.

Cinco anos depois, na sessão da Associação Geral de Atlanta, em 2010, a pauta veio à tona novamente, acompanhada de uma solicitação para que o assunto fosse reapresentado. Durante dois anos, teólogos de todo o mundo formaram um comitê para tratar do assunto. As conclusões obtidas a partir do estudo aprofundado do tema resultaram numa declaração de consenso sobre a teologia adventista da ordenação (leia o documento abaixo).

Vice-presidente da Igreja Adventista, Mike Ryan, preside o Concílio Anual na terça-feira, dia 14 de outubro, enquanto delegados votaram quase unânimes para colocar um item na agenda da Assembleia da Associação Geral do ano que vem perguntando se as Divisões regionais podem permitir que as mulheres sejam ordenadas como ministros (ou ministras). O voto foi de 243 a 44, com três abstenções (Foto: Viviene Martinelli).

Vice-presidente da Igreja Adventista, Mike Ryan, preside o Concílio Anual realizado em outubro de 2014, quando foi decido que o assunto da ordenação das mulheres ao ministério pastoral seria tratado na assembleia de San Antonio. A proposta. Foto: Viviene Martinelli.

Em outubro de 2014, o Concílio Anual da Associação Geral da Igreja Adventista, em Silver Spring, Maryland (EUA), decidiu inserir o item na agenda da 60ª assembleia. A proposta de se promover uma terceira votação sobre o tema recebeu 243 votos favoráveis e 44 contra (houve três abstenções).

Ponto em questão

A pergunta em questão na tarde de hoje foi se as divisões (ou escritórios administrativos da Igreja Adventista) devem permitir que as mulheres sejam ordenadas como pastoras. Por ser o item mais sensível da agenda da 60ª assembleia da igreja, o presidente mundial dos adventistas, Ted Wilson, apelou aos delegados para que buscassem a Deus em oração antes de manifestar sua decisão nas urnas.

Sem perder esse espírito, ao longo de toda a tarde, enquanto dezenas de delegados manifestavam publicamente diferentes opiniões a respeito do tema, a reunião administrativa foi interrompida pelo presidente da mesa, pastor Michael Ryan, para momentos de oração.

Após a decisão, em um discurso solene, o líder mundial dos adventistas reiterou que a votação nesta assembleia não encerra com vencedores ou perdedores. Segundo ele, mais do que nunca a igreja precisa seguir unida e com o foco na missão. [Márcio Tonetti, equipe RA]


 

DECLARAÇÃO CONSENSUAL SOBRE A TEOLOGIA ADVENTISTA DA ORDENAÇÃO

VOTADO o recebimento e o endosso do documento “Declaração Consensual sobre a Teologia Adventista da Ordenação”, que afirma o seguinte:

Em um mundo alienado de Deus, a igreja é composta por aqueles que Deus reconciliou consigo mesmo e uns com os outros. Por meio da obra salvadora de Cristo, seus membros estão unidos em missão pela fé mediante o batismo (Ef 4:4-6), tornando-se um sacerdócio real, cuja missão é “anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9). Os cristãos recebem o ministério da reconciliação (2Co 5:18-20), chamados e capacitados pelo poder do Espírito e pelos dons que Ele derrama sobre cada um para cumprir a comissão evangélica (Mt 28:18-20).

Embora todos os cristãos sejam chamados para usar seus dons espirituais no ministério, as Escrituras identificam algumas posições específicas de liderança que eram acompanhadas da ratificação pública pela igreja de que tais pessoas atendiam os requisitos bíblicos (Nm 11:16, 17; At 6:1-6; 13:1-3; 14:23; 1Tm 3:1-12; Tt 1:5-9). Revela-se que vários desses endossos envolviam a “imposição de mãos”.

As versões da Bíblia em inglês usam a palavra ordenar para traduzir muitas palavras diferentes em grego e hebraico que exprimem a ideia básica de selecionar ou nomear, descrevendo a colocação de tais pessoas em seus respectivos ofícios. Ao longo da história cristã, o termo ordenação adquiriu significados que vão além do que as palavras originalmente subentendiam. Levando em conta esse contexto, os adventistas do sétimo dia entendem que ordenação, no sentido bíblico, é a ação da igreja de reconhecer publicamente aqueles a quem o Senhor chamou e capacitou para o ministério na igreja local e global.

Além da função única dos apóstolos, o Novo Testamento identifica as seguintes categorias de líderes ordenados: os presbíteros e presbíteros-chefes (At 14:23; 20:17, 28; 1Tm 3:2-7; 4:14; 2Tm 4:1-5; 1Pe 5:1) e os diáconos (Fp 1:1; 1Tm 3:8-10). Ao passo que a maioria dos presbíteros e diáconos ministrava em contextos locais, alguns presbíteros eram itinerantes e supervisionavam um território maior, formado por várias congregações, função que pode refletir o ministério de indivíduos como Timóteo e Tito (1Tm 1:3, 4; Tt 1:5).

