Declaração reafirma a confiança na Bíblia como revelação infalível e universal da vontade de Deus

Documento votado nesta segunda, dia 6, ressalta a relevância da Bíblia para qualquer tempo e cultura

declaracao-Biblia-homeAlém de eleições e ajustes no Manual da Igreja e nas crenças fundamentais dos adventistas, os quase 2.600 delegados que se reúnem em San Antonio, Texas, desde o dia 2, votaram hoje à tarde um documento que reafirma a confiança da igreja na Bíblia como revelação de Deus.

Basicamente, a declaração trata de quatro pontos: (1) reconhecimento de que a Bíblia é a infalível expressão da vontade de Deus; (2) reafirmação de que as Escrituras oferecem orientação para os dilemas intelectuais e éticos da atualidade, como a tentativa de redefinição do casamento; (3) reconhecimento de que a Bíblia tem relevância para qualquer tempo e cultura; e (4) compromisso de estimular o estudo diário das Escrituras, especialmente entre os novos conversos e mais jovens.

Até o próximo sábado, dia 11, os delegados estarão envolvidos em outros debates e decisões administrativas, doutrinárias e de aplicação prática para a denominação. Leia a seguir a declaração na íntegra.

RESOLUÇÃO SOBRE A BÍBLIA SAGRADA

Nós, delegados da assembleia da Associação Geral em San Antonio, Texas, reafirmamos nosso compromisso com a autoridade da Bíblia como a revelação infalível de Deus e de sua vontade. Nela, Deus revelou seu plano para redimir o mundo mediante a encarnação, vida, morte, ressurreição, ascensão e mediação de Jesus Cristo. Por ser um registro fidedigno dos atos de Deus na história desde a criação até a nova criação, repleto de instruções doutrinárias e éticas, as Escrituras moldam a experiência intelectual e prática dos cristãos.

Reconhecemos que as Escrituras oferecem uma perspectiva divina para avaliar os desafios intelectuais e éticos do mundo contemporâneo. Considerando as redefinições atuais de instituições estabelecidas por Deus, como o casamento, por exemplo, o compromisso com a revelação escrita de Deus permanece mais necessário do que nunca. Somente a cosmovisão bíblica de um Deus amoroso que batalha para redimir a criação do pecado e do mal provê uma estrutura coerente para a compreensão da realidade e para a obediência à lei de Deus.

Reafirmamos que, em meio à desesperança e ao relativismo do mundo contemporâneo, a Bíblia apresenta uma mensagem de esperança e certeza que transcende tempo e cultura. As Escrituras dão a certeza de que, em Jesus, nossos pecados foram perdoados e a morte foi derrotada. As Escrituras também anunciam que ele logo voltará para dar fim ao pecado e recriar o mundo. Enquanto aguardamos a consumação de todas as coisas, a Bíblia nos chama a ter uma vida santa e a nos tornar arautos do evangelho eterno, aproveitando cada oportunidade e todos os recursos para anunciar as boas-novas por palavras e ações.

Considerando a importância das Escrituras, os benefícios de seu estudo para a igreja e os desafios impostos pelo mundo contemporâneo, os delegados da Associação Geral, em assembleia, apelam a todos os adventistas do sétimo dia que leiam e estudem a Bíblia todos os dias, em atitude de oração. Além disso, por causa dos desafios especiais enfrentados por novos conversos e jovens, insistimos para que cada cristão busque maneiras de compartilhar a Bíblia com esses grupos de maneira especial e promova a confiança deles na autoridade das Escrituras. Também apelamos aos pastores e pregadores que baseiem seus sermões no texto bíblico e transformem cada sermão em uma oportunidade para exaltar a autoridade e a relevância da Palavra de Deus.

Que mostremos a beleza, o amor e a graça de nosso Senhor Jesus Cristo revelada nas Escrituras. Que nossos pensamentos e ações estejam de acordo com a esperança bíblica do breve retorno de Jesus, nosso Senhor. [Wendel Lima, equipe RA]

Cultura ou Escritura?

O grande teste da fé é se manter fiel à Bíblia quando ela contraria os valores do nosso tempo

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A declaração de Ellen White de que a Bíblia é “a voz de Deus nos falando […] como se pudéssemos ouvi-la literalmente” (Testemunhos para a Igreja, v. 6, p. 393) é, ao mesmo tempo, confortante e desafiadora.

Ela é facilmente aceita quando a Bíblia diz que “Deus é amor” (1Jo 4:8), que Jesus foi preparar “moradas” para nós (Jo 14:2) e que ele pode “nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:9).

No entanto, a mesma Bíblia também afirma que os israelitas foram instrumentos divinos para punição dos cananeus (Lv 26:7, 8), que o escravo Onésimo deveria voltar para seu senhor (Fm 12), que as mulheres devem ser “sujeitas” ao marido (Ef 5:22; 1Pe 3:1) e que os “efeminados” não herdarão “o reino de Deus” (1Co 6:10). Para muitos, nisso, a Bíblia entra em choque com os valores mais lógicos e atuais e deixa de parecer a voz de um Deus de amor.

Inclusão e igualdade são hoje ideais hegemônicos. É coerente e atual abrir espaço para as minorias marginalizadas. Defender os direitos femininos irrestritos é politicamente correto. Diante disso, certas declarações bíblicas têm causado constrangimento. As indagações surgem às dezenas:

Por que Deus manteria aliança com os israelitas se eles fizeram “pior” do que os cananeus que haviam contaminado a terra de Canaã (2Rs 21:9)? Não teria essa história sido narrada da perspectiva de Israel, retratando os cananeus como ímpios, quando na verdade os israelitas foram piores do que eles? Por que a escravidão foi tolerada ao longo de séculos sem nenhuma condenação direta? Por que a Bíblia, desde o princípio, não estabeleceu a igualdade entre homem e mulher, combatendo o machismo? Por que a marginalização não foi encarada corajosamente, da mesma forma que Jesus defendeu a mulher adúltera?

