A unidade é possível se …

… o foco da igreja não estiver excessivamente nas divergências, mas naquilo que nos une: nossa mensagem e missão
diversidade-cultural-creditos-leonidas-Guedes

Unidade na diversidade é uma das características que definem a Igreja Adventista do Sétimo Dia em seus 152 anos como um movimento oficialmente organizado. Porém, muitos se perguntam: O que significa essa unidade em nossos dias? Além disso, alguns questionam: Até que ponto permaneceremos unidos enquanto crescemos agregando pessoas e culturas tão diferentes entre si? Como podemos ter opiniões divergentes e ainda nos considerarmos irmãos?

Em 1870, sete anos depois de sua organização, os adventistas reuniam pouco mais de 5 mil pessoas, distribuídas em 179 igrejas, em uma denominação essencialmente norte-americana. A ideia de unidade nesse contexto parecia viável. Como é possível, contudo, falar na unidade de uma igreja que soma quase 19 milhões de membros, espalhados em 216 países, vivendo a fé e os desafios da vida em realidades tão contrastantes? Como manter a unidade doutrinária e administrativa numa realidade tão diversificada e em constante mudança?

Divergências teológicas e administrativas já sacudiram o movimento adventista ao longo das décadas. Em 1888, a doutrina da justificação pela fé e a compreensão do significado da lei no livro de Gálatas dividiam as opiniões. A reorganização administrativa no início do século 20 foi realizada buscando o consenso de diferentes pontos de vista. Na década de 1980, polêmicas teológicas levantadas por Desmond Ford e Walter Rea sacudiram a igreja, questionando pilares distintivos do adventismo como a doutrina do santuário e a inspiração profética de Ellen G. White. Na atualidade, assim como aconteceu nos anos 1990, o debate sobre a ordenação de mulheres ao ministério pastoral divide opiniões.

Em diversas situações de tensão e divergências, muitos viram a igreja prestes a sofrer um cisma ou muito perto de um racha irreversível. Porém, uma igreja levantada por Deus não seria destruída pelo capricho humano. Após as polêmicas de 1888, os adventistas chegaram a uma compreensão muito mais clara da justificação pela fé em sua mensagem profética. A reorganização administrativa deu novo impulso às missões e ao crescimento da igreja. Os questionamentos sobre o santuário e o ministério profético resultaram em profundo estudo bíblico desses temas e colocaram a igreja em um novo patamar de compreensão de pilares de sua mensagem. Não há motivo para acreditar que, com a discussão sobre a ordenação feminina será diferente. Assim como aconteceu no passado, Deus continuará guiando seu povo a uma compreensão mais clara a respeito de temas em debate.

Convergências

Em seu livro The Fragmenting of Adventism, lançado há 20 anos, o ex-redator-chefe da Revista Adventista dos Estados Unidos, William Johnsson, cita alguns fatores que desafiavam a unidade da igreja naquela época e deveriam continuar a desafiar os novos líderes: diferenças de geração, novas mídias, forte crescimento, diversidade de vozes e opiniões, polarização teológica, entre outros pontos. “A igreja nunca mais retornará à relativa calma e ordem dos anos 1960 e 1970”, ele afirma. Na opinião do experiente editor, a saída não está em focalizar excessivamente as divergências, mas buscar a convergência no que é essencial à fé e à missão do povo do advento.

Johnsson sugere o enfoque no que é fundamental: “Somos o povo da esperança – isso é básico, então a segunda vinda de Cristo deve ser central. Somos o povo do sábado – então a lei deve ter destaque, mas colocada sob o prisma da graça. E somos o povo da Bíblia. E um povo com o espírito de profecia. E a mensagem do santuário. E temos uma missão para o mundo. E Deus nos chamou para vivermos como seus filhos, para representá-lo nos últimos dias” (p. 121). “Vamos dirigir nossos esforços para esse objetivo”, ele orienta.

Surgida no século 19, a Igreja Adventista do Sétimo Dia atravessou as turbulências do século 20 e chegou ao século 21 com o desafio de continuar crescendo de maneira integrada, em espírito de unidade. O desafio parece impossível? Porém, todas as conquistas alcançadas até aqui não são fruto das possibilidades humanas, mas resultado do poder de Deus. O mesmo poder continuará atuando enquanto houver homens e mulheres dispostos a cumprir as orientações divinas.

