Iluminando o caminho para a salvação

Relatório apresentado por Raafat Kamal, presidente reeleito da Divisão Transeuropeia, no dia 9, ressalta crescimento das escolas e investimento no evangelismo na web e através de ações de saúde

relatório da Divisão Transeuropeia- foto 1

“Louvem ao Senhor, invoquem o seu nome; anunciem entre as nações os seus feitos, e façam-nas saber que o seu nome é exaltado” (Is 12:4, NVI).

A Divisão Transeuropeia (Trans-European Division — TED) agradece a Deus por sua condução em nossa missão às cidades, vilas, vizinhos, amigos e famílias ao longo dos últimos cinco anos.

Embora seja a menor Divisão da igreja em número de membros, nossa Divisão conta com uma rica diversidade cultural e linguística, sendo formada por 22 países. No início do quinquênio, a redistribuição do território resultou na transferência de 38% de nossas instituições, 40% de nossos alunos e 32.736 membros para a União Norte-Africana Oriente Médio e outras Divisões.

Evangelismo e cuidado

Seguindo a ordem de Jesus de “ir e fazer discípulos”, os membros de nossas 1.162 igrejas e de nossos 176 grupos, juntamente com seus 529 pastores e líderes, compartilham ativamente o amor de Deus com suas comunidades. Temos experimentado as bênçãos de Deus de diversas formas, não só em crescimento numérico: nossos 6,6% de crescimento geral são um reflexo do ganho percentual de 16,97% de batismos e profissões de fé.

Cuidar dos que estão dentro é tão importante quanto alcançar os de fora. Nesse sentido, o projeto “Pegadas” de discipulado infantil é um modelo bíblico que dá forte apoio ao éthos familiar, incentivando os pais a discipularem seus filhos de maneira eficaz. Ele é complementado pelo programa “Messy Church” [Igreja bagunçada], extremamente popular no contexto europeu.

Esse programa de artes, cânticos e histórias bíblicas, seguido por uma refeição para socialização, costuma acontecer no sábado à tarde e oferece às famílias da comunidade local a oportunidade de conhecer famílias da igreja. Ele tem se mostrado uma ferramenta de evangelismo e construção de pontes em muitas igrejas. O entusiasmo em torno desse programa é contagiante e muitas outras igrejas estão se preparando para se envolver nele.

Educação

A educação é importante tanto para o crescimento pessoal quanto para o evangelismo e, neste quinquênio, a Divisão investiu quase 2 milhões de dólares (além de outras verbas) em patrocínios e bolsas de estudo. Em um dos países, nossa instituição educacional descobriu um nicho no mercado ao acrescentar uma matéria sobre conhecimento bíblico e valores cristãos, que levou ao impressionante aumento de 8% nas matrículas.

As escolas da Divisão relataram 912 batismos entre 2009 e 2013. Embora toda a glória seja dada a Deus pela colheita desses jovens, também reconhecemos nossa dívida de gratidão aos nossos 808 professores, que inspiram seus alunos em nossos colégios. As instituições adventistas estão despertando o interesse e as aspirações espirituais de nossos estudantes, mostrando-lhes realidades eternas. A Divisão conta com 5.314 estudantes matriculados em 68 escolas.

A faculdade da Divisão, Newbold College of Higher Education [Colégio Newbold de Educação Superior] aumentou em 33% o número de alunos este ano, após uma recessão desafiadora. Por meio de seu novo Centro de Liderança Cristã, o Newbold oferece cursos de curta duração que capacitam membros e pastores a atualizar ou adquirir habilidades em missão, evangelismo, ministério e liderança espiritual. Os jovens podem cursar um ano pré ou pós-universitário no Newbold. Nesse período, aprendem mais sobre si mesmos, o propósito da vida, como partilhar a fé e se envolver em atividades e viagens missionárias, além de um projeto de evangelismo. O diploma em Saúde e Bem-Estar (equivalente ao tecnólogo em saúde da Universidade Andrews) capacita pessoas com interesse em alimentação, nutrição, bem-estar e preparo físico para servir dentro da igreja local e na comunidade mais ampla.

Reuniões de foco estratégico proporcionam um encontro entre líderes da Divisão e da igreja mundial. Crédito: TED

Reuniões de foco estratégico proporcionam um encontro entre líderes da Divisão e da igreja mundial. Crédito: TED

Adolescentes e jovens

Dentro da Divisão, o programa CORE, Igreja de Refúgio, é um projeto contínuo voltado para a conservação dos jovens e o resgate dos membros afastados. Outra forma de conservar os jovens é o Instituto de Revezamento de Evangelismo Jovem da Divisão, que realizou 25 cursos intensivos de treinamento em oito Uniões com 570 participantes. Após esses cursos, a Divisão ajudou a patrocinar 65 projetos evangelísticos realizados por esses jovens em suas igrejas locais. O envolvimento é fundamental para a conservação e os jovens são os embaixadores mais eficazes para alcançar outras pessoas. O entusiasmo deles pelo testemunho se reflete em atividades relatadas por meio de dois sites de uploads em conexão com o Dia Mundial do Jovem Adventista.

Uma convenção de líderes jovens, organizada durante o Ano do Discipulado Jovem, produziu uma declaração para a Divisão afirmando o conceito bíblico de discipulado para os jovens. Nosso primeiro simpósio de evangelismo universitário foi realizado em abril de 2015 com o objetivo de inspirar os estudantes adventistas do sétimo dia a serem discípulos de Jesus e lhes dar poder para compartilhar o evangelho eterno no campus. Em Londres, o programa de alcance universitário CRAVE proporcionou auxílio a todos os novos alunos matriculados na universidade e criou conexões positivas com as igrejas locais. Além disso, um congresso jovem e dois camporis desbravadores complementaram essas atividades.

Evangelismo

A Divisão apoiou 511 projetos evangelísticos inovadores. Por exemplo, o evangelismo “Doce Evangelho e Mel” ensina às pessoas a arte da apicultura como meio de obter sustento financeiro para a própria família. O “Sofá do Sábado” tem sido levado às ruas como método de compartilhar o significado do descanso sabático como um presente. Essa iniciativa já alcançou mais de 50 mil pessoas.

Exposições de saúde são realizadas em locais de trabalho e a “Conspiração da Bondade” surpreende as pessoas com atos inesperados de bondade que suprem suas necessidades.

O programa “Messy Church” [Igreja Bagunçada] na Eslovênia provê uma experiência significativa para as crianças. Crédito: TED

O programa “Messy Church” [Igreja Bagunçada] na Eslovênia provê uma experiência significativa para as crianças. Crédito: TED

A “Bíblia 3D” foi uma iniciativa evangelística pioneira na Islândia. Na mostra, os visitantes foram guiados por uma exposição da história bíblica, desde a criação até a restauração, e acompanharam programas relacionados ao tema na parte da tarde. Abordando a cultura, a tradição e as raízes históricas do cristianismo, o evento abriu portas para o diálogo, conectando-se com as necessidades do século 21.

As escolas bíblicas por correspondência proporcionam recursos para pessoas seculares e pós-modernas. Em 2012, um projeto especial chamado “Passe adiante” envolveu a produção de um vídeo promocional para um novo curso em 12 lições chamado “A História de Paulo” e a produção de um livro (também denominado “Passe adiante”) de histórias inspiradoras extraídas das escolas de correspondência bíblicas dentro da Divisão. Na Hungria, por sua vez, mais de 60 mil pessoas foram alcançadas por meio do projeto “Jesus 7”, série evangelística para cristãos não praticantes. Realizada na Páscoa, concentra-se na vida de Jesus.

Os projetos de missão urbana tomaram conta do mundo inteiro, inclusive da nossa Divisão, que realizou uma escola de evangelismo em Londres, em 2013. Com 9,5 milhões de habitantes, Londres é a maior cidade da Divisão. Seguindo o modelo do projeto “NY13”, igrejas locais lançaram mão de iniciativas diferentes.

O projeto “Heróis e Academia da Bíblia” foi uma abordagem inovadora muito bem-sucedida, na qual os membros pesquisavam entre os vizinhos sobre heróis locais. Depois disso, era feito o convite para que os vizinhos se inscrevessem em uma academia bíblica, na qual a história da redenção era contada de maneira interativa e com base em experiências multissensoriais. Essas estratégias, combinadas com o projeto “Sofá do Sábado”, exposições de saúde e outros métodos mais tradicionais, resultaram em mais de 800 batismos até o presente, com outros mais por vir. A ideia foi aplicada nas Uniões com os próprios programas de missão urbana.

Desde o lançamento em 2010, 7 milhões de pessoas já visitaram o endereço lifeconnect.info, plataforma de mídia social para o evangelismo, que foi desenvolvida em 19 idiomas. O site se expandiu com a LCTV, que transmite programas locais de evangelismo e permite que seus usuários assistam a mensagens que podem transformar a vida.

O plantio de igrejas é uma estratégia evangelística de alta prioridade também em nossa Divisão, com cerca de 200 novos templos. Somando isso com os 1.600 pequenos grupos e congregações em casas, a igreja se torna uma comunidade adventista irresistível.

Recursos on-line da TED

  • ted-adventist.org
  • ministrytopostmoderns.com
  • lifedevelopment.info
  • lifeconnect.info
  • lctv.today
  • tedmedia.org
  • youtube.com/tedmedia
  • essenceofworship.org

Reavivamento e reforma

As Uniões da Divisão aderiram à iniciativa do projeto “Reavivamento e da Reforma”. Muitos membros de igreja se empolgaram e apoiaram as iniciativas em suas congregações. Algumas igrejas começaram grupos online de oração e muitas se sentiram inspiradas a ministrar aos necessitados de suas comunidades.

