Água e óleo

O evolucionismo teísta tenta misturar o que é impossível conciliar: Bíblia e evolução

origens

Mudanças editoriais na crença da criação foi um dos itens da agenda da assembleia mundial da igreja nesta segunda-feira, 6 de julho.

Num diálogo, é sempre mais cômodo concordar com o interlocutor. Às vezes, para evitar a discussão, há até quem “concorde” com aquilo de que discorda. Infelizmente, há muitos cristãos – e, mais infelizmente ainda, até mesmo adventistas do sétimo dia – optando por essa via fácil. A fim de evitar o debate, tentam misturar óleo e água, criando um simbionte aberrante; uma teoria que se compõe de péssima ciência com péssima teologia. E ela se chama evolucionismo teísta.

Mas, afinal de contas, por que não seria possível misturar a crença num Deus criador com a teoria da evolução? Por que não admitir que Deus possa ter criado a matéria por meio do Big Bang e dado início ao processo evolutivo? Simples, não? Na verdade, parece simples, mas não é.

Se partirmos da premissa de que Deus é o Criador, mas se utilizou de processos evolutivos para trazer a vida como a conhecemos à existência, a primeira a ser atingida por esse raciocínio “conciliatório” é a Bíblia. Vejamos por quê.

A Palavra de Deus deixa clara nossa responsabilidade diante do Criador. Mas se a espécie humana é o resultado final do acaso e da evolução através das eras cronológicas, temos nós qualquer responsabilidade diante de um poder mais elevado? De acordo com o Dr. Siegfried Schwantes (Colunas do Caráter, p. 205), “que estímulo há para se forjarem caracteres nobres e se praticarem atos heroicos numa filosofia que não reconhece outra lei que não a da selva, nem outra sanção que não a sobrevivência do mais forte?”

Se a espécie humana evoluiu, teria significado o importante conceito “todos são criados iguais”? E como a regra áurea “fazei aos outros o que quereis que vos façam” encontra significado na sociedade, se a “sobrevivência dos mais aptos” tem sido responsável por trazer a humanidade ao seu presente estado de inteligência superior? As duas ideias não parecem ser compatíveis.

Como se pode ver, a teologia bíblica é atingida bem no centro se rejeitarmos o relato da Criação. Importantíssimas doutrinas da Bíblia dependem desse relato. Por exemplo: a Bíblia afirma que a morte ocorreu como resultado do pecado (Gn 2). E na carta de Paulo aos Romanos, lemos que “por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (5:12). Mas a evolução ensina que a morte existiu desde o princípio, muito antes que houvesse um ser humano. Em outras palavras: a morte não é resultado do pecado.

Nesse caso, qual é o significado teológico da vida e da morte de Jesus? Paulo diz: “Como pela desobediência de um só homem [Adão] muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos se tornarão justos” (Rm 5:19). Por que precisamos de redenção e libertação? Se não houve um Jardim do Éden, com sua árvore da vida, qual é o futuro que Apocalipse 22 descreve para os remidos? Se as rochas da crosta terrestre já estivessem cheias de restos fossilizados de bilhões de animais, e mesmo de formas hominídeas que pareciam homens, então o próprio Deus é diretamente responsável por ter criado o sofrimento e a morte, não como julgamento pela rebelião, mas como fator integral da sua obra de criação e governo soberano. E isso significa caos teológico!

O quarto mandamento da lei de Deus diz: “Lembra-te do dia do sábado para o santificar, seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus […] porque em seis dias fez o Senhor os Céus e a Terra e o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou” (Êx 20:8-11). Além de ser um mandamento e um sinal distintivo entre o Senhor e seu povo (Ez 20:20), o sábado comemora a obra criadora de Deus, em seis dias literais. Cristo confirmou esse mandamento guardando-o (Lc 4:16). A Bíblia assegura que na Nova Terra (Ap 21) também será observado o sábado (Is 66:23). Pela teoria evolucionista teríamos que ignorar também esse importante conceito bíblico que é uma evidência de nosso amor ao Criador (Jo 14:15), memorial da criação e selo de obediência e fidelidade a Deus.

Como se pode ver, evolução e criação é uma mistura impossível. A tentativa de conciliação (talvez para se evitar maiores discussões) acaba originando uma teoria amorfa e ilógica. A criação não pode ser provada em laboratório, é verdade. Mas a evolução biológica (especialmente a abiogênese) também não. No fundo, tudo é uma questão de fé. De minha parte, prefiro crer no Deus Criador Todo-poderoso, a crer no acaso e no tempo como fatores “desencadeadores” da vida.

Michelson Borges é jornalista, mestre em Teologia e editor da revista Vida e Saúde na CPB


Saiba +

Entenda o histórico da redação acerca da crença sobre a criação e por que os ajustes editoriais propostos reafirmam a rejeição da igreja ao evolucionismo teísta

O voo da fé

Relatório apresentado por Blasious Ruguri, presidente da Divisão Centro-Leste Africana, no dia 5, mostra profissionalização da igreja numa das regiões em que o adventismo mais cresce

Alunos do ensino fundamental em uma escola adventista no Quênia. Crédito: departamento de comunicação da ECD. Foto: Adventist Review

Alunos do ensino fundamental em uma escola adventista no Quênia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Levantando-se das cinzas da guerra, da pobreza e do analfabetismo em admirável progresso e serviço cristão, uma grande história de missão continua a acontecer nessa região da igreja mundial. A Divisão Centro-Leste Africana (East-Central Africa Division — ECD), a mais nova da Igreja Adventista mundial, mesmo com imensos desafios a vencer, está entre as que crescem com maior rapidez.

O território tem uma população de mais de 350 milhões de habitantes, mas um total de membros de pouco mais de três milhões. Há muito trabalho a ser feito. Do ponto de vista humano, parece uma tarefa impossível. Contudo, além da fachada de aparente derrota e dos infindáveis desafios de um planeta assolado pelo pecado, os últimos cinco anos presenciaram o triunfo da missão nessa região como nunca antes. Desde o início do quinquênio, o projeto de Reavivamento e Reforma assumiu o palco central à medida que os líderes da igreja apresentaram um ambicioso plano estratégico que envolve tanto as iniciativas da igreja mundial quanto programas novos e ousados destinados a atender as necessidades e a realidade missionária local.

Mudança de imagem

Nós, cristãos, somos chamados não só para ser luz, mas também sal. Enquanto buscamos, vivemos e comunicamos a verdade encontrada em Jesus Cristo, reconhecemos que, sem visibilidade e sem encontrar as pessoas onde elas estão, fazemos pouco progresso. Nossa influência afeta o modo de transmitir a mensagem de esperança.

Por esse motivo, nossa sede criou um plano para tornar a igreja visível em suas comunidades. Essa ambiciosa iniciativa de branding incluiu a construção de novas estruturas e instalações, mas não se limitou a isso. Ela conta igualmente com o processo de conquista de pessoas, cuidado, cura e pregação. Isso se traduziu na fundação de novos templos e prédios administrativos, novos hospitais e novas estruturas em nossas instituições.

Temos a alegria de relatar progresso nessas áreas. Algumas se destacaram mais do que outras, porém todas tiveram avanços. Ainda superando a maré do genocídio, a União de Ruanda fez um progresso tremendo nesse aspecto.

A Universidade Adventista da África Central, em Kigali, Ruanda, concluiu importantes projetos, a começar por um auditório com capacidade para 2.500 pessoas sentadas, um moderníssimo prédio de Ciência e Tecnologia, e novos dormitórios, que estão em construção. Missões e associações locais construíram novos escritórios. Escolas e instituições da igreja se destacam como os melhores prédios nas áreas em que estão localizadas em todas as partes de Ruanda. Agradecemos a Deus por esse tamanho progresso.

De 2010 a 2015, foram fundadas 224 escolas adventistas. Mil professores foram acrescentados ao longo do mesmo período e 50 mil alunos. Em todo o território, templos modernos começaram a ser construídos, substituindo as antigas estruturas que serviam como casas de adoração. Nossos hospitais e instituições de saúde também passaram por reformas admiráveis. Estão sendo erguidos novos hospitais em Mwanza (Tanzânia), Bujumbura (Burundi) e Nairóbi (Quênia). Muitas outras instalações de saúde estão sendo construídas em nossa geografia, como a Clínica Adventista de Ruanda e o Centro de Esperança e Estilo de Vida em Kasese, Uganda.

Outros projetos notáveis concluídos incluem:

  • Auditório na Universidade Bugema, com capacidade para 5 mil pessoas sentadas.
  • Auditório multiuso e novo dormitório feminino na Universidade de Arusha.
  • Policlínica e dormitórios masculino e feminino na Universidade Adventista de Lukanga.
  • Estúdio com Centro de Mídia Adventista no campus Advent Hill.
  • Escritório da União-Missão Sul da Tanzânia.
  • Novo escritório da União e casa de hóspedes em Juba, Sudão do Sul (projeto).

info-relatorio-da-Divisão-Centro-Leste-Africana-foto-homeA Igreja Adventista nessa Divisão tem dado passos para conscientizar o público a respeito de sua existência e missão. Seguindo o programa do Dia Mundial do Jovem Adventista, liderado pelo Ministério Jovem, a visibilidade da igreja aumentou tremendamente nos dois últimos anos por meio de atos diversos de bondade e interação com a comunidade.

Foram organizadas atividades deliberadas para impactar a comunidade, incluindo serviço comunitário, doação de sangue, distribuição de literatura, serviços médicos, assistência em desastres, centros de resgate de crianças e muitas outras.

As iniciativas para aumentar a visibilidade da Divisão também foram impulsionadas com as visitas ao nosso território do presidente da Associação Geral, Ted Wilson. Elas despertaram a consciência acerca da existência da igreja nos países e nas cidades que ele visitou. Durante essas visitas, Wilson se reuniu com os presidentes de Burundi, Quênia, Ruanda e Tanzânia.

Foi investido mais de 1,5 milhão de dólares na capacitação de mais de 500 servidores em universidades locais. Entre eles, mais de 300 se graduaram na Universidade Adventista da África, no Kênia. Recursos dos “dízimos extraordinários” da Associação Geral auxiliaram na formação educacional de mais de 200 servidores da República Democrática do Congo, Burundi e Sudão do Sul, onde temos o menor número de pastores com diploma em Teologia.

Voando pela fé

O cerne das iniciativas da Divisão ao longo dos últimos cinco anos foi resumido no slogan “Destinados a voar”. Todos os ministérios e todas as instituições da Divisão concentraram seus esforços em cumprir a missão com agilidade, excelência e ousadia. Passamos a compreender esse conceito de missão como um voo de fé. Lançando mão dos métodos essenciais de pregação, ensino, cura e discipulado, cada programa e iniciativa foram projetados para alcançar resultados relevantes e significativos. Todos os departamentos e ministérios trabalharam em favor desse objetivo.

O Ministério da Mulher é um exemplo de programa de grande alcance evangelístico e, ao mesmo tempo, de cuidado que revolucionou nossa maneira de cumprir a missão daqui para frente nessa região. O tempo não é suficiente para relatar quanto foi feito nesse sentido.