Guilherme Silva é pastor, jornalista e editor de livros na CPB

Missão incompleta

Conquistas e desafios marcam o crescimento numérico da igreja

relatorio-secretario-Associação-Geral

Segundo relatório apresentado nesta sexta-feira, 3 de julho, durante a assembleia mundial que acontece em San Antonio, no Texas (EUA), a Igreja Adventista está presente em 215 dos 237 países reconhecidos pela ONU.

Quando os 20 delegados da primeira assembleia-geral da Igreja Adventista chegaram a Battle Creek, em maio de 1863, jamais poderiam imaginar que 152 anos depois, cerca de 60 mil pessoas de mais de 200 países se reuniriam a fim de celebrar, em outra assembleia, a unidade, a missão e a esperança da vinda de Cristo, seguindo o legado que eles deixaram. De fato, a cada encontro mundial, os adventistas são envolvidos por um sincero sentimento de gratidão a Deus por todas as conquistas que ele tem proporcionado. Porém, precisam também refletir sobre a tarefa inacabada e agir em resposta a esse desafio.

Uma história em cinco tempos

Numa avaliação histórica sobre o crescimento mundial da Igreja Adventista, tomando por base os relatórios estatísticos da denominação, é possível identificar cinco períodos. A partir da organização da Associação Geral, em 1863, e até 1901, os adventistas avançaram em termos missionários, partindo do trabalho restrito à América do Norte, passando pela missão às nações protestantes e seguindo adiante para conquistar o mundo. Em 1900, a igreja tinha representações em todos os continentes, com 76 mil membros: 83,6% deles vivendo na América do Norte e 16,4% no exterior.

O segundo período, de 1901 a 1930, apresentou uma nova dinâmica. Com a reorganização da sede mundial e a liderança visionária de Arthur G. Daniells (1901-1922) e William A. Spicer (1922-1930), a igreja deixou de ser predominantemente norte-americana para se tornar efetivamente global. Em 1920, dos 6.955 funcionários da igreja, 62% trabalhavam fora da América do Norte. Ainda na metade da década de 1920, o número de adventistas do restante do mundo ultrapassou os que viviam nos Estados Unidos, de maneira gradual e irreversível.

Na fase seguinte, de 1930 e 1965, houve a nacionalização da liderança adventista em boa parte dos territórios alcançados. O desenvolvimento dos funcionários nativos e o espírito nacionalista que se seguiu à Segunda Guerra Mundial contribuíram para esse processo. Tal desenvolvimento se refletiu no crescimento. Em 1955, pela primeira vez em sua história, a denominação ultrapassou a marca de 1 milhão de membros.

Embora a Igreja Adventista mantivesse seu foco missionário e crescimento contínuo, uma mudança sensível passou a ser vista no período seguinte (1965-1990): surgiram as campanhas mundiais de estímulo à evangelização. Impulsionados por slogans como “Reavivamento, Reforma, Evangelismo”, “Mil Dias de Colheita” e “Colheita 90”, a igreja saiu de quase 1,6 milhão para 6,7 milhões de membros. A média anual de batismos diários também subiu nessa fase: de 397 para 1.347.

Missão global

Contudo, uma avaliação honesta do cenário revelava algo inconveniente. Em primeiro lugar, os quase 7 milhões de adventistas representavam um rebanho inexpressivo perto dos 5 bilhões de habitantes do planeta em 1990. Além disso, em regiões como Europa, Ásia e Oriente Médio, a igreja enfrentava grandes desafios evangelísticos, sem contar os diversos grupos populacionais e etnias não alcançados nos países em que já havia presença adventista.

Esses fatores resultaram, em 1990, no lançamento do programa que representa o maior esforço missionário da história adventista: a Missão Global. Desde então, a igreja tem investido de forma ampla, estratégica e consistente na evangelização mundial. Em 2005, o programa foi realocado para o escritório da Missão Adventista na sede mundial. Com o desafio de estabelecer a presença da igreja em “cada nação, tribo, língua e povo”, pastores e membros têm participado de iniciativas como “Diga ao Mundo” e “Esperança para as Grandes Cidades”.

