Quem mexeu em nossas doutrinas?

Teólogo explica a necessidade de periodicamente a igreja revisar sua declaração de crenças

Mudanças editoriais nas crenças adventistas, que estão sendo votadas pela assembleia em San Antonio, foram propostas durante o Concílio Anual realizado nos Estados Unidos no ano passado. Foto: Ansel Oliver

Mudanças editoriais nas crenças adventistas, discutidas na assembleia em San Antonio, foram propostas durante o Concílio Anual realizado na sede mundial da igreja no ano passado. Foto: Ansel Oliver

Um dos importantes itens da agenda da assembleia mundial em San Antonio (EUA) é a revisão da declaração de crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia, cuja publicação em português se intitula Nisto Cremos. Algumas das 28 crenças fundamentais que figuram nesse livro foram objeto de discussão na manhã e tarde de hoje, dia 6. As revisões mais importantes, porém, ocorreram em duas crenças: “A Criação” (nº 6) e “Matrimônio e Família” (nº 23).

É possível que você, se for um adventista, tenha se incomodado com a ideia de que a assembleia poderia estar votando a “mudança das doutrinas da igreja”. Embora essa inquietação seja justificável num primeiro momento, ao você entender como se dá esse processo, poderá constatar a seriedade com que a Igreja Adventista lida com as verdades bíblicas e confirmar sua confiança na Palavra de Deus. Para tanto, é preciso responder a duas perguntas: (1) o que é uma crença?; e (2) o que é uma declaração de crenças? Espero, ao fim desse artigo, ter explicado também se uma crença e uma declaração de crença podem mudar.

Pode uma crença mudar?

No contexto cristão, crença pode ser definida como a convicção ou compreensão acerca da realidade, a partir das “lentes” oferecidas pela Bíblia. Nesse sentido, doutrinas se referem à uma determinada realidade descrita pela Bíblia, como o conceito que temos sobre Deus, a criação, o grande conflito e a lei. É importante também fazer uma distinção entre a realidade em si e a compreensão acerca dela. A primeira é sempre mais profunda e abrangente do que a segunda. Ou seja, na medida em que estudamos as Escrituras, nós adquirimos uma compreensão cada vez mais ampla das verdades bíblicas, mas a realidade delas ainda vai muito além da nossa compreensão. Por isso, dizemos que nosso entendimento é parcial e progressivo.

Ao ler a Bíblia, é possível perceber como Deus lida com esse processo de progressão cognitiva dos seres humanos na compreensão de realidades espirituais, um processo tanto do desenvolvimento de indivíduos, quanto de um desenvolvimento histórico. Jesus, por exemplo, não informou os discípulos acerca de coisas que eles ainda não podiam “suportar” ou entender (Jo 16:12). Nova luz viria com o tempo por influência do Espírito Santo (Jo 16:13). Num contexto mais amplo, histórico, temos o exemplo das profecias dadas para Daniel, que seriam compreendias apenas em certa época (Dn 8:26-27; 12:4, 8-9). Desse modo, o próprio Daniel não foi capaz de entender plenamente o significado da revelação que ele recebeu. Nesse caso, é possível falar não apenas de uma revelação progressiva, mas também de uma compreensão progressiva (o conhecimento profético se multiplicaria no tempo do fim de acordo com Daniel 12:4) acerca das realidades espirituais.

Portanto, uma crença não se refere a um “produto final” ou credo imutável. Elas tratam de realidades cuja a compreensão humana ainda não esgotou. Isso significaria que uma crença pode ser revisada? Sim, na medida em que haja uma compreensão mais ampla das realidades espirituais, derivada do estudo das Escrituras. Note que uma compreensão mais ampla não requer a rejeição do conhecimento prévio. Antes, a ampliação pressupõe a presença de um conhecimento anterior que passa a se conectar com outras ideias que dão mais profundidade a esse conhecimento. Pense, por exemplo, na ampliação que Jesus ofereceu da compreensão da lei mosaica no sermão da montanha (Mt 5:21-48). Essa ampliação não contraria a revelação do Antigo Testamento, mas demonstra que sua aplicação é bem mais abrangente que a compreensão oferecida pelos líderes religiosos daquela época.

Pode uma declaração de crença mudar?

No entanto, existe outro elemento que precisa ser considerado. A declaração ou expressão de crenças. Uma crença pode ser expressada em diferente formas, ênfases ou estilos. Se existe distinção entre a realidade crida e a crença, o mesmo ocorre entre a crença e sua expressão. Um quadro geral da sequência dessas distinções seria: (1) realidade – (2) crença – (3) declaração. Em outras palavras, a crença não é a compreensão final e definitiva da realidade, assim como a declaração não é a expressão final e definitiva da crença. As limitações de uma declaração de crença estão relacionadas ao caráter dinâmico da linguagem, ou seja, as palavras e expressões ganham novo sentido com o tempo.

E se uma declaração de crença não é clara e inteligível, acaba distorcendo a mensagem original ou não comunicando nada. Logo, ela perde sua utilidade, pois acaba não sendo compreendida pelos membros (público interno), nem pelos que não são adventistas (público externo), mas desejam conhecer as doutrinas da igreja por meio de uma fonte confiável e oficial. Para quem pesquisa com seriedade o que acreditamos, um material como esse pode ajudar a minimizar ou a evitar a má compreensão sobre nossas crenças.

Tendo em vista a importante função de uma declaração de crenças, a editora adventista de Battle Creek, Michigan, publicou em 1872 uma “sinopse de nossa fé” em 25 proposições. Revisado e ampliado para 28 proposições, esse documento apareceu no Yearbook denominacional em 1889. Uma declaração de 22 doutrinas fundamentais foi impressa no Yearbook de 1931. E em 1980, a assembleia mundial em Dallas votou um sumário mais abrangente de 27 crenças fundamentais. Esse sumário corresponde ao texto atual do Nisto Cremos, com a adição da crença “Crescendo em Cristo”, aprovada em St. Louis, em 2005 (veja a introdução do Nisto Cremos).

Em realidade, essas revisões da expressão do pensamento doutrinário adventista em 1872, 1889, 1931, 1980 e 2005 não representam uma mudança na crença, mas ajustes na declaração que resume e sistematiza o que acreditamos. Essas mudanças vão desde ajustes editoriais até a inclusão de uma ou mais crenças, que em sua essência não eram novas para a igreja.

A denominação entende que revisões das declarações de crença podem ser esperadas “numa assembleia da Associação Geral, quando a igreja é levada pelo Espírito Santo a uma compreensão mais completa da verdade bíblica ou encontra melhor linguagem para expressar os ensinos da Santa Palavra de Deus.” (Nisto Cremos, p. 4, grifos acrescentados). Perceba que essa citação contempla dois tipos de revisão: da crença (no caso de uma compreensão mais ampla) e da expressão ou declaração da crença (no caso de uma linguagem mais adequada).