O Ministério de Publicações continua prosperando, com um número de colportores-evangelistas que cresce a cada dia, todos eles concentrados em levar esperança a cada lar. A saúde e a educação têm sido, na maioria dos casos, portas de entrada bem-sucedidas. E as histórias de êxito são numerosas.

Líderes da Igreja Adventista se reúnem com o presidente de Ruanda. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Líderes da Igreja Adventista se reúnem com o presidente de Ruanda. Crédito: departamento de comunicação da ECD

O total de membros da Divisão aumentou de 2.648.530, em 2010, para 3.046.313, em 31 de dezembro de 2014. As notáveis campanhas evangelísticas realizadas incluem:

Evento por via satélite “Chamas do Evangelho”. Com o apoio do ministério de comunicação e mídia em 2012, a Divisão realizou seu quarto evento via satélite com pregações de Blasious Ruguri, presidente da sede. A série evangelística intitulada “Chamas do Evangelho” foi gravada em Uganda e transmitida pelo canal de televisão Hope Channel.

Missão Urbana. Em 2013, mais uma grande campanha de missão urbana foi realizada em Kinshasa, República Democrática do Congo. Kinshasa é uma das cidades da Divisão com menos membros da igreja. A campanha, realizada por administradores e líderes de ministérios da Divisão, foi realizada em 14 pontos e resultou no batismo de 1.523 pessoas. Após o lançamento do projeto “Kinshasa para Cristo”, cada uma das doze Uniões identificou uma cidade para receber essa iniciativa e milhares de batismos ocorreram como resultado. O número total de membros continua a crescer.

Semanas e seminários de mordomia realizados anualmente em toda a Divisão são iniciativas que têm ajudado os membros a se transformarem em mordomos fiéis. O Ministério da Mordomia Cristã foi aperfeiçoado e, pela primeira vez, a Divisão conseguiu enviar à sede mundial um relatório dessa área. O percentual de membros dizimistas subiu de 19,5% em 2011 para 49% em dezembro de 2014. O alvo estratégico é alcançar 70% no fim de 2015.

Ministérios especiais

Ministério de surdos. Desde 2010, 503 surdos foram batizados. Cerca de 1.509 surdos frequentam a igreja regularmente na União Leste do Quênia. Um acampamento especial foi realizado em agosto de 2014. Cinco pastores surdos estão estudando Teologia na Universidade do Leste da África, em Baraton, e dez pregadores surdos leigos recebem um estipêndio mensal.

Programas de capelania. O ministério nas prisões do Quênia, da República Democrática do Congo, de Uganda e de Juba, no Sudão do Sul, tem obtido bons resultados missionários. No Quênia, 4.560 detentos foram batizados. Os membros adoram a Deus em 39 congregações dentro das prisões. Dez igrejas foram construídas e terrenos para outras vinte foram concedidos pelo governo à igreja.

Em Uganda, o ministério está pegando fogo em cidades como Amolatar, Jinja, Ishaka, Kasese e Kampala. O governo convidou a igreja para estender o ministério aos encarcerados a outras prisões do país. Em algumas delas, a denominação doou equipamentos de satélite para permitir aos detentos que assistam aos programas da igreja.

O cuidado dispensado aos estudantes das universidades públicas nunca foi tão bom, sobretudo no Quênia, onde o governo continua a remunerar capelães escolhidos pela igreja. Em alguns campi de universidades seculares, os administradores doaram terra para a construção de locais de adoração.

Ministério aos portadores do HIV/AIDS. As Uniões nomearam coordenadores para as vítimas de HIV/AIDS. Vários grupos de apoio aos portadores dessa doença foram organizados. Foram criadas associações de adventistas com HIV/AIDS e algumas estão registradas como organizações comunitárias, que oferecem uma série de programas.

Como parte dos esforços para transformar a própria comunidade em um local melhor para se viver, adventistas pintam uma delegacia na Tanzânia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Como parte dos esforços para transformar a própria comunidade em um local melhor para se viver, adventistas pintam uma delegacia na Tanzânia. Crédito: departamento de comunicação da ECD

Resultados

Neste quinquênio, a igreja na Divisão vivenciou o seguinte:

Os membros da igreja cresceram espiritualmente graças ao envolvimento comunitário em atos de compaixão e bondade. Muitas pessoas foram levadas a Cristo, reavivando a esperança.

O público geral se tornou mais ciente da presença da Igreja Adventista em seu meio e está procurando conhecê-la melhor. A mudança de percepção é vista com clareza em várias partes do território da Divisão.

Em uma área com mais de 350 milhões de habitantes, a igreja tem avançado com mensagens de esperança pelos meios de comunicação. A presença da igreja se faz sentir em lugares distantes e de difícil acesso. Vidas são positivamente transformadas todos os dias.

Sentimos alegria por pertencer a essa família global da fé e assumimos nossa posição com paixão e humildade. O processo de levar pessoas a Cristo — por meio do cuidado, ensino, da pregação e do discipulado — deve continuar enquanto aguardamos ansiosos a vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Até esse dia chegar, lutaremos para nos unir na missão de preparar o mundo para o grande dia de reunião de todos os povos neste território da igreja mundial. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Assista também à apresentação do relatório no vídeo abaixo

Missão em meio aos desafios

Relatório apresentado por Bruno Vertallier, então presidente da Divisão Intereuropeia, no dia 6, destacou o uso da mídia de massa e das instituições de saúde na missão

relatorio-divisao-intereuropeia-foto-1

A cruz no centro do Congresso Europeu da Juventude, realizado em agosto de 2013, em Novi Sad, Sérvia.

Criada em 1971 a partir de territórios até então administrados pelas Divisões Central Europeia e Transmediterrânea, a Divisão Intereuropeia (EUD) supervisiona a obra da Igreja Adventista do Sétimo Dia em 20 países do centro, sul e leste da Europa.

A saúde assumiu o palco principal no Congresso de Saúde da EUD, realizado em Praga, em abril de 2013.

A saúde assumiu o palco principal no Congresso de Saúde da EUD, realizado em Praga, em abril de 2013.

Essa Divisão, destino do primeiro missionário adventista do sétimo dia, tem uma história que inclui um ex-padre, Michael Belina Czechowski, o qual se tornou adventista nos Estados Unidos e começou a pregar dos três anjos na Europa em 1864. Aliás, a congregação que ele organizou em Tramelan, em 1867, ficou conhecida como a igreja adventista mais antiga da Europa.

Foi na Europa que o cristianismo emergiu ao longo dos séculos; foi na Europa que o protestantismo nasceu. Hoje a Europa é secularizada. Mas embora as pessoas rejeitem o tradicionalismo e a institucionalização, elas anseiam por ouvir sobre Deus e sua Palavra.

De sua sede em Berna, na Suíça, a Divisão provê inspiração para seis Uniões e cinco Uniões de igrejas. Suas editoras na Áustria, Bulgária, República Tcheca, França, Alemanha, Itália, Romênia, Eslováquia, Espanha, Suíça e em Portugal publicam em 18 idiomas. As atividades vistas nessa Divisão são resultado do compromisso comum em cumprir a missão que Jesus ordenou 2 mil anos atrás: ir e fazer discípulos.

Projetos que identificam a Divisão Intereuropeia

Em essência, nossa Divisão é uma colcha de retalhos. Os idiomas, as culturas e as tradições de toda a região são muito diferentes. Por isso, é enorme o desafio de nossas igrejas se apresentarem para as pessoas de forma clara para elas. Todavia, enquanto a missão continua, temos o orgulho de apresentar a vocês algumas das experiências que aconteceram ao longo do último quinquênio.

Os membros da igreja são nossas melhores testemunhas e estão ávidos por aprender e ouvir histórias acerca de como a missão tem sido realizada em outros lugares. Bobbio Pellice, lugar bem conhecido no antigo território valdense (norte da Itália) e com uma forte história no cristianismo, foi escolhido para receber o programa “Seja Meu Discípulo”. Ted Wilson e sua esposa, Nancy, estiveram entre os convidados que incentivaram os membros a descobrir seu potencial para a missão.

relatorio-divisao-intereuropeia-foto-3

Os meios de comunicação desempenham um papel significativo na missão da Divisão Intereuropeia. Membros da equipe do programa Faith.Simple [Fé.Simples] durante a primeira série evangelística online em 2011. Crédito: EUD

A Convenção Interministérios em Rimini, no mar Adriático, foi uma oportunidade especial para os membros da igreja com sólido interesse em pregar o evangelho. Bill Knott, Ella Simmons, Willie e Elaine Oliver, servidores da Associação Geral, bem como os líderes de nossa Divisão, compartilharam experiências e mensagens para motivar os participantes. Grande parte do tempo de nossas reuniões foi dedicado à oração pela presença do Espírito Santo. O público foi desafiado a compartilhar a fé em países nos quais o secularismo e o pós-modernismo afetam a espiritualidade da população.

A distribuição do livro O Grande Conflito foi incentivada. Nossos membros receberam recomendações claras acerca de como apresentar a obra às pessoas da comunidade, explicando que alguns capítulos poderiam despertar questionamentos significativos na jornada religiosa dos leitores, uma vez que muitos na Europa têm um modo único de abordar as questões espirituais e costumam se mostrar relutantes quando suas crenças são desafiadas.

Nossas crianças, adolescentes e jovens encontraram formas criativas de expressar a fé. Acampamentos e congressos jovens, bem como outras reuniões, são ocasiões excelentes para compartilhar a fé, não só para os amigos da igreja, mas também para os colegas de fora. Como me sinto animado quando ouço o testemunho vivo deles!

Em nossa sociedade europeia, não é fácil convidar as pessoas para participar de conferências a fim de ouvir uma mensagem sobre Deus. Portanto, o evangelismo nos meios de comunicação é proeminente, permitindo que a mensagem entre nas casas por intermédio do rádio, da TV e de canais na internet. Por meio de emissoras de rádio e da TV Hope, temos uma ampla gama de meios para comunicar o evangelho a nossos conterrâneos. Cursos bíblicos, revistas e outras literaturas afins são desenvolvidos com um quê de praticidade ao contar a maravilhosa história do único Deus.

O Ministério de Relações Públicas existe para se relacionar com outros grupos religiosos e com as esferas mais elevadas de líderes mundiais. Nas universidades e na ONU têm havido diversas oportunidades de levar ao conhecimento das pessoas o engajamento de nossa igreja na área da liberdade de consciência. Em Genebra, sede europeia da ONU, nossa presença permite uma reflexão mais profunda sobre a defesa da liberdade religiosa e o respeito pelas minorias, qualquer que sejam as convicções religiosas individuais.

O envolvimento contínuo do Ministério da Mulher tem sido uma boa oportunidade para muitas adventistas encontrarem seu papel dentro da igreja. Causas como “Quebrando o silêncio”, campanha contra a violência doméstica dirigida às mulheres; “Flor do deserto”, campanha contra a mutilação genital feminina e o apoio médico e psicológico em nosso Hospital Waldfriede, em Berlim, têm dado à igreja a oportunidade de estar presente na arena pública. Esse envolvimento dá bons motivos para os jornalistas escreverem artigos positivos acerca das ações da Igreja Adventista.

