Ciclone devastador

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Brasileiros que participavam de uma conferência bíblica em universidade adventista africana contam como foi estar no “olho do furacão” durante a passagem do Idai por Moçambique
Márcio Tonetti
Devido aos estragos provocados pelo vendaval, a conferência bíblica que acontecia na Universidade Adventista de Moçambique teve que ser cancelada. Foto: Wagner Kuhn

Beira, a segunda maior cidade moçambicana, foi uma das mais devastadas pelo ciclone que provocou pelo menos 140 mortes, deixou centenas de desaparecidos e afetou cerca de 1,5 milhão de habitantes em três países do sul da África (Moçambique, Zimbábue e Malawi) na semana passada.

A passagem do Idai pela cidade portuária colocou a Universidade Adventista de Moçambique (UAM) na rota do furacão. Segundo o pastor Heraldo Lopes, brasileiro que preside a instituição no país de fala portuguesa, os ventos que atingiram até 165 km/h causaram grande destruição no campus, destelhando completamente alguns prédios.

Por isso, a Conferência Bíblica e de Missão que acontecia na universidade teve que ser cancelada e o grupo de palestrantes, deslocado para um hotel por razões de segurança. O ciclone isolou milhares de pessoas e interrompeu a comunicação de um grupo de brasileiros que haviam sido convidados para falar no evento, deixando familiares sem notícias do outro lado do Atlântico.

Pouco antes de perder o contato com a família, o pastor Alberto Timm informou ao filho, William, que precisou se proteger em um banheiro pelo fato de grande parte das instalações do hotel em que estava hospedado ter sido destruída. Foram dias de tensão e correntes de oração ao redor do mundo.

“Hoje, finalmente recebemos uma nova mensagem dele. Está bem e retornará amanhã para os Estados Unidos”, disse William à Revista Adventista no fim da tarde deste domingo.

O professor da Universidade Andrews (EUA), Wagner Kuhn, outro integrante do grupo, descreveu o dia 14 de março como um dos mais aterrorizantes da sua vida. “Parecia que um Boeing 747 estava caindo sobre o prédio do hotel. O pior foi ter que passar por essa experiência quase todo o tempo em total escuridão, estando completamente vulnerável aos poderosos e devastadores elementos da natureza”, ele escreveu na manhã deste domingo, enquanto pegava um voo de Tete, em Moçambique, para Johanesburgo, na África do Sul. “É impossível descrever os pensamentos, sentimentos e emoções que passam pela nossa mente quando a destruição está acontecendo ao nosso redor, quase ao ponto de nos atingir”, ele acrescentou.

Reconstrução

Da mesma forma que em outras regiões afetadas pelo ciclone tropical Idai, será grande a necessidade de recursos para a reconstrução da Universidade Adventista de Moçambique. A instituição já havia sido escolhida pela igreja mundial para ser uma das beneficiárias das ofertas missionárias do primeiro trimestre. No entanto, os recursos que seriam destinados para a expansão da faculdade de Nutrição talvez agora tenham que ser redirecionados para atender outras necessidades mais urgentes. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações de Andrew McChesney]

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Última atualização em 27 de março de 2019 por Márcio Tonetti.