Em geral, as revisões adotadas se referem mais ao segundo tipo, como foi o caso das revisões aprovadas hoje em San Antonio. A igreja não mudou sua compreensão doutrinária. Contudo, na sociedade atual, visões seculares com respeito à origem do universo e à natureza do matrimônio têm penetrado vários círculos religiosos, que passam a utilizar uma linguagem doutrinária mais geral (e até mesmo ambígua) para acomodar essas visões. Em absoluto contraste a essa tendência, a sugestão de revisão da declaração das crenças fundamentais 6 e 23 teve o objetivo de imprimir uma linguagem mais clara e explícita que reflita de forma inequívoca a compreensão bíblica adventista: de que a semana da criação foi real/literal e de que o matrimônio é entre homem e mulher. Portanto, em vez de se tratar de mudança de conteúdo, a revisão foi um ajuste de redação a fim de tornar mais claro o que a igreja sempre acreditou.

Adriani Milli é professor de Teologia no Unasp e aluno do Ph.D. em Teologia Sistemática na Universidade Andrews (EUA)

Em mais um dia de eleições, assembleia define líderes da Associação Geral e divisões

A assembleia mundial da igreja nomeou nesta segunda-feira, 6 de julho, os líderes que atuarão como vice-presidentes da Associação Geral. Uma das mudanças mais significativas foi a redução do número de líderes para a função. Em vez de 9, agora serão apenas 6 vice-presidentes, seguindo o modelo que era adotado pela igreja até 1990. O que justifica a mudança, segundo explicou o pastor Ted Wilson, é ao fato de que algumas instituições não mais estarão sob supervisão da Associação Geral. No quadro de diretores de departamentos houve poucas alterações. Dos 12 departamentais votados até agora, apenas dois são novos na função: Ganoune Diop, que substitui John Graz, e Duane Mckey, que substitui Jonathan Kuntaraff.

Além dos nomes votados para essas funções, o plenário da assembleia também nomeou um brasileiro e um chileno para a equipe da Associação Geral: Gerson Santos, como secretário associado, e Magdiel Perez, atual secretário da Divisão Sul-Americana, que exercerá a função de assessor especial do presidente da Associação Geral.

A agenda do dia contemplou ainda a definição dos presidentes das 13 divisões. Seis deles permanecem no cargo. Entre os reeleitos está o presidente da Divisão Sul-Americana, pastor Erton Köhler (confira aqui a entrevista concedida à Revista Adventista após a reeleição).

Confira abaixo a relação dos líderes eleitos nesta segunda-feira:

Vice-presidentes da Associação Geral

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Número de vice-presidentes caiu de 9 para 6. Mudança se deve ao fato de que algumas instituições não mais estarão vinculadas à Associação Geral. Foto: Adventist Review

Artur Stele (reeleito)

Abner De Los Santos

Ella Simmons (reeleita)

Geoffrey Gabriel Mbwana (reeleito)

Guillermo Biaggi

Thomas Lemon

Diretores de departamentos da Associação Geral

os 12 diretores de departamentos eleitos

Até agora foram eleitos 12 dos 15 diretores de departamentos. Foto: Adventist Review

Ministério de Capelania – Mario Ceballos (reeleito)

Ministério da Criança – Linda Mei Lin Koh (reeleita)

Comunicação – Williams Costa Jr. (reeleito)

Educação – Lisa Beardsley-Hardy (reeleita)

Ministério da Família – Willie Oliver (diretor) e Elaine Oliver (diretora associada) – reeleitos

Ministério da Saúde – Peter Landless (reeleito)

Associação Ministerial – Jerry Page (secretário) e Janet Page (secretária associada) – reeleitos

Relações Públicas e Liberdade Religiosa – Ganoune Diop (substitui John Graz)

Ministério Pessoal – Duane Mckey (substitui Jonathan Kuntaraff)

Ministério da Mulher – Heather-Dawn Small (reeleita)

Ministério Jovem – Gilbert Cangy (reeleito)

Auditoria – Paul Douglas (reeleito)

 

Presidentes das divisões

os-13-presidentes das divisoes no palco da assembleia

Dos 13 presidentes de divisões, 6 foram reeleitos. O pastor Erton Köhler foi um deles. Foto: Adventist Review

Divisão Centro-Leste Africana – Blasious Ruguri (reeleito)

Divisão Euro-Asiática – Michael Kaminski

Divisão Interamericana – Israel Leito (reeleito)

Divisão Norte-Americana – Daniel Jackson (reeleito)

Divisão do Pacífico Norte-Asiático – Jairyong Lee (reeleito)

Divisão Sul-Americana – Erton Kohler (reeleito)

Divisão do Sul do Pacífico – Glenn Townend

Divisão Sul-Africana Oceano Índico – Paul Ratsara (reeleito)

Divisão do Pacífico Sul-Asiático – Leonardo Asoy

Divisão Intereuropeia – Mario Brito

Divisão Centro-Oeste Africana – Elie Weick-Dido

Divisão Sul-Asiática – Ezras Lakra

Divisão Transeuropeia – Raafat Kamal (reeleito)


CONFIRA O QUADRO GERAL DE ELEIÇÕES DA ASSEMBLEIA

Água e óleo

O evolucionismo teísta tenta misturar o que é impossível conciliar: Bíblia e evolução

origens

Mudanças editoriais na crença da criação foi um dos itens da agenda da assembleia mundial da igreja nesta segunda-feira, 6 de julho.

Num diálogo, é sempre mais cômodo concordar com o interlocutor. Às vezes, para evitar a discussão, há até quem “concorde” com aquilo de que discorda. Infelizmente, há muitos cristãos – e, mais infelizmente ainda, até mesmo adventistas do sétimo dia – optando por essa via fácil. A fim de evitar o debate, tentam misturar óleo e água, criando um simbionte aberrante; uma teoria que se compõe de péssima ciência com péssima teologia. E ela se chama evolucionismo teísta.

Mas, afinal de contas, por que não seria possível misturar a crença num Deus criador com a teoria da evolução? Por que não admitir que Deus possa ter criado a matéria por meio do Big Bang e dado início ao processo evolutivo? Simples, não? Na verdade, parece simples, mas não é.

Se partirmos da premissa de que Deus é o Criador, mas se utilizou de processos evolutivos para trazer a vida como a conhecemos à existência, a primeira a ser atingida por esse raciocínio “conciliatório” é a Bíblia. Vejamos por quê.

A Palavra de Deus deixa clara nossa responsabilidade diante do Criador. Mas se a espécie humana é o resultado final do acaso e da evolução através das eras cronológicas, temos nós qualquer responsabilidade diante de um poder mais elevado? De acordo com o Dr. Siegfried Schwantes (Colunas do Caráter, p. 205), “que estímulo há para se forjarem caracteres nobres e se praticarem atos heroicos numa filosofia que não reconhece outra lei que não a da selva, nem outra sanção que não a sobrevivência do mais forte?”

