A igreja diante do espelho

No segundo dia da assembleia mundial que acontece em San Antonio, no Texas (EUA), a igreja faz uma autoanálise

Na sexta-feira, dia 3 de julho, a assembleia de delegados e demais participantes da igreja mundial se voltou para o espelho. Ela olhou para seu corpo, percebeu o quanto ele aumentou nos últimos anos, mas também o quanto ele poderia estar mais saudável. Nos relatórios apresentados por G. T. Ng, secretário da Associação Geral, e David Trim, diretor do departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da Associação Geral, a assembleia de delegados teve a oportunidade de enxergar o adventismo mais globalmente. Identificaram-se tendências que desenham nosso futuro. Na agenda, a apresentação do relatório da Secretaria foi seguido pelas perguntas e final aprovação dos delegados.

Missão nas entrelinhas

assembleia-San-Antonio-2015-02.07-creditos-leonidas-guedes-13Para se afastar da frieza dos números, o pastor G. T. Ng  fez uma apresentação das estatísticas “no contexto da igreja”, segundo destacou. Introduziu o relatório, relembrando William Spicer (1865–1952), que teve uma relação forte com a missão. Após voltar de seu serviço missionário na Inglaterra, ele foi eleito como diretor do Conselho das Missões Estrangeiras, órgão criado em 1889.  Três anos depois, Spicer foi enviado à Índia como o único pastor ordenado numa das regiões mais populosas do planeta. Retornando aos Estados Unidos, foi eleito secretário e, mais tarde, presidente da Associação Geral.

T. Ng descreveu Spicer como um entusiasta da missão. Na Conferência Geral de 1913, já como presidente da sede mundial, Spicer se referiu ao fato de que aquela era a primeira reunião da Igreja Adventista com a presença de delegados de outras partes do mundo. Em discurso visionário, Spicer afirmou: “O que o profeta contemplou em visão na ilha de Patmos vemos com nossos olhos hoje, a última mensagem do evangelho eterno voando para toda terra e nação, trazendo a (colheita) predita num povo que guarda “os mandamentos de Deus e que tem a fé em Jesus” (The General Conference Bulletin, 38a Sessão, 16 de maio de 1913, vol. 7, n. 1).

Na época de Spicer, o crescimento e a internacionalização do adventismo já era um processo irreversível. Nesse período, a América do Norte contava com 50 mil membros, segundo Ng; hoje a denominação-movimento conta com 18,5 milhões de membros. Se alguns países e continentes foram representados na Assembleia de 1913, neste ano, representantes de 168 países se encontraram no Alamodome.

O pastor Ng destacou que o ano de 2014 estabeleceu um marco no crescimento numérico da igreja. Nele, acresceram à igreja mais de 1,16 milhão de membros, considerando-se que, no início do último quinquênio (2010), a igreja tinha cerca de 16,9 milhões de membros. Nos últimos 10 anos, a igreja recebeu 6,6 milhões de membros. Para completar o quadro, a denominação contava, em 2014, com 78.810 igrejas e 69.213 grupos. Somente em 2014, foram organizadas 2.446 igrejas, o que representa uma média de 6,7 igrejas fundadas por dia, ou uma igreja sendo plantada a cada 3 horas e 58 minutos.

O ano de 2014, segundo Ng, foi o maior em número de batismos, de congregações plantadas, o 10° ano consecutivo em que foi registrado um acréscimo de mais de um milhão de fiéis e o 12° ano consecutivo em que mais de 2 mil igrejas foram estabelecidas.

Norte e Sul

Porém, o quadro mais revelador da Igreja Adventista está em sua representatividade socioeconômica, que tem profundas implicações. Considerando-se a classificação Norte-Sul global, que separa os países desenvolvidos dos países pobres ou em desenvolvimento, é importante localizar a presença da maior parte dos membros da igreja. A resposta, segundo G. T. Ng, é que esmagadores 92% estão no Sul global, anúncio que foi seguido por uma salva de palmas no auditório. O que impressiona nesse número não é que o Sul global seja a grande maioria na igreja, mas que ele já é a maioria absoluta.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila de 100 pessoas, em 1960, ela seria composta por 27 pessoas da América do Norte, 20 da América Latina, 19 da África, 16 da Europa, 14 da Ásia e 4 da Oceania, de acordo com Ng. Em 2014, a vila tem outra configuração: 38 pessoas da África, 32 da América Latina, 19 da Ásia, 7 da América do Norte, 2 da Europa e 2 da Oceania. A implicação direta dessa diferença representativa indica uma forte tendência de que os irmãos africanos e latino-americanos tenham uma participação cada vez maior na determinação dos rumos da igreja. Esse fenômeno já é perceptível, basta observar quantos africanos têm se dirigido ao microfone nas reuniões administrativas (business sessions). O mesmo se percebe na presença de oficiais do Sul socioeconômico na liderança da igreja mundial.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila, essa seria a proporção de membros por região do mundo.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila, essa seria a proporção de membros por região do mundo.

O quadro objetivo nos faz refletir sobre elementos subjetivos. A igreja do mundo desenvolvido mostra tendências mais inovadoras, progressistas, enquanto a igreja do Sul se mostra mais apegada aos “marcos antigos” (Pv 22:8), mais conservadora? Seria isso apenas uma diferença cultural? Essa diferença precisa implicar uma polarização, uma contraposição? Será que o adventismo do mundo desenvolvido se conformaria com as resoluções aprovadas pelos adventistas do mundo em desenvolvimento? Será que desenvolvimento cultural e material é sinônimo de desenvolvimento espiritual-eclesiástico? Será que a própria Bíblia foi culturalmente condicionada?

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A igreja está presente em 215 países dos 237 reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Essas são questões sobre as quais a igreja tem refletido. Por isso, a tônica desta assembleia mundial é a unidade num sentido mais abrangente – não apenas uma unidade oficial, mas a unidade de fé e de práticas, a unidade no Espírito Santo e no amor de Deus. Delegados de todas as partes do mundo demonstram uma preocupação com essa questão. Mark Finley, em seu sermão feito na noite de sexta-feira, apelou com lágrimas e voz embargada, mas com muita energia, que a igreja esteja unida em missão. Finley lembrou que os discípulos “eram diferentes, mas Deus os uniu”.

Perdas dolorosas

T. Ng alegrou a delegação mundial com sua apresentação criativa e espirituosa das estatísticas da igreja, mas não deixou de mencionar o número que sempre nos entristece: o dos que deixaram a Igreja. Então, foi projetada no telão a imagem de um balde cheio de água, mas que estava cheio de furos, representando a “síndrome do balde que vaza” (The Leaky Bucket Syndrome). Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2014, houve uma perda de 60% dos membros na igreja mundial; enquanto que, de 2000 a 2014, a perda foi de 48%. Após algumas palavras de reflexão e encorajamento, o secretário executivo concluiu sua fala apelando à igreja para que algo seja feito para confrontar essa realidade.

Foi inevitável que o sabor doce dos números do crescimento da igreja tenha, em parte, se tornado amargo pelas notícias sobre os milhões que deixaram a denominação nos últimos anos. Momentos mais tarde, filas de delegados se formariam diante dos microfones para expor dúvidas, preocupações e sugestões sobre as perdas na igreja. A mais significativa delas, de que o crescimento está diminuindo com o passar dos anos. Hoje a igreja cresce cerca de 1,8% ao ano, menos da metade do crescimento verificado anos atrás.

O relatório de G. T. Ng foi oportunamente complementado por David Trim. Ele destacou que, no último quinquênio, a igreja mundial realizou uma série de auditorias minuciosas da contagem de membros, constatando que, “em muitos casos, o número de membros foi superestimado”. Segundo ele, os processos de auditoria da igreja são essenciais, acima de tudo, por uma questão moral, de apego à veracidade dos fatos.

Uma evidência da necessidade de ajustes na Secretaria está no número de mortes entre os adventistas, segundo Trim. Enquanto estudos indicam que a média mundial de mortes entre os adventistas é de 3,39 para cada mil membros (contra 8,55 entre não adventistas), os relatórios indicam que a  Secretaria felizmente tem se tornado cada vez mais precisa no controle do número de membros (de uma mortalidade de 2,67/1.000, passou para um número mais realista de 3/1.000). Um dos fatores para essa precisão, segundo Trim, foi a adoção, em 2012, do software da Secretaria da Igreja, o qual tinha sido desenvolvido e aplicado na Divisão Sul-Americana.

