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Saiba quais os avanços e desafios da missão no Oriente Médio e Norte da África

Criança refugiada síria estuda em um dos centros de influência. Crédito: Chanmin Chung

Criança refugiada síria estuda em um dos centros de influência. Crédito: Chanmin Chung

No dia 1o de janeiro de 2012, a União Norte-Africana Oriente Médio (Middle East and North Africa Union Mission — MENA) deu os primeiros passos para enfrentar um desafio que parecia impossível.

Após mais de cem anos de trabalho na região, a igreja, além de pequena, estava diminuindo em número de membros. Por isso, em 2011, buscando dar maior atenção a essa parte do globo, a Associação Geral votou a criação da MENA, ligando-a diretamente à sede da igreja mundial.

Esse território, que é maior do que a maioria das Divisões mundiais da Igreja (com exceção de três), engloba vinte países e mais de 500 milhões de pessoas. É aí que começam seus desafios.

Primeiro desafio

Se todos os adventistas da Divisão Norte-Americana (North-American Division — NAD) fossem divididos, de maneira que não houvesse dois vivendo na mesma comunidade e cada membro entrasse em contato com um indivíduo por dia, todas as pessoas que vivem na NAD seriam abordadas em um ano. Levaria dois anos para fazer o mesmo na Índia, cinco meses na Divisão Sul-Americana, quatro meses nas Filipinas e 58 dias na Divisão Sul-Africana Oceano Índico.

No caso da MENA, entretanto, se cada membro adventista se mudasse para uma cidade diferente e entrasse em contato com uma pessoa por dia, levaria quase 450 anos para fazer o primeiro contato com cada indivíduo que habita atualmente nesse território.

Expressando de forma simples, temos poucos membros para alcançar uma vasta população. E isso nos leva a outro problema.

Segundo desafio

Os membros adventistas ao redor do mundo não compreendem a situação e as condições da vida no Oriente Médio e Norte da África e hesitam em vir ajudar. Os habitantes e governos, por sua vez, não compreendem quem são os adventistas e não querem que venhamos. Eles acham que todos os cristãos consomem bebidas alcoólicas, comem carne de porco, adoram imagens, vivem como as pessoas retratadas nos filmes e querem começar “cruzadas” para extorquir seu petróleo.

Às vezes, todos esses desafios parecem impossíveis de se vencer, como a rápida correnteza do rio Jordão que os israelitas enfrentaram em Josué 3. Mas Israel tinha uma missão e seguiu em frente. A MENA também tem uma missão. Pensando nisso, adotamos a estratégia de “plantar” adventistas! Deus necessita de membros adventistas comprometidos que estejam dispostos a ser plantados em comunidades de toda a região — pessoas dispostas a entrar na água (assim como Israel no Jordão), muito embora pareça impossível atravessar o rio; pessoas que se misturem àqueles que estão a sua volta, atendam suas necessidades, conquistem-lhes a confiança e os convidem a seguir a Jesus.[i]

A seguir, citamos algumas formas usadas pela MENA na tentativa de plantar pessoas em comunidades nas quais vidas são impactadas e transformadas, uma de cada vez.

Alunos valdenses estudam a Bíblia com amigos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Crédito: Chanmin Chung

Alunos valdenses estudam a Bíblia com amigos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Crédito: Chanmin Chung

Alunos valdenses

Em muitos aspectos, a Reforma Protestante deve sua existência ao sacrifício de dedicadas famílias valdenses. Com frequência, os valdenses enviavam seus jovens mais inteligentes e íntegros ao coração do território inimigo, matriculando-os nas principais universidades da época. Lá esses jovens plantaram silenciosamente as sementes da Reforma. Muitos deles regaram tais sementes com o próprio sangue.

Seguindo suas pegadas, o Programa de Alunos Valdenses da MENA planta jovens comprometidos nas principais universidades. No ano passado, a MENA matriculou 23 alunos valdenses e, em 2015, 46 jovens estão fazendo a diferença nessas comunidades acadêmicas.

Em uma cidade, um grupo de alunos valdenses estudou o idioma com afinco ao longo de 2014. Ao fazer o exame de qualificação, porém, não conseguiram notas suficientes para ingressar na universidade que haviam escolhido. Eles se mudaram para uma nova cidade, sentindo-se desapontados. Contudo, dentro de três meses, haviam feito muitos novos amigos e dado início a diversos estudos bíblicos. Após uma semana especial de cultos à noite com um obreiro bíblico experiente, dez colegas de classe dos alunos valdenses entregaram o coração a Jesus e pediram para se preparar para o batismo.

Centros de influência

Às vezes, a MENA planta pessoas em uma comunidade como parte de um pequeno comércio ou serviço. O objetivo desses centros de influência (CDI) é atender as necessidades da comunidade e desenvolver amizades. Sete CDIs se encontram em funcionamento atualmente no território da MENA.

Rachael[ii] cuida de um CDI para refugiados sírios em um dos países. Hoje ela conta com cinquenta a setenta refugiados que participam da Escola Sabatina a cada semana e muitos estão fazendo estudos bíblicos.

Enquanto morava na Síria, certa mulher nutria o desejo de aprender sobre Jesus e a Bíblia, mas não havia ninguém que a ensinasse sobre Ele. Até mesmo um padre que ela visitou lhe disse que era impossível ensiná-la sobre a Bíblia, a menos que saísse do país. Então a guerra começou e ela precisou fugir junto com a família. A vida de refugiada era difícil, mas certo dia conheceu Rachael no CDI. Ela está empolgada por poder estudar a Bíblia e já aceitou a Jesus como seu Salvador pessoal.

Emprego em tempo integral

A MENA não consegue vistos para missionários ou obreiros regulares da igreja entrar em muitos países do Oriente Médio e Norte da África. Todavia, muitos profissionais estrangeiros são contratados todos os anos para trabalhar nessas regiões. O emprego em tempo integral é um programa que planta profissionais adventistas dedicados nesses lugares de difícil acesso. Às vezes, esses indivíduos são chamados de “construtores de tendas”, porque eles trabalham para se sustentar, assim como o apóstolo Paulo fazia.

Uma pintura do projeto “Testemunho na Parede”. Crédito: Levon Kotanko

Uma pintura do projeto “Testemunho na Parede”. Crédito: Levon Kotanko

Melody abriu um spa. Suas clientes ficam impressionadas porque ela sacrifica as entradas financeiras ao fechar o estabelecimento no sábado a fim de adorar a Deus. Elas começaram a lhe fazer perguntas e Melody passou a partilhar a Bíblia com elas. Muitas de suas clientes fiéis se tornaram amigas e, em alguns casos, companheiras secretas de oração.