Por meio do ato da ordenação, a igreja confere autoridade representativa sobre indivíduos para a obra específica de ministério à qual são nomeados (At 6:1-3; 13:1-3; 1Tm; Tt 2:15). Tais papéis podem incluir: representar a igreja, proclamar o evangelho, ministrar a Ceia do Senhor e o batismo, plantar e organizar igrejas, guiar os membros e cuidar deles, opor-se a falsos ensinos e prover serviço geral para a congregação (cf. At 6:3; 20:28, 29; 1Tm 3:2, 4, 5; 2Tm 1:13, 14; 2:2; 4:5; Tt 1:5, 9). Embora a ordenação contribua para a ordem da igreja, ela não confere qualidades especiais aos indivíduos ordenados, nem introduz uma hierarquia monárquica na comunidade da fé. Os exemplos bíblicos de ordenação incluem a concessão de um mandato, a imposição de mãos, jejum e oração e a entrega das pessoas separadas à graça de Deus (Dt 3:28; At 6:6; 14:26; 15:40).

Os indivíduos ordenados dedicam seus talentos ao Senhor e à sua igreja em serviço vitalício. O modelo básico de ordenação foi a nomeação dos doze apóstolos (Mt 10:1-4; Mc 3:13-19; Lc 6:12-16) e o modelo supremo de ministério cristão é a vida e a obra de nosso Senhor, que não veio para ser servido, mas, sim, para servir (Mc 10:45; Lc 22:25-27; Jo 13:1-17). [Tradução: Cecília Eller Nascimento]


 

Veja também

VÍDEO: O pastor e jornalista Diogo Cavalcanti comenta a decisão direto de San Antonio

Carência do evangelho

Após 100 anos de presença adventista em Bangladesh, a pregação do evangelho ainda é pouco expressiva no país com a maior densidade demográfica do mundo

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Créditos da imagem: ADRA Bangladesh

Apenar de mais de um milhão de adventistas viverem no território da Divisão do Pacífico Sul-Asiático da Igreja Adventista, a população dessa geografia é de quase um bilhão de pessoas. Neste contexto está Bangladesh, país com a maior densidade demográfica do mundo, se não forem levados em conta cidades-estado e nações com menos de 10 milhões de habitantes. São quase 160 milhões de pessoas numa área um pouco maior do que o Amapá, o que significa mil pessoas dividindo o mesmo quilômetro quadrado (no Brasil, são 23 habitantes/km2).

A pobreza é outra característica do país: 43% da população vivem com menos de 1,25 dólar por dia. Segundo dados de 2013, a renda per capita é de 1.044 dólares, enquanto a média mundial é de quase 8 mil. No Índice Global da Fome, Bangladesh está entre os dez piores países, sendo a falta de diversidade na dieta um dos principais problemas. A nação também está entre os cinco países com maiores chances de sofrer desastres naturais. Todos os anos, enchentes, ciclones e maremotos arrasam cidades e matam milhares de pessoas.

Mesmo com esse cenário, a Igreja Adventista está há mais de 100 anos em Bangladesh. No entanto, os desafios ainda são enormes. Sendo realista, a igreja tem pouco menos de 10 mil membros ativos, mesmo que conste com mais de 30 mil na secretaria. Se faltam adventistas, não faltam alegria e música por aqui.

Com mais de 92% da população adepta ao islamismo, menos de 1% de cristãos e muitas restrições à pregação do evangelho, o adventismo enfrenta obstáculos para crescer. Por causa da renda per capita tão baixa, a igreja não consegue sequer manter três ou quatro pastores que se formam a cada ano. Bangladesh possui quatro Missões e uma União, mas sobrevive com subsídios da Divisão local, Associação Geral e doações esporádicas de estrangeiros.

Os adventistas representam apenas 0,019% da população bengali: são supostos 30.115 membros distribuídos em 129 igrejas. A grande maioria dos membros não conhece muito da Bíblia. Na luta diária pela sobrevivência, investem pouco tempo à oração e estudo da Palavra, que são fundamentais para o crescimento sadio da fé cristã.

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Por meio de projetos sociais e na área de saúde, a ADRA Bangladesh tem ajudado a mudar a vida da população. No Índice Global da Fome, o país está entre os dez piores. A falta de diversidade na dieta é um dos principais problemas. Foto: arquivo pessoal / Landerson Serpa

O país faz parte da Janela 10/40, região em vivem 66% da população mundial, e que corresponde a 33% da área do planeta, compreendendo 62 países. Bangladesh, cujo governo insiste em dizer que é laico, está na lista das 50 nações mais intolerantes aos cristãos, o que torna muito difícil a vida dessa minoria.

No campo das possibilidades, a educação tem sido uma das principais frentes de atuação da igreja em Bangladesh. Com um total de 150 escolas, incluindo sete internatos, a igreja trabalha bastante para ajudar a comunidade local, atendendo 9.085 alunos. Mas os desafios são grandes. Apenas um internato consegue se manter por conta própria. O mesmo ocorre com as 13 escolas nas cidades, apenas uma não representa prejuízos financeiros para a igreja. As outras 137 escolas são as chamadas village school (escolas de vilas), que não possuem prédios próprios e as aulas são ministradas nas casas dos pastores.

