Misturar-se, conhecer, convidar

Saiba quais os avanços e desafios da missão no Oriente Médio e Norte da África

Criança refugiada síria estuda em um dos centros de influência. Crédito: Chanmin Chung

Criança refugiada síria estuda em um dos centros de influência. Crédito: Chanmin Chung

No dia 1o de janeiro de 2012, a União Norte-Africana Oriente Médio (Middle East and North Africa Union Mission — MENA) deu os primeiros passos para enfrentar um desafio que parecia impossível.

Após mais de cem anos de trabalho na região, a igreja, além de pequena, estava diminuindo em número de membros. Por isso, em 2011, buscando dar maior atenção a essa parte do globo, a Associação Geral votou a criação da MENA, ligando-a diretamente à sede da igreja mundial.

Esse território, que é maior do que a maioria das Divisões mundiais da Igreja (com exceção de três), engloba vinte países e mais de 500 milhões de pessoas. É aí que começam seus desafios.

Primeiro desafio

Se todos os adventistas da Divisão Norte-Americana (North-American Division — NAD) fossem divididos, de maneira que não houvesse dois vivendo na mesma comunidade e cada membro entrasse em contato com um indivíduo por dia, todas as pessoas que vivem na NAD seriam abordadas em um ano. Levaria dois anos para fazer o mesmo na Índia, cinco meses na Divisão Sul-Americana, quatro meses nas Filipinas e 58 dias na Divisão Sul-Africana Oceano Índico.

No caso da MENA, entretanto, se cada membro adventista se mudasse para uma cidade diferente e entrasse em contato com uma pessoa por dia, levaria quase 450 anos para fazer o primeiro contato com cada indivíduo que habita atualmente nesse território.

Expressando de forma simples, temos poucos membros para alcançar uma vasta população. E isso nos leva a outro problema.

Segundo desafio

Os membros adventistas ao redor do mundo não compreendem a situação e as condições da vida no Oriente Médio e Norte da África e hesitam em vir ajudar. Os habitantes e governos, por sua vez, não compreendem quem são os adventistas e não querem que venhamos. Eles acham que todos os cristãos consomem bebidas alcoólicas, comem carne de porco, adoram imagens, vivem como as pessoas retratadas nos filmes e querem começar “cruzadas” para extorquir seu petróleo.

Às vezes, todos esses desafios parecem impossíveis de se vencer, como a rápida correnteza do rio Jordão que os israelitas enfrentaram em Josué 3. Mas Israel tinha uma missão e seguiu em frente. A MENA também tem uma missão. Pensando nisso, adotamos a estratégia de “plantar” adventistas! Deus necessita de membros adventistas comprometidos que estejam dispostos a ser plantados em comunidades de toda a região — pessoas dispostas a entrar na água (assim como Israel no Jordão), muito embora pareça impossível atravessar o rio; pessoas que se misturem àqueles que estão a sua volta, atendam suas necessidades, conquistem-lhes a confiança e os convidem a seguir a Jesus.[i]

A seguir, citamos algumas formas usadas pela MENA na tentativa de plantar pessoas em comunidades nas quais vidas são impactadas e transformadas, uma de cada vez.

Alunos valdenses estudam a Bíblia com amigos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Crédito: Chanmin Chung

Alunos valdenses estudam a Bíblia com amigos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo. Crédito: Chanmin Chung

Alunos valdenses

Em muitos aspectos, a Reforma Protestante deve sua existência ao sacrifício de dedicadas famílias valdenses. Com frequência, os valdenses enviavam seus jovens mais inteligentes e íntegros ao coração do território inimigo, matriculando-os nas principais universidades da época. Lá esses jovens plantaram silenciosamente as sementes da Reforma. Muitos deles regaram tais sementes com o próprio sangue.

Seguindo suas pegadas, o Programa de Alunos Valdenses da MENA planta jovens comprometidos nas principais universidades. No ano passado, a MENA matriculou 23 alunos valdenses e, em 2015, 46 jovens estão fazendo a diferença nessas comunidades acadêmicas.

Em uma cidade, um grupo de alunos valdenses estudou o idioma com afinco ao longo de 2014. Ao fazer o exame de qualificação, porém, não conseguiram notas suficientes para ingressar na universidade que haviam escolhido. Eles se mudaram para uma nova cidade, sentindo-se desapontados. Contudo, dentro de três meses, haviam feito muitos novos amigos e dado início a diversos estudos bíblicos. Após uma semana especial de cultos à noite com um obreiro bíblico experiente, dez colegas de classe dos alunos valdenses entregaram o coração a Jesus e pediram para se preparar para o batismo.

Centros de influência

Às vezes, a MENA planta pessoas em uma comunidade como parte de um pequeno comércio ou serviço. O objetivo desses centros de influência (CDI) é atender as necessidades da comunidade e desenvolver amizades. Sete CDIs se encontram em funcionamento atualmente no território da MENA.

Rachael[ii] cuida de um CDI para refugiados sírios em um dos países. Hoje ela conta com cinquenta a setenta refugiados que participam da Escola Sabatina a cada semana e muitos estão fazendo estudos bíblicos.

Enquanto morava na Síria, certa mulher nutria o desejo de aprender sobre Jesus e a Bíblia, mas não havia ninguém que a ensinasse sobre Ele. Até mesmo um padre que ela visitou lhe disse que era impossível ensiná-la sobre a Bíblia, a menos que saísse do país. Então a guerra começou e ela precisou fugir junto com a família. A vida de refugiada era difícil, mas certo dia conheceu Rachael no CDI. Ela está empolgada por poder estudar a Bíblia e já aceitou a Jesus como seu Salvador pessoal.

Emprego em tempo integral

A MENA não consegue vistos para missionários ou obreiros regulares da igreja entrar em muitos países do Oriente Médio e Norte da África. Todavia, muitos profissionais estrangeiros são contratados todos os anos para trabalhar nessas regiões. O emprego em tempo integral é um programa que planta profissionais adventistas dedicados nesses lugares de difícil acesso. Às vezes, esses indivíduos são chamados de “construtores de tendas”, porque eles trabalham para se sustentar, assim como o apóstolo Paulo fazia.

Uma pintura do projeto “Testemunho na Parede”. Crédito: Levon Kotanko

Uma pintura do projeto “Testemunho na Parede”. Crédito: Levon Kotanko

Melody abriu um spa. Suas clientes ficam impressionadas porque ela sacrifica as entradas financeiras ao fechar o estabelecimento no sábado a fim de adorar a Deus. Elas começaram a lhe fazer perguntas e Melody passou a partilhar a Bíblia com elas. Muitas de suas clientes fiéis se tornaram amigas e, em alguns casos, companheiras secretas de oração.

Testemunho na parede

Uma de nossas iniciativas singulares é o projeto “Testemunhando na Parede”, que usa a arte para criar conexões poderosas entre artistas adventistas e jovens urbanos, estudantes de arte e líderes comunitários em várias cidades.