Testemunho na parede

Uma de nossas iniciativas singulares é o projeto “Testemunhando na Parede”, que usa a arte para criar conexões poderosas entre artistas adventistas e jovens urbanos, estudantes de arte e líderes comunitários em várias cidades.

Oportunidades

As portas estão se abrindo ao nosso redor. Muitas pessoas têm questionado o próprio sistema de crenças ao testemunhar atos brutais de violência sendo praticados em nome da religião. Esses interessados não estão abertos ao conselho de “pagãos comedores de porco e bebedores de vinho”. No entanto, quando se tornam amigos de um adventista dedicado, ficam impressionados com o que descobrem e se abrem para ouvir mais. O problema é que a MENA não conta com nenhum membro adventista vivendo na maioria dessas imensas comunidades para poder responder às perguntas das pessoas.

Essa é nossa realidade. A MENA tem grandes desafios nessa parte do globo, mas também há projetos ousados para ampliar a pregação do evangelho. Para que se tornem realidade, precisamos de pessoas disponíveis. Você está disposto a aceitar um desafio aparentemente impossível e se unir a nós? Enquanto entramos andando na água, Deus abre o rio e termina a obra.

Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!

Homer Trecartin é presidente da União Missão do Oriente Médio e Norte da África

[i] Ver Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 143.

[ii] Todos os nomes foram modificados.

[Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Uma mensagem de esperança

Relatório mostra as estratégias usadas pela igreja para o evangelismo no território da Divisão Norte-Americana

O campori internacional de desbravadores em Oshkosh, Wisconsin, em agosto de 2014, deu aos desbravadores e seus líderes oportunidades de crescimento espiritual e social. Foto: Brayant Taylor

O campori internacional de desbravadores em Oshkosh, Wisconsin, em agosto de 2014, deu aos desbravadores e seus líderes oportunidades de crescimento espiritual e social. Foto: Brayant Taylor

A Divisão Norte-Americana (DNA), que abrange os Estados Unidos, Canadá, Bermudas, Guam e Micronésia, é uma das regiões mais diversificadas da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Sua população de 350 milhões de habitantes possui representação de quase todos os grupos étnicos do planeta. Tal realidade apresenta a maravilhosa oportunidade de alcançar diversos grupos de pessoas, mas é também um desafio imenso para uma das mais novas Divisões da igreja mundial. Atualmente, cerca de 1,2 milhão de adventistas participam de 5.400 igrejas e grupos. Essas congregações são lideradas por 3.200 pastores que cuidam, lideram, educam e evangelizam não só as igrejas locais, mas também as comunidades em volta delas.

A Igreja Adventista é conhecida na América do Norte por seu sistema educacional e pelas 1.200 instituições de ensino (da pré-escola à universidade) que administra. Também atende a saúde de suas comunidades locais por meio do sistema adventista de saúde, que estende o ministério da cura a mais de 17 milhões de pessoas por ano. Ao longo dos últimos cinco anos, mais de 193 mil pessoas foram batizadas na Divisão Norte-Americana.

Liderança

A Igreja Adventista do Sétimo Dia foi fundada na América do Norte em 1863 e sua primeira atividade missionária se concentrou ali. No entanto, a região só foi oficialmente organizada como Divisão em 1985, quando Charles E. Bradford foi nomeado seu primeiro presidente.

Em 2010, na 59ª assembleia da Associação Geral, uma nova equipe foi eleita para liderar a Divisão Norte-Americana e seus mais de um milhão de membros no cumprimento da missão da igreja. Os novos líderes logo compreenderam a tarefa de criar novas abordagens para cumprir a comissão evangélica. Foi desenvolvido um plano evangélico intitulado REACH North America [ALCANCE a América do Norte]. Sua missão é alcançar não só América do Norte, mas o mundo inteiro, com a mensagem distintiva e cristocêntrica de esperança e integralidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O objetivo era que o programa ALCANCE se tornasse parte da cultura da igreja e um estilo de vida.

Os líderes e administradores da Divisão Norte-Americana se reuniram em Virgínia, em 2014, para pensar em formas de enxugar as estruturas administrativas da igreja a fim de melhorar a efetividade e a eficiência. Foto: Adventist Review

Os líderes e administradores da Divisão Norte-Americana se reuniram em Virgínia, em 2014, para pensar em formas de enxugar as estruturas administrativas da igreja a fim de melhorar a efetividade e a eficiência. Foto: Adventist Review

Blocos construtores

Depois que esse plano foi desenvolvido e comunicado a todas as esferas da Divisão, metas chaves, conhecidas como “blocos construtores”, foram desenvolvidas para prover foco na missão e uma base para a disseminação da mensagem de esperança e integralidade. Essas iniciativas se concentraram em seis áreas chaves:

A Comunidade Adventista de Ensino — Alcançar as pessoas por meio de uso de ensino e capacitação online é o objetivo da comunidade adventista de ensino. Milhões de pessoas fazem cursos virtuais de educação, recreação e desenvolvimento de carreira. O objetivo desse bloco construtor é usar os diversos recursos criados por muitas instituições de ensino e centros de recursos da igreja, apresentando-os em uma plataforma online que pode ser acessada por membros e outros. As igrejas locais podem usar tais recursos para ajudar a alcançar as comunidades locais e proporcionar treinamento. Os membros podem usá-los para fortalecer as próprias habilidades.

Vida de Jovem — Essa iniciativa envolve encontrar novas formas de incorporar os jovens adultos à vida da igreja. Somente 30% dos jovens permanecem na igreja depois de terminar a faculdade ou universidade. Ao ser encontradas maneiras inclusivas de torná-los parte do ministério da igreja, os jovens se transformarão em parte integral da vida e do evangelismo da Divisão Norte-Americana.

Grupos de Imigrantes e Refugiados — A cada três membros da igreja na Divisão Norte-Americana, uma pessoa pertence a um grupo de imigrantes ou refugiados. Tal realidade consiste em um desafio e uma oportunidade tremenda de alcançar o mundo por meio dos vários grupos étnicos que vêm viver por aqui. Atualmente, os imigrantes e refugiados são um dos segmentos da igreja na América do Norte que mais cresce.