Ao longo dos últimos cinco anos, graças a um programa eficaz de treinamento, muitos dos 15 membros da Divisão que participam da equipe europeia da ADRA de resposta às emergências foram levados para zonas de desastre nas Filipinas e na região dos Bálcãs. Também foram alocados tempo e recursos financeiros para escritórios menores da ADRA, a fim de fortalecer suas relações públicas, levantamento de recursos e esforços de marketing. Ao mesmo tempo, conseguiu-se juntar cerca de 12 milhões de dólares, os quais foram usados para apoiar projetos globais da ADRA.

O primeiro congresso europeu de saúde, realizado pelas três Divisões do continente, foi realizado em 2013, tendo a cura como tema. Dos 550 participantes, cerca de 150 eram provenientes da Divisão Transeuropeia.

Novos cursos e programas de saúde incluem, mas não se limitam ao Certificado em Saúde e Bem-Estar. Eles continuam a ser feitos em parceria com o Newbold e várias instituições de saúde. Durante o primeiro congresso do Ministério da Mulher de toda a Divisão, em 2014, parte do programa envolveu uma exposição de saúde de cunho evangelístico em uma cidade próxima. Em apenas duas horas, 120 pessoas foram atendidas.

Além da iniciativa da distribuição do livro A Grande Esperança, 3 milhões de exemplares de livros e revistas relacionados à obra O Grande Conflito foram impressos e distribuídos.

Damos glórias a Deus e somos gratos a ele pelas bênçãos infindáveis e pela oportunidade de ser uma luz, compartilhando as boas-novas da salvação e apresentando as pessoas ao nosso Salvador, Jesus. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

?? Um tempo de desafios e crescimento

Relatório apresentado por Gilberto Wari, então presidente da Divisão Centro-Oeste Africana, destacou o crescimento institucional da igreja numa região castigada pelo ebola e pelo extremismo religioso

relatorio da Divisão Centro-Oeste Africana - foto 1

A Divisão Centro-Oeste Africana (West-Central Africa Division —WAD) é formada por 22 países e por uma parte do mundo rica em energia dinâmica. É também, por vezes, um tanto quanto turbulenta. A despeito dos desafios do fundamentalismo religioso, de inquietações sociais e políticas, e da epidemia do ebola, a Divisão conseguiu alcançar resultados positivos no evangelismo ao longo do último quinquênio, que começou com o lançamento da iniciativa de “Reavivamento e Reforma”.

REALIZAÇÕES

Retiro de líderes (comunhão)

No início do quinquênio, a Divisão Centro-Oeste Africana combateu a letargia espiritual. A fim de enfrentar esse desafio, foi realizado um retiro de liderança para todos os pastores e suas esposas na Babcock University, na Nigéria, de 5 a 11 de janeiro de 2011. Houve uma participação total de 2.201 pessoas. Os administradores e diretores de departamentos das Uniões receberam a tarefa de encontrar maneiras de ajudar todos os membros da igreja a entrarem para o exército divino de espalhar o evangelho. Os líderes das igrejas foram incentivados a organizar retiros espirituais, realizar evangelismo em pequenos grupos e distribuir exemplares do livro inspirador A Grande Esperança.

Projeto “A Grande Esperança” (missão)

Muitos milhões de exemplares de A Grande Esperança foram impressos e distribuídos nos quatro principais idiomas de nossa Divisão (inglês, francês, português e espanhol) e foram relatadas várias conversões em todo nosso território. Isso incentivou os servidores da igreja e os encheu de esperança. Sob o poder do Espírito Santo, esse mensageiro silencioso alcançou pessoas que não seriam alcançadas em circunstâncias normais, confirmando o poder da página impressa.

Reorganização de instituições

A Divisão Centro-Oeste Africana começou o quinquênio com seis Uniões (todas elas Uniões-Associações) e 39 campos. Em menos de quatro anos, a Divisão passou por um crescimento radical no que se refere à reorganização de suas entidades. Hoje, somos dez Uniões, das quais quatro são Uniões-Associações [autossustentáveis], e 66 campos.

Novas instituições

A Divisão Centro-Oeste Africana cresceu não só na organização estrutural, mas também em instituições de ensino. Em 2010, ela contava com três universidades em três países. Nos últimos cinco anos, outras três foram acrescentadas, elevando o total a seis universidades em toda a Divisão: Babcock University (Nigéria); Valley View University (Gana); Université Adventiste Consendai (Camarões); Adventist University of West Africa (Libéria); Adventist College of Education (Gana); e Clifford University (Nigéria). O número de escolas de ensino fundamental e médio também está aumentando. Está sendo desenvolvido um plano ambicioso para construir 200 escolas adicionais para cada país da Divisão Centro-Oeste Africana. Esse projeto está sendo realizado em parceria com a organização Maranata Internacional.

O pastor e presidente da igreja mundial Ted Wilson participa da comemoração do centenário da Igreja Adventista na Nigéria. Crédito: WAD

O pastor e presidente da igreja mundial Ted Wilson participa da comemoração do centenário da Igreja Adventista na Nigéria. Crédito: WAD

Relações públicas (relacionamento)

A igreja deu um passo à frente em seu relacionamento com o governo de Costa do Marfim. Em 2012, a sede da Divisão Centro-Oeste Africana recebeu reconhecimento como uma entidade diplomática. Isso ajudou tremendamente o trabalho da igreja. Como parte das permissões concedidas, a Divisão se beneficia da isenção de impostos governamentais e alfandegários sobre equipamentos, suprimentos e materiais importados que têm o objetivo de colocar em prática as metas da organização. Também desfruta procedimentos rápidos de entrada e saída na passagem pela imigração para todos os expatriados da Divisão e seus familiares, bem como para consultores e visitantes.

Congresso Pan-Africano de Liberdade Religiosa

O extremismo religioso continua a ser um desafio no continente. A fim de ajudar a combatê-lo, a Divisão organizou o Congresso Pan-Africano de Liberdade Religiosa, realizado de 6 a 13 de agosto de 2013 em Yaoundé, a capital de Camarões. Durante alguns dias, líderes, eruditos e representantes de organizações de liberdade religiosa, advogados, líderes religiosos e leigos se reuniram para discutir o tema “Tolerância religiosa e coexistência pacífica para o desenvolvimento sustentável da África”. Diversos líderes renomados do continente e de outras partes do globo falaram aos participantes sobre vários temas, enfatizando a necessidade de liberdade religiosa para todos. Um convidado importante, o presidente de Camarões, sua excelência Paul Biya, presidente do Congresso, foi representado por seu primeiro-ministro.

Comemorações de aniversário

Esse quinquênio foi marcado por celebrações comemorando os 125 anos de atuação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Gana (2013), cem anos na Nigéria (2014) e 50 anos em Togo (2014). Os eventos deram oportunidade não só de avaliar nossa presença nesses países, mas também de revisar nosso envolvimento histórico com a vida dessas nações. As celebrações foram prestigiadas pela presença de oficiais do governo.

Participantes aprendem como deixar de fumar em um programa dirigido pela Divisão na Mauritânia. Crédito: WAD

Participantes aprendem como deixar de fumar em um programa dirigido pela Divisão na Mauritânia. Crédito: WAD

Infraestrutura

Além da expansão de escolas e templos, a Divisão Centro-Oeste Africana também expandiu suas moradias ao construir um prédio de oito andares em Abidjan. O projeto está quase concluído. Além disso, uma casa de convidados existente em Dibetou foi totalmente reformada e agora pode abrigar, em acomodações mais confortáveis, delegados e visitantes que comparecem às várias reuniões realizadas na sede da Divisão.

Aquisição de novos equipamentos

O centro de produção de programas televisivos da Divisão Centro-Oeste Africana também foi aperfeiçoado. O último equipamento instalado, com a ajuda de técnicos de mídia vindos da América do Norte e América do Sul, suas Divisões irmãs, agora permite a produção de programas de TV para o Hope Channel Africa. Além disso, os escritórios da Divisão agora contam com equipamentos para videoconferências.

Finanças

Por muito tempo, a Divisão Centro-Oeste Africana dependeu do apoio financeiro da igreja mundial para funcionar, mas os líderes da Divisão fizeram o firme compromisso de se tornarem autossuficientes no aspecto financeiro. A Divisão saltou de 69% de autossustento no quinquênio anterior para 98% e depois para 115% em 31 de dezembro de 2013. Louvamos a Deus por termos alcançado essa meta!

Evangelismo (missão)

A despeito dos desafios sociopolíticos e espirituais, ao longo dos últimos cinco anos, a Divisão aumentou consideravelmente o ganho de almas. O esforço evangelístico na grande cidade “Lagos para Cristo” foi uma experiência espiritual tremenda para a igreja em termos de conversões e cobertura pelos meios de comunicação.

Através da Divisão, outros empreendimentos evangelísticos com ênfase especial em evangelismo por pequenos grupos também ocorreram, trazendo milhares de pessoas para a família de Deus. De 2010 até dezembro de 2014, foi registrado um total de 218.162 batismos, graças à combinação de esforços dos pastores e membros da igreja para ir além dos 195.483 batismos do quinquênio anterior (2005 a dezembro de 2009). Sem dúvida, para a Divisão Centro-Oeste Africana, o último quinquênio foi de reavivamento e reforma.

Cursos “Como deixar de fumar”

O curso “Como deixar de fumar em cinco dias” não só ajuda as pessoas a terem melhor qualidade de vida, ao eliminarem o uso do tabaco, como também consiste em uma porta de entrada, sobretudo em regiões em que não é fácil levar o evangelho. Essa foi a experiência em Niamy, Níger, e Matamoulana e Nouakchott, Mauritânia, dois países islâmicos localizados na Janela 10/40, onde esses seminários foram realizados com sucesso e para um grande público.

