Prévia do Céu

Com apenas 10 anos de idade, ela visitou a assembleia na Holanda e se encantou com o evento que aumentou seu respeito pela igreja

Review-1995-Holanda-3

Créditos da imagem: Adventist Review

Dizem que a primeira impressão é a que fica. No caso da minha primeira visita a uma assembleia mundial da igreja, foi exatamente o que aconteceu: nunca apagarei da minha memória, ainda que juvenil (na época eu tinha 10 anos), a cena vívida de centenas de pessoas bem vestidas, caminhando para a entrada do pavilhão, com a Bíblia na mão, sob uma enorme faixa, que dizia: Welcome, Seventh-day Adventists! (“Bem-vindos, adventistas do sétimo dia!”).

Sempre me emociona relembrar: a sensação foi uma pálida prévia do que será ver as multidões dos salvos sendo recebidas com um “bem-vindos” de Cristo na Nova Jerusalém.

E é realmente uma sensação de prévia do Céu tudo o que ocorre numa convenção como essa. São dez dias de reuniões administrativas, é verdade, mas até para uma criança é muito esclarecedor ver a igreja em movimento organizacional, usando de bom senso representativo, respeito democrático e dependência de Deus, como acontece em todos os dias da sessão da Associação Geral.

Apesar de o auditório em que ocorreu a assembleia de Utrecht, na Holanda, ser limitado e todos os dias termos que lutar para achar lugar para sentar em família, nada nos tirou a alegria de estar lá! As músicas, as roupas, as línguas, tudo tão internacional e colorido! A emoção de saber quem são os novos oficiais no momento em que são escolhidos, o encontro com “celebridades” adventistas de todo o mundo e, é claro, os inúmeros brindes que você ganha nos estandes de ministérios e instituições, num universo à parte da assembleia e sem fim. Tudo é impressionante!

Para uma menina que cresceu amando a igreja de seus pais, viver dez dias intensos de adventismo internacional foi um privilégio. Depois dessa experiência, passei a ter mais respeito e carinho pelo movimento adventista mundial.

Hoje, 20 anos depois, louvo a Deus pela forma maravilhosa como ele tem dirigido essa igreja desde sua organização. Sei que ele a guiará pela fase mais escura da História, até vermos no Céu nosso Senhor Jesus, não com uma grande faixa de boas-vindas, mas com seus grandes braços abertos para nos levar para casa!

Marisa Ferreira é jornalista, designer gráfico e natural de Portugal. Depois de trabalhar na CPB, ela está se preparando para servir como missionária na Turquia

Assembleia vota documento que reafirma a confiança dos adventistas nos escritos de Ellen White

Documento foi votado pela assembleia mundial da igreja em San Antonio, Texas (EUA).

adventistas-votam-pequenas-alteracoes-de-redacao-nas-crencas-fundamentais

Alterações na redação das crenças fundamentais dos adventistas foram votadas no início da tarde desta terça-feira, 7 de julho. Foto: Leônidas Guedes

Há dez dias do centenário da morte de Ellen G. White, co-fundadora da Igreja Adventista, os 2.570 delegados que representam os 18,5 milhões de adventistas votaram um documento em que reafirmam a confiança da denominação nos escritos da mensageira do Senhor. A decisão foi tomada nesta tarde, dia 7, em San Antonio, no Texas (EUA).

Basicamente, a declaração trata de cinco pontos: (1) reconhecimento de que esse dom é um presente de Deus para seu povo; (2) alegria de ver esse material traduzido e divulgado ao redor do mundo; (3) convicção de que esses escritos foram divinamente inspirados e de que têm valor normativo para a igreja hoje; (4) compromisso de estudá-los e; (5) incentivo para que novas estratégias sejam elaboradas para ampliar o acesso a esse legado, dentro e fora da igreja.

Até o próximo sábado, dia 11, os delegados estarão envolvidos em outros debates e decisões administrativas, doutrinárias e de aplicação prática para a denominação. Leia a seguir a declaração na íntegra.

DECLARAÇÃO DE CONFIANÇA NOS ESCRITOS DE ELLEN G. WHITE

Nós, delegados da assembleia da Associação Geral de 2015 em San Antonio, Texas, expressamos profunda gratidão a Deus pela presença contínua dos diversos dons espirituais em meio a seu povo (1Co 12:4-11; Ef 4:11-14), sobretudo pela orientação profética que recebemos por meio da vida e do ministério de Ellen G. White (1827—1915).