Mulheres no ministério pastoral — O aumento do número de mulheres em posições pastorais é parte importante e estratégica das metas gerais da Divisão. As pastoras desempenham papéis vitais no evangelismo e no cuidado com os membros da igreja. Hoje somente 107 pastoras atuam na Divisão e grande parte do grupo de pastores se aposentará em breve. O objetivo é dobrar, ao longo dos próximos cinco anos, o número de pastoras empregadas pela igreja.

Mídias sociais — O uso das mídias sociais mudou a forma de comunicação da igreja, não só com seus membros, mas também com o mundo em geral. À medida que a sociedade se torna mais secular, novos métodos evangelísticos devem ser utilizados para alcançar segmentos populacionais que nunca pisariam em uma igreja adventista tradicional.

Evangelismo transformacional — Na Divisão Norte-Americana, mais de cinquenta regiões urbanas abrigam uma população de no mínimo um milhão de habitantes. Proporcionalmente falando, as áreas urbanas são os pontos de menor sucesso da igreja no que se refere ao evangelismo e alcance de pessoas. Novos métodos devem ser desenvolvimentos para alcançar a população sempre crescente das cidades.

A Divisão Norte-Americana enfrenta hoje desafios que não poderíamos imaginar em gerações anteriores. Deus nos dará a graça e o poder para realizar grandes coisas na implementação dessas iniciativas.

Tais iniciativas são singulares por ajudarem a derrubar os nichos que tipicamente se formam quando departamentos e ministérios se concentram apenas em suas respectivas áreas de especialidade. Quando objetivos em comum exigem que ministérios diferentes trabalhem juntos em prol do mesmo resultado, grandes coisas podem acontecer pelo Senhor.

Um exemplo disso é a igreja de Paradise Valley em San Diego, Califórnia. Ela está localizada perto do antigo Paradise Valley Hospital, que foi fechado vários anos atrás após uma recessão na economia local. O pastor Will James abriu um ministério de refugiados na igreja. Programas de alimentação, aulas de inglês como segunda língua e uma loja de artigos usados provê a ajuda tão necessária à população de imigrantes que cresce com rapidez. Hoje a igreja conta com a representação de mais de sessenta grupos culturais e o número de membros cresceu. Atualmente está planejando maneiras de alcançar os mais de trezentos mil membros da comunidade árabe que imigraram para a região. Esse projeto bem-sucedido mostra como as iniciativas para grupos de refugiados e imigrantes, bem como o evangelismo transformacional, podem desempenhar um papel chave na vida da igreja e atender as necessidades da comunidade local, ao mesmo tempo em que alcança a grande população urbana com novos métodos de evangelismo.

Saúde e Evangelismo

É possível que os programas de alcance à comunidade de maior sucesso na Divisão Norte-Americana tenham sido os eventos Bridges to Health [Pontes para a saúde] e Your Best Pathway to Health [Seu melhor caminho para a saúde] realizados respectivamente em San Francisco e Oakland, Califórnia, em 2014, e em San Antonio, Texas, em 2015. Tais eventos foram parcerias entre as Indústrias e Serviços de Leigos Adventistas [Adventist-laymen’s Services and Industries — ASI], Divisão Norte-Americana e Sistema de Saúde Adventista. Tais projetos proporcionaram cerca de 24 milhões de dólares de cuidados médicos gratuitos a mais de oito mil pessoas durante um período de cinco dias. Os projetos foram liderados pela Doutora Lela Lewis, presidente da ASI na União do Pacífico, que sonhava em ministrar às necessidades físicas e espirituais dos pobres e das pessoas sem seguro médico que vivem nas grandes cidades. Mais projetos estão sendo planejados para o futuro próximo e o objetivo é expandir as áreas regionais, a fim de que mais pessoas sejam alcançadas.

Novo território

Profissionais adventistas de saúde de toda a América do Norte foram ao Alamodome, em San Antonio, a fim de prover cuidados gratuitos de saúde a milhares de pessoas que participaram do evento de dois dias denominado Seu Melhor Caminho para a Saúde. Créditos: Kenn Dixon Photography, SWRGC Communications

Profissionais adventistas de saúde de toda a América do Norte foram ao Alamodome, em San Antonio, a fim de prover cuidados gratuitos de saúde a milhares de pessoas que participaram do evento de dois dias denominado Seu Melhor Caminho para a Saúde. Créditos: Kenn Dixon Photography, SWRGC Communications

Outro desafio singular da Divisão foi a transferência da Missão Guam-Micronésia (MGM) para o território administrativo norte-americano. Essa oportunidade missionária notável traz um campo missionário estrangeiro diretamente para dentro do território da Divisão e proporciona um novo vislumbre dos desafios e das oportunidades que a missão enfrenta. A MGM conta com mais de 5 mil membros e 21 igrejas. Também dá emprego na área letiva para muitos estudantes missionários nas diversas escolas missionárias localizadas nas ilhas. A igreja opera ainda um hospital e uma clínica de saúde a fim de atender as necessidades médicas dos moradores. Esse método direto de contato é vital para alcançar as culturas diversas que formam a Missão.

Ministérios nos meios de comunicação

Em 2013, a Divisão Norte-Americana tomou várias decisões importantes acerca de como administraria seus ministérios nos meios de comunicação. O centro de mídia adventista em Simi Valley, Califórnia, foi fechado e os ministérios que ali funcionavam foram realocados. Isso deu aos ministérios a oportunidade de evoluir suas abordagens a fim de atender as necessidades de seu público, que passa por um rápido processo de mudança. It Is Written [Está Escrito], dirigido por John Bradshaw, mudou para Chattanooga, Tennessee. Faith for Today [Fé para Hoje], com Mike e Gail Tucker, La Voz de la Esperanza [A Voz da Esperança], liderado por Omar Greive e Jesus 101, dirigido por Elizabeth Talbot, se mudaram para escritórios em Riverside, Califórnia. Breath of Life [Fôlego de Vida], sob a direção de Carlton Byrd, permaneceu no campus da Oakwood University, e o programa Voice of Prophecy [A Voz da Profecia], com a nova equipe de liderança formada por Shawn e Jean Boonstra, passou a ser produzido em Loveland, Colorado.