Se a espécie humana evoluiu, teria significado o importante conceito “todos são criados iguais”? E como a regra áurea “fazei aos outros o que quereis que vos façam” encontra significado na sociedade, se a “sobrevivência dos mais aptos” tem sido responsável por trazer a humanidade ao seu presente estado de inteligência superior? As duas ideias não parecem ser compatíveis.

Como se pode ver, a teologia bíblica é atingida bem no centro se rejeitarmos o relato da Criação. Importantíssimas doutrinas da Bíblia dependem desse relato. Por exemplo: a Bíblia afirma que a morte ocorreu como resultado do pecado (Gn 2). E na carta de Paulo aos Romanos, lemos que “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (5:12). Mas a evolução ensina que a morte existiu desde o princípio, muito antes que houvesse um ser humano. Em outras palavras: a morte não é resultado do pecado.

Nesse caso, qual é o significado teológico da vida e da morte de Jesus? Paulo diz: “Como pela desobediência de um só homem [Adão] muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos” (Rm 5:19). Por que precisamos de redenção e libertação? Se não houve um Jardim do Éden, com sua árvore da vida, qual é o futuro que Apocalipse 22 descreve para os remidos? Se as rochas da crosta terrestre já estivessem cheias de restos fossilizados de bilhões de animais, e mesmo de formas hominídeas que pareciam homens, então o próprio Deus é diretamente responsável por ter criado o sofrimento e a morte, não como julgamento pela rebelião, mas como fator integral da sua obra de criação e governo soberano. E isso significa caos teológico!

O quarto mandamento da lei de Deus diz: “Lembra-te do dia do sábado para o santificar, seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus […] porque em seis dias fez o Senhor os Céus e a Terra e o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou” (Êx 20:8-11). Além de ser um mandamento e um sinal distintivo entre o Senhor e seu povo (Ez 20:20), o sábado comemora a obra criadora de Deus, em seis dias literais. Cristo confirmou esse mandamento guardando-o (Lc 4:16). A Bíblia assegura que na Nova Terra (Ap 21) também será observado o sábado (Is 66:23). Pela teoria evolucionista teríamos que ignorar também esse importante conceito bíblico que é uma evidência de nosso amor ao Criador (Jo 14:15), memorial da criação e selo de obediência e fidelidade a Deus.

Como se pode ver, evolução e criação é uma mistura impossível. A tentativa de conciliação (talvez para se evitar maiores discussões) acaba originando uma teoria amorfa e ilógica. A criação não pode ser provada em laboratório, é verdade. Mas a evolução biológica (especialmente a abiogênese) também não. No fundo, tudo é uma questão de fé. De minha parte, prefiro crer no Deus Criador Todo-poderoso, a crer no acaso e no tempo como fatores “desencadeadores” da vida.

Michelson Borges é jornalista, mestre em Teologia e editor da revista Vida e Saúde na CPB


Saiba +

Entenda o histórico da redação acerca da crença sobre a criação e por que os ajustes editoriais propostos reafirmam a rejeição da igreja ao evolucionismo teísta

O debate por trás de uma declaração

Entenda o histórico da redação acerca da crença sobre a criação e por que os ajustes editoriais propostos reafirmam a rejeição da igreja ao evolucionismo teísta

assembleia-San-Antonio-2015-02.07-creditos-leonidas-guedes-16A assembleia mundial da igreja tem grandes tarefas à sua frente. Além de nomear a liderança da denominação para os próximos cinco anos, os delegados terão que debater uma proposta que muda um pouco a redação da declaração de crença número 6, relacionada à doutrina da criação. A razão para o ajuste é que a linguagem atual do texto é muito abrangente, dando margem para que o evolucionismo teísta seja considerado um dos possíveis métodos usados por Deus para criar a vida na Terra (clique aqui e leia o artigo “Água e óleo”).

Apesar de a Igreja Adventista do Sétimo Dia, desde sua fundação em 1863, acreditar no relato bíblico das origens (Gn 1-11) – história da criação, dia de descanso, e dilúvio – e de valorizar as contribuições positivas do pensamento iluminista, a igreja jamais referendou o evolucionismo teísta. E isso é algo que precisa ficar claro na redação de nossas crenças.

Nesse contexto, uma pergunta que ouço com frequência é: Por que a igreja teria aprovado o texto atual em 1980, na assembleia de Dallas, sendo que essa redação não representa com precisão aquilo em que os adventistas acreditam? A resposta passa pela compreensão do que levou a igreja a preparar uma declaração de crença sobre criação e qual foi o processo usado para isso (clique aqui e leia o artigo “Quem mexeu em nossas doutrinas?”).

Contexto histórico

A igreja surgiu num período histórico (meados do século 19) de grande turbulência epistemológica, ou seja, época em que estava em debate qual fonte de conhecimento (Bíblia ou ciência) deveria ser considerada a autoridade máxima sobre a questão das origens. Após a publicação do livro Origem das Espécies, por Charles Darwin (em 1859), essa busca por uma base segura de conhecimento se intensificou. Isso fez com que muitos cristãos renunciassem à crença de que a Bíblia é uma fonte confiável sobre a criação do Universo, da Terra e da vida. Ainda que Igreja Adventista tenha mantido sua confiança na revelação divina através desses anos, o fato é que a denominação percebeu a necessidade de formular uma lista de crenças fundamentais. O objetivo principal era (e ainda é) informar agências governamentais e outras entidades sobre aquilo em que igreja acredita e o que ensina.

No entanto, entre os anos 1859 e 1980, as listas de crenças fundamentais da igreja não incluíam uma declaração explícita sobre a criação. Isso mudou na manhã de 25 de abril de 1980, quando a assembleia mundial reunida em Dallas, também no Texas, aprovou a atual redação publicada no livro Nisto Cremos.

Oficialmente, a formulação da declaração dessa crença sobre a criação começou no dia 8 de junho de 1978, quando a sede mundial da igreja aprovou uma comissão para coordenar o processo (X-1535). Logo a X-1535 apresentou o primeiro rascunho de uma declaração sobre criação para os líderes da sede mundial. Essa declaração continha algumas das frases essenciais para a teologia cristã em geral, e particularmente para a teologia adventista. Constavam nela expressões como “crônica confiável da criação do mundo”, “em seis dias literais e consecutivos, Deus criou o mundo” e “dilúvio nos dias de Noé.” Nessa fase, e conforme sugerido por W. J. Hackett, a declaração sobre a criação preparada pela X-1535 estava preservando os pontos cruciais do relato bíblico (Review and Herald, 26 de maio de 1977, p. 2).

O trabalho progrediu e, no dia 4 de março de 1979, Bernard Seton trouxe uma nova versão da declaração para a comissão responsável. Satisfeita com o progresso dos trabalhos do grupo da X-1535, a sede mundial sugeriu que W. Duncan Eva enviasse uma cópia da nova lista de crenças fundamentais para a Universidade Andrews, onde os teólogos daquela época poderiam aperfeiçoar as declarações antes de que a lista fosse publicada na Adventist Review (Revista Adventista dos Estados Unidos).