Os processos eletrônicos permitem um registro e uma atualização mais fidedigna do número de membros da igreja. “Estatísticas acuradas não são um fim em si mesmo. Elas devem servir para a missão”, afirma Trim. Registros fidedignos permitem saber que ovelhas estão dentro e fora do aprisco e desenvolver projetos para ir em busca delas.

Na tarde da sexta-feira, a igreja analisou suas finanças apresentadas pelo tesoureiro da Associação Geral, Robert Lemon, e as aprovou. Lemon ressaltou que, à medida que a igreja se fortalece em várias partes do mundo, os recursos da Associação Geral vão priorizar os países da missão global, da chamada janela 10/40. Esta talvez seja mais uma evidência da nova realidade da Igreja no Sul global: ela está mais forte e menos dependente, mesmo no aspecto financeiro.

Como um organismo, a igreja está em transformação. Isso, por um lado, nos preocupa, mas, por outro, nos anima. A unidade na diversidade não deve ser apenas uma frase bonita, mas um exercício constante em todos os níveis da igreja. Os paradoxos devem servir como estímulo à cooperação e ao crescimento espiritual de todos, individualmente, e da igreja como corpo de Cristo. Essa tem sido a principal mensagem da assembleia de San Antonio. [Diogo Cavalcanti, equipe RA]


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Missão incompleta

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Quão grande és Tu

Relatório apresentado por Israel Leito, presidente reeleito da Divisão Interamericana, no dia 6, destacou a integridade dos membros e a participação deles na missão

Esta igreja em Santo Domingo, República Dominicana, é uma das centenas de novos templos inaugurados ao longo dos últimos cinco anos. Crédito: União Dominicana

Esta igreja em Santo Domingo, República Dominicana, é uma das centenas de novos templos inaugurados ao longo dos últimos cinco anos. Crédito: União Dominicana

“Cantem ao Senhor, todas as terras! Proclamem a sua salvação dia após dia! Anunciem a sua glória entre as nações, seus feitos maravilhosos entre todos os povos! Pois o Senhor é grande e muitíssimo digno de louvor, ele deve ser mais temido que todos os deuses” (1Cr 16:23-25).

Ao refletir sobre este quinquênio, a Divisão Interamericana (Inter-American Division — IAD) só pode concluir que foi ricamente abençoada pelo Senhor. Por meio de seu Espírito, ele operou maravilhas nos 42 países que formam a América Central. Sua graça é tão ampla, o amor que manifesta a seus filhos é tão grandioso, sua misericórdia ao salvar centenas de milhares neste território é tão sublime, que nenhum superlativo é suficiente para proclamar a plenitude de sua glória. Só nos resta exclamar: “Meu Deus, quão grande és Tu”.

A cada sábado, ao abrirmos as portas de mais de 20 mil igrejas para que quase 4 milhões de membros e seus amigos entrem para adorar, seus louvores entoam, ecoando o refrão: “Senhor, quão grande és Tu”. Nosso coração bate em uníssono enquanto reconhecemos a grandeza de nosso Senhor e humildemente dizemos: “Obrigado, ó Deus, por nos amar sem medida”.

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O Seminário Teológico Interamericano é reconhecido pela Associação de Escolas Teológicas e concede diplomas que são validados em todo o mundo. Crédito: Seminário Interamericano de Teologia

Sua obra dá testemunho da realidade dessas palavras inspiradas de Ellen White: “Não há limites à utilidade daquele que, pondo de parte o próprio eu, abre margem para a atuação do Espírito Santo no coração, e vive uma vida inteiramente consagrada a Deus” (Serviço Cristão, p. 194).

Concentrados no crescimento e no avanço da obra de Deus, crendo nessas palavras inspiradas de Ellen White, a administração da Divisão Interamericana, em dependência e confiança completas na guia divina, se propôs a alcançar vários objetivos durante esse período de cinco anos.

Melhor preparo dos pastores

Depois de receber o mais elevado reconhecimento concedido a um seminário teológico, o Seminário Interamericano de Teologia (Inter-American Theological Seminary — IATS) foi formalmente estabelecido. Depois de trabalhar por muitos anos e depender de outras instituições de ensino, o Senhor foi misericordioso com nossa Divisão ao permitir que o IATS recebesse a aprovação, a certificação e o credenciamento da Associação de Escolas Teológicas.

Além do Seminário Teológico Adventista da Universidade Andrews, poucas instituições adventistas alcançaram esse nível de reconhecimento. De agora em diante, os estudantes que concluírem seus estudos no IATS receberão um título credenciado reconhecido em todo o mundo. Agradecemos à administração e ao colegiado do IATS por permitirem ser usados pelo Senhor. Seu trabalho árduo beneficiará os pastores de nossa Divisão.

Educação online

Percebemos a orientação divina por meio da consolidação da Herbert Fletcher University (HFU), uma das poucas instituições adventistas de ensino do mundo a oferecer cursos totalmente online. Quando essa universidade estiver em pleno funcionamento, abençoará milhares de profissionais que poderão avançar em sua educação sem precisar deixar seu lar ou emprego. Toda a documentação já foi enviada para as autoridades, com a perspectiva de aprovação formal e inauguração dessa universidade online. Expressamos calorosos agradecimentos a todas as instituições que patrocinaram a HFU, ajudando no custeio de seus diplomas até aqui.

Além de oferecer cursos acadêmicos, a HFU também conta com instrução online informal para todos os líderes das igrejas. Eles podem receber capacitação em suas áreas específicas de responsabilidade congregacional e, assim, atuar com maior eficiência. Com a ajuda do Espírito Santo, prestarão um serviço mais eficaz à igreja.

Milhares de holofotes

Esse período de cinco anos testemunhou um crescimento impressionante na organização de novas congregações. Em 2010, os líderes lançaram o desafio de transformar todos os grupos informais existentes e qualificados em igrejas organizadas. Contudo, se o desafio fosse apenas transformar os grupos já existentes em igrejas organizadas, significaria o fim do crescimento e só atenderia os lugares em que existe presença adventista estabelecida.

Por isso, em seguida, os membros foram desafiados a fixar o estandarte do Príncipe Emanuel em lugares em que não havia presença adventista consolidada. Pela graça de Deus e mediante sua orientação, temos vencido esse desafio. Atualmente temos praticamente o mesmo número de grupos do que no início do quinquênio, isso depois de transformar a maioria dos grupos anteriores em igrejas organizadas.

A Divisão Interamericana designou 2013 como o “ano dos leigos”, resultando no acréscimo de milhares de novos membros à igreja. Crédito: Comunicação IAD

A Divisão Interamericana designou 2013 como o “ano dos leigos”, resultando no acréscimo de milhares de novos membros à igreja. Crédito: Comunicação IAD

Organizar para vencer

Com o aumento do número de membros, foi necessário fundar locais de adoração e isso requer a construção de mais templos. Com o crescimento do total de igrejas e grupos, surge a necessidade correspondente de novas sedes administrativas para coordenar o trabalho. Na verdade, esse processo produziu um aumento significativo nos campos locais, tanto Associações quanto Missões.

Alguns anos atrás, a Divisão Interamericana contava com cerca de 60 campos locais, a maioria deles com o status de Missão. Hoje temos 122 campos locais, quase todos com o status de Associação.

Esse crescimento exponencial de campos locais exigiu uma estratégia para prover liderança no nível das Uniões. Enquanto a Divisão Interamericana possuía 12 Uniões poucos anos atrás, a maioria com o status de União-Missão, hoje são 24 Uniões, o dobro! A maioria delas tem status de União-Associação e outras estão no processo de alcançá-lo.

Visão: Um milhão

No início do quinquênio, os líderes se reuniram e fizeram planos para batizar, no mínimo, um milhão de pessoas ao longo desse período de cinco anos. “Visão: Um milhão” se tornou a palavra de ordem. Hoje é mais que um slogan. Pela graça de Deus, a Divisão Interamericana batizou mais de um milhão de pessoas nos últimos cinco anos, culminando com uma festa batismal de toda a Divisão em um evento transmitido via satélite a partir de Trinidad, no Caribe, este ano.