Lentes da cultura

Para muitos, a resposta é simples: a verdade bíblica, transmitida pelos autores inspirados, se acomoda às estruturas socioculturais do contexto em que foi escrita. Essa abordagem procura resolver os dilemas causados pelo relato bíblico quando este entra em choque com os valores e a visão de mundo do tempo atual. Para os defensores do ponto de vista da verdade aculturalizada, o relato bíblico da criação, por exemplo, incorpora as ideias mitológicas do tempo de Moisés e a descrição dos costumes sociais reproduz os valores do contexto em questão sem interferir neles. Portanto, essas pessoas defendem que, hoje, o ensino das origens deve substituir as ideias de Moisés pela visão dominante da ciência. Da mesma forma, uma abordagem atual da condição da mulher e dos excluídos deve incorporar o sentimento de igualdade e inclusão predominantes.

Além disso, a valorização da pluralidade na cultura pós-moderna tem fomentado leituras diversas da Escritura, possibilitando a cada grupo social uma teologia específica. Existe a teologia da libertação, que usa a Bíblia para dar voz aos pobres e oprimidos; a teologia feminista, que empreende a defesa da mulher; a teologia negra e a teologia homossexual, em defesa dos marginalizados. Todas essas abordagens partem da suspeita de que há sistemas de dominação na sociedade e que a tarefa da teologia é desmontar tais estruturas sociais e promover a emancipação das diversas classes oprimidas. Henry A. Vikler afirma que “a hermenêutica da suspeita reivindica a tarefa de desmascarar a visão de mundo em que o texto bíblico se apoia, a qual se suspeita ser o suporte dos poderosos em sua opressão sobre os fracos” (Hermeneutics: Principles and Process of Biblical Interpretation, p. 69).

Orientados por esse espírito desconstrucionista, os teólogos dissecam o texto bíblico como se fosse possível estabelecer quando os autores inspirados estão transmitindo uma verdade espiritual e quando estão apenas refletindo a visão de mundo e as ultrapassadas estruturas socioculturais de seu tempo. Decorre daí a centralidade do intérprete em detrimento da autoridade do texto sagrado.

Submissão à Palavra

Contrariamente a essa tendência de elevar o intérprete acima do autor inspirado e de considerar a Palavra de Deus como acomodada à cultura antiga, Cristo endossou “todas as Escrituras” (Lc 24:27), e Paulo declarou que “toda a Escritura é divinamente inspirada por Deus” (2Tm 3:16).

Em defesa da verdade bíblica, Ekkehardt Mueller afirma que “a Palavra de Deus não é cultural nem historicamente condicionada, mas cultural/historicamente constituída”. Apesar de ser transmitida por meio da linguagem humana, “ela transcende a cultura e nos alcança hoje”. Por isso, diz ele, “o que o texto bíblico significava em seu ambiente original é precisamente o que ele significa para nós hoje”, e toda a verdade bíblica precisa ser entendida a partir de “seu significado original” (Compreendendo as Escrituras, p. 113).

Quando os dilemas sociais são analisados no contexto bíblico, deve-se notar que a salvação é o objetivo primordial da revelação divina. Nessa perspectiva, Deus foi capaz de libertar o povo de Israel da escravidão egípcia, quando essa condição comprometia o plano da salvação, mas ele também foi capaz de entregar esse mesmo povo à escravidão novamente, sob as mãos do rei pagão Nabucodonosor, a quem ele chamou de “meu servo” (Jr 25:9). Libertar e escravizar do ponto de vista social são ações subordinadas ao plano da salvação, que é superior e essencial, ficando subentendido que a escravidão decorre do afastamento do plano salvífico de Deus.

Diante das expectativas dos discípulos acerca da restauração do reino de Israel e da libertação do jugo romano, Jesus foi claro em dizer que o reino de Deus estava dentro deles (Lc 17:20, 21). Esse reino espiritual, que liberta do poder do pecado, é a essência do reino da graça inaugurado por Jesus. Mais tarde, antes da descida do Espírito, ele disse que não competia aos discípulos saber o tempo para a implantação do reino da glória (At 1:6, 7), que incluiria libertação social e política de todo tipo de jugo. O objetivo da manifestação e da ação de Deus na história é a salvação de seus filhos.

É notório que Jesus não só frustrou as expectativas emancipatórias imediatas dos discípulos, mas disse que eles seriam perseguidos e maltratados por causa de seu nome (Lc 21:12). Ele deixou sugerido que Roma continuaria soberana e que perseguiria os próprios crentes. E não esboçou nenhum plano de quebrar esse poder, senão no reino da glória. O plano da salvação é prioritário, e essa questão deve ser levada em conta na leitura dos relatos bíblicos envolvendo questões sociais.

A despeito disso, porém, é preciso considerar que a submissão da mulher na Bíblia não é a mesma da cultura machista do mundo. A relação da igreja com Cristo é o modelo da submissão feminina e da autoridade masculina. O escravo na Bíblia também não é o mesmo escravo da história europeia-americana, pois não raro o escravo em Israel preferia ficar com seu senhor quando ele podia ser livre (Dt 15:13-16). Todos os pecadores, por mais socialmente excluídos que sejam, são salvos mediante o arrependimento e abandono do pecado possibilitados pela graça de Cristo.

Nas últimas décadas, os cristãos têm manifestado grande reverência para com as Escrituras. Nunca se leu tanto a Bíblia nem jamais foram vendidas tantas cópias do livro sagrado. No entanto, as Escrituras têm sido lidas mais como um compêndio de autoajuda do que como revelação da verdade divina.

O teólogo britânico John Barton considera que as hermenêuticas pós-modernas “permitem às pessoas atribuir o significado que elas desejam ver nos textos sagrados”. Essa abordagem oferece um modelo de exegese que proporciona às pessoas “bem-estar dentro de suas comunidades”. Segundo ele, na verdade, os crentes pós-modernos não desejam ser desafiados pelo significado do texto bíblico, a despeito do “lugar de honra” que dão à Bíblia (Cambridge Companion to Biblical Interpretation, p. 18).