Por meio do Ministério de Saúde, realizamos duas conferências mundiais sobre bem-estar, uma em Genebra e outra em Praga. Esses eventos, que se tornaram possíveis graças ao envolvimento de Peter Landless, Viriato Ferreira e Valerie Dufour, proporcionaram a oportunidade de trazer de volta à igreja o foco na mensagem adventista de saúde em sua totalidade. Ao apoiar a dimensão da saúde em nossa igreja na Divisão, demonstramos nossa gratidão pelo impacto que o Hospital Waldfriede, em Berlim, Alemanha, e a Clínica La Lignière, na Suíça, exercem sobre a comunidade na qual se encontram inseridos.

A Divisão Intereuropeia em números

De 2010 a 2015, a Divisão trabalhou na estabilização do crescimento de membros em seu território. Em 2010, havia 177.668 membros; ao fim de 2014, o total cresceu para 178.460, um crescimento líquido de 792 membros. Embora não seja um crescimento avassalador, somos gratos pela vida de cada pessoa que decidiu seguir a Cristo. Louvamos a Deus porque, ao longo dos últimos cinco anos, 19.936 pessoas se uniram à igreja pelo batismo; 20.530 foram transferidas para nosso território, ao passo que 21.458 se mudaram dele.

Os participantes do Congresso de Discipulado Infantil, em Florença, Itália, em 2014. Eles aprenderam que não há limite de idade para ser discípulo.

Os participantes do Congresso de Discipulado Infantil, em Florença, Itália, em 2014. Eles aprenderam que não há limite de idade para ser discípulo.

Durante o último quinquênio, a Divisão passou por um processo de reorganização. Em dezembro de 2011, os países africanos e asiáticos do território passaram a pertencer à recém-organizada União Norte-Africana Oriente Médio. Por causa disso, o nome da Divisão Euro-Africana mudou para Divisão Euroasiática (ainda reconhecida pela sigla EUD).

Por meio de estudos estatísticos e outros métodos de avaliação, as necessidades da igreja na Europa foram identificadas. Os programas para jovens e crianças, as iniciativas de saúde voltadas para as áreas de família e educação aumentaram significativamente a fim de atender essas necessidades.

Um forte aumento também foi registrado no número de jovens que dedicam tempo para o serviço voluntário na Europa e em outros países. Os missionários aposentados foram substituídos e outros começaram a servir nos campos missionários. Hoje os líderes e membros da igreja na Divisão são mais bem preparados e informados. Nossa oração é que o compromisso deles com Deus, sua igreja e sua missão também aumente.

Relatório da situação e do desenvolvimento financeiro da Divisão

O espírito de sacrifício que Cristo exemplificou na própria vida nos motiva a seguir seu exemplo. A fim de alcançar a população dos países da Divisão com a mensagem do amor de Deus e de sua segunda vinda, o total relativamente pequeno de membros precisa fazer enormes sacrifícios. Agradecemos a Deus o compromisso constante dos membros da igreja na Divisão para apoiar a missão da igreja com dízimos e ofertas.

Desde 2008, as consequências da crise financeira impactaram substancialmente a Igreja Adventista na Divisão. Apesar disso, durante o quinquênio, os dízimos cresceram 4%, o equivalente a quase 103 milhões de euros, que correspondem a 6% dos dízimos mundiais (com base em números de 2013).

Embora o dízimo de algumas Uniões tenha crescido até 18%, em outras, sobretudo na Itália, em Portugal e na Espanha, chegou a cair 16%. Somos gratos porque, com a ajuda de Deus, a Divisão tem conseguido ajudar as Uniões envolvidas a lidar com essa situação. Sabemos que a crise financeira não acabou e dependemos da orientação do Espírito Santo para nos ajudar a navegar através desses tempos difíceis.

Os membros da igreja na Divisão continuam a ver a missão como uma elevada prioridade. Embora representem apenas 1% do total de membros da igreja mundial, eles doam cerca de 10% das ofertas missionárias. Temos presenciado a redução de 5% nas ofertas mundiais per capita desde 2010.

relatorio-divisao-intereuropeia-foto-5

A ativista Waris Dirie na abertura do Centro Flor do Deserto no Hospital Waldfriede, em Berlim, Alemanha, em setembro de 2013. O centro presta suporte às vítimas da circuncisão feminina. Crédito: EUD

A Divisão tem a alegria de apoiar muitas iniciativas missionárias como a iCOR (Igreja de Refúgio), unidades de ação da Escola Sabatina, KID (Crianças em Discipulado), centros de influência e projetos missionários em nossas Uniões.

Há desafios financeiros para custear esses projetos e iniciativas, bem como o funcionamento de nossas muitas instituições, incluindo escolas, o Hope Channel, editoras e etc. A manutenção de oito seminários teológicos/universidades para um total de 178 mil membros é um forte sinal do compromisso de toda a Divisão com a educação superior e a formação teológica.

O mesmo pode ser dito em relação aos ministérios de publicações e meios de comunicação. Agradecemos a Deus por ter nos abençoado no passado com um modo especial de conservar e avançar nossa missão a fim de alcançar as pessoas da Europa com o evangelho usando todos os meios disponíveis. Ainda assim, precisamos procurar constantemente oportunidades de usar os meios a nós confiados da maneira mais eficaz, a fim de sermos encontrados como mordomos fiéis do nosso Senhor.

Conclusão

A Divisão Intereuropeia enfrenta diversos desafios. São dificuldades reais. São graves e muitas. Não podem ser resolvidas com facilidade. Nossa Divisão se localiza no berço do secularismo, pós-modernismo e individualismo. A despeito dos números não atraentes e dos graves problemas, a Igreja Adventista está enfrentando, sem temor e com o apoio poderoso do Espírito Santo, as dificuldades representadas por uma densa selva de ideologias e religiões presentes no cenário cultural da Europa.

Em meio à desorientação, ao medo e à confusão, a Igreja Adventista faz ouvir sua voz em alto e bom som. Escolhemos a esperança em lugar do medo, a unidade de propósito em vez de conflitos e discórdias. Permanecemos fiéis aos mandamentos do Senhor e verdadeiros a nossos princípios bíblicos fundamentais.

Temos a esperança de que o Senhor continuará a abençoar sua igreja na Divisão e veremos feitos maravilhosos operados por seu poder.

Trabalhemos juntos e aguardemos ansiosos o agir de Deus em nosso favor, pois “há uma grande obra a ser feita em nosso tempo e não nos damos conta nem da metade daquilo que o Senhor está disposto a fazer por Seu povo” (Ellen G. White, Review and Herald, 4 de junho de 1889).

O Senhor abençoará nosso humilde compromisso e, desse período de escuridão, um dia mais claro surgirá. O Senhor Jesus certamente virá! [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Assista também à apresentação do relatório no vídeo abaixo

Misturar-se, conhecer, convidar

Saiba quais os avanços e desafios da missão no Oriente Médio e Norte da África

Criança refugiada síria estuda em um dos centros de influência. Crédito: Chanmin Chung

Criança refugiada síria estuda em um dos centros de influência. Crédito: Chanmin Chung

No dia 1o de janeiro de 2012, a União Norte-Africana Oriente Médio (Middle East and North Africa Union Mission — MENA) deu os primeiros passos para enfrentar um desafio que parecia impossível.

Após mais de cem anos de trabalho na região, a igreja, além de pequena, estava diminuindo em número de membros. Por isso, em 2011, buscando dar maior atenção a essa parte do globo, a Associação Geral votou a criação da MENA, ligando-a diretamente à sede da igreja mundial.

Esse território, que é maior do que a maioria das Divisões mundiais da Igreja (com exceção de três), engloba vinte países e mais de 500 milhões de pessoas. É aí que começam seus desafios.

Primeiro desafio

Se todos os adventistas da Divisão Norte-Americana (North-American Division — NAD) fossem divididos, de maneira que não houvesse dois vivendo na mesma comunidade e cada membro entrasse em contato com um indivíduo por dia, todas as pessoas que vivem na NAD seriam abordadas em um ano. Levaria dois anos para fazer o mesmo na Índia, cinco meses na Divisão Sul-Americana, quatro meses nas Filipinas e 58 dias na Divisão Sul-Africana Oceano Índico.

No caso da MENA, entretanto, se cada membro adventista se mudasse para uma cidade diferente e entrasse em contato com uma pessoa por dia, levaria quase 450 anos para fazer o primeiro contato com cada indivíduo que habita atualmente nesse território.

Expressando de forma simples, temos poucos membros para alcançar uma vasta população. E isso nos leva a outro problema.

Segundo desafio

Os membros adventistas ao redor do mundo não compreendem a situação e as condições da vida no Oriente Médio e Norte da África e hesitam em vir ajudar. Os habitantes e governos, por sua vez, não compreendem quem são os adventistas e não querem que venhamos. Eles acham que todos os cristãos consomem bebidas alcoólicas, comem carne de porco, adoram imagens, vivem como as pessoas retratadas nos filmes e querem começar “cruzadas” para extorquir seu petróleo.

Às vezes, todos esses desafios parecem impossíveis de se vencer, como a rápida correnteza do rio Jordão que os israelitas enfrentaram em Josué 3. Mas Israel tinha uma missão e seguiu em frente. A MENA também tem uma missão. Pensando nisso, adotamos a estratégia de “plantar” adventistas! Deus necessita de membros adventistas comprometidos que estejam dispostos a ser plantados em comunidades de toda a região — pessoas dispostas a entrar na água (assim como Israel no Jordão), muito embora pareça impossível atravessar o rio; pessoas que se misturem àqueles que estão a sua volta, atendam suas necessidades, conquistem-lhes a confiança e os convidem a seguir a Jesus.[i]

A seguir, citamos algumas formas usadas pela MENA na tentativa de plantar pessoas em comunidades nas quais vidas são impactadas e transformadas, uma de cada vez.

Alunos valdenses estudam a Bíblia com amigos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Crédito: Chanmin Chung

Alunos valdenses estudam a Bíblia com amigos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Crédito: Chanmin Chung

Alunos valdenses

Em muitos aspectos, a Reforma Protestante deve sua existência ao sacrifício de dedicadas famílias valdenses. Com frequência, os valdenses enviavam seus jovens mais inteligentes e íntegros ao coração do território inimigo, matriculando-os nas principais universidades da época. Lá esses jovens plantaram silenciosamente as sementes da Reforma. Muitos deles regaram tais sementes com o próprio sangue.

Seguindo suas pegadas, o Programa de Alunos Valdenses da MENA planta jovens comprometidos nas principais universidades. No ano passado, a MENA matriculou 23 alunos valdenses e, em 2015, 46 jovens estão fazendo a diferença nessas comunidades acadêmicas.