No documento enviado para análise da Universidade Andrews, na primeira coluna estava a lista com as 22 crenças fundamentais usadas entre 1931 e 1980; na segunda coluna, estava a lista das crenças mostrando algumas revisões e os acréscimos; e, na terceira coluna, apareciam as 22 crenças revisadas. Segundo W. Duncan Eva, nesse documento com três colunas, a declaração sobre a criação aparece como a sétima declaração (saiba mais aqui) A diferença entre a declaração que foi para a universidade e a que voltou é bem visível quando comparadas lado a lado:

Tabela 1 – Comparação

X-1535 Proposta enviada para a Universidade Andrews Declaração que retornou da Universidade Andrews
Que o livro de Genesis contém a única crônica inspirada e confiável da criação do mundo; e que Deus, juntamente com Cristo e o Espírito Santo, é o Criador de todas as coisas. Em seis dias literais o Senhor fez o céu e a terra e todos os seres viventes sobre eles, juntamente com seu meio ambiente. O Senhor então estabeleceu o sétimo dia como o sábado, um memorial perpétuo da sua criação completada. O homem foi criado originalmente à imagem de Deus, mas sua queda em pecado por causa da tentação de Satanás no jardim do Éden resultou na deformação progressiva daquela imagem. Isso também levou à desfiguração do trabalho artesanal na criação e ao dilúvio universal nos dias de Noé. Através de Cristo, Deus irá erradicar o pecado e seus resultados do Universo, e no fechamento da História da humanidade, Ele irá restaurar a perfeição da sua criação em um novo Céu e uma Nova Terra (Gn 1:1-26; Sl 33:6-9; Gn 3:1-24; Êx 20:8-11; Gn 6-8; Ap 21:1-7). Deus e? o Criador de todas as coisas e revelou nas Escrituras o relato autêntico de sua atividade criadora. “Em seis dias, fez o Senhor os Céus e a Terra” e tudo que tem vida sobre a Terra, e descansou no sétimo dia dessa primeira semana (Êx 20:11). Assim, ele estabeleceu o sábado como perpétuo monumento comemorativo de sua esmerada obra criadora. O primeiro homem e a primeira mulher foram formados a? imagem de Deus como obra-prima da Criação, foi-lhes dado domínio sobre o mundo e atribuiu-se lhes a responsabilidade de cuidar dele. Quando o mundo foi concluído, ele era “muito bom”, proclamando a glória de Deus. (Gn 1 e 2; Êx 20:8-11; Sl 19:1-6; 33:6 e 9; 104; Hb 11:3).

De acordo com Fritz Guy, a declaração atual (que foi redigida pelo teólogo Larry Geraty) foi deliberadamente preparada sob a premissa de que a igreja têm vários pontos de vista “sobre a história da vida na Terra. Adventistas, cientistas, teólogos, pastores e outros, têm pontos de vista muito diferentes em relação à idade do Universo, do planeta Terra e da vida na Terra” (leia mais sobre o assunto aqui).

Na assembleia mundial, Larry Geraty explicou que a razão que o levou a usar aquela linguagem foi que, em sua opinião, “criação é muito mais extensa do que apenas origens”. Para enfatizar seu ponto, ele argumentou: “Em um parágrafo sobre a Criação, eu gostaria de testemunhar ao mundo que Deus não meramente dá início às coisas para logo em seguida deixá-las prosseguir sozinhas, como os deístas acreditam. Eu gostaria de incluir atividade criativa, o que inclui não só as origens, mas muito mais” (Review and Herald, 24 de abril de 1980, p. 24). Assim, no dia 25 de abril de 1980, e ainda que vários delegados tenham expressado objeções à linguagem usada para descrever a crença da igreja acerca da criação, a declaração foi aprovada. Como resultado, uma iniciativa positiva como a de formular uma crença sobre criação acabou abrindo portas para controvérsias internas sobre as origens.

Preservando o futuro

Felizmente, depois de 35 anos de controvérsias, e com um compromisso reavivado para reafirmar a interpretação literal dos primeiros capítulos de Gênesis, a assembleia mundial da igreja votou, em 2010, na cidade de Atlanta, reformular essa declaração de crença. Os ajustes editoriais que estão sendo propostos em San Antonio deixam claro que os adventistas rejeitam o evolucionismo teísta; que os dias da semana da criação foram literais, com aproximadamente 24 horas cada; que apenas a vida na Terra, e não o Universo, foi especialmente criada recentemente; e que os primeiros capítulos de Gênesis contêm relatos históricos e não mitologia hebraica. Se aprovada, essa nova declaração irá cumprir com o propósito de expressar aquilo que a igreja como organização mantém com respeito aos ensinos da Bíblia.

Sérgio Silva é aluno do programa de PhD em Teologia na Universidade Andrews (EUA)

Na contramão do mundo

À semelhança do passado, a igreja enfrenta pressões culturais em sua trajetória

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Em sua oração pelos discípulos, Cristo pediu ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17:15). Dois aspectos são importantes nessas palavras. O primeiro é que a igreja está no mundo. Ela está inserida em um contexto social e político. O segundo aspecto é que Cristo suplicou para que ela não se contaminasse com o mal que assola o mundo do qual ela faz parte. Como conciliar então essa tensão entre estar e não pertencer? Cristo nos orientou a ser sal e luz (Mt 5:13-16), ou seja, metáforas que apontam para a necessidade de estar misturado com o objetivo de influenciar para a transformação.

Uma das características de nossa sociedade pós-moderna é o questionamento de valores. Especialmente aqueles de natureza ética e espiritual. Em nome de uma “mentalidade aberta” e cultura avançada, e como uma espécie de repúdio ao tradicionalismo ou conservadorismo, a validade e a relevância desses valores têm sido desafiadas. Siegfried Júlio Schwantes escreveu: “Moralmente falando, nossa época presencia uma ruptura em larga escala com as normas do passado. A moral tradicional, herdada de um passado cristão, está sendo gradualmente carcomida pela incredulidade que se generaliza” (O Despontar de Uma Nova Era, p. 201).

O casamento, por exemplo, quanto à sua razão de ser e permanência, tem sido questionado nos dias atuais. E não somente a instituição em si parece ser colocada em xeque, mas a própria definição de quem são os cônjuges. O artigo 1.723 do Código Civil dispõe que: “É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.

Entretanto, segundo a advogada Raquel Santos, especialista em Direito Público, ao comentar a decisão do STF, “retirando-se as expressões ‘homem’ e ‘mulher’ do dispositivo, o instituto da união estável passa a ser aplicado à união homoafetiva com todas as suas disposições, ou seja, sem restrições, inclusive com a possibilidade de sua conversão em casamento, estando os demais órgãos do Poder Judiciário vinculados a essa decisão. Nesse contexto, as expressões “homem” e “mulher” são tidas como discriminatórias. Isso possibilitou sua aplicação ao instituto da união homoafetiva.”