A Igreja Adventista tem um papel muito importante a exercer nesse país: ser luz em meio às trevas. Por isso, cada adventista de Bangladesh deve se apegar ainda mais a Cristo, e permitir que ele o transforme diariamente a fim de que a missão de Deus avance nesse país desafiador. Ore por Bangladesh e pela Janela 10/40.

Landerson Serpa Santana é pastor e trabalha para a ADRA Bangladesh (com colaboração de Ketlin Brito e Kevin Dantas)

Cenáculo moderno

Vinte anos depois, editor da CPB relembra cobertura que fez da assembleia de Utrecht, na Holanda

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Centro de Convenções Jaarbeurs, em Utrecht, na Holanda, onde foi realizada a assembleia mundial da igreja em 1995. Imagem: acervo RA

Em 1995, pela primeira vez, minha esposa e eu tivemos o privilégio de participar, como delegados (eu, também como repórter da Revista Adventista), da 56ª Sessão da Associação Geral, realizada em Utrecht, cidade conhecida como o “coração da Holanda”. Destacado centro comercial e turístico do país, nela se encontram as marcas de um rico passado histórico e de um presente dinâmico.

Participar de uma assembleia mundial da Igreja Adventista é, realmente, uma experiência inesquecível. O fato de nos encontrarmos em meio a uma riquíssima diversidade de culturas, etnias e idiomas, contudo identificados pelas mesmas crenças, os mesmos ideais espirituais e missionários, a mesma bendita esperança de ver Jesus face a face, contribui para que logo nos sintamos uma família – a família de Deus. Agora, tendo a oportunidade de assistir a mais um evento dessa natureza, emergem as lembranças de 20 anos atrás.

Que lembranças guardo de Utrecht? De início, foi inevitável a associação daquele encontro do povo remanescente, durante dez dias, com outro que também aconteceu reunindo os primeiros cristãos, durante dez dias, muito tempo atrás em Jerusalém. Acaso, a unidade característica do primeiro encontro em Jerusalém seria a marca do encontro em Utrecht? O lema da assembleia – “Unidos em Cristo” – era convidativo a esse ideal. Conforme disse o Dr. Benjamin Reaves, então diretor do Colégio Oakwood, em sua mensagem devocional de abertura, o lema era “um insistente imperativo missionário para a igreja. Ele deve ser o sinal pelo qual o mundo possa nos distinguir. Através de nossa união, devemos atrair pessoas a Cristo. Não é suficiente a união teológica, doutrinária e de crenças. Importa que estejamos unidos no amor”.

A pauta das discussões continha temas controvertidos, mas foram debatidos no espírito do lema da assembleia. Senti que o Espírito Santo a tudo dirigia. Ideias eram às vezes apresentadas com muita ênfase, defendidas com ampla liberdade para expressão, mas tudo sob uma atmosfera de respeito cristão. Havia a clara determinação de todos no sentido de que a igreja não fosse desviada de sua rota missionária. Vinte anos mais perto da vinda de Jesus Cristo, não podemos esperar nem desejar menos do que isso.

Ainda me lembro de Meropi Gijka, digno exemplo de fé mantida sob circunstâncias dificílimas. Ela foi alcançada na Albânia, onde floresceu o modelo comunista mais agressivo. Meropi se converteu no início dos anos 1940, graças ao trabalho do pastor Daniel Lewis, e viveu secretamente a fé durante 50 anos em que a religião organizada foi proibida naquele país. Descoberta em 1990 pelo pastor David Currie, entregou-lhe os dízimos guardados durante aquele tempo e, finalmente, pôde ser batizada. Aos 92 anos, ela estava em Utrecht numa cadeira de rodas.

Além de Meropi, estiveram na Holanda mais dois exemplos, entre outros, de que não há barreiras ideológicas nem geográficas para o evangelho de Cristo: Sovanna Puth, primeira adventista batizada no Camboja, depois de 30 anos, e Davaahuu Barbaatar, primeira adventista batizada na Mongólia.

Ouvi o voluntário Fitz Henry, ex-presidiário e, como ele mesmo se definia, “engenheiro profissional, mas pregador por vocação”. Havia levado ao batismo 15.100 pessoas em dez anos, realizando campanhas evangelísticas na América Central.

Testemunhei o vigoroso envolvimento missionário dos jovens, de todas as partes. Ações comunitárias, música, dramatizações e muito mais eram recursos utilizados já naquele tempo com objetivos evangelísticos. E com expressivos resultados.

Estou certo, porém, de que as conquistas relatadas em Utrecht foram nada mais que o prelúdio da grande sinfonia hoje apresentada. A igreja tem feito incomparavelmente mais. Porém, ainda estamos em um mundo cujas transformações acabam afetando a igreja. Por quanto tempo mais? De quantos “dez dias” necessitaremos para reviver a experiência daqueles primeiros “dez dias” do cenáculo em Jerusalém?