O cristão interamericano completo

Na América Central, cremos nas palavras de João ao expressar o ideal de um cristão completo: “Oro para que você tenha boa saúde e tudo corra bem, assim como vai bem a sua alma” (3Jo 2). Os cristãos equilibrados devem: (1) prosperar socialmente, (2) ter boa saúde e (3) demonstrar valores cristãos fortes.

Cristãos de boa conduta. Muito tem sido feito na América Central para ajudar os adventistas a entender que, na sociedade em que vivem, devem ser os melhores vizinhos, os melhores cidadãos, os colegas de trabalho mais confiáveis e os amigos mais leais da humanidade. Devem procurar viver como cristãos verdadeiros. Programas como “Abrace uma Cidade”, “Dê um Sorriso” e outros causaram grande impacto em várias comunidades. E somente mediante a intervenção divina é possível que quase 4 milhões de pessoas tenham um testemunho tão impecável.

Cristãos saudáveis. Durante esse quinquênio, programas e iniciativas atraentes de saúde foram lançados em muitos lugares da Divisão Interamericana. Programas como “Quero Viver com Saúde” foram adaptados por alguns governos para despertar a consciência da necessidade de levar uma vida saudável como questão de prioridade nacional. Os profissionais adventistas se uniram a líderes civis na promoção de um estilo de vida saudável para todos. Muito tem sido feito para manter a igreja com o foco na mensagem de saúde e em seu impacto sobre a vida das pessoas, da igreja e da comunidade. Os pastores foram conclamados a proclamar essa grande verdade.

Cristãos morais. Quando João disse “como vai bem a sua alma”, deveria ter nossos dias em mente. Tantas coisas competem pela nossa atenção! A degradação dos padrões morais aceitos em geral pode desviar muitos com facilidade. Mas o Senhor mantém a prosperidade espiritual de seu povo. A Divisão Interamericana não olha nem para a direita, nem para a esquerda, pois sabemos em quem temos crido; e a prosperidade de nossa alma, a certeza da salvação, é nossa maior prioridade.

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Um educador físico faz uma série de exercícios com as pessoas em Monterrey, Nuevo Leon, México, como parte da iniciativa “Quero Viver com Saúde”. Crédito: IAD/Aljafet Chable

Generosidade

A fidelidade financeira da igreja na América Central é notória. Os membros acreditam na obra do Senhor. A igreja confia em seus líderes. A generosidade de nossos membros faz a igreja progredir em sua missão não só em nossa região, mas também em outras partes do mundo. Nossa contribuição com ofertas missionárias em comparação com os dízimos é uma das mais altas do mundo adventista.

A Divisão Interamericana continua prestando forte apoio aos esforços missionários da igreja por meio da doação liberal. Isso só pode ser atribuído à confiança absoluta em Deus, às bênçãos do Senhor à sua igreja e à dedicação de seus membros.

A devolução fiel dos dízimos é prática estabelecida da vida da igreja. Isso não acontece por planejamento ou estratégias humanas, porque a questão de devolver os dízimos com fidelidade é estritamente pessoal e particular entre os cristãos e o Senhor.

A página impressa

Um dos meios que o Senhor tem dado para sua igreja cumprir a missão é o trabalho dos colportores-evangelistas. De manhã, de tarde e de noite, esses homens e mulheres de Deus, cheios do Espírito Santo, batem às portas, alcançam as pessoas para o Senhor e, acima de tudo, deixam literatura cheia de verdade dentro dos lares.

Depois de anos sem dedicar atenção suficiente a esse ministério tão importante, a Divisão Interamericana transformou fez da obra de publicações uma prioridade. Maneiras de motivar, apoiar e direcionar os colportores-evangelistas têm sido restauradas e aperfeiçoadas. A colportagem deixou de ser importante apenas para alguns, na medida em que toda a igreja tem se dedicado a fortalecer essa missão relevante e necessária. Medidas têm sido tomadas para que todo colportor-evangelista fiel receba o devido reconhecimento e os benefícios que a igreja pode oferecer.

A força da união

A igreja não está dividida, pois temos promessas que garantem que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Comissionada pelo Senhor a ir, pregar e ensinar (Mt 28:19, 20), a igreja na América Central reconhece o valor e a contribuição de todos os seus membros para o avanço da missão. É por isso que todo o ano de 2013 foi dedicado ao reconhecimento da contribuição dos membros leigos, culminando com um dia especial no qual os anciãos das igrejas locais puderam batizar aqueles que haviam levado pessoalmente aos pés de Jesus.

Que grande alegria para os membros leigos! Que bênção foi para a igreja quando os anciãos de todo o território da Divisão Interamericana, apoiados pelos pastores, batizaram milhares de pessoas. A igreja não é servida apenas pelos ministros. Os pastores têm sua parcela de responsabilidade; mas a igreja pertence a seus membros e cada um deles é importante para o cumprimento da missão.

Os líderes da igreja têm a oportunidade de receber treinamento informal para o cumprimento da missão. Dezenas de milhares se esforçaram para concluir cursos a fim de servir melhor ao Senhor e sua igreja. O uso da tecnologia permitiu que milhões de membros assistissem a essa formatura pela internet.

Nosso louvor nunca terá fim; nunca deixaremos de expressar nossa gratidão. Nosso único desejo é ser mais semelhantes a Cristo e servi-lo todos os dias. Por esse privilégio dizemos: “Grandes coisas o Senhor tem feito” e continua a fazer por sua igreja na Divisão Interamericana e ao redor do mundo. [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Rodrigues

ASSISTA AO VÍDEO APRESENTADO PELA DIVISÃO INTERAMERICANA NA ASSEMBLEIA

Vice-presidentes e diretores de departamentos da Divisão Sul-Americana também são definidos

Confira a lista dos líderes eleitos ou reeleitos para essas funções na América do Sul

A Comissão de Nomeações da sede adventista para oito países sul-americanos se reuniu nesta quinta-feira, 9 de julho, em San Antonio, para escolher vice-presidentes, o secretário e o tesoureiro associados, além dos diretores de departamentos da igreja.

Confira abaixo a lista dos que foram eleitos ou reeleitos para essas funções na América do Sul:

Vice-presidentes: Helder Roger Cavalcanti Silva (substitui Almir Marroni) e Bruno Raso (reeleito)

Secretário associado: Uesley Peyerl

Tesoureiro Associado: Gilnei Abreu

Ministério Jovem e Ministério da Música: Carlos Campitelli (substitui Areli Barbosa)

Associação Ministerial: Carlos Hein (titular reeleito) e Herbert Boger (associado reeleito)

Publicações: Tércio Marques (titular reeleito) e Adilson Morais (associado reeleito)

Ministério Pessoal: Everon Donato (reeleito)

Escola Sabatina, Missão Global e Ministérios Especiais: Edison Choque (reeleito)

Ministério da Criança e do Adolescente: Graciela Hein (reeleita)

Educação: Edgard Luz (titular reeleito), Ivan Góes (associado reeleito) e Sócrates Quispe-Condori (substitui Tito Benavidez)

SALT: Reinaldo Siqueira (reitor reeleito)

Saúde: Marcello Niek Leal

Ministério da Família / Liberdade Religiosa: Gilberto Araújo (assume um departamento dirigido por Rafael Rossi e um que era dirigido por Marcos Bomfim)

Comunicação: Rafael Rossi (reeleito)

Evangelismo: Luís Gonçalves (reeleito)

Desbravadores e Aventureiros: Udolcy Zukowski (reeleito)

Mordomia Cristã: Marcos Bomfim (substitui Miguel Pinheiro)

Ministério da Mulher: (ainda não foi definido)

ADRA: Paulo Lopes (titular reeleito) e Jefferson Kern (associado reeleito)

Espírito de Profecia: Bruno Raso

Conheça também um pouco sobre a trajetória dos novos servidores da igreja

Vice-presidente – Helder Roger

Helder-RogerHelder Róger Cavalcanti Silva atua desde 2004 como presidente da União Centro-Oeste Brasileira. Ele possui mestrado em Teologia pelo Unasp, campus São Paulo, e está cursando o doutorado no campus Engenheiro Coelho. Helder iniciou o ministério como pastor distrital em Prazeres (PE), seu Estado de origem. Em 1984, recebeu o chamado para trabalhar como diretor do Ministério Pessoal, do departamento Jovem e da ADRA na Missão Nordeste. Dois anos depois, iniciou sua jornada como presidente na Missão Nordeste (1987–1988), na Associação Bahia (1989-1995), na União Nordeste Brasileira (1996-2004) e na União Centro-Oeste Brasileira (2004-2015. Helder é casado com Débora Meira Cavalcanti Silva e tem três filhos.