Teste da fé

O grande teste da reverência para com a verdade bíblica não é quando a Bíblia afirma o que acreditamos, mas quando ela contraria nossas expectativas e convicções mais íntimas. A mesma voz que diz que Jesus pode perdoar nossos pecados também afirma que a igreja não é deste mundo nem deve se acomodar à cultura secular; em vez disso, precisa ser separada.

O teste da fé é quando a Bíblia diz uma coisa que a ciência, com seus métodos, tem demonstrado o contrário. É quando um autor inspirado faz uma afirmação que entra em choque direto com os valores do nosso tempo. Manter essa afirmação inspirada é não apenas uma questão de fé, mas de submissão.

Nisso, a própria Bíblia nos dá inúmeros exemplos. Jó pôde dizer: “ainda que ele me mate nele esperarei” (Jó 13:15). O pequeno Samuel disse: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (1Sm 3:9). A primeira característica da fé é a submissão à voz de Deus.

Vanderlei Dorneles é Doutor em Ciências pela Escola de Comunicação e Artes (USP) e redator-chefe associado na CPB

A unidade é possível se …

… o foco da igreja não estiver excessivamente nas divergências, mas naquilo que nos une: nossa mensagem e missão
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Unidade na diversidade é uma das características que definem a Igreja Adventista do Sétimo Dia em seus 152 anos como um movimento oficialmente organizado. Porém, muitos se perguntam: O que significa essa unidade em nossos dias? Além disso, alguns questionam: Até que ponto permaneceremos unidos enquanto crescemos agregando pessoas e culturas tão diferentes entre si? Como podemos ter opiniões divergentes e ainda nos considerarmos irmãos?

Em 1870, sete anos depois de sua organização, os adventistas reuniam pouco mais de 5 mil pessoas, distribuídas em 179 igrejas, em uma denominação essencialmente norte-americana. A ideia de unidade nesse contexto parecia viável. Como é possível, contudo, falar na unidade de uma igreja que soma quase 19 milhões de membros, espalhados em 216 países, vivendo a fé e os desafios da vida em realidades tão contrastantes? Como manter a unidade doutrinária e administrativa numa realidade tão diversificada e em constante mudança?

Divergências teológicas e administrativas já sacudiram o movimento adventista ao longo das décadas. Em 1888, a doutrina da justificação pela fé e a compreensão do significado da lei no livro de Gálatas dividiam as opiniões. A reorganização administrativa no início do século 20 foi realizada buscando o consenso de diferentes pontos de vista. Na década de 1980, polêmicas teológicas levantadas por Desmond Ford e Walter Rea sacudiram a igreja, questionando pilares distintivos do adventismo como a doutrina do santuário e a inspiração profética de Ellen G. White. Na atualidade, assim como aconteceu nos anos 1990, o debate sobre a ordenação de mulheres ao ministério pastoral divide opiniões.

Em diversas situações de tensão e divergências, muitos viram a igreja prestes a sofrer um cisma ou muito perto de um racha irreversível. Porém, uma igreja levantada por Deus não seria destruída pelo capricho humano. Após as polêmicas de 1888, os adventistas chegaram a uma compreensão muito mais clara da justificação pela fé em sua mensagem profética. A reorganização administrativa deu novo impulso às missões e ao crescimento da igreja. Os questionamentos sobre o santuário e o ministério profético resultaram em profundo estudo bíblico desses temas e colocaram a igreja em um novo patamar de compreensão de pilares de sua mensagem. Não há motivo para acreditar que, com a discussão sobre a ordenação feminina será diferente. Assim como aconteceu no passado, Deus continuará guiando seu povo a uma compreensão mais clara a respeito de temas em debate.

Convergências

Em seu livro The Fragmenting of Adventism, lançado há 20 anos, o ex-redator-chefe da Revista Adventista dos Estados Unidos, William Johnsson, cita alguns fatores que desafiavam a unidade da igreja naquela época e deveriam continuar a desafiar os novos líderes: diferenças de geração, novas mídias, forte crescimento, diversidade de vozes e opiniões, polarização teológica, entre outros pontos. “A igreja nunca mais retornará à relativa calma e ordem dos anos 1960 e 1970”, ele afirma. Na opinião do experiente editor, a saída não está em focalizar excessivamente as divergências, mas buscar a convergência no que é essencial à fé e à missão do povo do advento.

Johnsson sugere o enfoque no que é fundamental: “Somos o povo da esperança – isso é básico, então a segunda vinda de Cristo deve ser central. Somos o povo do sábado – então a lei deve ter destaque, mas colocada sob o prisma da graça. E somos o povo da Bíblia. E um povo com o espírito de profecia. E a mensagem do santuário. E temos uma missão para o mundo. E Deus nos chamou para vivermos como seus filhos, para representá-lo nos últimos dias” (p. 121). “Vamos dirigir nossos esforços para esse objetivo”, ele orienta.

Surgida no século 19, a Igreja Adventista do Sétimo Dia atravessou as turbulências do século 20 e chegou ao século 21 com o desafio de continuar crescendo de maneira integrada, em espírito de unidade. O desafio parece impossível? Porém, todas as conquistas alcançadas até aqui não são fruto das possibilidades humanas, mas resultado do poder de Deus. O mesmo poder continuará atuando enquanto houver homens e mulheres dispostos a cumprir as orientações divinas.

Guilherme Silva é pastor, jornalista e editor de livros na CPB

Não é hora de medir forças

Na guerra dos sexos, a questão não é quem tem o perfil para mandar, e sim para obedecer a Deus

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Uma grande questão estava em jogo. O povo de Israel vinha sendo cruelmente oprimido pelos inimigos durante 20 anos e, depois de clamarem ao Senhor, a resposta veio por meio de uma pessoa bastante improvável para a cultura da época.