Em uma cidade, um grupo de alunos valdenses estudou o idioma com afinco ao longo de 2014. Ao fazer o exame de qualificação, porém, não conseguiram notas suficientes para ingressar na universidade que haviam escolhido. Eles se mudaram para uma nova cidade, sentindo-se desapontados. Contudo, dentro de três meses, haviam feito muitos novos amigos e dado início a diversos estudos bíblicos. Após uma semana especial de cultos à noite com um obreiro bíblico experiente, dez colegas de classe dos alunos valdenses entregaram o coração a Jesus e pediram para se preparar para o batismo.

Centros de influência

Às vezes, a MENA planta pessoas em uma comunidade como parte de um pequeno comércio ou serviço. O objetivo desses centros de influência (CDI) é atender as necessidades da comunidade e desenvolver amizades. Sete CDIs se encontram em funcionamento atualmente no território da MENA.

Rachael[ii] cuida de um CDI para refugiados sírios em um dos países. Hoje ela conta com cinquenta a setenta refugiados que participam da Escola Sabatina a cada semana e muitos estão fazendo estudos bíblicos.

Enquanto morava na Síria, certa mulher nutria o desejo de aprender sobre Jesus e a Bíblia, mas não havia ninguém que a ensinasse sobre Ele. Até mesmo um padre que ela visitou lhe disse que era impossível ensiná-la sobre a Bíblia, a menos que saísse do país. Então a guerra começou e ela precisou fugir junto com a família. A vida de refugiada era difícil, mas certo dia conheceu Rachael no CDI. Ela está empolgada por poder estudar a Bíblia e já aceitou a Jesus como seu Salvador pessoal.

Emprego em tempo integral

A MENA não consegue vistos para missionários ou obreiros regulares da igreja entrar em muitos países do Oriente Médio e Norte da África. Todavia, muitos profissionais estrangeiros são contratados todos os anos para trabalhar nessas regiões. O emprego em tempo integral é um programa que planta profissionais adventistas dedicados nesses lugares de difícil acesso. Às vezes, esses indivíduos são chamados de “construtores de tendas”, porque eles trabalham para se sustentar, assim como o apóstolo Paulo fazia.

Uma pintura do projeto “Testemunho na Parede”. Crédito: Levon Kotanko

Uma pintura do projeto “Testemunho na Parede”. Crédito: Levon Kotanko

Melody abriu um spa. Suas clientes ficam impressionadas porque ela sacrifica as entradas financeiras ao fechar o estabelecimento no sábado a fim de adorar a Deus. Elas começaram a lhe fazer perguntas e Melody passou a partilhar a Bíblia com elas. Muitas de suas clientes fiéis se tornaram amigas e, em alguns casos, companheiras secretas de oração.

Testemunho na parede

Uma de nossas iniciativas singulares é o projeto “Testemunhando na Parede”, que usa a arte para criar conexões poderosas entre artistas adventistas e jovens urbanos, estudantes de arte e líderes comunitários em várias cidades.

Oportunidades

As portas estão se abrindo ao nosso redor. Muitas pessoas têm questionado o próprio sistema de crenças ao testemunhar atos brutais de violência sendo praticados em nome da religião. Esses interessados não estão abertos ao conselho de “pagãos comedores de porco e bebedores de vinho”. No entanto, quando se tornam amigos de um adventista dedicado, ficam impressionados com o que descobrem e se abrem para ouvir mais. O problema é que a MENA não conta com nenhum membro adventista vivendo na maioria dessas imensas comunidades para poder responder às perguntas das pessoas.

Essa é nossa realidade. A MENA tem grandes desafios nessa parte do globo, mas também há projetos ousados para ampliar a pregação do evangelho. Para que se tornem realidade, precisamos de pessoas disponíveis. Você está disposto a aceitar um desafio aparentemente impossível e se unir a nós? Enquanto entramos andando na água, Deus abre o rio e termina a obra.

Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!

Homer Trecartin é presidente da União Missão do Oriente Médio e Norte da África

[i] Ver Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 143.

[ii] Todos os nomes foram modificados.

[Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Uma mensagem de esperança

Relatório mostra as estratégias usadas pela igreja para o evangelismo no território da Divisão Norte-Americana

O campori internacional de desbravadores em Oshkosh, Wisconsin, em agosto de 2014, deu aos desbravadores e seus líderes oportunidades de crescimento espiritual e social. Foto: Brayant Taylor

O campori internacional de desbravadores em Oshkosh, Wisconsin, em agosto de 2014, deu aos desbravadores e seus líderes oportunidades de crescimento espiritual e social. Foto: Brayant Taylor

A Divisão Norte-Americana (DNA), que abrange os Estados Unidos, Canadá, Bermudas, Guam e Micronésia, é uma das regiões mais diversificadas da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Sua população de 350 milhões de habitantes possui representação de quase todos os grupos étnicos do planeta. Tal realidade apresenta a maravilhosa oportunidade de alcançar diversos grupos de pessoas, mas é também um desafio imenso para uma das mais novas Divisões da igreja mundial. Atualmente, cerca de 1,2 milhão de adventistas participam de 5.400 igrejas e grupos. Essas congregações são lideradas por 3.200 pastores que cuidam, lideram, educam e evangelizam não só as igrejas locais, mas também as comunidades em volta delas.

A Igreja Adventista é conhecida na América do Norte por seu sistema educacional e pelas 1.200 instituições de ensino (da pré-escola à universidade) que administra. Também atende a saúde de suas comunidades locais por meio do sistema adventista de saúde, que estende o ministério da cura a mais de 17 milhões de pessoas por ano. Ao longo dos últimos cinco anos, mais de 193 mil pessoas foram batizadas na Divisão Norte-Americana.

Liderança

A Igreja Adventista do Sétimo Dia foi fundada na América do Norte em 1863 e sua primeira atividade missionária se concentrou ali. No entanto, a região só foi oficialmente organizada como Divisão em 1985, quando Charles E. Bradford foi nomeado seu primeiro presidente.

Em 2010, na 59ª assembleia da Associação Geral, uma nova equipe foi eleita para liderar a Divisão Norte-Americana e seus mais de um milhão de membros no cumprimento da missão da igreja. Os novos líderes logo compreenderam a tarefa de criar novas abordagens para cumprir a comissão evangélica. Foi desenvolvido um plano evangélico intitulado REACH North America [ALCANCE a América do Norte]. Sua missão é alcançar não só América do Norte, mas o mundo inteiro, com a mensagem distintiva e cristocêntrica de esperança e integralidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O objetivo era que o programa ALCANCE se tornasse parte da cultura da igreja e um estilo de vida.

Os líderes e administradores da Divisão Norte-Americana se reuniram em Virgínia, em 2014, para pensar em formas de enxugar as estruturas administrativas da igreja a fim de melhorar a efetividade e a eficiência. Foto: Adventist Review

Os líderes e administradores da Divisão Norte-Americana se reuniram em Virgínia, em 2014, para pensar em formas de enxugar as estruturas administrativas da igreja a fim de melhorar a efetividade e a eficiência. Foto: Adventist Review

Blocos construtores

Depois que esse plano foi desenvolvido e comunicado a todas as esferas da Divisão, metas chaves, conhecidas como “blocos construtores”, foram desenvolvidas para prover foco na missão e uma base para a disseminação da mensagem de esperança e integralidade. Essas iniciativas se concentraram em seis áreas chaves:

A Comunidade Adventista de Ensino — Alcançar as pessoas por meio de uso de ensino e capacitação online é o objetivo da comunidade adventista de ensino. Milhões de pessoas fazem cursos virtuais de educação, recreação e desenvolvimento de carreira. O objetivo desse bloco construtor é usar os diversos recursos criados por muitas instituições de ensino e centros de recursos da igreja, apresentando-os em uma plataforma online que pode ser acessada por membros e outros. As igrejas locais podem usar tais recursos para ajudar a alcançar as comunidades locais e proporcionar treinamento. Os membros podem usá-los para fortalecer as próprias habilidades.

Vida de Jovem — Essa iniciativa envolve encontrar novas formas de incorporar os jovens adultos à vida da igreja. Somente 30% dos jovens permanecem na igreja depois de terminar a faculdade ou universidade. Ao ser encontradas maneiras inclusivas de torná-los parte do ministério da igreja, os jovens se transformarão em parte integral da vida e do evangelismo da Divisão Norte-Americana.

Grupos de Imigrantes e Refugiados — A cada três membros da igreja na Divisão Norte-Americana, uma pessoa pertence a um grupo de imigrantes ou refugiados. Tal realidade consiste em um desafio e uma oportunidade tremenda de alcançar o mundo por meio dos vários grupos étnicos que vêm viver por aqui. Atualmente, os imigrantes e refugiados são um dos segmentos da igreja na América do Norte que mais cresce.

Mulheres no ministério pastoral — O aumento do número de mulheres em posições pastorais é parte importante e estratégica das metas gerais da Divisão. As pastoras desempenham papéis vitais no evangelismo e no cuidado com os membros da igreja. Hoje somente 107 pastoras atuam na Divisão e grande parte do grupo de pastores se aposentará em breve. O objetivo é dobrar, ao longo dos próximos cinco anos, o número de pastoras empregadas pela igreja.

Mídias sociais — O uso das mídias sociais mudou a forma de comunicação da igreja, não só com seus membros, mas também com o mundo em geral. À medida que a sociedade se torna mais secular, novos métodos evangelísticos devem ser utilizados para alcançar segmentos populacionais que nunca pisariam em uma igreja adventista tradicional.

Evangelismo transformacional — Na Divisão Norte-Americana, mais de cinquenta regiões urbanas abrigam uma população de no mínimo um milhão de habitantes. Proporcionalmente falando, as áreas urbanas são os pontos de menor sucesso da igreja no que se refere ao evangelismo e alcance de pessoas. Novos métodos devem ser desenvolvimentos para alcançar a população sempre crescente das cidades.

A Divisão Norte-Americana enfrenta hoje desafios que não poderíamos imaginar em gerações anteriores. Deus nos dará a graça e o poder para realizar grandes coisas na implementação dessas iniciativas.

Tais iniciativas são singulares por ajudarem a derrubar os nichos que tipicamente se formam quando departamentos e ministérios se concentram apenas em suas respectivas áreas de especialidade. Quando objetivos em comum exigem que ministérios diferentes trabalhem juntos em prol do mesmo resultado, grandes coisas podem acontecer pelo Senhor.

Um exemplo disso é a igreja de Paradise Valley em San Diego, Califórnia. Ela está localizada perto do antigo Paradise Valley Hospital, que foi fechado vários anos atrás após uma recessão na economia local. O pastor Will James abriu um ministério de refugiados na igreja. Programas de alimentação, aulas de inglês como segunda língua e uma loja de artigos usados provê a ajuda tão necessária à população de imigrantes que cresce com rapidez. Hoje a igreja conta com a representação de mais de sessenta grupos culturais e o número de membros cresceu. Atualmente está planejando maneiras de alcançar os mais de trezentos mil membros da comunidade árabe que imigraram para a região. Esse projeto bem-sucedido mostra como as iniciativas para grupos de refugiados e imigrantes, bem como o evangelismo transformacional, podem desempenhar um papel chave na vida da igreja e atender as necessidades da comunidade local, ao mesmo tempo em que alcança a grande população urbana com novos métodos de evangelismo.