Ministério Jovem – Carlos Campitelli

CampitelliCarlos Campitelli é argentino. Estudou na Universidade Adventista del Plata, onde cursou Teologia Pastoral. Em 2010, concluiu mestrado na mesma área pela Faculdade Adventista da Bahia. Campitelli iniciou seu ministério na região Norte do Brasil. Depois de atuar como pastor distrital em São Luís (MA), foi chamado para a Associação Juvenil Maranhense e, logo na sequência, para coordenar o Ministério Jovem da União Nordeste Brasileira. Atualmente, ele liderava os jovens adventistas na Argentina. Carlos Campitelli é casado com Lislei Freire.

Ministério da Família / Liberdade Religiosa – Gilberto Araújo

Gilberto-AraujoO pastor Gilberto Araújo nasceu em 1959, em São Paulo, e formou-se em Teologia em 1981 no antigo IAE. Atuou como pastor no Brasil até 1987, quando foi chamado para ser missionário em Cabo Verde, na África. Durante 28 anos como missionário fora do Brasil, trabalhou em Burkina Faso (como presidente da Missão local), no Togo (como presidente da União) e, nos últimos 11 anos, como um dos vice-presidentes da Divisão Sul-Africana Oceano Índico, com sede em Pretória, na África do Sul. É casado com Glaucia Maiolli Souza Araújo e tem dois filhos: Glauber e Gabrielle.

Educação Associado – Sócrates Quispe-Condori

Socrates-CondoriSócrates é peruano e possui graduação em Engenharia de Alimentos e mestrado e doutorado na mesma área. Foi professor da Universidade Peruana Unión. Até agora atuava na Divisão Sul-Americana como assistente da Educação para projetos especiais da rede educacional adventista.

Saúde – Marcello Niek Leal

Marcello-Niek1O médico Marcello Niek Leal é especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem e trabalha no Hospital Adventista de Belém (PA). É casado com Ingrid Daniela Streithorst Leal. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Pará. [Equipe RA, da redação / Com informações de Felipe Lemos, da ASN]

Um parque e um campo de batalha por almas

Relatório apresentado por Paul Ratsara, presidente reeleito da Divisão Sul-Africana Oceano Índico, no dia 5, destacou o investimento em canais de TV e o amparo aos portadores de AIDS

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Em meio à beleza africana de tirar o fôlego, que inclui a cachoeira Victoria Falls, vive um povo que anseia por se conectar com Deus, seu Criador. Crédito: Pixabay.

A Divisão Sul-Africana Oceano Índico abriga desertos cheios de bancos de areia e verdejantes florestas tropicais. Você irá testemunhar a maior cachoeira única do mundo se seguir o sinuoso rio Zambeza pelo sul da África até chegar a Victoria Falls, onde um arco-íris perpétuo cria uma maravilha espetacular do mundo.

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O serviço à comunidade “Refeições sobre Rodas” inspira esperança e compartilha amor com cada uma das milhões de refeições servidas por ano. Crédito: SID

Você sentirá o ar da África ao fazer um safári em Botsuana ou Malaui, ou se optar por uma aventura nas últimas florestas tropicais intocadas de Madagascar.

Quando respirar o ar fresco no topo da Table Mountain na África do Sul, exclamará: “No princípio criou Deus os céus e a terra!” Em meio a tanta beleza de tirar o fôlego, vive um povo que anseia por se conectar com Deus, seu Criador.

Essa é a África: um parque e um campo de batalha por almas.

Os principais instrumentos de Deus nesse conflito cósmico são os 3.346.372 membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Divisão Sul-Africana Oceano Índico. Confira algumas de suas histórias.

Participação total

Rima tem seis anos de idade e prega diligentemente o evangelho em Madagascar há dois anos. Armado com a Bíblia, abençoado por uma boa memória e incentivado pela mãe, Rima fala com autoridade ao pregar a Palavra. A Divisão Sul-Africana Oceano Índico oferece seminários regulares de pregação infantil, dando às crianças a oportunidade de aperfeiçoar seu chamado e de serem equipadas com habilidades homiléticas.

Aos 113 anos de idade, Jato Mailose Sibanda é o desbravador ativo e pregador adventista mais velho do mundo. Crédito: SID

Aos 113 anos de idade, Jato Mailose Sibanda é o desbravador ativo e pregador adventista mais velho do mundo. Crédito: SID

As crianças pregadoras são um fenômeno crescente na Divisão, mas membros de todas as idades compartilham Jesus. Três anos atrás, Jato Mailose Sibanda provavelmente era o centenário mais ativo do continente. Embora tenha diminuído um pouco o ritmo, aos 113 anos de idade, Sibanda é hoje o pregador adventista e desbravador ativo mais velho do mundo. Defensor da alimentação vegetariana, de exercícios regulares, de uma atitude positiva e da confiança constante na Palavra de Deus, ele inspira um compromisso mais firme com as três mensagens angélicas no coração de jovens e velhos. A obra de espalhar o evangelho depende dos membros leigos. A Divisão conta com apenas 1.552 pastores para 9.992 igrejas e 13.068 grupos.

Membros leigos tomam a iniciativa

O número de membros da igreja tem crescido rapidamente na Divisão à medida que os membros leigos tomam a iniciativa.

Muitos fatores contribuíram para o crescimento, mas o uso de pequenos grupos demonstrou ser o mais eficaz. Mais de 31 mil pessoas foram batizadas em apenas oito meses após milhares de pequenos grupos de estudos bíblicos serem organizados em Angola. Mais de 3 mil pessoas foram batizadas em um só sábado em Madagascar. Todos os novos membros se transformam imediatamente em ganhadores de almas, ao participarem do programa “Pescadores de Homens”, que os capacita a se tornarem discípulos que levam outros a Jesus.

Entre os novos ganhadores de almas se encontra N. K. Kerk, ex-pastor ordenado da Igreja Reformada Holandesa e hoje um evangelista adventista. Sua decisão de aceitar plenamente as verdades bíblicas conforme ensinadas pela Igreja Adventista testifica do poder da Palavra de Deus e da influência persuasiva do Espírito Santo.

Os membros de nossa igreja colocam em prática a declaração da cofundadora da Igreja Adventista, Ellen White, em Caminho a Cristo, p. 90: “Não há nada mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras”. Por esse motivo, a Divisão aderiu por completo ao programa Reavivados por Sua Palavra, plano de leitura diário da Bíblia formulado pela Associação Geral.

Os jovens são especialmente ativos em compartilhar Jesus. Mais de mil jovens de todo o mundo se dirigiram à África do Sul e se transformaram nas mãos e nos pés de Cristo durante o Impacto África do Sul, prelúdio organizado pela Divisão ao terceiro Congresso Internacional de Jovens. O coração das pessoas derrete quando vê os jovens auxiliando os necessitados, preparando alimento para os pobres, alimentando os famintos e consolando os idosos.

É o método de Cristo de encontrar as pessoas em seu ponto de necessidade que motiva os grupos de jovens voluntários e autossustentados a se organizar em equipes missionárias dentro do próprio país e em outras terras. Usando seus dons e talentos para a glória de Deus, os jovens inspiram outros rapazes e moças a se renderem a Cristo, por meio do dom da música em ruas, aeroportos, estádios e eventos especiais.