Débora mandou chamar Baraque e lhe deu uma ordem. Ele devia reunir 10 mil homens e ir a um determinado monte, pois Sísera, o comandante do exército de Jabim, rei de Canaã, o atacaria. Mas Baraque não deveria ficar preocupado, pois Deus entregaria os inimigos em suas mãos. Baraque acreditou em Débora e seguiu à risca suas ordens. Mas ele fez um pedido: que ela o acompanhasse na batalha. Meio estranho, não é? O que levou um homem experiente, que comandava 10 mil soldados, a fazer um pedido desse? A resposta está em quem era Débora e quais as credenciais que ela portava.

A Bíblia conta que Débora exercia as funções de esposa, mãe, profetisa e líder de Israel na época dos juízes. Deus Se comunicava com ela, e ela transmitia as mensagens ao povo. Literalmente, Débora trabalhava fora, pois costumava ficar sentada embaixo de uma tamareira, onde o povo a procurava para que ela julgasse suas questões. Com uma responsabilidade tão grande pesando sobre si, Débora teria todas as razões do mundo para responder negativamente ao pedido de Baraque. No entanto, surpreendentemente, ela não só aceitou como ainda fez uma profecia: por causa da atitude de Baraque, a honra de capturar Sísera seria transferida a uma mulher. E ela não estava se referindo a si mesma (Jz 4:17-21).

Não se tem registro de outra mulher que tenha exercido um cargo de tanta influência em Israel e que tenha sido tão respeitada pelo povo. Débora vivia um relacionamento íntimo e pessoal com Deus, que a tornava uma pessoa diferenciada. Tinha profunda percepção espiritual, compreendia o motivo da triste situação de Israel e acreditava no que Deus faria por seu povo caso se voltassem para ele. Ela não teve medo de assumir a responsabilidade pela nação e sua motivação estava em servir a Deus e fazer a vontade dele. Não havia reivindicado nem sonhado com essa função, mas aceitou a autoridade que lhe foi concedida pelo próprio Deus para colaborar na libertação de seu povo.

Baraque teve um papel tão importante quanto Débora. Foi ele quem comandou o exército israelita e transmitiu a confiança necessária aos soldados para irem à luta. Seu nome é citado em Hebreus 11 (v. 32) entre aqueles que foram fiéis a Deus e realizaram grandes coisas, como por exemplo ser poderoso na batalha e colocar em fuga exércitos estrangeiros.

Lado a lado

A experiência desses dois personagens parece se encaixar perfeitamente neste texto de Ellen G. White: “Quando se tem a fazer uma grande e decisiva obra, Deus escolhe homens e mulheres para realizá-la, e ela sofrerá o dano caso os talentos de ambas as partes não se aliarem” (Evangelismo, p. 469). Também nos faz refletir sobre o papel que homens e mulheres precisam desempenhar na obra de Deus, se quisermos ver Jesus voltar em nossos dias.

Foi com o objetivo de tornar as mulheres aliadas dos homens e não rivais que, em 1995, a Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia reativou um ministério antigo, que havia surgido em 1898, com uma consagrada mulher norte-americana chamada Sarepta Myranda Irish Henry. Ela se tornou adventista somente nos últimos anos de sua vida e seu trabalho foi elogiado e incentivado por outra grande mulher, que semelhante a Débora, havia aceitado a difícil missão de dar direcionamento ao povo de Deus, transmitindo as mensagens necessárias para este tempo.

Ellen White conhecia os benefícios de trabalhar em parceria e acreditava que nenhum talento deveria ser desperdiçado. Se os homens e mulheres de sua época não tivessem se unido e trabalhado juntos, a Igreja Adventista não teria prosperado. Jesus valorizou o trabalho das mulheres em Seu ministério e o apóstolo Paulo destacou algumas mulheres que foram essenciais na pregação do evangelho. Esse é o padrão divino, porque Deus nunca fez acepção de pessoas. Ao escolher alguém para uma obra especial, Ele sempre considerou a disposição para servir. A questão nunca foi quem tem o perfil para mandar, e sim para obedecer – obedecer à voz de Deus e realizar sua vontade.

Baraque não se importou de obedecer às ordens de uma mulher. Ele sabia quem era Débora e acreditava que Deus a havia escolhido para cumprir uma importante missão. Por causa dessa atitude, Deus pôde usar ambos e a vitória foi garantida.

Ministério da Mulher sul-americano completa 20 anos de existência em 2015. Foto: acervo pessoal / Meibel Guedes

Ministério da Mulher sul-americano completa 20 anos em 2015. Foto: acervo pessoal / Meibel Guedes

Em 2015, o Ministério da Mulher completa vinte anos e, com certeza, existem muitos motivos para comemorar. Milhares de mulheres têm sido atendidas em suas necessidades e hoje têm a possibilidade de uma vida melhor. Mas ainda existem desafios, e nos resta bem pouco tempo. Não é hora de medir forças. Precisamos ser humildes e corajosos para ocupar a posição em que Deus nos colocar. É o Capitão e não o soldado que decide quem deve liderar as fileiras do exército. A vitória já foi garantida por Aquele que hoje nos diz: “Tudo ficará bem, apenas venha comigo…”

Neila Oliveira é graduada em Letras, autora e editora de livros infanto-juvenis na CPB

Pastor Magdiel Pérez será o assessor especial do presidente mundial da igreja

O ex-secretário da Divisão Sul-Americana foi eleito para a função pela assembleia mundial da igreja na última segunda-feira, dia 6

Há cinco anos e meio servindo como secretário da sede da igreja para oito países da América do Sul, o pastor chileno Magdiel Perez deixa o cargo para atuar como assessor especial do presidente mundial dos adventistas, pastor Ted Wilson. Ele foi eleito para a nova função na última segunda-feira, 6 de julho, pela assembleia mundial da igreja, em San Antonio, Texas (EUA). Pérez assume o posto deixado por Orville Parchment, que se aposentou recentemente.