Saúde e Evangelismo

É possível que os programas de alcance à comunidade de maior sucesso na Divisão Norte-Americana tenham sido os eventos Bridges to Health [Pontes para a saúde] e Your Best Pathway to Health [Seu melhor caminho para a saúde] realizados respectivamente em San Francisco e Oakland, Califórnia, em 2014, e em San Antonio, Texas, em 2015. Tais eventos foram parcerias entre as Indústrias e Serviços de Leigos Adventistas [Adventist-laymen’s Services and Industries — ASI], Divisão Norte-Americana e Sistema de Saúde Adventista. Tais projetos proporcionaram cerca de 24 milhões de dólares de cuidados médicos gratuitos a mais de oito mil pessoas durante um período de cinco dias. Os projetos foram liderados pela Doutora Lela Lewis, presidente da ASI na União do Pacífico, que sonhava em ministrar às necessidades físicas e espirituais dos pobres e das pessoas sem seguro médico que vivem nas grandes cidades. Mais projetos estão sendo planejados para o futuro próximo e o objetivo é expandir as áreas regionais, a fim de que mais pessoas sejam alcançadas.

Novo território

Profissionais adventistas de saúde de toda a América do Norte foram ao Alamodome, em San Antonio, a fim de prover cuidados gratuitos de saúde a milhares de pessoas que participaram do evento de dois dias denominado Seu Melhor Caminho para a Saúde. Créditos: Kenn Dixon Photography, SWRGC Communications

Profissionais adventistas de saúde de toda a América do Norte foram ao Alamodome, em San Antonio, a fim de prover cuidados gratuitos de saúde a milhares de pessoas que participaram do evento de dois dias denominado Seu Melhor Caminho para a Saúde. Créditos: Kenn Dixon Photography, SWRGC Communications

Outro desafio singular da Divisão foi a transferência da Missão Guam-Micronésia (MGM) para o território administrativo norte-americano. Essa oportunidade missionária notável traz um campo missionário estrangeiro diretamente para dentro do território da Divisão e proporciona um novo vislumbre dos desafios e das oportunidades que a missão enfrenta. A MGM conta com mais de 5 mil membros e 21 igrejas. Também dá emprego na área letiva para muitos estudantes missionários nas diversas escolas missionárias localizadas nas ilhas. A igreja opera ainda um hospital e uma clínica de saúde a fim de atender as necessidades médicas dos moradores. Esse método direto de contato é vital para alcançar as culturas diversas que formam a Missão.

Ministérios nos meios de comunicação

Em 2013, a Divisão Norte-Americana tomou várias decisões importantes acerca de como administraria seus ministérios nos meios de comunicação. O centro de mídia adventista em Simi Valley, Califórnia, foi fechado e os ministérios que ali funcionavam foram realocados. Isso deu aos ministérios a oportunidade de evoluir suas abordagens a fim de atender as necessidades de seu público, que passa por um rápido processo de mudança. It Is Written [Está Escrito], dirigido por John Bradshaw, mudou para Chattanooga, Tennessee. Faith for Today [Fé para Hoje], com Mike e Gail Tucker, La Voz de la Esperanza [A Voz da Esperança], liderado por Omar Greive e Jesus 101, dirigido por Elizabeth Talbot, se mudaram para escritórios em Riverside, Califórnia. Breath of Life [Fôlego de Vida], sob a direção de Carlton Byrd, permaneceu no campus da Oakwood University, e o programa Voice of Prophecy [A Voz da Profecia], com a nova equipe de liderança formada por Shawn e Jean Boonstra, passou a ser produzido em Loveland, Colorado.

A despeito dessas transições, os esforços evangelísticos dos ministérios nos meios de comunicação continuaram fortes, com grandes eventos realizados em Edmonton, Alberta, Canadá, por John Bradshaw; em Huntsville, Alabama, por Carlton Byrd; em Minneapolis, Minnesota, por Shawn Boonstra; na cidade de Nova York, por Omar Grieve; em Atlanta, Geórgia, por Mike e Gail Tucker com a série Mad About Marriage [Loucos pelo Casamento]; e por Elizabeth Talbot, com seu foco na capacitação de pessoas para conduzir outros a Jesus.

Impressões e publicações

Outra mudança foi a transferência de controle administrativo da casa publicadora Pacific Press, localizada em Nampa, Idaho. Anteriormente, a Pacific Press era controlada e operada pela Associação Geral, junto com a Review and Herald Publishing Association (RHPA) em Hagerstown, Maryland. Em junho de 2014, os membros da diretoria da RHPA votaram cessar as operações de impressão em Hagerstown e autorizaram um plano para transferir os bens para a Pacific Press, que passaria a ser controlada e operada pela Divisão Norte-Americana a fim de atender melhor às necessidades de publicações da Divisão.

Oakwood University

Uma das últimas mudanças na Divisão Norte-Americana ocorreu no fim de 2014, quando o colegiado da Oakwood University votou a transferência de suas operações da Associação Geral para a Divisão Norte-Americana. Isso transforma a Oakwood University na única instituição adventista de ensino superior que a Divisão possui e administra. As Uniões Associações locais cuidam de todas as outras instituições de ensino superior. Oakwood possui uma rica história educacional dentro da igreja e a Divisão está empolgada em relação às possibilidades que ela proporcionará no treinamento missionário de futuros pastores e líderes da igreja.

Oportunidades missionárias

Os membros da Divisão Norte-Americana são um microcosmo das populações mais amplas que vivem na América do Norte e a chamam de lar. Por isso, as oportunidades missionárias são vastas . Deus nos mostrará o caminho enquanto lutamos para alcançar as pessoas da América do Norte com uma mensagem de cura, esperança e integralidade.

 Daniel R. Jackson é presidente da Divisão Norte-Americana

[Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Assembleia vota nomes de secretários e tesoureiros das 13 divisões ao redor do mundo

Divisão Sul-Americana tem um novo secretário. Tesoureiro foi reeleito para os próximos cinco anos 

novo-secretaria-executivo-da-divisao-sul-americana-homeNa sessão administrativa desta quinta-feira, 9 de julho, a assembleia mundial da igreja votou os nomes dos secretários e tesoureiros das 13 divisões da organização ao redor do globo. No caso da sede adventista para oito países sul-americanos, quem assume a função de secretário-executivo deixada pelo pastor Magdiel Pérez, que foi eleito para ser assessor especial do pastor Ted Wilson (saiba mais nessa entrevista), é o peruano Edward Heidinger. Ele atuava como presidente da União Peruana do Norte.

Heidinger, de 36 anos, é natural de Puerto Inca e cursou Teologia e Administração. Ele começou seu ministério como pastor distrital em Tarapoto (2004-2005) e em Moyobamba (2006). Logo depois, atuou como líder dos departamentos de Missão Global, Ministério Pessoal e Escola Sabatina. Em 2008, foi nomeado diretor de Mordomia Cristã, Saúde e Evangelismo da União Peruana do Norte, além de responder pela área ministerial, que atende os pastores e suas famílias. Nessa região, também teve a oportunidade de trabalhar como secretário.

Em 2012, o pastor Edward Heidinger deixou o seu país de origem para servir a igreja na sede sul-americana da denominação, localizada em Brasília. Na ocasião, desempenhou a função de assistente da presidência, até ser nomeado para presidente da União Peruana do Norte em 2013, onde trabalhava até agora. Ele é casado com Susana Delgado e tem dois filhos.

Tesouraria

Tesoureiro-da-Divisao-Sul-Americana-e-reeleito-pela-assembleiaNa tesouraria da Divisão Sul-Americana não houve mudanças. O pastor Marlon Lopes, de 56 anos, foi reeleito para o próximo quinquênio. Natural de Porto Alegre, Marlon Lopes é casado com Leni dos Reis Lopes e tem três filhos e dois netos. Graduado em Ciências Contábeis, cursou estudos em Teologia e completou a pós-graduação em Gestão Empresarial. Iniciou sua trajetória em 1978 como caixa e, depois, foi contador do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul. Desde então, foi eleito tesoureiro em várias associações, no Instituto Adventista Paranaense e na União Sul-Brasileira. Foi diretor da Rede Novo Tempo e, na época, também apresentou o programa Saldo Extra. Desde 2010, exerce a função de tesoureiro da Divisão Sul-Americana. [Equipe RA, da redação / Com informações de Felipe Lemos e Diogo Cavalcanti, e fotos de Leônidas Guedes]

CONFIRA TAMBÉM A LISTA DE SECRETÁRIOS E TESOUREIROS ELEITOS PARA AS DEMAIS DIVISÕES

Divisão Centro-Leste Africana

  • Secretário: Allain G. Coralie
  • Tesoureiro: Jerome Habimana (reeleito)

Divisão Euro-Asiática

  • Secretário: Viktor V. Alekseenko
  • Tesoureiro: Brent Burdick (reeleito)

Divisão Interamericana

  • Secretário: Elie Henry (reeleito)
  • Tesoureiro: Filiberto M. Verduzco (reeleito)

Divisão Norte-Americana

  • Secretário: G. Alexander Bryant (reeleito)
  • Tesoureiro: G. Thomas Evans (reeleito)

Divisão do Pacífico Norte-Asiático

  • Secretário: (ainda não foi eleito)
  • Tesoureiro: German Lust

Divisão Sul-Americana

  • Secretário: Edward Heidinger
  • Tesoureiro: Marlon Lopes (reeleito)

Divisão do Sul do Pacífico

  • Secretário: Lionel H. Smith (reeleito)
  • Tesoureiro: Rodney G. Brady (reeleito)

Divisão Sul-Africana Oceano Índico

  • Secretário: Solomon Maphosa (reeleito)
  • Tesoureiro: Goodwell Nthani (reeleito)

Divisão Sul-Asiática

  • Secretário: Measapogu Wilson
  • Tesoureiro: (ainda não foi eleito)

Divisão Intereuropeia

  • Secretário: Barna Magyarosi
  • Tesoureiro: Norbert Zens (reeleito)

Divisão Centro-Oeste Africana

  • Secretário: Kings­­­­­­­­ley Chukwuemeka Anonaba
  • Tesoureiro: Emmanuel S. D. Manu (reeleito)

Divisão do Pacífico Sul-Asiático

  • Secretário: Saw Samuel (reeleito)
  • Tesoureiro: Max W. Langi

Divisão Transeuropeia

  • Secretário: Audrey Anderson (reeleito)
  • Tesoureiro: Nenad Jepuranovic (reeleito)

Veja também o infográfico das eleições

Até a próxima assembleia

No fim de cada encontro mundial do povo de Deus é reavivado o senso de urgência pela volta de Cristo, mas esse sentimento não pode ser mera euforia
19630033641_d232ad1490_k
“Nosso maior desejo é que a próxima sessão da Associação Geral seja realizada no Céu!”, bradou com entusiasmo o presidente da sede mundial após a oração final. “Amém! Amém! Amém!”, respondeu com fervor a multidão de representantes da igreja de todo o mundo. Abraços de despedida, e assim terminou o encontro em Toronto, Canadá, em julho de 2000.