Oportunidades

As portas estão se abrindo ao nosso redor. Muitas pessoas têm questionado o próprio sistema de crenças ao testemunhar atos brutais de violência sendo praticados em nome da religião. Esses interessados não estão abertos ao conselho de “pagãos comedores de porco e bebedores de vinho”. No entanto, quando se tornam amigos de um adventista dedicado, ficam impressionados com o que descobrem e se abrem para ouvir mais. O problema é que a MENA não conta com nenhum membro adventista vivendo na maioria dessas imensas comunidades para poder responder às perguntas das pessoas.

Essa é nossa realidade. A MENA tem grandes desafios nessa parte do globo, mas também há projetos ousados para ampliar a pregação do evangelho. Para que se tornem realidade, precisamos de pessoas disponíveis. Você está disposto a aceitar um desafio aparentemente impossível e se unir a nós? Enquanto entramos andando na água, Deus abre o rio e termina a obra.

Amém. Ora, vem, Senhor Jesus!

Homer Trecartin é presidente da União Missão do Oriente Médio e Norte da África

[i] Ver Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 143.

[ii] Todos os nomes foram modificados.

[Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Assembleia vota nomes de secretários e tesoureiros das 13 divisões ao redor do mundo

Divisão Sul-Americana tem um novo secretário. Tesoureiro foi reeleito para os próximos cinco anos 

novo-secretaria-executivo-da-divisao-sul-americana-homeNa sessão administrativa desta quinta-feira, 9 de julho, a assembleia mundial da igreja votou os nomes dos secretários e tesoureiros das 13 divisões da organização ao redor do globo. No caso da sede adventista para oito países sul-americanos, quem assume a função de secretário-executivo deixada pelo pastor Magdiel Pérez, que foi eleito para ser assessor especial do pastor Ted Wilson (saiba mais nessa entrevista), é o peruano Edward Heidinger. Ele atuava como presidente da União Peruana do Norte.

Heidinger, de 36 anos, é natural de Puerto Inca e cursou Teologia e Administração. Ele começou seu ministério como pastor distrital em Tarapoto (2004-2005) e em Moyobamba (2006). Logo depois, atuou como líder dos departamentos de Missão Global, Ministério Pessoal e Escola Sabatina. Em 2008, foi nomeado diretor de Mordomia Cristã, Saúde e Evangelismo da União Peruana do Norte, além de responder pela área ministerial, que atende os pastores e suas famílias. Nessa região, também teve a oportunidade de trabalhar como secretário.

Em 2012, o pastor Edward Heidinger deixou o seu país de origem para servir a igreja na sede sul-americana da denominação, localizada em Brasília. Na ocasião, desempenhou a função de assistente da presidência, até ser nomeado para presidente da União Peruana do Norte em 2013, onde trabalhava até agora. Ele é casado com Susana Delgado e tem dois filhos.

Tesouraria

Tesoureiro-da-Divisao-Sul-Americana-e-reeleito-pela-assembleiaNa tesouraria da Divisão Sul-Americana não houve mudanças. O pastor Marlon Lopes, de 56 anos, foi reeleito para o próximo quinquênio. Natural de Porto Alegre, Marlon Lopes é casado com Leni dos Reis Lopes e tem três filhos e dois netos. Graduado em Ciências Contábeis, cursou estudos em Teologia e completou a pós-graduação em Gestão Empresarial. Iniciou sua trajetória em 1978 como caixa e, depois, foi contador do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul. Desde então, foi eleito tesoureiro em várias associações, no Instituto Adventista Paranaense e na União Sul-Brasileira. Foi diretor da Rede Novo Tempo e, na época, também apresentou o programa Saldo Extra. Desde 2010, exerce a função de tesoureiro da Divisão Sul-Americana. [Equipe RA, da redação / Com informações de Felipe Lemos e Diogo Cavalcanti, e fotos de Leônidas Guedes]

CONFIRA TAMBÉM A LISTA DE SECRETÁRIOS E TESOUREIROS ELEITOS PARA AS DEMAIS DIVISÕES

Divisão Centro-Leste Africana

  • Secretário: Allain G. Coralie
  • Tesoureiro: Jerome Habimana (reeleito)

Divisão Euro-Asiática

  • Secretário: Viktor V. Alekseenko
  • Tesoureiro: Brent Burdick (reeleito)

Divisão Interamericana

  • Secretário: Elie Henry (reeleito)
  • Tesoureiro: Filiberto M. Verduzco (reeleito)

Divisão Norte-Americana

  • Secretário: G. Alexander Bryant (reeleito)
  • Tesoureiro: G. Thomas Evans (reeleito)

Divisão do Pacífico Norte-Asiático

  • Secretário: (ainda não foi eleito)
  • Tesoureiro: German Lust

Divisão Sul-Americana

  • Secretário: Edward Heidinger
  • Tesoureiro: Marlon Lopes (reeleito)

Divisão do Sul do Pacífico

  • Secretário: Lionel H. Smith (reeleito)
  • Tesoureiro: Rodney G. Brady (reeleito)

Divisão Sul-Africana Oceano Índico

  • Secretário: Solomon Maphosa (reeleito)
  • Tesoureiro: Goodwell Nthani (reeleito)

Divisão Sul-Asiática

  • Secretário: Measapogu Wilson
  • Tesoureiro: (ainda não foi eleito)

Divisão Intereuropeia

  • Secretário: Barna Magyarosi
  • Tesoureiro: Norbert Zens (reeleito)

Divisão Centro-Oeste Africana

  • Secretário: Kings­­­­­­­­ley Chukwuemeka Anonaba
  • Tesoureiro: Emmanuel S. D. Manu (reeleito)

Divisão do Pacífico Sul-Asiático

  • Secretário: Saw Samuel (reeleito)
  • Tesoureiro: Max W. Langi

Divisão Transeuropeia

  • Secretário: Audrey Anderson (reeleito)
  • Tesoureiro: Nenad Jepuranovic (reeleito)

Veja também o infográfico das eleições

Até a próxima assembleia

No fim de cada encontro mundial do povo de Deus é reavivado o senso de urgência pela volta de Cristo, mas esse sentimento não pode ser mera euforia
19630033641_d232ad1490_k
“Nosso maior desejo é que a próxima sessão da Associação Geral seja realizada no Céu!”, bradou com entusiasmo o presidente da sede mundial após a oração final. “Amém! Amém! Amém!”, respondeu com fervor a multidão de representantes da igreja de todo o mundo. Abraços de despedida, e assim terminou o encontro em Toronto, Canadá, em julho de 2000.

Invariavelmente, as assembleias mundiais se encerram com essa nota de esperança e de motivação. São tomadas decisões de viver em consonância com a suprema esperança cristã, muitas delas, sob o impacto da emoção. “Jesus em breve virá para estabelecer seu reino eterno.” “Já estamos fartos deste mundo de pecado e de dor.” “Já é alto tempo de partirmos daqui para a pátria celestial.” São exclamações vibrantes que enlevam e contagiam a multidão.