Zinaldo Santos é pastor, jornalista e editor da revista Ministério. Zinaldo está em San Antonio, Texas

A missão em primeiro lugar no campo mais desafiador

Relatório apresentado por Jairyong Lee, presidente reeleito da Divisão do Pacífico Norte-Asiático, no dia 7, ressaltou os movimentos de plantio de igreja e as iniciativas de missão urbana

Dedicados e prontos: na Coreia do Sul, missionários do Movimento de Missão Pioneira são dedicados para o serviço. Crédito: NSD

Dedicados e prontos: na Coreia do Sul, missionários do Movimento de Missão Pioneira são dedicados para o serviço. Crédito: NSD

A Divisão do Pacífico Norte-Asiático (Nothern Asia-Pacific Division — NSD) atende a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Coreia do Norte, a Mongólia e Taiwan, países com uma vasta história e rica herança cultural. Uma vez que quase um quarto da população mundial vive no território da NSD, os desafios missionários são enormes.

Os cristãos constituem apenas 4% da população total de 1,6 bilhão de habitantes. O budismo, o xintoísmo e o confucionismo, bem como outras religiões tradicionais, são profundamente enraizadas na região, ao mesmo tempo em que o secularismo e o materialismo bloqueiam o coração de muitos.

Apesar dessas circunstâncias desafiadoras, ao longo dos últimos cinco anos, o Senhor abençoou sua missão nessa Divisão de muitas maneiras notáveis. Mas somente com o poder do Espírito Santo seremos capazes de cumprir a comissão evangélica no futuro próximo.

Colocando em prática o lema “Missão em primeiro lugar”, funcionários e membros da igreja na Divisão têm dedicado a vida a Deus a fim de avançar a pregação do evangelho por meio da participação em atividades de alcance missionário na própria terra natal e no exterior. Desde a assembleia da Associação Geral de 2010, 77.693 pessoas aceitaram a Jesus Cristo e se uniram à família adventista, totalizando 688.106 membros no território da Divisão em 31 de dezembro de 2014.

Batismo no Japão: novos fiéis entregam a vida a Cristo. Crédito: NSD

Batismo no Japão: novos fiéis entregam a vida a Cristo. Crédito: NSD

Reavivamento espiritual

Ted Wilson, presidente da Associação Geral, visitou a Coreia e o Japão em outubro de 2011 e a China em abril de 2012. Ele pregou mensagens sobre reavivamento e reforma, que trouxeram grandes bênçãos e encorajamento. Durante sua visita, os membros entenderam melhor a importância do reavivamento espiritual e reconsagraram a própria vida à missão de contar aos outros sobre Deus. Os membros da igreja de todo o território da Divisão continuam a se concentrar na necessidade de experimentar reavivamento espiritual pessoal e reforma por meio da Palavra de Deus e da oração fervorosa.

Quando nossos líderes visitaram a China, os líderes da igreja chinesa pediram auxílio por meio de treinamento espiritual de maneira sistemática. A China tem 1,35 bilhão de habitantes, dos quais menos de 4% são cristãos. As igrejas lutam por reavivamento e reforma, e suplicam por capacitação espiritual. A fim de atender essa necessidade urgente, a comissão diretiva da Divisão votou, em maio de 2012, a criação de um centro de treinamento de liderança espiritual na ilha de Jeju, na Coreia. Em 1o de setembro de 2013, a cerimônia de inauguração ocorreu com a presença de Wilson, dos presidentes das Uniões e de cerca de cem membros da igreja.

Em nove meses, foram construídos dois dormitórios, um refeitório, salas de aula e uma casa para o diretor do centro. Desde junho de 2014, grupos de diferentes países, inclusive da China, do Japão, de Taiwan e da Mongólia já receberam uma semana de treinamento espiritual. A partir de 2016, nosso alvo é proporcionar capacitação para um total de 700 a 800 pessoas por ano.

Missão: nossa principal prioridade

A missão é a principal prioridade da Divisão do Pacífico Norte-Asiático. Ela é fortemente enfatizada em todas as atividades da igreja. A fim de inspirar os membros da igreja com o espírito missionário, foi realizado o Congresso Internacional de Missões no centro de convenções internacionais em Jeju, Coreia, em agosto de 2013. Cerca de 4 mil pessoas de todo o território da Divisão participaram com entusiasmo. Muitos líderes proeminentes da igreja, inclusive Ted Wilson e G. T. Ng, secretário-executivo, estavam presentes e inspiraram as pessoas com mensagens poderosas da Palavra de Deus. Com o coração unido, os participantes conversaram, ouviram e refletiram sobre a missão da igreja. Dedicaram tempo orando juntos para pedir o derramamento do Espírito Santo e a união na missão.

Vibração por todos os lados: dedicação da igreja de Nanjing, na China.

Vibração por todos os lados: dedicação da igreja de Nanjing, na China.

Hoje mais de 500 cidades no mundo têm uma população superior a 1 milhão de habitantes. Cento e cinco dessas cidades fazem parte do território da nossa Divisão. Séries evangelísticas do projeto de “Missão Urbana” foram realizadas nas principais cidades da Divisão, começando com “Tóquio 13” no Japão. Tóquio é uma das cidades mais populosas do mundo e foram feitas 42 séries evangelísticas em várias igrejas de lá. A maioria desses pontos de pregação ficaram lotados de gente.