A despeito dessas transições, os esforços evangelísticos dos ministérios nos meios de comunicação continuaram fortes, com grandes eventos realizados em Edmonton, Alberta, Canadá, por John Bradshaw; em Huntsville, Alabama, por Carlton Byrd; em Minneapolis, Minnesota, por Shawn Boonstra; na cidade de Nova York, por Omar Grieve; em Atlanta, Geórgia, por Mike e Gail Tucker com a série Mad About Marriage [Loucos pelo Casamento]; e por Elizabeth Talbot, com seu foco na capacitação de pessoas para conduzir outros a Jesus.

Impressões e publicações

Outra mudança foi a transferência de controle administrativo da casa publicadora Pacific Press, localizada em Nampa, Idaho. Anteriormente, a Pacific Press era controlada e operada pela Associação Geral, junto com a Review and Herald Publishing Association (RHPA) em Hagerstown, Maryland. Em junho de 2014, os membros da diretoria da RHPA votaram cessar as operações de impressão em Hagerstown e autorizaram um plano para transferir os bens para a Pacific Press, que passaria a ser controlada e operada pela Divisão Norte-Americana a fim de atender melhor às necessidades de publicações da Divisão.

Oakwood University

Uma das últimas mudanças na Divisão Norte-Americana ocorreu no fim de 2014, quando o colegiado da Oakwood University votou a transferência de suas operações da Associação Geral para a Divisão Norte-Americana. Isso transforma a Oakwood University na única instituição adventista de ensino superior que a Divisão possui e administra. As Uniões Associações locais cuidam de todas as outras instituições de ensino superior. Oakwood possui uma rica história educacional dentro da igreja e a Divisão está empolgada em relação às possibilidades que ela proporcionará no treinamento missionário de futuros pastores e líderes da igreja.

Oportunidades missionárias

Os membros da Divisão Norte-Americana são um microcosmo das populações mais amplas que vivem na América do Norte e a chamam de lar. Por isso, as oportunidades missionárias são vastas . Deus nos mostrará o caminho enquanto lutamos para alcançar as pessoas da América do Norte com uma mensagem de cura, esperança e integralidade.

 Daniel R. Jackson é presidente da Divisão Norte-Americana

[Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Missão incompleta

Conquistas e desafios marcam o crescimento numérico da igreja

relatorio-secretario-Associação-Geral

Segundo relatório apresentado nesta sexta-feira, 3 de julho, durante a assembleia mundial que acontece em San Antonio, no Texas (EUA), a Igreja Adventista está presente em 215 dos 237 países reconhecidos pela ONU.

Quando os 20 delegados da primeira assembleia-geral da Igreja Adventista chegaram a Battle Creek, em maio de 1863, jamais poderiam imaginar que 152 anos depois, cerca de 60 mil pessoas de mais de 200 países se reuniriam a fim de celebrar, em outra assembleia, a unidade, a missão e a esperança da vinda de Cristo, seguindo o legado que eles deixaram. De fato, a cada encontro mundial, os adventistas são envolvidos por um sincero sentimento de gratidão a Deus por todas as conquistas que ele tem proporcionado. Porém, precisam também refletir sobre a tarefa inacabada e agir em resposta a esse desafio.

Uma história em cinco tempos

Numa avaliação histórica sobre o crescimento mundial da Igreja Adventista, tomando por base os relatórios estatísticos da denominação, é possível identificar cinco períodos. A partir da organização da Associação Geral, em 1863, e até 1901, os adventistas avançaram em termos missionários, partindo do trabalho restrito à América do Norte, passando pela missão às nações protestantes e seguindo adiante para conquistar o mundo. Em 1900, a igreja tinha representações em todos os continentes, com 76 mil membros: 83,6% deles vivendo na América do Norte e 16,4% no exterior.

O segundo período, de 1901 a 1930, apresentou uma nova dinâmica. Com a reorganização da sede mundial e a liderança visionária de Arthur G. Daniells (1901-1922) e William A. Spicer (1922-1930), a igreja deixou de ser predominantemente norte-americana para se tornar efetivamente global. Em 1920, dos 6.955 funcionários da igreja, 62% trabalhavam fora da América do Norte. Ainda na metade da década de 1920, o número de adventistas do restante do mundo ultrapassou os que viviam nos Estados Unidos, de maneira gradual e irreversível.

Na fase seguinte, de 1930 e 1965, houve a nacionalização da liderança adventista em boa parte dos territórios alcançados. O desenvolvimento dos funcionários nativos e o espírito nacionalista que se seguiu à Segunda Guerra Mundial contribuíram para esse processo. Tal desenvolvimento se refletiu no crescimento. Em 1955, pela primeira vez em sua história, a denominação ultrapassou a marca de 1 milhão de membros.

Embora a Igreja Adventista mantivesse seu foco missionário e crescimento contínuo, uma mudança sensível passou a ser vista no período seguinte (1965-1990): surgiram as campanhas mundiais de estímulo à evangelização. Impulsionados por slogans como “Reavivamento, Reforma, Evangelismo”, “Mil Dias de Colheita” e “Colheita 90”, a igreja saiu de quase 1,6 milhão para 6,7 milhões de membros. A média anual de batismos diários também subiu nessa fase: de 397 para 1.347.

Missão global

Contudo, uma avaliação honesta do cenário revelava algo inconveniente. Em primeiro lugar, os quase 7 milhões de adventistas representavam um rebanho inexpressivo perto dos 5 bilhões de habitantes do planeta em 1990. Além disso, em regiões como Europa, Ásia e Oriente Médio, a igreja enfrentava grandes desafios evangelísticos, sem contar os diversos grupos populacionais e etnias não alcançados nos países em que já havia presença adventista.

Esses fatores resultaram, em 1990, no lançamento do programa que representa o maior esforço missionário da história adventista: a Missão Global. Desde então, a igreja tem investido de forma ampla, estratégica e consistente na evangelização mundial. Em 2005, o programa foi realocado para o escritório da Missão Adventista na sede mundial. Com o desafio de estabelecer a presença da igreja em “cada nação, tribo, língua e povo”, pastores e membros têm participado de iniciativas como “Diga ao Mundo” e “Esperança para as Grandes Cidades”.

De 1990 para cá, a igreja tem registrado seus maiores índices de crescimento. Em 1998, a denominação ultrapassou a marca de 10 milhões de membros. Em 2006, pela primeira vez em sua história, obteve uma média anual de mais de 3 mil batismos diários. No ano passado, a igreja chegou ao seu 10o ano consecutivo batizando anualmente mais de 1 milhão de pessoas e plantando mais de 2 mil congregações. Hoje, em média, existe um adventista para cada 393 habitantes do mundo, uma proporção nunca antes alcançada. Assim, ao chegar a San Antonio, Texas, os delegados da 60a assembleia mundial representam 18,5 milhões de fiéis de 215 países.