No ano do centenário de sua morte, alegramo-nos porque seus escritos foram disponibilizados ao redor do planeta em muitos idiomas e em vários formatos impressos e eletrônicos.

Reafirmamos nossa convicção de que seus escritos são inspirados por Deus, verdadeiramente cristocêntricos e fundamentados na Bíblia. Em lugar de substituir as Escrituras, eles exaltam seu caráter normativo e corrigem interpretações imprecisas derivadas de tradições, da razão humana, de experiências pessoais e da cultura moderna.

Comprometemo-nos com o estudo dos escritos de Ellen G. White em atitude de oração e com o coração disposto a seguir os conselhos e as instruções ali encontrados. Seja em oração, em família, em pequenos grupos, em sala de aula ou na igreja, o estudo combinado da Bíblia e de seus escritos proporciona uma experiência transformadora e edificadora da fé.

Incentivamos o desenvolvimento continuado de estratégias tanto mundiais quanto locais para promover a circulação de seus escritos dentro e fora da igreja. O estudo de tais escritos consiste em um meio poderoso de fortalecimento e preparo do povo de Deus para a vinda gloriosa de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. [Reportagem: Wendel Lima, equipe RA / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Declaração reafirma a confiança na Bíblia como revelação infalível e universal da vontade de Deus

Documento votado nesta segunda, dia 6, ressalta a relevância da Bíblia para qualquer tempo e cultura

declaracao-Biblia-homeAlém de eleições e ajustes no Manual da Igreja e nas crenças fundamentais dos adventistas, os quase 2.600 delegados que se reúnem em San Antonio, Texas, desde o dia 2, votaram hoje à tarde um documento que reafirma a confiança da igreja na Bíblia como revelação de Deus.

Basicamente, a declaração trata de quatro pontos: (1) reconhecimento de que a Bíblia é a infalível expressão da vontade de Deus; (2) reafirmação de que as Escrituras oferecem orientação para os dilemas intelectuais e éticos da atualidade, como a tentativa de redefinição do casamento; (3) reconhecimento de que a Bíblia tem relevância para qualquer tempo e cultura; e (4) compromisso de estimular o estudo diário das Escrituras, especialmente entre os novos conversos e mais jovens.

Até o próximo sábado, dia 11, os delegados estarão envolvidos em outros debates e decisões administrativas, doutrinárias e de aplicação prática para a denominação. Leia a seguir a declaração na íntegra.

RESOLUÇÃO SOBRE A BÍBLIA SAGRADA

Nós, delegados da assembleia da Associação Geral em San Antonio, Texas, reafirmamos nosso compromisso com a autoridade da Bíblia como a revelação infalível de Deus e de sua vontade. Nela, Deus revelou seu plano para redimir o mundo mediante a encarnação, vida, morte, ressurreição, ascensão e mediação de Jesus Cristo. Por ser um registro fidedigno dos atos de Deus na história desde a criação até a nova criação, repleto de instruções doutrinárias e éticas, as Escrituras moldam a experiência intelectual e prática dos cristãos.

Reconhecemos que as Escrituras oferecem uma perspectiva divina para avaliar os desafios intelectuais e éticos do mundo contemporâneo. Considerando as redefinições atuais de instituições estabelecidas por Deus, como o casamento, por exemplo, o compromisso com a revelação escrita de Deus permanece mais necessário do que nunca. Somente a cosmovisão bíblica de um Deus amoroso que batalha para redimir a criação do pecado e do mal provê uma estrutura coerente para a compreensão da realidade e para a obediência à lei de Deus.

Reafirmamos que, em meio à desesperança e ao relativismo do mundo contemporâneo, a Bíblia apresenta uma mensagem de esperança e certeza que transcende tempo e cultura. As Escrituras dão a certeza de que, em Jesus, nossos pecados foram perdoados e a morte foi derrotada. As Escrituras também anunciam que ele logo voltará para dar fim ao pecado e recriar o mundo. Enquanto aguardamos a consumação de todas as coisas, a Bíblia nos chama a ter uma vida santa e a nos tornar arautos do evangelho eterno, aproveitando cada oportunidade e todos os recursos para anunciar as boas-novas por palavras e ações.

