?? Um tempo de desafios e crescimento

Relatório apresentado por Gilberto Wari, então presidente da Divisão Centro-Oeste Africana, destacou o crescimento institucional da igreja numa região castigada pelo ebola e pelo extremismo religioso

relatorio da Divisão Centro-Oeste Africana - foto 1

A Divisão Centro-Oeste Africana (West-Central Africa Division —WAD) é formada por 22 países e por uma parte do mundo rica em energia dinâmica. É também, por vezes, um tanto quanto turbulenta. A despeito dos desafios do fundamentalismo religioso, de inquietações sociais e políticas, e da epidemia do ebola, a Divisão conseguiu alcançar resultados positivos no evangelismo ao longo do último quinquênio, que começou com o lançamento da iniciativa de “Reavivamento e Reforma”.

REALIZAÇÕES

Retiro de líderes (comunhão)

No início do quinquênio, a Divisão Centro-Oeste Africana combateu a letargia espiritual. A fim de enfrentar esse desafio, foi realizado um retiro de liderança para todos os pastores e suas esposas na Babcock University, na Nigéria, de 5 a 11 de janeiro de 2011. Houve uma participação total de 2.201 pessoas. Os administradores e diretores de departamentos das Uniões receberam a tarefa de encontrar maneiras de ajudar todos os membros da igreja a entrarem para o exército divino de espalhar o evangelho. Os líderes das igrejas foram incentivados a organizar retiros espirituais, realizar evangelismo em pequenos grupos e distribuir exemplares do livro inspirador A Grande Esperança.

Projeto “A Grande Esperança” (missão)

Muitos milhões de exemplares de A Grande Esperança foram impressos e distribuídos nos quatro principais idiomas de nossa Divisão (inglês, francês, português e espanhol) e foram relatadas várias conversões em todo nosso território. Isso incentivou os servidores da igreja e os encheu de esperança. Sob o poder do Espírito Santo, esse mensageiro silencioso alcançou pessoas que não seriam alcançadas em circunstâncias normais, confirmando o poder da página impressa.

Reorganização de instituições

A Divisão Centro-Oeste Africana começou o quinquênio com seis Uniões (todas elas Uniões-Associações) e 39 campos. Em menos de quatro anos, a Divisão passou por um crescimento radical no que se refere à reorganização de suas entidades. Hoje, somos dez Uniões, das quais quatro são Uniões-Associações [autossustentáveis], e 66 campos.

Novas instituições

A Divisão Centro-Oeste Africana cresceu não só na organização estrutural, mas também em instituições de ensino. Em 2010, ela contava com três universidades em três países. Nos últimos cinco anos, outras três foram acrescentadas, elevando o total a seis universidades em toda a Divisão: Babcock University (Nigéria); Valley View University (Gana); Université Adventiste Consendai (Camarões); Adventist University of West Africa (Libéria); Adventist College of Education (Gana); e Clifford University (Nigéria). O número de escolas de ensino fundamental e médio também está aumentando. Está sendo desenvolvido um plano ambicioso para construir 200 escolas adicionais para cada país da Divisão Centro-Oeste Africana. Esse projeto está sendo realizado em parceria com a organização Maranata Internacional.

O pastor e presidente da igreja mundial Ted Wilson participa da comemoração do centenário da Igreja Adventista na Nigéria. Crédito: WAD

O pastor e presidente da igreja mundial Ted Wilson participa da comemoração do centenário da Igreja Adventista na Nigéria. Crédito: WAD

Relações públicas (relacionamento)

A igreja deu um passo à frente em seu relacionamento com o governo de Costa do Marfim. Em 2012, a sede da Divisão Centro-Oeste Africana recebeu reconhecimento como uma entidade diplomática. Isso ajudou tremendamente o trabalho da igreja. Como parte das permissões concedidas, a Divisão se beneficia da isenção de impostos governamentais e alfandegários sobre equipamentos, suprimentos e materiais importados que têm o objetivo de colocar em prática as metas da organização. Também desfruta procedimentos rápidos de entrada e saída na passagem pela imigração para todos os expatriados da Divisão e seus familiares, bem como para consultores e visitantes.