Tarefa inacabada

Os números significativos dos últimos anos, contudo, não devem ofuscar os grandes desafios do adventismo no século 21. Em primeiro lugar, esse crescimento empolgante da igreja se limita ao hemisfério Sul, tendo em vista que, nos países desenvolvidos, o adventismo está estagnado ou declinando, crescendo apenas entre os imigrantes.

Outro ponto é que, apesar de ter avançado territorialmente, a igreja ainda se depara com o quadro identificado pelo programa Missão Global: muitas etnias não foram alcançadas. A demanda exige diversificação de métodos e mais gente disposta a servir a “toda tribo”.

Por último, existe o drama da apostasia e o desafio do discipulado. Entre 1964 e 2014, foram batizadas mais de 33 milhões de pessoas. Entretanto, quase 14 milhões abandonaram a igreja ou estão desaparecidas. De acordo com o pesquisador adventista Monte Sahlin, as razões principais para que pessoas saiam do adventismo estão mais relacionadas com problemas pessoais do que com questões doutrinárias. Em outras palavras, de alguma forma, as comunidades de fé não têm conseguido dar o suporte necessário a seus membros para que superem as dificuldades da vida.

Diante das festividades da assembleia mundial de San Antonio, é tempo de celebrar as conquistas; de refletir sobre os desafios; e de se levantar e brilhar. Afinal, Jesus está voltando!

Wellington Barbosa é pastor, mestre em Teologia e editor de livros na CPB


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Em discurso após a reeleição, Ted Wilson convocou pastores e membros para se unirem na missão

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Wilson disse que estava preparado para qualquer tipo de decisão que fosse tomada na assembleia. Foto: reprodução Adventist Review

O pastor Ted Wilson continuará exercendo a função de líder máximo dos 18,5 milhões de adventistas no mundo durante os próximos cinco anos. Com a aprovação de cerca de 90% dos delegados, ele foi reeleito na tarde desta sexta-feira, 3, após um momento histórico de observações no plenário da assembleia que durou aproximadamente 40 minutos. Ao ser reconduzido ao cargo, ele foi aplaudido pelo auditório.

Após a decisão, acompanhado da esposa Nancy, Wilson fez um breve discurso no qual convocou pastores e membros para se unirem na missão. O pastor Ted Wilson também prometeu buscar diariamente a direção de Deus para liderar a igreja, assim como procurou fazer ao longo da primeira gestão.

Depois disso, ele seguiu para a tradicional coletiva de imprensa. Na conversa com os jornalistas, destacou que a oração e a missão devem continuar sendo as principais ênfases da igreja no próximo quinquênio.

O homem por trás da função

Até quem discorda da posição do líder mundial adventista sobre a ordenação de mulheres, reconhece que o pastor Ted Wilson é um homem bondoso e apaixonado pelo evangelismo. Quem o descreve assim é o pastor Chad Stuart, líder da Igreja de Spencerville, que fica a 10 km da sede mundial adventista, em Silver Spring, Maryland (EUA).

A entrevista feita por Chad e publicada no site da Adventist Review procura retratar um pouco do homem que está por trás da função. O jovem ministro diz que o presidente da igreja é conhecido por orar com os funcionários do escritório mesmo em meio à sua agenda lotada e de deixar cartões pessoais e flores sobre a mesa de um servidor que está enlutado ou que ficou afastado do trabalho por causa de uma doença. Atitudes como essa mostram a sensibilidade do líder em demonstrar compaixão, cristianismo autêntico e até respeito por quem pensa diferente dele.

Na conversa com Chad, Ted Wilson falou do que sentiu quando foi eleito em 2010 e dos valores que recebeu do pai Neal Wilson, que presidiu a denominação de 1978 a 1990, e das diferenças de personalidade entre os dois. Ressaltou que a igreja não é dirigida por um homem apenas, mas por colegiados, o que exige habilidade para ouvir opiniões diversas. Também destacou que não está nervoso em relação à votação sobre a ordenação feminina ao ministério, porque acredita que Deus está no leme da igreja. “Se o Espírito Santo não estivesse dirigindo esse movimento,
ele teria sido desintegrado há muito tempo”, garantiu.

Por fim, Ted Wilson falou de seu entusiasmo com a distribuição, aos milhões, do livro O Grande Conflito, best-seller adventista de autoria de Ellen G. White. E do seu sonho de ver a igreja trabalhando de forma mais intensa, estratégica e holística nas metrópoles, conforme orientou a mensageria do Senhor há mais de cem anos.

Trajetória

Ted Wilson foi eleito como presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em julho de 2010 durante a assembleia mundial de Atlanta. Nascido em Takoma Park, Maryland (EUA), em 10 de maio de 1950, o filho do ex-presidente mundial da Igreja Adventista Neal C. Wilson passou parte de sua infância no Egito.

Ele começou sua carreira como pastor em 1974 em New York. Em 1975, se casou com a fisioterapeuta Nancy Louise Vollmer Wilson, com quem teve três filhas.

Wilson serviu como diretor assistente e depois como diretor de Ministérios Metropolitanos em Nova York de 1976 a 1981. Logo depois, passou a servir a igreja na Divisão Sul-Africana Oceano Índico como departamental e secretário-executivo.

Sua trajetória também passa pela Rússia, onde exerceu o cargo de presidente da Divisão Euro-Asiática, com sede em Moscou, entre 1992 e 1996.

Ted Wilson retornou aos Estados Unidos para servir como presidente da Review and Herald Publishing Association, em Hagerstown, Maryland, até sua eleição como vice-presidente mundial da Igreja Adventista em 2000, durante a assembleia de Toronto, no Canadá.