Considerando a importância das Escrituras, os benefícios de seu estudo para a igreja e os desafios impostos pelo mundo contemporâneo, os delegados da Associação Geral, em assembleia, apelam a todos os adventistas do sétimo dia que leiam e estudem a Bíblia todos os dias, em atitude de oração. Além disso, por causa dos desafios especiais enfrentados por novos conversos e jovens, insistimos para que cada cristão busque maneiras de compartilhar a Bíblia com esses grupos de maneira especial e promova a confiança deles na autoridade das Escrituras. Também apelamos aos pastores e pregadores que baseiem seus sermões no texto bíblico e transformem cada sermão em uma oportunidade para exaltar a autoridade e a relevância da Palavra de Deus.

Que mostremos a beleza, o amor e a graça de nosso Senhor Jesus Cristo revelada nas Escrituras. Que nossos pensamentos e ações estejam de acordo com a esperança bíblica do breve retorno de Jesus, nosso Senhor. [Wendel Lima, equipe RA]

A toda nação

Leia o relatório apresentado pelo secretário-executivo da igreja mundial, G.T. Ng, referente aos últimos cinco anos

slider-relatorio-GT-ng

A Igreja Adventista do Sétimo Dia começou com um punhado de cristãos milleritas tentando compreender o grande desapontamento de 1844, quando Jesus não voltou conforme esperavam. Esse grupo pequeno de membros fiéis se recusou a deixar de lado a fé. Eles sacudiram o desânimo e, resolutos, obedeceram à ordem bíblica de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11, NVI).

Das cinzas da história, levantou-se um movimento do tempo do fim. Ao longo das décadas seguintes, esse pequeno grupo de adventistas cresceu e se transformou em um movimento profético global com mais de 18 milhões de membros. Eles se encontram em 216 dos 237 países e regiões do mundo reconhecidos pela ONU. Operam em 148.023 congregações, 173 hospitais, 2.164 escolas de ensino médio e superior, 21 indústrias de alimentos, 15 centros de mídia e 63 editoras. De um grupo desorganizado a uma igreja global — essa transformação nada mais é do que um milagre!

Na primeira assembleia da Associação Geral em 1863, em Battle Creek, Michigan, compareceram 20 delegados representando seis associações locais. Na época, contávamos com 3.500 membros em 125 igrejas, 22 pastores ordenados e oito ministros licenciados. Em contraste, a sexagésima assembleia da Associação Geral, em 2015, conta com a presença de 2.571 delegados oficiais. Eles representam 18.479.257 adventistas do sétimo dia de todos os continentes. Vêm de 132 uniões com 633 postos missionários/missões/associações. Aquilo que Deus tem operado pelo “pequeno rebanho” cresceu exponencialmente em 152 anos!

Em 2010, o total de membros ao redor do mundo era de 16.923.239. Três anos depois, em 2013, o total de membros da Igreja Adventista quebrou um recorde, alcançando o marco de 18 milhões pela primeira vez na história. Em dezembro de 2014, havia 18.479.257 adventistas ao redor do planeta. Comparando com o total de membros em 2010, temos agora 1.556.018 membros a mais do que no início do quinquênio.

Esse número de membros não inclui crianças não batizadas, nem tantos outros que se consideram adventistas do sétimo dia. Em Papua Nova Guiné, por exemplo, o registro do total de membros é de cerca de 250 mil. Mas um censo governamental recente revelou que quase um milhão de pessoas se considera adventista do sétimo dia. Muitos dos que saem da igreja continuam a se considerar adventistas. Na Jamaica, os registros indicam a existência de 262 mil membros. O censo do governo, porém, revela 323 mil pessoas que afirmam ser adventistas do sétimo dia. Em Chiapas, México, a situação é semelhante.

Historicamente, o ano de 1955 foi significativo porque foi a primeira vez que a denominação alcançou o total de um milhão de membros. Foram necessários 92 anos para sair de 3.500 membros em 1863 e alcançar um milhão em 1955. A marca de dois milhões de membros ocorreu dentro de 15 anos; três milhões, depois de oito anos; quatro milhões, após cinco anos; e cinco milhões, depois de três anos. A partir de então, levou cerca de dois anos para alcançar cada milhão adicional de membros. Louvado seja Deus!

Esse notável crescimento da igreja é especialmente significativo ao se levar em conta o declínio prevalente do total de membros entre as denominações protestantes tradicionais. De acordo com um relatório recente do periódico Christianity Today [Cristianismo Hoje], a Igreja Adventista é hoje a “quinta maior comunhão cristã do mundo, depois do catolicismo, o catolicismo ortodoxo oriental, o anglicanismo e as assembleias de Deus” (Christianity Today, 22 de fevereiro de 2015).