Congresso Pan-Africano de Liberdade Religiosa

O extremismo religioso continua a ser um desafio no continente. A fim de ajudar a combatê-lo, a Divisão organizou o Congresso Pan-Africano de Liberdade Religiosa, realizado de 6 a 13 de agosto de 2013 em Yaoundé, a capital de Camarões. Durante alguns dias, líderes, eruditos e representantes de organizações de liberdade religiosa, advogados, líderes religiosos e leigos se reuniram para discutir o tema “Tolerância religiosa e coexistência pacífica para o desenvolvimento sustentável da África”. Diversos líderes renomados do continente e de outras partes do globo falaram aos participantes sobre vários temas, enfatizando a necessidade de liberdade religiosa para todos. Um convidado importante, o presidente de Camarões, sua excelência Paul Biya, presidente do Congresso, foi representado por seu primeiro-ministro.

Comemorações de aniversário

Esse quinquênio foi marcado por celebrações comemorando os 125 anos de atuação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Gana (2013), cem anos na Nigéria (2014) e 50 anos em Togo (2014). Os eventos deram oportunidade não só de avaliar nossa presença nesses países, mas também de revisar nosso envolvimento histórico com a vida dessas nações. As celebrações foram prestigiadas pela presença de oficiais do governo.

Participantes aprendem como deixar de fumar em um programa dirigido pela Divisão na Mauritânia. Crédito: WAD

Participantes aprendem como deixar de fumar em um programa dirigido pela Divisão na Mauritânia. Crédito: WAD

Infraestrutura

Além da expansão de escolas e templos, a Divisão Centro-Oeste Africana também expandiu suas moradias ao construir um prédio de oito andares em Abidjan. O projeto está quase concluído. Além disso, uma casa de convidados existente em Dibetou foi totalmente reformada e agora pode abrigar, em acomodações mais confortáveis, delegados e visitantes que comparecem às várias reuniões realizadas na sede da Divisão.

Aquisição de novos equipamentos

O centro de produção de programas televisivos da Divisão Centro-Oeste Africana também foi aperfeiçoado. O último equipamento instalado, com a ajuda de técnicos de mídia vindos da América do Norte e América do Sul, suas Divisões irmãs, agora permite a produção de programas de TV para o Hope Channel Africa. Além disso, os escritórios da Divisão agora contam com equipamentos para videoconferências.

Finanças

Por muito tempo, a Divisão Centro-Oeste Africana dependeu do apoio financeiro da igreja mundial para funcionar, mas os líderes da Divisão fizeram o firme compromisso de se tornarem autossuficientes no aspecto financeiro. A Divisão saltou de 69% de autossustento no quinquênio anterior para 98% e depois para 115% em 31 de dezembro de 2013. Louvamos a Deus por termos alcançado essa meta!

Evangelismo (missão)

A despeito dos desafios sociopolíticos e espirituais, ao longo dos últimos cinco anos, a Divisão aumentou consideravelmente o ganho de almas. O esforço evangelístico na grande cidade “Lagos para Cristo” foi uma experiência espiritual tremenda para a igreja em termos de conversões e cobertura pelos meios de comunicação.

Através da Divisão, outros empreendimentos evangelísticos com ênfase especial em evangelismo por pequenos grupos também ocorreram, trazendo milhares de pessoas para a família de Deus. De 2010 até dezembro de 2014, foi registrado um total de 218.162 batismos, graças à combinação de esforços dos pastores e membros da igreja para ir além dos 195.483 batismos do quinquênio anterior (2005 a dezembro de 2009). Sem dúvida, para a Divisão Centro-Oeste Africana, o último quinquênio foi de reavivamento e reforma.

Cursos “Como deixar de fumar”

O curso “Como deixar de fumar em cinco dias” não só ajuda as pessoas a terem melhor qualidade de vida, ao eliminarem o uso do tabaco, como também consiste em uma porta de entrada, sobretudo em regiões em que não é fácil levar o evangelho. Essa foi a experiência em Niamy, Níger, e Matamoulana e Nouakchott, Mauritânia, dois países islâmicos localizados na Janela 10/40, onde esses seminários foram realizados com sucesso e para um grande público.