Wilson tem doutorado em Filosofia na Educação pela New York University, mestrado em Divindade pela Andrews University e mestrado em Saúde Pública pela Loma Linda University. Além de Inglês, ele fala francês e um pouco de russo. [Márcio Tonetti e Wendel Lima, equipe RA / Com informações do site adventist.org]


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Para saber +

Presidente eleito mais velho

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George I. Butler, 37 anos de idade

Presidente reeleito mais vezes

Tiago White, 1865—1867; 1869—1871; 1874—1880

Presidente que exerceu o cargo por mais tempo

Arthur G. Daniells, 21 anos

Presidentes que ficaram menos tempo na função

John Byington, dois anos

John N. Andrews, dois anos

Presidentes não americanos

Ole A. Olsen, Noruega

Charles H. Watson, Austrália

Robert S. Folkenberg, Porto Rico

Jan Paulsen, Noruega

Média de idade dos presidentes quando assumiram o cargo

52,7 anos de idade

Fonte: Adventist Review / Com tradução de Cecília Eller Nascimento

Líder mundial desafia igreja a seguir adiante

Pastor Ted Wilson enfatiza continuidade ao apresentar relatório de sua gestão

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Seguindo a tradição de dedicar a primeira noite das assembleias mundiais da Igreja Adventista para o relatório do presidente, na noite de ontem, dia 2, em San Antonio (Texas), os delegados acompanharam um resumo dos principais projetos da gestão de cinco anos do pastor Ted Wilson. O relatório, que se estendeu por cerca de 1h30, foi entrecortado por vídeos que apresentaram as iniciativas mais importantes da sede mundial no quinquênio.

Neto de pastor e filho de um ex-presidente da Associação Geral, Neal Wilson, o líder mundial foi eleito para a função na assembleia de 2010, em Atlanta (Geórgia), assumindo um discurso claro de reavivamento e reforma espiritual. “O desafio de seguir em frente não foi lançado no último quinquênio, mas há milhares de anos”, disse Wilson, ao fazer referência aos desafios do povo de Deus ao longo da história. No vídeo preparado para o relatório, o líder aparece em lugares importantes da Terra Santa, como a cadeia de montanhas do Sinai e diante do Mar Vermelho, refletindo sobre a experiência dos israelitas. Wilson também destacou que Deus tem guiado sua igreja desde o começo humilde no século 19 até hoje, quando ela é apontada como a quinta maior denominação do mundo e a que mais cresce entre as igrejas protestantes.

Olhando para trás

No relatório, Wilson relembrou as ênfases do quinquênio. Ele incentivou cada membro a buscar um reavivamento e reforma pessoal e a orar pela atuação final do Espírito Santo na igreja e no mundo. Esse apelo urgente do líder foi expresso no primeiro concílio anual de sua gestão, em 2010, quando foi votado o documento “Reavivamento, Reforma, Discipulado e Evangelismo”. Dois desdobramentos práticos dessa declaração foram o projeto Reavivados por Sua Palavra, que incentivou a leitura diária de um capítulo da Bíblia, e a campanha dos dez dias de oração e dez horas de jejum.

Nos discursos, Ted Wilson tem enfatizado a origem, identidade e missão profética do movimento adventista. Tem sido duro também contra os teólogos e cientistas que trabalham para a denominação e flertam com o evolucionismo teísta. Em agosto de 2014, no sul de Utah, num congresso sobre Bíblia e ciência, ele chegou a pedir que os professores que assumem essa postura em sala de aula, deveriam ser fiéis à própria consciência e pedir demissão (leia mais sobre isso aqui). No relatório, Wilson elogiou o trabalho sério de pesquisa realizado pelo Instituto de Pesquisas em Geociências, a produção do filme A Criação e os eventos sobre criacionismo realizados ao redor do mundo.

Literatura e missão urbana

Wilson também tem demonstrado grande apreço pelos escritos de Ellen White. Isso fica claro em seus sermões e artigos, ao citar vários textos da mensageira do Senhor e ao usar os trechos mais conhecidos da pioneira como base para projetos institucionais. Assim ele fez em relação à ênfase no reavivamento e reforma, principal mote de sua gestão, bem como em relação ao projeto de distribuição de literatura e evangelismo urbano. Foi no último quinquênio que 140 milhões de exemplares do livro O Grande Conflito, e versões condensadas dele, foram entregues ao redor do mundo. Somente no Brasil, 35 milhões de cópias de A Grande Esperança foram entregues em 2012 e 2013 (clique aqui para saber mais).

Foi no último quinquênio também que a denominação fez um grande esforço para que Nova York sediasse um projeto-piloto de missão urbana. Para tanto, jovens de todas as regiões do mundo participaram da iniciativa com o intuito de replicá-la em sua terra natal (projeto “Um ano em missão”). Como resultado, mais do que dezenas de projetos sociais, 400 pontos de pregação e 5.300 pessoas batizadas, o programa, na visão de Wilson, teve o papel de lembrar que a orientação de Ellen White sobre o trabalho nas metrópoles exige uma abordagem mais completa e a longo prazo do que a que temos utilizado.

O entusiasmo do presidente por evangelismo urbano vem de longa data. Wilson começou seu ministério pastoral em Nova York e pesquisou em sua tese doutoral, na Universidade de Nova York, o que Ellen White propõe como estratégias evangelísticas para a Big Apple. Conselhos que podem servir de protótipo para qualquer metrópole mundial. Nos últimos cinco anos, o líder fez questão também de dirigir pessoalmente várias séries evangelísticas, seja nas Filipinas, onde 10 mil pessoas foram batizadas, ou mais recentemente no Zimbábue, onde 30 mil se uniram à igreja. Para dar respaldo teológico e fomentar o envolvimento dos adventistas na iniciativa “Missão para as cidades”, foi lançado no último quinquênio o livro Ministério para as Cidades, uma compilação dos escritos de Ellen White sobre o tema.

Saúde e web

Atrelada a essa visão sobre missão urbana, a sede mundial incentivou a prática e o ensino da mensagem de saúde, prova disso é o assunto do livro missionário deste ano, Viva com Esperança, distribuído aos milhões na América do Sul no fim de maio. Wilson chama de “evangelismo transformacional” a combinação de pregação e cuidados com a saúde. Essa foi a tônica de uma conferência realizada em Genebra, Suíça, em julho de 2014, para 1.300 delegados de 83 países. Outro investimento da igreja nos últimos anos foi a evangelização via internet. Os encontros mundiais de profissionais da web (GAiN) ganharam versões regionais, a exemplo da América do Sul, e neste ano teve sua primeira edição online.