Invariavelmente, as assembleias mundiais se encerram com essa nota de esperança e de motivação. São tomadas decisões de viver em consonância com a suprema esperança cristã, muitas delas, sob o impacto da emoção. “Jesus em breve virá para estabelecer seu reino eterno.” “Já estamos fartos deste mundo de pecado e de dor.” “Já é alto tempo de partirmos daqui para a pátria celestial.” São exclamações vibrantes que enlevam e contagiam a multidão.

Um senso de urgência é despertado em cada assembleia da Associação Geral. Esse sentimento é saudável para o viver cristão, pois impede a mornidão e a acomodação espiritual. A percepção que o cristão adventista desenvolve do iminente retorno de Cristo à Terra o leva para mais perto da Palavra de Deus, da oração e do senso de missão.

Com esse espírito e propósito nasceu a igreja cristã, tendo como base os ensinos de Jesus transmitidos aos apóstolos. O “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15) encerrava uma nítida urgência, uma necessidade premente de que todos os seres humanos fossem conscientizados de que um novo reino se estabeleceria com o retorno do rei Jesus. O imperativo “ide” denotava pressa em cumprir a missão, pois tudo transcorreria rapidamente.

Ao longo de dois milênios, desde a promessa feita pelo Senhor Jesus de que regressaria à Terra, o evangelho tem sido anunciado. Milhões de pessoas foram conscientizadas da necessidade do preparo para esse evento. Ao compreenderem as evidências bíblicas, os novos conversos passam a anunciar e alertar familiares e amigos de que, além da presente existência, há um porvir eterno.

A promessa do Senhor Jesus em suas últimas palavras no livro do Apocalipse “certamente, venho sem demora” é seguida pela oração do apóstolo João, que reflete perfeitamente a expectativa do povo do advento: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).

Euforia e demora

Surge na mente de muitos o conflito diante da afirmação “venho sem demora” e, por outro lado, o transcurso do tempo que parece se estender sem que a alentadora promessa alcance seu cumprimento: “Por que demoras, Senhor?”, lamentam os filhos de Deus que, junto à sepultura, se despedem dos seus queridos. “Até quando, Senhor?”, é o clamor daqueles que veem prevalecer a injustiça na sociedade. “Lembra-te de nós, Senhor”, suplicam multidões que sofrem o estigma do preconceito e do descaso dos governantes.

Numa busca de consolo e ânimo para enfrentar as agruras da presente existência, eis que os autoproclamados portadores de “nova luz” apresentam cálculos e prognósticos que permitem chegar a afirmações que delimitam o tempo da segunda vinda de Cristo. Profecias bíblicas são reinterpretadas tendo como pano de fundo os acontecimentos atuais no mundo social, político e religioso produzindo reações inflamadas em grupos de estudo e até mesmo em congregações inteiras.

No decorrer da história cristã, tem sido recorrente esse comportamento: fundamentar a esperança cristã na proximidade do fim e não propriamente na pessoa de Cristo, pois ele é o centro da nossa esperança. A euforia compromete o senso de urgência da mensagem, porque depois do desapontamento vem a letargia. Euforia/desapontamento/letargia é a sequência inevitável quando a ênfase da pregação reside na alarmista marcação de tempo.

Contudo, o cristão que aguarda o segundo advento de Cristo e, consequentemente, o fim da era do pecado e o início de um mundo melhor, conforme prometido por Deus em sua Palavra, necessita desenvolver uma atitude equilibrada enquanto espera esse evento. O senso de iminência – “Jesus em breve voltará” – precisa estar presente todos os dias em sua mente para então levá-lo a um estilo de vida elevado, de maneira que a graça divina e o fruto do Espírito Santo sejam visíveis nele. Com a convicção da proximidade desse evento, o cristão aproveitará todas as oportunidades que surgirem e até mesmo criará oportunidades para advertir, exortar e animar pessoas a atentar para o futuro eterno que Deus tem preparado para “aqueles que o amam” (1Co 2:9).

Alceu Lúcio Nunes é capelão da CPB

A missão em primeiro lugar no campo mais desafiador

Relatório apresentado por Jairyong Lee, presidente reeleito da Divisão do Pacífico Norte-Asiático, no dia 7, ressaltou os movimentos de plantio de igreja e as iniciativas de missão urbana

Dedicados e prontos: na Coreia do Sul, missionários do Movimento de Missão Pioneira são dedicados para o serviço. Crédito: NSD

Dedicados e prontos: na Coreia do Sul, missionários do Movimento de Missão Pioneira são dedicados para o serviço. Crédito: NSD

A Divisão do Pacífico Norte-Asiático (Nothern Asia-Pacific Division — NSD) atende a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Coreia do Norte, a Mongólia e Taiwan, países com uma vasta história e rica herança cultural. Uma vez que quase um quarto da população mundial vive no território da NSD, os desafios missionários são enormes.

Os cristãos constituem apenas 4% da população total de 1,6 bilhão de habitantes. O budismo, o xintoísmo e o confucionismo, bem como outras religiões tradicionais, são profundamente enraizadas na região, ao mesmo tempo em que o secularismo e o materialismo bloqueiam o coração de muitos.

Apesar dessas circunstâncias desafiadoras, ao longo dos últimos cinco anos, o Senhor abençoou sua missão nessa Divisão de muitas maneiras notáveis. Mas somente com o poder do Espírito Santo seremos capazes de cumprir a comissão evangélica no futuro próximo.

Colocando em prática o lema “Missão em primeiro lugar”, funcionários e membros da igreja na Divisão têm dedicado a vida a Deus a fim de avançar a pregação do evangelho por meio da participação em atividades de alcance missionário na própria terra natal e no exterior. Desde a assembleia da Associação Geral de 2010, 77.693 pessoas aceitaram a Jesus Cristo e se uniram à família adventista, totalizando 688.106 membros no território da Divisão em 31 de dezembro de 2014.

Batismo no Japão: novos fiéis entregam a vida a Cristo. Crédito: NSD

Batismo no Japão: novos fiéis entregam a vida a Cristo. Crédito: NSD

Reavivamento espiritual

Ted Wilson, presidente da Associação Geral, visitou a Coreia e o Japão em outubro de 2011 e a China em abril de 2012. Ele pregou mensagens sobre reavivamento e reforma, que trouxeram grandes bênçãos e encorajamento. Durante sua visita, os membros entenderam melhor a importância do reavivamento espiritual e reconsagraram a própria vida à missão de contar aos outros sobre Deus. Os membros da igreja de todo o território da Divisão continuam a se concentrar na necessidade de experimentar reavivamento espiritual pessoal e reforma por meio da Palavra de Deus e da oração fervorosa.

Quando nossos líderes visitaram a China, os líderes da igreja chinesa pediram auxílio por meio de treinamento espiritual de maneira sistemática. A China tem 1,35 bilhão de habitantes, dos quais menos de 4% são cristãos. As igrejas lutam por reavivamento e reforma, e suplicam por capacitação espiritual. A fim de atender essa necessidade urgente, a comissão diretiva da Divisão votou, em maio de 2012, a criação de um centro de treinamento de liderança espiritual na ilha de Jeju, na Coreia. Em 1o de setembro de 2013, a cerimônia de inauguração ocorreu com a presença de Wilson, dos presidentes das Uniões e de cerca de cem membros da igreja.

Em nove meses, foram construídos dois dormitórios, um refeitório, salas de aula e uma casa para o diretor do centro. Desde junho de 2014, grupos de diferentes países, inclusive da China, do Japão, de Taiwan e da Mongólia já receberam uma semana de treinamento espiritual. A partir de 2016, nosso alvo é proporcionar capacitação para um total de 700 a 800 pessoas por ano.

Missão: nossa principal prioridade

A missão é a principal prioridade da Divisão do Pacífico Norte-Asiático. Ela é fortemente enfatizada em todas as atividades da igreja. A fim de inspirar os membros da igreja com o espírito missionário, foi realizado o Congresso Internacional de Missões no centro de convenções internacionais em Jeju, Coreia, em agosto de 2013. Cerca de 4 mil pessoas de todo o território da Divisão participaram com entusiasmo. Muitos líderes proeminentes da igreja, inclusive Ted Wilson e G. T. Ng, secretário-executivo, estavam presentes e inspiraram as pessoas com mensagens poderosas da Palavra de Deus. Com o coração unido, os participantes conversaram, ouviram e refletiram sobre a missão da igreja. Dedicaram tempo orando juntos para pedir o derramamento do Espírito Santo e a união na missão.

Vibração por todos os lados: dedicação da igreja de Nanjing, na China.

Vibração por todos os lados: dedicação da igreja de Nanjing, na China.

Hoje mais de 500 cidades no mundo têm uma população superior a 1 milhão de habitantes. Cento e cinco dessas cidades fazem parte do território da nossa Divisão. Séries evangelísticas do projeto de “Missão Urbana” foram realizadas nas principais cidades da Divisão, começando com “Tóquio 13” no Japão. Tóquio é uma das cidades mais populosas do mundo e foram feitas 42 séries evangelísticas em várias igrejas de lá. A maioria desses pontos de pregação ficaram lotados de gente.

Além de Tóquio, outras 16 grandes cidades foram selecionadas no território da Divisão para a iniciativa de missão urbana. Partilhar a mensagem do breve retorno de Cristo com milhões de pessoas que vivem nas grandes cidades corresponde à maior parte de nosso foco missionário.

Na Mongólia, as reuniões evangelísticas do projeto “Missão Urbana” foram realizadas em 13 lugares da cidade de Ulan Bator, nos dias 5 a 13 de setembro de 2014. No sábado, 13, todos se reuniram em um ponto de encontro central com cerca de 700 pessoas presentes para adorar a Deus. Graças a “UB14”, 130 pessoas foram colhidas para o reino dos céus. A Divisão dará continuidade à ênfase na missão urbana até que todos os habitantes das cidades sejam alcançados com as três mensagens angélicas.

Projetos missionários

No que se refere às atividades missionárias, a Divisão deu início a vários projetos envolvendo pastores e leigos, tanto em países estrangeiros quanto na própria terra.

O Movimento de Missão Pioneira (MMP) é o projeto de plantio de igrejas em territórios de Missão Global da Divisão desde 2002. Ao longo dos últimos 13 anos, 102 pastores e suas famílias deixaram sua terra natal a fim de servir por seis anos como missionários plantadores de igrejas que atravessam barreiras culturais. Alguns voltaram para casa depois de atuar com êxito durante o período de seis anos. Atualmente, 48 missionários MMP plantam igrejas em 16 países, à saber: Japão, Taiwan, Hong Kong, China, Coreia, Mongólia, Congo, Uganda, Tanzânia, Quirguistão, Indonésia, Rússia, Índia, Turquia, Kosovo e Filipinas. Por meio de seu serviço dedicado, foram fundadas 148 congregações, resultando no batismo de 13.935 pessoas.