Em março de 2015, o Departamento de Saúde e de Missão Global organizaram um programa “Como deixar de fumar” em Nouakchott, capital da Mauritânia. O programa impressionou tanto o líder religioso islâmico, sheikh El Haj Misry, que ele convidou os facilitadores a irem até sua cidade natal, Matamoulana, a fim de realizar um programa da mesma natureza. Um total sem precedentes de 500 pessoas se reuniu para acompanhar os encontros e fazer perguntas. Em 17 de março de 2015, foi realizada uma sessão especial para ajudar as pessoas a deixarem de fumar. O fim do programa foi marcado por um jantar especial com líderes muçulmanos. Todos concordaram com nossos facilitadores de que, na luta contra o tabaco, a dimensão espiritual desempenha um papel central. Além do aspecto de saúde, o programa deu à igreja a oportunidade de testemunhar de nossa fé cristã em um contexto totalmente islâmico.

DESAFIOS

Prisão de um pastor adventista

As diversas ações iniciadas e apoiadas pela Divisão precisaram não só de nossa paciência, mas também de coragem e determinação. Um pastor, Antônio Monteiro, missionário no Togo, foi falsamente acusado de homicídio. Ficou preso por quase dois anos até ser considerado inocente. Seu caso foi acompanhado por milhões de adventistas do sétimo dia do mundo inteiro.

Grupo de líderes da igreja e esposas ouvem uma apresentação durante o retiro de liderança realizado na Babcock University, na Nigéria, em 2011. Crédito: WAD

Grupo de líderes da igreja e esposas ouvem uma apresentação durante o retiro de liderança realizado na Babcock University, na Nigéria, em 2011. Crédito: WAD

Inquietações civis

Costa do Marfim, Burkina Faso, República Centro-Africana e Nigéria foram países particularmente afetados ao longo do quinquênio. Na Costa do Marfim, a guerra levou pessoas e membros da igreja a se mudarem, deixando bens e propriedades para trás. Muitos deles se perderam. Nossa principal escola de ensino médio, localizada em Bouake, se tornou a sede de facções rebeldes. Na República Centro-Africana, a sede da nova União-Missão Central Africana foi temporariamente transferida para outro país por causa da guerra. Na Nigéria, o aumento da violência associada ao Boko Haram continua a ser uma ameaça.

A crise do ebola

O vírus do ebola foi e continua a ser um grande desafio para a igreja no oeste da África, sobretudo para os membros da União-Missão Oeste-Africana, formada por Guiné, Libéria e Serra Leoa. Em resultado dessa epidemia, milhares de pessoas foram afetadas e muitos programas que reuniriam toda a Divisão precisaram ser cancelados.

Situação da Université Adventiste Cosendai

A drástica diminuição de matrículas tem impedido que a escola obtenha recursos financeiros para crescer e se desenvolver. Temos a esperança de que a nova liderança consiga reverter a situação para o próximo ano letivo.

OPORTUNIDADES

Presidente da Associação Geral na Divisão Centro-Oeste Africana

Durante esse quinquênio, nossa Divisão foi agraciada com duas visitas do presidente da Associação Geral, Ted Wilson. Essas visitas reacenderam a fé de nossos membros ao se reunirem em grande número, vindos de diversos países, a fim de dar as boas-vindas ao líder mundial e ouvir seus conselhos. Essas grandes reuniões também reforçaram a sensação dos membros de pertencer à família adventista mundial e também se mostrou útil na criação de elos com autoridades dos governos locais. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

A igreja diante do espelho

No segundo dia da assembleia mundial que acontece em San Antonio, no Texas (EUA), a igreja faz uma autoanálise

Na sexta-feira, dia 3 de julho, a assembleia de delegados e demais participantes da igreja mundial se voltou para o espelho. Ela olhou para seu corpo, percebeu o quanto ele aumentou nos últimos anos, mas também o quanto ele poderia estar mais saudável. Nos relatórios apresentados por G. T. Ng, secretário da Associação Geral, e David Trim, diretor do departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da Associação Geral, a assembleia de delegados teve a oportunidade de enxergar o adventismo mais globalmente. Identificaram-se tendências que desenham nosso futuro. Na agenda, a apresentação do relatório da Secretaria foi seguido pelas perguntas e final aprovação dos delegados.

Missão nas entrelinhas

assembleia-San-Antonio-2015-02.07-creditos-leonidas-guedes-13Para se afastar da frieza dos números, o pastor G. T. Ng  fez uma apresentação das estatísticas “no contexto da igreja”, segundo destacou. Introduziu o relatório, relembrando William Spicer (1865–1952), que teve uma relação forte com a missão. Após voltar de seu serviço missionário na Inglaterra, ele foi eleito como diretor do Conselho das Missões Estrangeiras, órgão criado em 1889.  Três anos depois, Spicer foi enviado à Índia como o único pastor ordenado numa das regiões mais populosas do planeta. Retornando aos Estados Unidos, foi eleito secretário e, mais tarde, presidente da Associação Geral.