Em março de 2015, o Departamento de Saúde e de Missão Global organizaram um programa “Como deixar de fumar” em Nouakchott, capital da Mauritânia. O programa impressionou tanto o líder religioso islâmico, sheikh El Haj Misry, que ele convidou os facilitadores a irem até sua cidade natal, Matamoulana, a fim de realizar um programa da mesma natureza. Um total sem precedentes de 500 pessoas se reuniu para acompanhar os encontros e fazer perguntas. Em 17 de março de 2015, foi realizada uma sessão especial para ajudar as pessoas a deixarem de fumar. O fim do programa foi marcado por um jantar especial com líderes muçulmanos. Todos concordaram com nossos facilitadores de que, na luta contra o tabaco, a dimensão espiritual desempenha um papel central. Além do aspecto de saúde, o programa deu à igreja a oportunidade de testemunhar de nossa fé cristã em um contexto totalmente islâmico.

DESAFIOS

Prisão de um pastor adventista

As diversas ações iniciadas e apoiadas pela Divisão precisaram não só de nossa paciência, mas também de coragem e determinação. Um pastor, Antônio Monteiro, missionário no Togo, foi falsamente acusado de homicídio. Ficou preso por quase dois anos até ser considerado inocente. Seu caso foi acompanhado por milhões de adventistas do sétimo dia do mundo inteiro.

Grupo de líderes da igreja e esposas ouvem uma apresentação durante o retiro de liderança realizado na Babcock University, na Nigéria, em 2011. Crédito: WAD

Grupo de líderes da igreja e esposas ouvem uma apresentação durante o retiro de liderança realizado na Babcock University, na Nigéria, em 2011. Crédito: WAD

Inquietações civis

Costa do Marfim, Burkina Faso, República Centro-Africana e Nigéria foram países particularmente afetados ao longo do quinquênio. Na Costa do Marfim, a guerra levou pessoas e membros da igreja a se mudarem, deixando bens e propriedades para trás. Muitos deles se perderam. Nossa principal escola de ensino médio, localizada em Bouake, se tornou a sede de facções rebeldes. Na República Centro-Africana, a sede da nova União-Missão Central Africana foi temporariamente transferida para outro país por causa da guerra. Na Nigéria, o aumento da violência associada ao Boko Haram continua a ser uma ameaça.

A crise do ebola

O vírus do ebola foi e continua a ser um grande desafio para a igreja no oeste da África, sobretudo para os membros da União-Missão Oeste-Africana, formada por Guiné, Libéria e Serra Leoa. Em resultado dessa epidemia, milhares de pessoas foram afetadas e muitos programas que reuniriam toda a Divisão precisaram ser cancelados.

Situação da Université Adventiste Cosendai

A drástica diminuição de matrículas tem impedido que a escola obtenha recursos financeiros para crescer e se desenvolver. Temos a esperança de que a nova liderança consiga reverter a situação para o próximo ano letivo.

OPORTUNIDADES

Presidente da Associação Geral na Divisão Centro-Oeste Africana

Durante esse quinquênio, nossa Divisão foi agraciada com duas visitas do presidente da Associação Geral, Ted Wilson. Essas visitas reacenderam a fé de nossos membros ao se reunirem em grande número, vindos de diversos países, a fim de dar as boas-vindas ao líder mundial e ouvir seus conselhos. Essas grandes reuniões também reforçaram a sensação dos membros de pertencer à família adventista mundial e também se mostrou útil na criação de elos com autoridades dos governos locais. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Mensagem final e despedida

Adventistas de quase 170 países celebram o encerramento da assembleia mundial reafirmando a identidade bíblica e o foco missionário da igreja

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Todas as arquibancadas ficaram lotadas durante o último dia de programação 60ª assembleia da Associação Geral. Créditos: Leônidas Guedes

Alegria, festa, celebração. Foi esse o clima do sábado, 11 de julho, o último dia da 60a assembleia da Associação Geral, em San Antonio, Texas. Antes das oito da manhã, multidões se dirigiram a pé para o Alamodome, até que o imenso estádio coberto ficou praticamente lotado. Bandeiras foram penduradas nas arquibancadas e milhares de celulares e câmeras fotográficas registravam um dia único, memorável. Após dez dias de reuniões, nomeações e momentos de expectativa e tensão, prevaleceu um sentimento de gratidão pela maneira de Deus ter conduzido os encontros.

Relatos missionários

Antes do estudo da lição da Escola Sabatina, foi apresentada uma “carta missionária” viva, relatada por Milan Moskala, natural da República Tcheca. Ele, que se dedicou às missões desde 1996, começando pela Bósnia, tem atuado como médico e evangelista em algumas das regiões mais pobres e desafiadoras do mundo. Nos poucos minutos que tinha para falar, Moskala contou uma experiência extraordinária envolvendo a ressurreição de um garoto. “Em Bangladesh, um menino se afogou e ficou no fundo do rio por seis horas. Então, a mãe dele ficou desesperada, e as pessoas diziam: ‘Deus está punindo você porque você se tornou cristã’. Quando o pastor chegou, tomou nos braços o corpo do menino cheio de lama e disse: ‘O Senhor, nosso Deus, é digno de louvor. O Senhor enviou Seu filho que nos salvou. Então, eu te peço que, se for da tua vontade, restaura esse menino’. Então, o menino disse: ‘Mo… mother’ (mãe)”, relatou.

Moskala fez um apelo aos profissionais da saúde para que se dispusessem a servir como missionários. Pediu também a criação de unidades móveis, como ambulâncias e vans, e apelou: “Não podemos perder nenhum momento. Vamos manter a urgência da volta de Cristo.” Seu pedido foi seguido por outro, feito por dois jovens apresentadores, que falaram sobre a janela 10/40: “Oitenta milhões de crianças dormem com fome todos os dias. Precisamos de mais missionários, de mais pessoas nos hospitais. Pense em nossas ofertas missionárias. Ore para que Deus nos dê uma visão clara das missões.”

No mesmo tom, Floyd Morris, o primeiro adventista deficiente visual a se tornar presidente do Senado jamaicano, também apelou para que a igreja olhe para as pessoas com deficiências físicas. “A igreja tem um importante papel em trabalhar pelos que têm alguma deficiência. É preciso incluir mais indivíduos com deficiência. Cada membro tem a responsabilidade de trabalhar com essas pessoas, seguindo o exemplo de Jesus. Temos que tornar nossas igrejas mais acessíveis. Eles têm o seu lugar no reino como qualquer outra pessoa”, refletiu.

Pastor Jonathan Kuntaraf (esq.), ex-diretor de Escola Sabatina e Ministério Pessoal da Associação Geral, ao lado do turco Mustafa Kemal Alkan, convertido do islamismo.

Pastor Jonathan Kuntaraf (esq.), ex-diretor de Escola Sabatina e Ministério Pessoal da Associação Geral, ao lado do turco Mustafa Kemal Alkan, convertido do islamismo.

O momento missionário foi seguido pelo testemunho de um dos dez a 15 turcos étnicos convertidos do islamismo à mensagem adventista, num país de mais de 75 milhões de habitantes. Certa vez, Mustafa Kemal Alkan foi convidado a traduzir a lição da Escola Sabatina, e seu mundo “virou de cabeça para baixo”, segundo contou. A esposa orou por sua conversão durante sete anos, até que ele teve um sonho: “Vi três profetas sobre um monte, e eu fui chamado. Então acordei suado e não consegui mais dormir. Passei a estudar a Bíblia e encontrei um verso muito semelhante ao que tinha ouvido.” Sua conversão o levou ao ponto de aceitar Jesus como seu Salvador, sem reservas: “Jesus é meu Salvador. Eu o aceito como meu salvador pessoal. Quero seguir Jesus”, relembrou. Mustafa terminou pedindo que a igreja ore pelo mundo muçulmano.

Homenagem

Após a Escola Sabatina, coordenada por Kathy Begles e Felix Cortez, o culto foi introduzido pelo som de uma orquestra formada por diferentes grupos e maestros, tendo atrás de si o Coral Carlos Gomes, da Igreja do Unasp campus São Paulo. Após hinos congregacionais e mensagens musicais, o pastor Ted Wilson se dirigiu ao púlpito, iniciando sua mensagem de maneira emocionante.

Homenageou, entre outros, seus antecessores, Jan Paulsen (1999-2010), que já havia retornado à Noruega, seu país natal, e Robert Folkenberg (1990 a 1999), impossibilitado de estar presente devido a uma enfermidade e que se prepara a fim de ser submetido a uma cirurgia nos próximos dias.

pastor-Folkenberg

Emocionado, o pastor Folkenberg falou com o público reunido no Alamodome por meio da internet.

Foi então que surgiu nos telões o rosto de Folkenberg, visivelmente frágil e emocionado. Nesse momento, dezenas de milhares de pessoas começaram a bater palmas, o que comoveu o ex-presidente. Ele não conseguiu conter as lágrimas e disse: “Obrigado!”. Ted Wilson, então, pediu que Folkenberg falasse algo para a igreja reunida. A palavras do ex-presidente foram: “Envio saudações para vocês aí. Deus os abençoe. Ele virá logo!”. E o estádio o aplaudiu novamente. O momento de homenagens terminou com menção a Bob Rawson, ex-secretário da Associação Geral, entre 1970 e 1980, que também foi visto ao vivo nos telões. O pastor Ted Wilson extraiu aplausos e risos do público ao dizer que o pastor Rawson tinha 102 anos e uma carteira de motorista com validade de três anos. A voz firme e segura de Rawson foi ouvida no Alamodome: “Aprecio muito esta oportunidade, e minha mensagem é muito simples: Jesus está voltando logo!”