Magdiel Pérez, que tem 50 anos e também trabalhou na Divisão Sul-Americana durante um ano e meio como assessor da presidência, também possui cidadania australiana. Ele é casado com Susan, com quem teve três filhos.

Em entrevista à Revista Adventista, Pérez falou sobre quais serão suas atribuições na Associação Geral e fez um balanço da secretaria da igreja durante a sua gestão.

O futuro da missão

Igreja brasileira deve atentar para a diversidade de métodos e para os novos fluxos migratórios

o-futuro-da-missaoEm 2014, pelo décimo ano consecutivo, mais de 1 milhão de pessoas se tornaram adventistas no intervalo de um ano. Esse crescimento fez a denominação atingir a marca de 18,5 milhões de fiéis e ser considerada a quinta maior denominação cristã do mundo, segundo a revista Christianity Today. Diante desses números, a possibilidade de evangelizar as nações e ver o retorno de Cristo em nossos dias parece estar mais próximo hoje do que nunca antes na história.

No entanto, o cenário das missões está sendo afetado por vários fatores que devem influenciar nossas estratégias e métodos de trabalho. São variáveis demográficas, econômicas, políticas, tecnológicas, culturais e religiosas. Esse panorama em mutação inclui as mudanças que têm ocorrido na compreensão e prática do evangelismo nos últimos cinco anos no Brasil. Estamos diante de desafios e oportunidades únicas para a missão.

Visão ampliada

Na medida em que a possibilidade de completar a grande comissão (Mt 28:18-20) se torna uma realidade, os estrategistas de missões estão aprendendo a ver o mundo com outros olhos. Com isso, o paradigma do simples alcance de países e geografias tem sido substituído pelo da evangelização de grupos etno-linguísticos. Textos como o chamado de Deus a Abraão para que ele fosse uma bênção para todas as nações (Gn 12:3) e a visão de João sobre a diversidade cultural da grande multidão de salvos (Ap 7:9) têm ajudado a igreja a enxergar o globo como Deus enxerga: dividido em grupos étnicos, em grego, panta ta ethn?.

Perceber essas nuances da evangelização e colocar o foco nesses grupos têm sido a tendência mais notável e significativa da estratégia missionária da Igreja Adventista na América do Sul nos últimos anos. Ao investir na evangelização de cegos, surdos, ciganos, tribos urbanas, grupos étnicos e segmentos específicos da população, a igreja reconhece a necessidade de diversificar suas abordagens a fim de que o evangelho eterno circunde o globo. O despertamento para esse cenário vem em hora oportuna, porque a missão adventista se vê desafiada a responder a três tendências mundiais que se verificam também no Brasil: urbanização, migração e internacionalização.

Urbanização

Se o adventismo começou na zona rural nos Estados Unidos do século 19, hoje ele é desafiado a comunicar o evangelho eterno para uma audiência do século 21 que majoritariamente vive nas cidades. Se em 1950, havia 83 cidades no mundo com uma população de mais de 1 milhão, hoje são 280, e 14 que excedem 10 milhões.

Ao mesmo tempo em que o contexto urbano exige dos seus habitantes um ritmo acelerado de vida com o foco na sobrevivência e no consumo, as metrópoles são ambientes propícios para novas experiências, inclusive religiosas. São nas grandes cidades também que muitas pessoas podem ser alcançadas de uma só vez. Apesar da aglomeração urbana, as metrópoles não são monolíticas, mas sim um labirinto de comunidades etnicamente distintas e com estratos sociais e econômicos diversificados que desafiam qualquer abordagem tamanho único. Assim, para que o mundo seja evangelizado, as cidades devem ser alcançadas.

Migração

Estima-se que 125 milhões de pessoas vivem fora dos seus países de origem, de forma permanente, e outros como uma força de trabalho temporário. Nos séculos 18 e 19, a migração fluiu de países mais ricos para os mais pobres; agora, o fluxo é de regiões menos desenvolvidas para as mais desenvolvidas. Segundo o jornal El Pais, Quase 57.300 imigrantes ilegais chegaram à Europa só no primeiro trimestre de 2015.

O Brasil também está na rota dos fluxos migratórios. Temos recebido novos trabalhadores de Bangladesh, Gana, Senegal, Haiti e Bolívia, em uma das maiores ondas migratórias já registradas no país. As ruas das principais cidades do Brasil estão cheias de cores, sons e cheiros de dezenas de diferentes culturas asiáticas, andinas, africanas e árabes.

Com isso, já não podemos mais falar em alcançar outras culturas, se negligenciarmos os estrangeiros descrentes que estão do outro lado da rua. Será que estamos atentos à essa nova realidade? Temos recebido os refugiados e imigrantes de braços abertos ou os enxergamos como invasores de nossas igrejas e bairros? Em alguns casos, grupos que são altamente resistentes ao evangelho em seus países de origem, podem ser muito receptivos num ambiente urbano longe de suas raízes. Além disso, o contato intencional com essas comunidades poderia servir de treino para missionários que desejam atravessar o mar e servir em contextos mais desafiadores.

Globalização

Se no passado a rota das missões saia do mundo desenvolvido para o subdesenvolvido, do ocidente para o oriente e do norte para o sul, hoje é de qualquer lugar para qualquer lugar. De acordo com Todd Johnson, professor do Gordon-Conwell Theological Seminary (EUA), dos 400 mil missionários enviados em 2010, 34 mil partiram do Brasil, o segundo país no ranking liderado pelos Estados Unidos com 127 mil missionários enviados.

Uma das portas que se abrem com a globalização é para a participação de escolas, igrejas e agências missionárias em missões de curta duração. Congregações paulistanas como a de Moema e o Unasp, campus São Paulo, têm feito isso por meio de seus estudantes e profissionais voluntários. Apesar dos cuidados que devem ser tomados com esses projetos para que não se tornem meras viagens de turismo ou de intercâmbio cultural, o envolvimento de pessoas nesse tipo de iniciativa só tem aumentado. As vantagens são que as missões de curta duração podem envolver pessoas até então sem treino e experiência ministerial no trabalho de Deus, liberando assim os missionários mais experientes para trabalhos mais específicos. Ao que parece, somente uma grave crise financeira inibiria esse fluxo.