No projeto “Anjos Dourados”, por sua vez, oito jovens talentosos se voluntariam como cantores missionários por um ano, com o propósito de dar apoio às atividades evangelísticas no território da Divisão. Além de cantar nas séries de pregação, eles visitam as pessoas de porta em porta, fazem amigos e ministram estudos bíblicos. Desde 2004, milhares de pessoas foram tocadas pelo ministério deles e um grande número foi levado para a igreja por intermédio de seu serviço dedicado.

O “Movimento Missionário 1000” (MM1000) continua a treinar e enviar centenas de jovens adventistas todos os anos para muitas partes do mundo. Depois de receber treinamento intensivo por cinco semanas, os jovens dedicam um ano no campo missionário como voluntários. Há 6.588 jovens de 59 países que já participaram do Movimento Missionário 1000 desde 1993. Os frutos de seus esforços incluem 66.099 batismos, 763 igrejas construídas e 1.366 igrejas e grupos fundados em 39 países.

Nem todos são chamados para servir em terras estrangeiras, por isso, o movimento “Suas Mãos em Missão” mobiliza nossos membros a cumprir a missão na própria terra. Desde maio de 2007, 3.771 indivíduos da Coreia, da Mongólia, do Japão, de Taiwan e da China se uniram a esse movimento.

Indo de dois em dois, eles batem nas portas, entregam literatura, cultivam relacionamentos e compartilham o amor de Deus, dedicando dez horas por semana durante três anos para essa missão. Para muitas igrejas, esse método evangelístico tem se mostrado eficaz para ganhar pessoas.

Em 1º de julho de 2011, o Hope Channel começou a ser transmitido. É o 13º canal adventista da China, sendo veiculado pelo satélite Telstar 18. A Hope TV tem mais de 5 mil programas com meia hora de duração sobre saúde, família, culinária, educação, música, bem como sermões e assuntos religiosos. Por meio desses programas de televisão, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, agora podemos nos aproximar de 1,4 bilhão de pessoas de língua chinesa com a mensagem evangélica. Na Coreia, o Hope Channel começou a ser veiculado pela internet e, em julho, o mesmo aconteceu no Japão.

Centros de influência

O evangelismo nas grandes cidades não é tarefa fácil, porque muitos moradores dos centros urbanos são extremamente influenciados pelo materialismo e o secularismo. A despeito desses desafios, os centros de influência têm desempenhado um papel significativo ao alcançar e mostrar o amor de Cristo às pessoas que habitam nas cidades. Existem centenas de centros de influência no território da Divisão, que estão a serviço de mais de 5 milhões de pessoas por ano. Convidamos muitos a irem a nossos centros de influência e partilhamos com eles o valor de nossos ensinos e do estilo de vida cristão.

A Divisão fundou um Centro Multicultural de Serviços à Família (CMSF) na cidade de Ansan, Coreia, na qual 20% dos 760 mil habitantes são estrangeiros. O CMSF oferece vários serviços, que incluem assistência social, educação e atendimento médico, jurídico e cultural, a fim de ajudar as famílias multiculturais a se ambientarem com maior facilidade à vida na Coreia. Por meio do amor sincero e do compartilhamento da mensagem evangélica, 136 trabalhadores migrantes e membros de famílias multiculturais aceitaram a Jesus Cristo e foram batizados nos últimos cinco anos

Batismo à luz de velas: iluminação suave durante um batismo numa igreja na Mongólia. Crédito: NSD

Batismo à luz de velas: iluminação suave durante um batismo numa igreja na Mongólia. Crédito: NSD

Crescimento institucional

Na Divisão, há 117 organizações e instituições, incluindo universidades e faculdades, escolas de ensino fundamental, hospitais, clínicas, editoras e indústrias alimentícias. Essas instituições cresceram consideravelmente neste quinquênio. Há 1.700 funcionários e 21.510 alunos em nossas instituições de ensino, que abrangem duas universidades, três faculdades, 25 escolas de ensino médio e 22 de ensino fundamental. Todos os anos, vemos a influência da educação cristã por meio do batismo de estudantes que aceitam a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal.

Deus também está na direção de nossas instituições médicas, atuando de maneira maravilhosa em 11 hospitais e 20 asilos e clínicas. Mais de 1,9 milhão de pessoas recebem os cuidados médicos dessas instituições todos os anos. Por meio dos esforços dedicados de nossa equipe médica e pela graça de Deus, alguns de nossos hospitais superaram suas dificuldades financeiras. Nossas indústrias alimentícias na Coreia e no Japão fabricam produtos à base de leite de soja e alimentos saudáveis. Os produtos da Sahmyook, na Coreia, e da Saniku, no Japão, têm obtido sucesso cada vez maior e são bem aceitos tanto no mercado local quanto global.

O Senhor tem abençoado graciosamente e enriquecido nossos humildes esforços para que pudéssemos ceifar uma colheita maravilhosa. Ele conduziu nosso povo de maneira poderosa na União-Missão Chinesa, União Japonesa, União Coreana e nos dois campos anexos à Divisão, a Missão da Mongólia e a Associação de Taiwan, a fim de espalharmos as três mensagens angélicas para milhões de pessoas do território de nossa Divisão.

Pelo poder do Espírito Santo

A Divisão atua para cumprir a comissão evangélica em seu vasto território. Os desafios missionários são enormes e parece quase impossível concluir a obra do evangelho com as limitações financeiras e pessoais que enfrentamos. Entendemos, porém, que o trabalho será realizado “não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito”, como disse o Senhor Todo-Poderoso (Zc 4:6).

A despeito de todos os desafios, o Senhor abençoou a Divisão do Pacífico Norte-Asiático de forma extraordinária durante o último quinquênio e nos alegramos ao ver milhares de pessoas preciosas se unindo à igreja todos os anos. Louvado seja Deus! Até Jesus voltar, continuaremos a fazer nosso melhor na disseminação das três mensagens angélicas ao mundo. Ellen White escreveu o conselho inspirado: “Nada temos a recear no futuro, a não ser que nos esqueçamos do caminho pelo qual Deus nos tem conduzido” (Vida e Ensinos, p. 204).

Que o Senhor continue a abençoar sua obra na Divisão do Pacífico Norte-Asiático e ao redor do mundo! Maranata! [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

Missão extrema

Relatório apresentado pelo pastor Erton Köhler, no dia 7, mostrou a disposição da igreja de chegar aos rincões da América do Sul

Em vista aérea, o último grande Campori Sul-Americano reuniu 35 mil desbravadores em Barretos (SP). Créditos: DSA

Em vista aérea, o último grande Campori Sul-Americano reuniu 35 mil desbravadores em Barretos (SP). Créditos: DSA

Nos últimos cinco anos, a palavra que marcou o cumprimento da missão na Divisão Sul-americana foi “extremo”. Colocar em prática a comissão bíblica dada por Jesus de “ir”, significa, em muitos casos, dirigir-se a extremos geográficos com dedicação e influência, usando recursos para o progresso do reino de Deus neste mundo. Esta é uma causa fundamentada na grande esperança da segunda vinda de Jesus e tem como base os três alicerces do discipulado: comunhão, relacionamento e missão.

Na área da comunhão, a igreja agiu por meio de programas voltados para o desenvolvimento e a consolidação do hábito de buscar o Senhor na primeira hora do dia. Nos últimos cinco anos, mais de um 1 milhão de pessoas participou do Seminário de Enriquecimento Espiritual, que está agora na quinta fase. Outra iniciativa é o Projeto Maná. Seu alvo é incentivar o estudo diário da Lição da Escola Sabatina. Ao fim do quinquênio, tínhamos 1.010.083 exemplares dos guias de estudo da Bíblia nas mãos de nossos membros.

Na área de relacionamento, nosso foco foi o fortalecimento dos pequenos grupos. Atualmente, contamos com 83.056 pontos de esperança, que reúnem semanalmente membros e visitantes nos lares.

No âmbito da missão, os membros foram desafiados a usar seus dons para conduzir pessoas a Jesus. Nos últimos cinco anos, 1.115.974 pessoas foram batizadas. Além disso, cerca de 15 mil voluntários e 3 mil pastores receberam treinamento no projeto escolas de evangelismo.

Indo além

Ir ao extremo! Essa postura é vista de maneira prática na vida das pessoas que não se satisfazem em fazer somente o que é esperado. Elas vão além. Gente como Ezequiel Zabala, de oito anos de idade. Influenciado por uma professora da Escola Adventista de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia. Ezequiel limpou banheiros e vendeu gelatina. Por meio dessas atividades, conseguiu ganhar dinheiro suficiente para comprar quatro caixas de livros A Grande Esperança a fim de distribuir em seu bairro. “Minha professora disse que ninguém terá uma coroa sem estrelas no Céu”, recorda ele.

Desde 2006, a distribuição de livros missionários tem sido realizada de maneira sistemática. Um livro de alta qualidade, com mais de cem páginas, a um preço inferior a cinquenta centavos de dólar é disponibilizado para ser entregue. Envolvidos e cheios de poder, os membros da igreja distribuíram 130 milhões de livros impressos e já houve pouco mais de 32 milhões de downloads da versão digital.

O território da Divisão Sul-americana tem cerca de 320 milhões de habitantes; logo, a distribuição alcançou um terço da população total.

info-relatorio da DSA

Mais congregações

Hector Pérez é outra pessoa que não poupou esforços para levar as páginas de esperança aos outros. Sargento das Forças Armadas Argentinas, ele desafiou o clima inóspito da Antártida e compartilhou o livro A Grande Esperança com todos que estavam com ele na base científica à qual bem poucas pessoas têm acesso.

Ezequiel e Heitor fazem parte dos 2.329.245 adventistas do sétimo dia da Divisão Sul-americana. O número de membros cresceu 12,8% nos últimos cinco anos. Os adventistas dos oito países que compõem a Divisão Sul-Americana estão espalhados por 25.942 igrejas e grupos, liderados por um exército de 4.409 pastores.

No plantio de igrejas, também vemos extremos: 6.444 congregações adventistas foram fundadas, representando um crescimento de 18,65% no número de novas igrejas no último quinquênio. Jorge Caldas, cego que mora no Estado do Rio de Janeiro, não se intimida pela deficiência que o acompanha há 16 anos. Ele persevera em uma rotina de estudos bíblicos e visitas missionárias. Além disso, encontra forças para realizar ocasionais campanhas evangelísticas. Foi responsável pela fundação de quatro novas congregações adventistas.

Por haver um projeto intencional e planejado de plantio de igrejas, essas congregações são fundadas com apoio financeiro, forte ênfase missionária e administrativamente maduras. “É um crescimento sólido, com base em relatórios e registros precisos e sistematizados, que nos dão uma ideia real de como estamos nos saindo e para onde estamos indo”, explica Magdiel Peréz, secretário-executivo da Divisão.