Cruze o Jordão

O sermão ficou por conta do pastor Ted Wilson, reeleito pela assembleia presidente da igreja mundial. Ele foi apresentado pelo secretário-executivo da Associação Geral e amigo, pastor G. T. Ng, que mencionou detalhes interessantes sobre sua trajetória e família. Entre esses detalhes, está o de que o pastor Ted tem três filhos e nove netos.

A mensagem teve como título “Cruze o Jordão… Não Recue!”, na qual Wilson enfatizou e deu mais detalhes de seu segundo quinquênio na presidência da igreja mundial. Fez uma analogia entre o povo de Israel que deveria atravessar o rio Jordão e o destino escatológico do povo de Deus nos últimos dias. No sermão, reafirmou que a Igreja Adventista é um movimento do povo remanescente de Apocalipse 12:17, em preparação para a volta de Jesus.

O pastor Wilson fez vários apelos e deu recados diretos para que a igreja mantenha sua identidade bíblica, seu foco missionário e tenha cuidado com tendências que ameaçam sua integridade. Entre eles, se destacam: “Apelo a toda a igreja mundial que manifeste o mesmo respeito e amor por este livro (a Bíblia) e pelo Espírito de Profecia. (…) A Bíblia deve ser entendida como se lê: o mundo foi criado recentemente, em seis dias. (…) Tome tempo para ler e orar pelo planejamento estratégico da Igreja Mundial. (…) Cave fundo, estude a Palavra! Não aceite pregações que afirmam apenas o nome de Jesus, mas diminuem as doutrinas. (…) O evangelismo não está morto. Está mais vivo do que nunca.”

O culto terminou com o Coral Carlos Gomes cantando Coming Again ao som da orquestra e acompanhado por outras centenas de vozes, num total de 1.100, formando o maior coral já presente em uma reunião da conferência geral, segundo a Adventist Review.  O pastor Erton Köhler, presidente reeleito da Divisão Sul-Americana, proferiu a oração final.

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Milhares de fiéis saem do estádio Alamodome após o culto do último sábado, 11 de julho: um flash da diversidade cultural da igreja. Créditos: Diogo Cavalcanti

Encerramento

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Tradicional “Desfile das Nações” inovou ao contar a história da chegada do adventismo nas várias partes do mundo. Créditos: Diogo Cavalcanti

O programa da noite encerrou as reuniões da Conferência Geral, com o famoso “Desfile das Nações”. Dois apresentadores interagiam para falar sobre as missões mundiais, intercalando textos lidos com um vídeo que expôs uma cronologia da missão adventista, dividida em cinco fases: nascimento das missões (1863-1873), missões às nações protestantes (1874-1889), missão ao mundo (1890-1945), missão intencional (1946-1965) e missão aos não alcançados (1986-).  Após o vídeo introdutório de cada fase das missões, os dois apresentadores anunciavam país por país, de acordo com o ano em que a mensagem adventista os alcançou, e então entrava um casal com roupas típicas e sua bandeira nacional.

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Pastor Ted Wilson, acompanhado de sua família: “Pela graça de Deus, vamos fazer planos para nos encontrar no Céu”. Foto: Diogo Cavalcanti

A reunião terminou com todas as nações representadas à frente, com o pastor Ted Wilson ao centro, junto com a esposa, filhos e netos. A reafirmação do espírito de unidade sentido no encerramento das reuniões e o foco na missão da igreja é o grande legado desta assembleia mundial, em que os desafios internos e externos da igreja foram reconhecidos e tratados com espírito de oração.

Com a proposta de ênfase no fortalecimento da devoção individual, no estudo dos livros de Ellen White e forte ênfase na missão, os próximos anos prometem. Nos momentos de despedida, o pastor Wilson anunciou que o próximo encontro da igreja mundial será no Circle City, em Indianápolis, marcado para 2020. Ou, quem sabe, na Nova Jerusalém. [Diogo Cavalcanti, equipe RA]

Enciclopédia Adventista

Assembleia da igreja mundial aprova a produção de um material que promete ser abrangente e confiável

enciclopédia adventista

Na quinta-feira, 9 de julho, votou-se acrescentar a palavra “Pesquisa” ao Departamento de Arquivos, Estatísticas da Associação Geral (AG). Agora ele se chama Departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa. Esse voto apontou para outro que seria tomado logo adiante, relativo aos mais elevados planos desse departamento que lida com os registros históricos da AG. Foi aprovado o apoio para o plano da produção da Enciclopédia Adventista – uma série de livros de peso, com nomes, instituições e fatos do adventismo.

A ideia, segundo David Trim, diretor do departamento, é que esse imenso projeto tenha a colaboração de autores, editores, instituições e organizações da igreja, para a construção de uma fonte de conhecimento que pretende ser definitiva. Além de ser abrangente ao máximo, a nova enciclopédia nascerá para se tornar a fonte mais confiável na pesquisa de temas relacionado aos adventistas.

Planeja-se que o projeto seja concluído em até cinco anos, custeado pela igreja mundial. Trim solicitou doações por parte dos membros, assim como apoio financeiro da parte de todos os níveis organizacionais e das instituições da igreja. Segundo ele, a futura enciclopédia será impressa e online. Sua versão digital será lançada por volta do fim do ano e permitirá uma atualização constante mesmo depois que a obra completa estiver pronta, não exigindo grande custo caso fosse necessário um novo livro ou edição. “Podemos produzir um material extraordinário”, afirmou Trim. Para Delbert Baker, presidente da assembleia na reunião, trata-se de “um projeto muito empolgante.” [Diogo Cavalcanti, equipe RA / Créditos da imagem: Adventist Review]

Mudando a história, um coração de cada vez

Relatório apresentado por Barry Oliver, então presidente da Divisão do Sul do Pacífico, no dia 8, chamou a atenção para o começo difícil da igreja na região e a fidelidade em meio à guerra

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior em território da Igreja Adventista, é também a mais diversa. Crédito: SPD

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior em território da Igreja Adventista, é também a mais diversa. Crédito: SPD

Pense em um globo. Divida, em sua mente, sua circunferência em terços.

Imagine então uma Divisão tão imensa que se estende por um terço da circunferência desse globo. Essa é a Divisão do Sul do Pacífico. Ela abrange quase 13 mil quilômetros, desde as ilhas Cocos, no oeste, até a ilha Pitcairn, no leste, e da Antártida, ao sul, até a linha do Equador, ao norte.

A Divisão do Sul do Pacífico, além de ser a maior da Igreja Adventista em território, é também a mais diversa. Somente na Papua Nova Guiné são faladas cerca de 850 línguas. A Divisão engloba de metrópoles modernas até algumas das localidades mais isoladas da Terra. Inclui a cidade mais meridional da Terra, onde sopram os ventos gelados da Antártida, até atóis tropicais paradisíacos.

A Divisão conta com países de populações com maioria polinésia, melanésia, micronésia e branca. Há grandes comunidades indianas, chinesas, árabes, sudanesas e chilenas, entre outras, dentro de suas fronteiras. Como então os adventistas alcançam território tão imenso, com população tão diversa? Lembrando que não temos nada a temer quando nos recordamos de como Deus conduziu a história adventista.

Avondale College continua a obter reconhecimento. Crédito: SPD

Avondale College continua a obter reconhecimento. Crédito: SPD

Começo difícil

Foi em 1908 que os três primeiros missionários adventistas do sétimo dia, Septimus e Edith Carr e Peni Tavodi, chegaram a Port Moresby, capital do que hoje se conhece como Papua Nova Guiné. O governador havia dividido a região em volta de Port Moresby entre várias denominações cristãs. Os adventistas foram recebidos com frieza pelos outros missionários quando chegaram. Mas isso não os deteve. Partiram de Port Moresby para uma região remota nas montanhas a fim de começar sua missão em meio ao povo koiari.

Desde o início, não deu muito certo. O explorador pioneiro Alexander Morton destacou que os koiaris eram um povo particularmente combativo. Sem dúvida, não tinham o menor interesse no evangelho. Os adventistas construíram uma estação missionária e trabalharam na remota Bisiatabu por um ano inteiro sem que ninguém fosse batizado. O ano seguinte também terminou sem batismos. O mesmo padrão se repetiu ao longo dos três anos seguintes. Por fim, no sexto ano, um adolescente foi batizado. Pouco depois, o pai do rapaz o afastou da missão adventista e isso pôs fim a sua ligação com a igreja.

Caso tudo isso já não fosse desanimador o bastante, Peni Tavodi, que havia então se casado com Aliti, foi picado por uma cobra venenosa em 1918. Ele morreu, mas não sem antes fazer um apelo emocionante para que os jovens da missão entregassem a vida a Jesus.

Imagine a situação depois que Peni morreu: dez anos de labores extenuantes e tudo que tinham para mostrar era um adolescente que havia abandonado a fé, um missionário morto, sua viúva e seus filhos órfãos. Você acordaria no dia seguinte e continuaria a pregar o evangelho?

Foi somente em 1920, doze anos depois da chegada dos primeiros missionários adventistas e dois anos após a morte de Peni Tavodi, que um moço chamado Baigani aceitou o evangelho. Dessa vez, porém, as coisas foram diferentes. Baigani serviu a Jesus por muitos anos e exerceu profunda influência.

Mais missionários chegaram. Em 1924, o pastor William Lock batizou 11 jovens em Bisiatabu. Na metade da década de 1930, os missionários adventistas se encontravam espalhados por muitas novas áreas do país. A família Lock se mudou para perto de uma trilha íngreme conhecida como Kokoda Track, na zona rural da vila de Efogi. Ali fundaram uma escola missionária e uma clínica. Por toda a Kokoda Track, a mensagem adventista foi pregada.