O crescimento nas iniciativas e na participação em toda a Divisão está ligado ao esforço consistente de seus líderes em lançar a visão e formar a liderança. Organizamos um congresso anual de líderes que coloca os membros da igreja em contato com um grupo internacional de líderes tementes a Deus, que os ajudam a garantir que seu trabalho servirá para cumprir a missão da igreja. Em nível básico, o treinamento é contínuo em todos os ministérios. Homens e mulheres cheios do Espírito estão treinando e sendo treinados para servir a Deus.

Rima tem seis anos de idade e pregou diligentemente o evangelho ao longo dos últimos dois anos. Crédito: SID

Rima tem seis anos de idade e pregou diligentemente o evangelho ao longo dos últimos dois anos. Crédito: SID

Historicamente, a educação adventista tem sido o canal usado pelos pioneiros da igreja a fim de espalhar o evangelho. A tradição continua na Divisão Sul-Africana Oceano Índico. Com 149 escolas de ensino médio, 249 escolas de ensino fundamental e 12 instituições de ensino superior, o espírito da educação adventista está vivo e passa muito bem. À medida que os jovens se formam em nossas instituições e entram no mercado de trabalho, os governos e empresários reconhecem a contribuição singular da educação adventista para melhorar as comunidades locais, aumentando ainda mais a credibilidade da igreja.

Igrejas, TV e HIV

Enquanto a igreja cresce nesta região, a necessidade de mais templos também aumenta. Muito devemos aos voluntários da Maranata Internacional e de outros ministérios parceiros, como Lightbearers International [Portadores de Luz Internacional] e Remnant Publications [Editora Remanescente], pelo investimento consistente no crescimento da Divisão. A Maranata concluiu 3.995 projetos, incluindo 2.797 igrejas.

Contamos com 3.955 colportores-evangelistas compartilhando Jesus por meio da página impressa. De livros a mídias digitais, a Divisão tem usado todos os meios para espalhar o evangelho. Nosso centro de mídia, localizado na Cidade do Cabo, África do Sul, produz vários programas criativos para o canal de televisão Hope Channel, a fim de atender as necessidades espirituais de pessoas que só podem ser alcançadas por meio da tecnologia moderna.

Desde 1o de janeiro de 2015, o Hope Channel Zâmbia transmite 24 horas por dia, levando esperança e bênçãos aos habitantes do país e a outros por meio de mensagens bíblicas poderosas e de músicas inspiradoras. O Hope Channel Malaui foi inaugurado oficialmente em 15 de fevereiro de 2015 e também veicula programação ininterrupta.

Em vilas de difícil acesso em Madagascar, Zâmbia, Malaui, Moçambique e Namíbia, a Rádio Adventista Mundial faz uma diferença significativa por meio da doação de equipamentos manuais ou movidos a energia solar.

Durante esse quinquênio, a África perdeu um de seus grandes líderes, Nelson Mandela. Reconhecemos e prestamos nossa homenagem ao papel que ele desempenhou na luta pela democracia na África do Sul. Ao mesmo tempo, nós, como igreja, valorizamos muito um aspecto fundamental da democracia — a liberdade religiosa — e temos sido proativos em engajar líderes nacionais e políticos de todos os países de nosso território. Em Botsuana, Haskins Nkaigwa, prefeito de Gaborone, recentemente reconheceu a importância da mensagem adventista de saúde após participar de um seminário sobre o assunto.

Fazemos campanhas regulares contra o abuso a mulheres e crianças, mostrando que a igreja está comprometida com a proteção e o bem-estar dos vulneráveis. Nossos amigos e vizinhos olham para os adventistas como modelos de não estigmatização dos portadores do HIV e aplaudem nossa posição bíblica de abstinência sexual antes do casamento. Os adventistas portadores da AIDS estão abrindo caminho, encorajando outros a descobrir sua condição por meio de exames, a fim de poderem receber tratamento e melhorar a qualidade de vida.

Cremos que todos — não importa quem são, o que fazem e de onde vêm — merecem a oportunidade de ter uma vida realizada e significativa. É isso que nós, cristãos, fomos chamados para fazer. Por isso, ninguém fica de fora do alcance da ADRA na Divisão. Desde 1964, o serviço à comunidade “Refeições sobre Rodas” inspira esperança e compartilha amor a cada refeição servida. Alcançando destituídos, idosos vulneráveis e crianças, a agência da igreja opera 512 centros voluntários de serviço em todo o sul da África. Milhões de refeições são servidas por ano.

A Divisão Sul-Africana e Oceano Índico é um território tocado pelo dedo de Deus com cenários de tirar o fôlego e fenômenos naturais inacreditáveis. Mas a Igreja Adventista do Sétimo Dia nessa região tem demonstrado de maneira consistente que as joias mais preciosas da África não são as cachoeiras, os diamantes, ou a natureza, mas, sim, as pessoas, pelas quais Cristo morreu. [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Votação sobre ordenação de mulheres ao ministério pastoral repercute num dos jornais mais lidos dos EUA

Decisão da assembleia mundial da igreja de não autorizar as divisões a ordenar mulheres ao ministério pastoral foi abordada pelo The Washington Post

washington-post-homeA decisão tomada ontem pela assembleia mundial adventista de não autorizar as 13 divisões da igreja a ordenar mulheres ao ministério pastoral em suas regiões repercutiu no site de um dos jornais mais lidos pelos norte-americanos: o The Washington Post.

O porta-voz da igreja em nível mundial, Garrett Caldwell, foi um dos entrevistados pela reportagem. Caldwell procurou contextualizar a discussão sobre o assunto e disse que não é possível prever quais serão os desdobramentos da decisão.

Buscando uma opinião externa, o veículo de comunicação também ouviu a editora Bonnie Dwyer, da revista norte-americana Spectrum, publicação independente de tendência progressista. Ela opinou sobre os possíveis impactos do voto tomado pela igreja especialmente nos lugares em que começam a surgir movimentos favoráveis à ordenação de mulheres ao ministério pastoral.

O jornal destacou o fato de a votação ter sido o tema mais importante e intenso da agenda do evento que acontece a cada cinco anos e considerou que o assunto é tratado de uma perspectiva mais conservadora pela igreja no Hemisfério Sul.

Outro ponto levantado pelo periódico foi o pedido feito pela liderança mundial adventista para que a igreja se mantivesse unida a despeito das diferentes opiniões manifestadas sobre o assunto. A matéria chega a citar trechos do discurso feito pelo presidente da Associação Geral, pastor Ted Wilson, após a votação.

A reportagem é assinada pela repórter Michelle Boorstein, que escreve sobre religião no The Washington Post. [Márcio Tonetti, equipe RA]

Cenáculo moderno

Vinte anos depois, editor da CPB relembra cobertura que fez da assembleia de Utrecht, na Holanda

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Centro de Convenções Jaarbeurs, em Utrecht, na Holanda, onde foi realizada a assembleia mundial da igreja em 1995. Imagem: acervo RA

Em 1995, pela primeira vez, minha esposa e eu tivemos o privilégio de participar, como delegados (eu, também como repórter da Revista Adventista), da 56ª Sessão da Associação Geral, realizada em Utrecht, cidade conhecida como o “coração da Holanda”. Destacado centro comercial e turístico do país, nela se encontram as marcas de um rico passado histórico e de um presente dinâmico.

Participar de uma assembleia mundial da Igreja Adventista é, realmente, uma experiência inesquecível. O fato de nos encontrarmos em meio a uma riquíssima diversidade de culturas, etnias e idiomas, contudo identificados pelas mesmas crenças, os mesmos ideais espirituais e missionários, a mesma bendita esperança de ver Jesus face a face, contribui para que logo nos sintamos uma família – a família de Deus. Agora, tendo a oportunidade de assistir a mais um evento dessa natureza, emergem as lembranças de 20 anos atrás.

Que lembranças guardo de Utrecht? De início, foi inevitável a associação daquele encontro do povo remanescente, durante dez dias, com outro que também aconteceu reunindo os primeiros cristãos, durante dez dias, muito tempo atrás em Jerusalém. Acaso, a unidade característica do primeiro encontro em Jerusalém seria a marca do encontro em Utrecht? O lema da assembleia – “Unidos em Cristo” – era convidativo a esse ideal. Conforme disse o Dr. Benjamin Reaves, então diretor do Colégio Oakwood, em sua mensagem devocional de abertura, o lema era “um insistente imperativo missionário para a igreja. Ele deve ser o sinal pelo qual o mundo possa nos distinguir. Através de nossa união, devemos atrair pessoas a Cristo. Não é suficiente a união teológica, doutrinária e de crenças. Importa que estejamos unidos no amor”.