Esse é mais um desafio com o qual a igreja se depara. Amplamente defendida, inclusive em caráter legislativo em alguns países, a união homoafetiva, no âmbito civil e religioso, tem sido a bandeira de movimentos sociais e de alguns segmentos mais progressistas das igrejas. Isso tem pressionado as instituições, a aderir a esse tipo de união, alegando que estamos vivendo em tempos avançados e que precisamos fazer jus a eles.

O matrimônio e a família são uma das doutrinas bíblicas fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Como denominação, cremos no casamento conforme orienta a Bíblia: essa instituição foi estabelecida no Éden e sancionada por Jesus como uma união permanente entre um homem e uma mulher (Gn 2:21-24; Mc 10:2-12). “A partir da diversidade entre macho e fêmea, Deus trouxe ordem, unidade. Na primeira sexta-feira, ele celebrou o primeiro casamento, unindo as duas criaturas, condensação de Sua imagem, em uma só. O matrimônio se tornou o alicerce da família, o fundamento da própria sociedade, desde o início” (Nisto Cremos, p. 388).

Russel Champlin, erudito do Novo Testamento, afirmou: “O primeiro par não se constituía simplesmente de um homem e de uma mulher, mas de macho e fêmea, sendo, assim, os representantes do princípio da união entre o homem e a mulher, princípio esse que requer uma união permanente, porque esse foi o propósito original da criação dos seres humanos” (O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, v. 1, p. 479).

Nessa assembleia mundial da igreja, no Texas, os delegados estão analisando temas que envolvem aspectos teológicos e sociais. O assunto do casamento também é objeto de estudo. Evidentemente que, o propósito da igreja, com esse debate, não será rever sua posição sobre o matrimônio, mas legitimar com mais clareza editorial a natureza permanente, monogâmica e heterossexual do casamento (Mt 19:3-6).

Nerivan Silva é pastor, mestre em Teologia e editor da revista Ancião na CPB

Assembleia elege secretários e tesoureiros associados da sede mundial da igreja

Saiba quais foram os líderes nomeados pela assembleia neste domingo

No terceiro dia da assembleia mundial da igreja foram definidos os líderes associados que atuarão na secretaria e tesouraria da Associação Geral nos próximos cinco anos. Com exceção de Raymond Wahlen, que irá deixar a função de tesoureiro assistente e assumirá o posto de tesoureiro associado, todos os demais continuam na função. Veja abaixo a relação dos líderes nomeados pela assembleia neste domingo:

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A toda nação

Leia o relatório apresentado pelo secretário-executivo da igreja mundial, G.T. Ng, referente aos últimos cinco anos

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A Igreja Adventista do Sétimo Dia começou com um punhado de cristãos milleritas tentando compreender o grande desapontamento de 1844, quando Jesus não voltou conforme esperavam. Esse grupo pequeno de membros fiéis se recusou a deixar de lado a fé. Eles sacudiram o desânimo e, resolutos, obedeceram à ordem bíblica de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11, NVI).

Das cinzas da história, levantou-se um movimento do tempo do fim. Ao longo das décadas seguintes, esse pequeno grupo de adventistas cresceu e se transformou em um movimento profético global com mais de 18 milhões de membros. Eles se encontram em 216 dos 237 países e regiões do mundo reconhecidos pela ONU. Operam em 148.023 congregações, 173 hospitais, 2.164 escolas de ensino médio e superior, 21 indústrias de alimentos, 15 centros de mídia e 63 editoras. De um grupo desorganizado a uma igreja global — essa transformação nada mais é do que um milagre!

Na primeira assembleia da Associação Geral em 1863, em Battle Creek, Michigan, compareceram 20 delegados representando seis associações locais. Na época, contávamos com 3.500 membros em 125 igrejas, 22 pastores ordenados e oito ministros licenciados. Em contraste, a sexagésima assembleia da Associação Geral, em 2015, conta com a presença de 2.571 delegados oficiais. Eles representam 18.479.257 adventistas do sétimo dia de todos os continentes. Vêm de 132 uniões com 633 postos missionários/missões/associações. Aquilo que Deus tem operado pelo “pequeno rebanho” cresceu exponencialmente em 152 anos!

Em 2010, o total de membros ao redor do mundo era de 16.923.239. Três anos depois, em 2013, o total de membros da Igreja Adventista quebrou um recorde, alcançando o marco de 18 milhões pela primeira vez na história. Em dezembro de 2014, havia 18.479.257 adventistas ao redor do planeta. Comparando com o total de membros em 2010, temos agora 1.556.018 membros a mais do que no início do quinquênio.

Esse número de membros não inclui crianças não batizadas, nem tantos outros que se consideram adventistas do sétimo dia. Em Papua Nova Guiné, por exemplo, o registro do total de membros é de cerca de 250 mil. Mas um censo governamental recente revelou que quase um milhão de pessoas se considera adventista do sétimo dia. Muitos dos que saem da igreja continuam a se considerar adventistas. Na Jamaica, os registros indicam a existência de 262 mil membros. O censo do governo, porém, revela 323 mil pessoas que afirmam ser adventistas do sétimo dia. Em Chiapas, México, a situação é semelhante.

Historicamente, o ano de 1955 foi significativo porque foi a primeira vez que a denominação alcançou o total de um milhão de membros. Foram necessários 92 anos para sair de 3.500 membros em 1863 e alcançar um milhão em 1955. A marca de dois milhões de membros ocorreu dentro de 15 anos; três milhões, depois de oito anos; quatro milhões, após cinco anos; e cinco milhões, depois de três anos. A partir de então, levou cerca de dois anos para alcançar cada milhão adicional de membros. Louvado seja Deus!

Esse notável crescimento da igreja é especialmente significativo ao se levar em conta o declínio prevalente do total de membros entre as denominações protestantes tradicionais. De acordo com um relatório recente do periódico Christianity Today [Cristianismo Hoje], a Igreja Adventista é hoje a “quinta maior comunhão cristã do mundo, depois do catolicismo, o catolicismo ortodoxo oriental, o anglicanismo e as assembleias de Deus” (Christianity Today, 22 de fevereiro de 2015).

Muitos historiadores da igreja observaram que, ao longo dos últimos 50 anos, o centro do cristianismo mudou da América do Norte e Europa (norte do globo), para a África, Ásia e América Latina (sul do globo). O centro cristão na Europa está encolhendo, ao passo que, na África, Ásia e América Latina, ele se expande com velocidade surpreendente. O norte do globo é formado por continentes industrializados, que tradicionalmente enviavam missionários, ao passo que o sul do globo é reconhecido como campo missionário.