Futuro

Hoje, essas três tendências representam grandes desafios e oportunidades para a Igreja Adventista que não podem ser ignorados. A primeira lição a ser aprendida é que não existe só um método para a evangelização. Com a globalização, precisamos desenvolver abordagens que não ofendam, mas que atraiam diversos povos ao evangelho. Isso significa que atendimento de saúde, aulas de inglês, séries públicas de evangelismo e pequenos grupos que enfatizam o discipulado podem ser métodos úteis para contextos distintos, e não necessariamente para todos os contextos.

Em segundo lugar, o sucesso da empreitada missionária não pode ser medida apenas pelo número de batismos. Numa reunião realizada em 2013, líderes revelaram que a igreja perdeu um em cada três membros ao longo dos últimos 50 anos. Além disso, para cada 100 pessoas que a Igreja Adventista batiza ao redor do mundo, ela perde 43 membros antigos. http://www.christianitytoday.com/gleanings/2013/december/seventh-day-adventists-assess-why-1-in-3-members-leave-sda.html Portanto, o evangelismo bem-sucedido deve deixar de ser mensurado apenas em termos de “números de batismos” ou de quantos “vieram à frente”, mas em crescimento real que se traduz na multiplicação de discípulos.

Felizmente, a missão é a prioridade de Deus, e assim permanecerá até a volta de Cristo. Os desafios que a Igreja Adventista enfrenta podem tornar-se cada vez mais difíceis, mas Deus transcende a todas eles. É nossa crença de que Deus proverá as habilidades e dons necessários para o desafio de alcançar os povos do mundo. Essa é a agenda de Deus; e pode tornar-se cada vez mais a nossa também. A missão é obra de Deus. O mundo é a esfera de sua missão. E a igreja é sua parceira no reino vindouro.

Emílio Abdala é doutor em Ministério pela Universidade Andrews (EUA) e diretor de Missão Global na sede paulista da Igreja Adventista


VEJA TAMBÉM

Relatório da Divisão Sul-Americana apresentado na assembleia mundial da igreja nesta terça-feira, 7 de julho

 

Tempo de agir

Relatório de Guillermo Biaggi, então presidente da Divisão Euro-Asiática, no dia 5, emocionou o público com histórias de fidelidade no leste europeu e na Rússia

 

As atividades evangelísticas da Divisão Euroasiática são projetadas para alcançar o máximo possível de pessoas. Crédito: departamento de comunicação da ESD

As atividades evangelísticas da Divisão Euro-Asiática são projetadas para alcançar o máximo possível de pessoas. Crédito: departamento de comunicação da ESD

O território da Divisão Euro-Asiática (Euro-Asian Division — ESD) da Associação Geral abrange uma área imensa, formada por onze fusos horários, treze países e uma população de 330 milhões de habitantes, os quais representam mais de duzentos grupos étnicos, professam o cristianismo, o islamismo, o budismo, o paganismo, o ateísmo e cuja maioria é influenciada por uma cosmovisão secularizada.

Evangelismo 7-7-7

A iniciativa 7-7-7 da igreja mundial, que conclamou os membros a se unirem em oração pela manhã e pela noite se tornou uma grande bênção. Em nossa Divisão, foi o ponto de partida para cada membro:

  • Dedicar pelo menos sete minutos por dia ao estudo da Bíblia.
  • Dedicar pelo menos sete minutos por dia para compartilhar as boas-novas.
  • Interceder diante de Deus por pelo menos sete pessoas.
  • Encontrar sete motivos por dia para agradecer a Deus.

O dia 15 de maio de 2013 foi a data de início de um período de “777 Dias de Evangelismo Contínuo”, que durou até a abertura desta assembleia mundial.

A fim de incentivar o maior número possível de missionários, a igreja organizou e realizou diversos congressos para pastores, anciãos e jovens, atraindo mais de 2 mil participantes em cada um deles. Programas de missão urbana começaram em duas capitais, Kiev e Moscou, a fim de abranger eventualmente todas as nove Uniões e 33 Associações, Missões e Postos Missionários.

Em outubro de 2013, foi inaugurada uma escola de evangelismo em Kiev para capacitar pastores, instrutores bíblicos e médicos missionários. O programa “Um Ano em Missão” facilitou o treinamento de equipes de jovens missionários. O conhecimento adquirido foi colocado em prática. Missionários compartilharam as boas-novas em ruas, praças, shopping centers e outros locais públicos.

Houve um tempo em que o território da Divisão Euroasiática era considerado um dos mais inacessíveis para a pregação do evangelho. Mas “a palavra de Deus não está presa” (2Tm 2:9). No fim da década de 1980, o Senhor abriu o Kremlin em Moscou. O evangelista Mark Finley pregou as três mensagens angélicas ali, resultando em milhares de batismos. Hoje, novamente o Senhor oferece oportunidades únicas. Em Kiev, na Ucrânia, e em Moscou, na Rússia, o canal de televisão Hope Channel conseguiu licença governamental, abrindo caminho para alcançar milhões de espectadores em potencial.

 

Jovens da Divisão Euroasiática estão envolvidos em atividades variadas de divulgação da mensagem, como evangelismo público e serviço à comunidade. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Jovens da Divisão Euroasiática estão envolvidos em atividades variadas de divulgação da mensagem, como evangelismo público e serviço à comunidade. Crédito: departamento de comunicação da ESD

De criminoso a testemunha do Senhor

Sete dos treze países da ESD são dominados pelo Islã e pertencem à Janela 10/40. Não é seguro pregar o evangelho ali, nem mesmo dentro de igrejas. Pregadores e missionários adventistas já foram expulsos muitas vezes desses países. Diante de tais circunstâncias, o testemunho pessoal é o método mais apropriado de evangelismo, sobretudo quando sai dos lábios de pessoas nativas.