De 1990 para cá, a igreja tem registrado seus maiores índices de crescimento. Em 1998, a denominação ultrapassou a marca de 10 milhões de membros. Em 2006, pela primeira vez em sua história, obteve uma média anual de mais de 3 mil batismos diários. No ano passado, a igreja chegou ao seu 10o ano consecutivo batizando anualmente mais de 1 milhão de pessoas e plantando mais de 2 mil congregações. Hoje, em média, existe um adventista para cada 393 habitantes do mundo, uma proporção nunca antes alcançada. Assim, ao chegar a San Antonio, Texas, os delegados da 60a assembleia mundial representam 18,5 milhões de fiéis de 215 países.

Tarefa inacabada

Os números significativos dos últimos anos, contudo, não devem ofuscar os grandes desafios do adventismo no século 21. Em primeiro lugar, esse crescimento empolgante da igreja se limita ao hemisfério Sul, tendo em vista que, nos países desenvolvidos, o adventismo está estagnado ou declinando, crescendo apenas entre os imigrantes.

Outro ponto é que, apesar de ter avançado territorialmente, a igreja ainda se depara com o quadro identificado pelo programa Missão Global: muitas etnias não foram alcançadas. A demanda exige diversificação de métodos e mais gente disposta a servir a “toda tribo”.

Por último, existe o drama da apostasia e o desafio do discipulado. Entre 1964 e 2014, foram batizadas mais de 33 milhões de pessoas. Entretanto, quase 14 milhões abandonaram a igreja ou estão desaparecidas. De acordo com o pesquisador adventista Monte Sahlin, as razões principais para que pessoas saiam do adventismo estão mais relacionadas com problemas pessoais do que com questões doutrinárias. Em outras palavras, de alguma forma, as comunidades de fé não têm conseguido dar o suporte necessário a seus membros para que superem as dificuldades da vida.

Diante das festividades da assembleia mundial de San Antonio, é tempo de celebrar as conquistas; de refletir sobre os desafios; e de se levantar e brilhar. Afinal, Jesus está voltando!

Wellington Barbosa é pastor, mestre em Teologia e editor de livros na CPB


LEIA TAMBÉM

Leia o relatório apresentado pelo secretário-executivo da igreja mundial na assembleia

A igreja diante do espelho

Igreja Adventista já é a quinta maior comunidade cristã do mundo

Em busca de consenso

Os dilemas da igreja de hoje são menores do que os enfrentados pelos primeiros cristãos e adventistas

0307-artigo-analise-igreja-impasses-creditos-da-foto-Josef-Kissinger

Foto: Josef Kissinger

No próximo dia 11 de julho, os adventistas celebrarão o encerramento da sua 60ª assembleia mundial. No fim do evento, a igreja terá eleito seus líderes mundiais e as novas lideranças continentais. Provavelmente, também tenha um manual de igreja ligeiramente alterado e sua declaração de crenças modificada, a fim de definir precisamente pontos que podem abrigar posições antibíblicas, como o evolucionismo teísta e a união conjugal homoafetiva.

Porém, até lá, estará votada a questão mais controversa desse encontro: a liberdade/autonomia de cada sede continental da igreja (suas 13 Divisões) poder ordenar ou não mulheres ao ministério pastoral. Para muitos membros da igreja, decisões dessa magnitude poderão significar insegurança quanto aos rumos que a denominação toma, ainda mais se levado em conta a responsabilidade profética que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem para com o restante do mundo na iminência do retorno de Cristo.

No entanto, todas essas decisões, para nós tão cruciais, não passam de pequenos ajustes quando comparadas ao tamanho dos impasses pelos quais a igreja cristã e a adventista já passaram. No período de definição das crenças dos adventistas, por exemplo, ocorreram as “assembleias sabáticas”. Realizadas de 1847 a 1850, as reuniões atraíram estudiosos da Bíblia que tinham em comum apenas a expectativa do segundo advento e o sábado como dia de guarda, para definirem tudo o mais que não lhes era comum. Eventualmente, não havia mais que dois congressistas que compartilhavam o mesmo ponto de vista sobre determinada doutrina cristã. Porém, guiados pelo Espírito Santo, esses pioneiros formaram a base para uma igreja de coesão teológica inigualável entre outras denominações.