A pauta das discussões continha temas controvertidos, mas foram debatidos no espírito do lema da assembleia. Senti que o Espírito Santo a tudo dirigia. Ideias eram às vezes apresentadas com muita ênfase, defendidas com ampla liberdade para expressão, mas tudo sob uma atmosfera de respeito cristão. Havia a clara determinação de todos no sentido de que a igreja não fosse desviada de sua rota missionária. Vinte anos mais perto da vinda de Jesus Cristo, não podemos esperar nem desejar menos do que isso.

Ainda me lembro de Meropi Gijka, digno exemplo de fé mantida sob circunstâncias dificílimas. Ela foi alcançada na Albânia, onde floresceu o modelo comunista mais agressivo. Meropi se converteu no início dos anos 1940, graças ao trabalho do pastor Daniel Lewis, e viveu secretamente a fé durante 50 anos em que a religião organizada foi proibida naquele país. Descoberta em 1990 pelo pastor David Currie, entregou-lhe os dízimos guardados durante aquele tempo e, finalmente, pôde ser batizada. Aos 92 anos, ela estava em Utrecht numa cadeira de rodas.

Além de Meropi, estiveram na Holanda mais dois exemplos, entre outros, de que não há barreiras ideológicas nem geográficas para o evangelho de Cristo: Sovanna Puth, primeira adventista batizada no Camboja, depois de 30 anos, e Davaahuu Barbaatar, primeira adventista batizada na Mongólia.

Ouvi o voluntário Fitz Henry, ex-presidiário e, como ele mesmo se definia, “engenheiro profissional, mas pregador por vocação”. Havia levado ao batismo 15.100 pessoas em dez anos, realizando campanhas evangelísticas na América Central.

Testemunhei o vigoroso envolvimento missionário dos jovens, de todas as partes. Ações comunitárias, música, dramatizações e muito mais eram recursos utilizados já naquele tempo com objetivos evangelísticos. E com expressivos resultados.

Estou certo, porém, de que as conquistas relatadas em Utrecht foram nada mais que o prelúdio da grande sinfonia hoje apresentada. A igreja tem feito incomparavelmente mais. Porém, ainda estamos em um mundo cujas transformações acabam afetando a igreja. Por quanto tempo mais? De quantos “dez dias” necessitaremos para reviver a experiência daqueles primeiros “dez dias” do cenáculo em Jerusalém?

Zinaldo Santos é pastor, jornalista e editor da revista Ministério. Zinaldo está em San Antonio, Texas

No país das vuvuzelas

Pastor explica os desafios da missão na África do Sul, país marcado pela segregação racial e culturalmente semelhante ao Brasil

vuvuzelas-creditos-da-imagem-DundasEntre os continentes, a África é o segundo maior em território e em população. É lá que vivem mais de um bilhão de pessoas e cerca de 7 milhões de adventistas, ou 38% dos membros da igreja ao redor do mundo. Adventistas africanos são encontrados em megacidades, povoados e aldeias das três regiões administrativas (Divisões) africanas: com sedes no sul, leste e oeste do continente.

A diversidade da região é impressionante: 2 mil línguas são faladas por 3 mil grupos étnicos. Esse mosaico cultural é uma poderosa influência sobre a forma como os princípios bíblicos são compreendidos e praticados. Como consequência, a proclamação da mensagem adventista de forma clara, significativa e contextualmente relevante para cada grupo étnico torna-se um enorme desafio para missionários, pastores, professores, teólogos e servidores da igreja.

O contexto do país

0707missao-dioi-homeHá quase cinco anos sou missionário na África do Sul. Um país lindíssimo situado no extremo sul do continente e conhecido por sua diversidade de culturas, idiomas e crenças religiosas. A constituição sul-africana reconhece onze línguas como oficiais. Duas delas são de origem europeia: o africâner, um idioma que se originou principalmente a partir do neerlandês (holandês), que é falado pela maioria dos brancos e mestiços sul-africanos; e o inglês, que é a língua mais falada na vida pública e comercial.

Lá, as pessoas são calorosas e se orgulham de sua história, resultado das relações multiétnicas frequentemente conflituosas, mas também da riqueza resultante da mistura entre as culturas europeia, indiana e africana.

Quando se fala em missionários na África do Sul, sabe-se que o primeiro a pisar no cabo da Boa Esperança foi George Schmidt, em 1737; seguido por centenas de outros corajosos, como os aclamados Robert Moffat, em 1820, e David Livingstone, em 1841. Mas as atividades missionárias nesse país começaram bem antes. Em 1486, o rei de Portugal, D. João II, passou o comando de uma expedição marítima a Bartolomeu Dias. A missão era estabelecer relações pacíficas com um lendário rei cristão africano, conhecido como Prester John. Ele tinha ordens também de explorar o litoral da África e encontrar uma rota para as Índias.

O contexto da igreja

O adventismo chegou à África do Sul em julho de 1887, por meio de duas famílias missionárias: C. L. Boyd e D. A. Robinson. Alguns anos antes, William Hunt, um mineiro norte-americano adventista, distribuiu alguns folhetos para Pieter Wessels e George Van Druten, que se impressionaram com a verdade sobre o sábado. A primeira igreja adventista foi organizada por Boyd, em Beaconsfield, Kimberley.

Infelizmente, o apartheid ou o segregacionismo racial e sua influência sobre a Igreja Adventista ainda é e talvez será uma realidade na África do Sul por alguns anos. O apartheid é uma palavra do idioma africâner que significa separação. Foi o nome dado ao sistema político que vigorou no país de 1948 a 1990. Assim como a santificação não é obra de um momento, de uma hora, de um dia, mas de toda a vida, a igualdade racial na África do Sul é um processo que pode durar certo tempo. Afinal, pessoas traumatizadas não são curadas de um dia para outro. Apesar da forte influência segregacionista, a igreja tem crescido e conta com 160 mil membros.

O contexto do meu ministério

Fui com minha família para a África do Sul a fim de servir como pastor em um distrito multicultural de fala portuguesa e inglesa em Johanesburgo, formado por grupos étnicos de Portugal, Angola, Moçambique, Zimbábue, Malaui e Congo. Um dos desafios do ministério em um distrito multicultural é proclamar o evangelho de maneira adequada ao cotidiano do imigrante e, ao mesmo tempo, permanecer fiel aos fundamentos bíblicos e eternos de Deus. Isso ocorre porque as formas tomam significados distintos em cada contexto cultural e o missionário deve estar atento a essas diferenças e ser criterioso para não se deixar influenciar por tradições contrárias à vontade divina.

Um outro desafio é a comunicação verbal e corporal. Nas primeiras semanas de trabalho, cometi uma gafe cultural ao cumprimentar os irmãos à porta da igreja. As mulheres portuguesas são cumprimentadas sempre com dois beijos na face, enquanto que os zimbabuanos apertam as mãos girando-as e deslizando-as até soltá-las lentamente. Em certo sábado, ao me despedir dos membros à porta, tentei dar dois beijinhos nas irmãs zimbabuanas, que se sentiram incomodas; e, em outra ocasião, apertei as mãos das irmãs portuguesas à maneira dos zimbabuanos. Isso causou desconforto para alguns e foi motivo de chacota para outros. Desde então, faço o meu melhor para respeitar essas formas de saudação.

Por sua vez, temos recebidos muitas bênçãos. Uma delas foi o modo como essa congregação adventista de zimbabuanos foi formada. Boa parte desses irmãos eram pentecostais e liderados pelo pastor John Jabulani. Porém, ao Jabulani ouvir sobre a mensagem do advento, espontaneamente trocou a placa da antiga igreja e convidou os fiéis a abraçar a nova fé. Hoje, a congregação tem 250 pessoas e continua crescendo. Amparado por doações, em dezembro, o pastor Jabulani deve concluir seus estudos em Teologia no seminário adventista do Zimbábue.