T. Ng descreveu Spicer como um entusiasta da missão. Na Conferência Geral de 1913, já como presidente da sede mundial, Spicer se referiu ao fato de que aquela era a primeira reunião da Igreja Adventista com a presença de delegados de outras partes do mundo. Em discurso visionário, Spicer afirmou: “O que o profeta contemplou em visão na ilha de Patmos vemos com nossos olhos hoje, a última mensagem do evangelho eterno voando para toda terra e nação, trazendo a (colheita) predita num povo que guarda “os mandamentos de Deus e que tem a fé em Jesus” (The General Conference Bulletin, 38a Sessão, 16 de maio de 1913, vol. 7, n. 1).

Na época de Spicer, o crescimento e a internacionalização do adventismo já era um processo irreversível. Nesse período, a América do Norte contava com 50 mil membros, segundo Ng; hoje a denominação-movimento conta com 18,5 milhões de membros. Se alguns países e continentes foram representados na Assembleia de 1913, neste ano, representantes de 168 países se encontraram no Alamodome.

O pastor Ng destacou que o ano de 2014 estabeleceu um marco no crescimento numérico da igreja. Nele, acresceram à igreja mais de 1,16 milhão de membros, considerando-se que, no início do último quinquênio (2010), a igreja tinha cerca de 16,9 milhões de membros. Nos últimos 10 anos, a igreja recebeu 6,6 milhões de membros. Para completar o quadro, a denominação contava, em 2014, com 78.810 igrejas e 69.213 grupos. Somente em 2014, foram organizadas 2.446 igrejas, o que representa uma média de 6,7 igrejas fundadas por dia, ou uma igreja sendo plantada a cada 3 horas e 58 minutos.

O ano de 2014, segundo Ng, foi o maior em número de batismos, de congregações plantadas, o 10° ano consecutivo em que foi registrado um acréscimo de mais de um milhão de fiéis e o 12° ano consecutivo em que mais de 2 mil igrejas foram estabelecidas.

Norte e Sul

Porém, o quadro mais revelador da Igreja Adventista está em sua representatividade socioeconômica, que tem profundas implicações. Considerando-se a classificação Norte-Sul global, que separa os países desenvolvidos dos países pobres ou em desenvolvimento, é importante localizar a presença da maior parte dos membros da igreja. A resposta, segundo G. T. Ng, é que esmagadores 92% estão no Sul global, anúncio que foi seguido por uma salva de palmas no auditório. O que impressiona nesse número não é que o Sul global seja a grande maioria na igreja, mas que ele já é a maioria absoluta.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila de 100 pessoas, em 1960, ela seria composta por 27 pessoas da América do Norte, 20 da América Latina, 19 da África, 16 da Europa, 14 da Ásia e 4 da Oceania, de acordo com Ng. Em 2014, a vila tem outra configuração: 38 pessoas da África, 32 da América Latina, 19 da Ásia, 7 da América do Norte, 2 da Europa e 2 da Oceania. A implicação direta dessa diferença representativa indica uma forte tendência de que os irmãos africanos e latino-americanos tenham uma participação cada vez maior na determinação dos rumos da igreja. Esse fenômeno já é perceptível, basta observar quantos africanos têm se dirigido ao microfone nas reuniões administrativas (business sessions). O mesmo se percebe na presença de oficiais do Sul socioeconômico na liderança da igreja mundial.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila, essa seria a proporção de membros por região do mundo.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila, essa seria a proporção de membros por região do mundo.

O quadro objetivo nos faz refletir sobre elementos subjetivos. A igreja do mundo desenvolvido mostra tendências mais inovadoras, progressistas, enquanto a igreja do Sul se mostra mais apegada aos “marcos antigos” (Pv 22:8), mais conservadora? Seria isso apenas uma diferença cultural? Essa diferença precisa implicar uma polarização, uma contraposição? Será que o adventismo do mundo desenvolvido se conformaria com as resoluções aprovadas pelos adventistas do mundo em desenvolvimento? Será que desenvolvimento cultural e material é sinônimo de desenvolvimento espiritual-eclesiástico? Será que a própria Bíblia foi culturalmente condicionada?