Muitos historiadores da igreja observaram que, ao longo dos últimos 50 anos, o centro do cristianismo mudou da América do Norte e Europa (norte do globo), para a África, Ásia e América Latina (sul do globo). O centro cristão na Europa está encolhendo, ao passo que, na África, Ásia e América Latina, ele se expande com velocidade surpreendente. O norte do globo é formado por continentes industrializados, que tradicionalmente enviavam missionários, ao passo que o sul do globo é reconhecido como campo missionário.

Esse deslocamento significativo do número de membros do norte para o sul efetuou uma mudança fundamental no cenário da Igreja Adventista do Sétimo Dia também. Em 1960, a igreja contava com 675 mil membros no sul do globo (54% do total mundial de membros). Meio século depois, o número de membros nessa região alcançou 16,9 milhões, 91,43% do total mundial. O norte do globo, em contrapartida, tinha 570 mil membros em 1960 e, em 2014, contava com quase 1,6 milhão, ou seja, 8,5% do total de membros ao redor do mundo.

Batismos

Essa redistribuição dramática dos membros do norte para o sul do globo também se reflete nas estatísticas batismais. Em 1960, os batismos no norte do globo representavam 31% do total e, no sul, 69% do total mundial, respectivamente. Em 2014, 97% dos batismos mundiais vêm do sul do globo e 3% do norte, uma mudança épica que aponta, por um lado, para o crescimento extraordinário da igreja e, por outro, para seu declínio.

As estatísticas do Departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa indicam que, em 2014, 1.167.796 pessoas entraram para a comunidade mundial da fé adventista, contra 1.901.22 em 2013 e 1.050.785 em 2010. Qual é o significado de mais de um milhão de pessoas passarem a pertencer à igreja em um ano? Significa que 3.199 novos membros entram para a igreja todos os dias, ou 133 por hora e 2,2 por minuto.

Em 2004, foi a primeira vez na história da Igreja Adventista que mais de um milhão de pessoas foi batizado em um ano. A empolgação tem continuado ao longo dos anos; 2014 foi o décimo ano consecutivo em que mais de um milhão de pessoas entrou para a igreja. Somente neste quinquênio, 6.618.689 pessoas se uniram à comunidade da fé adventista ao redor do globo pelo batismo e profissão de fé.

Igrejas

O plantio de igrejas é uma prioridade na iniciativa missionária da igreja. Os últimos números mostram que contávamos com 78.810 igrejas e 69.213 grupos em 2014. Em comparação com 2013, 2.446 novas igrejas abriram as portas para os adoradores em um ano, ou seja, 6,7 igrejas por dia. A cada 3,58 horas, uma nova igreja é plantada. O recorde anterior foi alcançado em 2002, com o plantio de 2.416 novas igrejas. O ano de 2014 entra para a história como o melhor de todos no plantio de igrejas.

grafico - relatorio GT Ng

Quadro mostra o número de membros e de batismos registrados pela igreja entre 2010-2015. Fonte: Adventist Review

O ano passado foi excepcional nesses 152 anos de história da igreja. Foi o ano com o maior número de batismo e o maior número de igrejas plantadas. Também foi o décimo segundo ano consecutivo em que mais de 2 mil novas igrejas foram organizadas dentro do período de um ano. De modo geral, as 148.023 igrejas e grupos que a igreja tinha em 2014 representam um aumento de 12.678 sobre o total de cinco anos atrás. É notável constatar que, em média, foram acrescentadas 2.536 novas igrejas e grupos por ano desde 2010.

Crescimento

A taxa média de crescimento em 2014 foi de 1,85% ao redor do mundo. Em 2006, a taxa de crescimento foi de quase 5%, transformando-o em um dos melhores anos em termos de crescimento de membros. Com um índice anual de crescimento de 1,85%, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é considerada uma das denominações que cresce com maior rapidez no mundo. No entanto, a contemplação desse quadro de crescimento não seria completa sem relembrar os percalços. Nos cinco anos entre 2010 e 2014, 6.212.919 pessoas entraram para a igreja. Durante o mesmo período, 3.7171.683 membros saíram. Além daqueles membros que morreram, a taxa líquida de perda no quinquênio é de 60 a cada 100 conversos.