Além de Tóquio, outras 16 grandes cidades foram selecionadas no território da Divisão para a iniciativa de missão urbana. Partilhar a mensagem do breve retorno de Cristo com milhões de pessoas que vivem nas grandes cidades corresponde à maior parte de nosso foco missionário.

Na Mongólia, as reuniões evangelísticas do projeto “Missão Urbana” foram realizadas em 13 lugares da cidade de Ulan Bator, nos dias 5 a 13 de setembro de 2014. No sábado, 13, todos se reuniram em um ponto de encontro central com cerca de 700 pessoas presentes para adorar a Deus. Graças a “UB14”, 130 pessoas foram colhidas para o reino dos céus. A Divisão dará continuidade à ênfase na missão urbana até que todos os habitantes das cidades sejam alcançados com as três mensagens angélicas.

Projetos missionários

No que se refere às atividades missionárias, a Divisão deu início a vários projetos envolvendo pastores e leigos, tanto em países estrangeiros quanto na própria terra.

O Movimento de Missão Pioneira (MMP) é o projeto de plantio de igrejas em territórios de Missão Global da Divisão desde 2002. Ao longo dos últimos 13 anos, 102 pastores e suas famílias deixaram sua terra natal a fim de servir por seis anos como missionários plantadores de igrejas que atravessam barreiras culturais. Alguns voltaram para casa depois de atuar com êxito durante o período de seis anos. Atualmente, 48 missionários MMP plantam igrejas em 16 países, à saber: Japão, Taiwan, Hong Kong, China, Coreia, Mongólia, Congo, Uganda, Tanzânia, Quirguistão, Indonésia, Rússia, Índia, Turquia, Kosovo e Filipinas. Por meio de seu serviço dedicado, foram fundadas 148 congregações, resultando no batismo de 13.935 pessoas.

No projeto “Anjos Dourados”, por sua vez, oito jovens talentosos se voluntariam como cantores missionários por um ano, com o propósito de dar apoio às atividades evangelísticas no território da Divisão. Além de cantar nas séries de pregação, eles visitam as pessoas de porta em porta, fazem amigos e ministram estudos bíblicos. Desde 2004, milhares de pessoas foram tocadas pelo ministério deles e um grande número foi levado para a igreja por intermédio de seu serviço dedicado.

O “Movimento Missionário 1000” (MM1000) continua a treinar e enviar centenas de jovens adventistas todos os anos para muitas partes do mundo. Depois de receber treinamento intensivo por cinco semanas, os jovens dedicam um ano no campo missionário como voluntários. Há 6.588 jovens de 59 países que já participaram do Movimento Missionário 1000 desde 1993. Os frutos de seus esforços incluem 66.099 batismos, 763 igrejas construídas e 1.366 igrejas e grupos fundados em 39 países.

Nem todos são chamados para servir em terras estrangeiras, por isso, o movimento “Suas Mãos em Missão” mobiliza nossos membros a cumprir a missão na própria terra. Desde maio de 2007, 3.771 indivíduos da Coreia, da Mongólia, do Japão, de Taiwan e da China se uniram a esse movimento.

Indo de dois em dois, eles batem nas portas, entregam literatura, cultivam relacionamentos e compartilham o amor de Deus, dedicando dez horas por semana durante três anos para essa missão. Para muitas igrejas, esse método evangelístico tem se mostrado eficaz para ganhar pessoas.

Em 1º de julho de 2011, o Hope Channel começou a ser transmitido. É o 13º canal adventista da China, sendo veiculado pelo satélite Telstar 18. A Hope TV tem mais de 5 mil programas com meia hora de duração sobre saúde, família, culinária, educação, música, bem como sermões e assuntos religiosos. Por meio desses programas de televisão, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, agora podemos nos aproximar de 1,4 bilhão de pessoas de língua chinesa com a mensagem evangélica. Na Coreia, o Hope Channel começou a ser veiculado pela internet e, em julho, o mesmo aconteceu no Japão.

Centros de influência

O evangelismo nas grandes cidades não é tarefa fácil, porque muitos moradores dos centros urbanos são extremamente influenciados pelo materialismo e o secularismo. A despeito desses desafios, os centros de influência têm desempenhado um papel significativo ao alcançar e mostrar o amor de Cristo às pessoas que habitam nas cidades. Existem centenas de centros de influência no território da Divisão, que estão a serviço de mais de 5 milhões de pessoas por ano. Convidamos muitos a irem a nossos centros de influência e partilhamos com eles o valor de nossos ensinos e do estilo de vida cristão.

A Divisão fundou um Centro Multicultural de Serviços à Família (CMSF) na cidade de Ansan, Coreia, na qual 20% dos 760 mil habitantes são estrangeiros. O CMSF oferece vários serviços, que incluem assistência social, educação e atendimento médico, jurídico e cultural, a fim de ajudar as famílias multiculturais a se ambientarem com maior facilidade à vida na Coreia. Por meio do amor sincero e do compartilhamento da mensagem evangélica, 136 trabalhadores migrantes e membros de famílias multiculturais aceitaram a Jesus Cristo e foram batizados nos últimos cinco anos

Batismo à luz de velas: iluminação suave durante um batismo numa igreja na Mongólia. Crédito: NSD

Batismo à luz de velas: iluminação suave durante um batismo numa igreja na Mongólia. Crédito: NSD

Crescimento institucional

Na Divisão, há 117 organizações e instituições, incluindo universidades e faculdades, escolas de ensino fundamental, hospitais, clínicas, editoras e indústrias alimentícias. Essas instituições cresceram consideravelmente neste quinquênio. Há 1.700 funcionários e 21.510 alunos em nossas instituições de ensino, que abrangem duas universidades, três faculdades, 25 escolas de ensino médio e 22 de ensino fundamental. Todos os anos, vemos a influência da educação cristã por meio do batismo de estudantes que aceitam a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal.