Testemunho em meio à guerra

Na época, porém, ninguém sabia que, dentro de poucos anos, a Kokoda Track deixaria de ser uma trilha obscura em uma parte esquecida do mundo para se tornar o ponto central de um dos maiores dramas da história da humanidade: a batalha entre as forças imperiais japonesas e os australianos, neozelandeses e seus aliados.

Ao contrário da maioria dos conflitos, o símbolo duradouro da campanha de Kokoda não foi um guerreiro, um general ou uma arma. Em vez disso, foram os papuásios que demonstraram extraordinária bondade e altruísmo ao ajudar os soldados feridos a permanecer em segurança. Os australianos ficaram tão impressionados com os papuásios que passaram a chamá-los de “anjos Kokoda”.

Bert Buros, engenheiro de combate australiano, retratou em um poema a admiração e o agradecimento que os soldados australianos nutriam por aqueles que ajudavam os feridos: “Muitos moços verão a mãe, e maridos encontrarão a esposa querida, só porque os [anjos Kokoda] os carregaram para lhes salvar a vida”.

Um soldado australiano se exprimiu da seguinte forma: “Acredite, quando esta guerra terminar e a história for escrita, há um capítulo que deve receber grande parcela de louvor. São os [papuásios]… Eles às vezes chegavam com os ombros ensanguentados, deitavam os feridos com cuidado, se chacoalhavam, sorriam e lá iam de novo fazer outra viagem”.

Ao falar no quinquagésimo aniversário da campanha de Kokoda, em 1992, o primeiro-ministro australiano P. J. Keating disse: “Acima de tudo, devemos honrar e expressar profunda admiração pelos carregadores papuásios cujo apoio inabalável foi crucial para a vitória definitiva”.

Nos últimos anos, pesquisadores têm tentado desmitificar os papuásios que salvaram soldados australianos e neozelandeses feridos. Afirmam que muitos eram forçados a trabalhar pelos militares da Austrália. Embora essa informação proporcione intriga e contexto à história, não consegue explicar por que pessoas tão maltratadas retribuíam com tamanha bondade. Afinal, os primeiros relatos do povo falam de uma cultura combativa, sedenta por sangue. O que havia mudado?

Para isso, é preciso voltar a 1908. Aqueles 12 longos anos lutando para conseguir uma única pessoa que aceitasse o evangelho deram fruto na campanha de Kokoda. “Na época da deflagração da Segunda Guerra Mundial, todas as vilas da Kokoda Trail haviam sentido algum grau de influência da missão adventista, com membros batizados em quase todas elas”, escreveu Alan Smith no periódico Adventist Record, em 9 de setembro de 1995: “Os koiaris haviam se transformado tanto que, quando os japoneses entraram em sua região a fim de avançar até Port Moresby, eles decidiram permanecer leais a seus amigos missionários.”

A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. Crédito: SPD

A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. Crédito: SPD

Steven Barna, pastor adventista nas vilas da Kokoda Track, cujo avô foi um “anjo Kokoda”, confirma que a bondade estava ligada ao cristianismo. “Era o amor que movia o coração das pessoas a ajudar”, ele conta. E as testemunhas oculares confirmam isso. O pastor Lock, no livro Locks that Open Doors [Cadeados que Abrem Portas] conta que recebeu uma carta de agradecimento do tenente R. I. McIlray, que declarou: “Escrevo esta carta para lhe contar do grande trabalho feito pelos [papuásios] de sua missão… A boa obra do seu povo, mediante seu exemplo e seus ensinos, parece ter alcançado um ponto no qual podem nos ensinar algo sobre os ideais cristãos”.

Um relato ainda mais extraordinário foi feito pelo comandante australiano Robin Sydnei McKary, que disse, em entrevista a Daniel Connell: “Houve [papuásios] leais e desleais… Sem querer ser sectário de modo nenhum, descobrimos que os adventistas do sétimo dia foram os mais notáveis em lealdade. Não conheço nenhum adepto do adventismo do sétimo dia que tenha sido desleal. Não sei por que, mas era assim que funcionava… As outras religiões podiam ser de uma maneira ou de outra, mas, por algum motivo, os adventistas do sétimo dia eram especialmente leais e […] bem, eles eram sempre mais limpos, ensinavam-lhes limpeza, respeito, lealdade e alegria. E, você sabe, não tenho a menor simpatia pelos adventistas do sétimo dia […] [mas] se fosse preciso confiar em um [papuásio] sem conhecê-lo, ou sem conhecer as circunstâncias, o fato de ser adventista do sétimo dia já ajudava”. No período da mais forte prova, a mudança que o evangelho opera na vida das pessoas transpareceu.

Hoje, cerca de 10% dos papuásios se identificaram como adventistas do sétimo dia no censo nacional. Isso significa 500 mil pessoas a mais afirmando ser adventistas do que o número registro no rol de membros. Talvez esse fato esteja ligado à influência tremenda que a Igreja Adventista do Sétimo Dia exerce sobre o país na atualidade. Os adventistas ocupam muitos altos cargos governamentais. Mais de 50% dos estudantes de Medicina no país são adventistas. A Igreja Adventista administra uma respeitada rede de educação e saúde em todo o país. A Universidade Adventista do Pacífico está entre as mais seletivas do mundo. E Papua Nova Guiné é apenas uma parte da Divisão do Sul do Pacífico, onde o evangelho continua a mudar a história, um coração de cada vez.

Influência e fidelidade

De acordo com estatísticas de censos nacionais, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a igreja multiétnica que cresce com maior rapidez tanto na Nova Zelândia, quanto na Austrália. Nesses dois países, os adventistas operam empresas de bem-estar e saúde de ponta, que organizam a maior série de triatlos infantis do mundo e produzem os mais confiáveis produtos alimentícios de desjejum.

O Avondale College também continua a obter reconhecimento. Duas escolas adventistas de ensino superior superaram 7.600 concorrentes e fazem parte das cem escolas com o melhor ensino da Austrália. O Hospital Adventista de Sydney é o maior hospital particular da Austrália. E os meios de comunicação adventistas são reconhecidos como de primeira linha nessa área na região.

Na parte transpacífica, iniciativas de missão urbana resultaram em um crescimento excepcional. Em 2014, os batismos em Vanuatu aumentaram em mais de 550% e, nas Ilhas Salomão, em mais de 250%. Os batismos em Samoa cresceram 400% em 2013.

Esse crescimento é real? Jesus disse que, onde está nosso dinheiro, ali está nosso coração. Então analisemos os dólares e centavos. Ao longo dos últimos cinco anos, os dízimos na Divisão cresceram 24%, mais do que o dobro do aumento do custo de vida em quatro dos cinco anos. Hoje a Divisão dá a maior porcentagem mundial de ofertas missionárias em relação aos dízimos. A Austrália, com sua população reduzida, devolve hoje o quarto maior dízimo do mundo. Os australianos contam com uma média de quase 50% a mais de dízimo por membro do que os norte-americanos.

Tudo são boas notícias? Não. A Igreja Adventista no Sul do Pacífico necessita desesperadamente do Espírito Santo. Nossa única esperança é Jesus. O mesmo Jesus que saiu com aqueles primeiros missionários de Port Moresby e trilhou a Kokoda Track. O mesmo Jesus que habitava no coração dos koiaris enquanto carregavam homens feridos para um local seguro. Esse mesmo Jesus continua a mudar a história em todo o Sul do Pacífico, um coração de cada vez. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Brilhando até Jesus voltar

Relatório apresentado por Alberto C. Gulfan, então presidente da Divisão do Pacífico Sul-Asiático, no dia 8, enfatizou o trabalho pessoal das famílias e o investimento feito pela igreja nos centros de influência

relatorio Divisão do Pacífico Sul-Asiático - foto 1

Durante o último quinquênio, a Divisão do Pacífico Sul-Asiático (SSD, em inglês) se uniu à igreja mundial na ênfase sobre o reavivamento e a reforma como o coração da missão e do evangelismo. O slogan motivador, “Reavivamento, Reforma e Além” se tornou a base de programas e atividades em toda a região. A lógica para essa adaptação do slogan da igreja mundial é que, no passado, houve chamados ao reavivamento e à reforma que começaram com grande zelo e entusiasmo. Depois de um tempo, porém, o movimento minguou e desapareceu. Logo, a palavra “além” foi acrescentada para enfatizar o objetivo abrangente do reavivamento e do convite à reforma: o término da proclamação do evangelho, abrindo caminho para o retorno de Jesus.

Os programas da sede mundial foram contextualizados a fim de que os membros passassem a ser mais intencionais em sua vida de oração, no estudo da Bíblia e no testemunho pessoal. Os diretores de departamentos da SSD desenvolveram programas para suas áreas e garantiram o envolvimento de todos os ministérios, serviços e agências da igreja. A participação em semanas de oração anuais, e nas campanhas “Dez Dias de Oração” e “777”, bem como o estudo diário da Bíblia, foram encorajados em todos os níveis da organização da igreja.

Estilo de vida de evangelismo integrado

Foi concebido o plano de “Estilo de Vida de Evangelismo Integrado” (Evei) como guarda-chuva para cobrir todas as iniciativas de reavivamento e reforma da Divisão. Usando uma abordagem familiar, cada membro batizado é encorajado a se envolver de maneira pessoal em um ministério de amor e cuidado no lar e na sua vizinhança imediata, em parceria com a igreja local. Em essência, esse programa de longo prazo se concentra no testemunho pessoal e no cuidado aos novos membros da congregação.

Com essa abordagem familiar ao evangelismo, o Evei progride em três etapas ao longo do ano. Dois componentes principais tornam a iniciativa eficaz, quando conduzidos de maneira apropriada: a FI (família intercessora) e a FC (família cuidada). A FI é uma família adventista que dedica tempo em estudo da Bíblia e oração, experimentando reavivamento pessoal, ao mesmo tempo em que desenvolve bons relacionamentos no local em que vive. Embora o foco original sejam as famílias tradicionais, qualquer membro da Igreja Adventista pode convidar outros adventistas de seu círculo social para juntos formarem um grupo familiar.