Um senso de urgência é despertado em cada assembleia da Associação Geral. Esse sentimento é saudável para o viver cristão, pois impede a mornidão e a acomodação espiritual. A percepção que o cristão adventista desenvolve do iminente retorno de Cristo à Terra o leva para mais perto da Palavra de Deus, da oração e do senso de missão.

Com esse espírito e propósito nasceu a igreja cristã, tendo como base os ensinos de Jesus transmitidos aos apóstolos. O “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15) encerrava uma nítida urgência, uma necessidade premente de que todos os seres humanos fossem conscientizados de que um novo reino se estabeleceria com o retorno do rei Jesus. O imperativo “ide” denotava pressa em cumprir a missão, pois tudo transcorreria rapidamente.

Ao longo de dois milênios, desde a promessa feita pelo Senhor Jesus de que regressaria à Terra, o evangelho tem sido anunciado. Milhões de pessoas foram conscientizadas da necessidade do preparo para esse evento. Ao compreenderem as evidências bíblicas, os novos conversos passam a anunciar e alertar familiares e amigos de que, além da presente existência, há um porvir eterno.

A promessa do Senhor Jesus em suas últimas palavras no livro do Apocalipse “certamente, venho sem demora” é seguida pela oração do apóstolo João, que reflete perfeitamente a expectativa do povo do advento: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).

Euforia e demora

Surge na mente de muitos o conflito diante da afirmação “venho sem demora” e, por outro lado, o transcurso do tempo que parece se estender sem que a alentadora promessa alcance seu cumprimento: “Por que demoras, Senhor?”, lamentam os filhos de Deus que, junto à sepultura, se despedem dos seus queridos. “Até quando, Senhor?”, é o clamor daqueles que veem prevalecer a injustiça na sociedade. “Lembra-te de nós, Senhor”, suplicam multidões que sofrem o estigma do preconceito e do descaso dos governantes.

Numa busca de consolo e ânimo para enfrentar as agruras da presente existência, eis que os autoproclamados portadores de “nova luz” apresentam cálculos e prognósticos que permitem chegar a afirmações que delimitam o tempo da segunda vinda de Cristo. Profecias bíblicas são reinterpretadas tendo como pano de fundo os acontecimentos atuais no mundo social, político e religioso produzindo reações inflamadas em grupos de estudo e até mesmo em congregações inteiras.

No decorrer da história cristã, tem sido recorrente esse comportamento: fundamentar a esperança cristã na proximidade do fim e não propriamente na pessoa de Cristo, pois ele é o centro da nossa esperança. A euforia compromete o senso de urgência da mensagem, porque depois do desapontamento vem a letargia. Euforia/desapontamento/letargia é a sequência inevitável quando a ênfase da pregação reside na alarmista marcação de tempo.

Contudo, o cristão que aguarda o segundo advento de Cristo e, consequentemente, o fim da era do pecado e o início de um mundo melhor, conforme prometido por Deus em sua Palavra, necessita desenvolver uma atitude equilibrada enquanto espera esse evento. O senso de iminência – “Jesus em breve voltará” – precisa estar presente todos os dias em sua mente para então levá-lo a um estilo de vida elevado, de maneira que a graça divina e o fruto do Espírito Santo sejam visíveis nele. Com a convicção da proximidade desse evento, o cristão aproveitará todas as oportunidades que surgirem e até mesmo criará oportunidades para advertir, exortar e animar pessoas a atentar para o futuro eterno que Deus tem preparado para “aqueles que o amam” (1Co 2:9).

Alceu Lúcio Nunes é capelão da CPB

A missão em primeiro lugar no campo mais desafiador

Relatório apresentado por Jairyong Lee, presidente reeleito da Divisão do Pacífico Norte-Asiático, no dia 7, ressaltou os movimentos de plantio de igreja e as iniciativas de missão urbana

Dedicados e prontos: na Coreia do Sul, missionários do Movimento de Missão Pioneira são dedicados para o serviço. Crédito: NSD

Dedicados e prontos: na Coreia do Sul, missionários do Movimento de Missão Pioneira são dedicados para o serviço. Crédito: NSD

A Divisão do Pacífico Norte-Asiático (Nothern Asia-Pacific Division — NSD) atende a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Coreia do Norte, a Mongólia e Taiwan, países com uma vasta história e rica herança cultural. Uma vez que quase um quarto da população mundial vive no território da NSD, os desafios missionários são enormes.

Os cristãos constituem apenas 4% da população total de 1,6 bilhão de habitantes. O budismo, o xintoísmo e o confucionismo, bem como outras religiões tradicionais, são profundamente enraizadas na região, ao mesmo tempo em que o secularismo e o materialismo bloqueiam o coração de muitos.

Apesar dessas circunstâncias desafiadoras, ao longo dos últimos cinco anos, o Senhor abençoou sua missão nessa Divisão de muitas maneiras notáveis. Mas somente com o poder do Espírito Santo seremos capazes de cumprir a comissão evangélica no futuro próximo.

Colocando em prática o lema “Missão em primeiro lugar”, funcionários e membros da igreja na Divisão têm dedicado a vida a Deus a fim de avançar a pregação do evangelho por meio da participação em atividades de alcance missionário na própria terra natal e no exterior. Desde a assembleia da Associação Geral de 2010, 77.693 pessoas aceitaram a Jesus Cristo e se uniram à família adventista, totalizando 688.106 membros no território da Divisão em 31 de dezembro de 2014.

Batismo no Japão: novos fiéis entregam a vida a Cristo. Crédito: NSD

Batismo no Japão: novos fiéis entregam a vida a Cristo. Crédito: NSD

Reavivamento espiritual

Ted Wilson, presidente da Associação Geral, visitou a Coreia e o Japão em outubro de 2011 e a China em abril de 2012. Ele pregou mensagens sobre reavivamento e reforma, que trouxeram grandes bênçãos e encorajamento. Durante sua visita, os membros entenderam melhor a importância do reavivamento espiritual e reconsagraram a própria vida à missão de contar aos outros sobre Deus. Os membros da igreja de todo o território da Divisão continuam a se concentrar na necessidade de experimentar reavivamento espiritual pessoal e reforma por meio da Palavra de Deus e da oração fervorosa.

Quando nossos líderes visitaram a China, os líderes da igreja chinesa pediram auxílio por meio de treinamento espiritual de maneira sistemática. A China tem 1,35 bilhão de habitantes, dos quais menos de 4% são cristãos. As igrejas lutam por reavivamento e reforma, e suplicam por capacitação espiritual. A fim de atender essa necessidade urgente, a comissão diretiva da Divisão votou, em maio de 2012, a criação de um centro de treinamento de liderança espiritual na ilha de Jeju, na Coreia. Em 1o de setembro de 2013, a cerimônia de inauguração ocorreu com a presença de Wilson, dos presidentes das Uniões e de cerca de cem membros da igreja.