Esse deslocamento significativo do número de membros do norte para o sul efetuou uma mudança fundamental no cenário da Igreja Adventista do Sétimo Dia também. Em 1960, a igreja contava com 675 mil membros no sul do globo (54% do total mundial de membros). Meio século depois, o número de membros nessa região alcançou 16,9 milhões, 91,43% do total mundial. O norte do globo, em contrapartida, tinha 570 mil membros em 1960 e, em 2014, contava com quase 1,6 milhão, ou seja, 8,5% do total de membros ao redor do mundo.

Batismos

Essa redistribuição dramática dos membros do norte para o sul do globo também se reflete nas estatísticas batismais. Em 1960, os batismos no norte do globo representavam 31% do total e, no sul, 69% do total mundial, respectivamente. Em 2014, 97% dos batismos mundiais vêm do sul do globo e 3% do norte, uma mudança épica que aponta, por um lado, para o crescimento extraordinário da igreja e, por outro, para seu declínio.

As estatísticas do Departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa indicam que, em 2014, 1.167.796 pessoas entraram para a comunidade mundial da fé adventista, contra 1.901.22 em 2013 e 1.050.785 em 2010. Qual é o significado de mais de um milhão de pessoas passarem a pertencer à igreja em um ano? Significa que 3.199 novos membros entram para a igreja todos os dias, ou 133 por hora e 2,2 por minuto.

Em 2004, foi a primeira vez na história da Igreja Adventista que mais de um milhão de pessoas foi batizado em um ano. A empolgação tem continuado ao longo dos anos; 2014 foi o décimo ano consecutivo em que mais de um milhão de pessoas entrou para a igreja. Somente neste quinquênio, 6.618.689 pessoas se uniram à comunidade da fé adventista ao redor do globo pelo batismo e profissão de fé.

Igrejas

O plantio de igrejas é uma prioridade na iniciativa missionária da igreja. Os últimos números mostram que contávamos com 78.810 igrejas e 69.213 grupos em 2014. Em comparação com 2013, 2.446 novas igrejas abriram as portas para os adoradores em um ano, ou seja, 6,7 igrejas por dia. A cada 3,58 horas, uma nova igreja é plantada. O recorde anterior foi alcançado em 2002, com o plantio de 2.416 novas igrejas. O ano de 2014 entra para a história como o melhor de todos no plantio de igrejas.

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Quadro mostra o número de membros e de batismos registrados pela igreja entre 2010-2015. Fonte: Adventist Review

O ano passado foi excepcional nesses 152 anos de história da igreja. Foi o ano com o maior número de batismo e o maior número de igrejas plantadas. Também foi o décimo segundo ano consecutivo em que mais de 2 mil novas igrejas foram organizadas dentro do período de um ano. De modo geral, as 148.023 igrejas e grupos que a igreja tinha em 2014 representam um aumento de 12.678 sobre o total de cinco anos atrás. É notável constatar que, em média, foram acrescentadas 2.536 novas igrejas e grupos por ano desde 2010.

Crescimento

A taxa média de crescimento em 2014 foi de 1,85% ao redor do mundo. Em 2006, a taxa de crescimento foi de quase 5%, transformando-o em um dos melhores anos em termos de crescimento de membros. Com um índice anual de crescimento de 1,85%, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é considerada uma das denominações que cresce com maior rapidez no mundo. No entanto, a contemplação desse quadro de crescimento não seria completa sem relembrar os percalços. Nos cinco anos entre 2010 e 2014, 6.212.919 pessoas entraram para a igreja. Durante o mesmo período, 3.7171.683 membros saíram. Além daqueles membros que morreram, a taxa líquida de perda no quinquênio é de 60 a cada 100 conversos.

Essa porcentagem terrivelmente alta é resultado, em parte, de auditorias das secretarias das congregações, processo que identifica e remove do rol de membros pessoas que saíram da igreja ao longo dos anos. Contudo, mesmo olhando para os últimos 15 anos, anteriores à rodada recente de auditorias completas, as perdas equivalentes eram de 48%. Quer essas perdas correspondam a membros que deixaram a igreja neste quinquênio, quer se refiram aos adventistas cujas ausências só foram reconhecidas agora, são números trágicos que a igreja não pode aceitar.

Os processos de auditoria de membros começaram no quinquênio passado e ganharam velocidade neste quinquênio. As auditorias têm confirmado que a honestidade continua a ser a melhor política. Um rol de membros superior à realidade não é mais aceitável nas estatísticas mundiais. Olhando o lado positivo, a Holanda teve a alegria de descobrir, durante uma auditoria recente, que contava com mais membros na igreja do que se imaginava.

Desafios missionários

Nós nos orgulhamos por sermos a igreja mais internacional do mundo, estabelecida em 91% dos países e regiões reconhecidos pela ONU. Parabenizamo-nos por sermos fiéis à ordem profética de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11). Temos obtido relativo êxito em colocar em prática a grande comissão de fazer “discípulos de todas as nações” (Mt 28:19 e Lc 24:47).

Quando pensamos em “nações”, muitos se lembram de países como Mali, Egito ou Brasil. Todavia, as palavras no grego são panta ta ethne, que vão além de entidades geopolíticas. Elas apontam, na realidade, para os grupos etnolinguísticos dentro de cada nação. Jesus não estava dizendo que o evangelho deve ser proclamado dentro das fronteiras de todos os países politicamente definidos, mas, sim, em cada grupo cultural dentro desses países. A ordem de Jesus não era meramente a missão de entrar no máximo possível de países, ou de alcançar tantas pessoas quanto possível, mas, sim, de alcançar todos os povos do planeta.

Levando em conta o conceito da iluminação de panta ta ethne, podemos deduzir que o cumprimento da grande comissão não se mede pelo número de países nos quais entramos, por mais importante que isso seja, mas, sim, pelo fato de discipularmos todos os grupos de pessoas e estabelecermos congregações em todas as nações.

O Quênia é um caso em questão. Ele sempre foi o centro de nosso trabalho no leste da África. O país conta com um total gigantesco de membros: mais de 824 mil em duas uniões. A maioria dos membros provém de apenas quatro tribos, ao passo que há um total de 42 tribos no país. Estima-se que 70% dos adventistas do sétimo dia do Quênia pertençam a duas tribos, Kisii e Luo, e somente 25% façam parte das quatro tribos principais (Kikuyu, Luhya, Kalenjim e Kamba). Essa situação mostra claramente que as maiores tribos do Quênia são as menos alcançadas, apesar do imenso número de membros e das quase 10 mil igrejas e grupos.

Outro exemplo é a disparidade entre a missão rural e urbana. Muitos países desfrutam crescimento fenomenal em ilhas e vilas. Dezenas de milhares são batizados todos os anos. Embora aplaudamos a farta colheita no campo, devemos ter consciência dos vastos milhões de habitantes das cidades que necessitam das três mensagens angélicas, assim como as pessoas da zona rural. Uma melhor compreensão de panta ta ethne deve guiar nossa estratégia missionária, a fim de que englobe todos os grupos de pessoas, não só determinados segmentos da população.