Em seu discurso, Ted Wilson se valeu da atuação de Deus no passado para inspirar os fiéis a confiarem na condução dele no futuro. De 2010 a 2015, o adventismo celebrou datas importantes: os 150 anos da escolha do nome da denominação (2010), da organização da igreja (2013) e dos cem anos da morte de Ellen White (2015). Evidências de que os adventistas já estão fazendo hora extra aqui na Terra e, portanto, precisam resgatar o senso de urgência em relação ao tempo em que vivem. Afinal, como disse Wilson: “chegamos à beira da eternidade”. [Wendel Lima, equipe RA]


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Em busca de consenso

Os dilemas da igreja de hoje são menores do que os enfrentados pelos primeiros cristãos e adventistas

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Foto: Josef Kissinger

No próximo dia 11 de julho, os adventistas celebrarão o encerramento da sua 60ª assembleia mundial. No fim do evento, a igreja terá eleito seus líderes mundiais e as novas lideranças continentais. Provavelmente, também tenha um manual de igreja ligeiramente alterado e sua declaração de crenças modificada, a fim de definir precisamente pontos que podem abrigar posições antibíblicas, como o evolucionismo teísta e a união conjugal homoafetiva.

Porém, até lá, estará votada a questão mais controversa desse encontro: a liberdade/autonomia de cada sede continental da igreja (suas 13 Divisões) poder ordenar ou não mulheres ao ministério pastoral. Para muitos membros da igreja, decisões dessa magnitude poderão significar insegurança quanto aos rumos que a denominação toma, ainda mais se levado em conta a responsabilidade profética que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem para com o restante do mundo na iminência do retorno de Cristo.

No entanto, todas essas decisões, para nós tão cruciais, não passam de pequenos ajustes quando comparadas ao tamanho dos impasses pelos quais a igreja cristã e a adventista já passaram. No período de definição das crenças dos adventistas, por exemplo, ocorreram as “assembleias sabáticas”. Realizadas de 1847 a 1850, as reuniões atraíram estudiosos da Bíblia que tinham em comum apenas a expectativa do segundo advento e o sábado como dia de guarda, para definirem tudo o mais que não lhes era comum. Eventualmente, não havia mais que dois congressistas que compartilhavam o mesmo ponto de vista sobre determinada doutrina cristã. Porém, guiados pelo Espírito Santo, esses pioneiros formaram a base para uma igreja de coesão teológica inigualável entre outras denominações.

Matias, diáconos e circuncisão

É na Bíblia, especificamente no livro de Atos, que encontramos as maiores polêmicas que a igreja teve que resolver. Três delas se destacam: a eleição de um novo apóstolo para substituir o traidor e suicida Judas Iscariotes (At 1:15-26); o estabelecimento do grupo de sete (diáconos) para atender às necessidades das viúvas de fala grega (At 6:1-7); e a inclusão dos não judeus na igreja (At 15:1-35).

A eleição de Matias foi o primeiro impasse. O próprio Cristo havia pessoalmente escolhido os doze discípulos (Lc 6:12-16). Preencher a vaga de Judas era um ato que, de certo modo, trazia ao grupo uma responsabilidade que havia pertencido ao próprio Mestre. E talvez essa seja uma importante lição: eventualmente, a igreja deve se posicionar sobre assuntos em que, literalmente, precisa agir em lugar de Deus na Terra.

É obvio que não devemos alterar o que foi claramente revelado pelo Espírito Santo nas Escrituras. Afinal, Deus não muda seus princípios. Mas necessidades eventuais demandam decisões específicas. E a escolha do novo apóstolo foi um caso desses. O ponto é como os primeiros cristãos procederam: definiram biblicamente os motivos da decisão (veja a argumentação de Pedro em Atos 1:14-22) e oraram (At 1:24 e 25), permitindo a atuação de Deus por meio de sortes, recurso usado apenas essa vez no Novo Testamento.

Por sua vez, a eleição dos sete primeiros diáconos pode ser um exemplo de quando a igreja precisa decidir a respeito de uma necessidade não prevista anteriormente na Bíblia. Em Atos 6:1 a 7, diferentemente da eleição de Matias, não há uso de textos bíblicos para justificar a questão. O tópico parece ser de natureza mais prática do que teológica. No entanto, critérios bíblicos guiaram a decisão (At 6:3). E a igreja prosperou como resultado de uma deliberação acertada (At 6:7).

Por fim, a maior polêmica da fase primitiva da igreja foi a inclusão dos não judeus. A circuncisão tinha sido estabelecida por Deus como emblema de sua aliança com seu povo (Gn 17:9-14). Não se circuncidar indicava estar excluído da aliança com Deus. E, no pensamento de grande parte dos primeiros cristãos, predominantemente de origem judaica, fazer parte do concerto de Abraão por meio da circuncisão era requisito indispensável para a genuína conversão. Afinal, Deus mesmo havia feito essa exigência no Antigo Testamento. Portanto, a questão era complexa, porque tinha implicações teológicas, administrativas, evangelísticas e éticas. Um impasse insuperável na história cristã posterior.

No entanto, a assembleia ocorrida em Jerusalém encontrou justificação bíblica para a questão (At 15:15-21). A isso somou-se a observação de como Deus agia diante da situação (At 15:7-11). Afinal, os conversos incircuncisos demonstravam todos os sinais de regeneração e apresentavam evidências da atuação do Espírito Santo (At 10:47). O consenso foi bem diferente do que uma leitura superficial do Antigo Testamento sugeria. Por isso, a assembleia de Jerusalém publicou um documento dispensando os novos convertidos da prática da circuncisão (At 15:23-29).

Assim o Senhor tem atuado quando sua igreja está diante de impasses. Assim é dever de cada membro da igreja ao redor do mundo orar pelos 2.570 delegados que, durante dez dias, terão a responsabilidade de usar critérios bíblicos para tomar decisões importantes. Dobre seus joelhos em favor dessa assembleia! [Créditos da imagem: Josef Kissinger]

Fernando Dias é pastor e editor de livros didáticos na CPB


Para saber +

Bernhard Oestreich, “Unidade na diversidade”, Ministério, maio-junho de 2012, p. 14-16.

No mesmo tom

Ele testemunhou a unidade teológica em meio à diversidade étnica da igreja

Tive o privilégio de participar de três assembleias mundiais da Igreja Adventista do Sétimo Dia: em Indianápolis (1990), Saint Louis (2005) e Atlanta (2010). Em cada um desses eventos, várias coisas me impressionaram: o belo mosaico étnico do povo adventista, seu refinado talento musical, os relatórios e testemunhos sobre o crescimento da igreja ao redor do mundo e os sermões inspiradores. No entanto, o que mais chamou minha atenção foi o espírito de unidade com que o povo do advento reagiu, por meio de seus representantes, ao tratar de temas complexos.