Em nove meses, foram construídos dois dormitórios, um refeitório, salas de aula e uma casa para o diretor do centro. Desde junho de 2014, grupos de diferentes países, inclusive da China, do Japão, de Taiwan e da Mongólia já receberam uma semana de treinamento espiritual. A partir de 2016, nosso alvo é proporcionar capacitação para um total de 700 a 800 pessoas por ano.

Missão: nossa principal prioridade

A missão é a principal prioridade da Divisão do Pacífico Norte-Asiático. Ela é fortemente enfatizada em todas as atividades da igreja. A fim de inspirar os membros da igreja com o espírito missionário, foi realizado o Congresso Internacional de Missões no centro de convenções internacionais em Jeju, Coreia, em agosto de 2013. Cerca de 4 mil pessoas de todo o território da Divisão participaram com entusiasmo. Muitos líderes proeminentes da igreja, inclusive Ted Wilson e G. T. Ng, secretário-executivo, estavam presentes e inspiraram as pessoas com mensagens poderosas da Palavra de Deus. Com o coração unido, os participantes conversaram, ouviram e refletiram sobre a missão da igreja. Dedicaram tempo orando juntos para pedir o derramamento do Espírito Santo e a união na missão.

Vibração por todos os lados: dedicação da igreja de Nanjing, na China.

Vibração por todos os lados: dedicação da igreja de Nanjing, na China.

Hoje mais de 500 cidades no mundo têm uma população superior a 1 milhão de habitantes. Cento e cinco dessas cidades fazem parte do território da nossa Divisão. Séries evangelísticas do projeto de “Missão Urbana” foram realizadas nas principais cidades da Divisão, começando com “Tóquio 13” no Japão. Tóquio é uma das cidades mais populosas do mundo e foram feitas 42 séries evangelísticas em várias igrejas de lá. A maioria desses pontos de pregação ficaram lotados de gente.

Além de Tóquio, outras 16 grandes cidades foram selecionadas no território da Divisão para a iniciativa de missão urbana. Partilhar a mensagem do breve retorno de Cristo com milhões de pessoas que vivem nas grandes cidades corresponde à maior parte de nosso foco missionário.

Na Mongólia, as reuniões evangelísticas do projeto “Missão Urbana” foram realizadas em 13 lugares da cidade de Ulan Bator, nos dias 5 a 13 de setembro de 2014. No sábado, 13, todos se reuniram em um ponto de encontro central com cerca de 700 pessoas presentes para adorar a Deus. Graças a “UB14”, 130 pessoas foram colhidas para o reino dos céus. A Divisão dará continuidade à ênfase na missão urbana até que todos os habitantes das cidades sejam alcançados com as três mensagens angélicas.

Projetos missionários

No que se refere às atividades missionárias, a Divisão deu início a vários projetos envolvendo pastores e leigos, tanto em países estrangeiros quanto na própria terra.

O Movimento de Missão Pioneira (MMP) é o projeto de plantio de igrejas em territórios de Missão Global da Divisão desde 2002. Ao longo dos últimos 13 anos, 102 pastores e suas famílias deixaram sua terra natal a fim de servir por seis anos como missionários plantadores de igrejas que atravessam barreiras culturais. Alguns voltaram para casa depois de atuar com êxito durante o período de seis anos. Atualmente, 48 missionários MMP plantam igrejas em 16 países, à saber: Japão, Taiwan, Hong Kong, China, Coreia, Mongólia, Congo, Uganda, Tanzânia, Quirguistão, Indonésia, Rússia, Índia, Turquia, Kosovo e Filipinas. Por meio de seu serviço dedicado, foram fundadas 148 congregações, resultando no batismo de 13.935 pessoas.

No projeto “Anjos Dourados”, por sua vez, oito jovens talentosos se voluntariam como cantores missionários por um ano, com o propósito de dar apoio às atividades evangelísticas no território da Divisão. Além de cantar nas séries de pregação, eles visitam as pessoas de porta em porta, fazem amigos e ministram estudos bíblicos. Desde 2004, milhares de pessoas foram tocadas pelo ministério deles e um grande número foi levado para a igreja por intermédio de seu serviço dedicado.

O “Movimento Missionário 1000” (MM1000) continua a treinar e enviar centenas de jovens adventistas todos os anos para muitas partes do mundo. Depois de receber treinamento intensivo por cinco semanas, os jovens dedicam um ano no campo missionário como voluntários. Há 6.588 jovens de 59 países que já participaram do Movimento Missionário 1000 desde 1993. Os frutos de seus esforços incluem 66.099 batismos, 763 igrejas construídas e 1.366 igrejas e grupos fundados em 39 países.

Nem todos são chamados para servir em terras estrangeiras, por isso, o movimento “Suas Mãos em Missão” mobiliza nossos membros a cumprir a missão na própria terra. Desde maio de 2007, 3.771 indivíduos da Coreia, da Mongólia, do Japão, de Taiwan e da China se uniram a esse movimento.

Indo de dois em dois, eles batem nas portas, entregam literatura, cultivam relacionamentos e compartilham o amor de Deus, dedicando dez horas por semana durante três anos para essa missão. Para muitas igrejas, esse método evangelístico tem se mostrado eficaz para ganhar pessoas.

Em 1º de julho de 2011, o Hope Channel começou a ser transmitido. É o 13º canal adventista da China, sendo veiculado pelo satélite Telstar 18. A Hope TV tem mais de 5 mil programas com meia hora de duração sobre saúde, família, culinária, educação, música, bem como sermões e assuntos religiosos. Por meio desses programas de televisão, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, agora podemos nos aproximar de 1,4 bilhão de pessoas de língua chinesa com a mensagem evangélica. Na Coreia, o Hope Channel começou a ser veiculado pela internet e, em julho, o mesmo aconteceu no Japão.

Centros de influência

O evangelismo nas grandes cidades não é tarefa fácil, porque muitos moradores dos centros urbanos são extremamente influenciados pelo materialismo e o secularismo. A despeito desses desafios, os centros de influência têm desempenhado um papel significativo ao alcançar e mostrar o amor de Cristo às pessoas que habitam nas cidades. Existem centenas de centros de influência no território da Divisão, que estão a serviço de mais de 5 milhões de pessoas por ano. Convidamos muitos a irem a nossos centros de influência e partilhamos com eles o valor de nossos ensinos e do estilo de vida cristão.

A Divisão fundou um Centro Multicultural de Serviços à Família (CMSF) na cidade de Ansan, Coreia, na qual 20% dos 760 mil habitantes são estrangeiros. O CMSF oferece vários serviços, que incluem assistência social, educação e atendimento médico, jurídico e cultural, a fim de ajudar as famílias multiculturais a se ambientarem com maior facilidade à vida na Coreia. Por meio do amor sincero e do compartilhamento da mensagem evangélica, 136 trabalhadores migrantes e membros de famílias multiculturais aceitaram a Jesus Cristo e foram batizados nos últimos cinco anos

Batismo à luz de velas: iluminação suave durante um batismo numa igreja na Mongólia. Crédito: NSD

Batismo à luz de velas: iluminação suave durante um batismo numa igreja na Mongólia. Crédito: NSD

Crescimento institucional

Na Divisão, há 117 organizações e instituições, incluindo universidades e faculdades, escolas de ensino fundamental, hospitais, clínicas, editoras e indústrias alimentícias. Essas instituições cresceram consideravelmente neste quinquênio. Há 1.700 funcionários e 21.510 alunos em nossas instituições de ensino, que abrangem duas universidades, três faculdades, 25 escolas de ensino médio e 22 de ensino fundamental. Todos os anos, vemos a influência da educação cristã por meio do batismo de estudantes que aceitam a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal.