Essa porcentagem terrivelmente alta é resultado, em parte, de auditorias das secretarias das congregações, processo que identifica e remove do rol de membros pessoas que saíram da igreja ao longo dos anos. Contudo, mesmo olhando para os últimos 15 anos, anteriores à rodada recente de auditorias completas, as perdas equivalentes eram de 48%. Quer essas perdas correspondam a membros que deixaram a igreja neste quinquênio, quer se refiram aos adventistas cujas ausências só foram reconhecidas agora, são números trágicos que a igreja não pode aceitar.

Os processos de auditoria de membros começaram no quinquênio passado e ganharam velocidade neste quinquênio. As auditorias têm confirmado que a honestidade continua a ser a melhor política. Um rol de membros superior à realidade não é mais aceitável nas estatísticas mundiais. Olhando o lado positivo, a Holanda teve a alegria de descobrir, durante uma auditoria recente, que contava com mais membros na igreja do que se imaginava.

Desafios missionários

Nós nos orgulhamos por sermos a igreja mais internacional do mundo, estabelecida em 91% dos países e regiões reconhecidos pela ONU. Parabenizamo-nos por sermos fiéis à ordem profética de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11). Temos obtido relativo êxito em colocar em prática a grande comissão de fazer “discípulos de todas as nações” (Mt 28:19 e Lc 24:47).

Quando pensamos em “nações”, muitos se lembram de países como Mali, Egito ou Brasil. Todavia, as palavras no grego são panta ta ethne, que vão além de entidades geopolíticas. Elas apontam, na realidade, para os grupos etnolinguísticos dentro de cada nação. Jesus não estava dizendo que o evangelho deve ser proclamado dentro das fronteiras de todos os países politicamente definidos, mas, sim, em cada grupo cultural dentro desses países. A ordem de Jesus não era meramente a missão de entrar no máximo possível de países, ou de alcançar tantas pessoas quanto possível, mas, sim, de alcançar todos os povos do planeta.

Levando em conta o conceito da iluminação de panta ta ethne, podemos deduzir que o cumprimento da grande comissão não se mede pelo número de países nos quais entramos, por mais importante que isso seja, mas, sim, pelo fato de discipularmos todos os grupos de pessoas e estabelecermos congregações em todas as nações.

O Quênia é um caso em questão. Ele sempre foi o centro de nosso trabalho no leste da África. O país conta com um total gigantesco de membros: mais de 824 mil em duas uniões. A maioria dos membros provém de apenas quatro tribos, ao passo que há um total de 42 tribos no país. Estima-se que 70% dos adventistas do sétimo dia do Quênia pertençam a duas tribos, Kisii e Luo, e somente 25% façam parte das quatro tribos principais (Kikuyu, Luhya, Kalenjim e Kamba). Essa situação mostra claramente que as maiores tribos do Quênia são as menos alcançadas, apesar do imenso número de membros e das quase 10 mil igrejas e grupos.

Outro exemplo é a disparidade entre a missão rural e urbana. Muitos países desfrutam crescimento fenomenal em ilhas e vilas. Dezenas de milhares são batizados todos os anos. Embora aplaudamos a farta colheita no campo, devemos ter consciência dos vastos milhões de habitantes das cidades que necessitam das três mensagens angélicas, assim como as pessoas da zona rural. Uma melhor compreensão de panta ta ethne deve guiar nossa estratégia missionária, a fim de que englobe todos os grupos de pessoas, não só determinados segmentos da população.

A expressão panta ta ethne também subentende que a grande comissão não se limita a missões estrangeiras. Sem dúvida, a missão em outras terras é um componente crucial no cumprimento da grande comissão. Quatro quintos dos não cristãos do mundo nunca serão alcançados, a menos que sejamos intencionais no envio de missionários transculturais. Mas a grande comissão não se restringe às missões em terras estrangeiras. Todos os cristãos devem ter um foco ta ethne além das próprias portas, na comunidade em que vivem.

Existem grupos de pessoas de todos os tipos perto de nós. Elas podem morar na casa ao lado, no fim da rua ou do outro lado da cidade. Todos têm uma parte a desempenhar na missão da igreja. Todo o povo de Deus deve se engajar na missão.

Ellen White escreveu: “Deus espera serviço pessoal da parte de todo aquele a quem confiou o conhecimento da verdade para este tempo. Nem todos podem ir a terras missionárias estrangeiras, mas todos podem ser missionários entre os familiares e vizinhos” (Testemunhos para a Igreja, v. 9, p. 30).