Cuidado: um grupo de apoio da região central das Filipinas enfatiza a abordagem familiar, que inclui aspectos voltados especialmente para as crianças. Crédito: Kiona Costello/SSD

Cuidado: um grupo de apoio da região central das Filipinas enfatiza a abordagem familiar, que inclui aspectos voltados especialmente para as crianças. Crédito: Kiona Costello/SSD

Uma FI faz amizade com uma família que não faz parte da igreja, a fim de que se torne sua FC. O vínculo entre a FI e a FC derruba as barreiras à medida que a amizade cresce. Isso incentiva conversas abertas sobre vida familiar, saúde e questões espirituais. Um grupo de estudos semanal se forma entre essas duas famílias ou grupos familiares, usando materiais sobre saúde e família como ponto de partida.

Com o tempo, o grupo passa desses assuntos para o estudo da Bíblia. Enquanto isso, a igreja local realiza atividades comunitárias amistosas, com o objetivo de atender as FCs. Com o tempo, a FC é convidada para assistir a uma série evangelística. O objetivo dessa colaboração de longo prazo entre a FI e a congregação local é que a Igreja Adventista se torne um lar para a FC. Após o batismo, os novos membros continuam a se reunir semanalmente com seu grupo de cuidado para receber apoio e discipulado. Quando esse programa é colocado em prática de maneira apropriada, as Missões e Associações vivenciam um crescimento extraordinário.

A fim de chegar ao nível ideal de execução do programa, desde a instância local até os administradores tiveram acesso ao conceito de diversas maneiras. Os membros receberam materiais para usar nas igrejas locais. Sessões de treinamento sobre cuidado foram realizadas nas Uniões, Missões, Associações e instituições, bem como para os pastores distritais. Além disso, os administradores da igreja na região aceitaram o desafio de ser exemplos pessoais do programa.

Como resultado, os membros se fortaleceram espiritualmente e se envolveram mais. Ex-adventistas voltaram para a igreja e novos membros chegaram. Graças a isso, mais de 200 mil novos membros foram acrescentados no desafiador território da Divisão do Pacífico Sul-Asiático ao longo do último quinquênio.

Meios de comunicação

Além da ênfase no testemunho pessoal e nos relacionamentos individuais, a Divisão também se concentrou no uso da tecnologia para alcançar as pessoas em grande escala. Embora o método tradicional de compartilhar as boas-novas ainda seja eficaz, o uso da mídia impressa, da internet, do rádio e da televisão foram vigorosamente promovidos nas áreas em que se tem acesso a eles.

Em outubro de 2013, o Hope Channel Filipinas foi oficialmente inaugurado com a aquisição de uma franquia nacional de televisão e frequências nas principais cidades de todo o país. O Hope Channel Filipinas também é transmitido via satélite. Hoje há estações da emissora em três grandes cidades filipinas: Manila, Cebu e Cagayan de Oro. Mais de 20 rádios adventistas FM e AM veiculam programas positivos para todo o arquipélago. São produzidos programas nos quatro principais dialetos do país: tagalog, cebuano, hiligaynon e ilocano. A fim de apoiar a continuação das atividades, os membros da igreja se comprometeram a doar no mínimo 50 centavos a cada sábado.

Um sorriso amigável: funcionário do restaurante vegetariano Manna, no Laos, dá as boas-vindas aos clientes. Crédito: Teresa Costello/SSD

Um sorriso amigável: funcionário do restaurante vegetariano Manna, no Laos, dá as boas-vindas aos clientes. Crédito: Teresa Costello/SSD

Em 8 de agosto de 2014, o Hope Channel Indonésia também foi oficialmente inaugurado em Jacarta. Hoje milhões de indonésios assistem ao canal no próprio idioma. Uma pequena estação de rádio adventista FM foi inaugurada em Manado, North Sulawesi, Indonésia. Ela transmite as boas-novas do reino vindouro a cerca de meio milhão de pessoas.

Missão urbana

As regiões urbanas da Divisão consistem nos principais públicos de nossos ministérios tecnológicos. No entanto, também é necessária uma abordagem mais pessoal. A fim de atender a essa demanda, os adventistas que moram nas cidades da Divisão desenvolveram programas singulares de evangelismo em suas comunidades.

A iniciativa de evangelismo nas cidades conhecida como “Missão Urbana” foi completamente abraçada por aqui e lançada em caráter oficial no metrô de Manila, com a presença do presidente da igreja mundial, Ted Wilson, como orador principal. Além disso, 75 reuniões por satélite foram realizadas simultaneamente em diferentes partes de Manila ao longo da série de duas semanas.

Nos meses que antecederam a série evangelística, os membros e líderes da igreja se engajaram em diversos programas comunitários de evangelismo nas áreas de saúde e bem-estar, criação dos filhos, crianças e jovens, e atos de bondade. O projeto Um Ano em Missão, na Divisão do Pacífico Sul-Asiático, se concentrou no evangelismo da amizade no setor comercial de Manila, levando o estudo da Bíblia aos jovens profissionais da região.

Com mais de 3 mil pessoas batizadas durante a série evangelística de maio e 7 mil batismos resultantes dos programas comunitários relacionados, oferecidos pelas igrejas locais, Esperança Manila 2014 resultou em mais de 10 mil batismos.

Foi oferecido treinamento sobre evangelismo urbano em escolas de campo para os líderes de nove Uniões e duas Missões. Essa capacitação permitiu que iniciassem programas de missão urbana nas cidades da Malásia, de Mianmar, da Indonésia e de outras partes das Filipinas.

Centros de influência

Outra iniciativa de longo prazo de missão urbana corresponde aos centros de influência. Eles consistem em estabelecimentos de ministério holístico localizados em áreas urbanas populares, que oferecem serviços de acordo com as necessidades locais. Na Divisão do Pacífico Sul-Asiático, eles incluem restaurantes, escolas de música e de idiomas. Também têm o propósito de ser locais em que as pessoas possam desenvolver relacionamentos e encontrar uma sensação de pertencimento em meio aos novos amigos.

No Laos, um restaurante vegetariano localizado na capital, Vientiane, oferece alimentação saudável e aulas de melhoria de estilo de vida. Na Tailândia, os membros ofereceram aulas de saúde, culinária e música como programação prévia em 25 pontos de série evangelística. Após a série, o interesse pelas aulas de música continuou tão grande que foi aberto um conservatório para alcançar a comunidade. Existe até mesmo um centro móvel de influência em Kuala Lumpur, Malásia. Proveniente de um ministério urbano de saúde já consolidado, uma unidade médica móvel leva cuidados de saúde a regiões extremamente carentes da cidade.

Educação

Os cuidados com a saúde continuam a ser um método prático de atender as necessidades comunitárias. Todos os anos, incontáveis missões médicas são realizadas em muitos dos países da Divisão, proporcionando cuidados gratuitos de saúde às comunidades necessitadas.

Uma campanha universitária de doação de sangue realizada no campus da Universidade Internacional da Ásia e do Pacífico recebeu reconhecimento governamental depois de realizar uma clínica móvel de cirurgias oculares para a Cruz Vermelha da Tailândia.

Após 30 anos de sonhos, planejamento e oração, o programa educacional da Divisão deu uma grande virada depois da aprovação governamental para a abertura da primeira faculdade de Medicina adventista da Ásia. A Faculdade de Medicina da Universidade Adventista das Filipinas começará as aulas em agosto de 2015. Será o sexto curso de Medicina do sistema adventista de educação mundial.

Apoio a grupos marginalizados

Com mais de 70 grupos étnicos e centenas de dialetos em nosso território, temos um rico espectro cultural. Dentro dessa diversidade, contamos com uma série de grupos marginalizados, os quais procuramos alcançar ao longo dos últimos cinco anos.

Por exemplo, na região montanhosa das Filipinas, mais de 70 líderes protestantes do mesmo grupo tribal se converteram ao adventismo. O cuidado dispensado a esse grupo especializado continuou ao longo do quinquênio com centros culturais de comunhão e treinamento, e programas profissionalizantes. Graças a essas iniciativas, o número de conversos continua a crescer, ao passo que a conservação dos membros permanece estável. Em outras áreas da Divisão, adventistas dedicados ministram a grupos étnicos minoritários por meio de programas de alfabetização, projetos profissionalizantes e cuidados médicos.

ADRA Vietnã: agência humanitária continua a levar esperança para todas as partes do país. Crédito: ADRA Vietnã

ADRA Vietnã: agência humanitária continua a levar esperança para todas as partes do país. Crédito: ADRA Vietnã

ADRA

A Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) continua a manter uma presença fundamental nos países da Divisão. Durante períodos de desastre, os voluntários da agência levam esperança e os suprimentos necessários para as pessoas mais afetadas. Após eventos trágicos, projetos de reabilitação e profissionalizantes cooperam para recuperar e manter o bem-estar das comunidades.

Em muitas regiões do sudeste da Ásia, existe um longo histórico não só desse apreciado serviço, mas também de melhoria das condições de vida. A ADRA Vietnã celebrou recentemente 25 anos de serviço no país e já iniciou mais de 200 projetos em meio a grupos marginalizados. Com o foco na saúde, na profissionalização, em questões ambientais e na educação, os últimos projetos envolveram prevenção de doenças, criação de microempresas, saneamento básico e bolsas estudantis.