Deus também está na direção de nossas instituições médicas, atuando de maneira maravilhosa em 11 hospitais e 20 asilos e clínicas. Mais de 1,9 milhão de pessoas recebem os cuidados médicos dessas instituições todos os anos. Por meio dos esforços dedicados de nossa equipe médica e pela graça de Deus, alguns de nossos hospitais superaram suas dificuldades financeiras. Nossas indústrias alimentícias na Coreia e no Japão fabricam produtos à base de leite de soja e alimentos saudáveis. Os produtos da Sahmyook, na Coreia, e da Saniku, no Japão, têm obtido sucesso cada vez maior e são bem aceitos tanto no mercado local quanto global.

O Senhor tem abençoado graciosamente e enriquecido nossos humildes esforços para que pudéssemos ceifar uma colheita maravilhosa. Ele conduziu nosso povo de maneira poderosa na União-Missão Chinesa, União Japonesa, União Coreana e nos dois campos anexos à Divisão, a Missão da Mongólia e a Associação de Taiwan, a fim de espalharmos as três mensagens angélicas para milhões de pessoas do território de nossa Divisão.

Pelo poder do Espírito Santo

A Divisão atua para cumprir a comissão evangélica em seu vasto território. Os desafios missionários são enormes e parece quase impossível concluir a obra do evangelho com as limitações financeiras e pessoais que enfrentamos. Entendemos, porém, que o trabalho será realizado “não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito”, como disse o Senhor Todo-Poderoso (Zc 4:6).

A despeito de todos os desafios, o Senhor abençoou a Divisão do Pacífico Norte-Asiático de forma extraordinária durante o último quinquênio e nos alegramos ao ver milhares de pessoas preciosas se unindo à igreja todos os anos. Louvado seja Deus! Até Jesus voltar, continuaremos a fazer nosso melhor na disseminação das três mensagens angélicas ao mundo. Ellen White escreveu o conselho inspirado: “Nada temos a recear no futuro, a não ser que nos esqueçamos do caminho pelo qual Deus nos tem conduzido” (Vida e Ensinos, p. 204).

Que o Senhor continue a abençoar sua obra na Divisão do Pacífico Norte-Asiático e ao redor do mundo! Maranata! [Fonte: Adventist ReviewTradução: Cecília Eller Nascimento]

A igreja diante do espelho

No segundo dia da assembleia mundial que acontece em San Antonio, no Texas (EUA), a igreja faz uma autoanálise

Na sexta-feira, dia 3 de julho, a assembleia de delegados e demais participantes da igreja mundial se voltou para o espelho. Ela olhou para seu corpo, percebeu o quanto ele aumentou nos últimos anos, mas também o quanto ele poderia estar mais saudável. Nos relatórios apresentados por G. T. Ng, secretário da Associação Geral, e David Trim, diretor do departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da Associação Geral, a assembleia de delegados teve a oportunidade de enxergar o adventismo mais globalmente. Identificaram-se tendências que desenham nosso futuro. Na agenda, a apresentação do relatório da Secretaria foi seguido pelas perguntas e final aprovação dos delegados.

Missão nas entrelinhas

assembleia-San-Antonio-2015-02.07-creditos-leonidas-guedes-13Para se afastar da frieza dos números, o pastor G. T. Ng  fez uma apresentação das estatísticas “no contexto da igreja”, segundo destacou. Introduziu o relatório, relembrando William Spicer (1865–1952), que teve uma relação forte com a missão. Após voltar de seu serviço missionário na Inglaterra, ele foi eleito como diretor do Conselho das Missões Estrangeiras, órgão criado em 1889.  Três anos depois, Spicer foi enviado à Índia como o único pastor ordenado numa das regiões mais populosas do planeta. Retornando aos Estados Unidos, foi eleito secretário e, mais tarde, presidente da Associação Geral.

T. Ng descreveu Spicer como um entusiasta da missão. Na Conferência Geral de 1913, já como presidente da sede mundial, Spicer se referiu ao fato de que aquela era a primeira reunião da Igreja Adventista com a presença de delegados de outras partes do mundo. Em discurso visionário, Spicer afirmou: “O que o profeta contemplou em visão na ilha de Patmos vemos com nossos olhos hoje, a última mensagem do evangelho eterno voando para toda terra e nação, trazendo a (colheita) predita num povo que guarda “os mandamentos de Deus e que tem a fé em Jesus” (The General Conference Bulletin, 38a Sessão, 16 de maio de 1913, vol. 7, n. 1).

Na época de Spicer, o crescimento e a internacionalização do adventismo já era um processo irreversível. Nesse período, a América do Norte contava com 50 mil membros, segundo Ng; hoje a denominação-movimento conta com 18,5 milhões de membros. Se alguns países e continentes foram representados na Assembleia de 1913, neste ano, representantes de 168 países se encontraram no Alamodome.

O pastor Ng destacou que o ano de 2014 estabeleceu um marco no crescimento numérico da igreja. Nele, acresceram à igreja mais de 1,16 milhão de membros, considerando-se que, no início do último quinquênio (2010), a igreja tinha cerca de 16,9 milhões de membros. Nos últimos 10 anos, a igreja recebeu 6,6 milhões de membros. Para completar o quadro, a denominação contava, em 2014, com 78.810 igrejas e 69.213 grupos. Somente em 2014, foram organizadas 2.446 igrejas, o que representa uma média de 6,7 igrejas fundadas por dia, ou uma igreja sendo plantada a cada 3 horas e 58 minutos.

O ano de 2014, segundo Ng, foi o maior em número de batismos, de congregações plantadas, o 10° ano consecutivo em que foi registrado um acréscimo de mais de um milhão de fiéis e o 12° ano consecutivo em que mais de 2 mil igrejas foram estabelecidas.