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Rubens Lessa fez a cobertura especial da assembleia de Indianapolis para a Revista Adventista. Créditos da imagem: acervo RA

Em Indianápolis, por exemplo, após um dia em que mais de dois terços dos 2.239 delegados disseram “sim” à proposta de não ordenar mulheres ao ministério pastoral, milhares de adventistas retornaram a seus hotéis convictos de que o Espírito Santo havia conduzido, com segurança, as reuniões da igreja. Houve momentos de polarização, mas a atmosfera de unidade básica foi mantida até o fim da assembleia.

Naquela noite, ao retornar para o hotel, presenciei um acontecimento singular: um dos passageiros do ônibus – todos adventistas – começou a tocar em sua gaita o hino Blessed Assurance, Jesus Is Mine! (“Bendita Segurança”, HA – 240), e logo um africano aqui, um asiático ali e um europeu acolá passaram a cantar suavemente o coro em inglês. Na segunda estrofe, todos os passageiros estavam cantando, uns em inglês, outros em francês, e ainda outros em línguas asiáticas. Formou-se um lindo coral. Eu, inicialmente, me uni aos que cantavam em inglês, mas, com o tempo, passei a cantar em português. Idiomas diferentes, mas a mesma mensagem, a mesma fé, a mesma esperança!

Quando cheguei ao meu quarto, agradeci a Deus o privilégio de pertencer a um povo que, muito em breve, formará no Céu um coral afinadíssimo para cantar hosanas ao Cordeiro de Deus! Então, pela eternidade afora, haverá unidade absoluta, em meio a uma diversidade que não causará constrangimentos a ninguém. Na assembleia dos santos, não haverá liberais nem fanáticos.

RUBENS LESSA serviu por 36 anos como redator-chefe da CPB e agora, aposentado, continua a residir em Tatuí (SP)

Atividades paralelas

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Entre uma reunião e outra, os participantes da assembleia mundial da igreja aproveitam para visitar os estandes dos expositores, ganhar lembrancinhas e comprar materiais. [Informações e fotos: Marcos De Benedicto]

VEJA OUTRAS IMAGENS DOS ESTANDES

Eles nos representam

O modelo de governo representativo e a realização de assembleias têm precedente bíblico

assembleia-San-Antonio-2015-02.07-creditos-leonidas-guedes-4De praticamente cada nação do globo, há representantes dos adventistas do sétimo dia em San Antonio, Texas. Eles vão passar os dias 2 a 11 de julho acompanhando a 60ª assembleia da Associação Geral. O evento, descrito por Sheri Clemmer, uma das suas organizadoras, como uma “reunião campal gigante”, deve receber, além dos 2.570 delegados, mais de 65 mil visitantes nos cultos sabáticos. O encontro irá gerar um impacto missionário na metrópole, que receberá projetos sociais dos adventistas e conhecerá a face multicultural da igreja. No entanto, as principais finalidades da reunião são administrativas e doutrinárias.

Nas assembleias mundiais, são apresentados os relatórios das atividades e do progresso de cada uma das 13 regiões administrativas da igreja (divisões). Os delegados – grupo formado por administradores, pastores, funcionários de linha de frente e membros da igreja – elegem os líderes da sede mundial da igreja e das 13 divisões. Eles também podem decidir mudanças no Manual da Igreja e na redação das crenças fundamentais da denominação (Nisto Cremos). O sistema de assembleias mantém a unidade e a representatividade da igreja e é necessário por causa do modelo administrativo adotado pelos adventistas.

Algumas igrejas cristãs são regidas por um líder carismático, que legisla a ordem e, às vezes, a doutrina da igreja (modelos papista e personalista). Outras mantêm cada congregação local bastante independente em questões de ordem, finanças e costumes (modelo congregacionalista). Já os adventistas mesclaram o sistema episcopal dos metodistas com o modelo presbiteriano de governo. O resultado foi uma estrutura representativa, com uma hierarquia flexível, mas com as decisões sendo tomadas pelas comissões de delegados. Não é uma democracia no sentido de que cada membro pode votar no que a denominação vai crer ou quais práticas vai seguir. Mas harmoniza-se com o ensino bíblico sobre a igreja e com a doutrina do sacerdócio de todos os cristãos.

Portanto, as crenças e procedimentos da igreja não são definidos pelo presidente da Associação Geral e outros líderes eclesiásticos, como alguns podem ser tentados a pensar. As decisões que afetam a igreja como um todo são tomadas por representantes de todo o mundo em assembleias como a que ocorre no Texas.

Sistema já aprovado

O sistema, aparentemente moderno, foi elaborado a partir de princípios seguidos pelos apóstolos. Obviamente, no primeiro século não havia a necessidade de uma estrutura como a de hoje. Mesmo assim, os primeiros cristãos tomaram grandes decisões em assembleias gerais.

Na história narrada em Atos 15, a unidade do cristianismo estava ameaçada por uma difícil questão: a inclusão dos não judeus na igreja. As congregações estabelecidas fora da Judeia enviaram representantes a Jerusalém a fim de arbitrarem o procedimento teologicamente correto quanto ao assunto. A Bíblia fala da diversidade dos representantes: eram “apóstolos e presbíteros” (v. 6). Menciona os relatórios (v. 4) e descreve o debate e a argumentação bíblica do tema (v. 7 a 19). O consenso foi estabelecido e um documento com as resoluções foi publicado e enviado a todas as igrejas (v. 20, 21, 23 a 30). Líderes foram eleitos com a responsabilidade de fazer valer as resoluções do concílio e manter a unidade da igreja (v. 22). Todos esses são procedimentos usuais nas reuniões administrativas da Igreja Adventista.

Apesar da enorme distância no tempo e espaço entre Jerusalém e San Antonio, ambas as assembleias compartilham os mesmos princípios. Assim como o apego à Palavra de Deus manteve a unidade há tanto tempo, é ainda indispensável para preservar a harmonia da igreja. A Bíblia, a base da nossa fé, é também o cimento de nossa unidade denominacional.

Fernando Dias é pastor e editor de livros didáticos na CPB


 

Para saber +

Andrew McChesney, “Surpresas em San Antonio”, em Adventist World, junho de 2015.

George R. Knight, Uma Igreja Mundial (CPB, 2000).

Wendel Lima, “Lições da nossa história”, Revista Adventista, maio de 2013.

Manual da Igreja (CPB, 2010).


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