Conclusão

A história da Igreja Adventista nos últimos cinco anos é de crescimento incessante e voraz: de 14 milhões de membros em 2005, para 17 milhões em 2010, para 18,5 milhões em 2014. O progresso constante da denominação seria inimaginável para nossos pioneiros em 1863, quando a Associação Geral foi organizada com apenas 3.500 membros.

Contudo, a despeito dos sucessos, grandes porções da Terra continuam não alcançadas. A Janela 10/40 contém 60% da população mundial, mas apenas 10% do total de adventistas. Das quinhentas cidades do planeta com mais de 1 milhão de habitantes, 236 se encontram dentro da Janela 10/40. O que devemos fazer?

Alguns desses desafios podem parecer intransponíveis da perspectiva humana. Mas Deus pode; suas promessas são garantidas. A certeza de Ellen White era indubitável quando escreveu: “Quando pensamos no conflito diante de nós e na grande obra que devemos realizar, trememos. Mas precisamos nos lembrar de que nosso Ajudador é todo-poderoso. Podemos nos sentir fortes em sua força. Devemos unir nossa ignorância à sabedoria dele, nossa fragilidade a seu poder, nossa fraqueza a sua força infalível. Por meio dele, podemos ser ‘mais que vencedores’” (Review and Herald, 9 de julho de 1901).

Temos a confiança de crer que até mesmo os países e povos menos evangelizados logo verão o cumprimento da promessa de Deus dada por intermédio do profeta Habacuque: “A terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas enchem o mar” (Hb 2:14, NVI). Essa é nossa esperança. Esse é nosso sonho. Somente o Deus soberano pode realizá-lo com toda rapidez! [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]


LEIA TAMBÉM

Missão incompleta

Igreja Adventista já é a quinta maior congregação cristã do mundo 

A igreja diante do espelho

O glorioso clímax da história: a promessa do retorno de Cristo

Todo pensamento e toda atividade de nossa vida devem ser definidos por esse clímax da história humana que está prestes a acontecer

imagem-devocional-02.07-creditos-Adventist-Review

De todas as promessas de Jesus, a expressa em João 14:1-3 é a mais pessoal, consoladora e segura. “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver”.[i]

O que Jesus está dizendo aqui? Basicamente o seguinte: “Eu sei que vocês confiam em Deus; sei que também confiam em Mim. Mas quando pararem de me ver, deixarão de confiar? Continuo conduzindo-os até o destino final. Levem Minha Palavra a sério. Eu virei mais uma vez e nós ficaremos juntos”.

Um Senhor digno de confiança

Será que confiamos nas palavras de Jesus, mesmo quando Ele não está fisicamente conosco? Ou temos um pouco de Tomé dentro de nós? No relato da ressurreição de Jesus, Tomé buscou uma base mais racional para uma história tão extraordinária: “Eu estou bem, meu coração está bem, minha fé está bem, está tudo bem. Mas estou com um problema: a menos que eu sinta Suas feridas com minhas mãos, simplesmente não consigo crer”. Uma semana depois, Jesus lhe deu essa oportunidade. O Cristo ressurreto desafiou o discípulo duvidoso: “Toque-me e veja”. E foi isso que Tomé fez. Sentiu as feridas de Jesus e se rendeu: “Senhor meu e Deus meu” (João 20:28).

A resposta de Jesus tem relevância eterna para a jornada da fé: “Porque você me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram” (versículo 29). As palavras de Jesus são tão boas quanto Sua presença. Mesmo enquanto esperamos, Suas palavras “virei outra vez” falam com uma certeza que não admite nem dúvida, nem zombaria.

O evangelho de João relata um episódio emocionante no capítulo 4. Em Cafarnaum, o filho de um nobre estava doente. O oficial ouvira que Jesus estava novamente em Caná, onde havia realizado Seu primeiro milagre em um casamento.

Mas Jesus não se limita apenas a Caná. Ele é universal, uma pessoa para todas as pessoas. É o Salvador do mundo. Sua palavra ordena a vida. Por isso, o nobre de Cafarnaum se apressou para viajar cerca de 36 quilômetros na direção sudoeste até Caná, a fim de encontrar Jesus e lhe dizer que seu filho estava “à beira da morte” (João 4:47). “Vem até minha casa, Jesus”, ele suplicou. “Resgata meu filho das garras da morte. Tu podes curá-lo. Confio em Ti”.