Norte e Sul

Porém, o quadro mais revelador da Igreja Adventista está em sua representatividade socioeconômica, que tem profundas implicações. Considerando-se a classificação Norte-Sul global, que separa os países desenvolvidos dos países pobres ou em desenvolvimento, é importante localizar a presença da maior parte dos membros da igreja. A resposta, segundo G. T. Ng, é que esmagadores 92% estão no Sul global, anúncio que foi seguido por uma salva de palmas no auditório. O que impressiona nesse número não é que o Sul global seja a grande maioria na igreja, mas que ele já é a maioria absoluta.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila de 100 pessoas, em 1960, ela seria composta por 27 pessoas da América do Norte, 20 da América Latina, 19 da África, 16 da Europa, 14 da Ásia e 4 da Oceania, de acordo com Ng. Em 2014, a vila tem outra configuração: 38 pessoas da África, 32 da América Latina, 19 da Ásia, 7 da América do Norte, 2 da Europa e 2 da Oceania. A implicação direta dessa diferença representativa indica uma forte tendência de que os irmãos africanos e latino-americanos tenham uma participação cada vez maior na determinação dos rumos da igreja. Esse fenômeno já é perceptível, basta observar quantos africanos têm se dirigido ao microfone nas reuniões administrativas (business sessions). O mesmo se percebe na presença de oficiais do Sul socioeconômico na liderança da igreja mundial.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila, essa seria a proporção de membros por região do mundo.

Se a Igreja Adventista fosse uma vila, essa seria a proporção de membros por região do mundo.

O quadro objetivo nos faz refletir sobre elementos subjetivos. A igreja do mundo desenvolvido mostra tendências mais inovadoras, progressistas, enquanto a igreja do Sul se mostra mais apegada aos “marcos antigos” (Pv 22:8), mais conservadora? Seria isso apenas uma diferença cultural? Essa diferença precisa implicar uma polarização, uma contraposição? Será que o adventismo do mundo desenvolvido se conformaria com as resoluções aprovadas pelos adventistas do mundo em desenvolvimento? Será que desenvolvimento cultural e material é sinônimo de desenvolvimento espiritual-eclesiástico? Será que a própria Bíblia foi culturalmente condicionada?

relatorio-secretario-Associação-Geral-imagem-2

A igreja está presente em 215 países dos 237 reconhecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Essas são questões sobre as quais a igreja tem refletido. Por isso, a tônica desta assembleia mundial é a unidade num sentido mais abrangente – não apenas uma unidade oficial, mas a unidade de fé e de práticas, a unidade no Espírito Santo e no amor de Deus. Delegados de todas as partes do mundo demonstram uma preocupação com essa questão. Mark Finley, em seu sermão feito na noite de sexta-feira, apelou com lágrimas e voz embargada, mas com muita energia, que a igreja esteja unida em missão. Finley lembrou que os discípulos “eram diferentes, mas Deus os uniu”.

Perdas dolorosas

T. Ng alegrou a delegação mundial com sua apresentação criativa e espirituosa das estatísticas da igreja, mas não deixou de mencionar o número que sempre nos entristece: o dos que deixaram a Igreja. Então, foi projetada no telão a imagem de um balde cheio de água, mas que estava cheio de furos, representando a “síndrome do balde que vaza” (The Leaky Bucket Syndrome). Para se ter uma ideia, entre 2010 e 2014, houve uma perda de 60% dos membros na igreja mundial; enquanto que, de 2000 a 2014, a perda foi de 48%. Após algumas palavras de reflexão e encorajamento, o secretário executivo concluiu sua fala apelando à igreja para que algo seja feito para confrontar essa realidade.

Foi inevitável que o sabor doce dos números do crescimento da igreja tenha, em parte, se tornado amargo pelas notícias sobre os milhões que deixaram a denominação nos últimos anos. Momentos mais tarde, filas de delegados se formariam diante dos microfones para expor dúvidas, preocupações e sugestões sobre as perdas na igreja. A mais significativa delas, de que o crescimento está diminuindo com o passar dos anos. Hoje a igreja cresce cerca de 1,8% ao ano, menos da metade do crescimento verificado anos atrás.

O relatório de G. T. Ng foi oportunamente complementado por David Trim. Ele destacou que, no último quinquênio, a igreja mundial realizou uma série de auditorias minuciosas da contagem de membros, constatando que, “em muitos casos, o número de membros foi superestimado”. Segundo ele, os processos de auditoria da igreja são essenciais, acima de tudo, por uma questão moral, de apego à veracidade dos fatos.

Uma evidência da necessidade de ajustes na Secretaria está no número de mortes entre os adventistas, segundo Trim. Enquanto estudos indicam que a média mundial de mortes entre os adventistas é de 3,39 para cada mil membros (contra 8,55 entre não adventistas), os relatórios indicam que a  Secretaria felizmente tem se tornado cada vez mais precisa no controle do número de membros (de uma mortalidade de 2,67/1.000, passou para um número mais realista de 3/1.000). Um dos fatores para essa precisão, segundo Trim, foi a adoção, em 2012, do software da Secretaria da Igreja, o qual tinha sido desenvolvido e aplicado na Divisão Sul-Americana.

Os processos eletrônicos permitem um registro e uma atualização mais fidedigna do número de membros da igreja. “Estatísticas acuradas não são um fim em si mesmo. Elas devem servir para a missão”, afirma Trim. Registros fidedignos permitem saber que ovelhas estão dentro e fora do aprisco e desenvolver projetos para ir em busca delas.

Na tarde da sexta-feira, a igreja analisou suas finanças apresentadas pelo tesoureiro da Associação Geral, Robert Lemon, e as aprovou. Lemon ressaltou que, à medida que a igreja se fortalece em várias partes do mundo, os recursos da Associação Geral vão priorizar os países da missão global, da chamada janela 10/40. Esta talvez seja mais uma evidência da nova realidade da Igreja no Sul global: ela está mais forte e menos dependente, mesmo no aspecto financeiro.

Como um organismo, a igreja está em transformação. Isso, por um lado, nos preocupa, mas, por outro, nos anima. A unidade na diversidade não deve ser apenas uma frase bonita, mas um exercício constante em todos os níveis da igreja. Os paradoxos devem servir como estímulo à cooperação e ao crescimento espiritual de todos, individualmente, e da igreja como corpo de Cristo. Essa tem sido a principal mensagem da assembleia de San Antonio. [Diogo Cavalcanti, equipe RA]


LEIA TAMBÉM

Leia o relatório apresentado pelo secretário-executivo da igreja mundial na assembleia

Missão incompleta

Igreja Adventista já é a quinta maior congregação cristã do mundo 

Votação sobre ordenação de mulheres ao ministério pastoral repercute num dos jornais mais lidos dos EUA

Decisão da assembleia mundial da igreja de não autorizar as divisões a ordenar mulheres ao ministério pastoral foi abordada pelo The Washington Post

washington-post-homeA decisão tomada ontem pela assembleia mundial adventista de não autorizar as 13 divisões da igreja a ordenar mulheres ao ministério pastoral em suas regiões repercutiu no site de um dos jornais mais lidos pelos norte-americanos: o The Washington Post.

O porta-voz da igreja em nível mundial, Garrett Caldwell, foi um dos entrevistados pela reportagem. Caldwell procurou contextualizar a discussão sobre o assunto e disse que não é possível prever quais serão os desdobramentos da decisão.

Buscando uma opinião externa, o veículo de comunicação também ouviu a editora Bonnie Dwyer, da revista norte-americana Spectrum, publicação independente de tendência progressista. Ela opinou sobre os possíveis impactos do voto tomado pela igreja especialmente nos lugares em que começam a surgir movimentos favoráveis à ordenação de mulheres ao ministério pastoral.