Deus também está na direção de nossas instituições médicas, atuando de maneira maravilhosa em 11 hospitais e 20 asilos e clínicas. Mais de 1,9 milhão de pessoas recebem os cuidados médicos dessas instituições todos os anos. Por meio dos esforços dedicados de nossa equipe médica e pela graça de Deus, alguns de nossos hospitais superaram suas dificuldades financeiras. Nossas indústrias alimentícias na Coreia e no Japão fabricam produtos à base de leite de soja e alimentos saudáveis. Os produtos da Sahmyook, na Coreia, e da Saniku, no Japão, têm obtido sucesso cada vez maior e são bem aceitos tanto no mercado local quanto global.

O Senhor tem abençoado graciosamente e enriquecido nossos humildes esforços para que pudéssemos ceifar uma colheita maravilhosa. Ele conduziu nosso povo de maneira poderosa na União-Missão Chinesa, União Japonesa, União Coreana e nos dois campos anexos à Divisão, a Missão da Mongólia e a Associação de Taiwan, a fim de espalharmos as três mensagens angélicas para milhões de pessoas do território de nossa Divisão.

Pelo poder do Espírito Santo

A Divisão atua para cumprir a comissão evangélica em seu vasto território. Os desafios missionários são enormes e parece quase impossível concluir a obra do evangelho com as limitações financeiras e pessoais que enfrentamos. Entendemos, porém, que o trabalho será realizado “não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito”, como disse o Senhor Todo-Poderoso (Zc 4:6).

A despeito de todos os desafios, o Senhor abençoou a Divisão do Pacífico Norte-Asiático de forma extraordinária durante o último quinquênio e nos alegramos ao ver milhares de pessoas preciosas se unindo à igreja todos os anos. Louvado seja Deus! Até Jesus voltar, continuaremos a fazer nosso melhor na disseminação das três mensagens angélicas ao mundo. Ellen White escreveu o conselho inspirado: “Nada temos a recear no futuro, a não ser que nos esqueçamos do caminho pelo qual Deus nos tem conduzido” (Vida e Ensinos, p. 204).

Que o Senhor continue a abençoar sua obra na Divisão do Pacífico Norte-Asiático e ao redor do mundo! Maranata! [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Missão extrema

Relatório apresentado pelo pastor Erton Köhler, no dia 7, mostrou a disposição da igreja de chegar aos rincões da América do Sul

Em vista aérea, o último grande Campori Sul-Americano reuniu 35 mil desbravadores em Barretos (SP). Créditos: DSA

Em vista aérea, o último grande Campori Sul-Americano reuniu 35 mil desbravadores em Barretos (SP). Créditos: DSA

Nos últimos cinco anos, a palavra que marcou o cumprimento da missão na Divisão Sul-americana foi “extremo”. Colocar em prática a comissão bíblica dada por Jesus de “ir”, significa, em muitos casos, dirigir-se a extremos geográficos com dedicação e influência, usando recursos para o progresso do reino de Deus neste mundo. Esta é uma causa fundamentada na grande esperança da segunda vinda de Jesus e tem como base os três alicerces do discipulado: comunhão, relacionamento e missão.

Na área da comunhão, a igreja agiu por meio de programas voltados para o desenvolvimento e a consolidação do hábito de buscar o Senhor na primeira hora do dia. Nos últimos cinco anos, mais de um 1 milhão de pessoas participou do Seminário de Enriquecimento Espiritual, que está agora na quinta fase. Outra iniciativa é o Projeto Maná. Seu alvo é incentivar o estudo diário da Lição da Escola Sabatina. Ao fim do quinquênio, tínhamos 1.010.083 exemplares dos guias de estudo da Bíblia nas mãos de nossos membros.

Na área de relacionamento, nosso foco foi o fortalecimento dos pequenos grupos. Atualmente, contamos com 83.056 pontos de esperança, que reúnem semanalmente membros e visitantes nos lares.

No âmbito da missão, os membros foram desafiados a usar seus dons para conduzir pessoas a Jesus. Nos últimos cinco anos, 1.115.974 pessoas foram batizadas. Além disso, cerca de 15 mil voluntários e 3 mil pastores receberam treinamento no projeto escolas de evangelismo.