Malik Ashirov, líder de um grupo do Cazaquistão, pertence à etnia uigur. Ele professa abertamente o cristianismo. Apesar de ser relativamente jovem, já passou mais de 15 anos da vida na prisão. Enquanto cumpria uma de suas penas, ouviu um pastor adventista falar sobre Jesus.

No dia 9 de agosto de 2000, guardas tiraram Ashirov de sua cela e ele foi solto em sistema de liberdade condicional. Seus companheiros de prisão e os guardas testemunharam o batismo dele, algo que nunca haviam visto antes.

O Senhor mudou a vida de Ashirov. Depois de sair da prisão, ele se casou e teve uma filha e um filho. As pessoas o veem muitas vezes com a Bíblia na mão. O testemunho cristão se transformou em seu propósito de vida.

Ventos de intolerância

Em seis países da Divisão, a maioria das pessoas pertence à Igreja Ortodoxa. As igrejas protestantes costumam ser consideradas estrangeiras, ao passo que a Igreja Ortodoxa dominante cria uma série de problemas. Em alguns países, a lei permite que os cristãos adorem ou preguem o evangelho somente em prédios dedicados para esse fim. Por isso, ter casas de oração é nossa única chance de testemunhar. Graças aos esforços de membros e pastores, com o apoio da igreja mundial, dezenas de novas capelas e centros de influência foram construídos.

Recentemente, membros e pastores da República da Bielorrússia realizaram algo que parecia impossível. Em apenas 45 dias de trabalho, eles construíram com as próprias mãos um prédio de quatro andares como centro de influência na cidade de Minsk. As paredes do novo edifício foram erguidas bem diante de nossos olhos, um testemunho de fidelidade e dedicação à obra.

Educação adventista do sétimo dia

Temos 25 escolas que oferecem educação cristã na Divisão Euroasiática.

Até pouco tempo atrás, nossa igreja não tinha permissão para administrar as próprias escolas. Mas assim que tivemos essa possibilidade, percebemos que nos faltavam as premissas necessárias para as atividades de ensino e aprendizagem. Com tantas pessoas que desejavam estudar em escolas da igreja, não perdemos tempo. Em resposta a esse desafio, os administradores das Associações Ucraniana Ocidental e de Bujovinskaya, da União Ucraniana, tomaram uma decisão incomum: desocuparam seus escritórios em Lvov e Chernovtsy a fim de acomodar salas de aula ali.

Ventos de guerra

Enquanto nos regozijávamos com nosso sucesso na pregação do evangelho na Ucrânia, ninguém previa a série de acontecimentos políticos que levaria a uma guerra com centenas de milhares de refugiados e migrantes forçados, com belas cidades e povoados transformados em ruínas.

A fim de aliviar o sofrimento e levar consolo aos sofredores, os adventistas da Ucrânia deram início à campanha “Anjo Oriental”. O objetivo do projeto é conseguir alimento e remédios para os necessitados, feridos e aflitos, bem como contribuir com a restauração de construções danificadas pela guerra. Pastores e membros criaram equipes de reforma e saíram para trabalhar no leste da Ucrânia.

Ao mesmo tempo, nossos membros da Rússia cuidaram daqueles que fugiram dos horrores da guerra. Refugiados eram instalados dentro das igrejas e em apartamentos particulares. Foram organizados programas de doação de refeições e alimentos, seguindo este preceito divino: “Partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado” (Is 58:7).

A igreja continua seu ministério em regiões assoladas pela guerra. Vez após vez, granadas explodem perto de casas de oração, causando morte e destruição. Mas assim que o ruído das armas silencia, ouve-se novamente o som de hinos e das orações. Os templos adventistas são literalmente ilhas de esperança dentro deste mundo louco e cruel.

Embora algumas igrejas tenham sido danificadas, até hoje, nenhum membro da igreja foi morto dentro das zonas de conflito. Louvamos ao Senhor e expressamos profunda gratidão aos líderes da igreja, a todas as Divisões e, em especial, às Divisões Interamericana e Intereuropeia, que nos apoiaram e estenderam uma mão ajudadora.

 

Os meios de transporte na Divisão Euro-Asiática são tão variados quanto sua população. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Os meios de transporte na Divisão Euro-Asiática são tão variados quanto sua população. Crédito: departamento de comunicação da ESD

Jovens envolvidos na missão

Além de sua função direta, o ministério social da igreja ajuda os jovens adventistas a enxergar a própria missão e a colocar em prática suas virtudes.

Os jovens tomam a iniciativa de projetos sociais em lanchonetes que funcionam como igrejas, organizando concertos de caridade e ações governamentais, prestando auxílio aos idosos e enfermos, fazendo assim novos amigos para Jesus e fortalecendo a própria fé.

Isso também se evidencia pela energia dos jovens que competiram no evento “O Mundo da Bíblia”, que foi organizado em todos os níveis administrativos, desde as Associações até a Divisão. A vencedora, com maior conhecimento das Sagradas Escrituras, foi Tatyana Krashevskaya, da Ucrânia.

Nova tradução da Bíblia para o russo

A Bíblia não consiste apenas em uma fonte de conhecimento — é também a Palavra da Vida. A fim de levar a mensagem das Escrituras ao máximo possível de pessoas, o Instituto de Tradução da Bíblia, sediado em nosso Seminário Teológico Zaokski, foi criado na Divisão sob a liderança de Mikhail Petrovich Kulakov [autor do livro Ainda que Caiam os Céus], há mais de vinte anos. Hoje, a gigantesca tarefa de traduzir a Bíblia para o russo contemporâneo foi concluída e milhares de exemplares foram impressos.