Matias, diáconos e circuncisão

É na Bíblia, especificamente no livro de Atos, que encontramos as maiores polêmicas que a igreja teve que resolver. Três delas se destacam: a eleição de um novo apóstolo para substituir o traidor e suicida Judas Iscariotes (At 1:15-26); o estabelecimento do grupo de sete (diáconos) para atender às necessidades das viúvas de fala grega (At 6:1-7); e a inclusão dos não judeus na igreja (At 15:1-35).

A eleição de Matias foi o primeiro impasse. O próprio Cristo havia pessoalmente escolhido os doze discípulos (Lc 6:12-16). Preencher a vaga de Judas era um ato que, de certo modo, trazia ao grupo uma responsabilidade que havia pertencido ao próprio Mestre. E talvez essa seja uma importante lição: eventualmente, a igreja deve se posicionar sobre assuntos em que, literalmente, precisa agir em lugar de Deus na Terra.

É obvio que não devemos alterar o que foi claramente revelado pelo Espírito Santo nas Escrituras. Afinal, Deus não muda seus princípios. Mas necessidades eventuais demandam decisões específicas. E a escolha do novo apóstolo foi um caso desses. O ponto é como os primeiros cristãos procederam: definiram biblicamente os motivos da decisão (veja a argumentação de Pedro em Atos 1:14-22) e oraram (At 1:24 e 25), permitindo a atuação de Deus por meio de sortes, recurso usado apenas essa vez no Novo Testamento.

Por sua vez, a eleição dos sete primeiros diáconos pode ser um exemplo de quando a igreja precisa decidir a respeito de uma necessidade não prevista anteriormente na Bíblia. Em Atos 6:1 a 7, diferentemente da eleição de Matias, não há uso de textos bíblicos para justificar a questão. O tópico parece ser de natureza mais prática do que teológica. No entanto, critérios bíblicos guiaram a decisão (At 6:3). E a igreja prosperou como resultado de uma deliberação acertada (At 6:7).

Por fim, a maior polêmica da fase primitiva da igreja foi a inclusão dos não judeus. A circuncisão tinha sido estabelecida por Deus como emblema de sua aliança com seu povo (Gn 17:9-14). Não se circuncidar indicava estar excluído da aliança com Deus. E, no pensamento de grande parte dos primeiros cristãos, predominantemente de origem judaica, fazer parte do concerto de Abraão por meio da circuncisão era requisito indispensável para a genuína conversão. Afinal, Deus mesmo havia feito essa exigência no Antigo Testamento. Portanto, a questão era complexa, porque tinha implicações teológicas, administrativas, evangelísticas e éticas. Um impasse insuperável na história cristã posterior.

No entanto, a assembleia ocorrida em Jerusalém encontrou justificação bíblica para a questão (At 15:15-21). A isso somou-se a observação de como Deus agia diante da situação (At 15:7-11). Afinal, os conversos incircuncisos demonstravam todos os sinais de regeneração e apresentavam evidências da atuação do Espírito Santo (At 10:47). O consenso foi bem diferente do que uma leitura superficial do Antigo Testamento sugeria. Por isso, a assembleia de Jerusalém publicou um documento dispensando os novos convertidos da prática da circuncisão (At 15:23-29).

Assim o Senhor tem atuado quando sua igreja está diante de impasses. Assim é dever de cada membro da igreja ao redor do mundo orar pelos 2.570 delegados que, durante dez dias, terão a responsabilidade de usar critérios bíblicos para tomar decisões importantes. Dobre seus joelhos em favor dessa assembleia! [Créditos da imagem: Josef Kissinger]

Fernando Dias é pastor e editor de livros didáticos na CPB


Para saber +

Bernhard Oestreich, “Unidade na diversidade”, Ministério, maio-junho de 2012, p. 14-16.