Todo pensamento e toda atividade de nossa vida devem ser definidos por esse clímax da história humana que está prestes a acontecer


A resposta do Salvador é surpreendente: “Pode ir. O seu filho continuará vivo” (versículo 50). Jesus parece dizer: “Eu não preciso ir com você. Você tem Minha Palavra. Confie em Mim. Minha palavra é tão boa quanto Minha presença”.

O nobre confiou nas palavras de Jesus e só voltou para casa no dia seguinte. Quando finalmente chegou, “seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o menino estava vivo” (versículo 51). O homem descobriu que a cura havia ocorrido justamente no momento em que Jesus falara. A palavra de Cristo nunca falha — seja em Caná, Cafarnaum, Betesda, Jerusalém, San Antonio ou Londres — Sua palavra é tão boa quanto Sua presença.

E foi esse Jesus quem disse: “Voltarei” (João 14:3).

Suas promessas são dignas de confiança

Confiar em Jesus é se apoiar em algo real e concreto. “Na casa de meu Pai”, esse é o lar! Ele estava indo para casa e se ofereceu para partilhar esse lar com aqueles que depositam fé e confiança nEle. Seu retorno deve nos mover da fé e do acreditar a uma experiência real e concreta. Quando Ele voltar, não dirá “Toque-me e veja”, mas, sim, “Entre na alegria de Seu Senhor. Habite comigo na casa de Meu Pai. Essa é sua herança preparada desde a fundação do mundo” (cf. Mateus 25:21, 34). A promessa de viver na casa de Deus é tão real quanto a experiência de Tomé de tocar o lado ferido de Jesus.

Quando Cristo falou sobre uma casa no céu, não estava se referindo a sua beleza, amplidão ou caráter desejável. Ele falou sobre a casa de Seu Pai. Essa casa é diferente de todas as outras. Trata-se de um local construído pelo amor. É o lugar onde podemos ser as pessoas que Deus nos criou para ser, onde podemos voltar para o lar, tirar os sapatos e relaxar.

Essa é a casa que Jesus prometeu. Somos aceitos e amados ali; e pertencemos a esse lugar. Jesus diz: A casa de Meu Pai é a sua casa também. O seio eterno de Deus se torna nosso lugar de descanso eterno, onde podemos nos apoiar, celebrar nossa alegria duradoura e bradar em triunfo: “Nunca mais haverá separação entre Ele e nós”. Estamos no lar afinal!

Jesus usou imagens familiares de Sua época para ilustrar Seu retorno, a saber, viagens e um casamento. Quando as autoridades viajavam, as pessoas eram enviadas à frente para fazer todos os preparativos para o restante do grupo. Jesus faz isso por nós. Ele vai à frente a fim de preparar um lugar para podermos viajar até nossa casa. Enquanto aguardamos Seu retorno, ele pede que preparemos um lugar para Jesus no coração das pessoas ao nosso redor, a fim de que elas também possam fazer a viagem.

Em Israel, quando um jovem queria se casar, ele pedia aprovação a seu pai. Somente quando era construída uma extensão na casa, o pai concordava que o casamento prosseguisse e a noiva fosse levada para casa. Nosso Pai celeste quer que Jesus Cristo, Seu Filho, nos leve para o lar.

Como chegar lá?

Mas como chegaremos lá? A resposta é a mesma: confiança em Jesus. Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Ninguém chega até o Pai, ou a Sua casa, a não ser por meio dEle. Não importa quem somos — homens ou mulheres, negros ou brancos, jovens ou velhos, ricos ou pobres, saudáveis ou doentes. O que importa de fato é que vamos para a Casa do Pai por intermédio de Jesus e há lugar para todos ali.

Enquanto a Guerra do Vietnã assolava a região, um soldado voltou para casa. Assim que pousou nos Estados Unidos, ele ligou para os pais. Sua mãe atendeu o telefone e ficou muito feliz por ouvir a voz do filho. Empolgada, exclamou:

— Estou feliz porque você conseguiu, filho. Esse é o melhor presente de Natal que poderíamos receber! Venha logo. Seu quarto estará preparado.

A voz do outro lado da linha assumiu um tom hesitante, que mal passava de um sussurro:

— Mas mãe…

— Sim?

Mais uma vez, a voz se encheu de cautela:

— Trouxe um amigo comigo. Posso levá-lo para a festa de Natal?

— Claro que pode! Seu amigo é nosso amigo também.