Conclusão

Com quase 1 bilhão de habitantes nos 14 países no território da Divisão do Pacífico Sul-Asiático, a maioria deles não cristãos, os desafios são muitos. A liberdade religiosa tem sido desafiada em algumas dessas nações, ao mesmo tempo em que portas anteriormente fechadas estão se abrindo em outros.

Problemas sociais, como a pobreza e o secularismo, são avassaladores em algumas áreas. Mas nossos membros doam e servem com generosidade, da maneira que podem, apesar de tudo isso. Inquietações civis fazem parte da história em partes da região, mas nossas igrejas procuram ser centros de paz e de influência positiva.

Às vezes, parece uma tarefa quase impossível cumprir a missão da igreja nesta parte do mundo. No entanto, o serviço alegre, a atitude altruísta e a fé resiliente de nossos membros nos inspiram. Eles andam com Jesus por vilas pequenas, bairros lotados e labirintos metropolitanos levando palavras de ânimo, esperança por meio de seminários de saúde e entusiasmo pela melhoria do estilo de vida em longo prazo.

Com o poder do Espírito Santo, nós, da Divisão do Pacífico Sul-Asiático, acreditamos que, no tempo de Deus, a missão será concluída. Por tudo aquilo que foi realizado ao longo dos últimos cinco anos, atribuímos glória, honra e louvor a Deus. Nós agradecemos a ele pela suas bênçãos e sua orientação. Também somos gratos à Associação Geral e às outras organizações e instituições irmãs de todo o mundo pelo auxílio prestado no apoio à obra no território da Divisão. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Líder mundial desafia igreja a seguir adiante

Pastor Ted Wilson enfatiza continuidade ao apresentar relatório de sua gestão

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Seguindo a tradição de dedicar a primeira noite das assembleias mundiais da Igreja Adventista para o relatório do presidente, na noite de ontem, dia 2, em San Antonio (Texas), os delegados acompanharam um resumo dos principais projetos da gestão de cinco anos do pastor Ted Wilson. O relatório, que se estendeu por cerca de 1h30, foi entrecortado por vídeos que apresentaram as iniciativas mais importantes da sede mundial no quinquênio.

Neto de pastor e filho de um ex-presidente da Associação Geral, Neal Wilson, o líder mundial foi eleito para a função na assembleia de 2010, em Atlanta (Geórgia), assumindo um discurso claro de reavivamento e reforma espiritual. “O desafio de seguir em frente não foi lançado no último quinquênio, mas há milhares de anos”, disse Wilson, ao fazer referência aos desafios do povo de Deus ao longo da história. No vídeo preparado para o relatório, o líder aparece em lugares importantes da Terra Santa, como a cadeia de montanhas do Sinai e diante do Mar Vermelho, refletindo sobre a experiência dos israelitas. Wilson também destacou que Deus tem guiado sua igreja desde o começo humilde no século 19 até hoje, quando ela é apontada como a quinta maior denominação do mundo e a que mais cresce entre as igrejas protestantes.

Olhando para trás

No relatório, Wilson relembrou as ênfases do quinquênio. Ele incentivou cada membro a buscar um reavivamento e reforma pessoal e a orar pela atuação final do Espírito Santo na igreja e no mundo. Esse apelo urgente do líder foi expresso no primeiro concílio anual de sua gestão, em 2010, quando foi votado o documento “Reavivamento, Reforma, Discipulado e Evangelismo”. Dois desdobramentos práticos dessa declaração foram o projeto Reavivados por Sua Palavra, que incentivou a leitura diária de um capítulo da Bíblia, e a campanha dos dez dias de oração e dez horas de jejum.

Nos discursos, Ted Wilson tem enfatizado a origem, identidade e missão profética do movimento adventista. Tem sido duro também contra os teólogos e cientistas que trabalham para a denominação e flertam com o evolucionismo teísta. Em agosto de 2014, no sul de Utah, num congresso sobre Bíblia e ciência, ele chegou a pedir que os professores que assumem essa postura em sala de aula, deveriam ser fiéis à própria consciência e pedir demissão (leia mais sobre isso aqui). No relatório, Wilson elogiou o trabalho sério de pesquisa realizado pelo Instituto de Pesquisas em Geociências, a produção do filme A Criação e os eventos sobre criacionismo realizados ao redor do mundo.

Literatura e missão urbana

Wilson também tem demonstrado grande apreço pelos escritos de Ellen White. Isso fica claro em seus sermões e artigos, ao citar vários textos da mensageira do Senhor e ao usar os trechos mais conhecidos da pioneira como base para projetos institucionais. Assim ele fez em relação à ênfase no reavivamento e reforma, principal mote de sua gestão, bem como em relação ao projeto de distribuição de literatura e evangelismo urbano. Foi no último quinquênio que 140 milhões de exemplares do livro O Grande Conflito, e versões condensadas dele, foram entregues ao redor do mundo. Somente no Brasil, 35 milhões de cópias de A Grande Esperança foram entregues em 2012 e 2013 (clique aqui para saber mais).

Foi no último quinquênio também que a denominação fez um grande esforço para que Nova York sediasse um projeto-piloto de missão urbana. Para tanto, jovens de todas as regiões do mundo participaram da iniciativa com o intuito de replicá-la em sua terra natal (projeto “Um ano em missão”). Como resultado, mais do que dezenas de projetos sociais, 400 pontos de pregação e 5.300 pessoas batizadas, o programa, na visão de Wilson, teve o papel de lembrar que a orientação de Ellen White sobre o trabalho nas metrópoles exige uma abordagem mais completa e a longo prazo do que a que temos utilizado.

O entusiasmo do presidente por evangelismo urbano vem de longa data. Wilson começou seu ministério pastoral em Nova York e pesquisou em sua tese doutoral, na Universidade de Nova York, o que Ellen White propõe como estratégias evangelísticas para a Big Apple. Conselhos que podem servir de protótipo para qualquer metrópole mundial. Nos últimos cinco anos, o líder fez questão também de dirigir pessoalmente várias séries evangelísticas, seja nas Filipinas, onde 10 mil pessoas foram batizadas, ou mais recentemente no Zimbábue, onde 30 mil se uniram à igreja. Para dar respaldo teológico e fomentar o envolvimento dos adventistas na iniciativa “Missão para as cidades”, foi lançado no último quinquênio o livro Ministério para as Cidades, uma compilação dos escritos de Ellen White sobre o tema.

Saúde e web

Atrelada a essa visão sobre missão urbana, a sede mundial incentivou a prática e o ensino da mensagem de saúde, prova disso é o assunto do livro missionário deste ano, Viva com Esperança, distribuído aos milhões na América do Sul no fim de maio. Wilson chama de “evangelismo transformacional” a combinação de pregação e cuidados com a saúde. Essa foi a tônica de uma conferência realizada em Genebra, Suíça, em julho de 2014, para 1.300 delegados de 83 países. Outro investimento da igreja nos últimos anos foi a evangelização via internet. Os encontros mundiais de profissionais da web (GAiN) ganharam versões regionais, a exemplo da América do Sul, e neste ano teve sua primeira edição online.

Em seu discurso, Ted Wilson se valeu da atuação de Deus no passado para inspirar os fiéis a confiarem na condução dele no futuro. De 2010 a 2015, o adventismo celebrou datas importantes: os 150 anos da escolha do nome da denominação (2010), da organização da igreja (2013) e dos cem anos da morte de Ellen White (2015). Evidências de que os adventistas já estão fazendo hora extra aqui na Terra e, portanto, precisam resgatar o senso de urgência em relação ao tempo em que vivem. Afinal, como disse Wilson: “chegamos à beira da eternidade”. [Wendel Lima, equipe RA]


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Na contramão do mundo

À semelhança do passado, a igreja enfrenta pressões culturais em sua trajetória

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Em sua oração pelos discípulos, Cristo pediu ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17:15). Dois aspectos são importantes nessas palavras. O primeiro é que a igreja está no mundo. Ela está inserida em um contexto social e político. O segundo aspecto é que Cristo suplicou para que ela não se contaminasse com o mal que assola o mundo do qual ela faz parte. Como conciliar então essa tensão entre estar e não pertencer? Cristo nos orientou a ser sal e luz (Mt 5:13-16), ou seja, metáforas que apontam para a necessidade de estar misturado com o objetivo de influenciar para a transformação.

Uma das características de nossa sociedade pós-moderna é o questionamento de valores. Especialmente aqueles de natureza ética e espiritual. Em nome de uma “mentalidade aberta” e cultura avançada, e como uma espécie de repúdio ao tradicionalismo ou conservadorismo, a validade e a relevância desses valores têm sido desafiadas. Siegfried Júlio Schwantes escreveu: “Moralmente falando, nossa época presencia uma ruptura em larga escala com as normas do passado. A moral tradicional, herdada de um passado cristão, está sendo gradualmente carcomida pela incredulidade que se generaliza” (O Despontar de Uma Nova Era, p. 201).

O casamento, por exemplo, quanto à sua razão de ser e permanência, tem sido questionado nos dias atuais. E não somente a instituição em si parece ser colocada em xeque, mas a própria definição de quem são os cônjuges. O artigo 1.723 do Código Civil dispõe que: “É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.

Entretanto, segundo a advogada Raquel Santos, especialista em Direito Público, ao comentar a decisão do STF, “retirando-se as expressões ‘homem’ e ‘mulher’ do dispositivo, o instituto da união estável passa a ser aplicado à união homoafetiva com todas as suas disposições, ou seja, sem restrições, inclusive com a possibilidade de sua conversão em casamento, estando os demais órgãos do Poder Judiciário vinculados a essa decisão. Nesse contexto, as expressões “homem” e “mulher” são tidas como discriminatórias. Isso possibilitou sua aplicação ao instituto da união homoafetiva.”