Como brasileiro, sinto-me feliz e realizado nesse ministério multiétnico. Nossa cultura tem muita influência africana, o que facilita a adaptação dos missionários brasileiros no continente. Por causa das semelhanças culturais, entendo as necessidades, temores e alegrias dos nossos irmãos africanos e também daqueles de formação mais ocidentalizada. Assim, posso servi-los da maneira mais apropriada.

Oro para que muitos jovens do nosso Brasil continuem sonhando e se preparando para servir a Deus por alguns meses ou anos na África. E para que novos missionários ofereçam um pouco de si para as pessoas queridas desse continente com tanta diversidade, que tem enormes desafios e que necessita urgentemente do amor de Jesus. [Créditos da imagem: Dundas]

Dioi Cruz é pastor há cinco anos em Johanesburgo, na África do Sul.

Divisões não poderão autorizar a ordenação de mulheres ao ministério pastoral

Decisão foi tomada pela assembleia mundial da igreja hoje à noite em San Antonio, no Texas (EUA)

Diante da falha registrada nessa semana no sistema eletrônico, votação foi realizada com cédulas.  Foto: Adventist Review

Votação foi realizada com cédulas de papel. Foto: Adventist Review

As 13 divisões da igreja adventista espalhadas pelo mundo não poderão autorizar a ordenação de mulheres ao ministério pastoral. O voto foi tomado nesta quarta-feira, 8 de julho, na assembleia que reúne líderes mundiais da igreja na cidade de San Antonio, Texas (EUA). Dos 2.363 delegados, 1.381 (58,4%) votaram “não” e 977 (41,3%) “sim”. Houve cinco abstenções.

O assunto vem sendo discutido pela igreja há alguns anos. Em 1990, quando ocorreu a primeira votação, 76% decidiram pela não ordenação das mulheres. Num segundo momento decisivo, durante a assembleia de Utrecht, na Holanda, 69% também se manifestaram contrários.

Cinco anos depois, na sessão da Associação Geral de Atlanta, em 2010, a pauta veio à tona novamente, acompanhada de uma solicitação para que o assunto fosse reapresentado. Durante dois anos, teólogos de todo o mundo formaram um comitê para tratar do assunto. As conclusões obtidas a partir do estudo aprofundado do tema resultaram numa declaração de consenso sobre a teologia adventista da ordenação (leia o documento abaixo).

Vice-presidente da Igreja Adventista, Mike Ryan, preside o Concílio Anual na terça-feira, dia 14 de outubro, enquanto delegados votaram quase unânimes para colocar um item na agenda da Assembleia da Associação Geral do ano que vem perguntando se as Divisões regionais podem permitir que as mulheres sejam ordenadas como ministros (ou ministras). O voto foi de 243 a 44, com três abstenções (Foto: Viviene Martinelli).

Vice-presidente da Igreja Adventista, Mike Ryan, preside o Concílio Anual realizado em outubro de 2014, quando foi decido que o assunto da ordenação das mulheres ao ministério pastoral seria tratado na assembleia de San Antonio. A proposta. Foto: Viviene Martinelli.

Em outubro de 2014, o Concílio Anual da Associação Geral da Igreja Adventista, em Silver Spring, Maryland (EUA), decidiu inserir o item na agenda da 60ª assembleia. A proposta de se promover uma terceira votação sobre o tema recebeu 243 votos favoráveis e 44 contra (houve três abstenções).

Ponto em questão

A pergunta em questão na tarde de hoje foi se as divisões (ou escritórios administrativos da Igreja Adventista) devem permitir que as mulheres sejam ordenadas como pastoras. Por ser o item mais sensível da agenda da 60ª assembleia da igreja, o presidente mundial dos adventistas, Ted Wilson, apelou aos delegados para que buscassem a Deus em oração antes de manifestar sua decisão nas urnas.

Sem perder esse espírito, ao longo de toda a tarde, enquanto dezenas de delegados manifestavam publicamente diferentes opiniões a respeito do tema, a reunião administrativa foi interrompida pelo presidente da mesa, pastor Michael Ryan, para momentos de oração.

Após a decisão, em um discurso solene, o líder mundial dos adventistas reiterou que a votação nesta assembleia não encerra com vencedores ou perdedores. Segundo ele, mais do que nunca a igreja precisa seguir unida e com o foco na missão. [Márcio Tonetti, equipe RA]


 

DECLARAÇÃO CONSENSUAL SOBRE A TEOLOGIA ADVENTISTA DA ORDENAÇÃO

VOTADO o recebimento e o endosso do documento “Declaração Consensual sobre a Teologia Adventista da Ordenação”, que afirma o seguinte:

Em um mundo alienado de Deus, a igreja é composta por aqueles que Deus reconciliou consigo mesmo e uns com os outros. Por meio da obra salvadora de Cristo, seus membros estão unidos em missão pela fé mediante o batismo (Ef 4:4-6), tornando-se um sacerdócio real, cuja missão é “anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9). Os cristãos recebem o ministério da reconciliação (2Co 5:18-20), chamados e capacitados pelo poder do Espírito e pelos dons que Ele derrama sobre cada um para cumprir a comissão evangélica (Mt 28:18-20).

Embora todos os cristãos sejam chamados para usar seus dons espirituais no ministério, as Escrituras identificam algumas posições específicas de liderança que eram acompanhadas da ratificação pública pela igreja de que tais pessoas atendiam os requisitos bíblicos (Nm 11:16, 17; At 6:1-6; 13:1-3; 14:23; 1Tm 3:1-12; Tt 1:5-9). Revela-se que vários desses endossos envolviam a “imposição de mãos”.

As versões da Bíblia em inglês usam a palavra ordenar para traduzir muitas palavras diferentes em grego e hebraico que exprimem a ideia básica de selecionar ou nomear, descrevendo a colocação de tais pessoas em seus respectivos ofícios. Ao longo da história cristã, o termo ordenação adquiriu significados que vão além do que as palavras originalmente subentendiam. Levando em conta esse contexto, os adventistas do sétimo dia entendem que ordenação, no sentido bíblico, é a ação da igreja de reconhecer publicamente aqueles a quem o Senhor chamou e capacitou para o ministério na igreja local e global.

Além da função única dos apóstolos, o Novo Testamento identifica as seguintes categorias de líderes ordenados: os presbíteros e presbíteros-chefes (At 14:23; 20:17, 28; 1Tm 3:2-7; 4:14; 2Tm 4:1-5; 1Pe 5:1) e os diáconos (Fp 1:1; 1Tm 3:8-10). Ao passo que a maioria dos presbíteros e diáconos ministrava em contextos locais, alguns presbíteros eram itinerantes e supervisionavam um território maior, formado por várias congregações, função que pode refletir o ministério de indivíduos como Timóteo e Tito (1Tm 1:3, 4; Tt 1:5).

Por meio do ato da ordenação, a igreja confere autoridade representativa sobre indivíduos para a obra específica de ministério à qual são nomeados (At 6:1-3; 13:1-3; 1Tm; Tt 2:15). Tais papéis podem incluir: representar a igreja, proclamar o evangelho, ministrar a Ceia do Senhor e o batismo, plantar e organizar igrejas, guiar os membros e cuidar deles, opor-se a falsos ensinos e prover serviço geral para a congregação (cf. At 6:3; 20:28, 29; 1Tm 3:2, 4, 5; 2Tm 1:13, 14; 2:2; 4:5; Tt 1:5, 9). Embora a ordenação contribua para a ordem da igreja, ela não confere qualidades especiais aos indivíduos ordenados, nem introduz uma hierarquia monárquica na comunidade da fé. Os exemplos bíblicos de ordenação incluem a concessão de um mandato, a imposição de mãos, jejum e oração e a entrega das pessoas separadas à graça de Deus (Dt 3:28; At 6:6; 14:26; 15:40).