Eles nos representam

O modelo de governo representativo e a realização de assembleias têm precedente bíblico

assembleia-San-Antonio-2015-02.07-creditos-leonidas-guedes-4De praticamente cada nação do globo, há representantes dos adventistas do sétimo dia em San Antonio, Texas. Eles vão passar os dias 2 a 11 de julho acompanhando a 60ª assembleia da Associação Geral. O evento, descrito por Sheri Clemmer, uma das suas organizadoras, como uma “reunião campal gigante”, deve receber, além dos 2.570 delegados, mais de 65 mil visitantes nos cultos sabáticos. O encontro irá gerar um impacto missionário na metrópole, que receberá projetos sociais dos adventistas e conhecerá a face multicultural da igreja. No entanto, as principais finalidades da reunião são administrativas e doutrinárias.

Nas assembleias mundiais, são apresentados os relatórios das atividades e do progresso de cada uma das 13 regiões administrativas da igreja (divisões). Os delegados – grupo formado por administradores, pastores, funcionários de linha de frente e membros da igreja – elegem os líderes da sede mundial da igreja e das 13 divisões. Eles também podem decidir mudanças no Manual da Igreja e na redação das crenças fundamentais da denominação (Nisto Cremos). O sistema de assembleias mantém a unidade e a representatividade da igreja e é necessário por causa do modelo administrativo adotado pelos adventistas.

Algumas igrejas cristãs são regidas por um líder carismático, que legisla a ordem e, às vezes, a doutrina da igreja (modelos papista e personalista). Outras mantêm cada congregação local bastante independente em questões de ordem, finanças e costumes (modelo congregacionalista). Já os adventistas mesclaram o sistema episcopal dos metodistas com o modelo presbiteriano de governo. O resultado foi uma estrutura representativa, com uma hierarquia flexível, mas com as decisões sendo tomadas pelas comissões de delegados. Não é uma democracia no sentido de que cada membro pode votar no que a denominação vai crer ou quais práticas vai seguir. Mas harmoniza-se com o ensino bíblico sobre a igreja e com a doutrina do sacerdócio de todos os cristãos.

Portanto, as crenças e procedimentos da igreja não são definidos pelo presidente da Associação Geral e outros líderes eclesiásticos, como alguns podem ser tentados a pensar. As decisões que afetam a igreja como um todo são tomadas por representantes de todo o mundo em assembleias como a que ocorre no Texas.

Sistema já aprovado

O sistema, aparentemente moderno, foi elaborado a partir de princípios seguidos pelos apóstolos. Obviamente, no primeiro século não havia a necessidade de uma estrutura como a de hoje. Mesmo assim, os primeiros cristãos tomaram grandes decisões em assembleias gerais.

Na história narrada em Atos 15, a unidade do cristianismo estava ameaçada por uma difícil questão: a inclusão dos não judeus na igreja. As congregações estabelecidas fora da Judeia enviaram representantes a Jerusalém a fim de arbitrarem o procedimento teologicamente correto quanto ao assunto. A Bíblia fala da diversidade dos representantes: eram “apóstolos e presbíteros” (v. 6). Menciona os relatórios (v. 4) e descreve o debate e a argumentação bíblica do tema (v. 7 a 19). O consenso foi estabelecido e um documento com as resoluções foi publicado e enviado a todas as igrejas (v. 20, 21, 23 a 30). Líderes foram eleitos com a responsabilidade de fazer valer as resoluções do concílio e manter a unidade da igreja (v. 22). Todos esses são procedimentos usuais nas reuniões administrativas da Igreja Adventista.

Apesar da enorme distância no tempo e espaço entre Jerusalém e San Antonio, ambas as assembleias compartilham os mesmos princípios. Assim como o apego à Palavra de Deus manteve a unidade há tanto tempo, é ainda indispensável para preservar a harmonia da igreja. A Bíblia, a base da nossa fé, é também o cimento de nossa unidade denominacional.

Fernando Dias é pastor e editor de livros didáticos na CPB


 

Para saber +

Andrew McChesney, “Surpresas em San Antonio”, em Adventist World, junho de 2015.

George R. Knight, Uma Igreja Mundial (CPB, 2000).

Wendel Lima, “Lições da nossa história”, Revista Adventista, maio de 2013.

Manual da Igreja (CPB, 2010).


Leia também

Saiba como Ellen White contribuiu para a organização da Igreja Adventista

Entenda o papel de Ellen White na reunião mais polêmica da história do adventismo

Entenda como Ellen White influenciou a assembleia que reorganizou a igreja