O filho continuou a explicar:

— Mas mãe, esse meu amigo está muito ferido. O rosto se encontra totalmente desfigurado. Na guerra, ele perdeu um olho, um braço e as duas pernas. A aparência dele é esquisita. Não é algo belo de se ver e ele pode precisar de um pouco de ajuda.

O silêncio pairou do outro lado da linha. Depois daquilo que pareceu uma eternidade, a mãe finalmente disse:

— Filho, por que você não o deixa em um hotel e simplesmente vem para casa? Não há lugar para ele na festa.

O filho nunca chegou à celebração. A mãe foi sozinha para as festividades da véspera de Natal. Por volta das quatro da manhã, quando chegou em casa, o telefone tocou. Ela atendeu rapidamente e ouviu a voz de um policial:

— Senhora, encontramos o corpo de um veterano do Vietnã em um quarto de hotel; ao que tudo indica, suicidou-se. Ele tinha o rosto desfigurado; havia perdido um olho, um braço e as duas pernas. Pelos documentos, acreditamos ser seu filho.

A casa de nosso Pai é radicalmente diferente. A chegada ao lar que Jesus foi preparar será um acontecimento alegre. Ninguém notará as cicatrizes no rosto de uma pessoa, nem as deficiências no corpo de outra. O mortal se revestirá de imortalidade. O próprio Cristo será nossa perfeição e Ele nos conduzirá à casa de Seu Pai.

O que podemos fazer?

O que podemos fazer em antecipação a esse momento que logo chegará?

Somos desafiados a viver na expectativa da vinda de Jesus. Cada pensamento e atividade de nossa vida devem ser definidos por esse clímax iminente da história humana. É Jesus quem voltará como o Senhor da glória. O mesmo Jesus que venceu a batalha contra o pecado logo descerá nas nuvens do céu para nos levar para casa. É por isso que Paulo aconselha: “Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Colossenses 3:2). Nosso lar está no alto.

Com esse foco, somos chamados a conduzir a vida em vigilante expectativa e testemunho. O conselho apostólico é: “O fim de todas as coisas está próximo”. “Portanto, sejam criteriosos e estejam alertas; dediquem-se à oração” (1Pedro 4:7). A espera pelo lar do alto pode ser desacreditada como se fosse um sonho utópico, mas para aqueles que creem nas palavras de Jesus, o evento de Sua segunda vinda é tão histórico quanto o primeiro. Jesus voltará na história, no tempo e no espaço.

Tal acontecimento demanda confiança sem reservas nAquele que fez a promessa. “Confie em Mim”, podemos ouvi-lo dizer. “Eu voltarei para levar você à casa de Meu Pai”.

Viver com tal confiança é nosso desafio hoje. “Comportemo-nos com decência”, Paulo nos conclama, considerando a aproximação da aurora (Romanos 13:13). Podemos viver em meio à escuridão, mas, pelos olhos da fé, devemos manter em vista a aurora que se aproxima e viver de modo que não sejamos pegos desprevenidos. A segunda vinda deve nos deixar despertos e sóbrios (1Tessalonicenses 5:6) e precisa nos levar a um autoexame, a fim de fazermos a seguinte reflexão: “que tipo de pessoa é necessário que você seja? Viva de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda” (2Pedro 3:11, 12).

No fim das contas, é isso que importa. Enquanto esperamos, enquanto aguardamos, estamos vivendo de maneira responsável e amorosa, refletindo prontamente o caráter e a missão do Senhor que logo vem? O conselho de Ellen White é oportuno: “Vigiem pelo Senhor com mais fervor do que eles vigiam pela alvorada. Esperem no Senhor. Andem em Seus caminhos. Declarem Sua verdade. Ele muito se agrada quando Seus servos falam da fé… Ele trabalha por vocês e com vocês” (Carta 66, 1901, em Manuscript Releases, vol. 10, p. 388). [Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Janos Kovacs-Biro é natural da Hungria e atua como diretor da Associação Ministerial e dos departamentos de Evangelismo e Ministério Pessoal da Divisão Transeuropeia em Saint Albans, Inglaterra.

Mensagem apresentada na quinta-feira, 2 de julho de 2015, na 60ª assembleia da Associação Geral, em San Antonio, Texas (EUA)

[i] Todas as citações bíblicas foram extraídas da Nova Versão Internacional.

ASSISTA TAMBÉM AO VÍDEO DA PREGAÇÃO