Mais tecnologia, menos fronteiras

O impacto extremo também acontece quando as fronteiras geográficas são alcançadas e ultrapassadas. Alguém que entendeu esse conceito foi o voluntário Roberto Roberti, de São Paulo. Em um ano, ele conseguiu dar estudos bíblicos para mais de 2 mil pessoas. E tudo aconteceu online. Roberto faz mais do que apenas enviar arquivos ou links com informações sobre a Bíblia. Ele está sempre em contato com sua classe de alunos, ávidos pelo conhecimento. Um grande grupo de voluntários também o ajuda nessa tarefa.

Por meio da internet, da televisão, do rádio ou da página impressa, o evangelho voa alto na América do Sul. A Rede Novo Tempo de Comunicação terminou os últimos cinco anos com mais de 100 milhões de acessos a seus websites e blogs. No site da Novo Tempo, mais de 634 mil alunos participaram de estudos bíblicos online e 693.334 pedidos de oração foram recebidos no portal da instituição e em suas mídias sociais, que contam com mais de 7 milhões de seguidores. A televisão e o rádio falam a um público potencial de 170 milhões de espectadores, com 81 horas semanais de programas inéditos nos dois idiomas. E 855.211 estudos bíblicos foram enviados pelo correio ao longo dos últimos cinco anos.

Revistas, livros e DVDs produzidos pela Casa Publicadora Brasileira e pela Aces (a casa publicadora sul-americana em língua espanhola) chegam a milhares de casas por meio do trabalho de mais de 3.500 colportores-evangelistas de tempo integral e 10.600 colportores estudantes. O número de livros e revistas vendidos neste período foi de 52.525.571, que representam 322.712.840 milhões de dólares. Como resultado do trabalho do Ministério de Publicações, 14.843 pessoas foram batizadas no último quinquênio. O site oficial da Divisão Sul-Americana, desenvolvido tanto em português quanto em espanhol, contou com 35 milhões de acessos a suas páginas ao longo dos últimos cinco anos.

Escolhidos e preparados pela igreja da América do Sul, 28 famílias de missionários são dedicadas para servir em lugares onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência. Créditos: DSA

Escolhidos e preparados pela igreja da América do Sul, 28 famílias de missionários são dedicadas para servir em lugares onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência. Créditos: DSA

Instituições que servem

Na perspectiva da Divisão Sul-Americana, suas instituições dão exemplo de evangelismo extremo. É nos detalhes que é notada a preocupação de uma empresa com os valores espirituais.

A Superbom (indústria alimentícia brasileira) e a Granix (indústria alimentícia argentina), estabelecidas no Brasil e na Argentina, e administradas pela Divisão, têm um total de 1.152 funcionários que cumprem a missão por meio da fabricação de alimentos saudáveis. Entre os produtos manufaturados, há o suco de uva 100% puro, sem aditivos químicos, em harmonia com os princípios bíblicos de saúde. Isso chamou a atenção da professora universitária Maria Auxiliadora de Oliveira.

Maria Auxiliadora queria provar que todas as empresas mentem sobre o uso de substâncias prejudiciais em seus produtos na descrição dos rótulos de suas caixas e garrafas. Por isso, ela ficou surpresa com a veracidade da informação compartilhada pelo nosso produto. Conhecida como Dora, ela descobriu que os rótulos são verídicos. Descobriu também que, por trás do produto, há uma igreja. E por trás dessa igreja, aprendeu sobre Deus da maneira mais extrema. No rótulo de cada um dos produtos aparece o nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia e o website evangelístico, www.esperanca.com.br em português e www.esperanzaweb.com em espanhol. Ela foi batizada e hoje é uma adventista do sétimo dia.

O cumprimento da missão também é o foco das 870 instituições educacionais sul-americanas, com seus 299.466 alunos, além da comunidade de pais que também se beneficia da educação cristã. Soma-se a isso 20 instituições de saúde, como clínicas, centros de vida saudável e hospitais que vão a extremos na missão. “Não estamos aqui apenas para lucrar e ter instituições estáveis como um fim em si mesmas. Toda a nossa renda é investida em evangelismo”, garante Marlon Lopes, tesoureiro da Divisão Sul-Americana. Os dados revelam que os adventistas do sétimo dia da América do Sul aumentaram em 50,2% sua fidelidade nos dízimos e deram 102,1% ofertas a mais do que no quinquênio anterior.

Pessoas que fazem a diferença

Ruth Tesche, ou “Mãe Ruth”, como é mais conhecida essa missionária do Sul do Brasil, incorporou em sua vida diária a expressão “ama a teu próximo”. Ela vai a extremos e arrisca a própria vida para salvar outras pessoas. Ruth dedica tempo para ajudar espiritualmente detentos e seus familiares. Ela passa de 12 a 15 horas todos os dias em contato com prisioneiros de todos os tipos. Ruth faz parte do grupo de pessoas que vivem o amor de Cristo por meio de atos de bondade.

Outro grupo, formado por mais de 100 mil jovens, faz o bem de maneiras diferentes. São os participantes da Missão Calebe. Esses jovens dedicam as férias para servir a comunidade e fazer evangelismo.

Em 2014, dezenove jovens do projeto Um Ano em Missão provocaram uma verdadeira revolução espiritual na cidade de Montevidéu, Uruguai. Em 2015, 24 jovens estão fazendo a diferença no Rio de Janeiro. O projeto, espalhado pelas Uniões, envolve hoje outros 402 jovens. Esses rapazes e moças deixam para trás, por um ano, suas atividades de trabalho e estudos, a fim de se dedicarem completamente ao evangelho.

Os voluntários e profissionais da ADRA também chegam a extremos no cuidado dispensado a 2.645.868 pessoas necessitadas, provendo não só alimento e roupas, mas também suporte espiritual para ajudá-los a sobreviver em meio a tempos tão difíceis.

O clube de aventureiros cresceu 45,24% e o de desbravadores teve um crescimento de 15,23% no último quinquênio. Eles são responsáveis por manter toda uma geração conectada com Deus, com a natureza e com o serviço às outras pessoas. Um exército formado por 192 mil desbravadores e 75 mil aventureiros está sendo preparado para liderar a igreja. O último grande campori sul-americano contou com a presença de mais de 35 mil desbravadores na cidade de Barretos (SP), Brasil.

 

Mais de 4 mil pastores se reuniram no Concílio Ministerial da Divisão Sul-Americana, em Foz do Iguaçu (PR), em 2011. Créditos: DSA

Mais de 4 mil pastores se reuniram no Concílio Ministerial da Divisão Sul-Americana, em Foz do Iguaçu (PR), em 2011. Créditos: DSA

Em terras difíceis

Mas desafiar os limites pode ser muito mais ousado do que pensamos. Neste quinquênio, a Divisão enviou 28 famílias de missionários, escolhidas e preparadas pela igreja, para ir a países onde o cristianismo exerce pouca ou nenhuma influência sobre a sociedade.

Jesus Cristo se tornou um de nós na maior demonstração de ir a extremos quando assumiu a humanidade e morreu a fim de que cada ser humano possa ter a vida eterna. Os discípulos e apóstolos não pouparam esforços e entregaram a própria vida para que mais pessoas aprendessem sobre a salvação.

Na história da Igreja Adventista do Sétimo Dia, também encontramos o mesmo nível de compromisso. Pessoas foram ao extremo de sua capacidade e possibilidade financeiras para proclamar o breve retorno de Jesus.

A Divisão Sul-Americana reconhece o trabalho dos missionários pioneiros neste território no passado e, hoje, retribui ao mundo, enviando famílias para realizar em outros lugares o que um dia foi feito pela América do Sul. A Divisão Sul-Americana continua a fazer evangelismo extremo. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento

Assista ao vídeo apresentado durante o relatório sul-americano

Peregrinação adventista

Maestro dá algumas razões para você se planejar para assistir pessoalmente a uma assembleia mundial

o-que-vi-na-assembleia-1

Se é dever do muçulmano ir pelo menos uma vez na vida a Meca, acompanhar uma assembleia mundial da igreja é um privilégio adventista com “P” maiúsculo. Por isso, considero-me duplamente abençoado: estive em Utrecht (1995) e em Atlanta (2010). Quem participa de um evento desse porte e com esse significado, sempre testemunha algum impacto positivo. Comigo não foi diferente.

Música. A assembleia de 1995, pelo fato de ser feita fora dos EUA, na Holanda, reuniu menos pessoas no último sábado do que de costume, cerca de 30 mil. Porém, ouvir essa multidão cantando “Oh, que esperança, vibra em nosso ser”, em diversas línguas, foi algo inesquecível. Na assembleia de Atlanta, perto de 65 mil pessoas lotaram o ginásio e o impacto foi ainda maior.

Diversidade. Desperta a curiosidade o mosaico multicolorido das vestes, dos idiomas, das músicas, da pele, dos costumes e dos métodos evangelísticos empregados pelo nosso povo ao redor do planeta. Nesse quesito, os estandes das instituições são um universo à parte, porque mostram de maneira mais pitoresca a multiplicidade de métodos de pregação, despertando em quem os visita, o interesse pela missão em terras distantes.

Em muitos momentos, meu orgulho de ser brasileiro foi ofuscado pela variedade de nações representadas, mostrando que somos uma pequena amostra de um corpo bem mais completo. Encontrei adventistas de cantos longínquos do planeta, os quais pude chamar de irmãos, e tive a alegria de imaginar que vou morar com eles no Céu.

Desfile das delegações. Realizado na última noite da assembleia, é um momento único, quando cada país é representado por sua bandeira, levada por alguns líderes e delegados, normalmente vestidos com trajes típicos. No meu caso, foi nesse momento, em ambas as assembleias, que pude extravasar todo o santo orgulho de minha alma verde-amarela. Mas foi um sentimento novamente abafado e equilibrado pela alegria de ver outros irmãos, de outras nações, expressando amor semelhante ou mesmo mais entusiasta por sua terra natal do que o meu.

Organização. Num encontro desse porte, para que tudo funcione bem, são milhares de detalhes e tarefas feitas por um exército de colaboradores e voluntários. E, acreditem, sempre funciona!

Conversões. Os testemunhos e os números sobre o avanço da missão nos quatro cantos do planeta são evidências de que, embora ainda haja muito por fazer, a ordem de Jesus sobre a evangelização mundial (Mt 28:18-20) não está estagnada, mas perto de ser completada.

Por fim, compartilho dois pensamentos que suponho sempre pairar na mente de quem participa de uma assembleia mundial da igreja: como será o cântico dos remidos na Nova Terra? E seria essa a última grande reunião do povo de Deus antes da volta de Jesus?

O coração de todos parece bater em uníssono, num compasso de expectativa e de desejo para que ele volte logo e nos leve para uma eterna assembleia lá no Céu. Quanto tudo terminou, minha vontade foi de clamar como o profeta de Patmos: “Amém. Ora vem Senhor Jesus!” (Ap 22:20).

José Newton é maestro e diretor da Musicasa, divisão de produtos artísticos da CPB