Esse é mais um desafio com o qual a igreja se depara. Amplamente defendida, inclusive em caráter legislativo em alguns países, a união homoafetiva, no âmbito civil e religioso, tem sido a bandeira de movimentos sociais e de alguns segmentos mais progressistas das igrejas. Isso tem pressionado as instituições, a aderir a esse tipo de união, alegando que estamos vivendo em tempos avançados e que precisamos fazer jus a eles.

O matrimônio e a família são uma das doutrinas bíblicas fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Como denominação, cremos no casamento conforme orienta a Bíblia: essa instituição foi estabelecida no Éden e sancionada por Jesus como uma união permanente entre um homem e uma mulher (Gn 2:21-24; Mc 10:2-12). “A partir da diversidade entre macho e fêmea, Deus trouxe ordem, unidade. Na primeira sexta-feira, ele celebrou o primeiro casamento, unindo as duas criaturas, condensação de Sua imagem, em uma só. O matrimônio se tornou o alicerce da família, o fundamento da própria sociedade, desde o início” (Nisto Cremos, p. 388).

Russel Champlin, erudito do Novo Testamento, afirmou: “O primeiro par não se constituía simplesmente de um homem e de uma mulher, mas de macho e fêmea, sendo, assim, os representantes do princípio da união entre o homem e a mulher, princípio esse que requer uma união permanente, porque esse foi o propósito original da criação dos seres humanos” (O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, v. 1, p. 479).

Nessa assembleia mundial da igreja, no Texas, os delegados estão analisando temas que envolvem aspectos teológicos e sociais. O assunto do casamento também é objeto de estudo. Evidentemente que, o propósito da igreja, com esse debate, não será rever sua posição sobre o matrimônio, mas legitimar com mais clareza editorial a natureza permanente, monogâmica e heterossexual do casamento (Mt 19:3-6).

Nerivan Silva é pastor, mestre em Teologia e editor da revista Ancião na CPB

Os próximos cinco anos

A escolha de Ted Wilson reflete a tendência conservadora da maior parte da igreja mundial

Na reunião de trabalho de sexta-feira, dia 3 de julho, a única do dia, por ser véspera do sábado, foram aprovados seis itens da agenda: a limitação do número de delegados aos que já estavam próximos aos microfones; o relatório da secretaria, apresentado por G. T. Ng (leia o texto “A igreja diante do espelho” aqui) e a não utilização de votos secretos para a eleição de oficiais apontados pela Comissão de Nomeações, pois os dispositivos eletrônicos de votação não funcionaram como se esperava. As áreas de algumas Divisões sofriam com a falha, possivelmente por interferência do sinal de wi-fi do ginásio Alamodome. Além disso, alguns delegados pareciam não utilizá-lo adequadamente. Havia diferença até entre o número de aparelhos e o de votantes exposto na tela.

chamada-home-Primeiro-dia-da-assembleia-mundial-é-marcado-pela-busca-da-unidadeO último item foi um dos mais importantes, a aprovação do nome indicado pela Comissão de Nomeações para a presidência da Associação Geral, Ted N. C. Wilson. Aliás, quando Ted foi nomeado, Nancy, a esposa, foi encontrada na sala de oração da assembleia. Nos plenários, após 37 minutos de discussões, procedeu-se à votação. O presidente reeleito teve o apoio de 90% dos delegados. Após isso, o pastor Ted Wilson e a esposa Nancy se apresentaram na plataforma, sendo aplaudidos em pé pelos delegados e pela multidão nas arquibancadas.

O pastor Ted Wilson se dirigiu ao público reunido, com as seguintes palavras: “É com um respeito muito acatado e com humildade que nós dois estamos diante de vocês, diante de Deus, e aceitamos essa responsabilidade.” Em seguida, apresentou a tônica de sua nova gestão: (1) ênfase maior em Cristo e sua justiça; (2) ênfase na fidelidade dos membros; (3) o envolvimento de cada membro da igreja na missão. Na coletiva de imprensa, concedida pouco depois, afirmou que sua maior prioridade seria a terceira.

Em entrevista à Adventist Review, Nancy afirmou: “Sinto o mesmo que naquele dia há cinco anos. (…) Estou contente porque temos o Senhor para nos apoiar. É seu poder, sua força, sua igreja.” O pastor Ted Wilson compartilhou: “É um convite extremamente desafiador, para o qual ninguém se sente preparado. Ninguém pode exercer essa função a não ser pela condução direta e guia do Senhor.”

A ênfase de Wilson na humildade e na dependência de Deus não é exagerada nem apenas gentil. Diante dos enormes desafios ao cumprimento da missão da igreja e à perda de membros, assim como as dificuldades tanto internas quanto externas, o presidente mundial da Igreja Adventista precisará mais do que nunca da sabedoria do alto. A igreja votou pela continuidade, pelos valores mais tradicionais do adventismo e em rejeição às tendências progressistas e às pressões sociais que afetam todo o mundo religioso, incluindo a igreja reunida em San Antonio.

Diogo Cavalcanti é pastor, jornalista e editor de livros na CPB. Ele é o enviado especial da Revista Adventista para a assembleia mundial em San Antonio

Água e óleo

O evolucionismo teísta tenta misturar o que é impossível conciliar: Bíblia e evolução

origens

Mudanças editoriais na crença da criação foi um dos itens da agenda da assembleia mundial da igreja nesta segunda-feira, 6 de julho.

Num diálogo, é sempre mais cômodo concordar com o interlocutor. Às vezes, para evitar a discussão, há até quem “concorde” com aquilo de que discorda. Infelizmente, há muitos cristãos – e, mais infelizmente ainda, até mesmo adventistas do sétimo dia – optando por essa via fácil. A fim de evitar o debate, tentam misturar óleo e água, criando um simbionte aberrante; uma teoria que se compõe de péssima ciência com péssima teologia. E ela se chama evolucionismo teísta.

Mas, afinal de contas, por que não seria possível misturar a crença num Deus criador com a teoria da evolução? Por que não admitir que Deus possa ter criado a matéria por meio do Big Bang e dado início ao processo evolutivo? Simples, não? Na verdade, parece simples, mas não é.

Se partirmos da premissa de que Deus é o Criador, mas se utilizou de processos evolutivos para trazer a vida como a conhecemos à existência, a primeira a ser atingida por esse raciocínio “conciliatório” é a Bíblia. Vejamos por quê.

A Palavra de Deus deixa clara nossa responsabilidade diante do Criador. Mas se a espécie humana é o resultado final do acaso e da evolução através das eras cronológicas, temos nós qualquer responsabilidade diante de um poder mais elevado? De acordo com o Dr. Siegfried Schwantes (Colunas do Caráter, p. 205), “que estímulo há para se forjarem caracteres nobres e se praticarem atos heroicos numa filosofia que não reconhece outra lei que não a da selva, nem outra sanção que não a sobrevivência do mais forte?”

Se a espécie humana evoluiu, teria significado o importante conceito “todos são criados iguais”? E como a regra áurea “fazei aos outros o que quereis que vos façam” encontra significado na sociedade, se a “sobrevivência dos mais aptos” tem sido responsável por trazer a humanidade ao seu presente estado de inteligência superior? As duas ideias não parecem ser compatíveis.

Como se pode ver, a teologia bíblica é atingida bem no centro se rejeitarmos o relato da Criação. Importantíssimas doutrinas da Bíblia dependem desse relato. Por exemplo: a Bíblia afirma que a morte ocorreu como resultado do pecado (Gn 2). E na carta de Paulo aos Romanos, lemos que “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (5:12). Mas a evolução ensina que a morte existiu desde o princípio, muito antes que houvesse um ser humano. Em outras palavras: a morte não é resultado do pecado.

Nesse caso, qual é o significado teológico da vida e da morte de Jesus? Paulo diz: “Como pela desobediência de um só homem [Adão] muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos” (Rm 5:19). Por que precisamos de redenção e libertação? Se não houve um Jardim do Éden, com sua árvore da vida, qual é o futuro que Apocalipse 22 descreve para os remidos? Se as rochas da crosta terrestre já estivessem cheias de restos fossilizados de bilhões de animais, e mesmo de formas hominídeas que pareciam homens, então o próprio Deus é diretamente responsável por ter criado o sofrimento e a morte, não como julgamento pela rebelião, mas como fator integral da sua obra de criação e governo soberano. E isso significa caos teológico!

O quarto mandamento da lei de Deus diz: “Lembra-te do dia do sábado para o santificar, seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus […] porque em seis dias fez o Senhor os Céus e a Terra e o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou” (Êx 20:8-11). Além de ser um mandamento e um sinal distintivo entre o Senhor e seu povo (Ez 20:20), o sábado comemora a obra criadora de Deus, em seis dias literais. Cristo confirmou esse mandamento guardando-o (Lc 4:16). A Bíblia assegura que na Nova Terra (Ap 21) também será observado o sábado (Is 66:23). Pela teoria evolucionista teríamos que ignorar também esse importante conceito bíblico que é uma evidência de nosso amor ao Criador (Jo 14:15), memorial da criação e selo de obediência e fidelidade a Deus.

Como se pode ver, evolução e criação é uma mistura impossível. A tentativa de conciliação (talvez para se evitar maiores discussões) acaba originando uma teoria amorfa e ilógica. A criação não pode ser provada em laboratório, é verdade. Mas a evolução biológica (especialmente a abiogênese) também não. No fundo, tudo é uma questão de fé. De minha parte, prefiro crer no Deus Criador Todo-poderoso, a crer no acaso e no tempo como fatores “desencadeadores” da vida.

Michelson Borges é jornalista, mestre em Teologia e editor da revista Vida e Saúde na CPB


Saiba +

Entenda o histórico da redação acerca da crença sobre a criação e por que os ajustes editoriais propostos reafirmam a rejeição da igreja ao evolucionismo teísta