O jornal destacou o fato de a votação ter sido o tema mais importante e intenso da agenda do evento que acontece a cada cinco anos e considerou que o assunto é tratado de uma perspectiva mais conservadora pela igreja no Hemisfério Sul.

Outro ponto levantado pelo periódico foi o pedido feito pela liderança mundial adventista para que a igreja se mantivesse unida a despeito das diferentes opiniões manifestadas sobre o assunto. A matéria chega a citar trechos do discurso feito pelo presidente da Associação Geral, pastor Ted Wilson, após a votação.

A reportagem é assinada pela repórter Michelle Boorstein, que escreve sobre religião no The Washington Post. [Márcio Tonetti, equipe RA]

Do outro lado do mundo

60% das igrejas de Sidney são étnicas, o que dificulta o evangelismo da amizade numa sociedade altamente secular

sydney-home

Créditos da imagem: adventist.org.au

O trabalho em outro pais é sempre desafiador e gratificante ao mesmo tempo. O desafio é natural pelo fato de se tratar de terras estrangeiras. A cultura, a língua local e o significado da religião na dinâmica dessa outra sociedade formam, sem dúvida, um cenário que exige preparo e adaptação do missionário.

Na Austrália, não é diferente. Especialmente em Sydney, a maior cidade do país, multicultural e com 4,2 milhões de habitantes. Lá, o hinduísmo, xintoísmo, islamismo e cristianismo convivem lado a lado na Austrália, um país historicamente novo (200 anos desde seu descobrimento pelos ingleses no fim do século 18), cuja população é formada, na maioria, por imigrantes da Europa, Índia, China, Japão, Oriente Médio e Leste Europeu.

Ali, portanto, religião é considerada assunto de fórum íntimo e nunca levado à esfera pública, a fim de que se mantenha um convívio pacífico. A pregação do evangelho encontra uma barreira muito grande, já que a distribuição pública de folhetos, livros ou outros materiais de cunho religioso é proibida e só pode ocorrer mediante a autorização da prefeitura.

Além do aspecto cultural-religioso, a condição socioeconômica também não favorece a evangelização. Sendo um país rico e desenvolvido, muitas pessoas têm boa qualidade e vivem um estilo de vida consumista, secularizado, materialista e existencialista. No entanto, o ser humano é ser humano em qualquer lugar do mundo. Suas necessidades mais profundas por uma vida com significado e transcendência, são universais.

E é no serviço desinteressado, por meio da amizade e na prática diária das virtudes cristãs, que temos encontrado muitas oportunidades para compartilhar Jesus. Sou pastor de uma igreja de fala portuguesa e outra de fala inglesa. A primeira tem uma dinâmica muito parecida com a do Brasil e de Portugal. Enquanto a segunda é mais desafiadora, porque acolhe 15 nacionalidades e falantes de dez idiomas. A ausência de uma cultura uniforme torna muito difícil o visitante se identificar incialmente com a igreja, prejudicando assim o evangelismo da amizade. O ponto é que 60% das igrejas de Sidney são étnicas.

Porém, Deus tem abençoado ricamente nosso trabalho nesses anos no Sul do Pacífico. Seguimos humildemente na confiança de que ele ainda tem muitas bênçãos e oportunidades para a igreja nessa região.

André Vieira é pastor em Sidney, Austrália.

Celebrando a missão

Assembleia é marcada por sermões e testemunhos sobre a razão de ser da igreja

sermao de sabado foi proferido pelo pastor GT Ng

Em grande parte, foi o amor pela missão que nos tornou quem somos, uma igreja global e unida. Essa mesma paixão é nossa razão de ser e nossa segurança para o futuro. Num dos dias mais festivos da cultura norte-americana, 4 de julho, Dia da Independência, as delegações festejaram a missão no primeiro sábado da assembleia mundial. Começando por um devocional sobre cristianismo prático, passando pela primeira lição do trimestre que tem como tema os missionários da Bíblia, até os primeiros relatórios das divisões, os olhares se voltaram para a missão.

pastor mark finley na assembleiaA celebração da missão já havia começado na sexta-feira à noite, com o pastor Mark Finley. Em sua mensagem “Por que evangelismo?” analisou a necessidade de a igreja manter acesa a chama da missão, refletindo sobre o interesse de Deus pelo mundo. Falou sobre a vontade divina de que “todos cheguem ao arrependimento e ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2:4). Ele não quer que ninguém pereça (2Pe 3:9). “Você se preocupa com sua salvação?”, Finley perguntou ao auditório. Reafirmou em seguida que “Deus está muito mais interessado em nossa salvação do que nós mesmos”. Ele também se interessa pelos que estão longe do Pai, pois também os ama e quer salvá-los por nosso intermédio. Não podemos ficar indiferentes, não podemos nos acomodar, insistia o pastor Finley.

Numa sequência de frases eletrizantes e cheias de apelo, Finley abriu seu coração para a igreja mundial reunida ali. Falou de seu pai. “Nos últimos anos passei por momentos muito difíceis na família. Perdi meus pais. Quando fazia minhas séries evangelísticas pelo mundo, sempre ligava para meu pai e dizia: ‘Pai, estou em Copenhague, pai, estou em Tóquio, pai, estou em Moscou. E sempre meu pai me respondia: ‘Estou orando por você, filho’. Meu pai tinha um amor tão desinteressado que se esquecia de si mesmo e orava por mim. É possível que, mesmo ao fechar os olhos na morte, seu último pensamento tenha se concentrado no filho.” Então, afirmou que, se seu pai o amava assim, Deus nos ama muito mais. “Somos compelidos pela graça de Cristo. Não podemos ficar em igrejas confortáveis, não podemos nos entreter uns aos outros. Temos que agir pela salvação das pessoas ao nosso redor.”

Embora sentíssemos sua dor ao falar da perda de seus pais, foi o amor à igreja que fez seus sentimentos virem à tona. Com voz embargada e olhos marejados, fez um tocante apelo à assembleia da igreja mundial para que se unisse pela missão e para a missão. A ideia é que precisamos de unidade para termos missão e, sem o foco na missão, perdemos a unidade.

Transformação e ação

As demais mensagens e encontros só falaram de ação. No devocional de abertura, Sikhu Hlatshwayo, natural do Zimbábue e residente nos Estados Unidos há dez anos, falou sobre a importância de não nos contentarmos com um conhecimento teórico. “Não basta saber que, na Bíblia, o casamento é uma união por toda a vida, sem saber se a Palavra ensina a ter um casamento feliz.” “No evangelismo”, Sikhu disse, “podemos nos distrair com a busca por melhores métodos, enquanto Deus está buscando pessoas melhores.” Mais à frente, comentou: “Não estamos esperando a segunda vinda, mas Jesus”. O foco não está no pensamento abstrato, mas num relacionamento verdadeiro com Deus. Seu apelo foi: descubra como seu conhecimento pode mudar quem você é.