Indo além

Ir ao extremo! Essa postura é vista de maneira prática na vida das pessoas que não se satisfazem em fazer somente o que é esperado. Elas vão além. Gente como Ezequiel Zabala, de oito anos de idade. Influenciado por uma professora da Escola Adventista de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia. Ezequiel limpou banheiros e vendeu gelatina. Por meio dessas atividades, conseguiu ganhar dinheiro suficiente para comprar quatro caixas de livros A Grande Esperança a fim de distribuir em seu bairro. “Minha professora disse que ninguém terá uma coroa sem estrelas no Céu”, recorda ele.

Desde 2006, a distribuição de livros missionários tem sido realizada de maneira sistemática. Um livro de alta qualidade, com mais de cem páginas, a um preço inferior a cinquenta centavos de dólar é disponibilizado para ser entregue. Envolvidos e cheios de poder, os membros da igreja distribuíram 130 milhões de livros impressos e já houve pouco mais de 32 milhões de downloads da versão digital.

O território da Divisão Sul-americana tem cerca de 320 milhões de habitantes; logo, a distribuição alcançou um terço da população total.

info-relatorio da DSA

Mais congregações

Hector Pérez é outra pessoa que não poupou esforços para levar as páginas de esperança aos outros. Sargento das Forças Armadas Argentinas, ele desafiou o clima inóspito da Antártida e compartilhou o livro A Grande Esperança com todos que estavam com ele na base científica à qual bem poucas pessoas têm acesso.

Ezequiel e Heitor fazem parte dos 2.329.245 adventistas do sétimo dia da Divisão Sul-americana. O número de membros cresceu 12,8% nos últimos cinco anos. Os adventistas dos oito países que compõem a Divisão Sul-Americana estão espalhados por 25.942 igrejas e grupos, liderados por um exército de 4.409 pastores.

No plantio de igrejas, também vemos extremos: 6.444 congregações adventistas foram fundadas, representando um crescimento de 18,65% no número de novas igrejas no último quinquênio. Jorge Caldas, cego que mora no Estado do Rio de Janeiro, não se intimida pela deficiência que o acompanha há 16 anos. Ele persevera em uma rotina de estudos bíblicos e visitas missionárias. Além disso, encontra forças para realizar ocasionais campanhas evangelísticas. Foi responsável pela fundação de quatro novas congregações adventistas.

Por haver um projeto intencional e planejado de plantio de igrejas, essas congregações são fundadas com apoio financeiro, forte ênfase missionária e administrativamente maduras. “É um crescimento sólido, com base em relatórios e registros precisos e sistematizados, que nos dão uma ideia real de como estamos nos saindo e para onde estamos indo”, explica Magdiel Peréz, secretário-executivo da Divisão.

Mais tecnologia, menos fronteiras

O impacto extremo também acontece quando as fronteiras geográficas são alcançadas e ultrapassadas. Alguém que entendeu esse conceito foi o voluntário Roberto Roberti, de São Paulo. Em um ano, ele conseguiu dar estudos bíblicos para mais de 2 mil pessoas. E tudo aconteceu online. Roberto faz mais do que apenas enviar arquivos ou links com informações sobre a Bíblia. Ele está sempre em contato com sua classe de alunos, ávidos pelo conhecimento. Um grande grupo de voluntários também o ajuda nessa tarefa.

Por meio da internet, da televisão, do rádio ou da página impressa, o evangelho voa alto na América do Sul. A Rede Novo Tempo de Comunicação terminou os últimos cinco anos com mais de 100 milhões de acessos a seus websites e blogs. No site da Novo Tempo, mais de 634 mil alunos participaram de estudos bíblicos online e 693.334 pedidos de oração foram recebidos no portal da instituição e em suas mídias sociais, que contam com mais de 7 milhões de seguidores. A televisão e o rádio falam a um público potencial de 170 milhões de espectadores, com 81 horas semanais de programas inéditos nos dois idiomas. E 855.211 estudos bíblicos foram enviados pelo correio ao longo dos últimos cinco anos.

Revistas, livros e DVDs produzidos pela Casa Publicadora Brasileira e pela Aces (a casa publicadora sul-americana em língua espanhola) chegam a milhares de casas por meio do trabalho de mais de 3.500 colportores-evangelistas de tempo integral e 10.600 colportores estudantes. O número de livros e revistas vendidos neste período foi de 52.525.571, que representam 322.712.840 milhões de dólares. Como resultado do trabalho do Ministério de Publicações, 14.843 pessoas foram batizadas no último quinquênio. O site oficial da Divisão Sul-Americana, desenvolvido tanto em português quanto em espanhol, contou com 35 milhões de acessos a suas páginas ao longo dos últimos cinco anos.

Escolhidos e preparados pela igreja da América do Sul, 28 famílias de missionários são dedicadas para servir em lugares onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência. Créditos: DSA

Escolhidos e preparados pela igreja da América do Sul, 28 famílias de missionários são dedicadas para servir em lugares onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência. Créditos: DSA

Instituições que servem

Na perspectiva da Divisão Sul-Americana, suas instituições dão exemplo de evangelismo extremo. É nos detalhes que é notada a preocupação de uma empresa com os valores espirituais.