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A igreja está presente em 215 países dos 237 reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Essas são questões sobre as quais a igreja tem refletido. Por isso, a tônica desta assembleia mundial é a unidade num sentido mais abrangente – não apenas uma unidade oficial, mas a unidade de fé e de práticas, a unidade no Espírito Santo e no amor de Deus. Delegados de todas as partes do mundo demonstram uma preocupação com essa questão. Mark Finley, em seu sermão feito na noite de sexta-feira, apelou com lágrimas e voz embargada, mas com muita energia, que a igreja esteja unida em missão. Finley lembrou que os discípulos “eram diferentes, mas Deus os uniu”.

Perdas dolorosas

T. Ng alegrou a delegação mundial com sua apresentação criativa e espirituosa das estatísticas da igreja, mas não deixou de mencionar o número que sempre nos entristece: o dos que deixaram a Igreja. Então, foi projetada no telão a imagem de um balde cheio de água, mas que estava cheio de furos, representando a “síndrome do balde que vaza” (The Leaky Bucket Syndrome). Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2014, houve uma perda de 60% dos membros na igreja mundial; enquanto que, de 2000 a 2014, a perda foi de 48%. Após algumas palavras de reflexão e encorajamento, o secretário executivo concluiu sua fala apelando à igreja para que algo seja feito para confrontar essa realidade.

Foi inevitável que o sabor doce dos números do crescimento da igreja tenha, em parte, se tornado amargo pelas notícias sobre os milhões que deixaram a denominação nos últimos anos. Momentos mais tarde, filas de delegados se formariam diante dos microfones para expor dúvidas, preocupações e sugestões sobre as perdas na igreja. A mais significativa delas, de que o crescimento está diminuindo com o passar dos anos. Hoje a igreja cresce cerca de 1,8% ao ano, menos da metade do crescimento verificado anos atrás.

O relatório de G. T. Ng foi oportunamente complementado por David Trim. Ele destacou que, no último quinquênio, a igreja mundial realizou uma série de auditorias minuciosas da contagem de membros, constatando que, “em muitos casos, o número de membros foi superestimado”. Segundo ele, os processos de auditoria da igreja são essenciais, acima de tudo, por uma questão moral, de apego à veracidade dos fatos.

Uma evidência da necessidade de ajustes na Secretaria está no número de mortes entre os adventistas, segundo Trim. Enquanto estudos indicam que a média mundial de mortes entre os adventistas é de 3,39 para cada mil membros (contra 8,55 entre não adventistas), os relatórios indicam que a  Secretaria felizmente tem se tornado cada vez mais precisa no controle do número de membros (de uma mortalidade de 2,67/1.000, passou para um número mais realista de 3/1.000). Um dos fatores para essa precisão, segundo Trim, foi a adoção, em 2012, do software da Secretaria da Igreja, o qual tinha sido desenvolvido e aplicado na Divisão Sul-Americana.

Os processos eletrônicos permitem um registro e uma atualização mais fidedigna do número de membros da igreja. “Estatísticas acuradas não são um fim em si mesmo. Elas devem servir para a missão”, afirma Trim. Registros fidedignos permitem saber que ovelhas estão dentro e fora do aprisco e desenvolver projetos para ir em busca delas.

Na tarde da sexta-feira, a igreja analisou suas finanças apresentadas pelo tesoureiro da Associação Geral, Robert Lemon, e as aprovou. Lemon ressaltou que, à medida que a igreja se fortalece em várias partes do mundo, os recursos da Associação Geral vão priorizar os países da missão global, da chamada janela 10/40. Esta talvez seja mais uma evidência da nova realidade da Igreja no Sul global: ela está mais forte e menos dependente, mesmo no aspecto financeiro.

Como um organismo, a igreja está em transformação. Isso, por um lado, nos preocupa, mas, por outro, nos anima. A unidade na diversidade não deve ser apenas uma frase bonita, mas um exercício constante em todos os níveis da igreja. Os paradoxos devem servir como estímulo à cooperação e ao crescimento espiritual de todos, individualmente, e da igreja como corpo de Cristo. Essa tem sido a principal mensagem da assembleia de San Antonio. [Diogo Cavalcanti, equipe RA]


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