Na Escola Sabatina, dirigida por três apresentadores, com a participação ocasional de professores e crianças, acompanhados de testemunhos em vídeos, discutiu-se o significado e a importância dos missionários – algo mais do que oportuno. O pastor Ted Wilson fez um apelo ao fortalecimento da frequência à Escola Sabatina, dizendo que “quando adultos não vão para a Escola Sabatina, os filhos também não vão. Ele conclamou os líderes de todos os níveis da igreja a reavivar esse ministério”.

Larry Evans apela para que se dê mais atenção à comunidade surda.

Larry Evans apela para que se dê mais atenção à comunidade surda.

O pastor Larry R. Evans, coordenador do Ministério Internacional aos Surdos, falou do trabalho por esse grupo específico, que representa aproximadamente 70 milhões de pessoas ao redor do mundo. Evans contou a história de uma surda que lhe confidenciou em lágrimas que, pessoas de outras denominações haviam dito para ela que os surdos são pessoas endemoniadas cujos espíritos malignos precisam ser expelidos. Ela ficou feliz quando o pastor Evans pregou para ela e outros surdos, que eles que tinham sido criados à imagem de Deus. Aquela mensagem inclusiva trouxe alegria para o coração dela: “Não sou a minha deficiência, tenho uma identidade pessoal, também tenho dons!”

Outro belo testemunho foi sobre o pastor Norman Ferris e sua esposa Ruby, que serviram como missionários nos anos 1940, nas Ilhas Salomão. Entre muitas de suas histórias de amor altruísta, certa vez, Ruby se deparou com duas crianças com malária. Então, as carregou por 10 km para que recebessem atendimento médico. De volta à ilha, décadas depois, em 1999, encontrou uma igreja estabelecida com mais de 1.800 adventistas em dezenas de igrejas.

Também foi relatado o tocante ministério aos leprosos na ilha chinesa de Dongguan, uma colônia de vítimas de hanseníase. Voluntários como a brasileira Sabrina Quadros, vão à ilha para limpar ferimentos e cuidar dos moradores, muitos deles abandonados pela família.

Sem perder o foco

Foi então que o sermão do secretário reeleito da Associação Geral, o cingapuriano G.T. Ng, trouxe uma reflexão sobre a relação entre identidade e missão. “Pensem como grupo, como igreja. Quem vocês são?” – perguntou Ng. Ele pregou que a identidade da igreja só pode ser definida a partir da identidade de Deus. A partir de então, fez um estudo de Daniel 10, em paralelo com Apocalipse 10, 12 e 14, capítulos em que encontrou a identidade da igreja, seu passado e sua mensagem, e concluiu: ”Quero fazer um apelo especial a todos nós. O tempo em que vivemos é um tempo extraordinário. Não temos muitos anos, possivelmente. Um amigo disse outro dia: ‘Se você nunca foi a uma assembleia mundial não deixe de ir a essa, pois não sabemos se será a última’. O mundo está ecologicamente, politicamente e socialmente falido. Não há esperança. Estamos em tempo emprestado”, avaliou.

“Nesta manhã, Deus está nos chamando a um compromisso maior com a missão”, apelou Ng. Sou responsável por mim e por minha esposa, para revolucionar nossas vidas. Precisamos orar pelas pessoas que estão nos blocos religiosos que não conhecemos. Você está disposto a dedicar uma parte importante de suas economias para ajudar a missão, para enviar missionários? Logo não teremos oportunidade de fazer isso, pois o dinheiro desaparecerá. Temos que nos entregar à missão”, enfatizou. Ele também expôs sua preocupação de que “ao discutir coisas que não são importantes, podemos perder de vista a missão da igreja”.

Novidades

Nas reuniões da tarde, com foco na missão, foram apresentadas as novidades nas missões mundiais, destacando ações e centros de influência nas áreas urbanas. Nos prédios de Manila, capital das Filipinas, existem quiosques onde são feitas avaliações de saúde; em Copenhague, capital da Dinamarca, existe uma loja de produtos de segunda mão que funciona como um centro de influência. Berit Elkjaher, uma das líderes do centro, diz que o projeto uniu a igreja, com pessoas de todas as idades, e foi além, atraindo voluntários da comunidade: “Um terço dos voluntários não é adventista. Eles vêm e perguntam se podem ajudar. Ficamos amigos de muitas pessoas e fazemos um trabalho que o pastor não poderia fazer, devido a suas ocupações.”

Outro projeto simples e inovador, o The Sabbath Sofa (“O Sofá do Sábado”), iniciado em Londres, dá a oportunidade de se falar sobre o sábado. Jovens colocam um grande e confortável sofá branco numa passagem de pedestres, com a placa: “Está cansado? Sente-se.” Ao se sentarem, um jovem num estilo cool as cumprimenta e pergunta: “Do que você está cansado(a)?”, e as pessoas abrem seu coração. O jovem então comenta: “Vamos supor que se você pudesse tomar 24 horas de sua vida, do por do sol de sexta ao por do sol de sábado, como seria a sua vida? Vários respondem naturalmente: “Seria incrível!” A partir de então, inicia-se um contato que pode levar pessoas a conhecer a mensagem do descanso sabático. O projeto tem forte presença na internet, especialmente, nas redes sociais e foi realizado na cidade de San Antonio, durante a assembleia mundial.

Há também mensageiros no mundo islâmico. Em países onde é proibido e criminalizado o ato de falar de Cristo ou ler a Bíblia, jovens têm sido encorajados a partir para esses países a fim de estudarem ali. Eles vão para universidades e fazem amizade com os colegas. Quando surge uma oportunidade de compartilhar sua fé, o fazem, como os antigos valdenses faziam. Perguntada sobre qual era sua maior prioridade na faculdade (os estudos ou a missão), uma jovem não identificada por motivo de segurança, disse que sua prioridade era ser missionária. O interlocutor, então, lhe disse, sorrindo: “Então você é como uma agente secreta?”

Histórias fecharam a programação, entre elas, a de um pastor chinês que escreveu sua própria Bíblia por memória, na prisão, e a de um jovem piloto de avião missionário, que assumiu o posto deixado por seu pai, que morreu no cumprimento do dever.

Muitos adventistas hoje demonstram ter o mesmo compromisso pela missão que os pioneiros das missões, mas é preciso que esse espírito contagie ainda mais a igreja global. Missão não é uma tarefa, mera obrigação, mas uma razão de viver, um estilo de vida, que não faz parte da vida cristã, mas é ela própria. Num momento em que as sociedades urbanas em todo o mundo passam por um rápido processo de secularização, a igreja é desafiada a reafirmar sua identidade e cumprir sua missão de todas as formas possíveis. Seu maior tempo e suas melhores energias devem ser canalizadas e dedicadas a isso. Unidos a Cristo e sua missão, estaremos unidos uns aos outros.

Diogo Cavalcanti, enviado especial da Revista Adventista para San Antonio, é pastor, jornalista e editor de livros na CPB