A Superbom (indústria alimentícia brasileira) e a Granix (indústria alimentícia argentina), estabelecidas no Brasil e na Argentina, e administradas pela Divisão, têm um total de 1.152 funcionários que cumprem a missão por meio da fabricação de alimentos saudáveis. Entre os produtos manufaturados, há o suco de uva 100% puro, sem aditivos químicos, em harmonia com os princípios bíblicos de saúde. Isso chamou a atenção da professora universitária Maria Auxiliadora de Oliveira.

Maria Auxiliadora queria provar que todas as empresas mentem sobre o uso de substâncias prejudiciais em seus produtos na descrição dos rótulos de suas caixas e garrafas. Por isso, ela ficou surpresa com a veracidade da informação compartilhada pelo nosso produto. Conhecida como Dora, ela descobriu que os rótulos são verídicos. Descobriu também que, por trás do produto, há uma igreja. E por trás dessa igreja, aprendeu sobre Deus da maneira mais extrema. No rótulo de cada um dos produtos aparece o nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia e o website evangelístico, www.esperanca.com.br em português e www.esperanzaweb.com em espanhol. Ela foi batizada e hoje é uma adventista do sétimo dia.

O cumprimento da missão também é o foco das 870 instituições educacionais sul-americanas, com seus 299.466 alunos, além da comunidade de pais que também se beneficia da educação cristã. Soma-se a isso 20 instituições de saúde, como clínicas, centros de vida saudável e hospitais que vão a extremos na missão. “Não estamos aqui apenas para lucrar e ter instituições estáveis como um fim em si mesmas. Toda a nossa renda é investida em evangelismo”, garante Marlon Lopes, tesoureiro da Divisão Sul-Americana. Os dados revelam que os adventistas do sétimo dia da América do Sul aumentaram em 50,2% sua fidelidade nos dízimos e deram 102,1% ofertas a mais do que no quinquênio anterior.

Pessoas que fazem a diferença

Ruth Tesche, ou “Mãe Ruth”, como é mais conhecida essa missionária do Sul do Brasil, incorporou em sua vida diária a expressão “ama a teu próximo”. Ela vai a extremos e arrisca a própria vida para salvar outras pessoas. Ruth dedica tempo para ajudar espiritualmente detentos e seus familiares. Ela passa de 12 a 15 horas todos os dias em contato com prisioneiros de todos os tipos. Ruth faz parte do grupo de pessoas que vivem o amor de Cristo por meio de atos de bondade.

Outro grupo, formado por mais de 100 mil jovens, faz o bem de maneiras diferentes. São os participantes da Missão Calebe. Esses jovens dedicam as férias para servir a comunidade e fazer evangelismo.

Em 2014, dezenove jovens do projeto Um Ano em Missão provocaram uma verdadeira revolução espiritual na cidade de Montevidéu, Uruguai. Em 2015, 24 jovens estão fazendo a diferença no Rio de Janeiro. O projeto, espalhado pelas Uniões, envolve hoje outros 402 jovens. Esses rapazes e moças deixam para trás, por um ano, suas atividades de trabalho e estudos, a fim de se dedicarem completamente ao evangelho.

Os voluntários e profissionais da ADRA também chegam a extremos no cuidado dispensado a 2.645.868 pessoas necessitadas, provendo não só alimento e roupas, mas também suporte espiritual para ajudá-los a sobreviver em meio a tempos tão difíceis.

O clube de aventureiros cresceu 45,24% e o de desbravadores teve um crescimento de 15,23% no último quinquênio. Eles são responsáveis por manter toda uma geração conectada com Deus, com a natureza e com o serviço às outras pessoas. Um exército formado por 192 mil desbravadores e 75 mil aventureiros está sendo preparado para liderar a igreja. O último grande campori sul-americano contou com a presença de mais de 35 mil desbravadores na cidade de Barretos (SP), Brasil.

 

Mais de 4 mil pastores se reuniram no Concílio Ministerial da Divisão Sul-Americana, em Foz do Iguaçu (PR), em 2011. Créditos: DSA

Mais de 4 mil pastores se reuniram no Concílio Ministerial da Divisão Sul-Americana, em Foz do Iguaçu (PR), em 2011. Créditos: DSA

Em terras difíceis

Mas desafiar os limites pode ser muito mais ousado do que pensamos. Neste quinquênio, a Divisão enviou 28 famílias de missionários, escolhidas e preparadas pela igreja, para ir a países onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência sobre a sociedade.

Jesus Cristo se tornou um de nós na maior demonstração de ir a extremos quando assumiu a humanidade e morreu a fim de que cada ser humano possa ter a vida eterna. Os discípulos e apóstolos não pouparam esforços e entregaram a própria vida para que mais pessoas aprendessem sobre a salvação.

Na história da Igreja Adventista do Sétimo Dia, também encontramos o mesmo nível de compromisso. Pessoas foram ao extremo de sua capacidade e possibilidade financeiras para proclamar o breve retorno de Jesus.

A Divisão Sul-Americana reconhece o trabalho dos missionários pioneiros neste território no passado e, hoje, retribui ao mundo, enviando famílias para realizar em outros lugares o que um dia foi feito pela América do Sul. A Divisão Sul-Americana continua a fazer evangelismo extremo. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento

Assista ao vídeo apresentado durante o relatório sul-americano