Literatura distribuída como “folhas de outono”

Outro projeto foi a distribuição do livro missionário O Grande Conflito, de Ellen G. White. Mikhail Oskola, aluno do último ano do ensino médio, foi um dos muitos que participaram desse projeto. Em um ano, ele distribuiu mais de 5 mil livros! Foi entregue um total de 1,9 milhão de exemplares de O Grande Conflito na Divisão Euroasiática, na maioria dos casos, a versão completa.

Ao longo dos últimos cinco anos, cerca de 100 milhões de exemplares impressos se tornaram ferramentas para a proclamação das boas-novas.

Nosso Senhor disse a seus discípulos: “Mas recebereis poder […] e serão minhas testemunhas […] até os confins da Terra” (At 1:8). A península de Kamchatka pode ser considerada um dos “confins da Terra”. Essa terra de vulcões e gêiseres é cercada por mares gelados. Menos de 300 mil pessoas habitam as três cidades e os vários vilarejos. Mas o Senhor não se esquece deles e também envia seus mensageiros para lá.

Duas colportores-evangelistas, Yulia e Taisia, tinham o antigo sonho de visitar esse rincão da Rússia ainda não alcançado por missionários, a fim de testemunhar do amor de Cristo e de seu breve retorno. Confiando nas promessas divinas e buscando direcionamento em oração, elas pegaram a estrada. Levaram pouca bagagem, com exceção das caixas de livros que carregaram em uma minivan. Essas missionárias percorreram longas distâncias — a pé, de ônibus ou de carona — durante um ano e meio. No fim do outono, a maioria dos livros já havia sido distribuída.

Yulia e Taisia estavam em Kozyrevsk, uma vila de pescadores que fica a cerca de 500 km da cidade mais próxima. A vila tem apenas cerca de mil moradores. Para a surpresa delas, encontraram um grupo de pessoas sedentas pela verdade. Depois de terminarem o trabalho e partirem da vila, Yulia e Taisia receberam uma carta dos novos amigos, pedindo que voltassem. Embora o inverno já tivesse chegado, essas duas mulheres pegaram a estrada de novo. Em meio a precipitações e tempestades de neve, elas precisaram caminhar na neve, que chegava a bater no meio das pernas. No entanto, o compromisso de espalhar a Palavra de Deus superava qualquer obstáculo. Vindos de todas as partes da vila, aqueles que desejavam estudar a Palavra de Deus se reuniam em uma pequena casa na qual as duas mulheres estavam ficando. Depois de um tempo, convidaram um pastor. Cinco pessoas foram batizadas. Assim um grupo adventista foi plantado em uma pequena vila de pescadores.

Em muitas dessas regiões remotas, desconectadas da civilização, as pessoas não têm acesso à televisão por satélite, internet ou até mesmo à energia elétrica. Os povos nativos — aleutians, komis, evenkis, khantys, mansis, nenets, chukchis e outros — também necessitam ouvir a mensagem salvadora do Jesus que pode mudar a vida deles para melhor e transformá-los em parte da família global de Deus. Orem por nós!

Chegou o tempo de agir

Agradecemos e louvamos a Deus pelo caminho que trilhamos até aqui. Com fé em seu breve retorno, estamos indo para o alto, através e além, a fim de alcançar os habitantes de vilarejos remotos e das grandes cidades. Os habitantes do extremo norte e da Sibéria, do Cáucaso e do Afeganistão, da Ásia Central e do Extremo Oriente estão aguardando os mensageiros de Deus. A fim de cumprir essa missão, a igreja tem buscado o poder do Espírito de Deus mediante oração fervorosa e compromisso inabalável. Chegou o tempo de agir. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Prévia do Céu

Com apenas 10 anos de idade, ela visitou a assembleia na Holanda e se encantou com o evento que aumentou seu respeito pela igreja

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Créditos da imagem: Adventist Review

Dizem que a primeira impressão é a que fica. No caso da minha primeira visita a uma assembleia mundial da igreja, foi exatamente o que aconteceu: nunca apagarei da minha memória, ainda que juvenil (na época eu tinha 10 anos), a cena vívida de centenas de pessoas bem vestidas, caminhando para a entrada do pavilhão, com a Bíblia na mão, sob uma enorme faixa, que dizia: Welcome, Seventh-day Adventists! (“Bem-vindos, adventistas do sétimo dia!”).

Sempre me emociona relembrar: a sensação foi uma pálida prévia do que será ver as multidões dos salvos sendo recebidas com um “bem-vindos” de Cristo na Nova Jerusalém.

E é realmente uma sensação de prévia do Céu tudo o que ocorre numa convenção como essa. São dez dias de reuniões administrativas, é verdade, mas até para uma criança é muito esclarecedor ver a igreja em movimento organizacional, usando de bom senso representativo, respeito democrático e dependência de Deus, como acontece em todos os dias da sessão da Associação Geral.

Apesar de o auditório em que ocorreu a assembleia de Utrecht, na Holanda, ser limitado e todos os dias termos que lutar para achar lugar para sentar em família, nada nos tirou a alegria de estar lá! As músicas, as roupas, as línguas, tudo tão internacional e colorido! A emoção de saber quem são os novos oficiais no momento em que são escolhidos, o encontro com “celebridades” adventistas de todo o mundo e, é claro, os inúmeros brindes que você ganha nos estandes de ministérios e instituições, num universo à parte da assembleia e sem fim. Tudo é impressionante!

Para uma menina que cresceu amando a igreja de seus pais, viver dez dias intensos de adventismo internacional foi um privilégio. Depois dessa experiência, passei a ter mais respeito e carinho pelo movimento adventista mundial.

Hoje, 20 anos depois, louvo a Deus pela forma maravilhosa como ele tem dirigido essa igreja desde sua organização. Sei que ele a guiará pela fase mais escura da História, até vermos no Céu nosso Senhor Jesus, não com uma grande faixa de boas-vindas, mas com seus grandes braços abertos para nos levar para casa!

Marisa Ferreira é jornalista, designer gráfico e natural de Portugal. Depois de trabalhar na CPB, ela está se preparando para servir como missionária na Turquia