Os indivíduos ordenados dedicam seus talentos ao Senhor e à sua igreja em serviço vitalício. O modelo básico de ordenação foi a nomeação dos doze apóstolos (Mt 10:1-4; Mc 3:13-19; Lc 6:12-16) e o modelo supremo de ministério cristão é a vida e a obra de nosso Senhor, que não veio para ser servido, mas, sim, para servir (Mc 10:45; Lc 22:25-27; Jo 13:1-17). [Tradução: Cecília Eller Nascimento]


 

Veja também

VÍDEO: O pastor e jornalista Diogo Cavalcanti comenta a decisão direto de San Antonio

Carência do evangelho

Após 100 anos de presença adventista em Bangladesh, a pregação do evangelho ainda é pouco expressiva no país com a maior densidade demográfica do mundo

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Créditos da imagem: ADRA Bangladesh

Apenar de mais de um milhão de adventistas viverem no território da Divisão do Pacífico Sul-Asiático da Igreja Adventista, a população dessa geografia é de quase um bilhão de pessoas. Neste contexto está Bangladesh, país com a maior densidade demográfica do mundo, se não forem levados em conta cidades-estado e nações com menos de 10 milhões de habitantes. São quase 160 milhões de pessoas numa área um pouco maior do que o Amapá, o que significa mil pessoas dividindo o mesmo quilômetro quadrado (no Brasil, são 23 habitantes/km2).

A pobreza é outra característica do país: 43% da população vivem com menos de 1,25 dólar por dia. Segundo dados de 2013, a renda per capita é de 1.044 dólares, enquanto a média mundial é de quase 8 mil. No Índice Global da Fome, Bangladesh está entre os dez piores países, sendo a falta de diversidade na dieta um dos principais problemas. A nação também está entre os cinco países com maiores chances de sofrer desastres naturais. Todos os anos, enchentes, ciclones e maremotos arrasam cidades e matam milhares de pessoas.

Mesmo com esse cenário, a Igreja Adventista está há mais de 100 anos em Bangladesh. No entanto, os desafios ainda são enormes. Sendo realista, a igreja tem pouco menos de 10 mil membros ativos, mesmo que conste com mais de 30 mil na secretaria. Se faltam adventistas, não faltam alegria e música por aqui.

Com mais de 92% da população adepta ao islamismo, menos de 1% de cristãos e muitas restrições à pregação do evangelho, o adventismo enfrenta obstáculos para crescer. Por causa da renda per capita tão baixa, a igreja não consegue sequer manter três ou quatro pastores que se formam a cada ano. Bangladesh possui quatro Missões e uma União, mas sobrevive com subsídios da Divisão local, Associação Geral e doações esporádicas de estrangeiros.

Os adventistas representam apenas 0,019% da população bengali: são supostos 30.115 membros distribuídos em 129 igrejas. A grande maioria dos membros não conhece muito da Bíblia. Na luta diária pela sobrevivência, investem pouco tempo à oração e estudo da Palavra, que são fundamentais para o crescimento sadio da fé cristã.

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Por meio de projetos sociais e na área de saúde, a ADRA Bangladesh tem ajudado a mudar a vida da população. No Índice Global da Fome, o país está entre os dez piores. A falta de diversidade na dieta é um dos principais problemas. Foto: arquivo pessoal / Landerson Serpa

O país faz parte da Janela 10/40, região em vivem 66% da população mundial, e que corresponde a 33% da área do planeta, compreendendo 62 países. Bangladesh, cujo governo insiste em dizer que é laico, está na lista das 50 nações mais intolerantes aos cristãos, o que torna muito difícil a vida dessa minoria.

No campo das possibilidades, a educação tem sido uma das principais frentes de atuação da igreja em Bangladesh. Com um total de 150 escolas, incluindo sete internatos, a igreja trabalha bastante para ajudar a comunidade local, atendendo 9.085 alunos. Mas os desafios são grandes. Apenas um internato consegue se manter por conta própria. O mesmo ocorre com as 13 escolas nas cidades, apenas uma não representa prejuízos financeiros para a igreja. As outras 137 escolas são as chamadas village school (escolas de vilas), que não possuem prédios próprios e as aulas são ministradas nas casas dos pastores.

A Igreja Adventista tem um papel muito importante a exercer nesse país: ser luz em meio às trevas. Por isso, cada adventista de Bangladesh deve se apegar ainda mais a Cristo, e permitir que ele o transforme diariamente a fim de que a missão de Deus avance nesse país desafiador. Ore por Bangladesh e pela Janela 10/40.

Landerson Serpa Santana é pastor e trabalha para a ADRA Bangladesh (com colaboração de Ketlin Brito e Kevin Dantas)

Declaração reafirma a confiança na Bíblia como revelação infalível e universal da vontade de Deus

Documento votado nesta segunda, dia 6, ressalta a relevância da Bíblia para qualquer tempo e cultura

declaracao-Biblia-homeAlém de eleições e ajustes no Manual da Igreja e nas crenças fundamentais dos adventistas, os quase 2.600 delegados que se reúnem em San Antonio, Texas, desde o dia 2, votaram hoje à tarde um documento que reafirma a confiança da igreja na Bíblia como revelação de Deus.

Basicamente, a declaração trata de quatro pontos: (1) reconhecimento de que a Bíblia é a infalível expressão da vontade de Deus; (2) reafirmação de que as Escrituras oferecem orientação para os dilemas intelectuais e éticos da atualidade, como a tentativa de redefinição do casamento; (3) reconhecimento de que a Bíblia tem relevância para qualquer tempo e cultura; e (4) compromisso de estimular o estudo diário das Escrituras, especialmente entre os novos conversos e mais jovens.

Até o próximo sábado, dia 11, os delegados estarão envolvidos em outros debates e decisões administrativas, doutrinárias e de aplicação prática para a denominação. Leia a seguir a declaração na íntegra.

RESOLUÇÃO SOBRE A BÍBLIA SAGRADA

Nós, delegados da assembleia da Associação Geral em San Antonio, Texas, reafirmamos nosso compromisso com a autoridade da Bíblia como a revelação infalível de Deus e de sua vontade. Nela, Deus revelou seu plano para redimir o mundo mediante a encarnação, vida, morte, ressurreição, ascensão e mediação de Jesus Cristo. Por ser um registro fidedigno dos atos de Deus na história desde a criação até a nova criação, repleto de instruções doutrinárias e éticas, as Escrituras moldam a experiência intelectual e prática dos cristãos.

Reconhecemos que as Escrituras oferecem uma perspectiva divina para avaliar os desafios intelectuais e éticos do mundo contemporâneo. Considerando as redefinições atuais de instituições estabelecidas por Deus, como o casamento, por exemplo, o compromisso com a revelação escrita de Deus permanece mais necessário do que nunca. Somente a cosmovisão bíblica de um Deus amoroso que batalha para redimir a criação do pecado e do mal provê uma estrutura coerente para a compreensão da realidade e para a obediência à lei de Deus.

Reafirmamos que, em meio à desesperança e ao relativismo do mundo contemporâneo, a Bíblia apresenta uma mensagem de esperança e certeza que transcende tempo e cultura. As Escrituras dão a certeza de que, em Jesus, nossos pecados foram perdoados e a morte foi derrotada. As Escrituras também anunciam que ele logo voltará para dar fim ao pecado e recriar o mundo. Enquanto aguardamos a consumação de todas as coisas, a Bíblia nos chama a ter uma vida santa e a nos tornar arautos do evangelho eterno, aproveitando cada oportunidade e todos os recursos para anunciar as boas-novas por palavras e ações.

Considerando a importância das Escrituras, os benefícios de seu estudo para a igreja e os desafios impostos pelo mundo contemporâneo, os delegados da Associação Geral, em assembleia, apelam a todos os adventistas do sétimo dia que leiam e estudem a Bíblia todos os dias, em atitude de oração. Além disso, por causa dos desafios especiais enfrentados por novos conversos e jovens, insistimos para que cada cristão busque maneiras de compartilhar a Bíblia com esses grupos de maneira especial e promova a confiança deles na autoridade das Escrituras. Também apelamos aos pastores e pregadores que baseiem seus sermões no texto bíblico e transformem cada sermão em uma oportunidade para exaltar a autoridade e a relevância da Palavra de Deus.

Que mostremos a beleza, o amor e a graça de nosso Senhor Jesus Cristo revelada nas Escrituras. Que nossos pensamentos e ações estejam de acordo com a esperança bíblica do breve retorno de Jesus, nosso Senhor. [Wendel Lima, equipe RA]