A expressão panta ta ethne também subentende que a grande comissão não se limita a missões estrangeiras. Sem dúvida, a missão em outras terras é um componente crucial no cumprimento da grande comissão. Quatro quintos dos não cristãos do mundo nunca serão alcançados, a menos que sejamos intencionais no envio de missionários transculturais. Mas a grande comissão não se restringe às missões em terras estrangeiras. Todos os cristãos devem ter um foco ta ethne além das próprias portas, na comunidade em que vivem.

Existem grupos de pessoas de todos os tipos perto de nós. Elas podem morar na casa ao lado, no fim da rua ou do outro lado da cidade. Todos têm uma parte a desempenhar na missão da igreja. Todo o povo de Deus deve se engajar na missão.

Ellen White escreveu: “Deus espera serviço pessoal da parte de todo aquele a quem confiou o conhecimento da verdade para este tempo. Nem todos podem ir a terras missionárias estrangeiras, mas todos podem ser missionários entre os familiares e vizinhos” (Testemunhos para a Igreja, v. 9, p. 30).

Conclusão

A história da Igreja Adventista nos últimos cinco anos é de crescimento incessante e voraz: de 14 milhões de membros em 2005, para 17 milhões em 2010, para 18,5 milhões em 2014. O progresso constante da denominação seria inimaginável para nossos pioneiros em 1863, quando a Associação Geral foi organizada com apenas 3.500 membros.

Contudo, a despeito dos sucessos, grandes porções da Terra continuam não alcançadas. A Janela 10/40 contém 60% da população mundial, mas apenas 10% do total de adventistas. Das quinhentas cidades do planeta com mais de 1 milhão de habitantes, 236 se encontram dentro da Janela 10/40. O que devemos fazer?

Alguns desses desafios podem parecer intransponíveis da perspectiva humana. Mas Deus pode; suas promessas são garantidas. A certeza de Ellen White era indubitável quando escreveu: “Quando pensamos no conflito diante de nós e na grande obra que devemos realizar, trememos. Mas precisamos nos lembrar de que nosso Ajudador é todo-poderoso. Podemos nos sentir fortes em sua força. Devemos unir nossa ignorância à sabedoria dele, nossa fragilidade a seu poder, nossa fraqueza a sua força infalível. Por meio dele, podemos ser ‘mais que vencedores’” (Review and Herald, 9 de julho de 1901).

Temos a confiança de crer que até mesmo os países e povos menos evangelizados logo verão o cumprimento da promessa de Deus dada por intermédio do profeta Habacuque: “A terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas enchem o mar” (Hb 2:14, NVI). Essa é nossa esperança. Esse é nosso sonho. Somente o Deus soberano pode realizá-lo com toda rapidez! [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]


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De todas as promessas de Jesus, a expressa em João 14:1-3 é a mais pessoal, consoladora e segura. “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver”.[i]

O que Jesus está dizendo aqui? Basicamente o seguinte: “Eu sei que vocês confiam em Deus; sei que também confiam em Mim. Mas quando pararem de me ver, deixarão de confiar? Continuo conduzindo-os até o destino final. Levem Minha Palavra a sério. Eu virei mais uma vez e nós ficaremos juntos”.

Um Senhor digno de confiança

Será que confiamos nas palavras de Jesus, mesmo quando Ele não está fisicamente conosco? Ou temos um pouco de Tomé dentro de nós? No relato da ressurreição de Jesus, Tomé buscou uma base mais racional para uma história tão extraordinária: “Eu estou bem, meu coração está bem, minha fé está bem, está tudo bem. Mas estou com um problema: a menos que eu sinta Suas feridas com minhas mãos, simplesmente não consigo crer”. Uma semana depois, Jesus lhe deu essa oportunidade. O Cristo ressurreto desafiou o discípulo duvidoso: “Toque-me e veja”. E foi isso que Tomé fez. Sentiu as feridas de Jesus e se rendeu: “Senhor meu e Deus meu” (João 20:28).

A resposta de Jesus tem relevância eterna para a jornada da fé: “Porque você me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram” (versículo 29). As palavras de Jesus são tão boas quanto Sua presença. Mesmo enquanto esperamos, Suas palavras “virei outra vez” falam com uma certeza que não admite nem dúvida, nem zombaria.

O evangelho de João relata um episódio emocionante no capítulo 4. Em Cafarnaum, o filho de um nobre estava doente. O oficial ouvira que Jesus estava novamente em Caná, onde havia realizado Seu primeiro milagre em um casamento.

Mas Jesus não se limita apenas a Caná. Ele é universal, uma pessoa para todas as pessoas. É o Salvador do mundo. Sua palavra ordena a vida. Por isso, o nobre de Cafarnaum se apressou para viajar cerca de 36 quilômetros na direção sudoeste até Caná, a fim de encontrar Jesus e lhe dizer que seu filho estava “à beira da morte” (João 4:47). “Vem até minha casa, Jesus”, ele suplicou. “Resgata meu filho das garras da morte. Tu podes curá-lo. Confio em Ti”.


Todo pensamento e toda atividade de nossa vida devem ser definidos por esse clímax da história humana que está prestes a acontecer


A resposta do Salvador é surpreendente: “Pode ir. O seu filho continuará vivo” (versículo 50). Jesus parece dizer: “Eu não preciso ir com você. Você tem Minha Palavra. Confie em Mim. Minha palavra é tão boa quanto Minha presença”.

O nobre confiou nas palavras de Jesus e só voltou para casa no dia seguinte. Quando finalmente chegou, “seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o menino estava vivo” (versículo 51). O homem descobriu que a cura havia ocorrido justamente no momento em que Jesus falara. A palavra de Cristo nunca falha — seja em Caná, Cafarnaum, Betesda, Jerusalém, San Antonio ou Londres — Sua palavra é tão boa quanto Sua presença.

E foi esse Jesus quem disse: “Voltarei” (João 14:3).

Suas promessas são dignas de confiança

Confiar em Jesus é se apoiar em algo real e concreto. “Na casa de meu Pai”, esse é o lar! Ele estava indo para casa e se ofereceu para partilhar esse lar com aqueles que depositam fé e confiança nEle. Seu retorno deve nos mover da fé e do acreditar a uma experiência real e concreta. Quando Ele voltar, não dirá “Toque-me e veja”, mas, sim, “Entre na alegria de Seu Senhor. Habite comigo na casa de Meu Pai. Essa é sua herança preparada desde a fundação do mundo” (cf. Mateus 25:21, 34). A promessa de viver na casa de Deus é tão real quanto a experiência de Tomé de tocar o lado ferido de Jesus.

