Um lar para quem está longe de casa

Igrejas étnicas querem alcançar 1 milhão de pessoas que falam português e vivem na América do Norte

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Denison Moura é pastor em Nova York e foi recentemente eleito coordenador das igrejas adventistas de fala portuguesa da América do Norte. Foto: arquivo pessoal

Apesar de se concentrar basicamente em dois grandes países, Estados Unidos e Canadá, a Igreja Adventista na América do Norte tem muita diversidade cultural. Por isso, há alguns anos, um ministério multiétnico foi oficializado pela sede da denominação, tendo as igrejas de fala portuguesa como uma das áreas de atuação.

A iniciativa tem justificativa: estima-se que mais de 1 milhão de pessoas falam português por aqui. No contexto adventista, são 5.139 membros em 51 congregações distribuídas por 16 regiões administrativas (associações). Atendidas por 30 pastores, essas igrejas levaram 1.866 pessoas ao batismo nos últimos cinco anos.

Esses números representam um desafio que exige intenso esforço e dependência do poder do Espírito Santo. Da década de 1970 até o início dos anos 2000, as igrejas de língua portuguesa registraram um amplo crescimento. A imigração para os Estados Unidos favoreceu o acolhimento desses migrantes que se uniram no propósito de partilhar a fé com seus compatriotas. Porém, nos anos 2007 a 2009, a crise financeira americana e o rigor das leis de imigração atingiram fortemente a comunidade de língua portuguesa, fazendo com que muitos retornassem para sua terra natal. As igrejas de migrantes perderam de 30 a 50% dos membros e o crescimento só voltou a ser retomado em 2013.

O evangelismo é a mola propulsora do avanço desse ministério, e as formas convencionais e inovadoras de evangelização devem continuar convivendo por aqui. Nessa tendência, o modelo de discipulado e a proposta de pequenos grupos ganham espaço, e localizar pessoas que falam português, sejam concentradas em comunidades ou vivendo isoladamente delas, passa a ser prioridade. Para tanto, o contato pessoal e o uso da mídia são recursos eficazes.

Imersos numa comunidade secular e influenciados pelo pós-modernismo, os imigrantes tendem a ter uma postura diferente em relação à religião do que teriam em seu país de origem. Logo, é preciso mostrar a relevância da fé nesse novo contexto, o que, via de regra, se traduz em fortes vínculos comunitários.

Um desafio que tem se tornado mais forte neste tempo é a integração das novas gerações no ambiente das igrejas de língua portuguesa. Isso envolve eficácia na comunicação em dois idiomas, inglês e português, e o uso de tecnologia e de uma linguagem cultural que faça sentido aos jovens, adolescentes e crianças.

Entendemos que não existe um único modelo que atenda todas as necessidades, mas o objetivo é encontrar todos os caminhos possíveis para que as próximas gerações estejam integradas e envolvidas no ambiente da igreja e no cumprimento da missão. Para tanto, temos organizado cultos específicos para essa audiência, além de pequenos grupos de relacionamento, atividades sociais e comunitárias. Porém, por vivermos numa sociedade em constante transformação, estamos atentos ao que tem efeito no coração das pessoas.

Oferecer suporte para essas igrejas por meio de materiais para o trabalho missionário também é um dos desafios do nosso ministério. Muito do que utilizamos aqui vem da igreja sul-americana, mas temos buscado produzir materiais que retratem melhor nossa realidade. O site, que está sendo reformulado, visa a favorecer o acesso e a distribuição desses recursos.

Os desafios se transformam e o empenho se intensifica. Priorizando o crescimento espiritual e o comprometimento com Jesus e sua missão, acreditamos que seremos movidos ao cumprimento do nosso papel como discípulos de Cristo, dia após dia, até o tempo em que ouviremos dele: “Bem está servo bom e fiel (…) entra no gozo do teu Senhor” (Mt 25:23).

Denison Moura é pastor em Nova York e foi recentemente eleito coordenador das igrejas adventistas de fala portuguesa da América do Norte