Quando Cristo falou sobre uma casa no céu, não estava se referindo a sua beleza, amplidão ou caráter desejável. Ele falou sobre a casa de Seu Pai. Essa casa é diferente de todas as outras. Trata-se de um local construído pelo amor. É o lugar onde podemos ser as pessoas que Deus nos criou para ser, onde podemos voltar para o lar, tirar os sapatos e relaxar.

Essa é a casa que Jesus prometeu. Somos aceitos e amados ali; e pertencemos a esse lugar. Jesus diz: A casa de Meu Pai é a sua casa também. O seio eterno de Deus se torna nosso lugar de descanso eterno, onde podemos nos apoiar, celebrar nossa alegria duradoura e bradar em triunfo: “Nunca mais haverá separação entre Ele e nós”. Estamos no lar afinal!

Jesus usou imagens familiares de Sua época para ilustrar Seu retorno, a saber, viagens e um casamento. Quando as autoridades viajavam, as pessoas eram enviadas à frente para fazer todos os preparativos para o restante do grupo. Jesus faz isso por nós. Ele vai à frente a fim de preparar um lugar para podermos viajar até nossa casa. Enquanto aguardamos Seu retorno, ele pede que preparemos um lugar para Jesus no coração das pessoas ao nosso redor, a fim de que elas também possam fazer a viagem.

Em Israel, quando um jovem queria se casar, ele pedia aprovação a seu pai. Somente quando era construída uma extensão na casa, o pai concordava que o casamento prosseguisse e a noiva fosse levada para casa. Nosso Pai celeste quer que Jesus Cristo, Seu Filho, nos leve para o lar.

Como chegar lá?

Mas como chegaremos lá? A resposta é a mesma: confiança em Jesus. Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Ninguém chega até o Pai, ou a Sua casa, a não ser por meio dEle. Não importa quem somos — homens ou mulheres, negros ou brancos, jovens ou velhos, ricos ou pobres, saudáveis ou doentes. O que importa de fato é que vamos para a Casa do Pai por intermédio de Jesus e há lugar para todos ali.

Enquanto a Guerra do Vietnã assolava a região, um soldado voltou para casa. Assim que pousou nos Estados Unidos, ele ligou para os pais. Sua mãe atendeu o telefone e ficou muito feliz por ouvir a voz do filho. Empolgada, exclamou:

— Estou feliz porque você conseguiu, filho. Esse é o melhor presente de Natal que poderíamos receber! Venha logo. Seu quarto estará preparado.

A voz do outro lado da linha assumiu um tom hesitante, que mal passava de um sussurro:

— Mas mãe…

— Sim?

Mais uma vez, a voz se encheu de cautela:

— Trouxe um amigo comigo. Posso levá-lo para a festa de Natal?

— Claro que pode! Seu amigo é nosso amigo também.

O filho continuou a explicar:

— Mas mãe, esse meu amigo está muito ferido. O rosto se encontra totalmente desfigurado. Na guerra, ele perdeu um olho, um braço e as duas pernas. A aparência dele é esquisita. Não é algo belo de se ver e ele pode precisar de um pouco de ajuda.

O silêncio pairou do outro lado da linha. Depois daquilo que pareceu uma eternidade, a mãe finalmente disse:

— Filho, por que você não o deixa em um hotel e simplesmente vem para casa? Não há lugar para ele na festa.

O filho nunca chegou à celebração. A mãe foi sozinha para as festividades da véspera de Natal. Por volta das quatro da manhã, quando chegou em casa, o telefone tocou. Ela atendeu rapidamente e ouviu a voz de um policial:

— Senhora, encontramos o corpo de um veterano do Vietnã em um quarto de hotel; ao que tudo indica, suicidou-se. Ele tinha o rosto desfigurado; havia perdido um olho, um braço e as duas pernas. Pelos documentos, acreditamos ser seu filho.

A casa de nosso Pai é radicalmente diferente. A chegada ao lar que Jesus foi preparar será um acontecimento alegre. Ninguém notará as cicatrizes no rosto de uma pessoa, nem as deficiências no corpo de outra. O mortal se revestirá de imortalidade. O próprio Cristo será nossa perfeição e Ele nos conduzirá à casa de Seu Pai.

O que podemos fazer?

O que podemos fazer em antecipação a esse momento que logo chegará?

Somos desafiados a viver na expectativa da vinda de Jesus. Cada pensamento e atividade de nossa vida devem ser definidos por esse clímax iminente da história humana. É Jesus quem voltará como o Senhor da glória. O mesmo Jesus que venceu a batalha contra o pecado logo descerá nas nuvens do céu para nos levar para casa. É por isso que Paulo aconselha: “Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Colossenses 3:2). Nosso lar está no alto.

Com esse foco, somos chamados a conduzir a vida em vigilante expectativa e testemunho. O conselho apostólico é: “O fim de todas as coisas está próximo”. “Portanto, sejam criteriosos e estejam alertas; dediquem-se à oração” (1Pedro 4:7). A espera pelo lar do alto pode ser desacreditada como se fosse um sonho utópico, mas para aqueles que creem nas palavras de Jesus, o evento de Sua segunda vinda é tão histórico quanto o primeiro. Jesus voltará na história, no tempo e no espaço.

Tal acontecimento demanda confiança sem reservas nAquele que fez a promessa. “Confie em Mim”, podemos ouvi-lo dizer. “Eu voltarei para levar você à casa de Meu Pai”.

Viver com tal confiança é nosso desafio hoje. “Comportemo-nos com decência”, Paulo nos conclama, considerando a aproximação da aurora (Romanos 13:13). Podemos viver em meio à escuridão, mas, pelos olhos da fé, devemos manter em vista a aurora que se aproxima e viver de modo que não sejamos pegos desprevenidos. A segunda vinda deve nos deixar despertos e sóbrios (1Tessalonicenses 5:6) e precisa nos levar a um autoexame, a fim de fazermos a seguinte reflexão: “que tipo de pessoa é necessário que você seja? Viva de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda” (2Pedro 3:11, 12).

No fim das contas, é isso que importa. Enquanto esperamos, enquanto aguardamos, estamos vivendo de maneira responsável e amorosa, refletindo prontamente o caráter e a missão do Senhor que logo vem? O conselho de Ellen White é oportuno: “Vigiem pelo Senhor com mais fervor do que eles vigiam pela alvorada. Esperem no Senhor. Andem em Seus caminhos. Declarem Sua verdade. Ele muito se agrada quando Seus servos falam da fé… Ele trabalha por vocês e com vocês” (Carta 66, 1901, em Manuscript Releases, vol. 10, p. 388). [Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Janos Kovacs-Biro é natural da Hungria e atua como diretor da Associação Ministerial e dos departamentos de Evangelismo e Ministério Pessoal da Divisão Transeuropeia em Saint Albans, Inglaterra.

Mensagem apresentada na quinta-feira, 2 de julho de 2015, na 60ª assembleia da Associação Geral, em San Antonio, Texas (EUA)

[i] Todas as citações bíblicas foram extraídas da Nova Versão Internacional.

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